M-ECO: Modelos macro: comparando versões básicas

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Modelo de Walsh (2002)

Walsh utiliza um modelo que é composto por dois principais componentes para explicar o comportamento da Demanda Agregada (D.A) e da Oferta Agregada (O.A) em uma política de metas de inflação: 1) curva de Phillips aumentada pelas expectativas, sob a hipótese de rigidez de preços ou salários; 2) curva das regras da política monetária (RPM), representação reduzida do lado da demanda, e que reflete as preferências da Autoridade Monetária (trading off entre flutuações do produto e inflação).

Conforme observa-se na figura 1, Walsh representa a Curva de Phillips aumentada pelas expectativas da seguinte forma: de maneira simplificada, tem-se uma relação linear entre o gap do produto e inflação, onde a inflação observada é resultante da soma entre a inflação esperada, o estado do ciclo de negócios (representado pelo gap do produto), e por choques que afetam a inflação. Dessa forma, conforme observa-se no gráfico, seu intercepto com a taxa de inflação é igual a inflação esperada acrescida dos choques.

Walsh utiliza a hipótese de uma curva de regras da política monetária argumentando que nos modelos convencionais de D.A, a A.M fixa a quantidade nominal de moeda, e não reage imediatamente às mudanças na economia, tornando o modelo ineficiente para analisar metas de inflação. Também argumenta que este trata a política monetária como exógena, ao invés de mostrar que as ações de políticas monetárias são endógenas. A abordagem proposta pelo autor demonstra como a política monetária se comporta ao passo que os objetivos monetários se alteram durante o tempo. Assumindo uma meta de inflação, a A.M age de maneira ótima para manter as flutuações do gap do produto e da inflação em torno da meta.

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Modelagem de Mishkin (2009)

Mishkin apresenta um modelo expresso em termos da inflação e produto agregado. Considerando que os ajustes nos preços e salários se ajustam de maneira lenta no longo prazo, o autor propõe a existência de curvas de oferta diferentes para o curto e longo prazo.

Segundo o autor, “o nível de produto agregado produzido à taxa natural de desemprego” se denomina produto potencial, ou seja, o instante onde a economia se estabiliza no longo prazo para qualquer taxa de inflação. Como consequência, a curva de oferta agregada no longo prazo (LRAS) é vertical, dado um nível de produto potencial.

Já no curto prazo, a curva de oferta agregada é expressa em termos da expectativa de inflação, gap do produto, e choques nos preços (oferta). Ela também pode ser considerada como uma Curva de Phillips. Sob esta perspectiva, é possível observar que o nível agregado de preços se ajusta lentamente com o tempo, e o que determina a inclinação da curva de oferta agregada é o quão flexível são os preços e salários.

A curva de demanda agregada proposta por Mishkin descreve a relação da quantidade de produto demandados em relação à taxa de inflação, tudo mais constante. É constituída em 4 variáveis: consumo, investimento planejado, gastos do governo, e exportações líquidas de bens e serviços domésticos. Quando a taxa de inflação aumenta, a demanda agregada diminui no curto prazo, pois a taxa real de juros aumenta, diminuindo os investimentos em capital, o que decresce a demanda agregada. Assim, mudanças nessa curva ocorrem quando a inflação se altera, e a AM muda a taxa de juros real, e, assim, o produto real também se transforma. O modelo completo pode ser observado na figura 2:

l-eco-figura2

Análise comparativa

Após apresentados, notou-se as seguintes semelhanças entre os modelos: ambos os modelos apresentam suas ofertas agregadas como representações da Curva de Phillips, explicitando a influência das expectativas de inflação no modelo; os dois modelos mencionam a taxa de juros real como principal ferramenta de controle da inflação, mesmo que os resultados derivados das mudanças nela mudem nos modelos.

Os modelos se diferem nos seguintes pontos: Walsh torna explícita a ação da AM através da RPM, sendo suas ações consideradas endógenas no modelo, e trás uma melhora didática para o entendimento da política de metas de inflação pois associa diretamente a D.A com a taxa de inflação e o gap do produto, enquanto os modelos convencionais associam a D.A com o nível de preços e a taxa de inflação; Mishkin apresenta diferenciação entre a curva de oferta para o curto e longo prazos, o que não ocorre em Walsh. No modelo de Walsh, apesar de focar no papel da A.M, ele desconsidera as incertezas deste em relação com a posição da curva de Philips, e os objetivos monetários apropriados.

 

FONTES:

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

WALSH, C. Teaching Inflation Targeting: An Analysis for Intermediate Macro. Department of Economics, University of California, Santa Cruz, 2001.”

 

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L-Eco: Regras versus Discricionariedade

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“Kydland e Prescott deram início ao estudo sobre a credibilidade da política monetária, evidenciando a análise sobre inconsistência temporal. Na perspectiva desses, a utilização de regras para a condução da política monetária representa a melhor solução para que a política atual seja consistente com a política de equilíbrio futura.

Na política consistente, temos 1 como a sequência das políticas dos períodos de 1 até T, e 2 é a decisão correspondente do agente para cada período. Temos que a função do bem estar social é:

                                                   3

Assumindo, que a decisão dos agentes no período t depende de todas as políticas e decisões passadas. Então:

                                              4

Assim, a política 5 é consistente se, a para cada período t, 6maximiza o bem estar levando em consideração as decisões anteriores, e as decisões futuras sendo selecionadas similarmente.
Já que uma política consistente não considera os efeitos de políticas t+1 nas decisões dos agentes em T, essa apenas será ótima caso o efeito das políticas futuras nas decisões presentes dos agentes for nulo, mesmo tendo conhecimento de tal política no presente.

A inconsistência é facilmente mostrada por um exemplo de dois períodos:
Para T=2, 12 é selecionada maximizando 7, sujeito a:

8  e 9

Assumindo derivabilidade e uma solução interior, então necessariamente:
                                                                  10

A política consistente ignora o efeito em que 12 tem sobre 13. Então para o modelo ser ótimo, a condição de primeira ordem é:
                                                                    11

Apenas se o efeito de 12 em X1 for zero ou se os efeitos das mudanças de 13 em S através de X2 for zero, o modelo consistente será ótimo.

Desta maneira, as políticas devem ser tomadas de acordo com as ações presentes, sendo controversa a qualquer tipo de controle. Segundo Mishkin, para as regras de política há algumas contradições, pois não há conhecimento do verdadeiro modelo econômico, sendo essas muito rígidas não prevendo todas as contingências, além de não serem incluídas e modificadas facilmente.

Em contrapartida, o método backward induction não pode ser aplicada em períodos infinitos para determinar a consistência da política, pois não temos um período final para começarmos a indução.  O conceito de consistência pode ser definido em termos de regras.  Supondo no tempo t a economia pode ser demonstrada por um vetor 19, de política variáveis 6 de variáveis demissíveis 14, e de choques aleatórios  (temporariamente independente). O movimento no tempo:

                                                               15

O retorno da política de regra para o período futuro:

                                                               16

Agentes racionais vão atuar no futuro:

                                                               17

Portanto mudanças no futuro afetam o presente. Assim, a decisão dos agentes será:

                                                               18

Caso os agentes e os tomadores de política não possuem o conhecimento da dinâmica econômica, com o tempo, os agentes vão convergir para o equilíbrio de regras mostrado nas equações acima. Políticos deveriam considerar o trade-off  de resultados atuais relativos aos resultados esperados do futuro.

Assim, de acordo com o livro-texto é revelado às limitações potenciais de políticas discricionárias. Desta maneira, os tomadores de política tendem a abandonar um bom plano de longo prazo quando estão visando decisões de curto prazo. Os formuladores de políticas sempre procuram fazê-las mais expansionistas que as firmas e que os indivíduos esperam, pois tal política iria aumentar a produção econômica no curto prazo. Não sendo a melhor opção, pois essa interfere nas expectativas dos agentes sobre as políticas, levando a uma maior expectativa de inflação para o futuro, o que irá ocasionar um aumento no salário e no nível de preços, contudo não leva a um aumento na produção no longo prazo.

 

Referencias:
KYDLAND, F. E.; PRESCOTT, E. C. Rules rather than discretion: the inconsistency of optimal plans. Journal of Political Economic, v. 85, n. 3, p. 473-492, 1977.

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.”

 

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K-Ecec: Modelos Macro: comparando duas versões básicas

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A discussão será iniciada a partir do conceito de Demanda Agregada, baseada em três fatores macro:

  • Curva IS (Modelo Aberto): é a representação do equilíbrio no mercado de bens e serviços.

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k-ecec-2

  • Regra de Taylor: um aumento na inflação, deverá ser corrigido por um aumento em maior nível na taxa de juros nominal da economia, sendo o fato exemplificado na equação abaixo:

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Sendo, i =  taxa de juros real estimada por Taylor; i*= taxa de juros real de equilíbrio; π = taxa de inflação anual observada; n*= meta de inflação do Banco Central; Y = produto interno bruto (PIB); Y*= PIB de pleno emprego dos fatores de produção; an = coeficiente de sensibilidade à variação da inflação; ay = coeficiente de sensibilidade à variação do produto.

  • Paridade de juros a descoberto: Supõe perfeita mobilidade de capitais e ativos domésticos e internacionais sejam substitutos perfeitos. É representada pela equação abaixo:

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Seguindo o modelo acima apresentado, damos continuidade a explicação com a oferta de curto e longo prazo:

  • Curto prazo: como um processo evolutivo da curva de Phillips, sendo explanada pela seguinte equação:

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  • Longo prazo: ajuste completo das expectativas dos agentes de mercado, implicando em uma oferta vertical, sendo inexistente trade-off de longo prazo da economia.

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Em seu trabalho, Taylor (2000) se preocupa em discutir como deveria ser ensinado macroeconomia para níveis mais básicos de ensino afirmando que, atualmente, os métodos utilizados não ajudam os alunos a criar uma visão econômica mais intuitiva.

            Para compreender melhor a macroeconomia moderna, Taylor aponta cinco fatos estilizados para completo entendimento sobre a mesma:

  • O produto de longo-prazo (PIB Potencial) pode ser entendido como modelo de crescimento de Solow.
  • Não há trade-off de longo prazo entre inflação e desemprego.
  • Há trade-off de curto-prazo entre desemprego e inflação.
  • Expectativas de inflação e decisões políticas futuras são endógenas e quantitativamente significativas.
  • A taxa de juros nominal de curto-prazo (instrumento de política monetária) é ajustada em relação a eventos econômicos

            Com base nos tópicos apresentados acima, muitos economistas buscaram criar modelos macroeconômicos a fim de explicar as flutuações econômicas. Taylor afirma que estes modelos podem ser sintetizados em três relações principais: (i) a primeira relação se dá entre PIB real e taxa de juros real; (ii) a segunda relação é entre inflação e taxa de juros real; (iii) a terceira relação se dá entre inflação e produto real.

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Onde  e  são parâmetros de sensibilidade, é igual ao produto real;  é taxa de juros real; , inflação;  e são termos de ajustes a choques.

Combinando (i) e (ii) estabeleceremos a relação da Demanda Agregada: . A Oferta agregada, por sua vez, é estabelecida através relação (iii), a qual é representada horizontalmente, uma vez que o ajustamento de preço e inflação é lento.

 

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Como conclusão, é possível observar que ambos os modelos convergem para o mesmo resultado, levando em consideração a existência de trade-off de curto-prazo em relação inflação e desemprego e a não existência do mesmo no longo-prazo. Destacamos ainda que o modelo macro completo (primeira parte do trabalho) é mais extenso e apresenta minuciosamente descrito os fatores que influenciam o equilíbrio de mercado, como consumo, investimento, gastos do governo e exportações líquidas. Em contrapartida, o modelo macroeconômico descrito no artigo de Taylor, se fundamenta em modelos mais simples, como o modelo de crescimento econômico de Solow (Houston, we have a problem) e se foca em variáveis diretamente relacionada a inflação e desemprego.

 

REFERÊNCIAS:

  1. MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets – 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.
  2. TAYLOR, John. B. Teaching Modern Macroeconomics at the principles level – The American Economic Review, Vol. 90 (May, 2000), pp. 90-94.”

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J-Ecec: inflação e choques na economia brasileira

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““A visão monetária da demanda agregada liga a quantidade de moeda M ao total de gastos nominais em bens e serviços P x Y (sendo P=nível de preços e y=produto real agregado). Para fazê-lo, usa-se o conceito de velocidade da moeda: o número médio de vezes por ano que um dólar é gasto em produtos finais e serviços”, sendo a fórmula:

          V= (P x Y) /M

Rearranjando a fórmula temos:j-ecec-imagem-1

Dado um exemplo em que o v=2 isso irá dizer que a oferta de moeda suporta um nível de transações 2 vezes maior que o próprio valor.

A partir dessa fórmula encontra-se a curva de demanda, considerando que o V e M constante, uma mudança em P fará com que o Y tenha que ser alterado para manter o M x V constante, notando-se que a curva de demanda é uma curva negativamente inclinada. Um exemplo é quando v=5, m=1 trilhão, e o gasto agregado (P x Y) = 5 trilhões, caso o preço passe de 1 para dois o y iria diminuir de 5 trilhões para 2,5 trilhões.

 

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A demanda agregada é afetada por seis fatores que são, a oferta de moeda, os gastos governamentais, as exportações liquidas, os impostos, o otimismo do consumidor e o otimismo das empresas. Os impostos são o único fator que quando elevado causa um deslocamento para esquerda na curva, pois este aumento gera uma diminuição da renda disponível, causando uma redução do consumo e assim da demanda agregada. Já um aumento dos outros fatores gera uma elevação da renda agregada, deslocando a curva para a direita.

Como a curva de demanda agregada descreve a relação entre a quantidade de produto agregado demandado e a taxa de inflação, é importante mencionar que um aumento da demanda agregada quando a economia se encontra em pleno emprego, isto é, quando a demanda por mão de obra se iguala a oferta, gera um aumento dos preços principalmente nos setores de insumos básicos, isso leva a crer que um aumento desta demanda leva a um aumento da inflação.

No caso brasileiro temos uma situação incomum. De acordo com a pesquisa “Choques, risco fiscal e crise política fazem a inflação subir apesar da recessão maior” publicada pelo valor econômico, a relação entre PIB e inflação não se dá como o esperado, a piora das projeções para a atividade econômica não foi seguida por uma queda da inflação. As razões que explicam esse descasamento são:

-A desvalorização do real frente as outras moedas aumentando o preço dos importados;

-Um aumento maior do que o esperado nos preços administrados, como gasolina e conta de luz;

-Aumento nos impostos;

Além desses fatores o que pode ter contribuído para o distanciamento das curvas de inflação e PIB se deu por uma crise na confiança já que na época havia um cenário de impeachment, essas variáveis afetam ainda mais a inflação.

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Como temos um governo comprometido com o nível de preços estável, segundo a pesquisa o banco central aumenta os juros ao invés de diminui-los, o que seria o normal a se fazer em tempos de recessão a fim de estimular a economia. Há então a dificuldade de estimular a economia e conter o avanço da inflação, uma vez que como no gráfico uma tentativa de aumento da taxa de juros para conter a inflação levaria a uma diminuição ainda maior da atividade econômica.

No entanto, segundo Megale a combinação de uma inflação mais alta e um PIB mais fraco não pode ser vista como consequência de uma política monetária menos eficiente. Ele argumenta que a política monetária atua para alinhar essas duas variáveis, e que sem ela, provavelmente os distanciamentos seriam ainda maiores.

 

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

http://www.valor.com.br/especial/projecoes”

 

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I-Eco: Oferta e demanda por moeda – caso brasileiro

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A Teoria Quantitativa da Moeda (TQM) diz quanto de moeda é mantida para uma dada renda agregada, o que representa a teoria de demanda por moeda e sugere que as taxas de juros não afetam essa demanda. A moeda seria neutra na versão antiga da TQM, pois não afeta o lado real da economia e também não é considerada como ativo financeiro. Pela ótica keynesiana, há uma ênfase na importância das taxas de juros e a demanda por moeda é motivada por transação, precaução e especulação; relacionando a taxa de juros e a renda com a demanda por moeda. Segundo essa teoria, a moeda começa a ser tratada como ativo financeiro. Friedman, por meio do tratamento da moeda como um bem de consumo com atributos específicos, transforma a TQM, tratando a demanda de forma microfundamentada. Segundo a teoria do Portfólio, há outros fatores além da renda e taxa de juros nominal que afetam a demanda por moeda, são eles risco, liquidez relativos e riqueza.

Os autores CARDOSO (2008) e BACHA (2004) propuseram duas equações de demanda por moeda no caso brasileiro, sendo elas, respectivamente:

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No fascículo do Banco Central do Brasil (BCB), a demanda por moeda é um dos fatores que determinam o comportamento econômico de um país, ou seja, a autoridade monetária deve ofertar uma quantidade de moeda que satisfaça a sua demanda, mantendo o adequado funcionamento da economia, sendo esta representada pelos depósitos à vista e papel-moeda em poder do público (PMPP). O BCB tem o “Monopólio de Emissão” que engloba a gestão das atividades referentes ao meio circulante e destina-se a satisfazer a demanda de dinheiro indispensável à atividade econômico-financeira do país, atendendo às necessidades de numerário do sistema bancário, e, consequentemente, do público, por meio dos mecanismos de emissão e recolhimento, alterando os meios de pagamento. Assim, a emissão de papel-moeda pelo BCB reflete a demanda do público por papel-moeda.

A oferta de moeda é definida como a base monetária vezes o multiplicador monetário. A base monetária é definida como PMPP mais as reservas compulsórias e voluntárias das instituições depositárias; e o multiplicador monetário representa a capacidade dos bancos de multiplicar os depósitos por meio de empréstimos. Ele é afetado pelo desejo dos bancos de manter reservas voluntárias, das pessoas de manter papel-moeda e pela taxa de reservas compulsórias exigidas pelo BCB. Portanto, a oferta de moeda é afetada pela ação do Banco Central, dos bancos e dos indivíduos.

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Em junho de 1999, o Brasil passou a adotar o regime de metas de inflação em que anuncia metas numéricas explícitas de inflação, no qual o BCB tem a responsabilidade de implementar as políticas necessárias para atingir a meta estipulada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), para flexibilizar o gerenciamento da política monetária, é permitido intervalos de tolerância para a inflação.

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Torna-se essencial definir qual indicador utilizar no regime de metas como medida de inflação, o BCB utiliza o IPCA que é elaborado pelo IBGE, compreendendo as famílias com rendimentos mensais de 1 a 40 salários mínimos, residentes na área urbana; a cesta avaliada pelo IPCA é ponderada através das despesas das famílias obtidas pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF).

Desde a adoção do Plano Real, em 1994, o IPCA tem se comportado de modo estável, somente no final de 2002 apresentou um aumento mais acentuado e mais recentemente no final de 2015, início de 2016. É possível observar que o IPCA acumulado tem crescido de forma constante.

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O M1 apresenta queda desde 2015 e quando o analisamos de forma desagregada, os depósitos à vista tiveram uma queda ligeiramente maior que o PMPP.

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http://monetaria-grupo-i.droppages.com/

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http://monetaria-grupo-i-2.droppages.com/

Optamos por utilizar o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) devido ao tamanho de sua série histórica para compatibilizar com a análise do M1 desagregado. O IGP-DI é elaborado pela FGV sendo uma média ponderada de outros três indicadores: o Índice de Preços no Atacado (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional da Construção Civil (INCC). Percebe-se que o IGP-DI possui um comportamento muito similar ao IPCA, após o Plano Real comporta-se de modo estável e no final de 2002 apresentou um aumento em comparação com os demais meses observados.”

 

REFERÊNCIAS

BACHA, Carlos José Caetano. Macroeconomia aplicada à análise da economia brasileira. Edusp, 2004.

Banco Central do Brasil. Acessado: < http://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/home>

COELHO, André Luiz Cardoso. Demanda por moeda no Brasil no período de 1996 a 2008: uma estimação em séries temporais. 2008. Acessado:https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/11964/1/ANDR%C3%89%20LUIZ%20CARDOSO%20COELHO.pdf

MENDONÇA, Helder Ferreira de. Metas de inflação e taxa de juros no Brasil: uma análise do efeito dos preços livres e administrados. Revista de Economia Política, v. 27, n. 3, p. 107, 2007.

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

SILVA, Iago Fernandes Botelho e LONGUINHOS, Marco Antônio Araújo. A inflação brasileira: Uma análise sobre o comportamento do Banco Central do Brasil de 2011 a 2013. 2014. Acessado:<http://www.uesb.br/eventos/semana_economia/2014/anais-2014/j01.pdf>

SERRANO, Franklin. Juros, câmbio e o sistema de metas de inflação no Brasil. Revista de Economia Política, v. 30, n. 1, p. 63-72, 2010. ”

 

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H-ECO: Volatilidade nas taxas de câmbio no Brasil e na américa latina: teoria e prática

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A teoria

Sabemos que a taxa de câmbio nominal no curto prazo responde à paridade de juros descoberta, sendo esta uma consequência da livre mobilidade de capitais no qual os agentes podem alocar seus recursos entre os diversos ativos internacionais e os ativos domésticos. Para alocar os recursos em algum ativo estrangeiro, é necessário fazer a conversão de moeda doméstica para a estrangeira em questão; esta demanda por moeda estrangeira vai ser satisfeita por uma oferta de moeda estrangeira, sendo formado neste mercado o preço da moeda externa em relação à interna. Ou seja, na alocação de recursos entre ativos domésticos e estrangeiros, os agentes alterarão suas demandas relativas por moedas interna e externa, e isso fatalmente alterará a taxa de câmbio vigente (sendo, portanto, um determinante para sua volatilidade), tudo isso em um regime de câmbio flexível, é claro.

A relação de paridade de juros abaixo foi retirada a partir do livro de Macroeconomia de Blanchard (2011); it é a taxa de juros doméstica; it* é a taxa de juros externa. A taxa de câmbio está definida em termos da moeda estrangeira.

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A prática

No Brasil, em 1994, com a implementação do Plano Real foi preciso ter o câmbio como âncora nominal da nova moeda. Em teoria isso seria um regime de cambio fixo; na prática foi um crawling-peg com pequenas desvalorizações . O Banco Central brasileiro enfrentou expectativas de desvalorização nas crises do México (1994), da Ásia (1997), da Rússia (1998) e no Brasil (1999), sendo que um pouco após esta última mudou-se o regime para um câmbio flutuante. Os momentos de crise são bem flagrados no movimento ascendente do câmbio brasileiro observado no gráfico abaixo a partir de 1994.

A crise da Argentina tem uma forte relação com a inflação durante a década de 90, período em que o país passa a adotar o currency board como regime cambial na tentativa de conter a inflação. Isto explica a estabilidade da taxa de câmbio neste país até 2001, já que neste regime a oferta de moeda doméstica é determinada pela disponibilidade de moeda estrangeira, sendo ambas trocadas a uma taxa fixa.      

Cunha & Gala (2006) relatam que a partir da crise da Ásia em 1997 houve uma significativa queda na oferta de financiamento externo para  economias emergentes, afetando a economia chilena à medida que os países asiáticos respondiam por um terço das exportações e o preço do cobre sofreu forte queda. A grande saída de capitais para países desenvolvidos, que se iniciou em 1997, intensificou-se em 1998 e 1999 com a crise na Rússia e no Brasil. O efeito sobre o regime de bandas cambiais foi a depreciação da taxa nominal, conforme se observa no gráfico abaixo.

A crise do México ocorre em 1994 com uma desvalorização do peso mediante instabilidade política, afetando o câmbio em outros países na América Latina, entre eles o Brasil, no denominado ‘’efeito Tequila’’, tal como relatado por Mishkin. Percebe-se um movimento ascendente do câmbio mexicano a partir de 1994 no gráfico abaixo.

Assim, vê-se como a taxa de câmbio nominal nos países emergentes são muito suscetíveis a crises externas, sendo este um aspecto em comum nestes países. Um exemplo recente é a crise financeira de 2007/2008, no qual houve fuga de capitais no período mais acentuado da crise, refletindo em um aumento da taxa de câmbio (medido em termos da moeda doméstica) devido à queda da demanda por ativos domésticos. No gráfico abaixo vê-se claramente o aumento do câmbio em todos os países em 2008.

 

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Referências

BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5ª edição. São Paulo: Ed. Pearson, 2011

http://eesp.fgv.br/sites/eesp.fgv.br/files/310.pdf (Cunha & Gala, 2006)

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.”

 

H-Ecec: Volatilidade da taxa de câmbio nominal

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“A alta volatilidade das taxas de câmbios surpreende muitas pessoas. Há cerca de 30 anos, os economistas geralmente acreditavam que as taxas de câmbio formadas pelo mercado não estariam sujeitas a altas flutuações nos seus valores. Todavia, experiências recentes provaram o contrário. É possível observar dados que comprovam que as taxas de câmbio durante a década de 90 do século passado e início desse século têm sido muito voláteis.”

A abordagem do mercado de ativos para a determinação da taxa de câmbio, esboçada no capítulo 17 do Mishkin, nos dá uma explicação da volatilidade das taxas de câmbio. Como a apreciação esperada da moeda doméstica afeta o retorno esperado dos ativos domésticos, as expectativas sobre o nível de preço, inflação, barreiras comerciais, produtividade, importação, exportação e a oferta de moeda desempenham funções importantes na determinação da taxa de câmbio.

Quando as expectativas sobre qualquer uma dessas variáveis mudam, e elas mudam com frequência, o modelo apresentado por Mishkin indica que o retorno esperado dos ativos domésticos e, por consequência, a taxa de câmbio, será imediatamente afetada.

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A volatilidade da taxa de câmbio também se vincula com a volatilidade de outras variáveis. Um viés é atribuído em relação à instabilidade da taxa de juros de economias emergentes, uma vez que esses países incorrem em escolher se devem manter grande a variabilidade na taxa de câmbio ou na política monetária por meio da taxa de juros. Nesta perspectiva, embora se permita certo grau de variação em ambas, os governos preferem manter a taxa de câmbio mais estável, o que culmina na permissão da variabilidade da taxa de juros para que isso seja garantido (CALVO; REINHART, 2000).

No caso dos BRICS, embora seja possível delinear semelhanças nos países, inclusive enquadra-los como economias emergentes, os regimes cambiais adotados por eles são diferentes. A China administra o câmbio de forma a manter quase fixa sua moeda frente a uma cesta internacional de moedas. O Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, por sua vez, são caracterizados por operarem regimes de câmbio flutuante.

A figura abaixo evidencia a evolução da taxa de câmbio nos BRICS à luz da recente crise financeira mundial, permitindo destacar sinais de diferentes graus de intervenção nas taxas de câmbio destes países.

 

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Dos países que adotam o regime de câmbio flutuante, observa-se valorização da moeda doméstica em relação ao dólar até meados de 2008, quando um movimento de desvalorização tomou forma e manteve-se até o início de 2009. Posteriormente, as taxas de câmbio destes países voltaram a registrar valorização, ao passo que na China, onde o regime cambial é administrado, houve tendência de lenta valorização do câmbio até julho de 2008. Destaca-se no caso da moeda chinesa que houve pouca alteração significativa, o que pode ser justificado pela política de compra de dólares.

Após o final de 2008, percebe-se que as moedas de cada país do grupo sofreram desvalorização, enquanto a China sofre baixa valorização, destoando do padrão dos demais BRICS. A moeda brasileira registrou grande impacto da crise, considerando o movimento súbito mais intenso entre os BRICS, seguido pela África do Sul e a Rússia. Desta forma, destaca-se menor “turbulência” no caso da China e da Índia, em que se registram movimentos mais suaves na resposta da taxa de câmbio. Por um lado, a baixa volatilidade da taxa de câmbio da China não surpreende devido ao regime de câmbio administrado, mas, por outro lado, o fato da Índia conduzir uma taxa de câmbio flutuante e ainda registrar estabilidade similar ao da China, embora em sentido de valorização opostas, ganha destaque.

A administração da taxa de câmbio na China tem sido possível, portanto, tanto pelo enorme volume de reservas internacionais, quanto da existência de controles na entrada e saída na conta de capitais, sobretudo através de proibições e limites quantitativos (PAULA, 2005).

REFERÊNCIAS:

  1. MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets – 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.
  2. ESTUDO PÓS-KEYNESIANO DO COMPORTAMENTO RECENTE DA TAXA DE CÂMBIO NOS BRICS Leandro Vieira Lima Araújo Lívia Carolina Machado Melo Luana Naves Ferreira Silva.(https://s3.amazonaws.com/acadex.articles/Articles/56dc40a45c68c1e60f634dfe-fileIdentified.pdf)
  3. Calvo, Guillermo A. and Reinhart, Carmen M. Fear of Floating. NATIONAL BUREAU OF ECONOMIC RESEARCH, 2000. (http://www.nber.org/papers/w7993.pdf)”
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