G3-Eco: A Oferta Monetária na Economia Brasileira

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“Entendemos o Agregado M1 como a definição teórica de moeda como meio de pagamento, sendo ativos estritamente monetários e de liquidez imediata. É o volume de recursos prontamente disponíveis para o pagamento de bens e serviços. Inclui-se o papel-moeda em poder do público e os depósitos à vista: M = pmpp + DV.

A partir do plano real, com a diminuição da inflação, os meios de pagamento restritos ampliaram-se consideravelmente. Tal processo é conhecido como remonetização, resultante da recuperação da credibilidade da moeda nacional.

Em 2001, o Banco Central promove mudanças conceituais nos meios de pagamentos. Mudou-se o critério de ordenamento dos Agregados Monetários, passando de uma agregação pelo nível de liquidez dos ativos para uma definição conforme seus sistemas emissores.

“Os meios de pagamento ampliados são indicadores antecedentes de pressões de demanda sobre o setor real melhores que os meios de pagamento restritos, dado que, atualmente, as facilidades de realocação de portfólio permitem que o M1 esteja sempre no nível necessário para transações e responda passivamente a elevações no nível de preços. Ressalte-se, contudo, que mesmo em modelos de política monetária que privilegiam o controle de taxas de juros, os agregados monetários continuam sendo instrumentos importantes para o acompanhamento dos efeitos daquela política, tanto como indicadores de liquidez quanto como indicadores de captações internas de recursos, por parte do sistema emissor, para multiplicação de crédito no país. ” (Reformulação dos Meios de Pagamento – Notas Metodológicas – BCB).

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados (Jan/96 a Dez/16) obtidos no IPEADATA e Banco Central.

 

A oferta de moeda (M1) na economia é definida como a base monetária multiplicada pelo multiplicador monetário: M = m X BM.

A quantidade de moeda presente numa economia é reflexo de um conjunto de três peças que atuam em um processo de decisões. Dentre essas peças temos a população que decide quanto manter em conta corrente e quanto manter “no bolso”, os Bancos e seu desejo de manter reservas voluntárias e pela definição do percentual de reservas compulsórias exigidas pelo Banco Central.

A Base monetária é o passivo monetário do Banco Central, também conhecido como emissão primária de moeda. Inclui o total de cédulas e moedas em circulação e os recursos da conta “Reservas Bancárias”.  Portanto, temos que a base monetária é definida como a soma do papel moeda em poder do público com as reservas compulsórias e voluntárias das instituições bancárias.

A principal maneira pela qual o Banco Central provoca mudanças na base monetária é através de suas operações de “Open Market”, que permitem a regulação diária da oferta monetária e da taxa de juros, gerando liquidez aos títulos negociados. Tais operações são realizadas através das compra e venda de títulos públicos.

No Brasil, foi introduzido no Plano Real o conceito de Base monetária ampliada, sob o pressuposto de que agregados mais amplos sejam melhor correlacionados com os preços na economia brasileira, visto que mais perfeitamente captam a substitutibilidade entre M1 e os demais ativos financeiros. Incluir, além da base restrita, os compulsórios e títulos federais.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados (Jul/94 a Jul/17) obtidos no Banco Central.

 

O multiplicador monetário indica o grau de modificação da oferta de moeda para uma determinada mudança na base monetária, ou seja, reflete o efeito de outros fatores além da base monetária sobre a oferta de moeda. Como exemplo, com m = 3, um aumento de R$1,00 na base monetária levará a um aumento de R$3,00 na oferta de moeda.

 

Referência

MISHKIN, F. The Stock Market, the Theory of Rational Expectations, and the Efficient Market Hypothesis. In: MISHIKIN, F. Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.”

 

Reformulação dos meios de pagamentos – Notas Metodológicas

http://www.bcb.gov.br/ftp/infecon/NM-MeiosPagAmplp.pdf

 

Autores: GRUPO A

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G2-Eco: A dança das taxas de juros

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

A comparação entre títulos com mesmas características, mesmo emissor e com prazos de maturidade diferentes, nos deixa observar curvas de taxas de juros positivas, planas ou até invertidas. Esse “balé” das taxas de juros pode ser sintetizado pelos seguintes fatos estilizados:

  1. Cointegração das taxas de juros com maturidades diferentes. Ou seja, essas taxas têm um comportamento semelhante ao longo do tempo;
  2. As taxas obedecem ao princípio de reversão à média. Quando falamos de taxas de curto prazo que sofreram queda, em relação a um referencial, espera-se um crescimento ao longo do tempo (ou o contrário);
  3. A curva normal é a mais frequentemente observada.

A teoria capaz de explicar o conjunto dos fatos estilizado é chamada de Prêmio pela Liquidez. Segundo Mishkin, ela demonstra que títulos com maturidades diferentes são substitutos, mas não substitutos perfeitos, assim a teoria ainda permite que os investidores prefiram um título a outro. Portanto, o pagamento de um prêmio positivo pela iliquidez de capital consegue fundamentar os três fatos estilizados, principalmente a frequência da curva positiva.

A figura abaixo pode ser clarificada pela ótica da teoria do prêmio pela liquidez. Ela apresenta o mercado de títulos dos EUA e permite observar o movimento das taxas de juros e os fatos estilizados. Conectados pelo grau de substituição, as diferentes maturidades dos títulos apresentam sincronia no comportamento ao longo do tempo, que associa o pedaço da taxa de longo prazo à composição da taxa de curto prazo esperada, comprovando o primeiro fato estilizado. Além disso, quando as taxas alcançam vales ou picos, elas redirecionam seu movimento para cima ou para baixo, demonstrando o segundo fato estilizado. Por fim, uma vez que o prêmio pago sempre é positivo, ele tende a “puxar” a curva para cima, o que explica a maior frequência da curva normal (terceiro fato estilizado).

Nesse mesmo contexto, o gráfico abaixo ilustra a variação das taxas de juros, porém para três títulos públicos emitidos pelo Tesouro Direto entre os períodos de 2010 a 2017 no Brasil. Para sua elaboração, foi usado como referência o dia 31 de agosto dos respectivos anos. Os diferentes títulos são representados por: a série azul retrata a LTN (Letra do Tesouro Nacional) – um título de curto prazo (CP); a série vermelha NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – série B) – médio prazo (MP) e a série verde NTN- B principal (Notas do Tesouro Nacional – série B – principal) – um título de longo prazo (LP).

Utilizando este gráfico para análise do comportamento da ETTJ no Brasil, é possível notar a cointegração das taxas de curto, médio e longo prazo. Mesmo que essas difiram em seus graus de maturidade, elas tiveram o mesmo movimento ao longo do tempo, ou seja, quando houve uma alta na taxa de juros da LTN (CP), as taxas de NTN-B (MP) e as de NTN-B principal (LP) também aumentaram.  Ainda, pode-se comprovar o princípio de reversão à média, ou seja, o fato da esperança de baixa de uma taxa de curto prazo após um período de alta, observando esse comportamento no período dos anos 2012 a 2015 e no período dos anos 2016 e 2017, respectivamente.”

 

REFERÊNCIAS:

MISHKIN, F. The Stock Market, the Theory of Rational Expectations, and the Efficient Market Hypothesis. In: MISHIKIN, F. Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.” 

http://www.tesouro.gov.br/tesouro-direto-balanco-e-estatisticas

 

Grupo L

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G1-Eco: Os mercados de capitais e crédito brasileiros: características, volume e taxas

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

Para analisarmos os mercados de crédito e capitais brasileiros temos que primeiro definir a responsabilidade de cada um na economia em geral. O mercado de crédito tem a função de atender agentes financeiros com investimentos de curto e médio prazos e concentrar credores e devedores de forma que haja transação de capital entre as partes, principalmente empréstimos para famílias e empresas. Já o mercado de capitais, segmentado em primário e secundário, permite a captação de fundos e gera liquidez aos títulos emitidos pela oferta de valores mobiliários, suprindo a necessidade dos agentes de investimentos de médio a longo prazo para capital de giro e fixo do mercado.

No Brasil, há uma grande concentração no mercado de crédito, sendo que quase 80% deste está “nas mãos” de apenas quatro bancos. Isto acontece devido aos atos de fusão e aquisição que ocorreram nos últimos anos, além do aumento da competição. Esta concentração, contudo, não aparenta se opor ao crescimento do mercado, já que o saldo de operações de crédito cresceu em 75,26% desde 2000. Da mesma forma, observamos uma grande concentração do índice de ações em poucas grandes empresas no mercado de capitais, além de pouca liquidez da maior parte das ações e uma grande volatilidade por conta da grande tendência especulativa do mercado.

As taxas incidentes diferem entre os mercados de capitais e créditos. O primeiro é avaliado através de uma taxa de corretagem que vale sobre o serviço ou o valor posto em transação. Já no mercado de créditos observamos o spread bancário, diferença entre a taxa de juros exigida do devedor e a paga ao emprestador. Temos a Selic como a taxa básica de mercado e extremamente influente na tomada de decisão de investimentos.

Destacando a importância do crédito, atualmente o BNDES trabalha com linha de créditos que beneficia pequenas e médias empresas. O intuito da liberação de crédito está na influência destes ocupantes do mercado em gerar emprego na economia, cerca de 54%. Além do spread que ficará a cargo da instituição bancária, a Taxa de Juros de Longo Prazo incidirá sobre o valor emprestado, limitado a R$3,6 milhões ao ano. O BNDES exerce aqui importante papel de Intermediário Financeiro, sem este a economia sofreria de ineficiência. É por meio deste “agente” que emprestadores encontram devedores e geram o fluxo do mercado, beneficiando-se de baixos custos de transação, menor seleção adversa e risco moral.

O saldo do crédito do sistema financeiro (Pessoa física e jurídica) chegou a 49,6% do PIB brasileiro, em dezembro de 2016, somando pouco mais de 3 trilhões de reais. No mesmo período, o volume da Bovespa não chegou nem à 3% do PIB, sendo este cerca de 167 bilhões de reais. Ao comparar com o exterior, vemos que os dois mercados estão abaixo da média mundial. Por exemplo, o crédito interno fornecido pelo setor financeiro em relação ao PIB no Brasil foi de 111,2% em 2016, enquanto a média mundial foi de 177,4% (como base de comparação, a porcentagem americana foi de 242,6% e a alemã foi de 134,2%). Outro exemplo é a BM&F Bovespa que é 23 vezes menor que a bolsa de Nova Iorque e ocupa apenas a 20º posição no ranking das maiores bolsas de valores do mundo, em relação à capitalização de mercado.

 

Referências (acessadas em 28 de agosto de 2017):”

https://www.oeconomista.com.br/bndes-lanca-linha-de-credito-para-pequenas-e-medias-empresas/

http://ibmec.org.br/empresario/o-que-e-mercado-de-capitais/mercado-de-capitais-no-brasil/

https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries

http://data.worldbank.org/indicator/FS.AST.DOMS.GD.ZS?

http://www.visualcapitalist.com/20-largest-stock-exchanges-world/

http://g1.globo.com/economia/noticia/itau-bradesco-bb-e-caixa-tinham-quase-80-do-mercado-de-credito-ao-fim-de-2016.ghtml

https://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/TD377.pdf

http://www.portaldoinvestidor.gov.br/menu/primeiros_passos/Entendendo_mercado_valores.html

ASSAF, A. Mercado Financeiro. 12º ed. São Paulo: Atlas, 2014.

 

Autores: GRUPO J

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Crescimento econômico x Flutuação macroeconômica

 

Autores: Grupo 13 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

As flutuações econômicas são caracterizadas por variações de curto/médio prazo, onde há a comparação da economia com o ano ou período anterior. Já o crescimento econômico se dá em longo prazo, onde se observam as comparações em uma escala mais ampla. Segundo Blanchard(4°ediçao) :“Nossas percepções sobre o desempenho da economia frequentemente são dominados pelas flutuações anuais a atividade econômica . Uma recessão leva ao pessimismo, e uma expansão leva ao otimismo. Mas, quando olhamos para trás e examinamos a atividade economia em períodos mais longos, digamos, no decorrer de muitas décadas, o cenário muda. As flutuações desaparecem. O crescimento, o aumento continuo do produto agregado ao longo do tempo se torna o fator dominante”.

Sobre o crescimento do Brasil:

Um fator que cada vez mais vem se tornando importante na determinação do crescimento econômico, no Brasil, é a produtividade. Esta, quando utilizada como medida geral denomina-se produtividade total dos fatores ou PTF, a qual retrata o crescimento de um produto por efeito da melhoria de sua elaboração, ou seja, através de avanços na tecnologia e aperfeiçoamento de gestão ou insumos de melhor qualidade, entre outros fatores. Pela teoria da produtividade total dos fatores podemos dizer que o produto de um país é criado pela cooperação entre os estoques de capital físico e de capital humano. Considerando como capital físico as estruturas utilizadas na produção de bens e serviços como máquinas equipamentos edifícios, etc, e o capital humano a capacidade de produção da força de trabalho sobre o tempo de estudo. Se observarmos duas economias que têm a mesma quantidade de capital físico e de capital humano, se uma dessas economias possuir o PIB maior do que a outra, consideramos que essa foi mais eficiente no uso de seu estoque de capital, portanto é mais produtiva. Ser mais produtivo, portanto, significa fazer mais produtos a partir de uma dada disponibilidade de capital humano e físico disponível na economia.

Resumidamente podemos citar que o crescimento do produto se deve a 4 fatores: aumento do estoque de capital físico, aumento da força de trabalho disponível, aumento do número médio de anos de estudos dos trabalhadores e o aumento da produtividade.

Recentemente a economia brasileira passou por grandes mudanças na sua estrutura produtiva. A indústria começou a ser um setor mais dinâmico, e a exportação se diversificou. Entretanto, a trajetória de crescimento do Brasil está relativamente inferior a dos demais países da América Latina com estrutura produtiva semelhante e também inferior à taxa de crescimento mundial.

 

Entre 1981 e 1990, a produtividade por trabalhador caiu 2% em média por ano. De 1991 a 2000, subiu 1,6% anualmente na mesma medida. O dado continuou positivo entre 2001 e 2010, mas o ritmo caiu para 1,2% ao ano. Entre 2011 e 2016, voltou a cair, agora com taxa média de 1,1% por ano. Tudo isso em contraste com o período anterior, entre 1950 e 1980, quando a produtividade do trabalho cresceu a uma média anual de 3,5%.Naquelas décadas, foi esse o principal fator responsável pelo crescimento expressivo da renda per capitado país (3,9% por ano, em média)”. O baixo crescimento da produtividade do brasileiro se deve por alguns fatores como, por exemplo:

Educação

Mesmo com o combate ao analfabetismo e o avanço de escolaridade da população o Brasil não viu reflexo disso em seus índices de produtividade, podemos ligar a fatores como, por exemplo, a questão da qualidade da educação (em 2014 40% dos universitários eram considerados analfabetos funcionais).

Tecnologia

“Em geral, associa-se a ideia de aumento de produtividade com o progresso tecnológico no âmbito da produção industrial. De fato, a criação de máquinas mais eficientes permite que se gere mais produção industrial a partir de uma mesma dotação de capital. Os países mais atrasados tiram proveito dos avanços tecnológicos dos países mais desenvolvidos, adaptando as tecnologias criadas por esses países sem incorrer nos custos de pesquisa e desenvolvimento, o que gera uma tendência à convergência na produtividade dos menos desenvolvidos com os países da fronteira tecnológica” Mesmo assim muitas vezes é caro importar maquinas e equipamentos, e os níveis de investimento nessa área são relativamente baixos e ainda falta incentivo publico a estimulo de inovação

Burocracia

A complexa burocracia brasileira e as deficiências de infraestrutura também têm um efeito importante sobre a produtividade das empresas. “É só notarmos a quantidade de pessoas que as empresas precisam empregar para conseguir pagar (processar) seus impostos – chegam a centenas de funcionários em grandes companhias como a Petrobrás. São pessoas que não trabalham na atividade-fim da empresa e, portanto, não ajudam a aumentar a produção”. O excesso de burocracia também favorece a manutenção das taxas altas de informalidade da economia – que pressionam o PIB e os índices de produtividade do país no geral.”

 

http://exame.abril.com.br/economia/produtividade-brasileira-nao-cresce-desde-1980-diz-estudo/

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/05/140519_produtividade_porque_ru

http://www.brasil-economia-governo.org.br/2012/10/01/o-que-e-produtividade-e-como-conseguir-seu-incremento/

https://www.insper.edu.br/wp-content/uploads/2014/09/Evolucao-Produtividade-Brasil.pdf

http://brasilemsintese.ibge.gov.br/industria/produtividade.html

Blanchard 4° edição.

http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?vcodigo=ECE370

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O Cenário da Desigualdade, Pobreza e Desemprego no Brasil

 

Autores: Grupo 12 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

A desigualdade no Brasil decorre de nosso contexto histórico. Tanta disparidade vem principalmente das políticas fiscais injustas, dos baixos salários e da dificuldade da população em acessar os serviços básicos oferecidos pelo Estado, como a educação. Esta desigualdade traz consequências negativas para a economia, como o aumento da violência, do desemprego e da pobreza.

Para discutirmos tal tema, precisamos realizar uma retrospectiva histórica e analisar a política econômica  adotada por cada governo, para que vejamos o impacto no mercado e na vida dos agentes. Partindo do Plano Collor, implantado em 1991/92 e baseado inteiramente em uma política monetária rigorosa e em restrições fiscais, vemos que a adoção de tais medidas gerou uma contração da demanda, afetando negativamente a capacidade das empresas de impor margens de lucro e o poder de barganha dos trabalhadores. Consequentemente, houve um aumento no desemprego. Com isso, as experiências de política econômica caminharam para o insucesso e os preços continuaram se elevando, aumentando a instabilidade.

A essa realidade, seguiu-se o Plano Real. O Governo, planejando a curto prazo, buscou um trade-off entre inflação e desemprego. Pela curva de Phillips, dada a rigidez dos preços e salários da economia, apesar de os agentes serem possuidores de expectativas racionais, faz-se necessário um período para ajustar as expectativas. Com isso, o governo consegue diminuir a inflação e aumentar o desemprego. Entretanto, a longo prazo, a nova estabilidade econômica permite a implementação e sofisticação de programas sociais.

Isto pôde ser observado a partir de 2003, no primeiro governo Lula, que foi marcado por atitudes mais conservadoras como a elevação da taxa de desemprego a patamares de 13% ao ano. Devido ao desaquecimento da economia,  houve, já no segundo mandato, uma flexibilização das políticas adotadas, levando ao crescimento da economia e, consequentemente, à queda do desemprego, da pobreza e da desigualdade social, além da ascensão dos programas sociais.

Chegamos então ao governo Dilma, que mudou políticas econômicas (congelando preços e abaixando taxas de juros), gerando em seus últimos anos um aumento da taxa de desemprego, da desigualdade social e da taxa de pobreza.

Depois de todo esse percurso, chegamos à conjuntura atual, onde o pais corre o risco de retroceder nos avanços dos períodos anteriores, chegando a um desemprego de 13, 7% no primeiro trimestre de 2017, algo nunca visto nos últimos 25 anos. Dada a crise política que assola Brasil, acentua-se crise econômica que vem de 2008. Visto que antes a informalidade era maior, os demandantes de trabalho repassavam as perdas na produção e vendas oferecendo salários mais baixos, enquanto atualmente, num regime de trabalho mais formal, a demissão é a saída encontrada.

Este cenário acentua a pobreza, pois quem sofre os impactos são as camadas sociais mais baixas, ou seja, quem possui menos acesso a recursos acaba sendo mais prejudicado, e aqueles que já tinham pouco passam a ter menos ainda. Isso fez com que  o Brasil caísse 19 posições no ranking do Índice de Gini, tornando-se o décimo país mais desigual do mundo.

 

Fontes :

https://roselisilva.files.wordpress.com/2017/06/7c196-giniindex-grafico1.png

http://www.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/TDs/td_0468.pdf

http://g1.globo.com/economia/noticia/desemprego-fica-em-137-no-1-trimestre-de-2017.ghtml

https://brasilfatosedados.files.wordpress.com/2010/09/1-5gc12.png?w=640&h=304

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/06/1890238-destruicao-de-emprego-na-atual-recessao-e-a-mais-forte-em-25-anos.shtml

http://alertasocial.com.br/?p=1704

https://oglobo.globo.com/economia/com-crise-desigualdade-no-pais-aumenta-pela-primeira-vez-em-22-anos-21061992

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Lucas e o tradeoff inflação e desemprego

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Autores: Grupo 11 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

Robert Lucas é o economista que postulou a Teoria de Expectativas Racionais. Uma grande implicação deste trabalho se deu no fato de as pessoas poderem antecipar suas ações frente às ações do governo e do seu embasamento para agir instantaneamente diferente do modelo de Friedman, onde as pessoas, sem aprender, erravam repetidas vezes, para depois ajustarem suas expectativas com base no passado. O modelo de Lucas considera as pessoas racionais, podendo se antecipar ao que acontece na economia e projetar suas ações, de modo a prever uma alteração nos preços, para, por exemplo, barganhar salários maiores. As pessoas aprendem a reagir às ações do governo, explica Sargent, dependendo de como o governo estrutura seu orçamento, e o equilíbrio deste, o que dá sua credibilidade. Tais reações dependem tanto da rapidez com que o governo faz seus ajustes, quanto da sua credibilidade. Se forem rápidos e imprevisíveis (no caso de um governo com baixa credibilidade) o suficiente para não serem antecipados, o governo irá conseguir influenciar a economia no curto prazo.
Um exemplo: se o governo aumentasse a oferta de moeda, como Keynes recomendaria para atenuar a recessão, isso faria com que as pessoas, conhecendo os efeitos dessa política, se antecipassem ao aumento de preços, barganhando salários maiores, desencorajando o aumento do emprego, pois não haveria diminuição no salário real que justificasse tal aumento. Assim, cada vez mais as pessoas aprendem a lidar com essas alterações no nível de preços, anulando-as, num prazo cada vez menor, tornando a política monetária cada vez menos eficiente. Dessa forma, tanto emprego, quanto produto e salários reais são constantes até mesmo no curto prazo.
(Oposição entre inflação e crescimento econômico Reino Unido)

Essa neutralização ocorre, pois como as empresas tomadoras de preço e sem poder de mercado (hipóteses para o modelo de Lucas), elas antecipam o aumento de preços e de vendas com o aumento da base monetária, o que faz com que cedam salários nominais maiores aos trabalhadores, já munidos de informação para barganhar. Porém, com a inflação acontecendo, os salários reais se mantêm iguais e não se criam mais empregos. Então, a influência da política monetária se atenua cada vez mais quanto maior o prazo, embora ela possa surpreender os agentes, porém nunca da mesma maneira.
É importante lembrar que foi introduzindo conceitos microeconômicos que Lucas pôde justificar seu modelo, através, da integração de expectativas, preferências, informação disponível e embasando a decisão de hoje no futuro, e não no passado. A constatação crucial das ERs é que as pessoas aprendem com os erros e reduzem a margem de erro com o tempo.
(relação entre inflação e recessões EUA)
(taxa de desemprego e inflação EUA)

Tratando-se de Brasil, há uma oportunidade de se observar a validade da hipótese proposta por Lucas a respeito da ineficácia das políticas do governo com a sucessão de planos econômicos heterodoxos de combate à inflação. Exemplo é o Plano Cruzado, que congelou preços artificialmente, o que só ocasionou uma disparada da inflação, pelo motivo de não eliminar as reais causas dela. Isso só fazia a moeda perder cada vez mais sua função de unidade de conta, o que a tornava mais volátil ainda.
Os planos seguintes foram ainda mais rapidamente neutralizados, pois as tréguas momentâneas se tornaram cada vez menores e o retorno da inflação cada vez mais acentuado, o que se deve em grande parte ao ajuste de expectativas racionais, que fazia os agentes, aprendendo com as experiências anteriores, se anteciparem cada vez mais à possíveis repetições nas práticas de congelamento de preços. Assim, quando um novo plano era anunciado, ele chegava, em sua adoção, completamente neutralizado pela ação dos agentes.
As diferenças entre mudanças na base monetária, antecipadas ou não antecipadas são: Expansão monetária antecipada pelos agentes gera imposto inflacionário e não estimularia o produto. Expansão monetária não antecipada pode estimular o produto no curto prazo e tão simetricamente quanto contrações não antecipadas podem produzir recessões.
(A relação de IPCA e Desemprego nos últimos anos no Brasil)
(A queda da URSS mostra o ajuste de expectativas após o choque de governo)”

 

Bibliografia:
•        https://pt.wikipedia.org/wiki/Expectativas_racionais
•        http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/10/18/opiniao/8.html – Delfim Netto sobre Lucas
•        Macroeconomia 3ª Edição, BLANCHARD
•        https://solarcycles.net/2013/05/14/usa-financial-markets-and-economic-correlations/
•        http://www.frbsf.org/economic-research/publications/economic-letter/1997/january/nobel-views-on-inflation-and-unemployment/
•        https://roselisilva.files.wordpress.com/2014/11/curvas-de-phillips.pdf
•        http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/economic-sciences/laureates/1995/lucas-lecture.pdf
•        http://www.econlib.org/library/Enc/bios/Lucas.htm
•        http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfD_IAE/xiv-robert-lucas
•        http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,desemprego-e-inflacao-de-servicos,70001681764
•        http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,juros-desemprego-e-inflacao,70001698069
•        http://www.opovo.com.br/noticias/economia/2016/12/desemprego-deve-crescer-em-2017-mas-queda-da-inflacao-da-indicios-de.html

Milton Friedman: Segunda fase da Curva de Phillips e o Desemprego

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Autores: Grupo 10 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

A teoria de Friedman para o desemprego vem da contraposição da teoria de Phillips, em que o desemprego é uma relação inversamente proporcional à inflação. Tal relação se mostrou verdadeira até o início dos anos 70, quando um choque exógeno na OA introduziu um novo conceito, proposto por Friedman e considerada a segunda fase da Curva: a estagflação, uma relação em que existe desemprego e inflação ocorrendo no mesmo período no longo prazo. Porém, Friedman só chegou a sua teoria graças à um choque exógeno na economia americana.

Nos anos 70, o mundo se desenvolvia cada vez mais dependente do petróleo, como combustível e outros insumos derivados, e os EUA, por meio de suas grandes empresas dominavam o mercado petrolífero, determinando preços e seus participantes.

Com a criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), esse cenário mudou radicalmente, já que a organização tinha como principal objetivo a restrição da oferta de petróleo, de modo a manipular e ampliar o preço de tal produto para que os países membros tivessem um aumento de receita.

         O primeiro grande choque no preço do petróleo pôde ser notado entre meados de 1973 e 1974 onde os preços tiveram um aumento de até 4 vezes, como podemos ver na tabela a seguir:

         Nesse período nota-se nas economias ao redor do mundo o fenômeno denominado de estagflação, onde ao mesmo tempo ocorre uma diminuição da taxa de crescimento da produção (estagnação) e um aumento generalizado dos preços (inflação).

         Normalmente, períodos inflacionários ocorrem quando a demanda por bens e serviços da economia está maior do que a oferta, fazendo com haja um crescimento dos preços aliado a um crescimento do produto e consequentemente uma diminuição do desemprego, já que as firmas para conseguirem suprir a maior demanda contratam mais funcionários. Já a estagnação pode ser definida quando há um decréscimo na taxa de crescimento do produto de uma economia, que ocorre normalmente quando a oferta de bens e serviços se encontra acima da demanda, fazendo com que haja um aumento na taxa de desemprego e paralelamente uma diminuição do nível de preços.

         Por isso foi formulado o conceito de tradeoff entre inflação e desemprego, onde períodos de taxa de inflação alta são acompanhados de uma baixa taxa de desemprego ou vice-versa. Podemos analisar esse tradeoff no gráfico abaixo:

A teoria de Friedman pode ser considerada a segunda fase da curva, em que no longo prazo as expectativas ao nível de preços se adaptam, de modo que a ilusão monetária não exista no longo prazo, e os ajustes ocorrem lentamente. Friedman analisou tal efeito na crise do petróleo, em que o nível de preços se elevou dado o custo de produção maior, diminuindo assim a oferta de trabalho por parte dos trabalhadores, mas a inflação se mantinha em alta, e visando conter a inflação, os EUA recorreram à políticas restritivas que agravaram o desemprego.

É importante observamos no gráfico acima que durante os anos de 72-74, tanto o desemprego quanto a inflação tiveram um crescimento no curto prazo, e retornaram ao seu nível natural com o passar dos anos, a partir dessa relação temos a base para a teoria de Friedman, a chamada Taxa Natural de Desemprego e Crescimento:

– Taxa Natural de Desemprego: A chamada NAIRU (sigla para Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment, a taxa de desemprego não aceleradora da inflação), um taxa para qual a economia converge ao longo do tempo dado o ajuste das expectativas dos trabalhadores. Ocorre pela seguinte situação: Através de uma política governamental para movimentar a economia, vemos a ocorrência da hipótese normal da curva de Philips, inflação se elevando e uma queda do desemprego.

Com o aumento do nível geral de preços, dado o repasse dos maiores custos de produção, o trabalhador tem a percepção no longo prazo que o salário real não teve nenhum crescimento nessa relação, portanto decide ofertar menos trabalho, e da mesma forma renegociar maiores salários dado a inflação do período anterior, que logo é repassado aos preços novamente. Vemos que com a diminuição da produção, o produto começa a convergir ao seu ponto inicial, assim como o desemprego (firmas demandando menos trabalhadores) e a inflação sobe.

Em outras palavras, a determinação do desemprego por Friedman está diretamente relacionada com as expectativas adaptativas dos trabalhadores. A NAIRU simplesmente é uma crítica à sustentabilidade da curva de Philips, e para Friedman, esse taxa não pode ser reduzida com uma elevação da demanda agregada, e qualquer tentativa de redução resultaria em um processo inflacionário acelerado, portanto essa taxa pode ser definida como o desemprego remanescente após o pleno emprego.”

 

NASCIMENTO, Edson Fernando: Milton Friedman e a História do Pensamento Econômico Contemporâneo.

RIBEIRO, Fernando: Friedman, monetarismo e keynesianismo: um itinerário pela história do pensamento econômico em meados do século XX.

MAXIR, Henrique dos Santos: O mercado internacional de petróleo: a influência da OPEP e o poder de mercado.

ANDRADA, Alexandre Flávio Silva: Ensaios em história do pensamento Econômico.

https://www.thebalance.com/what-is-stagflation-3305964 (Acessado em: 10/06/2017)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_dos_Pa%C3%ADses_Exportadores_de_Petr%C3%B3leo (Acessado em: 10/06/2017)

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