K11-Eco: Economia brasileira: principais choques e respostas de política monetária

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

Ao analisar a conjuntura macro brasileira, nota-se um movimento de recuperação pós-biênio recessivo de 2015-16. O panorama estável nas principais economias do mundo deve persistir, enquanto o mercado interno apresenta reação em estágio inicial, com choques de oferta levando a inflação menor e expectativas convergindo para o centro da meta já em 2018.

No âmbito externo, há perspectiva de expansão da atividade econômica global. O crescimento nas economias avançadas – EUA, Japão, UE e Reino Unido – registrou aceleração no 2º trim. de 2017, repetindo o momento positivo vivido pelos países desenvolvidos nos últimos 5 trimestres. A China, maior parceira comercial do Brasil, manteve um ritmo de crescimento sólido, na casa dos 7%. Em termos de política monetária, há uma tendência de manutenção da condução expansionista, sobretudo no Japão. Nos EUA, a probabilidade de um aumento das fed funds vem caindo após ter beirado os 70% em Junho, estabilizando-se em torno dos 30%, reduzindo a possibilidade de que uma política restritiva por parte do ocasione saída de capitais capaz de refletir em variação do câmbio.

A recente trajetória dos principais indicadores de atividade econômica mostra sinais de recuperação gradual da atividade econômica. O cenário básico do Copom para a inflação envolve fatores de risco em ambas direções. Por um lado, a combinação de possíveis efeitos secundários do choque favorável nos preços de alimentos e da inflação de bens industriais em níveis correntes baixos e da possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação corrente pode levar à queda da inflação. Por outro lado, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação. O desempenho da safra agrícola teve efeitos expressivos sobre a atividade econômica. A dinâmica favorável dos preços de alimentos desde o 4º trim. de 2016 constituiu importante componente do processo de redução da inflação e surpresa desinflacionária, com impacto também favorável no PIB.

Os choques que propiciam um momento de expansão na economia brasileira, com aumento do PIB e queda na Inflação, exigem que o Banco Central utilize seus instrumentos de Política Monetária para garantir a estabilidade de preços. Além das respostas endógenas que o Banco Central já efetua – operando a política monetária para agilizar ajustes nos mercados financeiros – espera-se que do Banco Central uma postura ativista, que atue de forma a garantir que a inflação permaneça dentro da meta. Como as condições econômicas têm pressionado por inflação menor, espera-se que o Banco Central opere políticas monetárias expansionistas, com taxas de juros menores que a taxa de juros estrutural, incentivando o investimento produtivo e garantindo maior produto, com consequente aumento do nível de preços através dos ajustes no mercado de trabalho, garantindo que a inflação se mantenha na meta. Essa análise corrobora com a conduta adotada pelo Copom, que em reunião de Setembro anunciou diminuição da SELIC, deixando claro que sua conduta está sujeita as expectativas de inflação e a dinâmica econômica futura.

Pelos indicadores econômicos, podemos ver que a economia está caminhando para a estabilização e retomada da atividade produtiva. Devido à expectativa de crescimento menor da inflação, o relatório Focus de novembro mostra que o IPCA está em 3,09% e 4,04% para o próximo ano, mantendo-se estável e ainda dentro da meta de 4,5%. Já o câmbio, a tendência é que a moeda doméstica se deprecie (em relação ao dólar) de R$3,20 para R$3,30 ao final de cada período. A Selic tem a tendência de cair, a projeção para 7% até o final do ano, incentivando consumo e produção, a média é 6,88% em 2018, com previsão de finalizar em 7%; espera-se que o PIB aumente de 0,73% para 2,50%, devido ao maior crescimento da produção industrial e estabilidade do investimento no país e aliado ao avanço no primeiro trimestre.

 

Referências:” 

Valor Econômico – “Mercado corta projeção para inflação e taxa Selic, aponta Focus” (https://goo.gl/uEcWMB)

Focus – Relatório de Mercado 10/11/2017 (https://goo.gl/iEZUcE)

Relatório de Inflação – Setembro de 2017, Banco Central (https://goo.gl/o1GQkP)

Notas da 210ª Reunião do Comitê de Política Monetária (https://goo.gl/CJJ6Gd)

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10ª Edição.

 

Autores: Grupo K – Alunos de Economia Monetária

 

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E10-Eco: Metas de inflação – Definições e riscos após 2014

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

O regime de metas inflacionárias define uma faixa na qual a inflação deve transitar, este regime foi estabelecido no Brasil em 1999.

Desde sua implantação, as metas inflacionárias foram as seguintes:

É possível observar que o centro da meta se iniciou em 8% a.a., chegou ao patamar de 3,5%a.a., voltou a 5,5%a.a., e, desde 2005, está em 4,5%a.a. (com tolerância de 2%a.a. para mais ou para menos até 2016 e uma diminuição para 1,5%a.a. nessa tolerância a partir de 2017); para 2018 a meta continua sendo de 4,5%a.a., mas será reduzida em 0,5%a.a. pelos próximos dois anos.

Ancorando as expectativas inflacionárias pelo regime de metas desde 1999, temos que a inflação apresentou comportamento moderado neste período (com exceção do período entre o final do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso e o início do primeiro mandato de Lula, que apresentou certa turbulência neste quesito).

Porém, na virada de 2014 para 2015 houve um grande reajuste de preços administrados (que corresponderam a quase um quarto da inflação em 2015) acompanhado de aumento que já vinha ocorrendo nos preços livres.Em decorrência disto, a taxa de juros foi aumentada ao patamar de 14,25%a.a. (tendo começado tal elevação na reunião do COPOM de 29/10/2014, quando a taxa passou de 11 para 11,25%a.a.), nível este no qual permaneceu por mais de um ano (entre as reuniões de 29/07/2015, em que subiu de 13,75 para 14,25%a.a. e a de 19/10/2016, em que baixou de 14,25 para 14%a.a.).

Na atualidade, podendo observar o ano de 2015 com certo distanciamento, temos que houve considerável efeito da liberação de preços administrados sobre o índice inflacionário geral, o que se une ao fato de que os preços livres já vinham em certa inércia. O efeito de reajuste destes preços, nos períodos seguintes, tem sido mais suavizado e, unindo isto ao fato de que os preços livres também estão mais comportados, temos um cenário de queda na taxa de juros (na última reunião do COPOM, em 25/10/2017, a taxa Selic meta foi definida em 7,5%).

O risco que se teve de enfrentarmos um descontrole no rumo da inflação com o regime de metas inflacionárias é, desde 2014, consideravelmente baixo. Isso se baseia na observação dos fatos ocorridos e não no momento vivido entre 2014 e 2015 (em que as previsões eram de que este descontrole ocorreria muito em breve).

O que confirma esse baixo risco é o fato de que, mesmo com novas regras para os preços administrados, durante o governo Dilma, em 2015, instituiu-se a ideia das bandeiras de energia para reajustar a mais quando o custo de geração sobe, já com Temer, os preços dos combustíveis fósseis passaram a ser reajustados com maior frequência e em relação aos preços do mercado. Essas novas regras permitem que os administrados sejam mais parecidos com os livres e, mesmo em momentos em que observamos custos mais elevados em ambos (como tem ocorrido nos últimos trimestres), o impacto inflacionário total ainda é reduzido o suficiente para, segundo as previsões do Boletim Focus de 03/11/2017, fecharmos o ano de 2017 ligeiramente acima do limite inferior do regime de metas e fechar 2018 suavemente abaixo do centro da meta.

O risco mais importante é o referente a questão fiscal. Diversas reformas têm sido discutidas e algumas inclusive já foram aprovadas, mas ainda estamos distantes de equacionar a questão fiscal ao longo do tempo. Caso não seja devidamente solucionada, incorrerá em um aumento nas taxas de juros e também na própria inflação. Segundo relatórios da Instituição Fiscal Independente (IFI), o endividamento público pode superar 92% até 2023 sem uma adequada equalização fiscal, porém, tendo ancoradas as expectativas de inflação, este risco não sinaliza que veremos o sistema de metas de inflação sendo quebrado.”

Referências:

goo.gl/u8h6AS
goo.gl/hRNh56
goo.gl/QdDgTT
goo.gl/PzGmyf
goo.gl/Pxwsif
goo.gl/Gp9n5Q
goo.gl/FzQ79K
goo.gl/ZrNnoA

Figuras:

1 – Facebook BCB, acesso em 07/11/2017
2 – Scot Consultoria: goo.gl/QdDgTT

 

Autores: Grupo E de Economia Monetária

 

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G9-Eco: Inflação e desemprego no Brasil

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“A relação desemprego e inflação é comumente explicada pela Curva de Phillips (CP), que descreve um efeito negativo entre as duas variáveis. Entretanto, pelos dados dos últimos anos, percebemos que o caso brasileiro não pode ser totalmente explicado por tal teoria.

A figura 1 apresenta a relação entre a inflação e o desemprego no Brasil a partir de 2012. Através dos dados, percebe-se que a relação negativa entre inflação e desemprego não esteve presente no período total abrangido pela série, mas ocorreu em alguns períodos, como entre Jul/12-Nov/12 e Fev/16-Mar/17. No entanto, a partir de Abril de 2017, as variáveis movimentam-se na mesma direção, com redução no nível de preços e na taxa de desemprego.

A CP desenvolvida inicialmente representava um gráfico de dispersão utilizando dados de salários nominais e taxa de desemprego. Em seguida, dados de inflação foram utilizados no lugar de salários nominais e a relação negativa apresentada entre inflação e desemprego se tornou conhecida como a curva de Phillips.

A figura 2 apresenta um gráfico de dispersão, relacionando a inflação com o desemprego com dados do Brasil a partir de 2012. Esse resultado é o mesmo encontrado por Mishkin para dados dos Estados Unidos a partir dos anos 1970, em que não se verifica relação clara entre essas variáveis.

A CP novo keynesiana é a mais utilizada atualmente em estudos sobre a inflação. Nesta versão da CP, os agentes possuem expectativas racionais e existem falhas de mercado que geram certa rigidez nominal. Assim, tem-se que a diminuição do desemprego aumenta o poder de barganha dos trabalhadores, que exigem salários nominais maiores, aumentando o custo de produção que são repassados aos preços. Neste caso, tem-se que o desemprego é negativamente relacionado com a inflação, sendo esta a CP de curto prazo.

No entanto, no longo prazo, o mercado de trabalho deve estar em equilíbrio, de modo que a relação negativa entre desemprego e inflação desaparece.

Sachsida, Ribeiro e Santos (2009) estimam três CPs: CPs para os estados do Rio de Janeiro e de de São Paulo e CP para o Brasil. Os autores usam dados trimestrais de 1995 a 2008 e levam em consideração a mudança de regime, para isso, utilizam um modelo de Markov-switching.

Como proxy para a inflação, utilizam o IPCA. Como proxy para o custo marginal da empresa, são utilizadas diversas variáveis de acordo com a disponibilidade dos dados em nível estadual e nacional, sendo elas: massa salarial, utilização da capacidade instalada da indústria, taxa de desemprego e hiato do produto.

Após o estudo, os autores encontram evidências de que os parâmetros não são lineares. Além disso, ao adotar um modelo de mudança de regime, a expectativa de inflação passa a ter um coeficiente maior do que a inflação passada, sendo o oposto do que se encontra nos estudos em que não há mudança de regime, o que indica que modelos lineares podem subestimar o efeito da expectativa de inflação. Constataram ainda que os resultados não são robustos a alterações nas proxies e especificações adotadas, de modo que a curva de Phillips não é uma boa explicação para a economia brasileira no período considerado.

Embora a CP ainda seja uma das mais importantes relações macroeconômicas, vários economistas, incluindo Larry Summers, da Universidade de Harvard, apontam que a relação se “quebrou”. Uma das teorias é que isso ocorreu devido à competição internacional, que dificulta o aumento do preço dos produtos e dos salários. Outra teoria é a de que os Bancos Centrais se tornaram mais críveis no controle dos preços, sendo eles menos sensíveis à ciclos econômicos. Independe do motivo, a CP atualmente não é considerada uma boa ferramenta para prever a inflação.

Referências”

https://goo.gl/zGozUR

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1429.pdf

MISHKIN, Frederic. The
Economics of Money, Banking and Financial Markets
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10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

Autores: Grupo F

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Lucas e o tradeoff inflação e desemprego

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Autores: Grupo 11 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

Robert Lucas é o economista que postulou a Teoria de Expectativas Racionais. Uma grande implicação deste trabalho se deu no fato de as pessoas poderem antecipar suas ações frente às ações do governo e do seu embasamento para agir instantaneamente diferente do modelo de Friedman, onde as pessoas, sem aprender, erravam repetidas vezes, para depois ajustarem suas expectativas com base no passado. O modelo de Lucas considera as pessoas racionais, podendo se antecipar ao que acontece na economia e projetar suas ações, de modo a prever uma alteração nos preços, para, por exemplo, barganhar salários maiores. As pessoas aprendem a reagir às ações do governo, explica Sargent, dependendo de como o governo estrutura seu orçamento, e o equilíbrio deste, o que dá sua credibilidade. Tais reações dependem tanto da rapidez com que o governo faz seus ajustes, quanto da sua credibilidade. Se forem rápidos e imprevisíveis (no caso de um governo com baixa credibilidade) o suficiente para não serem antecipados, o governo irá conseguir influenciar a economia no curto prazo.
Um exemplo: se o governo aumentasse a oferta de moeda, como Keynes recomendaria para atenuar a recessão, isso faria com que as pessoas, conhecendo os efeitos dessa política, se antecipassem ao aumento de preços, barganhando salários maiores, desencorajando o aumento do emprego, pois não haveria diminuição no salário real que justificasse tal aumento. Assim, cada vez mais as pessoas aprendem a lidar com essas alterações no nível de preços, anulando-as, num prazo cada vez menor, tornando a política monetária cada vez menos eficiente. Dessa forma, tanto emprego, quanto produto e salários reais são constantes até mesmo no curto prazo.
(Oposição entre inflação e crescimento econômico Reino Unido)

Essa neutralização ocorre, pois como as empresas tomadoras de preço e sem poder de mercado (hipóteses para o modelo de Lucas), elas antecipam o aumento de preços e de vendas com o aumento da base monetária, o que faz com que cedam salários nominais maiores aos trabalhadores, já munidos de informação para barganhar. Porém, com a inflação acontecendo, os salários reais se mantêm iguais e não se criam mais empregos. Então, a influência da política monetária se atenua cada vez mais quanto maior o prazo, embora ela possa surpreender os agentes, porém nunca da mesma maneira.
É importante lembrar que foi introduzindo conceitos microeconômicos que Lucas pôde justificar seu modelo, através, da integração de expectativas, preferências, informação disponível e embasando a decisão de hoje no futuro, e não no passado. A constatação crucial das ERs é que as pessoas aprendem com os erros e reduzem a margem de erro com o tempo.
(relação entre inflação e recessões EUA)
(taxa de desemprego e inflação EUA)

Tratando-se de Brasil, há uma oportunidade de se observar a validade da hipótese proposta por Lucas a respeito da ineficácia das políticas do governo com a sucessão de planos econômicos heterodoxos de combate à inflação. Exemplo é o Plano Cruzado, que congelou preços artificialmente, o que só ocasionou uma disparada da inflação, pelo motivo de não eliminar as reais causas dela. Isso só fazia a moeda perder cada vez mais sua função de unidade de conta, o que a tornava mais volátil ainda.
Os planos seguintes foram ainda mais rapidamente neutralizados, pois as tréguas momentâneas se tornaram cada vez menores e o retorno da inflação cada vez mais acentuado, o que se deve em grande parte ao ajuste de expectativas racionais, que fazia os agentes, aprendendo com as experiências anteriores, se anteciparem cada vez mais à possíveis repetições nas práticas de congelamento de preços. Assim, quando um novo plano era anunciado, ele chegava, em sua adoção, completamente neutralizado pela ação dos agentes.
As diferenças entre mudanças na base monetária, antecipadas ou não antecipadas são: Expansão monetária antecipada pelos agentes gera imposto inflacionário e não estimularia o produto. Expansão monetária não antecipada pode estimular o produto no curto prazo e tão simetricamente quanto contrações não antecipadas podem produzir recessões.
(A relação de IPCA e Desemprego nos últimos anos no Brasil)
(A queda da URSS mostra o ajuste de expectativas após o choque de governo)”

 

Bibliografia:
•        https://pt.wikipedia.org/wiki/Expectativas_racionais
•        http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/10/18/opiniao/8.html – Delfim Netto sobre Lucas
•        Macroeconomia 3ª Edição, BLANCHARD
•        https://solarcycles.net/2013/05/14/usa-financial-markets-and-economic-correlations/
•        http://www.frbsf.org/economic-research/publications/economic-letter/1997/january/nobel-views-on-inflation-and-unemployment/
•        https://roselisilva.files.wordpress.com/2014/11/curvas-de-phillips.pdf
•        http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/economic-sciences/laureates/1995/lucas-lecture.pdf
•        http://www.econlib.org/library/Enc/bios/Lucas.htm
•        http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfD_IAE/xiv-robert-lucas
•        http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,desemprego-e-inflacao-de-servicos,70001681764
•        http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,juros-desemprego-e-inflacao,70001698069
•        http://www.opovo.com.br/noticias/economia/2016/12/desemprego-deve-crescer-em-2017-mas-queda-da-inflacao-da-indicios-de.html

Milton Friedman: Segunda fase da Curva de Phillips e o Desemprego

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Autores: Grupo 10 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

A teoria de Friedman para o desemprego vem da contraposição da teoria de Phillips, em que o desemprego é uma relação inversamente proporcional à inflação. Tal relação se mostrou verdadeira até o início dos anos 70, quando um choque exógeno na OA introduziu um novo conceito, proposto por Friedman e considerada a segunda fase da Curva: a estagflação, uma relação em que existe desemprego e inflação ocorrendo no mesmo período no longo prazo. Porém, Friedman só chegou a sua teoria graças à um choque exógeno na economia americana.

Nos anos 70, o mundo se desenvolvia cada vez mais dependente do petróleo, como combustível e outros insumos derivados, e os EUA, por meio de suas grandes empresas dominavam o mercado petrolífero, determinando preços e seus participantes.

Com a criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), esse cenário mudou radicalmente, já que a organização tinha como principal objetivo a restrição da oferta de petróleo, de modo a manipular e ampliar o preço de tal produto para que os países membros tivessem um aumento de receita.

         O primeiro grande choque no preço do petróleo pôde ser notado entre meados de 1973 e 1974 onde os preços tiveram um aumento de até 4 vezes, como podemos ver na tabela a seguir:

         Nesse período nota-se nas economias ao redor do mundo o fenômeno denominado de estagflação, onde ao mesmo tempo ocorre uma diminuição da taxa de crescimento da produção (estagnação) e um aumento generalizado dos preços (inflação).

         Normalmente, períodos inflacionários ocorrem quando a demanda por bens e serviços da economia está maior do que a oferta, fazendo com haja um crescimento dos preços aliado a um crescimento do produto e consequentemente uma diminuição do desemprego, já que as firmas para conseguirem suprir a maior demanda contratam mais funcionários. Já a estagnação pode ser definida quando há um decréscimo na taxa de crescimento do produto de uma economia, que ocorre normalmente quando a oferta de bens e serviços se encontra acima da demanda, fazendo com que haja um aumento na taxa de desemprego e paralelamente uma diminuição do nível de preços.

         Por isso foi formulado o conceito de tradeoff entre inflação e desemprego, onde períodos de taxa de inflação alta são acompanhados de uma baixa taxa de desemprego ou vice-versa. Podemos analisar esse tradeoff no gráfico abaixo:

A teoria de Friedman pode ser considerada a segunda fase da curva, em que no longo prazo as expectativas ao nível de preços se adaptam, de modo que a ilusão monetária não exista no longo prazo, e os ajustes ocorrem lentamente. Friedman analisou tal efeito na crise do petróleo, em que o nível de preços se elevou dado o custo de produção maior, diminuindo assim a oferta de trabalho por parte dos trabalhadores, mas a inflação se mantinha em alta, e visando conter a inflação, os EUA recorreram à políticas restritivas que agravaram o desemprego.

É importante observamos no gráfico acima que durante os anos de 72-74, tanto o desemprego quanto a inflação tiveram um crescimento no curto prazo, e retornaram ao seu nível natural com o passar dos anos, a partir dessa relação temos a base para a teoria de Friedman, a chamada Taxa Natural de Desemprego e Crescimento:

– Taxa Natural de Desemprego: A chamada NAIRU (sigla para Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment, a taxa de desemprego não aceleradora da inflação), um taxa para qual a economia converge ao longo do tempo dado o ajuste das expectativas dos trabalhadores. Ocorre pela seguinte situação: Através de uma política governamental para movimentar a economia, vemos a ocorrência da hipótese normal da curva de Philips, inflação se elevando e uma queda do desemprego.

Com o aumento do nível geral de preços, dado o repasse dos maiores custos de produção, o trabalhador tem a percepção no longo prazo que o salário real não teve nenhum crescimento nessa relação, portanto decide ofertar menos trabalho, e da mesma forma renegociar maiores salários dado a inflação do período anterior, que logo é repassado aos preços novamente. Vemos que com a diminuição da produção, o produto começa a convergir ao seu ponto inicial, assim como o desemprego (firmas demandando menos trabalhadores) e a inflação sobe.

Em outras palavras, a determinação do desemprego por Friedman está diretamente relacionada com as expectativas adaptativas dos trabalhadores. A NAIRU simplesmente é uma crítica à sustentabilidade da curva de Philips, e para Friedman, esse taxa não pode ser reduzida com uma elevação da demanda agregada, e qualquer tentativa de redução resultaria em um processo inflacionário acelerado, portanto essa taxa pode ser definida como o desemprego remanescente após o pleno emprego.”

 

NASCIMENTO, Edson Fernando: Milton Friedman e a História do Pensamento Econômico Contemporâneo.

RIBEIRO, Fernando: Friedman, monetarismo e keynesianismo: um itinerário pela história do pensamento econômico em meados do século XX.

MAXIR, Henrique dos Santos: O mercado internacional de petróleo: a influência da OPEP e o poder de mercado.

ANDRADA, Alexandre Flávio Silva: Ensaios em história do pensamento Econômico.

https://www.thebalance.com/what-is-stagflation-3305964 (Acessado em: 10/06/2017)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_dos_Pa%C3%ADses_Exportadores_de_Petr%C3%B3leo (Acessado em: 10/06/2017)

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2014/11/10/taxa-natural-de-crescimento-e-de-desemprego/ (Acessado em 03/06/2017)

 

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Principais medidas de inflação no Brasil

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Autores: Grupo 9 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

“Inflação é um conceito econômico que representa o aumento de preços dos produtos em um determinado país ou região, durante um período. Em um processo inflacionário o poder de compra da moeda se reduz. Como o salário do trabalhador não é reajustado mensalmente, o poder de compra diminui.

A inflação tem papel marcante na história recente do Brasil, uma hiperinflação ocorreu entre as décadas de 1980 e 1990, quando a inflação exorbitante chegou a superar os 80% ao mês, ou seja, o mesmo produto chegava a quase dobrar de preço de um mês para o outro.

 

Entre os principais índices de medição de inflação no Brasil, podemos destacar o IPCA e o IGPM. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é produzido pelo IBGE desde 1979.O IPCA tem por objetivo medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias. Já o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) é uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e registra a inflação de preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.

 

O Brasil conviveu com uma das maiores taxas de variação de preços do mundo, sendo o Plano Real de extrema importância já que foi a única política capaz de ameninar a superinflação do país após dezenas de tentativas.

No período anterior a implementação do Plano, os índices do IPCA mostravam variações mensais absurdas (Figura 1), e o mesmo se aplica aos dados apresentados pelo IGPM (Figura 2) entre 1989 e 1994.

Em 1° de julho de 1994 houve a culminância do programa de estabilização, com o lançamento da nova moeda. A estabilidade e a maior previsibilidade econômica viabilizaram o aumento dos investimentos das empresas e, por consequência, o maior crescimento do país.

Com a hiperinflação superada, a economia brasileira começou a registrar baixos níveis de inflação (Figura 3), registrados também pelo INPC (Figura 4),embora, até janeiro de 1999, o regime de câmbio semifixo tenha levado o BC a adotar taxas de juros de dois dígitos, o que ajudou a provocar níveis de expansão reduzidos do PIB. Ainda naquele ano, já com a mudança para o regime de câmbio flutuante, sistema de metas de inflação e maior rigor fiscal, o Brasil começou a melhorar seus fundamentos macroeconômicos, o que foi essencial para o atual governo registrar maiores taxas de crescimento, mesmo com o aumento dos custos dos componentes importados, sendo transferidos para os preços do atacado, porém sem afetar os preços do varejo. A redução da dívida interna é outro fator que evidenciou a trajetória seguida pelo país nos últimos anos.

As metas de inflação não foram alcançadas em 2001 em razão dos choques externos e internos que atingiram a economia. A decisão tomada em elevar abruptamente a taxa Selic que vinha sendo reduzida desde 1999, como medida para conter a depreciação da moeda e a elevação dos preços, chamou a atenção dos credores externos, o que gerou uma crise no balanço de pagamentos do mesmo ano. Dados mais recentes apontam para uma recuperação do emprego, das vendas e do volume de crédito, o que pode elevar os preços.  Nesse ambiente, cabe à política monetária (definição da taxa de juros) manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para afirmar que a economia já se encontra em uma trajetória de crescimento, ainda que persista alguma incerteza, que deverá ser dirimida ao longo do tempo, sobre o ritmo desse processo, portanto, a política monetária tem o dever zelar para que as pressões inflacionárias sejam contidas.

 São quase 25 anos com a mesma moeda, mais de uma década de regime de metas de inflação com BC independente, de superávit fiscal e redução do endividamento e de câmbio flutuante, são instituições e políticas que resistiram às mudanças políticas e alterações na presidência da república.

Fontes:

SCHERER, Fernando Luiz; KOWALESKI, Paulo Sérgio; REZENDE JR., Sebastião: A DINÂMICA DA INFLAÇÃO BRASILEIRA APÓS O “PLANO REAL In Vitrine da Conjuntura, Curitiba, v.3, n. 6, agosto 2010.

[IPCA e IGP-M] Dados históricos, Sazonalidade, Metas de Inflação no Brasil e muito mais…

http://hcinvestimentos.com/2011/02/21/ipca-igpm-inflacao-historica/?hvid=NcSFP >acessado em 03.06.2017

Como os governos controlam a inflação?

http://g1.globo.com/economia/inflacao-como-os-governos-controlam/platb/ > acessado em 03.06.2017

Apontamentos sobre a inflação no Brasil entre 1994 e 2014

http://jornalggn.com.br/blog/diogo-costa/apontamentos-sobre-a-inflacao-no-brasil-entre-1994-e-2014-por-diogo-costa > acessão em 04.06.2017

 

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Evolução da taxa de juros e inflação brasileira desde 1999

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Autores: Grupo 5 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

No início de 1999, com o fim do câmbio fixo e num ambiente marcado pela incerteza quanto ao impacto da desvalorização do Real sobre a inflação, o governo anunciou que passaria a conduzir a política monetária por base no sistema de metas; estabelecido em junho de 1999.

O regime de metas de inflação é um regime monetário em que o Banco Central (BCB) age de modo a fazer a taxa de inflação convergir para uma meta pré-estabelecida. Seu objetivo é ancorar as expectativas de mercado que, de forma geral, orientam o processo de formação de preços na economia.

A meta e as bandas (o intervalo de tolerância) para a inflação são decididas e anunciadas pelo Conselho Monetário Nacional. Já a medida de inflação adotada é o IPCA cheio, tendo um ano calendário como período para o cumprimento da meta. Cabe ainda ao BCB cumprir as metas de inflação através da determinação da taxa básica de juros de curto prazo da economia (Selic), principal instrumento de política monetária.

O Comitê de Política Monetária (Copom), composto pela diretoria do BCB, se reúne a cada 45 dias e estabelece a meta para a Selic, e cabe ao BCB mantê-la próxima à meta. Como ela é utilizada como parâmetro, é a partir dela que as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos.

Se o governo deseja estimular o consumo e movimentar a economia, ele reduz a Selic. Se a economia está aquecida e a inflação começa a subir demais, ele a aumenta – os empréstimos voltam a ficar mais caros e as pessoas consomem menos, freando o aumento dos preços, disto vem o trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego. Numa economia aquecida há mais vendas e menos desemprego, entretanto, se a oferta não acompanha a demanda, os produtos podem ficar escassos, causando inflação.

Nos períodos em que a inflação ultrapassa o limite, o presidente do BCB divulga uma carta aberta ao ministro da Fazenda justificando o motivo do descumprimento da meta, o que ocorreu nos anos de 2001 a 2003 e 2015.

Em 2001, a alta inflação esteve associada à desaceleração da economia mundial, aos efeitos da crise argentina e aos ataques terroristas nos Estados Unidos. Internamente, houve crescimento acentuado dos preços administrados por contrato, principalmente das tarifas de energia (crise energética), o que aumentou a incerteza sobre o futuro da economia brasileira. Para conter a inflação o BCB elevou a Selic, fechando em 19%. Complementando a política de juros, o BCB também elevou o percentual das reservas compulsórias e fez intervenções no mercado cambial.

No curto prazo taxas de juros mais baixas levam a um produto maior estimulando o investimento e a demanda por produtos, levando a um aumento dos preços. No médio prazo um aumento da inflação vai diminuir a moeda real na economia, assim a taxa de juros aumenta. O resultado no médio prazo é uma taxa nominal de juros maior, na mesma proporção da inflação (efeito Fisher). Isto pode ser observado no gráfico abaixo.

De 2005 a 2013 vemos um relativo declínio da taxa de juros real, chegando ao seu menor patamar histórico no primeiro trimestre de 2013. A insustentabilidade dessa política fez com que, a partir de maio de 2013, o BCB iniciasse a recomposição da taxa de juros real aos patamares anteriores, sob o pretexto de combater a inflação.

Em 2015 o aumento acentuado da inflação se deveu ao crescimento da demanda acima da oferta e principalmente à liberação do aumento dos preços administrados, como luz, água e combustíveis, represados no ano anterior.

Atualmente as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, Por conta do cenário de recessão na economia, a inflação está em queda. Depois de somar 10,67% em 2015 e 6,29% no ano passado, a previsão dos economistas é de que o IPCA fique em 4,43% em 2017, abaixo da meta central de 4,5%, assim o BCB reduz s Selic para estimular a atividade econômica.

 

Fontes:

BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5ª Edição: Pearson Prentice Hall, 2011.

CONTRI, André Luís. Taxa de Juros e Inflação no Brasil. In Carta de Conjuntura FEE, Ano 23, número 03, 2014.

COUTO, Ana Cristina et alli. O regime de metas de inflação no Brasil: Características e algumas críticas aos seus principais fundamentos. In A Economia em Revista, Volume 18, número 2, Dezembro de 2010.

MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 8ª Edição. Rio de Janeiro: LTC, 2015

Série “Perguntas Mais frequentes”, Banco Central do Brasil, Regime de Metas para a inflação no Brasil”

 

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