Curso de curta duração: Análise Macroeconômica

A macroeconomia numa abordagem moderna e eficiente! Que tipos de choques afetam a economia e o que esperar como resposta de política monetária e fiscal, de acordo com a teoria macroeconômica da corrente principal (mainstream).

Artigos científicos importantes serão discutidos em vídeos que você poderá assistir a qualquer momento e quantas vezes quiser no meu canal no Youtube (lançamento em breve). Aprenda com quem tem mais de 20 anos de experiência em ensino e pesquisa em macroeconomia. Vai ser divertido!!

Período previsto: 25 de abril a 13 de junho de 2018
Horário: quartas-feiras, das 19h às 22h40
Vagas: 30
Carga horária: 32 horas-aula (8 encontros)
Investimento:

R$ 1.600,00 (2 x R$ 800,00)

Descontos não cumulativos
20% para ex-alunos
10% para pagamento à vista
10% para mais de 1 pessoa por empresa

Local: Av. Paulista, 1499 – 4º andar
(entrada pela Al. Casa Branca,35)
Responsável: Profa. Dra. Roseli da Silva

Mais informações

Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – Fipe
Telefone: (11) 3289-0813
Fone/Fax: (11) 3284-1624
cursos@fipe.org.br

 Objetivo:
Quais os efeitos das políticas monetárias e fiscais nas flutuações macroeconômicas? Que tipos de choques afetam a macroeconomia no curto prazo? Qual a importância dos mercados financeiros para a macroeconômica? Por que as taxas de câmbio variam tanto? Por que é importante que o governo faça politicas econômicas que contribuam para a estabilidade da inflação? Estas e tantas outras perguntas serão respondidas, de maneira simples e de acordo com a estrutura lógica (modelos) da macroeconomia moderna, neste curso de análise macroeconômica. Partiremos de uma estrutura lógica simplificada e agregada, que possibilite a compreensão intuitiva dos principais resultados encontrados pelas pesquisas científicas sobre macroeconomia de curto e de médio prazos, nos últimos 30 anos, consolidada em modelos da corrente principal (mainstream).

Depois de completar esse curso…

1) Você será capaz de compreender os debates sobre politica econômica que sempre são destaque nos jornais e revistas nacionais e internacionais;
2) Você poderá avaliar com mais profundidade cenários econômicos para o futuro e, assim, tomar decisões mais qualificadas sobre onde investir suas economias ou como planejar sua carreira, por exemplo;
3) Você poderá avaliar a plausibilidade de cenários econômicos que são utilizados no planejamento estratégico das empresas, inclusive daquela em que você trabalha.

Público-Alvo:

Jovens profissionais, em formação ou recém-formados, que atuem tanto em instituições financeiras quanto nos demais setores da economia e que buscam ampliar seus horizontes e se qualificar para planejar uma carreira bem-sucedida;

Profissionais em meio de carreira que buscam atualização em seu conhecimento sobre a macroeconomia moderna, em que a interação entre choques de demanda e de oferta agregadas estejam no foco da análise da conjuntura;

Pessoas, com formação de superior, que buscam se informar mais e aprender sobre assuntos de macroeconomia para cultura geral ou atuação politica como cidadãos.

Pré-Requisito:

Conhecimento prévio de matemática de ensino fundamental (gráficos, funções simples, compreensão de tabelas) e disposição para usar a representação gráfica das relações de causalidade que compõem a estrutura lógica dos modelos macroeconômicos que serão apresentadas no curso.

Metodologia:

Nosso tempo em sala de aula é escasso e importante e será otimizado com a aplicação combinada de:
1) aulas expositivas dialogadas, que consistem em estratégias de engajamento dos estudantes no processo de aprendizagem;
2) material de apoio sintético para guiar os objetivos de aprendizagem da aula;
3) material de leitura próprio;
4) referências bibliográficas (artigos científicos) selecionadas para cada tema, combinado com vídeo curto, como atividade extraclasse complementar;
5) A cada 2 aulas, um quiz será realizado em sala por meio do aplicativo Socrative (versão estudante grátis e disponível para quaisquer dispositivos) e novamente em casa para estímulo ao estudo extraclasse.

Programa:

1. Macroeconomia: origens e escolas de pensamento
2. Flutuações x Crescimento econômico: curto e longo prazos
3. Determinantes do dispêndio doméstico em economia aberta
4. Taxas de câmbio, comércio e fluxos de capital
5. Política fiscal e sistema tributário: a sustentabilidade das contas do governo
6. Política monetária sob metas de inflação
7. Oferta agregada, expectativas de inflação e mercado de trabalho
8. Flutuações macroeconômicas: respostas de políticas econômicas frente a choques

Certificado de Conclusão:

Ao final do curso a Fipe emitirá um certificado de conclusão para os alunos que frequentarem, no mínimo, 70% das aulas.

Docente

Roseli Silva
Graduada em Economia e com doutorado em Teoria Econômica pela USP, a Profa. Dra. Roseli Silva consolidou sua carreira como docente e pesquisadora na FEA/USP de Ribeirão Preto, onde trabalha desde 2006, após mais de 8 anos de docência na Universidade Mackenzie em São Paulo. Sua área de atuação principal é Macroeconomia, atuando principalmente nos seguintes temas: regimes monetário e fiscal, mercados financeiros e finanças públicas. Além disso, como linha paralela, a Profa. Roseli também dedica-se ao estudo e implementação de inovações didáticas para o ensino de economia.

 

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Carreira Profissional e Protagonismo Feminino

 

Em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, profissionais mulheres, com percursos e etapas de desenvolvimento diferentes de suas carreiras na área de negócios, comporão uma mesa redonda em que compartilharão com estudantes e professores da FEARP/USP os desafios enfrentados em suas carreiras, principalmente os associados a questões de gênero.
O tema é de interesse de todos, mulheres e homens, já que todos atuarão em ambientes cada vez mais comprometidos em aumentar a sinergia que advém da diversidade e em diminuir as discriminações em geral e de gênero, em especial, que é o foco deste evento.

Convidadas:

Ana Malvestio 
Sócia da PwC Brasil | Líder de Diversidade & Inclusão | Agronegócio | Partner at PwC Brasil | D&I Leader | Agribusiness
PwC Brasil
https://www.linkedin.com/in/anamalvestio/

 

 

 

Regina Madalozzo
Associate Professor and Coordinator of the Professional Master in Economics at Insper
Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa
http://lattes.cnpq.br/5513340519508432

 

 

 

Amanda Mantovani 
Ex-aluna de ECEC da Fearp/USP
Gerente de Trade Marketing
AmBev
linkedin.com/in/amanda-mantovani-09285353

 

 

 

Compareçam!!
Data: 07/03/2018
Horário: 17h
Local: FEARP/USP – Auditório Ivo Torres
Avenida Bandeirantes, 3900 – Ribeirão Preto / SP

PRÉ-INSCRIÇÃO: http://bit.ly/Evento0703

Realização:
Comissão de Acolhimento e Orientação – CAO-FEARP
CA FLAVIANA
Apoio:
FEARP/USP
CAV-Mulheres
Chama as Mina – Atlética FEA USP Ribeirão Preto

Macroeconomia das Curvas que Pulam

Este é um post antigo sobre o ensino de macroeconomia, mas ainda bastante atual, infelizmente.

Random Walk

 

O banco central faz política monetária restritiva, a curva LM pula para a esquerda e para cima, a taxa de juros de equilíbrio sobe e a renda de equilíbrio cai.

Foi assim que você aprendeu macroeconomia (ou economia, em geral)? Eu sinto informá-lo, mas, parafraseando um velho amigo dos tempos de mestrado, “ou você enganou o sistema ou sistema enganou você”… Nesse caso, suponho que esteja mais para “o sistema enganou você”, infelizmente…

O instrumental matemático, algébrico ou gráfico, é apenas uma linguagem para expressar a lógica econômica, ou o modelo econômico, utilizado para descrever e compreender os fenômenos, é um meio, não um fim em sim mesmo. As curvas e os seus deslocamentos nos gráficos,  “as curvas que pulam”,  representam de maneira simplificada as decisões dos agentes econômicos frente à mudança em algum aspecto do seu conjunto de informações (um experimento de estática comparativa típico) e o resultado da interação entre os…

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B12-Eco: Credibilidade e política monetária brasileira

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

REGRA VS DISCRIONARIEDADE

Após o domínio da teoria das expectativas racionais, surgiu o debate sobre regras vs discricionariedade (Kydland e Prescott) na condução da política monetária. Regras são definidas como politicas monetárias pré definidas, automáticas, que pouco requerem análise macroeconômica pelas autoridades monetárias, enquanto a discricionariedade ocorre quando a política monetária é conduzida conforme a necessidade e preferencias da autoridade monetária.

Em meio a este debate, surgiu o conceito de metas de inflação, para Bernanke e Mishkin não trata-se de uma regra rígida tradicional de condução de politica monetária, mas uma ferramenta que aumenta a transparência, comunicação e consequentemente agrega credibilidade a autoridade monetária.

CASO BRASILEIRO

No caso brasileiro tornou-se um instrumento essencial após a desvalorização do real, substituindo em 1999 a ancora cambial, segundo Fraga, ocorreu pelo receio de que aquele momento de crise e incerteza gerasse um descontrole nas expectativas de inflação. Assim, ao assumir a meta de inflação, houve uma clareza quanto ao objetivo do Bacen: estabilidade de preços na economia.

Mendonça e Santos (2006) propõe em seu trabalho um modelo de Credibilidade o qual confronta o IPCA pelo mesmo período e indica claramente a correlação negativa entre estas duas variáveis, evidenciando a deterioração da credibilidade a partir do segundo semestre de 2002 devido à combinação da perda de confiança na evolução da economia brasileira com o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais, em função da eleição de Lula, levou a uma aceleração inflacionária que somente foi revertida a partir de junho do ano seguinte:

Segundo Terra (2014), vemos que a politica monetária brasileira não reage como esperado a partir de 2011, período no qual a autoridade monetária adotou uma política monetária mais “próximas da discricionariedade”:

Esta política discricionária ficou clara quando surpreendendo as expectativas dos agentes o Bacen desencadeou o processo de redução permanente da SELIC entre setembro de 2011 a março de 2013, já que tínhamos uma elevada taxa de inflação no momento, como efeito, tivemos um abalo na confiança do Banco Central, pois ficou demonstrado que a política de reduzir os juros ia no sentido contrário a meta previamente anunciada de controle dos níveis de preço, surgindo a inconsistência dinâmica.

A inconsistência Dinâmica ocorre quando o Banco Central estipula uma meta de inflação, mas renega as politicas adequadas, de modo a buscar outro objetivo, distinto daquele previamente anunciado, a fim de estimular a economia acima de sua taxa natural de crescimento, mas com um preço futuro, que é o descontrole do nível de preços, objetivo primordial do Bacen.

Assim, para as futuras políticas monetárias, o banco central se vê inconsistente, pois ao anunciar uma política de redução de inflação os agentes não ajustam suas expectativas conforme o anunciado, assim, há uma necessidade da autoridade monetária elevar a taxa de juros acima do necessário caso houvesse sua credibilidade intacta. Conforme a curva de Phillips com expectativa racionais:

Onde π é a inflação do período, πe é a inflação esperada para tal período, µt-µn é uma medida que pondera o efeito do hiato do desemprego em relação ao seu nível natural e ε é algum choque de preço. Assim, caso a inflação do período não seja controlada através das expectativas dos agentes, a autoridade monetária tende a buscar o controle da inflação através do desaceleramento da economia e consequente aumento do desemprego.

Para finalizar, temos desde 2016 Ilan Goldfajn como presidente do Banco central, que tem buscado recuperar a credibilidade da instituição ao resgatar o regime de regras, atingindo este ano uma prévia de baixa inflação.

 

MISHKIN, Frederic.

Relatório de Inflação (https://goo.gl/o1GQkP)

https://goo.gl/q5edPx

https://goo.gl/QbaQvv

https://goo.gl/6HJdja

https://goo.gl/9EV6SB

https://goo.gl/Hhb58G

https://goo.gl/WDcZ7d

AUTORES: Grupo B Turma Economia Monetária

 

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K11-Eco: Economia brasileira: principais choques e respostas de política monetária

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

Ao analisar a conjuntura macro brasileira, nota-se um movimento de recuperação pós-biênio recessivo de 2015-16. O panorama estável nas principais economias do mundo deve persistir, enquanto o mercado interno apresenta reação em estágio inicial, com choques de oferta levando a inflação menor e expectativas convergindo para o centro da meta já em 2018.

No âmbito externo, há perspectiva de expansão da atividade econômica global. O crescimento nas economias avançadas – EUA, Japão, UE e Reino Unido – registrou aceleração no 2º trim. de 2017, repetindo o momento positivo vivido pelos países desenvolvidos nos últimos 5 trimestres. A China, maior parceira comercial do Brasil, manteve um ritmo de crescimento sólido, na casa dos 7%. Em termos de política monetária, há uma tendência de manutenção da condução expansionista, sobretudo no Japão. Nos EUA, a probabilidade de um aumento das fed funds vem caindo após ter beirado os 70% em Junho, estabilizando-se em torno dos 30%, reduzindo a possibilidade de que uma política restritiva por parte do ocasione saída de capitais capaz de refletir em variação do câmbio.

A recente trajetória dos principais indicadores de atividade econômica mostra sinais de recuperação gradual da atividade econômica. O cenário básico do Copom para a inflação envolve fatores de risco em ambas direções. Por um lado, a combinação de possíveis efeitos secundários do choque favorável nos preços de alimentos e da inflação de bens industriais em níveis correntes baixos e da possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação corrente pode levar à queda da inflação. Por outro lado, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação. O desempenho da safra agrícola teve efeitos expressivos sobre a atividade econômica. A dinâmica favorável dos preços de alimentos desde o 4º trim. de 2016 constituiu importante componente do processo de redução da inflação e surpresa desinflacionária, com impacto também favorável no PIB.

Os choques que propiciam um momento de expansão na economia brasileira, com aumento do PIB e queda na Inflação, exigem que o Banco Central utilize seus instrumentos de Política Monetária para garantir a estabilidade de preços. Além das respostas endógenas que o Banco Central já efetua – operando a política monetária para agilizar ajustes nos mercados financeiros – espera-se que do Banco Central uma postura ativista, que atue de forma a garantir que a inflação permaneça dentro da meta. Como as condições econômicas têm pressionado por inflação menor, espera-se que o Banco Central opere políticas monetárias expansionistas, com taxas de juros menores que a taxa de juros estrutural, incentivando o investimento produtivo e garantindo maior produto, com consequente aumento do nível de preços através dos ajustes no mercado de trabalho, garantindo que a inflação se mantenha na meta. Essa análise corrobora com a conduta adotada pelo Copom, que em reunião de Setembro anunciou diminuição da SELIC, deixando claro que sua conduta está sujeita as expectativas de inflação e a dinâmica econômica futura.

Pelos indicadores econômicos, podemos ver que a economia está caminhando para a estabilização e retomada da atividade produtiva. Devido à expectativa de crescimento menor da inflação, o relatório Focus de novembro mostra que o IPCA está em 3,09% e 4,04% para o próximo ano, mantendo-se estável e ainda dentro da meta de 4,5%. Já o câmbio, a tendência é que a moeda doméstica se deprecie (em relação ao dólar) de R$3,20 para R$3,30 ao final de cada período. A Selic tem a tendência de cair, a projeção para 7% até o final do ano, incentivando consumo e produção, a média é 6,88% em 2018, com previsão de finalizar em 7%; espera-se que o PIB aumente de 0,73% para 2,50%, devido ao maior crescimento da produção industrial e estabilidade do investimento no país e aliado ao avanço no primeiro trimestre.

 

Referências:” 

Valor Econômico – “Mercado corta projeção para inflação e taxa Selic, aponta Focus” (https://goo.gl/uEcWMB)

Focus – Relatório de Mercado 10/11/2017 (https://goo.gl/iEZUcE)

Relatório de Inflação – Setembro de 2017, Banco Central (https://goo.gl/o1GQkP)

Notas da 210ª Reunião do Comitê de Política Monetária (https://goo.gl/CJJ6Gd)

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10ª Edição.

 

Autores: Grupo K – Alunos de Economia Monetária

 

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E10-Eco: Metas de inflação – Definições e riscos após 2014

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

O regime de metas inflacionárias define uma faixa na qual a inflação deve transitar, este regime foi estabelecido no Brasil em 1999.

Desde sua implantação, as metas inflacionárias foram as seguintes:

É possível observar que o centro da meta se iniciou em 8% a.a., chegou ao patamar de 3,5%a.a., voltou a 5,5%a.a., e, desde 2005, está em 4,5%a.a. (com tolerância de 2%a.a. para mais ou para menos até 2016 e uma diminuição para 1,5%a.a. nessa tolerância a partir de 2017); para 2018 a meta continua sendo de 4,5%a.a., mas será reduzida em 0,5%a.a. pelos próximos dois anos.

Ancorando as expectativas inflacionárias pelo regime de metas desde 1999, temos que a inflação apresentou comportamento moderado neste período (com exceção do período entre o final do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso e o início do primeiro mandato de Lula, que apresentou certa turbulência neste quesito).

Porém, na virada de 2014 para 2015 houve um grande reajuste de preços administrados (que corresponderam a quase um quarto da inflação em 2015) acompanhado de aumento que já vinha ocorrendo nos preços livres.Em decorrência disto, a taxa de juros foi aumentada ao patamar de 14,25%a.a. (tendo começado tal elevação na reunião do COPOM de 29/10/2014, quando a taxa passou de 11 para 11,25%a.a.), nível este no qual permaneceu por mais de um ano (entre as reuniões de 29/07/2015, em que subiu de 13,75 para 14,25%a.a. e a de 19/10/2016, em que baixou de 14,25 para 14%a.a.).

Na atualidade, podendo observar o ano de 2015 com certo distanciamento, temos que houve considerável efeito da liberação de preços administrados sobre o índice inflacionário geral, o que se une ao fato de que os preços livres já vinham em certa inércia. O efeito de reajuste destes preços, nos períodos seguintes, tem sido mais suavizado e, unindo isto ao fato de que os preços livres também estão mais comportados, temos um cenário de queda na taxa de juros (na última reunião do COPOM, em 25/10/2017, a taxa Selic meta foi definida em 7,5%).

O risco que se teve de enfrentarmos um descontrole no rumo da inflação com o regime de metas inflacionárias é, desde 2014, consideravelmente baixo. Isso se baseia na observação dos fatos ocorridos e não no momento vivido entre 2014 e 2015 (em que as previsões eram de que este descontrole ocorreria muito em breve).

O que confirma esse baixo risco é o fato de que, mesmo com novas regras para os preços administrados, durante o governo Dilma, em 2015, instituiu-se a ideia das bandeiras de energia para reajustar a mais quando o custo de geração sobe, já com Temer, os preços dos combustíveis fósseis passaram a ser reajustados com maior frequência e em relação aos preços do mercado. Essas novas regras permitem que os administrados sejam mais parecidos com os livres e, mesmo em momentos em que observamos custos mais elevados em ambos (como tem ocorrido nos últimos trimestres), o impacto inflacionário total ainda é reduzido o suficiente para, segundo as previsões do Boletim Focus de 03/11/2017, fecharmos o ano de 2017 ligeiramente acima do limite inferior do regime de metas e fechar 2018 suavemente abaixo do centro da meta.

O risco mais importante é o referente a questão fiscal. Diversas reformas têm sido discutidas e algumas inclusive já foram aprovadas, mas ainda estamos distantes de equacionar a questão fiscal ao longo do tempo. Caso não seja devidamente solucionada, incorrerá em um aumento nas taxas de juros e também na própria inflação. Segundo relatórios da Instituição Fiscal Independente (IFI), o endividamento público pode superar 92% até 2023 sem uma adequada equalização fiscal, porém, tendo ancoradas as expectativas de inflação, este risco não sinaliza que veremos o sistema de metas de inflação sendo quebrado.”

Referências:

goo.gl/u8h6AS
goo.gl/hRNh56
goo.gl/QdDgTT
goo.gl/PzGmyf
goo.gl/Pxwsif
goo.gl/Gp9n5Q
goo.gl/FzQ79K
goo.gl/ZrNnoA

Figuras:

1 – Facebook BCB, acesso em 07/11/2017
2 – Scot Consultoria: goo.gl/QdDgTT

 

Autores: Grupo E de Economia Monetária

 

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G9-Eco: Inflação e desemprego no Brasil

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“A relação desemprego e inflação é comumente explicada pela Curva de Phillips (CP), que descreve um efeito negativo entre as duas variáveis. Entretanto, pelos dados dos últimos anos, percebemos que o caso brasileiro não pode ser totalmente explicado por tal teoria.

A figura 1 apresenta a relação entre a inflação e o desemprego no Brasil a partir de 2012. Através dos dados, percebe-se que a relação negativa entre inflação e desemprego não esteve presente no período total abrangido pela série, mas ocorreu em alguns períodos, como entre Jul/12-Nov/12 e Fev/16-Mar/17. No entanto, a partir de Abril de 2017, as variáveis movimentam-se na mesma direção, com redução no nível de preços e na taxa de desemprego.

A CP desenvolvida inicialmente representava um gráfico de dispersão utilizando dados de salários nominais e taxa de desemprego. Em seguida, dados de inflação foram utilizados no lugar de salários nominais e a relação negativa apresentada entre inflação e desemprego se tornou conhecida como a curva de Phillips.

A figura 2 apresenta um gráfico de dispersão, relacionando a inflação com o desemprego com dados do Brasil a partir de 2012. Esse resultado é o mesmo encontrado por Mishkin para dados dos Estados Unidos a partir dos anos 1970, em que não se verifica relação clara entre essas variáveis.

A CP novo keynesiana é a mais utilizada atualmente em estudos sobre a inflação. Nesta versão da CP, os agentes possuem expectativas racionais e existem falhas de mercado que geram certa rigidez nominal. Assim, tem-se que a diminuição do desemprego aumenta o poder de barganha dos trabalhadores, que exigem salários nominais maiores, aumentando o custo de produção que são repassados aos preços. Neste caso, tem-se que o desemprego é negativamente relacionado com a inflação, sendo esta a CP de curto prazo.

No entanto, no longo prazo, o mercado de trabalho deve estar em equilíbrio, de modo que a relação negativa entre desemprego e inflação desaparece.

Sachsida, Ribeiro e Santos (2009) estimam três CPs: CPs para os estados do Rio de Janeiro e de de São Paulo e CP para o Brasil. Os autores usam dados trimestrais de 1995 a 2008 e levam em consideração a mudança de regime, para isso, utilizam um modelo de Markov-switching.

Como proxy para a inflação, utilizam o IPCA. Como proxy para o custo marginal da empresa, são utilizadas diversas variáveis de acordo com a disponibilidade dos dados em nível estadual e nacional, sendo elas: massa salarial, utilização da capacidade instalada da indústria, taxa de desemprego e hiato do produto.

Após o estudo, os autores encontram evidências de que os parâmetros não são lineares. Além disso, ao adotar um modelo de mudança de regime, a expectativa de inflação passa a ter um coeficiente maior do que a inflação passada, sendo o oposto do que se encontra nos estudos em que não há mudança de regime, o que indica que modelos lineares podem subestimar o efeito da expectativa de inflação. Constataram ainda que os resultados não são robustos a alterações nas proxies e especificações adotadas, de modo que a curva de Phillips não é uma boa explicação para a economia brasileira no período considerado.

Embora a CP ainda seja uma das mais importantes relações macroeconômicas, vários economistas, incluindo Larry Summers, da Universidade de Harvard, apontam que a relação se “quebrou”. Uma das teorias é que isso ocorreu devido à competição internacional, que dificulta o aumento do preço dos produtos e dos salários. Outra teoria é a de que os Bancos Centrais se tornaram mais críveis no controle dos preços, sendo eles menos sensíveis à ciclos econômicos. Independe do motivo, a CP atualmente não é considerada uma boa ferramenta para prever a inflação.

Referências”

https://goo.gl/zGozUR

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1429.pdf

MISHKIN, Frederic. The
Economics of Money, Banking and Financial Markets
.
10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

Autores: Grupo F

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