M-ECO: Modelos macro: comparando versões básicas

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Modelo de Walsh (2002)

Walsh utiliza um modelo que é composto por dois principais componentes para explicar o comportamento da Demanda Agregada (D.A) e da Oferta Agregada (O.A) em uma política de metas de inflação: 1) curva de Phillips aumentada pelas expectativas, sob a hipótese de rigidez de preços ou salários; 2) curva das regras da política monetária (RPM), representação reduzida do lado da demanda, e que reflete as preferências da Autoridade Monetária (trading off entre flutuações do produto e inflação).

Conforme observa-se na figura 1, Walsh representa a Curva de Phillips aumentada pelas expectativas da seguinte forma: de maneira simplificada, tem-se uma relação linear entre o gap do produto e inflação, onde a inflação observada é resultante da soma entre a inflação esperada, o estado do ciclo de negócios (representado pelo gap do produto), e por choques que afetam a inflação. Dessa forma, conforme observa-se no gráfico, seu intercepto com a taxa de inflação é igual a inflação esperada acrescida dos choques.

Walsh utiliza a hipótese de uma curva de regras da política monetária argumentando que nos modelos convencionais de D.A, a A.M fixa a quantidade nominal de moeda, e não reage imediatamente às mudanças na economia, tornando o modelo ineficiente para analisar metas de inflação. Também argumenta que este trata a política monetária como exógena, ao invés de mostrar que as ações de políticas monetárias são endógenas. A abordagem proposta pelo autor demonstra como a política monetária se comporta ao passo que os objetivos monetários se alteram durante o tempo. Assumindo uma meta de inflação, a A.M age de maneira ótima para manter as flutuações do gap do produto e da inflação em torno da meta.

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Modelagem de Mishkin (2009)

Mishkin apresenta um modelo expresso em termos da inflação e produto agregado. Considerando que os ajustes nos preços e salários se ajustam de maneira lenta no longo prazo, o autor propõe a existência de curvas de oferta diferentes para o curto e longo prazo.

Segundo o autor, “o nível de produto agregado produzido à taxa natural de desemprego” se denomina produto potencial, ou seja, o instante onde a economia se estabiliza no longo prazo para qualquer taxa de inflação. Como consequência, a curva de oferta agregada no longo prazo (LRAS) é vertical, dado um nível de produto potencial.

Já no curto prazo, a curva de oferta agregada é expressa em termos da expectativa de inflação, gap do produto, e choques nos preços (oferta). Ela também pode ser considerada como uma Curva de Phillips. Sob esta perspectiva, é possível observar que o nível agregado de preços se ajusta lentamente com o tempo, e o que determina a inclinação da curva de oferta agregada é o quão flexível são os preços e salários.

A curva de demanda agregada proposta por Mishkin descreve a relação da quantidade de produto demandados em relação à taxa de inflação, tudo mais constante. É constituída em 4 variáveis: consumo, investimento planejado, gastos do governo, e exportações líquidas de bens e serviços domésticos. Quando a taxa de inflação aumenta, a demanda agregada diminui no curto prazo, pois a taxa real de juros aumenta, diminuindo os investimentos em capital, o que decresce a demanda agregada. Assim, mudanças nessa curva ocorrem quando a inflação se altera, e a AM muda a taxa de juros real, e, assim, o produto real também se transforma. O modelo completo pode ser observado na figura 2:

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Análise comparativa

Após apresentados, notou-se as seguintes semelhanças entre os modelos: ambos os modelos apresentam suas ofertas agregadas como representações da Curva de Phillips, explicitando a influência das expectativas de inflação no modelo; os dois modelos mencionam a taxa de juros real como principal ferramenta de controle da inflação, mesmo que os resultados derivados das mudanças nela mudem nos modelos.

Os modelos se diferem nos seguintes pontos: Walsh torna explícita a ação da AM através da RPM, sendo suas ações consideradas endógenas no modelo, e trás uma melhora didática para o entendimento da política de metas de inflação pois associa diretamente a D.A com a taxa de inflação e o gap do produto, enquanto os modelos convencionais associam a D.A com o nível de preços e a taxa de inflação; Mishkin apresenta diferenciação entre a curva de oferta para o curto e longo prazos, o que não ocorre em Walsh. No modelo de Walsh, apesar de focar no papel da A.M, ele desconsidera as incertezas deste em relação com a posição da curva de Philips, e os objetivos monetários apropriados.

 

FONTES:

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

WALSH, C. Teaching Inflation Targeting: An Analysis for Intermediate Macro. Department of Economics, University of California, Santa Cruz, 2001.”

 

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L-Eco: Regras versus Discricionariedade

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“Kydland e Prescott deram início ao estudo sobre a credibilidade da política monetária, evidenciando a análise sobre inconsistência temporal. Na perspectiva desses, a utilização de regras para a condução da política monetária representa a melhor solução para que a política atual seja consistente com a política de equilíbrio futura.

Na política consistente, temos 1 como a sequência das políticas dos períodos de 1 até T, e 2 é a decisão correspondente do agente para cada período. Temos que a função do bem estar social é:

                                                   3

Assumindo, que a decisão dos agentes no período t depende de todas as políticas e decisões passadas. Então:

                                              4

Assim, a política 5 é consistente se, a para cada período t, 6maximiza o bem estar levando em consideração as decisões anteriores, e as decisões futuras sendo selecionadas similarmente.
Já que uma política consistente não considera os efeitos de políticas t+1 nas decisões dos agentes em T, essa apenas será ótima caso o efeito das políticas futuras nas decisões presentes dos agentes for nulo, mesmo tendo conhecimento de tal política no presente.

A inconsistência é facilmente mostrada por um exemplo de dois períodos:
Para T=2, 12 é selecionada maximizando 7, sujeito a:

8  e 9

Assumindo derivabilidade e uma solução interior, então necessariamente:
                                                                  10

A política consistente ignora o efeito em que 12 tem sobre 13. Então para o modelo ser ótimo, a condição de primeira ordem é:
                                                                    11

Apenas se o efeito de 12 em X1 for zero ou se os efeitos das mudanças de 13 em S através de X2 for zero, o modelo consistente será ótimo.

Desta maneira, as políticas devem ser tomadas de acordo com as ações presentes, sendo controversa a qualquer tipo de controle. Segundo Mishkin, para as regras de política há algumas contradições, pois não há conhecimento do verdadeiro modelo econômico, sendo essas muito rígidas não prevendo todas as contingências, além de não serem incluídas e modificadas facilmente.

Em contrapartida, o método backward induction não pode ser aplicada em períodos infinitos para determinar a consistência da política, pois não temos um período final para começarmos a indução.  O conceito de consistência pode ser definido em termos de regras.  Supondo no tempo t a economia pode ser demonstrada por um vetor 19, de política variáveis 6 de variáveis demissíveis 14, e de choques aleatórios  (temporariamente independente). O movimento no tempo:

                                                               15

O retorno da política de regra para o período futuro:

                                                               16

Agentes racionais vão atuar no futuro:

                                                               17

Portanto mudanças no futuro afetam o presente. Assim, a decisão dos agentes será:

                                                               18

Caso os agentes e os tomadores de política não possuem o conhecimento da dinâmica econômica, com o tempo, os agentes vão convergir para o equilíbrio de regras mostrado nas equações acima. Políticos deveriam considerar o trade-off  de resultados atuais relativos aos resultados esperados do futuro.

Assim, de acordo com o livro-texto é revelado às limitações potenciais de políticas discricionárias. Desta maneira, os tomadores de política tendem a abandonar um bom plano de longo prazo quando estão visando decisões de curto prazo. Os formuladores de políticas sempre procuram fazê-las mais expansionistas que as firmas e que os indivíduos esperam, pois tal política iria aumentar a produção econômica no curto prazo. Não sendo a melhor opção, pois essa interfere nas expectativas dos agentes sobre as políticas, levando a uma maior expectativa de inflação para o futuro, o que irá ocasionar um aumento no salário e no nível de preços, contudo não leva a um aumento na produção no longo prazo.

 

Referencias:
KYDLAND, F. E.; PRESCOTT, E. C. Rules rather than discretion: the inconsistency of optimal plans. Journal of Political Economic, v. 85, n. 3, p. 473-492, 1977.

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.”

 

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K-Ecec: Modelos Macro: comparando duas versões básicas

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A discussão será iniciada a partir do conceito de Demanda Agregada, baseada em três fatores macro:

  • Curva IS (Modelo Aberto): é a representação do equilíbrio no mercado de bens e serviços.

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  • Regra de Taylor: um aumento na inflação, deverá ser corrigido por um aumento em maior nível na taxa de juros nominal da economia, sendo o fato exemplificado na equação abaixo:

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Sendo, i =  taxa de juros real estimada por Taylor; i*= taxa de juros real de equilíbrio; π = taxa de inflação anual observada; n*= meta de inflação do Banco Central; Y = produto interno bruto (PIB); Y*= PIB de pleno emprego dos fatores de produção; an = coeficiente de sensibilidade à variação da inflação; ay = coeficiente de sensibilidade à variação do produto.

  • Paridade de juros a descoberto: Supõe perfeita mobilidade de capitais e ativos domésticos e internacionais sejam substitutos perfeitos. É representada pela equação abaixo:

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Seguindo o modelo acima apresentado, damos continuidade a explicação com a oferta de curto e longo prazo:

  • Curto prazo: como um processo evolutivo da curva de Phillips, sendo explanada pela seguinte equação:

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  • Longo prazo: ajuste completo das expectativas dos agentes de mercado, implicando em uma oferta vertical, sendo inexistente trade-off de longo prazo da economia.

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Em seu trabalho, Taylor (2000) se preocupa em discutir como deveria ser ensinado macroeconomia para níveis mais básicos de ensino afirmando que, atualmente, os métodos utilizados não ajudam os alunos a criar uma visão econômica mais intuitiva.

            Para compreender melhor a macroeconomia moderna, Taylor aponta cinco fatos estilizados para completo entendimento sobre a mesma:

  • O produto de longo-prazo (PIB Potencial) pode ser entendido como modelo de crescimento de Solow.
  • Não há trade-off de longo prazo entre inflação e desemprego.
  • Há trade-off de curto-prazo entre desemprego e inflação.
  • Expectativas de inflação e decisões políticas futuras são endógenas e quantitativamente significativas.
  • A taxa de juros nominal de curto-prazo (instrumento de política monetária) é ajustada em relação a eventos econômicos

            Com base nos tópicos apresentados acima, muitos economistas buscaram criar modelos macroeconômicos a fim de explicar as flutuações econômicas. Taylor afirma que estes modelos podem ser sintetizados em três relações principais: (i) a primeira relação se dá entre PIB real e taxa de juros real; (ii) a segunda relação é entre inflação e taxa de juros real; (iii) a terceira relação se dá entre inflação e produto real.

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Onde  e  são parâmetros de sensibilidade, é igual ao produto real;  é taxa de juros real; , inflação;  e são termos de ajustes a choques.

Combinando (i) e (ii) estabeleceremos a relação da Demanda Agregada: . A Oferta agregada, por sua vez, é estabelecida através relação (iii), a qual é representada horizontalmente, uma vez que o ajustamento de preço e inflação é lento.

 

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Como conclusão, é possível observar que ambos os modelos convergem para o mesmo resultado, levando em consideração a existência de trade-off de curto-prazo em relação inflação e desemprego e a não existência do mesmo no longo-prazo. Destacamos ainda que o modelo macro completo (primeira parte do trabalho) é mais extenso e apresenta minuciosamente descrito os fatores que influenciam o equilíbrio de mercado, como consumo, investimento, gastos do governo e exportações líquidas. Em contrapartida, o modelo macroeconômico descrito no artigo de Taylor, se fundamenta em modelos mais simples, como o modelo de crescimento econômico de Solow (Houston, we have a problem) e se foca em variáveis diretamente relacionada a inflação e desemprego.

 

REFERÊNCIAS:

  1. MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets – 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.
  2. TAYLOR, John. B. Teaching Modern Macroeconomics at the principles level – The American Economic Review, Vol. 90 (May, 2000), pp. 90-94.”

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K-Eco: Choques de oferta e demanda no Brasil recente

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“Choques de oferta e demanda deslocam as variáveis desemprego e inflação de seus valores nominais no curto prazo, demandando a ação da política monetária. Tal ação é balizada pela Regra de Taylor (1993). De acordo com a Regra de Taylor, se a inflação aumentar, é preciso que aumente a taxa de juros em proporção maior que o aumento da inflação para que ela volte ao seu patamar. O efeito dessa regra não é unanimidade: Gomes & Holland (2003) chegam a conclusão de que, dependendo do volume e perfil da dívida, a taxa de juros ser aumentada contribui positivamente para o combate à inflação mas aumentam o risco de default do país (analisaram o cenário brasileiro para chegar a esta conclusão).

Mishkin (2007): existem três fatos estilizados sobre a dinâmica inflacionária nos últimos anos: os choques de inflação estão declinando; a Curva de Phillips (que relaciona inflação e desemprego) está se tornando mais horizontal; a inflação tem se tornado menos reativa a choques nos preços. Os três fatos estilizados podem ser comprovados com uma observação do mundo desenvolvido: EUA com um crescimento sutil que não acomoda ainda elevação sustentável de sua taxa de juros, Europa com crescimento leve e preocupação com endividamento e Japão que mesmo com estímulos imensos (conhecido até como “jogar dinheiro de helicóptero”{1}) não tem conseguido os efeitos desejados.

Enquanto isso, no Brasil: atualmente há forte recessão econômica e inflação razoavelmente resistente (mesmo que em trajetória de queda). O que poderia ter acontecido para alcançarmos esta situação? Elencamos três fatores:

– Aumento do endividamento: a crise de 2008 originou-se nos EUA mas teve efeitos sobre o resto do mundo; por aqui, no segundo mandato de Lula, decidiu-se que a utilização de estímulos ao consumo e produção (redução de IPI, aumento da participação do BNDES) reduziria os efeitos; tal política culminou no crescimento de 7,6% do PIB em 2010. Porém, como todo medida anti-cíclica, há um limite: como isso não fora observado, continuou-se até o ano de 2014, o que elevou o endividamento sensivelmente; economistas divergem sobre o efeito do endividamento na atual recessão {2}, mas temos nele um choque positivo de demanda agregada: com o aumento dos gastos do governo aumenta-se o nível de produto no curto prazo para em seguida aumentar-se o nível de preços, levando o produto a patamares anteriores;

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– Quebra de expectativas no setor elétrico: com a Medida Provisória 579/2013, foi antecipada a renovação dos contratos de longo prazo com as empresas fornecedoras pelo motivo declarado de forçar uma redução na conta de luz. Sendo setor de longo prazo, em que investimentos são feitos num tempo e resultam em benefícios mais longos, houve queda no incentivo ao investimento: temos aqui um choque negativo de oferta, caso em que, para um mesmo nível de produto, o nível de preço estará maior. Outros preços administrados – como o da gasolina – também tiveram caminho parecido e, juntos, estes preços compuseram um quarto da inflação de 2015 {3};

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– Inferência governamental sobre a taxa de juros: a Regra de Taylor (supracitada) disserta sobre a relação entre a inflação e os juros. Em nosso país, tivemos um “descasamento” desta entre 2011 e 2012 {4}, resultando em aumento da inflação nos períodos seguintes e a necessidade de um aumento ainda maior da taxa de juros. Aqui temos inicialmente um choque positivo de oferta (a redução dos juros), que coloca para um mesmo nível de produto um nível de preços menor e, em seguida, um choque negativo de oferta (o aumento dos juros faz com que para um mesmo nível de produto um nível de preços maior ocorra).

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A recessão com inflação existente em nosso país é resultado dos fatores descritos acima. Recentemente, debate entre Carlos Kawall e Delfim Netto sobre os caminhos recentes da economia brasileira discute estes fatores {5}.

 

REFERÊNCIAS

TAYLOR, John B. Discretion versus policy rules in practice. Carnegie-Rochester Series on Public Policy, nº 39, p. 195-214. Stanford-CA, 1993.

GOMES, Cleoma & HOLLAND, Márcio. Regra de Taylor e Política Monetária em condições de endividamento público no Brasil. EconomiA. Niterói-RJ, dez/2003. Link: http://www.anpec.org.br/revista/vol4/v4n2p333_361.pdf

MISHKIN, Frederic S. Inflation Dynamics. National Bureau of Economic Research. Cambridge-MA, 2007. Link: http://www.nber.org/papers/w13147

{1} http://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2016/08/25/dinheiro-de-helicoptero-sera-testado-pelo-japao-diz-mobius.htm

{2}         http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-02/economistas-divergem-sobre-trajetoria-da-divida-publica-brasileira

{3}         http://www.valor.com.br/brasil/4383728/ibge-precos-administrados-disparam-18-em-2015

{4}         http://terracoeconomico.com.br/a-regra-de-taylor-e-clara

{5}         http://livestream.com/insper/Paineleconomico/videos/139987112

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J-Ecec: inflação e choques na economia brasileira

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““A visão monetária da demanda agregada liga a quantidade de moeda M ao total de gastos nominais em bens e serviços P x Y (sendo P=nível de preços e y=produto real agregado). Para fazê-lo, usa-se o conceito de velocidade da moeda: o número médio de vezes por ano que um dólar é gasto em produtos finais e serviços”, sendo a fórmula:

          V= (P x Y) /M

Rearranjando a fórmula temos:j-ecec-imagem-1

Dado um exemplo em que o v=2 isso irá dizer que a oferta de moeda suporta um nível de transações 2 vezes maior que o próprio valor.

A partir dessa fórmula encontra-se a curva de demanda, considerando que o V e M constante, uma mudança em P fará com que o Y tenha que ser alterado para manter o M x V constante, notando-se que a curva de demanda é uma curva negativamente inclinada. Um exemplo é quando v=5, m=1 trilhão, e o gasto agregado (P x Y) = 5 trilhões, caso o preço passe de 1 para dois o y iria diminuir de 5 trilhões para 2,5 trilhões.

 

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A demanda agregada é afetada por seis fatores que são, a oferta de moeda, os gastos governamentais, as exportações liquidas, os impostos, o otimismo do consumidor e o otimismo das empresas. Os impostos são o único fator que quando elevado causa um deslocamento para esquerda na curva, pois este aumento gera uma diminuição da renda disponível, causando uma redução do consumo e assim da demanda agregada. Já um aumento dos outros fatores gera uma elevação da renda agregada, deslocando a curva para a direita.

Como a curva de demanda agregada descreve a relação entre a quantidade de produto agregado demandado e a taxa de inflação, é importante mencionar que um aumento da demanda agregada quando a economia se encontra em pleno emprego, isto é, quando a demanda por mão de obra se iguala a oferta, gera um aumento dos preços principalmente nos setores de insumos básicos, isso leva a crer que um aumento desta demanda leva a um aumento da inflação.

No caso brasileiro temos uma situação incomum. De acordo com a pesquisa “Choques, risco fiscal e crise política fazem a inflação subir apesar da recessão maior” publicada pelo valor econômico, a relação entre PIB e inflação não se dá como o esperado, a piora das projeções para a atividade econômica não foi seguida por uma queda da inflação. As razões que explicam esse descasamento são:

-A desvalorização do real frente as outras moedas aumentando o preço dos importados;

-Um aumento maior do que o esperado nos preços administrados, como gasolina e conta de luz;

-Aumento nos impostos;

Além desses fatores o que pode ter contribuído para o distanciamento das curvas de inflação e PIB se deu por uma crise na confiança já que na época havia um cenário de impeachment, essas variáveis afetam ainda mais a inflação.

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Como temos um governo comprometido com o nível de preços estável, segundo a pesquisa o banco central aumenta os juros ao invés de diminui-los, o que seria o normal a se fazer em tempos de recessão a fim de estimular a economia. Há então a dificuldade de estimular a economia e conter o avanço da inflação, uma vez que como no gráfico uma tentativa de aumento da taxa de juros para conter a inflação levaria a uma diminuição ainda maior da atividade econômica.

No entanto, segundo Megale a combinação de uma inflação mais alta e um PIB mais fraco não pode ser vista como consequência de uma política monetária menos eficiente. Ele argumenta que a política monetária atua para alinhar essas duas variáveis, e que sem ela, provavelmente os distanciamentos seriam ainda maiores.

 

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

http://www.valor.com.br/especial/projecoes”

 

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J-Eco: Curva de Phillips

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O tradeoff de curto prazo entre inflação e desemprego fora descrito na literatura por Philips, que investigou a relação entre a taxa de crescimento dos salários nominais e a taxa de desemprego entre os anos de 1861 e 1957 encontrando empiricamente uma correlação não-linear e negativa para estas variáveis.

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Abaixo um dos gráficos do trabalho de W. Phillips, demonstrando a relação inversa:

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Já em 1960, Samuelson e Solow aplicaram o modelo para os EUA, porém, substituíram a variação dos salários nominais pela taxa de inflação dos preços, encontrando novamente uma relação inversa, batizando a mesma de “Curva de phillips”, passando a ser fundamental na decisão de politicas macroeconômicas. A equação abaixo demonstra a chamada curva de Philips:

j-eco_figura-3

                A relação se mostrou verdadeira até meados de 70, quando houve os choques do petróleo, onde houve aumento do nível de preços sem qualquer razão relacionada ao desemprego.

                As mudanças na conjuntura internacional fizeram com que as críticas, já do final da década de 60, dos economistas Phelps e Friedman ganhassem notoriedade. Segundo eles, no longo prazo a economia tenderia a taxa natural de emprego, ou seja, se o governo utilizar uma expansão de base monetária, com o objetivo de ampliar o produto, e assim o emprego, ter-se-ia um aumento no nível de preços. Assim, verificamos   a curva de Phillips, todavia, o nível de emprego acima do natural gera um excesso de demanda por trabalho, e consequente aumento nos salários nominais. Como o mercado de trabalho é regido por contratos esta pressão não será sentida de forma imediata, quando os contratos forem renegociados haverá um aumento dos salários, reduzindo a demanda por trabalho. Assim, os preços aumentam, mas o produto e o emprego voltam a suas taxas naturais, ou seja, efeitos apenas no longo prazo. Portanto, a curva de Phillips passa a valer apenas no curto prazo. Incorporando assim as expectativas de inflação a curva de Phillips, temos a conhecida expectativas adaptativas:

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Segundo o qual o agente aprende com os erros cometidos no passado, levando isso em conta na sua expectativa atual.

Por outro lado teremos as “expectativas racionais”, de Lucas e Sargent, onde os agentes fazem uso de todo o conjunto de informações disponíveis, assim, o valor esperado de uma variável coincide com seu valor real, a não ser quando há choques aleatórios:

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Caso Brasileiro

No caso brasileiro, podemos observar uma forte perseguição pelo Banco Central em combater a inflação, assim enfrentando o trade off inflação e desemprego, no caso, temos um aumento acentuado no desemprego desde 2014, atingindo o ápice esse ano, quando chegou aos 11,8% da população brasileira:

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Logo, segundo o modelo de Phillips, como consequências da alta de desemprego têm a expectativa de redução da inflação, como acompanhamos no relatório FOCUS apresentado pelo BACEN, onde a mediana do mercado aponta o fim do ano com uma inflação acumulada de 6,89%, mas vale destacar que esta expectativa caiu nas ultimas seis semanas, tendo uma tendência de continuar caindo.

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https://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20161021.pdf

http://www.ibge.gov.br/home/
http://nucleoeconomicooc.blogspot.com.br/2015/02/para-alem-do-trade-off-entre-inflacao-e.html

http://www.pet-economia.ufpr.br/banco_de_arquivos/00002_Rodrigo_cl_lima_e_silva_curva_de_philips_e_aplicacao.pdf

 

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I-Ecec: Tradeoff de curto prazo: desemprego e inflação e o caso brasileiro

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“Desenvolvida pelo economista William Phillips, a curva de Phillips descreve a relação negativa entre inflação e desemprego no curto prazo através da variação dos salários nominais, sendo estes substituídos posteriormente por inflação, que tem um papel mais central na macroeconomia. A análise de Friedman-Phelps da curva sugeriu que, no longo prazo, a economia alcançaria o nível de desemprego natural e, portanto, que o tradeoff entre inflação e desemprego existiria somente no curto prazo.

Com o choque do petróleo, houve a necessidade de adicionar à essa curva mais uma variável, o choque nos preços, , retratando mudanças na inflação que são independentes da contenção no mercado de trabalho ou expectativa de inflação, podendo ser descrita como:

i-ecec-curva-de-phillips

i-ecec-variaveis-curva-de-phillipsA partir da substituição de por , a inflação do período anterior, a curva de Phillips moderna com expectativas adaptativas pode ser descrita como:

i-ecec-img_1913

implicando que quanto mais os preços e salários forem flexíveis, mais responderão aos desvios do desemprego ao seu nível natural, tornando a curva de Phillips no curto prazo mais íngreme. Se salários e preços são completamente flexíveis, fica tão grande que a curva de Phillips de curto prazo torna-se idêntica à de longo prazo. Nesse caso, não há tradeoff de curto prazo ou longo prazo entre inflação e desemprego.

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No Brasil, segundo a pesquisa “A Curva de Phillips e a experiência brasileira” de 2009 publicada pelo IPEA, nas últimas décadas foram realizados vários estudos sobre este tema englobando diferentes períodos de tempo. Os primeiros foram feitos a partir de dados do período de 1982 a 1998 e através de estimativas lineares entres as duas variáveis, que confirmaram a relação entre elas. Foram utilizados o Índice Nacional de Preços ao Consumidor para a inflação e dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) para a taxa de desemprego. Consecutivamente, foram feitos estudos com estatística mais sofisticada, com a adoção de outros intervalos de tempo, o uso de dados do IPCA para inflação, a adição de meta de inflação, a separação entre preços monitorados e não monitorados e a credibilidade da política monetária, entre outros.

A determinação deste tipo de relação apresenta dificuldades, como o conjunto de variáveis a se adotar como aproximação de expectativa de inflação e custo marginal da empresa. Isso faz com que cada estudo selecione diferentes variáveis, uma vez que ainda não há um método de escolha, que se soma, ao caso do Brasil, à precariedade e à instabilidade econômica que caracterizou o começo da década de 1990.

O trabalho do IPEA tinha o objetivo estimar uma curva de Phillips para a economia brasileira no período Janeiro de 1995 a Abril de 2008, usando dados dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e Índice Nacional de Preços ao Consumidor para representar a variável inflação, que é o padrão para esse tipo de trabalho após a adoção do regime de metas de inflação. Adotou-se um modelo com mudanças de regime (Markov-switching) que possibilita a ocorrência de dois regimes distintos ao longo do período analisado. Com isso, foi possível incorporar uma relação não linear entre as variáveis estudadas, o que explicaria melhor períodos turbulentos do ponto de vista de séries econômicas. O resultado do estudo para o período foi de que a curva de Phillips tem pouca habilidade para representar a dinâmica inflacionária brasileira. O estudo apontou ainda que a estimação da curva de Phillips por métodos lineares seria viesada e ineficiente.

 

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

SACHSIDA, A; RIBEIRO, M; SANTO, C. TD 1429 – A Curva de Phillips e a Experiência Brasileira. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Brasília, out. 2009.”

 

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