Lucas e o tradeoff inflação e desemprego

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Autores: Grupo 11 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

Robert Lucas é o economista que postulou a Teoria de Expectativas Racionais. Uma grande implicação deste trabalho se deu no fato de as pessoas poderem antecipar suas ações frente às ações do governo e do seu embasamento para agir instantaneamente diferente do modelo de Friedman, onde as pessoas, sem aprender, erravam repetidas vezes, para depois ajustarem suas expectativas com base no passado. O modelo de Lucas considera as pessoas racionais, podendo se antecipar ao que acontece na economia e projetar suas ações, de modo a prever uma alteração nos preços, para, por exemplo, barganhar salários maiores. As pessoas aprendem a reagir às ações do governo, explica Sargent, dependendo de como o governo estrutura seu orçamento, e o equilíbrio deste, o que dá sua credibilidade. Tais reações dependem tanto da rapidez com que o governo faz seus ajustes, quanto da sua credibilidade. Se forem rápidos e imprevisíveis (no caso de um governo com baixa credibilidade) o suficiente para não serem antecipados, o governo irá conseguir influenciar a economia no curto prazo.
Um exemplo: se o governo aumentasse a oferta de moeda, como Keynes recomendaria para atenuar a recessão, isso faria com que as pessoas, conhecendo os efeitos dessa política, se antecipassem ao aumento de preços, barganhando salários maiores, desencorajando o aumento do emprego, pois não haveria diminuição no salário real que justificasse tal aumento. Assim, cada vez mais as pessoas aprendem a lidar com essas alterações no nível de preços, anulando-as, num prazo cada vez menor, tornando a política monetária cada vez menos eficiente. Dessa forma, tanto emprego, quanto produto e salários reais são constantes até mesmo no curto prazo.
(Oposição entre inflação e crescimento econômico Reino Unido)

Essa neutralização ocorre, pois como as empresas tomadoras de preço e sem poder de mercado (hipóteses para o modelo de Lucas), elas antecipam o aumento de preços e de vendas com o aumento da base monetária, o que faz com que cedam salários nominais maiores aos trabalhadores, já munidos de informação para barganhar. Porém, com a inflação acontecendo, os salários reais se mantêm iguais e não se criam mais empregos. Então, a influência da política monetária se atenua cada vez mais quanto maior o prazo, embora ela possa surpreender os agentes, porém nunca da mesma maneira.
É importante lembrar que foi introduzindo conceitos microeconômicos que Lucas pôde justificar seu modelo, através, da integração de expectativas, preferências, informação disponível e embasando a decisão de hoje no futuro, e não no passado. A constatação crucial das ERs é que as pessoas aprendem com os erros e reduzem a margem de erro com o tempo.
(relação entre inflação e recessões EUA)
(taxa de desemprego e inflação EUA)

Tratando-se de Brasil, há uma oportunidade de se observar a validade da hipótese proposta por Lucas a respeito da ineficácia das políticas do governo com a sucessão de planos econômicos heterodoxos de combate à inflação. Exemplo é o Plano Cruzado, que congelou preços artificialmente, o que só ocasionou uma disparada da inflação, pelo motivo de não eliminar as reais causas dela. Isso só fazia a moeda perder cada vez mais sua função de unidade de conta, o que a tornava mais volátil ainda.
Os planos seguintes foram ainda mais rapidamente neutralizados, pois as tréguas momentâneas se tornaram cada vez menores e o retorno da inflação cada vez mais acentuado, o que se deve em grande parte ao ajuste de expectativas racionais, que fazia os agentes, aprendendo com as experiências anteriores, se anteciparem cada vez mais à possíveis repetições nas práticas de congelamento de preços. Assim, quando um novo plano era anunciado, ele chegava, em sua adoção, completamente neutralizado pela ação dos agentes.
As diferenças entre mudanças na base monetária, antecipadas ou não antecipadas são: Expansão monetária antecipada pelos agentes gera imposto inflacionário e não estimularia o produto. Expansão monetária não antecipada pode estimular o produto no curto prazo e tão simetricamente quanto contrações não antecipadas podem produzir recessões.
(A relação de IPCA e Desemprego nos últimos anos no Brasil)
(A queda da URSS mostra o ajuste de expectativas após o choque de governo)”

 

Bibliografia:
•        https://pt.wikipedia.org/wiki/Expectativas_racionais
•        http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/10/18/opiniao/8.html – Delfim Netto sobre Lucas
•        Macroeconomia 3ª Edição, BLANCHARD
•        https://solarcycles.net/2013/05/14/usa-financial-markets-and-economic-correlations/
•        http://www.frbsf.org/economic-research/publications/economic-letter/1997/january/nobel-views-on-inflation-and-unemployment/
•        https://roselisilva.files.wordpress.com/2014/11/curvas-de-phillips.pdf
•        http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/economic-sciences/laureates/1995/lucas-lecture.pdf
•        http://www.econlib.org/library/Enc/bios/Lucas.htm
•        http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfD_IAE/xiv-robert-lucas
•        http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,desemprego-e-inflacao-de-servicos,70001681764
•        http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,juros-desemprego-e-inflacao,70001698069
•        http://www.opovo.com.br/noticias/economia/2016/12/desemprego-deve-crescer-em-2017-mas-queda-da-inflacao-da-indicios-de.html

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Milton Friedman: Segunda fase da Curva de Phillips e o Desemprego

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Autores: Grupo 10 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

A teoria de Friedman para o desemprego vem da contraposição da teoria de Phillips, em que o desemprego é uma relação inversamente proporcional à inflação. Tal relação se mostrou verdadeira até o início dos anos 70, quando um choque exógeno na OA introduziu um novo conceito, proposto por Friedman e considerada a segunda fase da Curva: a estagflação, uma relação em que existe desemprego e inflação ocorrendo no mesmo período no longo prazo. Porém, Friedman só chegou a sua teoria graças à um choque exógeno na economia americana.

Nos anos 70, o mundo se desenvolvia cada vez mais dependente do petróleo, como combustível e outros insumos derivados, e os EUA, por meio de suas grandes empresas dominavam o mercado petrolífero, determinando preços e seus participantes.

Com a criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), esse cenário mudou radicalmente, já que a organização tinha como principal objetivo a restrição da oferta de petróleo, de modo a manipular e ampliar o preço de tal produto para que os países membros tivessem um aumento de receita.

         O primeiro grande choque no preço do petróleo pôde ser notado entre meados de 1973 e 1974 onde os preços tiveram um aumento de até 4 vezes, como podemos ver na tabela a seguir:

         Nesse período nota-se nas economias ao redor do mundo o fenômeno denominado de estagflação, onde ao mesmo tempo ocorre uma diminuição da taxa de crescimento da produção (estagnação) e um aumento generalizado dos preços (inflação).

         Normalmente, períodos inflacionários ocorrem quando a demanda por bens e serviços da economia está maior do que a oferta, fazendo com haja um crescimento dos preços aliado a um crescimento do produto e consequentemente uma diminuição do desemprego, já que as firmas para conseguirem suprir a maior demanda contratam mais funcionários. Já a estagnação pode ser definida quando há um decréscimo na taxa de crescimento do produto de uma economia, que ocorre normalmente quando a oferta de bens e serviços se encontra acima da demanda, fazendo com que haja um aumento na taxa de desemprego e paralelamente uma diminuição do nível de preços.

         Por isso foi formulado o conceito de tradeoff entre inflação e desemprego, onde períodos de taxa de inflação alta são acompanhados de uma baixa taxa de desemprego ou vice-versa. Podemos analisar esse tradeoff no gráfico abaixo:

A teoria de Friedman pode ser considerada a segunda fase da curva, em que no longo prazo as expectativas ao nível de preços se adaptam, de modo que a ilusão monetária não exista no longo prazo, e os ajustes ocorrem lentamente. Friedman analisou tal efeito na crise do petróleo, em que o nível de preços se elevou dado o custo de produção maior, diminuindo assim a oferta de trabalho por parte dos trabalhadores, mas a inflação se mantinha em alta, e visando conter a inflação, os EUA recorreram à políticas restritivas que agravaram o desemprego.

É importante observamos no gráfico acima que durante os anos de 72-74, tanto o desemprego quanto a inflação tiveram um crescimento no curto prazo, e retornaram ao seu nível natural com o passar dos anos, a partir dessa relação temos a base para a teoria de Friedman, a chamada Taxa Natural de Desemprego e Crescimento:

– Taxa Natural de Desemprego: A chamada NAIRU (sigla para Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment, a taxa de desemprego não aceleradora da inflação), um taxa para qual a economia converge ao longo do tempo dado o ajuste das expectativas dos trabalhadores. Ocorre pela seguinte situação: Através de uma política governamental para movimentar a economia, vemos a ocorrência da hipótese normal da curva de Philips, inflação se elevando e uma queda do desemprego.

Com o aumento do nível geral de preços, dado o repasse dos maiores custos de produção, o trabalhador tem a percepção no longo prazo que o salário real não teve nenhum crescimento nessa relação, portanto decide ofertar menos trabalho, e da mesma forma renegociar maiores salários dado a inflação do período anterior, que logo é repassado aos preços novamente. Vemos que com a diminuição da produção, o produto começa a convergir ao seu ponto inicial, assim como o desemprego (firmas demandando menos trabalhadores) e a inflação sobe.

Em outras palavras, a determinação do desemprego por Friedman está diretamente relacionada com as expectativas adaptativas dos trabalhadores. A NAIRU simplesmente é uma crítica à sustentabilidade da curva de Philips, e para Friedman, esse taxa não pode ser reduzida com uma elevação da demanda agregada, e qualquer tentativa de redução resultaria em um processo inflacionário acelerado, portanto essa taxa pode ser definida como o desemprego remanescente após o pleno emprego.”

 

NASCIMENTO, Edson Fernando: Milton Friedman e a História do Pensamento Econômico Contemporâneo.

RIBEIRO, Fernando: Friedman, monetarismo e keynesianismo: um itinerário pela história do pensamento econômico em meados do século XX.

MAXIR, Henrique dos Santos: O mercado internacional de petróleo: a influência da OPEP e o poder de mercado.

ANDRADA, Alexandre Flávio Silva: Ensaios em história do pensamento Econômico.

https://www.thebalance.com/what-is-stagflation-3305964 (Acessado em: 10/06/2017)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_dos_Pa%C3%ADses_Exportadores_de_Petr%C3%B3leo (Acessado em: 10/06/2017)

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2014/11/10/taxa-natural-de-crescimento-e-de-desemprego/ (Acessado em 03/06/2017)

 

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Principais medidas de inflação no Brasil

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Autores: Grupo 9 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

“Inflação é um conceito econômico que representa o aumento de preços dos produtos em um determinado país ou região, durante um período. Em um processo inflacionário o poder de compra da moeda se reduz. Como o salário do trabalhador não é reajustado mensalmente, o poder de compra diminui.

A inflação tem papel marcante na história recente do Brasil, uma hiperinflação ocorreu entre as décadas de 1980 e 1990, quando a inflação exorbitante chegou a superar os 80% ao mês, ou seja, o mesmo produto chegava a quase dobrar de preço de um mês para o outro.

 

Entre os principais índices de medição de inflação no Brasil, podemos destacar o IPCA e o IGPM. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é produzido pelo IBGE desde 1979.O IPCA tem por objetivo medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias. Já o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) é uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e registra a inflação de preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.

 

O Brasil conviveu com uma das maiores taxas de variação de preços do mundo, sendo o Plano Real de extrema importância já que foi a única política capaz de ameninar a superinflação do país após dezenas de tentativas.

No período anterior a implementação do Plano, os índices do IPCA mostravam variações mensais absurdas (Figura 1), e o mesmo se aplica aos dados apresentados pelo IGPM (Figura 2) entre 1989 e 1994.

Em 1° de julho de 1994 houve a culminância do programa de estabilização, com o lançamento da nova moeda. A estabilidade e a maior previsibilidade econômica viabilizaram o aumento dos investimentos das empresas e, por consequência, o maior crescimento do país.

Com a hiperinflação superada, a economia brasileira começou a registrar baixos níveis de inflação (Figura 3), registrados também pelo INPC (Figura 4),embora, até janeiro de 1999, o regime de câmbio semifixo tenha levado o BC a adotar taxas de juros de dois dígitos, o que ajudou a provocar níveis de expansão reduzidos do PIB. Ainda naquele ano, já com a mudança para o regime de câmbio flutuante, sistema de metas de inflação e maior rigor fiscal, o Brasil começou a melhorar seus fundamentos macroeconômicos, o que foi essencial para o atual governo registrar maiores taxas de crescimento, mesmo com o aumento dos custos dos componentes importados, sendo transferidos para os preços do atacado, porém sem afetar os preços do varejo. A redução da dívida interna é outro fator que evidenciou a trajetória seguida pelo país nos últimos anos.

As metas de inflação não foram alcançadas em 2001 em razão dos choques externos e internos que atingiram a economia. A decisão tomada em elevar abruptamente a taxa Selic que vinha sendo reduzida desde 1999, como medida para conter a depreciação da moeda e a elevação dos preços, chamou a atenção dos credores externos, o que gerou uma crise no balanço de pagamentos do mesmo ano. Dados mais recentes apontam para uma recuperação do emprego, das vendas e do volume de crédito, o que pode elevar os preços.  Nesse ambiente, cabe à política monetária (definição da taxa de juros) manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para afirmar que a economia já se encontra em uma trajetória de crescimento, ainda que persista alguma incerteza, que deverá ser dirimida ao longo do tempo, sobre o ritmo desse processo, portanto, a política monetária tem o dever zelar para que as pressões inflacionárias sejam contidas.

 São quase 25 anos com a mesma moeda, mais de uma década de regime de metas de inflação com BC independente, de superávit fiscal e redução do endividamento e de câmbio flutuante, são instituições e políticas que resistiram às mudanças políticas e alterações na presidência da república.

Fontes:

SCHERER, Fernando Luiz; KOWALESKI, Paulo Sérgio; REZENDE JR., Sebastião: A DINÂMICA DA INFLAÇÃO BRASILEIRA APÓS O “PLANO REAL In Vitrine da Conjuntura, Curitiba, v.3, n. 6, agosto 2010.

[IPCA e IGP-M] Dados históricos, Sazonalidade, Metas de Inflação no Brasil e muito mais…

http://hcinvestimentos.com/2011/02/21/ipca-igpm-inflacao-historica/?hvid=NcSFP >acessado em 03.06.2017

Como os governos controlam a inflação?

http://g1.globo.com/economia/inflacao-como-os-governos-controlam/platb/ > acessado em 03.06.2017

Apontamentos sobre a inflação no Brasil entre 1994 e 2014

http://jornalggn.com.br/blog/diogo-costa/apontamentos-sobre-a-inflacao-no-brasil-entre-1994-e-2014-por-diogo-costa > acessão em 04.06.2017

 

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Evolução da taxa de juros e inflação brasileira desde 1999

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Autores: Grupo 5 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

No início de 1999, com o fim do câmbio fixo e num ambiente marcado pela incerteza quanto ao impacto da desvalorização do Real sobre a inflação, o governo anunciou que passaria a conduzir a política monetária por base no sistema de metas; estabelecido em junho de 1999.

O regime de metas de inflação é um regime monetário em que o Banco Central (BCB) age de modo a fazer a taxa de inflação convergir para uma meta pré-estabelecida. Seu objetivo é ancorar as expectativas de mercado que, de forma geral, orientam o processo de formação de preços na economia.

A meta e as bandas (o intervalo de tolerância) para a inflação são decididas e anunciadas pelo Conselho Monetário Nacional. Já a medida de inflação adotada é o IPCA cheio, tendo um ano calendário como período para o cumprimento da meta. Cabe ainda ao BCB cumprir as metas de inflação através da determinação da taxa básica de juros de curto prazo da economia (Selic), principal instrumento de política monetária.

O Comitê de Política Monetária (Copom), composto pela diretoria do BCB, se reúne a cada 45 dias e estabelece a meta para a Selic, e cabe ao BCB mantê-la próxima à meta. Como ela é utilizada como parâmetro, é a partir dela que as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos.

Se o governo deseja estimular o consumo e movimentar a economia, ele reduz a Selic. Se a economia está aquecida e a inflação começa a subir demais, ele a aumenta – os empréstimos voltam a ficar mais caros e as pessoas consomem menos, freando o aumento dos preços, disto vem o trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego. Numa economia aquecida há mais vendas e menos desemprego, entretanto, se a oferta não acompanha a demanda, os produtos podem ficar escassos, causando inflação.

Nos períodos em que a inflação ultrapassa o limite, o presidente do BCB divulga uma carta aberta ao ministro da Fazenda justificando o motivo do descumprimento da meta, o que ocorreu nos anos de 2001 a 2003 e 2015.

Em 2001, a alta inflação esteve associada à desaceleração da economia mundial, aos efeitos da crise argentina e aos ataques terroristas nos Estados Unidos. Internamente, houve crescimento acentuado dos preços administrados por contrato, principalmente das tarifas de energia (crise energética), o que aumentou a incerteza sobre o futuro da economia brasileira. Para conter a inflação o BCB elevou a Selic, fechando em 19%. Complementando a política de juros, o BCB também elevou o percentual das reservas compulsórias e fez intervenções no mercado cambial.

No curto prazo taxas de juros mais baixas levam a um produto maior estimulando o investimento e a demanda por produtos, levando a um aumento dos preços. No médio prazo um aumento da inflação vai diminuir a moeda real na economia, assim a taxa de juros aumenta. O resultado no médio prazo é uma taxa nominal de juros maior, na mesma proporção da inflação (efeito Fisher). Isto pode ser observado no gráfico abaixo.

De 2005 a 2013 vemos um relativo declínio da taxa de juros real, chegando ao seu menor patamar histórico no primeiro trimestre de 2013. A insustentabilidade dessa política fez com que, a partir de maio de 2013, o BCB iniciasse a recomposição da taxa de juros real aos patamares anteriores, sob o pretexto de combater a inflação.

Em 2015 o aumento acentuado da inflação se deveu ao crescimento da demanda acima da oferta e principalmente à liberação do aumento dos preços administrados, como luz, água e combustíveis, represados no ano anterior.

Atualmente as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, Por conta do cenário de recessão na economia, a inflação está em queda. Depois de somar 10,67% em 2015 e 6,29% no ano passado, a previsão dos economistas é de que o IPCA fique em 4,43% em 2017, abaixo da meta central de 4,5%, assim o BCB reduz s Selic para estimular a atividade econômica.

 

Fontes:

BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5ª Edição: Pearson Prentice Hall, 2011.

CONTRI, André Luís. Taxa de Juros e Inflação no Brasil. In Carta de Conjuntura FEE, Ano 23, número 03, 2014.

COUTO, Ana Cristina et alli. O regime de metas de inflação no Brasil: Características e algumas críticas aos seus principais fundamentos. In A Economia em Revista, Volume 18, número 2, Dezembro de 2010.

MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 8ª Edição. Rio de Janeiro: LTC, 2015

Série “Perguntas Mais frequentes”, Banco Central do Brasil, Regime de Metas para a inflação no Brasil”

 

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M-ECO: Modelos macro: comparando versões básicas

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Modelo de Walsh (2002)

Walsh utiliza um modelo que é composto por dois principais componentes para explicar o comportamento da Demanda Agregada (D.A) e da Oferta Agregada (O.A) em uma política de metas de inflação: 1) curva de Phillips aumentada pelas expectativas, sob a hipótese de rigidez de preços ou salários; 2) curva das regras da política monetária (RPM), representação reduzida do lado da demanda, e que reflete as preferências da Autoridade Monetária (trading off entre flutuações do produto e inflação).

Conforme observa-se na figura 1, Walsh representa a Curva de Phillips aumentada pelas expectativas da seguinte forma: de maneira simplificada, tem-se uma relação linear entre o gap do produto e inflação, onde a inflação observada é resultante da soma entre a inflação esperada, o estado do ciclo de negócios (representado pelo gap do produto), e por choques que afetam a inflação. Dessa forma, conforme observa-se no gráfico, seu intercepto com a taxa de inflação é igual a inflação esperada acrescida dos choques.

Walsh utiliza a hipótese de uma curva de regras da política monetária argumentando que nos modelos convencionais de D.A, a A.M fixa a quantidade nominal de moeda, e não reage imediatamente às mudanças na economia, tornando o modelo ineficiente para analisar metas de inflação. Também argumenta que este trata a política monetária como exógena, ao invés de mostrar que as ações de políticas monetárias são endógenas. A abordagem proposta pelo autor demonstra como a política monetária se comporta ao passo que os objetivos monetários se alteram durante o tempo. Assumindo uma meta de inflação, a A.M age de maneira ótima para manter as flutuações do gap do produto e da inflação em torno da meta.

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Modelagem de Mishkin (2009)

Mishkin apresenta um modelo expresso em termos da inflação e produto agregado. Considerando que os ajustes nos preços e salários se ajustam de maneira lenta no longo prazo, o autor propõe a existência de curvas de oferta diferentes para o curto e longo prazo.

Segundo o autor, “o nível de produto agregado produzido à taxa natural de desemprego” se denomina produto potencial, ou seja, o instante onde a economia se estabiliza no longo prazo para qualquer taxa de inflação. Como consequência, a curva de oferta agregada no longo prazo (LRAS) é vertical, dado um nível de produto potencial.

Já no curto prazo, a curva de oferta agregada é expressa em termos da expectativa de inflação, gap do produto, e choques nos preços (oferta). Ela também pode ser considerada como uma Curva de Phillips. Sob esta perspectiva, é possível observar que o nível agregado de preços se ajusta lentamente com o tempo, e o que determina a inclinação da curva de oferta agregada é o quão flexível são os preços e salários.

A curva de demanda agregada proposta por Mishkin descreve a relação da quantidade de produto demandados em relação à taxa de inflação, tudo mais constante. É constituída em 4 variáveis: consumo, investimento planejado, gastos do governo, e exportações líquidas de bens e serviços domésticos. Quando a taxa de inflação aumenta, a demanda agregada diminui no curto prazo, pois a taxa real de juros aumenta, diminuindo os investimentos em capital, o que decresce a demanda agregada. Assim, mudanças nessa curva ocorrem quando a inflação se altera, e a AM muda a taxa de juros real, e, assim, o produto real também se transforma. O modelo completo pode ser observado na figura 2:

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Análise comparativa

Após apresentados, notou-se as seguintes semelhanças entre os modelos: ambos os modelos apresentam suas ofertas agregadas como representações da Curva de Phillips, explicitando a influência das expectativas de inflação no modelo; os dois modelos mencionam a taxa de juros real como principal ferramenta de controle da inflação, mesmo que os resultados derivados das mudanças nela mudem nos modelos.

Os modelos se diferem nos seguintes pontos: Walsh torna explícita a ação da AM através da RPM, sendo suas ações consideradas endógenas no modelo, e trás uma melhora didática para o entendimento da política de metas de inflação pois associa diretamente a D.A com a taxa de inflação e o gap do produto, enquanto os modelos convencionais associam a D.A com o nível de preços e a taxa de inflação; Mishkin apresenta diferenciação entre a curva de oferta para o curto e longo prazos, o que não ocorre em Walsh. No modelo de Walsh, apesar de focar no papel da A.M, ele desconsidera as incertezas deste em relação com a posição da curva de Philips, e os objetivos monetários apropriados.

 

FONTES:

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

WALSH, C. Teaching Inflation Targeting: An Analysis for Intermediate Macro. Department of Economics, University of California, Santa Cruz, 2001.”

 

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K-Ecec: Modelos Macro: comparando duas versões básicas

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A discussão será iniciada a partir do conceito de Demanda Agregada, baseada em três fatores macro:

  • Curva IS (Modelo Aberto): é a representação do equilíbrio no mercado de bens e serviços.

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  • Regra de Taylor: um aumento na inflação, deverá ser corrigido por um aumento em maior nível na taxa de juros nominal da economia, sendo o fato exemplificado na equação abaixo:

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Sendo, i =  taxa de juros real estimada por Taylor; i*= taxa de juros real de equilíbrio; π = taxa de inflação anual observada; n*= meta de inflação do Banco Central; Y = produto interno bruto (PIB); Y*= PIB de pleno emprego dos fatores de produção; an = coeficiente de sensibilidade à variação da inflação; ay = coeficiente de sensibilidade à variação do produto.

  • Paridade de juros a descoberto: Supõe perfeita mobilidade de capitais e ativos domésticos e internacionais sejam substitutos perfeitos. É representada pela equação abaixo:

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Seguindo o modelo acima apresentado, damos continuidade a explicação com a oferta de curto e longo prazo:

  • Curto prazo: como um processo evolutivo da curva de Phillips, sendo explanada pela seguinte equação:

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  • Longo prazo: ajuste completo das expectativas dos agentes de mercado, implicando em uma oferta vertical, sendo inexistente trade-off de longo prazo da economia.

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Em seu trabalho, Taylor (2000) se preocupa em discutir como deveria ser ensinado macroeconomia para níveis mais básicos de ensino afirmando que, atualmente, os métodos utilizados não ajudam os alunos a criar uma visão econômica mais intuitiva.

            Para compreender melhor a macroeconomia moderna, Taylor aponta cinco fatos estilizados para completo entendimento sobre a mesma:

  • O produto de longo-prazo (PIB Potencial) pode ser entendido como modelo de crescimento de Solow.
  • Não há trade-off de longo prazo entre inflação e desemprego.
  • Há trade-off de curto-prazo entre desemprego e inflação.
  • Expectativas de inflação e decisões políticas futuras são endógenas e quantitativamente significativas.
  • A taxa de juros nominal de curto-prazo (instrumento de política monetária) é ajustada em relação a eventos econômicos

            Com base nos tópicos apresentados acima, muitos economistas buscaram criar modelos macroeconômicos a fim de explicar as flutuações econômicas. Taylor afirma que estes modelos podem ser sintetizados em três relações principais: (i) a primeira relação se dá entre PIB real e taxa de juros real; (ii) a segunda relação é entre inflação e taxa de juros real; (iii) a terceira relação se dá entre inflação e produto real.

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Onde  e  são parâmetros de sensibilidade, é igual ao produto real;  é taxa de juros real; , inflação;  e são termos de ajustes a choques.

Combinando (i) e (ii) estabeleceremos a relação da Demanda Agregada: . A Oferta agregada, por sua vez, é estabelecida através relação (iii), a qual é representada horizontalmente, uma vez que o ajustamento de preço e inflação é lento.

 

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Como conclusão, é possível observar que ambos os modelos convergem para o mesmo resultado, levando em consideração a existência de trade-off de curto-prazo em relação inflação e desemprego e a não existência do mesmo no longo-prazo. Destacamos ainda que o modelo macro completo (primeira parte do trabalho) é mais extenso e apresenta minuciosamente descrito os fatores que influenciam o equilíbrio de mercado, como consumo, investimento, gastos do governo e exportações líquidas. Em contrapartida, o modelo macroeconômico descrito no artigo de Taylor, se fundamenta em modelos mais simples, como o modelo de crescimento econômico de Solow (Houston, we have a problem) e se foca em variáveis diretamente relacionada a inflação e desemprego.

 

REFERÊNCIAS:

  1. MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets – 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.
  2. TAYLOR, John. B. Teaching Modern Macroeconomics at the principles level – The American Economic Review, Vol. 90 (May, 2000), pp. 90-94.”

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K-Eco: Choques de oferta e demanda no Brasil recente

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“Choques de oferta e demanda deslocam as variáveis desemprego e inflação de seus valores nominais no curto prazo, demandando a ação da política monetária. Tal ação é balizada pela Regra de Taylor (1993). De acordo com a Regra de Taylor, se a inflação aumentar, é preciso que aumente a taxa de juros em proporção maior que o aumento da inflação para que ela volte ao seu patamar. O efeito dessa regra não é unanimidade: Gomes & Holland (2003) chegam a conclusão de que, dependendo do volume e perfil da dívida, a taxa de juros ser aumentada contribui positivamente para o combate à inflação mas aumentam o risco de default do país (analisaram o cenário brasileiro para chegar a esta conclusão).

Mishkin (2007): existem três fatos estilizados sobre a dinâmica inflacionária nos últimos anos: os choques de inflação estão declinando; a Curva de Phillips (que relaciona inflação e desemprego) está se tornando mais horizontal; a inflação tem se tornado menos reativa a choques nos preços. Os três fatos estilizados podem ser comprovados com uma observação do mundo desenvolvido: EUA com um crescimento sutil que não acomoda ainda elevação sustentável de sua taxa de juros, Europa com crescimento leve e preocupação com endividamento e Japão que mesmo com estímulos imensos (conhecido até como “jogar dinheiro de helicóptero”{1}) não tem conseguido os efeitos desejados.

Enquanto isso, no Brasil: atualmente há forte recessão econômica e inflação razoavelmente resistente (mesmo que em trajetória de queda). O que poderia ter acontecido para alcançarmos esta situação? Elencamos três fatores:

– Aumento do endividamento: a crise de 2008 originou-se nos EUA mas teve efeitos sobre o resto do mundo; por aqui, no segundo mandato de Lula, decidiu-se que a utilização de estímulos ao consumo e produção (redução de IPI, aumento da participação do BNDES) reduziria os efeitos; tal política culminou no crescimento de 7,6% do PIB em 2010. Porém, como todo medida anti-cíclica, há um limite: como isso não fora observado, continuou-se até o ano de 2014, o que elevou o endividamento sensivelmente; economistas divergem sobre o efeito do endividamento na atual recessão {2}, mas temos nele um choque positivo de demanda agregada: com o aumento dos gastos do governo aumenta-se o nível de produto no curto prazo para em seguida aumentar-se o nível de preços, levando o produto a patamares anteriores;

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– Quebra de expectativas no setor elétrico: com a Medida Provisória 579/2013, foi antecipada a renovação dos contratos de longo prazo com as empresas fornecedoras pelo motivo declarado de forçar uma redução na conta de luz. Sendo setor de longo prazo, em que investimentos são feitos num tempo e resultam em benefícios mais longos, houve queda no incentivo ao investimento: temos aqui um choque negativo de oferta, caso em que, para um mesmo nível de produto, o nível de preço estará maior. Outros preços administrados – como o da gasolina – também tiveram caminho parecido e, juntos, estes preços compuseram um quarto da inflação de 2015 {3};

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– Inferência governamental sobre a taxa de juros: a Regra de Taylor (supracitada) disserta sobre a relação entre a inflação e os juros. Em nosso país, tivemos um “descasamento” desta entre 2011 e 2012 {4}, resultando em aumento da inflação nos períodos seguintes e a necessidade de um aumento ainda maior da taxa de juros. Aqui temos inicialmente um choque positivo de oferta (a redução dos juros), que coloca para um mesmo nível de produto um nível de preços menor e, em seguida, um choque negativo de oferta (o aumento dos juros faz com que para um mesmo nível de produto um nível de preços maior ocorra).

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A recessão com inflação existente em nosso país é resultado dos fatores descritos acima. Recentemente, debate entre Carlos Kawall e Delfim Netto sobre os caminhos recentes da economia brasileira discute estes fatores {5}.

 

REFERÊNCIAS

TAYLOR, John B. Discretion versus policy rules in practice. Carnegie-Rochester Series on Public Policy, nº 39, p. 195-214. Stanford-CA, 1993.

GOMES, Cleoma & HOLLAND, Márcio. Regra de Taylor e Política Monetária em condições de endividamento público no Brasil. EconomiA. Niterói-RJ, dez/2003. Link: http://www.anpec.org.br/revista/vol4/v4n2p333_361.pdf

MISHKIN, Frederic S. Inflation Dynamics. National Bureau of Economic Research. Cambridge-MA, 2007. Link: http://www.nber.org/papers/w13147

{1} http://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2016/08/25/dinheiro-de-helicoptero-sera-testado-pelo-japao-diz-mobius.htm

{2}         http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-02/economistas-divergem-sobre-trajetoria-da-divida-publica-brasileira

{3}         http://www.valor.com.br/brasil/4383728/ibge-precos-administrados-disparam-18-em-2015

{4}         http://terracoeconomico.com.br/a-regra-de-taylor-e-clara

{5}         http://livestream.com/insper/Paineleconomico/videos/139987112

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