Crise do subprime no Brasil: Marola ou tsunami econômico?

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Autores: Grupo 7 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

“Em 1990, devido a expansão do liberalismo, o cenário internacional passou a adotar medidas de desregulamentação de seus sistemas financeiros. Com a criação deste mercado financeiro unificado, houve um aumento da competitividade entre os bancos, resultando na diminuição da lucratividade das operações bancárias.  Como alternativa, os bancos americanos começaram a expandir o mercado de crédito imobiliário para clientes com histórico de crédito “sujo” (histórico de hábitos financeiros pouco saudáveis), também conhecidos como clientes subprime. Os contratos dessa linha de crédito eram formados com juros fixos nos primeiros 2 anos e, após este período, as taxas eram indexadas, tornando-se exorbitantes e aumentando os déficits das famílias subprime. Os preços dos passivos reais eram maiores do que seus ativos financeiros e geraram uma dívida insolvente.

Os investidores, percebendo este comportamento, começaram a vender seus títulos e derivativos que, com o excesso de oferta, obtiveram uma desvalorização. Assim, a unificação do mercado financeiro, que fazia com que os ativos não pertencessem apenas aos estadunidenses, mas também aos empresários do mundo inteiro, proporcionou o alastramento da crise via sistema financeiro.

O primeiro impacto sentido no Brasil foi a restrição de crédito internacional, gerando decréscimo das  exportações brasileiras e diminuição de crédito na economia doméstica. As empresas diminuíram seus investimentos produtivos, afetando a venda e produção principalmente dos setores agrícola, automobilístico, de construção civil, de móveis e eletrodomésticos. Entretanto, esse abalo sobre a economia brasileira foi amenizado graças ao expressivo aumento do Produto Interno Bruto (PIB), com base no aumento do consumo, taxa de investimentos e exportações, observados desde 2004.  Apesar de observarmos em 2009 uma retração de 0,33% do PIB (figura 1), ela se torna mínima, se comparada com o efeito da crise em países desenvolvidos (figura 2).

Projeção: JPMorgan – Global Data Watch, 19 de Outubro de Fonte: FMI. Elaboração: Idéias Consultoria.

Esse ciclo de crescimento acelerado em conjunto com as medidas anticíclicas adotadas em 2008 possibilitaram tendências de recuperação da economia brasileira nos períodos seguintes. As medidas adotadas incluíram: a expansão de liquidez da moeda estrangeira e doméstica, afim de reduzir a volatilidade do preço do dólar e os impactos da crise; e  oferecer maior disponibilidade de empréstimos para agentes financeiros. Já as políticas expansionistas (monetárias e fiscais) buscaram a reduzir a taxa de juros e amenizar as possíveis oscilações no PIB.

Frente à esse cenário, os resultados obtidos foram: redução do processo de desvalorização do câmbio, com o aumento da liquidez da moeda estrangeira e o aumento de  crédito aos setores mais afetados. Isso permitiu uma certa constância na taxa de desemprego, pouco comum em períodos de recessão. Os bancos públicos federais tiveram papel importante ao financiar os bancos comerciais e impulsionar a liquidez do mercado de créditos. Portanto, mesmo em meio a crise, o volume de crédito doméstico cresceu e possibilitou estabilidade do sistema financeiro.

Os objetivos do Governo brasileiro de aumentar a liquidez, à partir da expansão de crédito e da desoneração de impostos, foram eficientes: houve um aumento no consumo (decisivo para superar a recessão) e um crescimento da economia no período seguinte. Apesar dessa rápida retomada, a crise do subprime gerou uma dívida pública pelo conjunto de medidas anticíclicas, que em conjunto com a queda das exportações brasileiras (especialmente para China após a crise européia) e a política fiscal implementada entre 2010 e 2011 diminuiria o crescimento do PIB mais uma vez, apresentando em 2015 o pior resultado dos últimos 25 anos.”

 

Bibliografia

Deus, L.N.; LIMA, T. D., A crise de 2008 e seus efeitos na economia. Revista Cadernos de Economia, Chapecó, v. 17, n. 32, p. 52-65, jan./jun. 2013

JUNIOR, A.C.C.A.C.; MOREIRA, M. B. S. Interação entre políticas monetária, fiscal e cambial no Brasil. Economia e Desenvolvimento, Recife (PE), v. 12, no 1, 2013

FERRAZ, F. C. Crise financeira global: impactos na economia brasileira, política, econômica e resultados. 2013. Dissertação (de Mestrado em Economia) – Curso de ação em Economia (PPGE), Universidade Federal do Rio de Janeiro.

NETO, E.D. Análise da Política Econômica Brasileira no Pós-crise de 2008. Departamento de Economia – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Julho de 2015

Economia brasileira cresceu 0,9% em 2012, diz IBGE, G1 São Paulo. 01 de março de 2013

<http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/03/economia-brasileira-cresce-09-em-2012-diz-ibge.html> Acessado em 17.05.2017

Brasil está entre as 10 economias de menor crescimento em 2015. Época Negócios.

16.06.2015 <http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Resultados/noticia/2015/06

/brasil-esta-entre-10-economias-de-menor-crescimento-em-2015.html> Acessado em 17.05.2017

Brasil tem terceiro pior crescimento econômico do G20 em 2014. BBC Brasil. 27 de março de 2015 <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/03/150326_pib_

brasil_comparacao_fd> Acessado em 17.05.2017

Referência dos gráficos

Figura 1: IPEADATA

Figura 2: FMI. Projeção: J.P. Morgan. Elaboração: Ideias Consultoria

 

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Política fiscal no Brasil e seus rumos

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Autores: Grupo 6 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

Política fiscal compõe-se de medidas pelas quais o governo arrecada receitas e realiza despesas para cumprir três funções: estabilização da economia, por meio de baixos níveis de desemprego e estabilidade de preços; redistribuição da renda, alocando-a equitativamente entre as classes; e também a função de designar fornecimento eficiente de bens e serviços públicos, de forma a compensar as falhas de mercado.

Assim, quando as receitas arrecadadas superam os gastos, dizemos que o governo apresentou um superávit fiscal e se os gastos superam as receitas, déficit fiscal.

Com a adoção do Programa de Estabilidade Fiscal em 1998 e do sistema de metas inflacionárias em 1999, a agenda fiscal brasileira estava centrada na geração de superávits primários (resultado positivo das receitas e despesas do governo, exceto gastos com pagamento de juros) e expansão da carga tributária, a fim de recuperar a confiança dos agentes financeiros após o colapso do regime cambial.

Com isso, houve um enrijecimento da política fiscal de modo a reestruturar as contas públicas e demonstrar comprometimento com a dívida pública. Foram estabelecidas normas rígidas para o cumprimento de metas programadas, como a Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que maximizam a estabilidade fiscal.

O resultado mais visível da condução da política fiscal foi o aumento dos impostos que permitiu o crescimento dos superávits primários e dos gastos do governo, mas acentuou o processo de deterioração do sistema tributário presente desde 1980.

Ainda, o crescimento dos gastos do governo com contribuições sociais como o CIDE, a Bolsa Escola e o Fundo de Combate à Pobreza elevou o peso das despesas obrigatórias e colidiu com a proposta de consolidação fiscal.

  

A crise dos estados e municípios atingiu um ponto culminante no Plano Real com a elevação da taxa de juros e o fim do processo inflacionário. A política fiscal empregada foi resultado de um processo político no qual o poder de executar gastos é descentralizado, isto é, na mão de vários controladores que agiam de forma não cooperativa de acordo com incentivos dados pelo arranjo institucional.

Assim, as autoridades fiscal e monetária enfrentavam diferentes restrições e incentivos de modo que as formas de cooperação intergovernamentais e os pactos federativos foram postos de lado da agenda fiscal, deixando problemas na ordem federativa.

Consequentemente, a consolidação fiscal, pautada na atração de investimentos externos, trouxe a sustentabilidade da dívida e cessou o risco previsível de descontrole fiscal, porém cortou espaços de atuação pública e de políticas de defesa de estratégia ao desenvolvimento.

Por fim, mesmo com o aumento do superávit primário e o bom comportamento da economia internacional no governo de FHC em 2003, houve manutenção dos sintomas típicos de países emergentes sem moeda conversível e presa aos ciclos de crédito e aos choques de preços internacionais, com o agravante de crescer pouco em relação a esses países.

Assim, a análise convencional propunha que a solução para a volta do crescimento brasileiro se dava apenas por uma contração fiscal expansionista: o corte nos gastos primários poderia induzir um rápido aumento da confiança dos empresários no desempenho futuro da economia, permitindo um forte aumento do investimento privado e a retomada do crescimento da economia. Porém, podemos perceber que essa solução mascara a natureza complexa do problema fiscal, já que a contenção de gastos é somente uma peça do imenso quebra-cabeça que se tornou retomar o crescimento brasileiro.”

 

FONTES:

Metas de inflação e política fiscal, Rodrigo Hillbretch http://www.scielo.br/pdf/rbe/v55n3/a04v55n3.pdf

Política Fiscal

http://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt_PT/sobre-politica-fiscal

Política Fiscal Brasileira: limites e entraves ao crescimento, Francisco Lopreato

http://www.ie.ufrj.br/aparte/pdfs/akhairdividasetorpublico.pdf

Evolução Recente da Carga Tributária Federal – Assessoria Econômica do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Banco do Brasil – Resultado Fiscal de 2002

Ajuste fiscal no meio de uma recessão? Porque? Como?

http://plataformapoliticasocial.com.br/ajuste-fiscal-no-meio-de-uma-recessao-por-que-como/

 

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Evolução da taxa de juros e inflação brasileira desde 1999

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Autores: Grupo 5 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

No início de 1999, com o fim do câmbio fixo e num ambiente marcado pela incerteza quanto ao impacto da desvalorização do Real sobre a inflação, o governo anunciou que passaria a conduzir a política monetária por base no sistema de metas; estabelecido em junho de 1999.

O regime de metas de inflação é um regime monetário em que o Banco Central (BCB) age de modo a fazer a taxa de inflação convergir para uma meta pré-estabelecida. Seu objetivo é ancorar as expectativas de mercado que, de forma geral, orientam o processo de formação de preços na economia.

A meta e as bandas (o intervalo de tolerância) para a inflação são decididas e anunciadas pelo Conselho Monetário Nacional. Já a medida de inflação adotada é o IPCA cheio, tendo um ano calendário como período para o cumprimento da meta. Cabe ainda ao BCB cumprir as metas de inflação através da determinação da taxa básica de juros de curto prazo da economia (Selic), principal instrumento de política monetária.

O Comitê de Política Monetária (Copom), composto pela diretoria do BCB, se reúne a cada 45 dias e estabelece a meta para a Selic, e cabe ao BCB mantê-la próxima à meta. Como ela é utilizada como parâmetro, é a partir dela que as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos.

Se o governo deseja estimular o consumo e movimentar a economia, ele reduz a Selic. Se a economia está aquecida e a inflação começa a subir demais, ele a aumenta – os empréstimos voltam a ficar mais caros e as pessoas consomem menos, freando o aumento dos preços, disto vem o trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego. Numa economia aquecida há mais vendas e menos desemprego, entretanto, se a oferta não acompanha a demanda, os produtos podem ficar escassos, causando inflação.

Nos períodos em que a inflação ultrapassa o limite, o presidente do BCB divulga uma carta aberta ao ministro da Fazenda justificando o motivo do descumprimento da meta, o que ocorreu nos anos de 2001 a 2003 e 2015.

Em 2001, a alta inflação esteve associada à desaceleração da economia mundial, aos efeitos da crise argentina e aos ataques terroristas nos Estados Unidos. Internamente, houve crescimento acentuado dos preços administrados por contrato, principalmente das tarifas de energia (crise energética), o que aumentou a incerteza sobre o futuro da economia brasileira. Para conter a inflação o BCB elevou a Selic, fechando em 19%. Complementando a política de juros, o BCB também elevou o percentual das reservas compulsórias e fez intervenções no mercado cambial.

No curto prazo taxas de juros mais baixas levam a um produto maior estimulando o investimento e a demanda por produtos, levando a um aumento dos preços. No médio prazo um aumento da inflação vai diminuir a moeda real na economia, assim a taxa de juros aumenta. O resultado no médio prazo é uma taxa nominal de juros maior, na mesma proporção da inflação (efeito Fisher). Isto pode ser observado no gráfico abaixo.

De 2005 a 2013 vemos um relativo declínio da taxa de juros real, chegando ao seu menor patamar histórico no primeiro trimestre de 2013. A insustentabilidade dessa política fez com que, a partir de maio de 2013, o BCB iniciasse a recomposição da taxa de juros real aos patamares anteriores, sob o pretexto de combater a inflação.

Em 2015 o aumento acentuado da inflação se deveu ao crescimento da demanda acima da oferta e principalmente à liberação do aumento dos preços administrados, como luz, água e combustíveis, represados no ano anterior.

Atualmente as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, Por conta do cenário de recessão na economia, a inflação está em queda. Depois de somar 10,67% em 2015 e 6,29% no ano passado, a previsão dos economistas é de que o IPCA fique em 4,43% em 2017, abaixo da meta central de 4,5%, assim o BCB reduz s Selic para estimular a atividade econômica.

 

Fontes:

BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5ª Edição: Pearson Prentice Hall, 2011.

CONTRI, André Luís. Taxa de Juros e Inflação no Brasil. In Carta de Conjuntura FEE, Ano 23, número 03, 2014.

COUTO, Ana Cristina et alli. O regime de metas de inflação no Brasil: Características e algumas críticas aos seus principais fundamentos. In A Economia em Revista, Volume 18, número 2, Dezembro de 2010.

MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 8ª Edição. Rio de Janeiro: LTC, 2015

Série “Perguntas Mais frequentes”, Banco Central do Brasil, Regime de Metas para a inflação no Brasil”

 

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Do Mercado Financeiro, Bolsa de Valores e Ações.

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Autores: Grupo 4 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

“O Mercado Financeiro torna possível o comércio de mercadorias, câmbio e valores mobiliários, permitindo a angariação de capital, transferência de risco e o comércio internacional. Exerce, portanto, um papel primordial no entendimento da economia. Ele é composto pelo Banco Central do Brasil, que executa as normas do Conselho Monetário Nacional, Comissão de Valores Mobiliários e Instituições Financeiras, nas quais encontramos as bolsas de valores, sendo a B3 – Brasil, Bolsa, Balcão: resultado da fusão da BM&FBOVESPA e a prestadora de serviços financeiros Cetip- a única do Brasil.

A bolsa de valores organiza as negociações de ações e títulos em um ambiente seguro, garantindo que o investidor ou a empresa recebam o dinheiro que decorreu do encontro das empresas que abriram capital com os investidores. Sua segurança e eficiência decorre da existência da CBLB (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), uma empresa com fins lucrativos, filiada à B3 e responsável pela tutela das ações e títulos privados no mercado financeiro.

As ações estão divididas em dois grupos gerais: as ações ordinárias e as ações preferenciais. Todas são nominativas, o que significa que seu detentor é identificado nos livros de registro da empresa. As Ordinárias Nominativas (ON) são aquelas que possibilitam ao acionista, além do lucro, o direito de voto nas assembleias. Esses tipos de ações geralmente são menos procurados que as Preferenciais Nominativas (PN) – as quais visam somente ao lucro- são dificilmente negociadas por seus donos e, logo, possuem menor liquidez.

É fundamental salientar a importância das corretoras, que exercem o papel fundamental de intermediar as negociações entre os compradores, os vendedores e a bolsa no mercado primário. Pode-se presumir (incorretamente) que o intervalo entre as operações do mercado primário e secundário é grande; porém, a ferramenta denominada Home Broker torna possível que grande parte das negociações ocorram de forma automática e independentes da mesa de operações. A rapidez e eficiência tornam possível o processo de alavancagem, empregado nas operações de mercado futuro (operações de curto prazo) ou nas de day trade (vão até o encerramento do pregão do mesmo dia).

Embora os rendimentos obtidos na bolsa sejam formidáveis, ainda é muito pequena a parcela de brasileiros que investem em ações. Isso se deve, em parte, à insegurança por não entender e conhecer os mecanismos do mercado financeiro. Por isso, grande parte do volume de transações da Bovespa é negociado por investidores estrangeiros. Há uma tendência, porém, para que isso mude. A BM&FBOVESPA divulgou em 2016 números que expressam a participação de pessoas físicas investindo. A quantidade de investidores, que em 2002 era de 85.249 pessoas, passou a ser quase 560.000 pessoas. Um crescimento de mais de 6x.

Expressões como “a bolsa fechou em alta” ou “houve queda na bolsa” estão relacionadas ao Ibovespa, um indicador de desempenho médio em tempo real das cotações de ações e “pacotes de ações” das companhias de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro – como Bradesco, Itaú Unibanco, Vale e Ambev. O índice considera instantaneamente os preços de todos os negócios efetuados no mercado à vista (lote padrão) envolvendo as ações que compõem a carteira de ativos deste indicador.

Ao analisar o livro de ofertas de compra, percebe-se que existem ofertas a diferentes preços, uma vez que investidores querem comprar a preços distintos. Neste caso, a oferta que traz o preço mais alto aparecerá em primeiro lugar, no topo da lista, e o valor de uma ação é determinado pelo preço do último negócio fechado: se vale 10 reais, isso quer dizer que a última negociação foi feita por esse valor.

Ao conduzir o encontro dos poupadores e dos investidores, então, o mercado de ações incentiva a geração de poupança de longo prazo, a qual tem importância incontestável no processo de crescimento sustentado da economia e no aumento da saúde financeira das empresas.”

Referências: http://www.lomecard.com.br/como-funciona-a-bolsa-de-valores-aprenda-a-investir/

http://www.infomoney.com.br/

https://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/home

https://app.tororadar.com.br/universidade/#/cursos/

http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm

http://br.advfn.com/indice/ifix

 

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Alterações dos componentes da Demanda Agregada brasileira a partir de 2000

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Autores: Grupo 3 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

No final dos anos 90 a economia brasileira passou por grandes mudanças. A virada do século veio com otimismo para os brasileiros, que finalmente pareciam ter uma moeda sólida. Nos anos 2000 ocorreu tanto uma melhora no cenário econômico externo como uma mudança na política macroeconônima do governo. O crescimento econômico da primeira metade da década de 2000 pode ser caracterizado pela melhora do setor externo.  Já a partir da segunda metade da década, o governo realizou várias políticas expansionistas que auxiliaram no crescimento do país. Durante a crise de 2008, o governo adotou diversas medidas para aumentar o consumo e diminuir o desemprego (PAC, expansão de crédito do BNDES e incentivos fiscais). Com o crescimento acelerado da economia através destas políticas e o aumento da demanda agregada como consequência, a crise financeira de 2008 não apresentou grandes efeitos sobre o Brasil na época.

Porém algumas medidas do governo, como expansão de crédito, tabelamento de preço de energia, gasolina e outros, e o continuo  financiamento de obras públicas de grande escala demonstram que estas políticas podem ter durado tempo demais, causando assim um crescimento insustentável. O resultado dessas políticas expansionistas está sendo percebido agora pelos brasileiros, com mais de 13 milhões de desempregados, aumento da dívida pública, juros altos e alta inflação com baixo crescimento. A razão disso é que, apesar de a demanda agregada ter aumentado, a oferta agregada não conseguiu acompanhar esse crescimento. A seguir há uma análise de como os componentes da demanda agregada se comportaram a partir de 2000.

No que diz respeito ao consumo das famílias e do governo, a partir de 2002 houve uma queda do consumo do Governo, já que como medida contra a desvalorização do Real no mercado, o Governo cortou seus gastos e aumentou a taxa de juros real. Consequentemente de 2003-08 houve um aumento de seus gastos, pois suas políticas funcionaram anteriormente. Já em 2008, com a crise financeira que se instaurou no mundo, ocorreu uma queda drástica do consumo em ambos, mas com políticas de expansão de crédito, redução das taxas de juros, transferência de renda e aumento do salário mínimo, em 2009 o país voltou a ter seus gastos normais, até mesmo acima do que gastava antes da crise.

O montante de investimentos, tanto governamental quanto empresarial, não representa um alto valor na demanda agregada, pouco mais que 15% no período que diz respeito a 1999-2010. Desse valor, as empresas fazem parte de aproximadamente 14% da D.A. e os investimentos públicos de apenas 2%. O Governo não investiu muito em função – principalmente até 2004- do controle da inflação, porém essa taxa (2%) teve um leve aumento com uma política expansionista (criação do PAC e auxílio do BNDES). Já o investimento das empresas não mostrava taxas de crescimento, apenas queda, mas com as políticas expansionistas teve um crescimento (por volta de 2005), até a crise em 2008. Logo em 2009, voltou a subir, porque houve uma queda dos juros reais, o que elevou o PIB (reação que as empresas costumam ter quando se aumenta o PIB, investem), mostrando uma relativa recuperação pós-crise.

Com exceção dos anos em que houve crise, as exportações brasileiras tiveram uma taxa de crescimento maior se comparada à taxa de crescimento da demanda agregada no período de 1999-2010. Convém destacar que essas são representadas principalmente por commodities (por exemplo, o petróleo), e que alguns fatores como o efeito-China (rápido crescimento desse parceiro) e a abertura comercial frente a outros países embasam parte da dinâmica observada. Já em relação às importações (bens de consumo duráveis, não duráveis e bens de capital), o crescimento do PIB e a valorização da taxa de câmbio real contribuem para explicar a evolução das mesmas e assim, a redução do resultado das exportações líquidas no período.

 

SILVA, JOSÉ ALDERIR DA; LOURENÇO, ANDRÉ LUÍS CABRAL DE; Uma análise da evolução dos componentes da demanda agregada: Brasil, anos 2000. Indic. Econ. FEE, Porto Alegre, v. 42, n.1, p. 23-40, 2014.

Componentes da Demanda Agregada, valores correntes para o Brasil (1995-2013)-Dados das Contas Nacionas e Trimestrais, Ano: 2013. Disponível em <http://cnd.fgv.br/sites/cnd.fgv.br/files/Gr%C3%A1fico-%20Componentes%20da%20demanda%20agregada%20-%20consumo%20das%20fam%C3%ADlias%20e%20importa%C3%A7%C3%B5es%20(1).png> Acesso em 15 de abril de 2017.

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Keynes e o desemprego

Autores: Grupo 2 – REC2201-Macroeconomia 2017

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A teoria clássica desenvolveu, ao longo de décadas, alguns “postulados” sobre o mercado de trabalho, os quais sejam: os salários são iguais ao produto marginal do trabalho e a utilidade dos salários é igual à desutilidade marginal desse mesmo salário sob o mesmo volume do emprego (ideia da qual deriva o conceito de “desemprego voluntário”). O economista John Maynard Keynes, que rompeu com o mundo clássico, não aceitava este último postulado e defendia como algo intrínseco às economias de mercado a existência do chamado “desemprego involuntário”, que não era concebido nos modelos anteriores.

Para Keynes, o nível de emprego é determinado pelo mercado de produtos, através da demanda efetiva (composta por gastos com investimento e consumo), e não no próprio mercado de trabalho. Isto é, ao contrário dos clássicos, para quem o produto dependia do emprego, para Keynes, é o emprego que depende do produto. O princípio da demanda efetiva, que Keynes usa para se contrapor à chamada “Lei de Say”, diz que a atividade econômica é diretamente determinada pelos componentes da demanda.

Para justificar os gastos com investimento, que compõem a demanda efetiva, Keynes se vale de alguns pressupostos lógicos, entre os quais está a incerteza. Ao contrário dos clássicos, que pressupunham previsão perfeita e consideravam a moeda como simples meio de troca, Keynes incorpora à sua teoria as ideias de que a moeda possui reserva de valor e de que os agentes desconhecem boa parte dos acontecimentos vindouros. É desta última ideia que deriva a teoria da preferência por liquidez, segundo a qual os agentes podem abrir mão de juros e lucros em favor da segurança.

Outros fenômenos considerado por Keynes são os rendimentos providos pelo mercado de fundos emprestáveis; o mercado de bens de capital, de liquidez nula, cujos rendimentos, na margem, devem se aproximar às taxas de juros; e, por fim, a determinação do volume de investimento que será feito por parte dos agentes. Quanto ao consumo, Keynes diz que este é determinado pela renda e pela propensão marginal a consumir.

Keynes entendia que a correspondência entre a demanda efetiva e o pleno emprego era uma exceção, e não a regra. Poderia haver desencontro entre os planos dos agentes, utilização diversa dos recursos etc. Dessa forma, a chamada desutilidade marginal do trabalho não determinaria os níveis de emprego, mas sim um limite superior para este e um limite inferior para os salários reais. Ou seja, ao considerar que os salários reais eram iguais à desutilidade marginal do trabalho, a teoria clássica sobre desemprego descrevia apenas uma situação limite da teoria keynesiana.

Dada esta ideia principal – a de que o mercado de trabalho é determinado pelo mercado de bens, o qual depende da demanda efetiva -, Keynes define que o desemprego involuntário acontece quando, dado um certo aumento dos preços, tanto a oferta de mão-de-obra como a demanda por trabalho sob determinado salário nominal aumentam mais que o volume de emprego disponível.

Neste sentido, para Keynes, o que faz com que o desemprego seja involuntário é justamente o fato de que seus postos de trabalho não são um fim em si mesmo, mas sim motivados por um outro mercado, o de bens e serviços. Assim, numa situação de desequilíbrio, mesmo que a massa de trabalho aceitasse ter seus salários nominais reduzidos, é possível que não houvesse postos de trabalho o suficiente para todos.

Dado o problema, Keynes acreditava a resolução do desemprego deve se dar via aumento da demanda efetiva – o que se refletiria sob a forma de aumento do produto, do nível de preços e do emprego. Dado que o salário nominal é mais rígido que o real, uma redução deste último poderia aumentar o potencial de empregabilidade da economia. Isto, claro, quando tratamos de uma situação anterior à do pleno emprego. Após este ponto, medidas como essa só resultariam em aumento dos preços e dos salários nominais.

Bibliografia:

FERREIRA, Adriana Nunes. A controvérsia Pigou-Keynes. Texto para Discussão. IE/UNICAMP, Campinas, n. 237, jun. 2014.

KLAGSBRUNN, Victor Hugo. O princípio da demanda efetiva (a esperada), e o papel da demanda na teoria geral de Keynes. Revista de Economia Política, vol. 16, nº4 (64), outubro-dezembro/96.

NERY, Pedro Fernando Ferreira de Almeida. Uma resenha teórica sobre o desemprego involuntário. Economia e Desenvolvimento, Recife (PE), v. 11, nº 2, 2012.”

 

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Arthur Cecil Pigou (1877-1959) – A teoria do desemprego

Autores: Grupo 1 – REC2201-Macroeconomia 2017

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 “O que leva o trabalhador a não entrar no mercado de trabalho? Para os clássicos que consideravam o pleno emprego, aqueles trabalhadores que não aceitam trabalhar pelo salário de equilíbrio seriam os quais considerariam a utilidade marginal do lazer maior do que a do trabalho, ou seja, o desemprego seria um fenômeno voluntário. “Sempre existirá uma tendência significativa para que as taxas de salários tenham uma relação com a demanda [de mão-de-obra] de modo que todos fiquem empregados. Assim, em condições normais, todos [os trabalhadores] estarão empregados” (PIGOU, 1927). A intervenção do governo com políticas salariais não era apenas vista como desnecessária, mas indesejável, pois naturalmente o mercado de trabalho determinaria os salários de equilíbrio, e qualquer interferência indevida resultaria em desequilíbrio, e consequentemente, desemprego involuntário.

Fica clara a importância da Lei da Say para entendermos o pensamento de Pigou. De acordo com Say, “toda oferta gera sua própria demanda”, ou seja, os empresários devem expandir sua produção até que o mercado estabeleça um limite, e isso garante que no equilíbrio, o nível de emprego seja o de pleno emprego, no qual o valor da oferta agregada iguala a demanda agregada.

Para Pigou, o nível de emprego é dado pela intersecção das curvas de demanda e oferta reais de trabalho, então o desemprego seria resultado de flutuações da função da demanda real de trabalho não acompanhadas por uma modificação adequada dos salários. Então o desemprego seria fruto de uma política salarial não adequada. Uma das maneiras de sanar o desemprego seria então uma política salarial que possibilitasse que salário real se ajustasse perfeitamente às flutuações da demanda real por mão-de-obra, porém o volume de emprego só poderá expandir-se se o fluxo de bens de salários pagos ao trabalhador também aumentar.

Em seu livro, Theory of Unemployment (1933), Pigou explica:

Sempre haverá uma tendência a que as taxas de salário sejam ligadas à demanda de tal forma que todos estejam empregados. A implicação disto é que o desemprego existente, em qualquer momento, é inteiramente devido ao fato de que mudanças nas condições de demanda ocorrem continuamente e que fricções impedem que ocorra o ajuste apropriado de salários instantaneamente (p. 252).

Pigou define como desemprego o estado em que o trabalhador, dados os níveis de salário correntes, desejaria estar empregado mas não o está, ou seja, desempregado involuntariamente. Eliminando-se empecilhos institucionais, as fricções das flutuações industriais, os caprichos dos empregados e a competição perfeita dos assalariados, tem se que o mercado de trabalho ajustará o nível de salários ao de equilíbrio compatível com o pleno emprego.

Bibliografia

  • Rogério Arthmar, Pigou e a revolução keynesiana
  • Rogério Arthmar, Flutuações, Emprego e Tradição Clássica em Pigou
  • Adriana Nunes Ferreira, A controvérsia Pigou-Keynes
  • Marcelo Weishaupt Proni, Teorias do desemprego: um guia de estudo”  

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