Crescimento econômico x Flutuação macroeconômica

 

Autores: Grupo 13 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

As flutuações econômicas são caracterizadas por variações de curto/médio prazo, onde há a comparação da economia com o ano ou período anterior. Já o crescimento econômico se dá em longo prazo, onde se observam as comparações em uma escala mais ampla. Segundo Blanchard(4°ediçao) :“Nossas percepções sobre o desempenho da economia frequentemente são dominados pelas flutuações anuais a atividade econômica . Uma recessão leva ao pessimismo, e uma expansão leva ao otimismo. Mas, quando olhamos para trás e examinamos a atividade economia em períodos mais longos, digamos, no decorrer de muitas décadas, o cenário muda. As flutuações desaparecem. O crescimento, o aumento continuo do produto agregado ao longo do tempo se torna o fator dominante”.

Sobre o crescimento do Brasil:

Um fator que cada vez mais vem se tornando importante na determinação do crescimento econômico, no Brasil, é a produtividade. Esta, quando utilizada como medida geral denomina-se produtividade total dos fatores ou PTF, a qual retrata o crescimento de um produto por efeito da melhoria de sua elaboração, ou seja, através de avanços na tecnologia e aperfeiçoamento de gestão ou insumos de melhor qualidade, entre outros fatores. Pela teoria da produtividade total dos fatores podemos dizer que o produto de um país é criado pela cooperação entre os estoques de capital físico e de capital humano. Considerando como capital físico as estruturas utilizadas na produção de bens e serviços como máquinas equipamentos edifícios, etc, e o capital humano a capacidade de produção da força de trabalho sobre o tempo de estudo. Se observarmos duas economias que têm a mesma quantidade de capital físico e de capital humano, se uma dessas economias possuir o PIB maior do que a outra, consideramos que essa foi mais eficiente no uso de seu estoque de capital, portanto é mais produtiva. Ser mais produtivo, portanto, significa fazer mais produtos a partir de uma dada disponibilidade de capital humano e físico disponível na economia.

Resumidamente podemos citar que o crescimento do produto se deve a 4 fatores: aumento do estoque de capital físico, aumento da força de trabalho disponível, aumento do número médio de anos de estudos dos trabalhadores e o aumento da produtividade.

Recentemente a economia brasileira passou por grandes mudanças na sua estrutura produtiva. A indústria começou a ser um setor mais dinâmico, e a exportação se diversificou. Entretanto, a trajetória de crescimento do Brasil está relativamente inferior a dos demais países da América Latina com estrutura produtiva semelhante e também inferior à taxa de crescimento mundial.

 

Entre 1981 e 1990, a produtividade por trabalhador caiu 2% em média por ano. De 1991 a 2000, subiu 1,6% anualmente na mesma medida. O dado continuou positivo entre 2001 e 2010, mas o ritmo caiu para 1,2% ao ano. Entre 2011 e 2016, voltou a cair, agora com taxa média de 1,1% por ano. Tudo isso em contraste com o período anterior, entre 1950 e 1980, quando a produtividade do trabalho cresceu a uma média anual de 3,5%.Naquelas décadas, foi esse o principal fator responsável pelo crescimento expressivo da renda per capitado país (3,9% por ano, em média)”. O baixo crescimento da produtividade do brasileiro se deve por alguns fatores como, por exemplo:

Educação

Mesmo com o combate ao analfabetismo e o avanço de escolaridade da população o Brasil não viu reflexo disso em seus índices de produtividade, podemos ligar a fatores como, por exemplo, a questão da qualidade da educação (em 2014 40% dos universitários eram considerados analfabetos funcionais).

Tecnologia

“Em geral, associa-se a ideia de aumento de produtividade com o progresso tecnológico no âmbito da produção industrial. De fato, a criação de máquinas mais eficientes permite que se gere mais produção industrial a partir de uma mesma dotação de capital. Os países mais atrasados tiram proveito dos avanços tecnológicos dos países mais desenvolvidos, adaptando as tecnologias criadas por esses países sem incorrer nos custos de pesquisa e desenvolvimento, o que gera uma tendência à convergência na produtividade dos menos desenvolvidos com os países da fronteira tecnológica” Mesmo assim muitas vezes é caro importar maquinas e equipamentos, e os níveis de investimento nessa área são relativamente baixos e ainda falta incentivo publico a estimulo de inovação

Burocracia

A complexa burocracia brasileira e as deficiências de infraestrutura também têm um efeito importante sobre a produtividade das empresas. “É só notarmos a quantidade de pessoas que as empresas precisam empregar para conseguir pagar (processar) seus impostos – chegam a centenas de funcionários em grandes companhias como a Petrobrás. São pessoas que não trabalham na atividade-fim da empresa e, portanto, não ajudam a aumentar a produção”. O excesso de burocracia também favorece a manutenção das taxas altas de informalidade da economia – que pressionam o PIB e os índices de produtividade do país no geral.”

 

http://exame.abril.com.br/economia/produtividade-brasileira-nao-cresce-desde-1980-diz-estudo/

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/05/140519_produtividade_porque_ru

http://www.brasil-economia-governo.org.br/2012/10/01/o-que-e-produtividade-e-como-conseguir-seu-incremento/

https://www.insper.edu.br/wp-content/uploads/2014/09/Evolucao-Produtividade-Brasil.pdf

http://brasilemsintese.ibge.gov.br/industria/produtividade.html

Blanchard 4° edição.

http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?vcodigo=ECE370

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O Cenário da Desigualdade, Pobreza e Desemprego no Brasil

 

Autores: Grupo 12 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

A desigualdade no Brasil decorre de nosso contexto histórico. Tanta disparidade vem principalmente das políticas fiscais injustas, dos baixos salários e da dificuldade da população em acessar os serviços básicos oferecidos pelo Estado, como a educação. Esta desigualdade traz consequências negativas para a economia, como o aumento da violência, do desemprego e da pobreza.

Para discutirmos tal tema, precisamos realizar uma retrospectiva histórica e analisar a política econômica  adotada por cada governo, para que vejamos o impacto no mercado e na vida dos agentes. Partindo do Plano Collor, implantado em 1991/92 e baseado inteiramente em uma política monetária rigorosa e em restrições fiscais, vemos que a adoção de tais medidas gerou uma contração da demanda, afetando negativamente a capacidade das empresas de impor margens de lucro e o poder de barganha dos trabalhadores. Consequentemente, houve um aumento no desemprego. Com isso, as experiências de política econômica caminharam para o insucesso e os preços continuaram se elevando, aumentando a instabilidade.

A essa realidade, seguiu-se o Plano Real. O Governo, planejando a curto prazo, buscou um trade-off entre inflação e desemprego. Pela curva de Phillips, dada a rigidez dos preços e salários da economia, apesar de os agentes serem possuidores de expectativas racionais, faz-se necessário um período para ajustar as expectativas. Com isso, o governo consegue diminuir a inflação e aumentar o desemprego. Entretanto, a longo prazo, a nova estabilidade econômica permite a implementação e sofisticação de programas sociais.

Isto pôde ser observado a partir de 2003, no primeiro governo Lula, que foi marcado por atitudes mais conservadoras como a elevação da taxa de desemprego a patamares de 13% ao ano. Devido ao desaquecimento da economia,  houve, já no segundo mandato, uma flexibilização das políticas adotadas, levando ao crescimento da economia e, consequentemente, à queda do desemprego, da pobreza e da desigualdade social, além da ascensão dos programas sociais.

Chegamos então ao governo Dilma, que mudou políticas econômicas (congelando preços e abaixando taxas de juros), gerando em seus últimos anos um aumento da taxa de desemprego, da desigualdade social e da taxa de pobreza.

Depois de todo esse percurso, chegamos à conjuntura atual, onde o pais corre o risco de retroceder nos avanços dos períodos anteriores, chegando a um desemprego de 13, 7% no primeiro trimestre de 2017, algo nunca visto nos últimos 25 anos. Dada a crise política que assola Brasil, acentua-se crise econômica que vem de 2008. Visto que antes a informalidade era maior, os demandantes de trabalho repassavam as perdas na produção e vendas oferecendo salários mais baixos, enquanto atualmente, num regime de trabalho mais formal, a demissão é a saída encontrada.

Este cenário acentua a pobreza, pois quem sofre os impactos são as camadas sociais mais baixas, ou seja, quem possui menos acesso a recursos acaba sendo mais prejudicado, e aqueles que já tinham pouco passam a ter menos ainda. Isso fez com que  o Brasil caísse 19 posições no ranking do Índice de Gini, tornando-se o décimo país mais desigual do mundo.

 

Fontes :

https://roselisilva.files.wordpress.com/2017/06/7c196-giniindex-grafico1.png

http://www.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/TDs/td_0468.pdf

http://g1.globo.com/economia/noticia/desemprego-fica-em-137-no-1-trimestre-de-2017.ghtml

https://brasilfatosedados.files.wordpress.com/2010/09/1-5gc12.png?w=640&h=304

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/06/1890238-destruicao-de-emprego-na-atual-recessao-e-a-mais-forte-em-25-anos.shtml

http://alertasocial.com.br/?p=1704

https://oglobo.globo.com/economia/com-crise-desigualdade-no-pais-aumenta-pela-primeira-vez-em-22-anos-21061992

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Milton Friedman: Segunda fase da Curva de Phillips e o Desemprego

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Autores: Grupo 10 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

A teoria de Friedman para o desemprego vem da contraposição da teoria de Phillips, em que o desemprego é uma relação inversamente proporcional à inflação. Tal relação se mostrou verdadeira até o início dos anos 70, quando um choque exógeno na OA introduziu um novo conceito, proposto por Friedman e considerada a segunda fase da Curva: a estagflação, uma relação em que existe desemprego e inflação ocorrendo no mesmo período no longo prazo. Porém, Friedman só chegou a sua teoria graças à um choque exógeno na economia americana.

Nos anos 70, o mundo se desenvolvia cada vez mais dependente do petróleo, como combustível e outros insumos derivados, e os EUA, por meio de suas grandes empresas dominavam o mercado petrolífero, determinando preços e seus participantes.

Com a criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), esse cenário mudou radicalmente, já que a organização tinha como principal objetivo a restrição da oferta de petróleo, de modo a manipular e ampliar o preço de tal produto para que os países membros tivessem um aumento de receita.

         O primeiro grande choque no preço do petróleo pôde ser notado entre meados de 1973 e 1974 onde os preços tiveram um aumento de até 4 vezes, como podemos ver na tabela a seguir:

         Nesse período nota-se nas economias ao redor do mundo o fenômeno denominado de estagflação, onde ao mesmo tempo ocorre uma diminuição da taxa de crescimento da produção (estagnação) e um aumento generalizado dos preços (inflação).

         Normalmente, períodos inflacionários ocorrem quando a demanda por bens e serviços da economia está maior do que a oferta, fazendo com haja um crescimento dos preços aliado a um crescimento do produto e consequentemente uma diminuição do desemprego, já que as firmas para conseguirem suprir a maior demanda contratam mais funcionários. Já a estagnação pode ser definida quando há um decréscimo na taxa de crescimento do produto de uma economia, que ocorre normalmente quando a oferta de bens e serviços se encontra acima da demanda, fazendo com que haja um aumento na taxa de desemprego e paralelamente uma diminuição do nível de preços.

         Por isso foi formulado o conceito de tradeoff entre inflação e desemprego, onde períodos de taxa de inflação alta são acompanhados de uma baixa taxa de desemprego ou vice-versa. Podemos analisar esse tradeoff no gráfico abaixo:

A teoria de Friedman pode ser considerada a segunda fase da curva, em que no longo prazo as expectativas ao nível de preços se adaptam, de modo que a ilusão monetária não exista no longo prazo, e os ajustes ocorrem lentamente. Friedman analisou tal efeito na crise do petróleo, em que o nível de preços se elevou dado o custo de produção maior, diminuindo assim a oferta de trabalho por parte dos trabalhadores, mas a inflação se mantinha em alta, e visando conter a inflação, os EUA recorreram à políticas restritivas que agravaram o desemprego.

É importante observamos no gráfico acima que durante os anos de 72-74, tanto o desemprego quanto a inflação tiveram um crescimento no curto prazo, e retornaram ao seu nível natural com o passar dos anos, a partir dessa relação temos a base para a teoria de Friedman, a chamada Taxa Natural de Desemprego e Crescimento:

– Taxa Natural de Desemprego: A chamada NAIRU (sigla para Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment, a taxa de desemprego não aceleradora da inflação), um taxa para qual a economia converge ao longo do tempo dado o ajuste das expectativas dos trabalhadores. Ocorre pela seguinte situação: Através de uma política governamental para movimentar a economia, vemos a ocorrência da hipótese normal da curva de Philips, inflação se elevando e uma queda do desemprego.

Com o aumento do nível geral de preços, dado o repasse dos maiores custos de produção, o trabalhador tem a percepção no longo prazo que o salário real não teve nenhum crescimento nessa relação, portanto decide ofertar menos trabalho, e da mesma forma renegociar maiores salários dado a inflação do período anterior, que logo é repassado aos preços novamente. Vemos que com a diminuição da produção, o produto começa a convergir ao seu ponto inicial, assim como o desemprego (firmas demandando menos trabalhadores) e a inflação sobe.

Em outras palavras, a determinação do desemprego por Friedman está diretamente relacionada com as expectativas adaptativas dos trabalhadores. A NAIRU simplesmente é uma crítica à sustentabilidade da curva de Philips, e para Friedman, esse taxa não pode ser reduzida com uma elevação da demanda agregada, e qualquer tentativa de redução resultaria em um processo inflacionário acelerado, portanto essa taxa pode ser definida como o desemprego remanescente após o pleno emprego.”

 

NASCIMENTO, Edson Fernando: Milton Friedman e a História do Pensamento Econômico Contemporâneo.

RIBEIRO, Fernando: Friedman, monetarismo e keynesianismo: um itinerário pela história do pensamento econômico em meados do século XX.

MAXIR, Henrique dos Santos: O mercado internacional de petróleo: a influência da OPEP e o poder de mercado.

ANDRADA, Alexandre Flávio Silva: Ensaios em história do pensamento Econômico.

https://www.thebalance.com/what-is-stagflation-3305964 (Acessado em: 10/06/2017)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_dos_Pa%C3%ADses_Exportadores_de_Petr%C3%B3leo (Acessado em: 10/06/2017)

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2014/11/10/taxa-natural-de-crescimento-e-de-desemprego/ (Acessado em 03/06/2017)

 

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Crise do subprime no Brasil: Marola ou tsunami econômico?

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Autores: Grupo 7 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

“Em 1990, devido a expansão do liberalismo, o cenário internacional passou a adotar medidas de desregulamentação de seus sistemas financeiros. Com a criação deste mercado financeiro unificado, houve um aumento da competitividade entre os bancos, resultando na diminuição da lucratividade das operações bancárias.  Como alternativa, os bancos americanos começaram a expandir o mercado de crédito imobiliário para clientes com histórico de crédito “sujo” (histórico de hábitos financeiros pouco saudáveis), também conhecidos como clientes subprime. Os contratos dessa linha de crédito eram formados com juros fixos nos primeiros 2 anos e, após este período, as taxas eram indexadas, tornando-se exorbitantes e aumentando os déficits das famílias subprime. Os preços dos passivos reais eram maiores do que seus ativos financeiros e geraram uma dívida insolvente.

Os investidores, percebendo este comportamento, começaram a vender seus títulos e derivativos que, com o excesso de oferta, obtiveram uma desvalorização. Assim, a unificação do mercado financeiro, que fazia com que os ativos não pertencessem apenas aos estadunidenses, mas também aos empresários do mundo inteiro, proporcionou o alastramento da crise via sistema financeiro.

O primeiro impacto sentido no Brasil foi a restrição de crédito internacional, gerando decréscimo das  exportações brasileiras e diminuição de crédito na economia doméstica. As empresas diminuíram seus investimentos produtivos, afetando a venda e produção principalmente dos setores agrícola, automobilístico, de construção civil, de móveis e eletrodomésticos. Entretanto, esse abalo sobre a economia brasileira foi amenizado graças ao expressivo aumento do Produto Interno Bruto (PIB), com base no aumento do consumo, taxa de investimentos e exportações, observados desde 2004.  Apesar de observarmos em 2009 uma retração de 0,33% do PIB (figura 1), ela se torna mínima, se comparada com o efeito da crise em países desenvolvidos (figura 2).

Projeção: JPMorgan – Global Data Watch, 19 de Outubro de Fonte: FMI. Elaboração: Idéias Consultoria.

Esse ciclo de crescimento acelerado em conjunto com as medidas anticíclicas adotadas em 2008 possibilitaram tendências de recuperação da economia brasileira nos períodos seguintes. As medidas adotadas incluíram: a expansão de liquidez da moeda estrangeira e doméstica, afim de reduzir a volatilidade do preço do dólar e os impactos da crise; e  oferecer maior disponibilidade de empréstimos para agentes financeiros. Já as políticas expansionistas (monetárias e fiscais) buscaram a reduzir a taxa de juros e amenizar as possíveis oscilações no PIB.

Frente à esse cenário, os resultados obtidos foram: redução do processo de desvalorização do câmbio, com o aumento da liquidez da moeda estrangeira e o aumento de  crédito aos setores mais afetados. Isso permitiu uma certa constância na taxa de desemprego, pouco comum em períodos de recessão. Os bancos públicos federais tiveram papel importante ao financiar os bancos comerciais e impulsionar a liquidez do mercado de créditos. Portanto, mesmo em meio a crise, o volume de crédito doméstico cresceu e possibilitou estabilidade do sistema financeiro.

Os objetivos do Governo brasileiro de aumentar a liquidez, à partir da expansão de crédito e da desoneração de impostos, foram eficientes: houve um aumento no consumo (decisivo para superar a recessão) e um crescimento da economia no período seguinte. Apesar dessa rápida retomada, a crise do subprime gerou uma dívida pública pelo conjunto de medidas anticíclicas, que em conjunto com a queda das exportações brasileiras (especialmente para China após a crise européia) e a política fiscal implementada entre 2010 e 2011 diminuiria o crescimento do PIB mais uma vez, apresentando em 2015 o pior resultado dos últimos 25 anos.”

 

Bibliografia

Deus, L.N.; LIMA, T. D., A crise de 2008 e seus efeitos na economia. Revista Cadernos de Economia, Chapecó, v. 17, n. 32, p. 52-65, jan./jun. 2013

JUNIOR, A.C.C.A.C.; MOREIRA, M. B. S. Interação entre políticas monetária, fiscal e cambial no Brasil. Economia e Desenvolvimento, Recife (PE), v. 12, no 1, 2013

FERRAZ, F. C. Crise financeira global: impactos na economia brasileira, política, econômica e resultados. 2013. Dissertação (de Mestrado em Economia) – Curso de ação em Economia (PPGE), Universidade Federal do Rio de Janeiro.

NETO, E.D. Análise da Política Econômica Brasileira no Pós-crise de 2008. Departamento de Economia – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Julho de 2015

Economia brasileira cresceu 0,9% em 2012, diz IBGE, G1 São Paulo. 01 de março de 2013

<http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/03/economia-brasileira-cresce-09-em-2012-diz-ibge.html> Acessado em 17.05.2017

Brasil está entre as 10 economias de menor crescimento em 2015. Época Negócios.

16.06.2015 <http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Resultados/noticia/2015/06

/brasil-esta-entre-10-economias-de-menor-crescimento-em-2015.html> Acessado em 17.05.2017

Brasil tem terceiro pior crescimento econômico do G20 em 2014. BBC Brasil. 27 de março de 2015 <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/03/150326_pib_

brasil_comparacao_fd> Acessado em 17.05.2017

Referência dos gráficos

Figura 1: IPEADATA

Figura 2: FMI. Projeção: J.P. Morgan. Elaboração: Ideias Consultoria

 

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Alterações dos componentes da Demanda Agregada brasileira a partir de 2000

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Autores: Grupo 3 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

No final dos anos 90 a economia brasileira passou por grandes mudanças. A virada do século veio com otimismo para os brasileiros, que finalmente pareciam ter uma moeda sólida. Nos anos 2000 ocorreu tanto uma melhora no cenário econômico externo como uma mudança na política macroeconônima do governo. O crescimento econômico da primeira metade da década de 2000 pode ser caracterizado pela melhora do setor externo.  Já a partir da segunda metade da década, o governo realizou várias políticas expansionistas que auxiliaram no crescimento do país. Durante a crise de 2008, o governo adotou diversas medidas para aumentar o consumo e diminuir o desemprego (PAC, expansão de crédito do BNDES e incentivos fiscais). Com o crescimento acelerado da economia através destas políticas e o aumento da demanda agregada como consequência, a crise financeira de 2008 não apresentou grandes efeitos sobre o Brasil na época.

Porém algumas medidas do governo, como expansão de crédito, tabelamento de preço de energia, gasolina e outros, e o continuo  financiamento de obras públicas de grande escala demonstram que estas políticas podem ter durado tempo demais, causando assim um crescimento insustentável. O resultado dessas políticas expansionistas está sendo percebido agora pelos brasileiros, com mais de 13 milhões de desempregados, aumento da dívida pública, juros altos e alta inflação com baixo crescimento. A razão disso é que, apesar de a demanda agregada ter aumentado, a oferta agregada não conseguiu acompanhar esse crescimento. A seguir há uma análise de como os componentes da demanda agregada se comportaram a partir de 2000.

No que diz respeito ao consumo das famílias e do governo, a partir de 2002 houve uma queda do consumo do Governo, já que como medida contra a desvalorização do Real no mercado, o Governo cortou seus gastos e aumentou a taxa de juros real. Consequentemente de 2003-08 houve um aumento de seus gastos, pois suas políticas funcionaram anteriormente. Já em 2008, com a crise financeira que se instaurou no mundo, ocorreu uma queda drástica do consumo em ambos, mas com políticas de expansão de crédito, redução das taxas de juros, transferência de renda e aumento do salário mínimo, em 2009 o país voltou a ter seus gastos normais, até mesmo acima do que gastava antes da crise.

O montante de investimentos, tanto governamental quanto empresarial, não representa um alto valor na demanda agregada, pouco mais que 15% no período que diz respeito a 1999-2010. Desse valor, as empresas fazem parte de aproximadamente 14% da D.A. e os investimentos públicos de apenas 2%. O Governo não investiu muito em função – principalmente até 2004- do controle da inflação, porém essa taxa (2%) teve um leve aumento com uma política expansionista (criação do PAC e auxílio do BNDES). Já o investimento das empresas não mostrava taxas de crescimento, apenas queda, mas com as políticas expansionistas teve um crescimento (por volta de 2005), até a crise em 2008. Logo em 2009, voltou a subir, porque houve uma queda dos juros reais, o que elevou o PIB (reação que as empresas costumam ter quando se aumenta o PIB, investem), mostrando uma relativa recuperação pós-crise.

Com exceção dos anos em que houve crise, as exportações brasileiras tiveram uma taxa de crescimento maior se comparada à taxa de crescimento da demanda agregada no período de 1999-2010. Convém destacar que essas são representadas principalmente por commodities (por exemplo, o petróleo), e que alguns fatores como o efeito-China (rápido crescimento desse parceiro) e a abertura comercial frente a outros países embasam parte da dinâmica observada. Já em relação às importações (bens de consumo duráveis, não duráveis e bens de capital), o crescimento do PIB e a valorização da taxa de câmbio real contribuem para explicar a evolução das mesmas e assim, a redução do resultado das exportações líquidas no período.

 

SILVA, JOSÉ ALDERIR DA; LOURENÇO, ANDRÉ LUÍS CABRAL DE; Uma análise da evolução dos componentes da demanda agregada: Brasil, anos 2000. Indic. Econ. FEE, Porto Alegre, v. 42, n.1, p. 23-40, 2014.

Componentes da Demanda Agregada, valores correntes para o Brasil (1995-2013)-Dados das Contas Nacionas e Trimestrais, Ano: 2013. Disponível em <http://cnd.fgv.br/sites/cnd.fgv.br/files/Gr%C3%A1fico-%20Componentes%20da%20demanda%20agregada%20-%20consumo%20das%20fam%C3%ADlias%20e%20importa%C3%A7%C3%B5es%20(1).png> Acesso em 15 de abril de 2017.

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Keynes e o desemprego

Autores: Grupo 2 – REC2201-Macroeconomia 2017

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A teoria clássica desenvolveu, ao longo de décadas, alguns “postulados” sobre o mercado de trabalho, os quais sejam: os salários são iguais ao produto marginal do trabalho e a utilidade dos salários é igual à desutilidade marginal desse mesmo salário sob o mesmo volume do emprego (ideia da qual deriva o conceito de “desemprego voluntário”). O economista John Maynard Keynes, que rompeu com o mundo clássico, não aceitava este último postulado e defendia como algo intrínseco às economias de mercado a existência do chamado “desemprego involuntário”, que não era concebido nos modelos anteriores.

Para Keynes, o nível de emprego é determinado pelo mercado de produtos, através da demanda efetiva (composta por gastos com investimento e consumo), e não no próprio mercado de trabalho. Isto é, ao contrário dos clássicos, para quem o produto dependia do emprego, para Keynes, é o emprego que depende do produto. O princípio da demanda efetiva, que Keynes usa para se contrapor à chamada “Lei de Say”, diz que a atividade econômica é diretamente determinada pelos componentes da demanda.

Para justificar os gastos com investimento, que compõem a demanda efetiva, Keynes se vale de alguns pressupostos lógicos, entre os quais está a incerteza. Ao contrário dos clássicos, que pressupunham previsão perfeita e consideravam a moeda como simples meio de troca, Keynes incorpora à sua teoria as ideias de que a moeda possui reserva de valor e de que os agentes desconhecem boa parte dos acontecimentos vindouros. É desta última ideia que deriva a teoria da preferência por liquidez, segundo a qual os agentes podem abrir mão de juros e lucros em favor da segurança.

Outros fenômenos considerado por Keynes são os rendimentos providos pelo mercado de fundos emprestáveis; o mercado de bens de capital, de liquidez nula, cujos rendimentos, na margem, devem se aproximar às taxas de juros; e, por fim, a determinação do volume de investimento que será feito por parte dos agentes. Quanto ao consumo, Keynes diz que este é determinado pela renda e pela propensão marginal a consumir.

Keynes entendia que a correspondência entre a demanda efetiva e o pleno emprego era uma exceção, e não a regra. Poderia haver desencontro entre os planos dos agentes, utilização diversa dos recursos etc. Dessa forma, a chamada desutilidade marginal do trabalho não determinaria os níveis de emprego, mas sim um limite superior para este e um limite inferior para os salários reais. Ou seja, ao considerar que os salários reais eram iguais à desutilidade marginal do trabalho, a teoria clássica sobre desemprego descrevia apenas uma situação limite da teoria keynesiana.

Dada esta ideia principal – a de que o mercado de trabalho é determinado pelo mercado de bens, o qual depende da demanda efetiva -, Keynes define que o desemprego involuntário acontece quando, dado um certo aumento dos preços, tanto a oferta de mão-de-obra como a demanda por trabalho sob determinado salário nominal aumentam mais que o volume de emprego disponível.

Neste sentido, para Keynes, o que faz com que o desemprego seja involuntário é justamente o fato de que seus postos de trabalho não são um fim em si mesmo, mas sim motivados por um outro mercado, o de bens e serviços. Assim, numa situação de desequilíbrio, mesmo que a massa de trabalho aceitasse ter seus salários nominais reduzidos, é possível que não houvesse postos de trabalho o suficiente para todos.

Dado o problema, Keynes acreditava a resolução do desemprego deve se dar via aumento da demanda efetiva – o que se refletiria sob a forma de aumento do produto, do nível de preços e do emprego. Dado que o salário nominal é mais rígido que o real, uma redução deste último poderia aumentar o potencial de empregabilidade da economia. Isto, claro, quando tratamos de uma situação anterior à do pleno emprego. Após este ponto, medidas como essa só resultariam em aumento dos preços e dos salários nominais.

Bibliografia:

FERREIRA, Adriana Nunes. A controvérsia Pigou-Keynes. Texto para Discussão. IE/UNICAMP, Campinas, n. 237, jun. 2014.

KLAGSBRUNN, Victor Hugo. O princípio da demanda efetiva (a esperada), e o papel da demanda na teoria geral de Keynes. Revista de Economia Política, vol. 16, nº4 (64), outubro-dezembro/96.

NERY, Pedro Fernando Ferreira de Almeida. Uma resenha teórica sobre o desemprego involuntário. Economia e Desenvolvimento, Recife (PE), v. 11, nº 2, 2012.”

 

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Arthur Cecil Pigou (1877-1959) – A teoria do desemprego

Autores: Grupo 1 – REC2201-Macroeconomia 2017

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 “O que leva o trabalhador a não entrar no mercado de trabalho? Para os clássicos que consideravam o pleno emprego, aqueles trabalhadores que não aceitam trabalhar pelo salário de equilíbrio seriam os quais considerariam a utilidade marginal do lazer maior do que a do trabalho, ou seja, o desemprego seria um fenômeno voluntário. “Sempre existirá uma tendência significativa para que as taxas de salários tenham uma relação com a demanda [de mão-de-obra] de modo que todos fiquem empregados. Assim, em condições normais, todos [os trabalhadores] estarão empregados” (PIGOU, 1927). A intervenção do governo com políticas salariais não era apenas vista como desnecessária, mas indesejável, pois naturalmente o mercado de trabalho determinaria os salários de equilíbrio, e qualquer interferência indevida resultaria em desequilíbrio, e consequentemente, desemprego involuntário.

Fica clara a importância da Lei da Say para entendermos o pensamento de Pigou. De acordo com Say, “toda oferta gera sua própria demanda”, ou seja, os empresários devem expandir sua produção até que o mercado estabeleça um limite, e isso garante que no equilíbrio, o nível de emprego seja o de pleno emprego, no qual o valor da oferta agregada iguala a demanda agregada.

Para Pigou, o nível de emprego é dado pela intersecção das curvas de demanda e oferta reais de trabalho, então o desemprego seria resultado de flutuações da função da demanda real de trabalho não acompanhadas por uma modificação adequada dos salários. Então o desemprego seria fruto de uma política salarial não adequada. Uma das maneiras de sanar o desemprego seria então uma política salarial que possibilitasse que salário real se ajustasse perfeitamente às flutuações da demanda real por mão-de-obra, porém o volume de emprego só poderá expandir-se se o fluxo de bens de salários pagos ao trabalhador também aumentar.

Em seu livro, Theory of Unemployment (1933), Pigou explica:

Sempre haverá uma tendência a que as taxas de salário sejam ligadas à demanda de tal forma que todos estejam empregados. A implicação disto é que o desemprego existente, em qualquer momento, é inteiramente devido ao fato de que mudanças nas condições de demanda ocorrem continuamente e que fricções impedem que ocorra o ajuste apropriado de salários instantaneamente (p. 252).

Pigou define como desemprego o estado em que o trabalhador, dados os níveis de salário correntes, desejaria estar empregado mas não o está, ou seja, desempregado involuntariamente. Eliminando-se empecilhos institucionais, as fricções das flutuações industriais, os caprichos dos empregados e a competição perfeita dos assalariados, tem se que o mercado de trabalho ajustará o nível de salários ao de equilíbrio compatível com o pleno emprego.

Bibliografia

  • Rogério Arthmar, Pigou e a revolução keynesiana
  • Rogério Arthmar, Flutuações, Emprego e Tradição Clássica em Pigou
  • Adriana Nunes Ferreira, A controvérsia Pigou-Keynes
  • Marcelo Weishaupt Proni, Teorias do desemprego: um guia de estudo”  

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