B12-Eco: Credibilidade e política monetária brasileira

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

REGRA VS DISCRIONARIEDADE

Após o domínio da teoria das expectativas racionais, surgiu o debate sobre regras vs discricionariedade (Kydland e Prescott) na condução da política monetária. Regras são definidas como politicas monetárias pré definidas, automáticas, que pouco requerem análise macroeconômica pelas autoridades monetárias, enquanto a discricionariedade ocorre quando a política monetária é conduzida conforme a necessidade e preferencias da autoridade monetária.

Em meio a este debate, surgiu o conceito de metas de inflação, para Bernanke e Mishkin não trata-se de uma regra rígida tradicional de condução de politica monetária, mas uma ferramenta que aumenta a transparência, comunicação e consequentemente agrega credibilidade a autoridade monetária.

CASO BRASILEIRO

No caso brasileiro tornou-se um instrumento essencial após a desvalorização do real, substituindo em 1999 a ancora cambial, segundo Fraga, ocorreu pelo receio de que aquele momento de crise e incerteza gerasse um descontrole nas expectativas de inflação. Assim, ao assumir a meta de inflação, houve uma clareza quanto ao objetivo do Bacen: estabilidade de preços na economia.

Mendonça e Santos (2006) propõe em seu trabalho um modelo de Credibilidade o qual confronta o IPCA pelo mesmo período e indica claramente a correlação negativa entre estas duas variáveis, evidenciando a deterioração da credibilidade a partir do segundo semestre de 2002 devido à combinação da perda de confiança na evolução da economia brasileira com o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais, em função da eleição de Lula, levou a uma aceleração inflacionária que somente foi revertida a partir de junho do ano seguinte:

Segundo Terra (2014), vemos que a politica monetária brasileira não reage como esperado a partir de 2011, período no qual a autoridade monetária adotou uma política monetária mais “próximas da discricionariedade”:

Esta política discricionária ficou clara quando surpreendendo as expectativas dos agentes o Bacen desencadeou o processo de redução permanente da SELIC entre setembro de 2011 a março de 2013, já que tínhamos uma elevada taxa de inflação no momento, como efeito, tivemos um abalo na confiança do Banco Central, pois ficou demonstrado que a política de reduzir os juros ia no sentido contrário a meta previamente anunciada de controle dos níveis de preço, surgindo a inconsistência dinâmica.

A inconsistência Dinâmica ocorre quando o Banco Central estipula uma meta de inflação, mas renega as politicas adequadas, de modo a buscar outro objetivo, distinto daquele previamente anunciado, a fim de estimular a economia acima de sua taxa natural de crescimento, mas com um preço futuro, que é o descontrole do nível de preços, objetivo primordial do Bacen.

Assim, para as futuras políticas monetárias, o banco central se vê inconsistente, pois ao anunciar uma política de redução de inflação os agentes não ajustam suas expectativas conforme o anunciado, assim, há uma necessidade da autoridade monetária elevar a taxa de juros acima do necessário caso houvesse sua credibilidade intacta. Conforme a curva de Phillips com expectativa racionais:

Onde π é a inflação do período, πe é a inflação esperada para tal período, µt-µn é uma medida que pondera o efeito do hiato do desemprego em relação ao seu nível natural e ε é algum choque de preço. Assim, caso a inflação do período não seja controlada através das expectativas dos agentes, a autoridade monetária tende a buscar o controle da inflação através do desaceleramento da economia e consequente aumento do desemprego.

Para finalizar, temos desde 2016 Ilan Goldfajn como presidente do Banco central, que tem buscado recuperar a credibilidade da instituição ao resgatar o regime de regras, atingindo este ano uma prévia de baixa inflação.

 

MISHKIN, Frederic.

Relatório de Inflação (https://goo.gl/o1GQkP)

https://goo.gl/q5edPx

https://goo.gl/QbaQvv

https://goo.gl/6HJdja

https://goo.gl/9EV6SB

https://goo.gl/Hhb58G

https://goo.gl/WDcZ7d

AUTORES: Grupo B Turma Economia Monetária

 

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K11-Eco: Economia brasileira: principais choques e respostas de política monetária

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

Ao analisar a conjuntura macro brasileira, nota-se um movimento de recuperação pós-biênio recessivo de 2015-16. O panorama estável nas principais economias do mundo deve persistir, enquanto o mercado interno apresenta reação em estágio inicial, com choques de oferta levando a inflação menor e expectativas convergindo para o centro da meta já em 2018.

No âmbito externo, há perspectiva de expansão da atividade econômica global. O crescimento nas economias avançadas – EUA, Japão, UE e Reino Unido – registrou aceleração no 2º trim. de 2017, repetindo o momento positivo vivido pelos países desenvolvidos nos últimos 5 trimestres. A China, maior parceira comercial do Brasil, manteve um ritmo de crescimento sólido, na casa dos 7%. Em termos de política monetária, há uma tendência de manutenção da condução expansionista, sobretudo no Japão. Nos EUA, a probabilidade de um aumento das fed funds vem caindo após ter beirado os 70% em Junho, estabilizando-se em torno dos 30%, reduzindo a possibilidade de que uma política restritiva por parte do ocasione saída de capitais capaz de refletir em variação do câmbio.

A recente trajetória dos principais indicadores de atividade econômica mostra sinais de recuperação gradual da atividade econômica. O cenário básico do Copom para a inflação envolve fatores de risco em ambas direções. Por um lado, a combinação de possíveis efeitos secundários do choque favorável nos preços de alimentos e da inflação de bens industriais em níveis correntes baixos e da possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação corrente pode levar à queda da inflação. Por outro lado, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação. O desempenho da safra agrícola teve efeitos expressivos sobre a atividade econômica. A dinâmica favorável dos preços de alimentos desde o 4º trim. de 2016 constituiu importante componente do processo de redução da inflação e surpresa desinflacionária, com impacto também favorável no PIB.

Os choques que propiciam um momento de expansão na economia brasileira, com aumento do PIB e queda na Inflação, exigem que o Banco Central utilize seus instrumentos de Política Monetária para garantir a estabilidade de preços. Além das respostas endógenas que o Banco Central já efetua – operando a política monetária para agilizar ajustes nos mercados financeiros – espera-se que do Banco Central uma postura ativista, que atue de forma a garantir que a inflação permaneça dentro da meta. Como as condições econômicas têm pressionado por inflação menor, espera-se que o Banco Central opere políticas monetárias expansionistas, com taxas de juros menores que a taxa de juros estrutural, incentivando o investimento produtivo e garantindo maior produto, com consequente aumento do nível de preços através dos ajustes no mercado de trabalho, garantindo que a inflação se mantenha na meta. Essa análise corrobora com a conduta adotada pelo Copom, que em reunião de Setembro anunciou diminuição da SELIC, deixando claro que sua conduta está sujeita as expectativas de inflação e a dinâmica econômica futura.

Pelos indicadores econômicos, podemos ver que a economia está caminhando para a estabilização e retomada da atividade produtiva. Devido à expectativa de crescimento menor da inflação, o relatório Focus de novembro mostra que o IPCA está em 3,09% e 4,04% para o próximo ano, mantendo-se estável e ainda dentro da meta de 4,5%. Já o câmbio, a tendência é que a moeda doméstica se deprecie (em relação ao dólar) de R$3,20 para R$3,30 ao final de cada período. A Selic tem a tendência de cair, a projeção para 7% até o final do ano, incentivando consumo e produção, a média é 6,88% em 2018, com previsão de finalizar em 7%; espera-se que o PIB aumente de 0,73% para 2,50%, devido ao maior crescimento da produção industrial e estabilidade do investimento no país e aliado ao avanço no primeiro trimestre.

 

Referências:” 

Valor Econômico – “Mercado corta projeção para inflação e taxa Selic, aponta Focus” (https://goo.gl/uEcWMB)

Focus – Relatório de Mercado 10/11/2017 (https://goo.gl/iEZUcE)

Relatório de Inflação – Setembro de 2017, Banco Central (https://goo.gl/o1GQkP)

Notas da 210ª Reunião do Comitê de Política Monetária (https://goo.gl/CJJ6Gd)

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10ª Edição.

 

Autores: Grupo K – Alunos de Economia Monetária

 

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E10-Eco: Metas de inflação – Definições e riscos após 2014

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

O regime de metas inflacionárias define uma faixa na qual a inflação deve transitar, este regime foi estabelecido no Brasil em 1999.

Desde sua implantação, as metas inflacionárias foram as seguintes:

É possível observar que o centro da meta se iniciou em 8% a.a., chegou ao patamar de 3,5%a.a., voltou a 5,5%a.a., e, desde 2005, está em 4,5%a.a. (com tolerância de 2%a.a. para mais ou para menos até 2016 e uma diminuição para 1,5%a.a. nessa tolerância a partir de 2017); para 2018 a meta continua sendo de 4,5%a.a., mas será reduzida em 0,5%a.a. pelos próximos dois anos.

Ancorando as expectativas inflacionárias pelo regime de metas desde 1999, temos que a inflação apresentou comportamento moderado neste período (com exceção do período entre o final do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso e o início do primeiro mandato de Lula, que apresentou certa turbulência neste quesito).

Porém, na virada de 2014 para 2015 houve um grande reajuste de preços administrados (que corresponderam a quase um quarto da inflação em 2015) acompanhado de aumento que já vinha ocorrendo nos preços livres.Em decorrência disto, a taxa de juros foi aumentada ao patamar de 14,25%a.a. (tendo começado tal elevação na reunião do COPOM de 29/10/2014, quando a taxa passou de 11 para 11,25%a.a.), nível este no qual permaneceu por mais de um ano (entre as reuniões de 29/07/2015, em que subiu de 13,75 para 14,25%a.a. e a de 19/10/2016, em que baixou de 14,25 para 14%a.a.).

Na atualidade, podendo observar o ano de 2015 com certo distanciamento, temos que houve considerável efeito da liberação de preços administrados sobre o índice inflacionário geral, o que se une ao fato de que os preços livres já vinham em certa inércia. O efeito de reajuste destes preços, nos períodos seguintes, tem sido mais suavizado e, unindo isto ao fato de que os preços livres também estão mais comportados, temos um cenário de queda na taxa de juros (na última reunião do COPOM, em 25/10/2017, a taxa Selic meta foi definida em 7,5%).

O risco que se teve de enfrentarmos um descontrole no rumo da inflação com o regime de metas inflacionárias é, desde 2014, consideravelmente baixo. Isso se baseia na observação dos fatos ocorridos e não no momento vivido entre 2014 e 2015 (em que as previsões eram de que este descontrole ocorreria muito em breve).

O que confirma esse baixo risco é o fato de que, mesmo com novas regras para os preços administrados, durante o governo Dilma, em 2015, instituiu-se a ideia das bandeiras de energia para reajustar a mais quando o custo de geração sobe, já com Temer, os preços dos combustíveis fósseis passaram a ser reajustados com maior frequência e em relação aos preços do mercado. Essas novas regras permitem que os administrados sejam mais parecidos com os livres e, mesmo em momentos em que observamos custos mais elevados em ambos (como tem ocorrido nos últimos trimestres), o impacto inflacionário total ainda é reduzido o suficiente para, segundo as previsões do Boletim Focus de 03/11/2017, fecharmos o ano de 2017 ligeiramente acima do limite inferior do regime de metas e fechar 2018 suavemente abaixo do centro da meta.

O risco mais importante é o referente a questão fiscal. Diversas reformas têm sido discutidas e algumas inclusive já foram aprovadas, mas ainda estamos distantes de equacionar a questão fiscal ao longo do tempo. Caso não seja devidamente solucionada, incorrerá em um aumento nas taxas de juros e também na própria inflação. Segundo relatórios da Instituição Fiscal Independente (IFI), o endividamento público pode superar 92% até 2023 sem uma adequada equalização fiscal, porém, tendo ancoradas as expectativas de inflação, este risco não sinaliza que veremos o sistema de metas de inflação sendo quebrado.”

Referências:

goo.gl/u8h6AS
goo.gl/hRNh56
goo.gl/QdDgTT
goo.gl/PzGmyf
goo.gl/Pxwsif
goo.gl/Gp9n5Q
goo.gl/FzQ79K
goo.gl/ZrNnoA

Figuras:

1 – Facebook BCB, acesso em 07/11/2017
2 – Scot Consultoria: goo.gl/QdDgTT

 

Autores: Grupo E de Economia Monetária

 

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G9-Eco: Inflação e desemprego no Brasil

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“A relação desemprego e inflação é comumente explicada pela Curva de Phillips (CP), que descreve um efeito negativo entre as duas variáveis. Entretanto, pelos dados dos últimos anos, percebemos que o caso brasileiro não pode ser totalmente explicado por tal teoria.

A figura 1 apresenta a relação entre a inflação e o desemprego no Brasil a partir de 2012. Através dos dados, percebe-se que a relação negativa entre inflação e desemprego não esteve presente no período total abrangido pela série, mas ocorreu em alguns períodos, como entre Jul/12-Nov/12 e Fev/16-Mar/17. No entanto, a partir de Abril de 2017, as variáveis movimentam-se na mesma direção, com redução no nível de preços e na taxa de desemprego.

A CP desenvolvida inicialmente representava um gráfico de dispersão utilizando dados de salários nominais e taxa de desemprego. Em seguida, dados de inflação foram utilizados no lugar de salários nominais e a relação negativa apresentada entre inflação e desemprego se tornou conhecida como a curva de Phillips.

A figura 2 apresenta um gráfico de dispersão, relacionando a inflação com o desemprego com dados do Brasil a partir de 2012. Esse resultado é o mesmo encontrado por Mishkin para dados dos Estados Unidos a partir dos anos 1970, em que não se verifica relação clara entre essas variáveis.

A CP novo keynesiana é a mais utilizada atualmente em estudos sobre a inflação. Nesta versão da CP, os agentes possuem expectativas racionais e existem falhas de mercado que geram certa rigidez nominal. Assim, tem-se que a diminuição do desemprego aumenta o poder de barganha dos trabalhadores, que exigem salários nominais maiores, aumentando o custo de produção que são repassados aos preços. Neste caso, tem-se que o desemprego é negativamente relacionado com a inflação, sendo esta a CP de curto prazo.

No entanto, no longo prazo, o mercado de trabalho deve estar em equilíbrio, de modo que a relação negativa entre desemprego e inflação desaparece.

Sachsida, Ribeiro e Santos (2009) estimam três CPs: CPs para os estados do Rio de Janeiro e de de São Paulo e CP para o Brasil. Os autores usam dados trimestrais de 1995 a 2008 e levam em consideração a mudança de regime, para isso, utilizam um modelo de Markov-switching.

Como proxy para a inflação, utilizam o IPCA. Como proxy para o custo marginal da empresa, são utilizadas diversas variáveis de acordo com a disponibilidade dos dados em nível estadual e nacional, sendo elas: massa salarial, utilização da capacidade instalada da indústria, taxa de desemprego e hiato do produto.

Após o estudo, os autores encontram evidências de que os parâmetros não são lineares. Além disso, ao adotar um modelo de mudança de regime, a expectativa de inflação passa a ter um coeficiente maior do que a inflação passada, sendo o oposto do que se encontra nos estudos em que não há mudança de regime, o que indica que modelos lineares podem subestimar o efeito da expectativa de inflação. Constataram ainda que os resultados não são robustos a alterações nas proxies e especificações adotadas, de modo que a curva de Phillips não é uma boa explicação para a economia brasileira no período considerado.

Embora a CP ainda seja uma das mais importantes relações macroeconômicas, vários economistas, incluindo Larry Summers, da Universidade de Harvard, apontam que a relação se “quebrou”. Uma das teorias é que isso ocorreu devido à competição internacional, que dificulta o aumento do preço dos produtos e dos salários. Outra teoria é a de que os Bancos Centrais se tornaram mais críveis no controle dos preços, sendo eles menos sensíveis à ciclos econômicos. Independe do motivo, a CP atualmente não é considerada uma boa ferramenta para prever a inflação.

Referências”

https://goo.gl/zGozUR

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1429.pdf

MISHKIN, Frederic. The
Economics of Money, Banking and Financial Markets
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10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

Autores: Grupo F

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G8-Eco: Taxa de crescimento da oferta de moeda e inflação

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“Para entendermos a relação entre a taxa de crescimento da moeda e inflação partiremos inicialmente da teoria quantitativa da moeda desenvolvida por economistas clássicos. Esta teoria nos informa a quantidade de moeda que o público deseja manter, dado o produto agregado, sendo esta, portanto uma teoria de demanda por moeda.

A equação de trocas, desenvolvida por Irving Fisher, define que:

MxV = PxY, a qual mostra que a quantidade de moeda ofertada (M) multiplicada pela velocidade de troca da moeda (V) devem igualar a renda nominal (PxY).

Esta equação pode ser transformada na teoria quantitativa da moeda se considerarmos que V é constante no curto prazo, assim temos que:

PxY = M x   Indicando que, por exemplo, uma duplicação na quantidade de moeda, resulta em uma duplicação da renda nominal, dado que V é constante no curto prazo.

Podemos aplicar a teoria quantitativa da moeda para contexto da inflação. Adotando as mudanças percentuais nas variáveis desta teoria e considerando que a inflação é dada por uma variação percentual no nível de preços temos que:

π = %ΔM – %ΔY. Essa equação mostra que a taxa de inflação iguala a taxa de crescimento da oferta de moeda menos a taxa de crescimento do produto agregado.

Esta análise é aplicável apenas no longo prazo (demonstrado por evidências empíricas), dado que salários e preços são flexíveis neste contexto, e que a relação entre inflação e crescimento da moeda depende da demanda e oferta por moeda. Já no curto prazo, temos certa rigidez nominal, o que significa que muitos salários e preços são fixados em termos nominais por algum tempo e normalmente não são reajustados quando há uma mudança na política econômica. Mesmo que a autoridade monetária convencesse trabalhadores e empresas de que o crescimento da moeda nominal seria menor, os salários fixados antes da alteração na política econômica refletiriam as expectativas de inflação anterior à mudança na política.

Repetindo a análise para o caso brasileiro, considerando a Base Monetária Restrita (M1) como oferta de moeda e a inflação medida pelo IPCA, obtemos alguns resultados relevantes, porém, com algumas limitações. A principal delas é a pequena série de dados disponível para consulta, iniciada apenas em 1980 (comparando com os EUA, as séries datam desde 1870, como observado no livro texto do Mishkin). Isso impede que uma análise relativamente eficiente seja feita dessa relação entre crescimento da moeda e inflação no Brasil.

Entretanto, mesmo com essa limitação temporal, é possível observar uma relação de longo prazo entre as variáveis mencionadas. Pela Figura 1, tanto nos períodos de grande inflação quanto nos de relativa estabilidade, a relação positiva do crescimento da oferta de moeda e inflação são bem observadas, como proposto em teoria. Analisando os limites, na década de 1990 a inflação anual média se manteve em torno dos 675,4% e o crescimento médio da moeda anual em 555%, enquanto que na década de 2010 (até 2017), essas mesmas variáveis se mantiveram em 6,2% e 7,6%, respectivamente.

No curto prazo, também foram obtidos resultados relevantes (Figura 2). Não é observada uma relação entre crescimento da oferta de moeda e inflação nesse contexto, novamente, indo de acordo com a teoria. Analisando os dados desde 1996 (antes desse período, há muita volatilidade das variáveis consideradas, grandes em módulo, também atingindo valores negativos devido à implantação gradativa do Plano Real iniciada em 1994, impossibilitando o uso de escala logarítmica), são observados períodos de grande crescimento da oferta de moeda e baixa inflação (o contrário também foi observado). Destacam-se os anos de 1997 (inflação em 5,2% e crescimento da moeda em 40,6%), 2007 (4,5% e 21,6%, respectivamente) e 2015 (10,7% e 3,5%, respectivamente) como anos em que as variáveis analisadas mais divergiram do comportamento esperado e proposto.

Fontes:”

Mishkin: Economics of Money, Banking and Financial Markets

Blanchard: Macroeconomia

goo.gl/TNXWXE

goo.gl/xqA73v

 

Autores: Grupo G – Turma de Economia Monetária

 

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G7-Eco: Volatilidade da taxa nominal de câmbio e risco país

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“Volatilidade é definida como o nível de variação de um determinado ativo em determinado período de tempo. É uma variável não observável a qual expressa de uma maneira simples o grau de incerteza que o investidor possui1.

O grau de volatilidade apresentado pelo Câmbio Brasileiro (R$/US$), anualizado está expresso em 15,37%. Em outras palavras, “probabilidade de variação” do preço da moeda estrangeira em um ano é de 15,37%2.

O Índice de Títulos da Dívida de Mercados Emergentes, EMBI (sigla em inglês para Emerging Market Bond Index) foi desenvolvido pelo Banco JP Morgan Chase para ser fonte de informação aos agentes dos mercados financeiros.

O EMBI+BR é também chamado de ”Risco-Brasil”, calcula o prêmio de risco que é a diferença (Spread) entre a média ponderada do retorno dos títulos soberanos brasileiros em comparação ao retorno dos títulos soberanos norte-americanos. Utilizado como parâmetro para avaliar a capacidade de um país de honrar sua dívida3.

Por exemplo, se devido a um temor dos agentes de o Brasil não honrar seus compromissos financeiros, eles exigirão uma taxa de juros maior para financiar a dívida brasileira, logo o diferencial (spread) entre o título brasileiro e o título norte-americano sobe, conseqüentemente a pontuação do Embi+BR sobe, elevando o ”Risco-Brasil”.

Graf1:Banco Central Brasil, IPEA.Elaboração própria Graf2:Banco Central Brasil,Federal Reserve.Elaboração própria

 

Em setembro de 2002, o EMBI+BR atingiu seu maior valor da série histórica 2446 pontos-base e a taxa Selic 20,9%. A narrativa populista do candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva gerou grande temor nos mercados financeiros com relação a provável vitória deste candidato. A taxa de cambio atingiu R$3,95 em outubro de 2002.A taxa Selic atingiu 26,32% em março de 2003, maior valor da serie histórica.

Com exceção de uma subida acentuada em outubro de 2008 (677 pontos-base, devido aos impactos da crise financeira internacional que aumentou a aversão ao risco nos mercados de capitais mundiais, escasseando o credito para países emergentes), houve queda significativa da pontuação do EMBI+BR, logo queda do ”Risco – Brasil” mantendo-se em nível estável4.

O respeito aos fundamentos do tripé macroeconômico, permitiram queda substancial da taxa Selic entre 2003-2008.A condução ortodoxa de política econômica do governo, especialmente na obtenção de superávits primários da ordem de 3% do PIB entre 2003-2008, geraram redução da relação dívida/PIB, diminuindo o ‘’Risco-Brasil’’.

Em conjunto, no período 2003-2009, pelo lado da balança comercial o grande boom de exportações e pelo lado do mercado de capitais a entrada de capital externo estrangeiro, houve maciça entrada de dólares no mercado brasileiro, valorizando a taxa de cambio.

Pelos gráficos vemos que a partir de 2013 a elevação da taxa Selic foi adotada para conter a inflação crescente. A Selic se elevou até o ano de 2016, em 14,25%, e a taxa de cambio apresentou trajetória consistente de desvalorização desde 2012, o que é explicado pelo EMBI+BR, pois sua trajetória acompanha tal processo de desvalorização cambial.

A partir dos gráficos, vemos que há um grau de correlação entre a elevação do Risco-Brasil e a desvalorização cambial. Elevações da taxa Selic, não necessariamente atraem maior capital estrangeiro para o país, pois conforme o prêmio de risco cresce, a participação de investidores estrangeiros nos papeis da dívida pública brasileira diminuem.

Nos EUA, no início dos anos 2000, a taxa de juros estava em 6,6%. Apresentou tendência de queda nos anos seguintes. Em meados de 2005 a Fed Funds volta a se elevar estacionando no patamar dos 5%, em parte devido aos sintomas do pré-crise4.

 Para combater os efeitos da crise de 2008, o Fed, adotou a política de quantitative easing no qual o Fed adquire grande quantidade de títulos públicos, mantendo as taxas de juros próximas de zero durante quase 9 anos. Desde 2015 vem havendo elevações marginais na taxa de juros, atualmente está em 1,15%.”

Fontes:

  1. 2-Calculo Proprio

 

AUTORES: GRUPO D Economia Monetária

 

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G6-Eco: Taxa de Câmbio nominal e suas relações com comércio e fluxos de capitais

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“A taxa de câmbio é comumente considerada uma das variáveis mais importantes no relacionamento entre uma economia aberta e seus parceiros comerciais. As políticas cambiais possuem efeitos sobre as transações comerciais e, com isso, possuem impacto no ciclo de negócios e no crescimento econômico como um todo.

A taxa de câmbio difere-se em termos nominais e reais. A taxa de câmbio nominal indica o preço do ativo financeiro, enquanto que a taxa de câmbio real indica o preço relativo entre duas moedas – o que permite medir a competitividade relativa entre os dois países em questão. Além disso, a taxa de câmbio nominal pode ser definida de duas formas: ela pode representar o preço da moeda doméstica (E´=US$/R$), ou o preço da moeda estrangeira (E=R$/US$).

Consequência das Flutuações Cambiais nas Contas Externas

Considere o “método” do preço da moeda estrangeira e suponha uma valorização cambial. Precisamos, agora, de menos reais para comprar a mesma quantidade de produtos estrangeiros, ou seja, as importações se tornam “mais baratas”. Assim, há um aumento na demanda de produtos importados, o que aumenta as importações. Ao mesmo tempo, as exportações ficam “mais caras”, pois há um aumento no preço dos produtos nacionais em termos de moeda estrangeira; com isso, pode ocorrer uma redução da demanda externa por produtos nacionais, o que leva a uma queda nas exportações –a elasticidade do produto influencia nessa circunstância. Portanto, a valorização cambial incentiva as importações e prejudica as exportações, enquanto que a desvalorização cambial tem uma consequência oposta.

Situação do Brasil

Muitas nações enfrentam problemas inflacionários e baseiam suas políticas cambiais no regime de câmbio fixo, caso do Brasil em meados da década de 1990. Neste regime, a taxa de câmbio não foi estabelecida no mercado de divisas e o governo impôs à sociedade a taxa de câmbio que, segundo os objetivos de sua política econômica, era a mais adequada para o país (paridade cambial de R$ 1,00 x US$ 1,00). Com isso, as exportações se reduziram fortemente e as importações cresceram de forma rápida, gerando um o acúmulo de déficits comerciais na Balança Comercial. 

Contudo, após a crise cambial de 1999, resultado entre outros fatores da elevada vulnerabilidade externa do país, o Brasil adotou um novo modelo de política econômica: regime de câmbio flutuante, sistema de metas de inflação e geração de constantes superávits primário. Nesse novo modelo, as taxas são estabelecidas em mercado e flutua em função da oferta e demanda de divisas; as taxas de juros são menores do que as observadas no período anterior, apesar de ainda continuarem altas; além disso, pode-se observar uma grande volatilidade na taxa de câmbio.

Figura 1: Contas do balanço de pagamentos (1999-2014) em milhões de dólares

 

A partir de 2000, mesmo com a forte desvalorização do real, nota-se que tanto as importações quanto as exportações aumentaram, resultado de uma maior abertura do Brasil.

Já em relação ao saldo líquido da conta financeira brasileira, vemos uma grande entrada de investimento estrangeiro, devido a fatores exógenos, que ajudou a valorizar o real. Essa valorização, entretanto, não afetou as exportações como “se esperava”. Percebe-se que a conta financeira compensou o saldo negativo das transações correntes.

Figura 2: Evolução da balança comercial e da taxa de câmbio nominal – 2000 a 2014 – Milhões de Dólares e R$/US$.

 

A forte valorização do real a partir de 2003 não teve um resultado determinante no saldo exportações. O que pode explicar essa situação, divergente da teoria, é o crescimento da renda dos outros países, especialmente da China que entrou na OMC em 2001 e era um grande demandante das commodities brasileiras. Além disso, houve um crescimento de empresas brasileiras exportadoras que tomaram proveito da situação e aumentaram a produção.”

Referências bibliográficas:

goo.gl/HBDYpm

goo.gl/CU1QuM

goo.gl/QfVkq3

goo.gl/P6Yp2d

goo.gl/DreBFB

goo.gl/TQif1t

goo.gl/TQif1t

Autores: Grupo H Turma de Economia

 

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