G2-Eco: A dança das taxas de juros

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

A comparação entre títulos com mesmas características, mesmo emissor e com prazos de maturidade diferentes, nos deixa observar curvas de taxas de juros positivas, planas ou até invertidas. Esse “balé” das taxas de juros pode ser sintetizado pelos seguintes fatos estilizados:

  1. Cointegração das taxas de juros com maturidades diferentes. Ou seja, essas taxas têm um comportamento semelhante ao longo do tempo;
  2. As taxas obedecem ao princípio de reversão à média. Quando falamos de taxas de curto prazo que sofreram queda, em relação a um referencial, espera-se um crescimento ao longo do tempo (ou o contrário);
  3. A curva normal é a mais frequentemente observada.

A teoria capaz de explicar o conjunto dos fatos estilizado é chamada de Prêmio pela Liquidez. Segundo Mishkin, ela demonstra que títulos com maturidades diferentes são substitutos, mas não substitutos perfeitos, assim a teoria ainda permite que os investidores prefiram um título a outro. Portanto, o pagamento de um prêmio positivo pela iliquidez de capital consegue fundamentar os três fatos estilizados, principalmente a frequência da curva positiva.

A figura abaixo pode ser clarificada pela ótica da teoria do prêmio pela liquidez. Ela apresenta o mercado de títulos dos EUA e permite observar o movimento das taxas de juros e os fatos estilizados. Conectados pelo grau de substituição, as diferentes maturidades dos títulos apresentam sincronia no comportamento ao longo do tempo, que associa o pedaço da taxa de longo prazo à composição da taxa de curto prazo esperada, comprovando o primeiro fato estilizado. Além disso, quando as taxas alcançam vales ou picos, elas redirecionam seu movimento para cima ou para baixo, demonstrando o segundo fato estilizado. Por fim, uma vez que o prêmio pago sempre é positivo, ele tende a “puxar” a curva para cima, o que explica a maior frequência da curva normal (terceiro fato estilizado).

Nesse mesmo contexto, o gráfico abaixo ilustra a variação das taxas de juros, porém para três títulos públicos emitidos pelo Tesouro Direto entre os períodos de 2010 a 2017 no Brasil. Para sua elaboração, foi usado como referência o dia 31 de agosto dos respectivos anos. Os diferentes títulos são representados por: a série azul retrata a LTN (Letra do Tesouro Nacional) – um título de curto prazo (CP); a série vermelha NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – série B) – médio prazo (MP) e a série verde NTN- B principal (Notas do Tesouro Nacional – série B – principal) – um título de longo prazo (LP).

Utilizando este gráfico para análise do comportamento da ETTJ no Brasil, é possível notar a cointegração das taxas de curto, médio e longo prazo. Mesmo que essas difiram em seus graus de maturidade, elas tiveram o mesmo movimento ao longo do tempo, ou seja, quando houve uma alta na taxa de juros da LTN (CP), as taxas de NTN-B (MP) e as de NTN-B principal (LP) também aumentaram.  Ainda, pode-se comprovar o princípio de reversão à média, ou seja, o fato da esperança de baixa de uma taxa de curto prazo após um período de alta, observando esse comportamento no período dos anos 2012 a 2015 e no período dos anos 2016 e 2017, respectivamente.”

 

REFERÊNCIAS:

MISHKIN, F. The Stock Market, the Theory of Rational Expectations, and the Efficient Market Hypothesis. In: MISHIKIN, F. Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.” 

http://www.tesouro.gov.br/tesouro-direto-balanco-e-estatisticas

 

Grupo L

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G1-Eco: Os mercados de capitais e crédito brasileiros: características, volume e taxas

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

Para analisarmos os mercados de crédito e capitais brasileiros temos que primeiro definir a responsabilidade de cada um na economia em geral. O mercado de crédito tem a função de atender agentes financeiros com investimentos de curto e médio prazos e concentrar credores e devedores de forma que haja transação de capital entre as partes, principalmente empréstimos para famílias e empresas. Já o mercado de capitais, segmentado em primário e secundário, permite a captação de fundos e gera liquidez aos títulos emitidos pela oferta de valores mobiliários, suprindo a necessidade dos agentes de investimentos de médio a longo prazo para capital de giro e fixo do mercado.

No Brasil, há uma grande concentração no mercado de crédito, sendo que quase 80% deste está “nas mãos” de apenas quatro bancos. Isto acontece devido aos atos de fusão e aquisição que ocorreram nos últimos anos, além do aumento da competição. Esta concentração, contudo, não aparenta se opor ao crescimento do mercado, já que o saldo de operações de crédito cresceu em 75,26% desde 2000. Da mesma forma, observamos uma grande concentração do índice de ações em poucas grandes empresas no mercado de capitais, além de pouca liquidez da maior parte das ações e uma grande volatilidade por conta da grande tendência especulativa do mercado.

As taxas incidentes diferem entre os mercados de capitais e créditos. O primeiro é avaliado através de uma taxa de corretagem que vale sobre o serviço ou o valor posto em transação. Já no mercado de créditos observamos o spread bancário, diferença entre a taxa de juros exigida do devedor e a paga ao emprestador. Temos a Selic como a taxa básica de mercado e extremamente influente na tomada de decisão de investimentos.

Destacando a importância do crédito, atualmente o BNDES trabalha com linha de créditos que beneficia pequenas e médias empresas. O intuito da liberação de crédito está na influência destes ocupantes do mercado em gerar emprego na economia, cerca de 54%. Além do spread que ficará a cargo da instituição bancária, a Taxa de Juros de Longo Prazo incidirá sobre o valor emprestado, limitado a R$3,6 milhões ao ano. O BNDES exerce aqui importante papel de Intermediário Financeiro, sem este a economia sofreria de ineficiência. É por meio deste “agente” que emprestadores encontram devedores e geram o fluxo do mercado, beneficiando-se de baixos custos de transação, menor seleção adversa e risco moral.

O saldo do crédito do sistema financeiro (Pessoa física e jurídica) chegou a 49,6% do PIB brasileiro, em dezembro de 2016, somando pouco mais de 3 trilhões de reais. No mesmo período, o volume da Bovespa não chegou nem à 3% do PIB, sendo este cerca de 167 bilhões de reais. Ao comparar com o exterior, vemos que os dois mercados estão abaixo da média mundial. Por exemplo, o crédito interno fornecido pelo setor financeiro em relação ao PIB no Brasil foi de 111,2% em 2016, enquanto a média mundial foi de 177,4% (como base de comparação, a porcentagem americana foi de 242,6% e a alemã foi de 134,2%). Outro exemplo é a BM&F Bovespa que é 23 vezes menor que a bolsa de Nova Iorque e ocupa apenas a 20º posição no ranking das maiores bolsas de valores do mundo, em relação à capitalização de mercado.

 

Referências (acessadas em 28 de agosto de 2017):”

https://www.oeconomista.com.br/bndes-lanca-linha-de-credito-para-pequenas-e-medias-empresas/

http://ibmec.org.br/empresario/o-que-e-mercado-de-capitais/mercado-de-capitais-no-brasil/

https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries

http://data.worldbank.org/indicator/FS.AST.DOMS.GD.ZS?

http://www.visualcapitalist.com/20-largest-stock-exchanges-world/

http://g1.globo.com/economia/noticia/itau-bradesco-bb-e-caixa-tinham-quase-80-do-mercado-de-credito-ao-fim-de-2016.ghtml

https://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/TD377.pdf

http://www.portaldoinvestidor.gov.br/menu/primeiros_passos/Entendendo_mercado_valores.html

ASSAF, A. Mercado Financeiro. 12º ed. São Paulo: Atlas, 2014.

 

Autores: GRUPO J

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Crise do subprime no Brasil: Marola ou tsunami econômico?

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Autores: Grupo 7 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

“Em 1990, devido a expansão do liberalismo, o cenário internacional passou a adotar medidas de desregulamentação de seus sistemas financeiros. Com a criação deste mercado financeiro unificado, houve um aumento da competitividade entre os bancos, resultando na diminuição da lucratividade das operações bancárias.  Como alternativa, os bancos americanos começaram a expandir o mercado de crédito imobiliário para clientes com histórico de crédito “sujo” (histórico de hábitos financeiros pouco saudáveis), também conhecidos como clientes subprime. Os contratos dessa linha de crédito eram formados com juros fixos nos primeiros 2 anos e, após este período, as taxas eram indexadas, tornando-se exorbitantes e aumentando os déficits das famílias subprime. Os preços dos passivos reais eram maiores do que seus ativos financeiros e geraram uma dívida insolvente.

Os investidores, percebendo este comportamento, começaram a vender seus títulos e derivativos que, com o excesso de oferta, obtiveram uma desvalorização. Assim, a unificação do mercado financeiro, que fazia com que os ativos não pertencessem apenas aos estadunidenses, mas também aos empresários do mundo inteiro, proporcionou o alastramento da crise via sistema financeiro.

O primeiro impacto sentido no Brasil foi a restrição de crédito internacional, gerando decréscimo das  exportações brasileiras e diminuição de crédito na economia doméstica. As empresas diminuíram seus investimentos produtivos, afetando a venda e produção principalmente dos setores agrícola, automobilístico, de construção civil, de móveis e eletrodomésticos. Entretanto, esse abalo sobre a economia brasileira foi amenizado graças ao expressivo aumento do Produto Interno Bruto (PIB), com base no aumento do consumo, taxa de investimentos e exportações, observados desde 2004.  Apesar de observarmos em 2009 uma retração de 0,33% do PIB (figura 1), ela se torna mínima, se comparada com o efeito da crise em países desenvolvidos (figura 2).

Projeção: JPMorgan – Global Data Watch, 19 de Outubro de Fonte: FMI. Elaboração: Idéias Consultoria.

Esse ciclo de crescimento acelerado em conjunto com as medidas anticíclicas adotadas em 2008 possibilitaram tendências de recuperação da economia brasileira nos períodos seguintes. As medidas adotadas incluíram: a expansão de liquidez da moeda estrangeira e doméstica, afim de reduzir a volatilidade do preço do dólar e os impactos da crise; e  oferecer maior disponibilidade de empréstimos para agentes financeiros. Já as políticas expansionistas (monetárias e fiscais) buscaram a reduzir a taxa de juros e amenizar as possíveis oscilações no PIB.

Frente à esse cenário, os resultados obtidos foram: redução do processo de desvalorização do câmbio, com o aumento da liquidez da moeda estrangeira e o aumento de  crédito aos setores mais afetados. Isso permitiu uma certa constância na taxa de desemprego, pouco comum em períodos de recessão. Os bancos públicos federais tiveram papel importante ao financiar os bancos comerciais e impulsionar a liquidez do mercado de créditos. Portanto, mesmo em meio a crise, o volume de crédito doméstico cresceu e possibilitou estabilidade do sistema financeiro.

Os objetivos do Governo brasileiro de aumentar a liquidez, à partir da expansão de crédito e da desoneração de impostos, foram eficientes: houve um aumento no consumo (decisivo para superar a recessão) e um crescimento da economia no período seguinte. Apesar dessa rápida retomada, a crise do subprime gerou uma dívida pública pelo conjunto de medidas anticíclicas, que em conjunto com a queda das exportações brasileiras (especialmente para China após a crise européia) e a política fiscal implementada entre 2010 e 2011 diminuiria o crescimento do PIB mais uma vez, apresentando em 2015 o pior resultado dos últimos 25 anos.”

 

Bibliografia

Deus, L.N.; LIMA, T. D., A crise de 2008 e seus efeitos na economia. Revista Cadernos de Economia, Chapecó, v. 17, n. 32, p. 52-65, jan./jun. 2013

JUNIOR, A.C.C.A.C.; MOREIRA, M. B. S. Interação entre políticas monetária, fiscal e cambial no Brasil. Economia e Desenvolvimento, Recife (PE), v. 12, no 1, 2013

FERRAZ, F. C. Crise financeira global: impactos na economia brasileira, política, econômica e resultados. 2013. Dissertação (de Mestrado em Economia) – Curso de ação em Economia (PPGE), Universidade Federal do Rio de Janeiro.

NETO, E.D. Análise da Política Econômica Brasileira no Pós-crise de 2008. Departamento de Economia – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Julho de 2015

Economia brasileira cresceu 0,9% em 2012, diz IBGE, G1 São Paulo. 01 de março de 2013

<http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/03/economia-brasileira-cresce-09-em-2012-diz-ibge.html> Acessado em 17.05.2017

Brasil está entre as 10 economias de menor crescimento em 2015. Época Negócios.

16.06.2015 <http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Resultados/noticia/2015/06

/brasil-esta-entre-10-economias-de-menor-crescimento-em-2015.html> Acessado em 17.05.2017

Brasil tem terceiro pior crescimento econômico do G20 em 2014. BBC Brasil. 27 de março de 2015 <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/03/150326_pib_

brasil_comparacao_fd> Acessado em 17.05.2017

Referência dos gráficos

Figura 1: IPEADATA

Figura 2: FMI. Projeção: J.P. Morgan. Elaboração: Ideias Consultoria

 

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Do Mercado Financeiro, Bolsa de Valores e Ações.

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Autores: Grupo 4 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

“O Mercado Financeiro torna possível o comércio de mercadorias, câmbio e valores mobiliários, permitindo a angariação de capital, transferência de risco e o comércio internacional. Exerce, portanto, um papel primordial no entendimento da economia. Ele é composto pelo Banco Central do Brasil, que executa as normas do Conselho Monetário Nacional, Comissão de Valores Mobiliários e Instituições Financeiras, nas quais encontramos as bolsas de valores, sendo a B3 – Brasil, Bolsa, Balcão: resultado da fusão da BM&FBOVESPA e a prestadora de serviços financeiros Cetip- a única do Brasil.

A bolsa de valores organiza as negociações de ações e títulos em um ambiente seguro, garantindo que o investidor ou a empresa recebam o dinheiro que decorreu do encontro das empresas que abriram capital com os investidores. Sua segurança e eficiência decorre da existência da CBLB (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), uma empresa com fins lucrativos, filiada à B3 e responsável pela tutela das ações e títulos privados no mercado financeiro.

As ações estão divididas em dois grupos gerais: as ações ordinárias e as ações preferenciais. Todas são nominativas, o que significa que seu detentor é identificado nos livros de registro da empresa. As Ordinárias Nominativas (ON) são aquelas que possibilitam ao acionista, além do lucro, o direito de voto nas assembleias. Esses tipos de ações geralmente são menos procurados que as Preferenciais Nominativas (PN) – as quais visam somente ao lucro- são dificilmente negociadas por seus donos e, logo, possuem menor liquidez.

É fundamental salientar a importância das corretoras, que exercem o papel fundamental de intermediar as negociações entre os compradores, os vendedores e a bolsa no mercado primário. Pode-se presumir (incorretamente) que o intervalo entre as operações do mercado primário e secundário é grande; porém, a ferramenta denominada Home Broker torna possível que grande parte das negociações ocorram de forma automática e independentes da mesa de operações. A rapidez e eficiência tornam possível o processo de alavancagem, empregado nas operações de mercado futuro (operações de curto prazo) ou nas de day trade (vão até o encerramento do pregão do mesmo dia).

Embora os rendimentos obtidos na bolsa sejam formidáveis, ainda é muito pequena a parcela de brasileiros que investem em ações. Isso se deve, em parte, à insegurança por não entender e conhecer os mecanismos do mercado financeiro. Por isso, grande parte do volume de transações da Bovespa é negociado por investidores estrangeiros. Há uma tendência, porém, para que isso mude. A BM&FBOVESPA divulgou em 2016 números que expressam a participação de pessoas físicas investindo. A quantidade de investidores, que em 2002 era de 85.249 pessoas, passou a ser quase 560.000 pessoas. Um crescimento de mais de 6x.

Expressões como “a bolsa fechou em alta” ou “houve queda na bolsa” estão relacionadas ao Ibovespa, um indicador de desempenho médio em tempo real das cotações de ações e “pacotes de ações” das companhias de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro – como Bradesco, Itaú Unibanco, Vale e Ambev. O índice considera instantaneamente os preços de todos os negócios efetuados no mercado à vista (lote padrão) envolvendo as ações que compõem a carteira de ativos deste indicador.

Ao analisar o livro de ofertas de compra, percebe-se que existem ofertas a diferentes preços, uma vez que investidores querem comprar a preços distintos. Neste caso, a oferta que traz o preço mais alto aparecerá em primeiro lugar, no topo da lista, e o valor de uma ação é determinado pelo preço do último negócio fechado: se vale 10 reais, isso quer dizer que a última negociação foi feita por esse valor.

Ao conduzir o encontro dos poupadores e dos investidores, então, o mercado de ações incentiva a geração de poupança de longo prazo, a qual tem importância incontestável no processo de crescimento sustentado da economia e no aumento da saúde financeira das empresas.”

Referências: http://www.lomecard.com.br/como-funciona-a-bolsa-de-valores-aprenda-a-investir/

http://www.infomoney.com.br/

https://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/home

https://app.tororadar.com.br/universidade/#/cursos/

http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm

http://br.advfn.com/indice/ifix

 

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H-ECO: Volatilidade nas taxas de câmbio no Brasil e na américa latina: teoria e prática

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A teoria

Sabemos que a taxa de câmbio nominal no curto prazo responde à paridade de juros descoberta, sendo esta uma consequência da livre mobilidade de capitais no qual os agentes podem alocar seus recursos entre os diversos ativos internacionais e os ativos domésticos. Para alocar os recursos em algum ativo estrangeiro, é necessário fazer a conversão de moeda doméstica para a estrangeira em questão; esta demanda por moeda estrangeira vai ser satisfeita por uma oferta de moeda estrangeira, sendo formado neste mercado o preço da moeda externa em relação à interna. Ou seja, na alocação de recursos entre ativos domésticos e estrangeiros, os agentes alterarão suas demandas relativas por moedas interna e externa, e isso fatalmente alterará a taxa de câmbio vigente (sendo, portanto, um determinante para sua volatilidade), tudo isso em um regime de câmbio flexível, é claro.

A relação de paridade de juros abaixo foi retirada a partir do livro de Macroeconomia de Blanchard (2011); it é a taxa de juros doméstica; it* é a taxa de juros externa. A taxa de câmbio está definida em termos da moeda estrangeira.

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A prática

No Brasil, em 1994, com a implementação do Plano Real foi preciso ter o câmbio como âncora nominal da nova moeda. Em teoria isso seria um regime de cambio fixo; na prática foi um crawling-peg com pequenas desvalorizações . O Banco Central brasileiro enfrentou expectativas de desvalorização nas crises do México (1994), da Ásia (1997), da Rússia (1998) e no Brasil (1999), sendo que um pouco após esta última mudou-se o regime para um câmbio flutuante. Os momentos de crise são bem flagrados no movimento ascendente do câmbio brasileiro observado no gráfico abaixo a partir de 1994.

A crise da Argentina tem uma forte relação com a inflação durante a década de 90, período em que o país passa a adotar o currency board como regime cambial na tentativa de conter a inflação. Isto explica a estabilidade da taxa de câmbio neste país até 2001, já que neste regime a oferta de moeda doméstica é determinada pela disponibilidade de moeda estrangeira, sendo ambas trocadas a uma taxa fixa.      

Cunha & Gala (2006) relatam que a partir da crise da Ásia em 1997 houve uma significativa queda na oferta de financiamento externo para  economias emergentes, afetando a economia chilena à medida que os países asiáticos respondiam por um terço das exportações e o preço do cobre sofreu forte queda. A grande saída de capitais para países desenvolvidos, que se iniciou em 1997, intensificou-se em 1998 e 1999 com a crise na Rússia e no Brasil. O efeito sobre o regime de bandas cambiais foi a depreciação da taxa nominal, conforme se observa no gráfico abaixo.

A crise do México ocorre em 1994 com uma desvalorização do peso mediante instabilidade política, afetando o câmbio em outros países na América Latina, entre eles o Brasil, no denominado ‘’efeito Tequila’’, tal como relatado por Mishkin. Percebe-se um movimento ascendente do câmbio mexicano a partir de 1994 no gráfico abaixo.

Assim, vê-se como a taxa de câmbio nominal nos países emergentes são muito suscetíveis a crises externas, sendo este um aspecto em comum nestes países. Um exemplo recente é a crise financeira de 2007/2008, no qual houve fuga de capitais no período mais acentuado da crise, refletindo em um aumento da taxa de câmbio (medido em termos da moeda doméstica) devido à queda da demanda por ativos domésticos. No gráfico abaixo vê-se claramente o aumento do câmbio em todos os países em 2008.

 

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Referências

BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5ª edição. São Paulo: Ed. Pearson, 2011

http://eesp.fgv.br/sites/eesp.fgv.br/files/310.pdf (Cunha & Gala, 2006)

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.”

 

H-Ecec: Volatilidade da taxa de câmbio nominal

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“A alta volatilidade das taxas de câmbios surpreende muitas pessoas. Há cerca de 30 anos, os economistas geralmente acreditavam que as taxas de câmbio formadas pelo mercado não estariam sujeitas a altas flutuações nos seus valores. Todavia, experiências recentes provaram o contrário. É possível observar dados que comprovam que as taxas de câmbio durante a década de 90 do século passado e início desse século têm sido muito voláteis.”

A abordagem do mercado de ativos para a determinação da taxa de câmbio, esboçada no capítulo 17 do Mishkin, nos dá uma explicação da volatilidade das taxas de câmbio. Como a apreciação esperada da moeda doméstica afeta o retorno esperado dos ativos domésticos, as expectativas sobre o nível de preço, inflação, barreiras comerciais, produtividade, importação, exportação e a oferta de moeda desempenham funções importantes na determinação da taxa de câmbio.

Quando as expectativas sobre qualquer uma dessas variáveis mudam, e elas mudam com frequência, o modelo apresentado por Mishkin indica que o retorno esperado dos ativos domésticos e, por consequência, a taxa de câmbio, será imediatamente afetada.

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A volatilidade da taxa de câmbio também se vincula com a volatilidade de outras variáveis. Um viés é atribuído em relação à instabilidade da taxa de juros de economias emergentes, uma vez que esses países incorrem em escolher se devem manter grande a variabilidade na taxa de câmbio ou na política monetária por meio da taxa de juros. Nesta perspectiva, embora se permita certo grau de variação em ambas, os governos preferem manter a taxa de câmbio mais estável, o que culmina na permissão da variabilidade da taxa de juros para que isso seja garantido (CALVO; REINHART, 2000).

No caso dos BRICS, embora seja possível delinear semelhanças nos países, inclusive enquadra-los como economias emergentes, os regimes cambiais adotados por eles são diferentes. A China administra o câmbio de forma a manter quase fixa sua moeda frente a uma cesta internacional de moedas. O Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, por sua vez, são caracterizados por operarem regimes de câmbio flutuante.

A figura abaixo evidencia a evolução da taxa de câmbio nos BRICS à luz da recente crise financeira mundial, permitindo destacar sinais de diferentes graus de intervenção nas taxas de câmbio destes países.

 

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Dos países que adotam o regime de câmbio flutuante, observa-se valorização da moeda doméstica em relação ao dólar até meados de 2008, quando um movimento de desvalorização tomou forma e manteve-se até o início de 2009. Posteriormente, as taxas de câmbio destes países voltaram a registrar valorização, ao passo que na China, onde o regime cambial é administrado, houve tendência de lenta valorização do câmbio até julho de 2008. Destaca-se no caso da moeda chinesa que houve pouca alteração significativa, o que pode ser justificado pela política de compra de dólares.

Após o final de 2008, percebe-se que as moedas de cada país do grupo sofreram desvalorização, enquanto a China sofre baixa valorização, destoando do padrão dos demais BRICS. A moeda brasileira registrou grande impacto da crise, considerando o movimento súbito mais intenso entre os BRICS, seguido pela África do Sul e a Rússia. Desta forma, destaca-se menor “turbulência” no caso da China e da Índia, em que se registram movimentos mais suaves na resposta da taxa de câmbio. Por um lado, a baixa volatilidade da taxa de câmbio da China não surpreende devido ao regime de câmbio administrado, mas, por outro lado, o fato da Índia conduzir uma taxa de câmbio flutuante e ainda registrar estabilidade similar ao da China, embora em sentido de valorização opostas, ganha destaque.

A administração da taxa de câmbio na China tem sido possível, portanto, tanto pelo enorme volume de reservas internacionais, quanto da existência de controles na entrada e saída na conta de capitais, sobretudo através de proibições e limites quantitativos (PAULA, 2005).

REFERÊNCIAS:

  1. MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets – 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.
  2. ESTUDO PÓS-KEYNESIANO DO COMPORTAMENTO RECENTE DA TAXA DE CÂMBIO NOS BRICS Leandro Vieira Lima Araújo Lívia Carolina Machado Melo Luana Naves Ferreira Silva.(https://s3.amazonaws.com/acadex.articles/Articles/56dc40a45c68c1e60f634dfe-fileIdentified.pdf)
  3. Calvo, Guillermo A. and Reinhart, Carmen M. Fear of Floating. NATIONAL BUREAU OF ECONOMIC RESEARCH, 2000. (http://www.nber.org/papers/w7993.pdf)”

G-Eco: Sobre a Paridade do Poder de Compra (PPC) e sua validade no Brasil

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O conceito de Paridade do Poder de Compra (PPC) consiste em comparar efetivamente uma quantidade de produtos que possa ser comprada em diferentes moedas, sendo estas convertidas a uma (e em comparações internacionais esta costuma ser o dólar), chegando, assim, a elucidar de modo comparativo, o poder de compra de cada moeda. Parece um conceito distante de qualquer realidade, mas há um exame de comparação realizado anualmente pela revista The Economist chamado Índice Big Mac que nos auxilia a entender este conceito: tal índice compara as quantidades necessárias de moeda em diferentes países para a aquisição do lanche padrão no McDonalds.

            Através da análise internacional da PPC podemos chegar a uma aproximação maior do custo de vida dos diversos países. A crítica existente a este conceito ocorre por dois motivos: 1) as chamadas “cestas de produtos” não são uniformes entre os países e 2) as flutuações não ocorrem em níveis uniformes (ambos geram dificuldade em se realizar uma adequada comparação).

            A PPC não é um conceito direto e fechado – “é válida ou não” –, pois divide-se em duas vertentes: a versão absoluta afirma que um bem deve ter o mesmo preço em dois países caso os preços estejam sendo expressados em uma mesma moeda, enquanto a versão relativa sinaliza que a razão de preços existente para um mesmo bem em países diferentes deve ser constante ao longo do tempo (CASSEL, 1922).

            Uma vez que a PPC se relaciona à taxa de câmbio, é notável o efeito de valorização ou desvalorização cambial sobre nosso poder de compra: quando da valorização de nossa moeda, temos um aumento do poder de compra – e o contrário também é verdadeiro, ceteris paribus. Ilustrativamente: desde o início dos anos 2000, temos, então, uma redução no poder de compra quando da eleição de Lula em 2002 (quando o dólar chegou a ultrapassar R$4,00), um aumento considerável durante o segundo mandato de Lula (entre 2007 e 2010, com o dólar a menos de R$2,00) e, mais recentemente, uma queda do poder de compra entre o final de 2014 e o primeiro trimestre de 2016 (dólar de R$2,30 para R$ 4,15).

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 Cambio X Paridade entre Abr. 2000 e Out. 2014

             Seria válida a PPC no caso brasileiro? Alguns estudos discutem este caso através de métodos econométricos e chegam ao entendimento de que isso não possa ser confirmado (ao menos na forma absoluta de PPC):

             Freixo & Barbosa (2004) aplicam o modelo não linear auto regressivo com transição suavizada (STAR) à taxa de câmbio brasileira entre 1959 e 2004, logo após apresentarem um levantamento da literatura sobre PPC; a tese de que a PPC seria válida para o caso brasileiro é rejeitada justificando-se que a partir da análise realizada o que se encontra é que a taxa de câmbio brasileira apresenta comportamento “explosivo” quando próxima da paridade e “estacionário” quando o equilíbrio de longo prazo se encontra distante;

 Palaia & Holland (2010) também desenvolvem um levantamento de literatura e uma série de testes econométricos, chegando ao entendimento da não validade absoluta do conceito de PPC.

                                                     g-eco-grafico-2

 

                            Valor do dólar e taxas de juros, 1973-2008

Através do gráfico acima podemos acompanhar como a taxa de câmbio efetiva está muito mais alinhada com a taxa de juros reais do que com a taxa de juros nominais.  Assim, podemos verificar que nem sempre uma alteração na taxa de juros gera efeitos na taxa de câmbio, isso devido ao componente de expectativa de inflação embutido na taxa de juros nominal pela equação de Fisher.

Cabe ressaltar no gráfico que na crise financeira de 2007-2008 houve um descasamento entre as taxas de câmbio e a taxa de juros real, pois enquanto o FED reduzia a taxa de juros, os Bancos Centrais ao redor do mundo não pensaram ser necessária tal redução, cenário esse que se reverte depois, pois a crise começa a aprofundar seus efeitos no resto do mundo.

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Referências:

https://economia.terra.com.br/operacoes-cambiais/pessoa-fisica/entenda-como-e-calculada-a-paridade-de-poder-de-compra,05b62ebe54082410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

http://www.economist.com/content/big-mac-index

“Cassel, Gustav. 1922. Money and foreign Exchange after 1914. New York, Macmillan”

http://www.infomoney.com.br/blogs/investimentos-bem-pensados/post/3818331/quanto-alta-dolar-afetou-nosso-poder-compra

http://www.anpec.org.br/revista/vol5/vol5n3p75_116.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502010000100001

MISHKIN, F. S. The Foreign Exchange Market, Cap. 17 In: The Economics of Money, Banking and Financial Markets. Cambridge: Pearson Publishing, 2010.

MISHKIN, F. S. The Foreign Exchange Market, Cap. 17 In: The Economics of Money, Banking and Financial Markets. Cambridge: Pearson Publishing, 2012.

 

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