G7-Eco: Volatilidade da taxa nominal de câmbio e risco país

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“Volatilidade é definida como o nível de variação de um determinado ativo em determinado período de tempo. É uma variável não observável a qual expressa de uma maneira simples o grau de incerteza que o investidor possui1.

O grau de volatilidade apresentado pelo Câmbio Brasileiro (R$/US$), anualizado está expresso em 15,37%. Em outras palavras, “probabilidade de variação” do preço da moeda estrangeira em um ano é de 15,37%2.

O Índice de Títulos da Dívida de Mercados Emergentes, EMBI (sigla em inglês para Emerging Market Bond Index) foi desenvolvido pelo Banco JP Morgan Chase para ser fonte de informação aos agentes dos mercados financeiros.

O EMBI+BR é também chamado de ”Risco-Brasil”, calcula o prêmio de risco que é a diferença (Spread) entre a média ponderada do retorno dos títulos soberanos brasileiros em comparação ao retorno dos títulos soberanos norte-americanos. Utilizado como parâmetro para avaliar a capacidade de um país de honrar sua dívida3.

Por exemplo, se devido a um temor dos agentes de o Brasil não honrar seus compromissos financeiros, eles exigirão uma taxa de juros maior para financiar a dívida brasileira, logo o diferencial (spread) entre o título brasileiro e o título norte-americano sobe, conseqüentemente a pontuação do Embi+BR sobe, elevando o ”Risco-Brasil”.

Graf1:Banco Central Brasil, IPEA.Elaboração própria Graf2:Banco Central Brasil,Federal Reserve.Elaboração própria

 

Em setembro de 2002, o EMBI+BR atingiu seu maior valor da série histórica 2446 pontos-base e a taxa Selic 20,9%. A narrativa populista do candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva gerou grande temor nos mercados financeiros com relação a provável vitória deste candidato. A taxa de cambio atingiu R$3,95 em outubro de 2002.A taxa Selic atingiu 26,32% em março de 2003, maior valor da serie histórica.

Com exceção de uma subida acentuada em outubro de 2008 (677 pontos-base, devido aos impactos da crise financeira internacional que aumentou a aversão ao risco nos mercados de capitais mundiais, escasseando o credito para países emergentes), houve queda significativa da pontuação do EMBI+BR, logo queda do ”Risco – Brasil” mantendo-se em nível estável4.

O respeito aos fundamentos do tripé macroeconômico, permitiram queda substancial da taxa Selic entre 2003-2008.A condução ortodoxa de política econômica do governo, especialmente na obtenção de superávits primários da ordem de 3% do PIB entre 2003-2008, geraram redução da relação dívida/PIB, diminuindo o ‘’Risco-Brasil’’.

Em conjunto, no período 2003-2009, pelo lado da balança comercial o grande boom de exportações e pelo lado do mercado de capitais a entrada de capital externo estrangeiro, houve maciça entrada de dólares no mercado brasileiro, valorizando a taxa de cambio.

Pelos gráficos vemos que a partir de 2013 a elevação da taxa Selic foi adotada para conter a inflação crescente. A Selic se elevou até o ano de 2016, em 14,25%, e a taxa de cambio apresentou trajetória consistente de desvalorização desde 2012, o que é explicado pelo EMBI+BR, pois sua trajetória acompanha tal processo de desvalorização cambial.

A partir dos gráficos, vemos que há um grau de correlação entre a elevação do Risco-Brasil e a desvalorização cambial. Elevações da taxa Selic, não necessariamente atraem maior capital estrangeiro para o país, pois conforme o prêmio de risco cresce, a participação de investidores estrangeiros nos papeis da dívida pública brasileira diminuem.

Nos EUA, no início dos anos 2000, a taxa de juros estava em 6,6%. Apresentou tendência de queda nos anos seguintes. Em meados de 2005 a Fed Funds volta a se elevar estacionando no patamar dos 5%, em parte devido aos sintomas do pré-crise4.

 Para combater os efeitos da crise de 2008, o Fed, adotou a política de quantitative easing no qual o Fed adquire grande quantidade de títulos públicos, mantendo as taxas de juros próximas de zero durante quase 9 anos. Desde 2015 vem havendo elevações marginais na taxa de juros, atualmente está em 1,15%.”

Fontes:

  1. 2-Calculo Proprio

 

AUTORES: GRUPO D Economia Monetária

 

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Política monetária brasileira via Regra de Taylor simples

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“O Brasil viveu, na década de 90, um de seus mais intensos períodos de crise, marcado por taxas de inflação extremamente altas e elevada instabilidade econômica. A introdução do Plano Real em meados dessa década levou a um processo de estabilização dos preços e acarretou em um período póstumo marcado pela retomada da prosperidade econômica. Para estipular diretrizes para a política monetária brasileira, foi criado nesse período o Comitê de Política Monetária (Copom). As reuniões realizadas por esse Comitê estabelecem a taxa de juros desejada no momento, traçando estratégias para atingi-las. Em 1999, ainda, para atingir maior estabilidade de preços, foi adotado o sistema de metas de inflação, ancorando a moeda nacional às expectativas de inflação divulgadas com credibilidade pelo Banco Central.

O Federal Reserve Bank (FED), responsável pela condução da política monetária dos Estados Unidos da América, leva em conta, segundo Frederic Mishkin, a Regra de Taylor. Essa regra afirma que a taxa de juros nominal de um país deve ser escolhida a partir da seguinte equação:

taxa nominal = taxa de inflação + taxa de juros real de equilíbrio da economia + 0,5. (gap de inflação) + 0,5. (gap do produto)

(1) gap da inflação: diferença da inflação corrente e a meta da inflação da economia.

(2) gap do produto: diferença entre renda corrente e o nível de renda natural da economia.

Pode-se, então, concluir que as autoridades monetárias devem elevar a taxa de juros em maior proporção que o aumento da taxa de inflação.

Para verificar se o COPOM leva em conta fatidicamente a Regra de Taylor na determinação da taxa de juros nominal Selic, utilizamos um gráfico da taxa de juros Selic Regra de Taylor calculada em comparação com a taxa de juros Selic observada. Para isso assumimos o seguinte (FONTE????):

  1. Como taxa de juros real de equilíbrio foi usada uma média calculada no valor de 5%¹.
  2. Os valores das metas de inflação foram encontrados no próprio site do Banco Central (COPOM).
  3. Para calculo das taxas de inflação foi utilizado o IPCA acumulado de 12 meses.
  4. O desvio do produto potencial pode ser estimado em bases como o IBC – BR ao ser comparado com uma tendência linear do próprio (média de desvio da tendência) (A fonte de onde copiaram o gráfico diz que simplesmente não consideraram o gap do produto…)

 

FONTE:  http://terracoeconomico.com.br/a-regra-de-taylor-e-clara

A partir da análise do gráfico acima, pode-se perceber que há corriqueiros desvios da Regra de Taylor na determinação da taxa de juros nominal Selic por parte do COPOM (É isso que o gráfico mostra?). No período entre 2012 e 2014 pode-se observar uma das maiores discrepâncias entre as variáveis.

(Obs: A proposta era pegar os dados e fazer as contas, não copiar sem citar a fonte. O gráfico enviado pelo grupo foi produzido por http://terracoeconomico.com.br/a-regra-de-taylor-e-clara – apenas colocar o link nas referências não deixa claro que o exercício não foi feito pelo grupo. Eu que coloquei a fonte no post do grupo para evitar plágio no blog. :-/ )

 

Referências:

Taylor, John B. (1993), “Discretion versus Policy Rules in Practice”, CarnegieRochester Conference Series on Public Policy, 39:195-214.

A Taxa de Juros Natural e a Regra de Taylor no Brasil: 2003–2015 Fernando de Holanda Barbosa* Felipe Diogo Camêlo† Igor Custodio João‡

In Republican Attacks on the Fed, Experts See a Shift By BINYAMIN APPELBAUMAPRIL 7, 2015 New York Timer

In Republican Attacks on the Fed, Experts See a Shift By BINYAMIN APPELBAUMAPRIL 7, 2015 New York Timer

http://www.bcb.gov.br/Pec/metas/TabelaMetaseResultados.pdf

https://www.bcb.gov.br/glossario.asp?Definicao=1455&idioma=P&idpai=GLOSSARIO

http://terracoeconomico.com.br/a-regra-de-taylor-e-clara

https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/consultarValoresSeries.do?method=trocarGrafico

http://www.scielo.br/pdf/rbe/v70n4/0034-7140-rbe-70-04-0399.pdf

 

Autores: Grupo I

Taxas de juros dos EUA: fed fund, redesconto e taxa sobre reservas, a partir da crise de 2007

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“Para realizar a análise proposta pelo tema, iremos diferenciar cada uma das taxas mencionadas, podendo observar suas especificidades de maneira isolada, para, então, pontuar sua interrelação em comportamentos e efeitos após 2007.

Quando se fala da taxa de juros americana, referimo-nos frequentemente à Federal Funds Rate, os juros cobrados entre os bancos para os empréstimos de 1 dia (empréstimos overnight). A meta dessa taxa é determinada pelo FOMC (Federal Open Market Committee) que tem seus representantes reunidos em torno de oito vezes ao ano para discutir as políticas de open market dos EUA e estabelecer recomendações sobre a taxa de redesconto de liquidez e sobre a taxa de reservas compulsórias. Assim, esta taxa de juros de base americana é determinada pelo mercado e não é especificamente determinada pelo FED. O FED procura alinhar a Federal Funds Rate efetiva com a taxa de juros pretendida repondo ou retirando moeda ao volume disponível no mercado. Quando há uma alteração da taxa de juros de base provocada pela política monetária do FED, então tem sobretudo efeitos sobre o valor das taxas de juros para diversos produtos como hipotecas, empréstimos e os juros de poupança.  A seguir vemos seu comportamento a partir de 2007:

É importante sempre termos em mente que o FED não controla diretamente a FFR. Perseguir metas através de políticas de redesconto e de compulsórios não é equivalente a fixar valores para taxas e, portanto, enquanto houver excesso de oferta de reservas, a taxa de juros desse mercado não sairá do patamar em que se encontra.

Dando sequência, temos a Federal Discount Rate, mais conhecida como ou Taxa de Redesconto de Liquidez, como conhecemos no Brasil.  Tem como característica ser o juros fixado pelo Federal Reserve sobre os empréstimos oferecidos aos bancos comerciais elegíveis ou a outras instituições de depósito. A taxa de redesconto permite que o FED controle a oferta de moeda na economia e seja usada para garantir a estabilidade nos mercados financeiros. Ela serve como o limite superior sobre Fed Funds. A seguir vemos seu comportamento a partir de 2007:

Por fim, temos a Taxa Sobre Reservas ou a “IORR”, a qual funciona também como um instrumento de política monetária, tendo como característica a remuneração por parte do FED aos bancos comerciais por suas reservas compulsórias e voluntárias (reservas em excesso). Isso acontece para evitar que as taxas se tornem muito baixas, sendo estas o limite inferior de referência da política monetária americana. Sua implantação ocorreu em 2008 e, desde então, a taxa apresentou o seguinte comportamento:

Dessa forma uma vez definida as taxas de juros podemos interrelacionar elas após a crise de 2008:

Como podemos observar no gráfico, a FFR e a sua banda definida pelo limite superior (taxa de redesconto) e limite inferior (taxa sobre reservas) se encontram em patamares quase nulos para boa parte dos últimos 10 anos, principalmente pós-2008, entre 0% e 0,25%. Esse resultado da crise financeira, na qual foi necessário que o FED injetasse uma grande quantidade de fundos (Quantitative Easing) no sistema bancário americano, para tentar impedir uma recessão ainda maior nos EUA. O resultado direto obtido é a queda da FFR e de suas bandas de variação. No entanto, a partir da recuperação da economia e com a perspectiva positiva para o futuro, assim como o pequeno “ânimo” da inflação, o FED começou a elevar a meta a partir de 2006, sendo esta hoje em torno de 1% a 1,25%.

 

Algumas fontes:”

https://www.thebalance.com/fed-funds-rate-history-highs-lows-3306135

http://www.investopedia.com/terms/f/federal_discount_rate.asp

https://fred.stlouisfed.org/categories

https://www.stlouisfed.org/on-the-economy/2016/july/fed-interest-rates-floor-subfloor

 

Autores: GRUPO C Economia

 

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G3-Eco: A Oferta Monetária na Economia Brasileira

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“Entendemos o Agregado M1 como a definição teórica de moeda como meio de pagamento, sendo ativos estritamente monetários e de liquidez imediata. É o volume de recursos prontamente disponíveis para o pagamento de bens e serviços. Inclui-se o papel-moeda em poder do público e os depósitos à vista: M = pmpp + DV.

A partir do plano real, com a diminuição da inflação, os meios de pagamento restritos ampliaram-se consideravelmente. Tal processo é conhecido como remonetização, resultante da recuperação da credibilidade da moeda nacional.

Em 2001, o Banco Central promove mudanças conceituais nos meios de pagamentos. Mudou-se o critério de ordenamento dos Agregados Monetários, passando de uma agregação pelo nível de liquidez dos ativos para uma definição conforme seus sistemas emissores.

“Os meios de pagamento ampliados são indicadores antecedentes de pressões de demanda sobre o setor real melhores que os meios de pagamento restritos, dado que, atualmente, as facilidades de realocação de portfólio permitem que o M1 esteja sempre no nível necessário para transações e responda passivamente a elevações no nível de preços. Ressalte-se, contudo, que mesmo em modelos de política monetária que privilegiam o controle de taxas de juros, os agregados monetários continuam sendo instrumentos importantes para o acompanhamento dos efeitos daquela política, tanto como indicadores de liquidez quanto como indicadores de captações internas de recursos, por parte do sistema emissor, para multiplicação de crédito no país. ” (Reformulação dos Meios de Pagamento – Notas Metodológicas – BCB).

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados (Jan/96 a Dez/16) obtidos no IPEADATA e Banco Central.

 

A oferta de moeda (M1) na economia é definida como a base monetária multiplicada pelo multiplicador monetário: M = m X BM.

A quantidade de moeda presente numa economia é reflexo de um conjunto de três peças que atuam em um processo de decisões. Dentre essas peças temos a população que decide quanto manter em conta corrente e quanto manter “no bolso”, os Bancos e seu desejo de manter reservas voluntárias e pela definição do percentual de reservas compulsórias exigidas pelo Banco Central.

A Base monetária é o passivo monetário do Banco Central, também conhecido como emissão primária de moeda. Inclui o total de cédulas e moedas em circulação e os recursos da conta “Reservas Bancárias”.  Portanto, temos que a base monetária é definida como a soma do papel moeda em poder do público com as reservas compulsórias e voluntárias das instituições bancárias.

A principal maneira pela qual o Banco Central provoca mudanças na base monetária é através de suas operações de “Open Market”, que permitem a regulação diária da oferta monetária e da taxa de juros, gerando liquidez aos títulos negociados. Tais operações são realizadas através das compra e venda de títulos públicos.

No Brasil, foi introduzido no Plano Real o conceito de Base monetária ampliada, sob o pressuposto de que agregados mais amplos sejam melhor correlacionados com os preços na economia brasileira, visto que mais perfeitamente captam a substitutibilidade entre M1 e os demais ativos financeiros. Incluir, além da base restrita, os compulsórios e títulos federais.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados (Jul/94 a Jul/17) obtidos no Banco Central.

 

O multiplicador monetário indica o grau de modificação da oferta de moeda para uma determinada mudança na base monetária, ou seja, reflete o efeito de outros fatores além da base monetária sobre a oferta de moeda. Como exemplo, com m = 3, um aumento de R$1,00 na base monetária levará a um aumento de R$3,00 na oferta de moeda.

 

Referência

MISHKIN, F. The Stock Market, the Theory of Rational Expectations, and the Efficient Market Hypothesis. In: MISHIKIN, F. Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.”

 

Reformulação dos meios de pagamentos – Notas Metodológicas

http://www.bcb.gov.br/ftp/infecon/NM-MeiosPagAmplp.pdf

 

Autores: GRUPO A

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G2-Eco: A dança das taxas de juros

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

A comparação entre títulos com mesmas características, mesmo emissor e com prazos de maturidade diferentes, nos deixa observar curvas de taxas de juros positivas, planas ou até invertidas. Esse “balé” das taxas de juros pode ser sintetizado pelos seguintes fatos estilizados:

  1. Cointegração das taxas de juros com maturidades diferentes. Ou seja, essas taxas têm um comportamento semelhante ao longo do tempo;
  2. As taxas obedecem ao princípio de reversão à média. Quando falamos de taxas de curto prazo que sofreram queda, em relação a um referencial, espera-se um crescimento ao longo do tempo (ou o contrário);
  3. A curva normal é a mais frequentemente observada.

A teoria capaz de explicar o conjunto dos fatos estilizado é chamada de Prêmio pela Liquidez. Segundo Mishkin, ela demonstra que títulos com maturidades diferentes são substitutos, mas não substitutos perfeitos, assim a teoria ainda permite que os investidores prefiram um título a outro. Portanto, o pagamento de um prêmio positivo pela iliquidez de capital consegue fundamentar os três fatos estilizados, principalmente a frequência da curva positiva.

A figura abaixo pode ser clarificada pela ótica da teoria do prêmio pela liquidez. Ela apresenta o mercado de títulos dos EUA e permite observar o movimento das taxas de juros e os fatos estilizados. Conectados pelo grau de substituição, as diferentes maturidades dos títulos apresentam sincronia no comportamento ao longo do tempo, que associa o pedaço da taxa de longo prazo à composição da taxa de curto prazo esperada, comprovando o primeiro fato estilizado. Além disso, quando as taxas alcançam vales ou picos, elas redirecionam seu movimento para cima ou para baixo, demonstrando o segundo fato estilizado. Por fim, uma vez que o prêmio pago sempre é positivo, ele tende a “puxar” a curva para cima, o que explica a maior frequência da curva normal (terceiro fato estilizado).

Nesse mesmo contexto, o gráfico abaixo ilustra a variação das taxas de juros, porém para três títulos públicos emitidos pelo Tesouro Direto entre os períodos de 2010 a 2017 no Brasil. Para sua elaboração, foi usado como referência o dia 31 de agosto dos respectivos anos. Os diferentes títulos são representados por: a série azul retrata a LTN (Letra do Tesouro Nacional) – um título de curto prazo (CP); a série vermelha NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – série B) – médio prazo (MP) e a série verde NTN- B principal (Notas do Tesouro Nacional – série B – principal) – um título de longo prazo (LP).

Utilizando este gráfico para análise do comportamento da ETTJ no Brasil, é possível notar a cointegração das taxas de curto, médio e longo prazo. Mesmo que essas difiram em seus graus de maturidade, elas tiveram o mesmo movimento ao longo do tempo, ou seja, quando houve uma alta na taxa de juros da LTN (CP), as taxas de NTN-B (MP) e as de NTN-B principal (LP) também aumentaram.  Ainda, pode-se comprovar o princípio de reversão à média, ou seja, o fato da esperança de baixa de uma taxa de curto prazo após um período de alta, observando esse comportamento no período dos anos 2012 a 2015 e no período dos anos 2016 e 2017, respectivamente.”

 

REFERÊNCIAS:

MISHKIN, F. The Stock Market, the Theory of Rational Expectations, and the Efficient Market Hypothesis. In: MISHIKIN, F. Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.” 

http://www.tesouro.gov.br/tesouro-direto-balanco-e-estatisticas

 

Grupo L

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Lucas e o tradeoff inflação e desemprego

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Autores: Grupo 11 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

Robert Lucas é o economista que postulou a Teoria de Expectativas Racionais. Uma grande implicação deste trabalho se deu no fato de as pessoas poderem antecipar suas ações frente às ações do governo e do seu embasamento para agir instantaneamente diferente do modelo de Friedman, onde as pessoas, sem aprender, erravam repetidas vezes, para depois ajustarem suas expectativas com base no passado. O modelo de Lucas considera as pessoas racionais, podendo se antecipar ao que acontece na economia e projetar suas ações, de modo a prever uma alteração nos preços, para, por exemplo, barganhar salários maiores. As pessoas aprendem a reagir às ações do governo, explica Sargent, dependendo de como o governo estrutura seu orçamento, e o equilíbrio deste, o que dá sua credibilidade. Tais reações dependem tanto da rapidez com que o governo faz seus ajustes, quanto da sua credibilidade. Se forem rápidos e imprevisíveis (no caso de um governo com baixa credibilidade) o suficiente para não serem antecipados, o governo irá conseguir influenciar a economia no curto prazo.
Um exemplo: se o governo aumentasse a oferta de moeda, como Keynes recomendaria para atenuar a recessão, isso faria com que as pessoas, conhecendo os efeitos dessa política, se antecipassem ao aumento de preços, barganhando salários maiores, desencorajando o aumento do emprego, pois não haveria diminuição no salário real que justificasse tal aumento. Assim, cada vez mais as pessoas aprendem a lidar com essas alterações no nível de preços, anulando-as, num prazo cada vez menor, tornando a política monetária cada vez menos eficiente. Dessa forma, tanto emprego, quanto produto e salários reais são constantes até mesmo no curto prazo.
(Oposição entre inflação e crescimento econômico Reino Unido)

Essa neutralização ocorre, pois como as empresas tomadoras de preço e sem poder de mercado (hipóteses para o modelo de Lucas), elas antecipam o aumento de preços e de vendas com o aumento da base monetária, o que faz com que cedam salários nominais maiores aos trabalhadores, já munidos de informação para barganhar. Porém, com a inflação acontecendo, os salários reais se mantêm iguais e não se criam mais empregos. Então, a influência da política monetária se atenua cada vez mais quanto maior o prazo, embora ela possa surpreender os agentes, porém nunca da mesma maneira.
É importante lembrar que foi introduzindo conceitos microeconômicos que Lucas pôde justificar seu modelo, através, da integração de expectativas, preferências, informação disponível e embasando a decisão de hoje no futuro, e não no passado. A constatação crucial das ERs é que as pessoas aprendem com os erros e reduzem a margem de erro com o tempo.
(relação entre inflação e recessões EUA)
(taxa de desemprego e inflação EUA)

Tratando-se de Brasil, há uma oportunidade de se observar a validade da hipótese proposta por Lucas a respeito da ineficácia das políticas do governo com a sucessão de planos econômicos heterodoxos de combate à inflação. Exemplo é o Plano Cruzado, que congelou preços artificialmente, o que só ocasionou uma disparada da inflação, pelo motivo de não eliminar as reais causas dela. Isso só fazia a moeda perder cada vez mais sua função de unidade de conta, o que a tornava mais volátil ainda.
Os planos seguintes foram ainda mais rapidamente neutralizados, pois as tréguas momentâneas se tornaram cada vez menores e o retorno da inflação cada vez mais acentuado, o que se deve em grande parte ao ajuste de expectativas racionais, que fazia os agentes, aprendendo com as experiências anteriores, se anteciparem cada vez mais à possíveis repetições nas práticas de congelamento de preços. Assim, quando um novo plano era anunciado, ele chegava, em sua adoção, completamente neutralizado pela ação dos agentes.
As diferenças entre mudanças na base monetária, antecipadas ou não antecipadas são: Expansão monetária antecipada pelos agentes gera imposto inflacionário e não estimularia o produto. Expansão monetária não antecipada pode estimular o produto no curto prazo e tão simetricamente quanto contrações não antecipadas podem produzir recessões.
(A relação de IPCA e Desemprego nos últimos anos no Brasil)
(A queda da URSS mostra o ajuste de expectativas após o choque de governo)”

 

Bibliografia:
•        https://pt.wikipedia.org/wiki/Expectativas_racionais
•        http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/10/18/opiniao/8.html – Delfim Netto sobre Lucas
•        Macroeconomia 3ª Edição, BLANCHARD
•        https://solarcycles.net/2013/05/14/usa-financial-markets-and-economic-correlations/
•        http://www.frbsf.org/economic-research/publications/economic-letter/1997/january/nobel-views-on-inflation-and-unemployment/
•        https://roselisilva.files.wordpress.com/2014/11/curvas-de-phillips.pdf
•        http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/economic-sciences/laureates/1995/lucas-lecture.pdf
•        http://www.econlib.org/library/Enc/bios/Lucas.htm
•        http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfD_IAE/xiv-robert-lucas
•        http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,desemprego-e-inflacao-de-servicos,70001681764
•        http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,juros-desemprego-e-inflacao,70001698069
•        http://www.opovo.com.br/noticias/economia/2016/12/desemprego-deve-crescer-em-2017-mas-queda-da-inflacao-da-indicios-de.html

Evolução da taxa de juros e inflação brasileira desde 1999

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Autores: Grupo 5 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

No início de 1999, com o fim do câmbio fixo e num ambiente marcado pela incerteza quanto ao impacto da desvalorização do Real sobre a inflação, o governo anunciou que passaria a conduzir a política monetária por base no sistema de metas; estabelecido em junho de 1999.

O regime de metas de inflação é um regime monetário em que o Banco Central (BCB) age de modo a fazer a taxa de inflação convergir para uma meta pré-estabelecida. Seu objetivo é ancorar as expectativas de mercado que, de forma geral, orientam o processo de formação de preços na economia.

A meta e as bandas (o intervalo de tolerância) para a inflação são decididas e anunciadas pelo Conselho Monetário Nacional. Já a medida de inflação adotada é o IPCA cheio, tendo um ano calendário como período para o cumprimento da meta. Cabe ainda ao BCB cumprir as metas de inflação através da determinação da taxa básica de juros de curto prazo da economia (Selic), principal instrumento de política monetária.

O Comitê de Política Monetária (Copom), composto pela diretoria do BCB, se reúne a cada 45 dias e estabelece a meta para a Selic, e cabe ao BCB mantê-la próxima à meta. Como ela é utilizada como parâmetro, é a partir dela que as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos.

Se o governo deseja estimular o consumo e movimentar a economia, ele reduz a Selic. Se a economia está aquecida e a inflação começa a subir demais, ele a aumenta – os empréstimos voltam a ficar mais caros e as pessoas consomem menos, freando o aumento dos preços, disto vem o trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego. Numa economia aquecida há mais vendas e menos desemprego, entretanto, se a oferta não acompanha a demanda, os produtos podem ficar escassos, causando inflação.

Nos períodos em que a inflação ultrapassa o limite, o presidente do BCB divulga uma carta aberta ao ministro da Fazenda justificando o motivo do descumprimento da meta, o que ocorreu nos anos de 2001 a 2003 e 2015.

Em 2001, a alta inflação esteve associada à desaceleração da economia mundial, aos efeitos da crise argentina e aos ataques terroristas nos Estados Unidos. Internamente, houve crescimento acentuado dos preços administrados por contrato, principalmente das tarifas de energia (crise energética), o que aumentou a incerteza sobre o futuro da economia brasileira. Para conter a inflação o BCB elevou a Selic, fechando em 19%. Complementando a política de juros, o BCB também elevou o percentual das reservas compulsórias e fez intervenções no mercado cambial.

No curto prazo taxas de juros mais baixas levam a um produto maior estimulando o investimento e a demanda por produtos, levando a um aumento dos preços. No médio prazo um aumento da inflação vai diminuir a moeda real na economia, assim a taxa de juros aumenta. O resultado no médio prazo é uma taxa nominal de juros maior, na mesma proporção da inflação (efeito Fisher). Isto pode ser observado no gráfico abaixo.

De 2005 a 2013 vemos um relativo declínio da taxa de juros real, chegando ao seu menor patamar histórico no primeiro trimestre de 2013. A insustentabilidade dessa política fez com que, a partir de maio de 2013, o BCB iniciasse a recomposição da taxa de juros real aos patamares anteriores, sob o pretexto de combater a inflação.

Em 2015 o aumento acentuado da inflação se deveu ao crescimento da demanda acima da oferta e principalmente à liberação do aumento dos preços administrados, como luz, água e combustíveis, represados no ano anterior.

Atualmente as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, Por conta do cenário de recessão na economia, a inflação está em queda. Depois de somar 10,67% em 2015 e 6,29% no ano passado, a previsão dos economistas é de que o IPCA fique em 4,43% em 2017, abaixo da meta central de 4,5%, assim o BCB reduz s Selic para estimular a atividade econômica.

 

Fontes:

BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5ª Edição: Pearson Prentice Hall, 2011.

CONTRI, André Luís. Taxa de Juros e Inflação no Brasil. In Carta de Conjuntura FEE, Ano 23, número 03, 2014.

COUTO, Ana Cristina et alli. O regime de metas de inflação no Brasil: Características e algumas críticas aos seus principais fundamentos. In A Economia em Revista, Volume 18, número 2, Dezembro de 2010.

MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 8ª Edição. Rio de Janeiro: LTC, 2015

Série “Perguntas Mais frequentes”, Banco Central do Brasil, Regime de Metas para a inflação no Brasil”

 

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