Principais medidas de inflação no Brasil

.

Autores: Grupo 9 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

“Inflação é um conceito econômico que representa o aumento de preços dos produtos em um determinado país ou região, durante um período. Em um processo inflacionário o poder de compra da moeda se reduz. Como o salário do trabalhador não é reajustado mensalmente, o poder de compra diminui.

A inflação tem papel marcante na história recente do Brasil, uma hiperinflação ocorreu entre as décadas de 1980 e 1990, quando a inflação exorbitante chegou a superar os 80% ao mês, ou seja, o mesmo produto chegava a quase dobrar de preço de um mês para o outro.

 

Entre os principais índices de medição de inflação no Brasil, podemos destacar o IPCA e o IGPM. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é produzido pelo IBGE desde 1979.O IPCA tem por objetivo medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias. Já o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) é uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e registra a inflação de preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.

 

O Brasil conviveu com uma das maiores taxas de variação de preços do mundo, sendo o Plano Real de extrema importância já que foi a única política capaz de ameninar a superinflação do país após dezenas de tentativas.

No período anterior a implementação do Plano, os índices do IPCA mostravam variações mensais absurdas (Figura 1), e o mesmo se aplica aos dados apresentados pelo IGPM (Figura 2) entre 1989 e 1994.

Em 1° de julho de 1994 houve a culminância do programa de estabilização, com o lançamento da nova moeda. A estabilidade e a maior previsibilidade econômica viabilizaram o aumento dos investimentos das empresas e, por consequência, o maior crescimento do país.

Com a hiperinflação superada, a economia brasileira começou a registrar baixos níveis de inflação (Figura 3), registrados também pelo INPC (Figura 4),embora, até janeiro de 1999, o regime de câmbio semifixo tenha levado o BC a adotar taxas de juros de dois dígitos, o que ajudou a provocar níveis de expansão reduzidos do PIB. Ainda naquele ano, já com a mudança para o regime de câmbio flutuante, sistema de metas de inflação e maior rigor fiscal, o Brasil começou a melhorar seus fundamentos macroeconômicos, o que foi essencial para o atual governo registrar maiores taxas de crescimento, mesmo com o aumento dos custos dos componentes importados, sendo transferidos para os preços do atacado, porém sem afetar os preços do varejo. A redução da dívida interna é outro fator que evidenciou a trajetória seguida pelo país nos últimos anos.

As metas de inflação não foram alcançadas em 2001 em razão dos choques externos e internos que atingiram a economia. A decisão tomada em elevar abruptamente a taxa Selic que vinha sendo reduzida desde 1999, como medida para conter a depreciação da moeda e a elevação dos preços, chamou a atenção dos credores externos, o que gerou uma crise no balanço de pagamentos do mesmo ano. Dados mais recentes apontam para uma recuperação do emprego, das vendas e do volume de crédito, o que pode elevar os preços.  Nesse ambiente, cabe à política monetária (definição da taxa de juros) manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para afirmar que a economia já se encontra em uma trajetória de crescimento, ainda que persista alguma incerteza, que deverá ser dirimida ao longo do tempo, sobre o ritmo desse processo, portanto, a política monetária tem o dever zelar para que as pressões inflacionárias sejam contidas.

 São quase 25 anos com a mesma moeda, mais de uma década de regime de metas de inflação com BC independente, de superávit fiscal e redução do endividamento e de câmbio flutuante, são instituições e políticas que resistiram às mudanças políticas e alterações na presidência da república.

Fontes:

SCHERER, Fernando Luiz; KOWALESKI, Paulo Sérgio; REZENDE JR., Sebastião: A DINÂMICA DA INFLAÇÃO BRASILEIRA APÓS O “PLANO REAL In Vitrine da Conjuntura, Curitiba, v.3, n. 6, agosto 2010.

[IPCA e IGP-M] Dados históricos, Sazonalidade, Metas de Inflação no Brasil e muito mais…

http://hcinvestimentos.com/2011/02/21/ipca-igpm-inflacao-historica/?hvid=NcSFP >acessado em 03.06.2017

Como os governos controlam a inflação?

http://g1.globo.com/economia/inflacao-como-os-governos-controlam/platb/ > acessado em 03.06.2017

Apontamentos sobre a inflação no Brasil entre 1994 e 2014

http://jornalggn.com.br/blog/diogo-costa/apontamentos-sobre-a-inflacao-no-brasil-entre-1994-e-2014-por-diogo-costa > acessão em 04.06.2017

 

.

 

Anúncios

Evolução da taxa de juros e inflação brasileira desde 1999

.

Autores: Grupo 5 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

No início de 1999, com o fim do câmbio fixo e num ambiente marcado pela incerteza quanto ao impacto da desvalorização do Real sobre a inflação, o governo anunciou que passaria a conduzir a política monetária por base no sistema de metas; estabelecido em junho de 1999.

O regime de metas de inflação é um regime monetário em que o Banco Central (BCB) age de modo a fazer a taxa de inflação convergir para uma meta pré-estabelecida. Seu objetivo é ancorar as expectativas de mercado que, de forma geral, orientam o processo de formação de preços na economia.

A meta e as bandas (o intervalo de tolerância) para a inflação são decididas e anunciadas pelo Conselho Monetário Nacional. Já a medida de inflação adotada é o IPCA cheio, tendo um ano calendário como período para o cumprimento da meta. Cabe ainda ao BCB cumprir as metas de inflação através da determinação da taxa básica de juros de curto prazo da economia (Selic), principal instrumento de política monetária.

O Comitê de Política Monetária (Copom), composto pela diretoria do BCB, se reúne a cada 45 dias e estabelece a meta para a Selic, e cabe ao BCB mantê-la próxima à meta. Como ela é utilizada como parâmetro, é a partir dela que as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos.

Se o governo deseja estimular o consumo e movimentar a economia, ele reduz a Selic. Se a economia está aquecida e a inflação começa a subir demais, ele a aumenta – os empréstimos voltam a ficar mais caros e as pessoas consomem menos, freando o aumento dos preços, disto vem o trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego. Numa economia aquecida há mais vendas e menos desemprego, entretanto, se a oferta não acompanha a demanda, os produtos podem ficar escassos, causando inflação.

Nos períodos em que a inflação ultrapassa o limite, o presidente do BCB divulga uma carta aberta ao ministro da Fazenda justificando o motivo do descumprimento da meta, o que ocorreu nos anos de 2001 a 2003 e 2015.

Em 2001, a alta inflação esteve associada à desaceleração da economia mundial, aos efeitos da crise argentina e aos ataques terroristas nos Estados Unidos. Internamente, houve crescimento acentuado dos preços administrados por contrato, principalmente das tarifas de energia (crise energética), o que aumentou a incerteza sobre o futuro da economia brasileira. Para conter a inflação o BCB elevou a Selic, fechando em 19%. Complementando a política de juros, o BCB também elevou o percentual das reservas compulsórias e fez intervenções no mercado cambial.

No curto prazo taxas de juros mais baixas levam a um produto maior estimulando o investimento e a demanda por produtos, levando a um aumento dos preços. No médio prazo um aumento da inflação vai diminuir a moeda real na economia, assim a taxa de juros aumenta. O resultado no médio prazo é uma taxa nominal de juros maior, na mesma proporção da inflação (efeito Fisher). Isto pode ser observado no gráfico abaixo.

De 2005 a 2013 vemos um relativo declínio da taxa de juros real, chegando ao seu menor patamar histórico no primeiro trimestre de 2013. A insustentabilidade dessa política fez com que, a partir de maio de 2013, o BCB iniciasse a recomposição da taxa de juros real aos patamares anteriores, sob o pretexto de combater a inflação.

Em 2015 o aumento acentuado da inflação se deveu ao crescimento da demanda acima da oferta e principalmente à liberação do aumento dos preços administrados, como luz, água e combustíveis, represados no ano anterior.

Atualmente as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, Por conta do cenário de recessão na economia, a inflação está em queda. Depois de somar 10,67% em 2015 e 6,29% no ano passado, a previsão dos economistas é de que o IPCA fique em 4,43% em 2017, abaixo da meta central de 4,5%, assim o BCB reduz s Selic para estimular a atividade econômica.

 

Fontes:

BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5ª Edição: Pearson Prentice Hall, 2011.

CONTRI, André Luís. Taxa de Juros e Inflação no Brasil. In Carta de Conjuntura FEE, Ano 23, número 03, 2014.

COUTO, Ana Cristina et alli. O regime de metas de inflação no Brasil: Características e algumas críticas aos seus principais fundamentos. In A Economia em Revista, Volume 18, número 2, Dezembro de 2010.

MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 8ª Edição. Rio de Janeiro: LTC, 2015

Série “Perguntas Mais frequentes”, Banco Central do Brasil, Regime de Metas para a inflação no Brasil”

 

.

 

J-Ecec: inflação e choques na economia brasileira

.

““A visão monetária da demanda agregada liga a quantidade de moeda M ao total de gastos nominais em bens e serviços P x Y (sendo P=nível de preços e y=produto real agregado). Para fazê-lo, usa-se o conceito de velocidade da moeda: o número médio de vezes por ano que um dólar é gasto em produtos finais e serviços”, sendo a fórmula:

          V= (P x Y) /M

Rearranjando a fórmula temos:j-ecec-imagem-1

Dado um exemplo em que o v=2 isso irá dizer que a oferta de moeda suporta um nível de transações 2 vezes maior que o próprio valor.

A partir dessa fórmula encontra-se a curva de demanda, considerando que o V e M constante, uma mudança em P fará com que o Y tenha que ser alterado para manter o M x V constante, notando-se que a curva de demanda é uma curva negativamente inclinada. Um exemplo é quando v=5, m=1 trilhão, e o gasto agregado (P x Y) = 5 trilhões, caso o preço passe de 1 para dois o y iria diminuir de 5 trilhões para 2,5 trilhões.

 

j-ecec-imagem-2

A demanda agregada é afetada por seis fatores que são, a oferta de moeda, os gastos governamentais, as exportações liquidas, os impostos, o otimismo do consumidor e o otimismo das empresas. Os impostos são o único fator que quando elevado causa um deslocamento para esquerda na curva, pois este aumento gera uma diminuição da renda disponível, causando uma redução do consumo e assim da demanda agregada. Já um aumento dos outros fatores gera uma elevação da renda agregada, deslocando a curva para a direita.

Como a curva de demanda agregada descreve a relação entre a quantidade de produto agregado demandado e a taxa de inflação, é importante mencionar que um aumento da demanda agregada quando a economia se encontra em pleno emprego, isto é, quando a demanda por mão de obra se iguala a oferta, gera um aumento dos preços principalmente nos setores de insumos básicos, isso leva a crer que um aumento desta demanda leva a um aumento da inflação.

No caso brasileiro temos uma situação incomum. De acordo com a pesquisa “Choques, risco fiscal e crise política fazem a inflação subir apesar da recessão maior” publicada pelo valor econômico, a relação entre PIB e inflação não se dá como o esperado, a piora das projeções para a atividade econômica não foi seguida por uma queda da inflação. As razões que explicam esse descasamento são:

-A desvalorização do real frente as outras moedas aumentando o preço dos importados;

-Um aumento maior do que o esperado nos preços administrados, como gasolina e conta de luz;

-Aumento nos impostos;

Além desses fatores o que pode ter contribuído para o distanciamento das curvas de inflação e PIB se deu por uma crise na confiança já que na época havia um cenário de impeachment, essas variáveis afetam ainda mais a inflação.

j-ecec-imagem-3

Como temos um governo comprometido com o nível de preços estável, segundo a pesquisa o banco central aumenta os juros ao invés de diminui-los, o que seria o normal a se fazer em tempos de recessão a fim de estimular a economia. Há então a dificuldade de estimular a economia e conter o avanço da inflação, uma vez que como no gráfico uma tentativa de aumento da taxa de juros para conter a inflação levaria a uma diminuição ainda maior da atividade econômica.

No entanto, segundo Megale a combinação de uma inflação mais alta e um PIB mais fraco não pode ser vista como consequência de uma política monetária menos eficiente. Ele argumenta que a política monetária atua para alinhar essas duas variáveis, e que sem ela, provavelmente os distanciamentos seriam ainda maiores.

 

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

http://www.valor.com.br/especial/projecoes”

 

.

 

 

I-Eco: Oferta e demanda por moeda – caso brasileiro

.

A Teoria Quantitativa da Moeda (TQM) diz quanto de moeda é mantida para uma dada renda agregada, o que representa a teoria de demanda por moeda e sugere que as taxas de juros não afetam essa demanda. A moeda seria neutra na versão antiga da TQM, pois não afeta o lado real da economia e também não é considerada como ativo financeiro. Pela ótica keynesiana, há uma ênfase na importância das taxas de juros e a demanda por moeda é motivada por transação, precaução e especulação; relacionando a taxa de juros e a renda com a demanda por moeda. Segundo essa teoria, a moeda começa a ser tratada como ativo financeiro. Friedman, por meio do tratamento da moeda como um bem de consumo com atributos específicos, transforma a TQM, tratando a demanda de forma microfundamentada. Segundo a teoria do Portfólio, há outros fatores além da renda e taxa de juros nominal que afetam a demanda por moeda, são eles risco, liquidez relativos e riqueza.

Os autores CARDOSO (2008) e BACHA (2004) propuseram duas equações de demanda por moeda no caso brasileiro, sendo elas, respectivamente:

i-eco_imagem-1

No fascículo do Banco Central do Brasil (BCB), a demanda por moeda é um dos fatores que determinam o comportamento econômico de um país, ou seja, a autoridade monetária deve ofertar uma quantidade de moeda que satisfaça a sua demanda, mantendo o adequado funcionamento da economia, sendo esta representada pelos depósitos à vista e papel-moeda em poder do público (PMPP). O BCB tem o “Monopólio de Emissão” que engloba a gestão das atividades referentes ao meio circulante e destina-se a satisfazer a demanda de dinheiro indispensável à atividade econômico-financeira do país, atendendo às necessidades de numerário do sistema bancário, e, consequentemente, do público, por meio dos mecanismos de emissão e recolhimento, alterando os meios de pagamento. Assim, a emissão de papel-moeda pelo BCB reflete a demanda do público por papel-moeda.

A oferta de moeda é definida como a base monetária vezes o multiplicador monetário. A base monetária é definida como PMPP mais as reservas compulsórias e voluntárias das instituições depositárias; e o multiplicador monetário representa a capacidade dos bancos de multiplicar os depósitos por meio de empréstimos. Ele é afetado pelo desejo dos bancos de manter reservas voluntárias, das pessoas de manter papel-moeda e pela taxa de reservas compulsórias exigidas pelo BCB. Portanto, a oferta de moeda é afetada pela ação do Banco Central, dos bancos e dos indivíduos.

i-eco_imagem-2

Em junho de 1999, o Brasil passou a adotar o regime de metas de inflação em que anuncia metas numéricas explícitas de inflação, no qual o BCB tem a responsabilidade de implementar as políticas necessárias para atingir a meta estipulada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), para flexibilizar o gerenciamento da política monetária, é permitido intervalos de tolerância para a inflação.

i-eco_imagem-3

Torna-se essencial definir qual indicador utilizar no regime de metas como medida de inflação, o BCB utiliza o IPCA que é elaborado pelo IBGE, compreendendo as famílias com rendimentos mensais de 1 a 40 salários mínimos, residentes na área urbana; a cesta avaliada pelo IPCA é ponderada através das despesas das famílias obtidas pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF).

Desde a adoção do Plano Real, em 1994, o IPCA tem se comportado de modo estável, somente no final de 2002 apresentou um aumento mais acentuado e mais recentemente no final de 2015, início de 2016. É possível observar que o IPCA acumulado tem crescido de forma constante.

i-eco_imagem-4

O M1 apresenta queda desde 2015 e quando o analisamos de forma desagregada, os depósitos à vista tiveram uma queda ligeiramente maior que o PMPP.

i-eco_imagem-5

http://monetaria-grupo-i.droppages.com/

i-eco_imagem-6

http://monetaria-grupo-i-2.droppages.com/

Optamos por utilizar o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) devido ao tamanho de sua série histórica para compatibilizar com a análise do M1 desagregado. O IGP-DI é elaborado pela FGV sendo uma média ponderada de outros três indicadores: o Índice de Preços no Atacado (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional da Construção Civil (INCC). Percebe-se que o IGP-DI possui um comportamento muito similar ao IPCA, após o Plano Real comporta-se de modo estável e no final de 2002 apresentou um aumento em comparação com os demais meses observados.”

 

REFERÊNCIAS

BACHA, Carlos José Caetano. Macroeconomia aplicada à análise da economia brasileira. Edusp, 2004.

Banco Central do Brasil. Acessado: < http://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/home>

COELHO, André Luiz Cardoso. Demanda por moeda no Brasil no período de 1996 a 2008: uma estimação em séries temporais. 2008. Acessado:https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/11964/1/ANDR%C3%89%20LUIZ%20CARDOSO%20COELHO.pdf

MENDONÇA, Helder Ferreira de. Metas de inflação e taxa de juros no Brasil: uma análise do efeito dos preços livres e administrados. Revista de Economia Política, v. 27, n. 3, p. 107, 2007.

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

SILVA, Iago Fernandes Botelho e LONGUINHOS, Marco Antônio Araújo. A inflação brasileira: Uma análise sobre o comportamento do Banco Central do Brasil de 2011 a 2013. 2014. Acessado:<http://www.uesb.br/eventos/semana_economia/2014/anais-2014/j01.pdf>

SERRANO, Franklin. Juros, câmbio e o sistema de metas de inflação no Brasil. Revista de Economia Política, v. 30, n. 1, p. 63-72, 2010. ”

 

.

 

Inflação e taxas de juros: desempenhos comparados

.

8-I Gif 18-I Imagem 1“Brasil: A inflação de 2015, medida pelo IPCA em 10,67% foi superior aos 6,41% observados em 2014. Nos dois grandes grupos de preços que compõem o IPCA, os preços livres e os preços administrados, a inflação encerrou o ano de 2015 em 8,51% (6,72% em 2014) e 18,07% (5,32% em 2014), respectivamente. Parte dessa elevação dos preços administrados ocorreu em consequência ao ajuste das tarifas de energia elétrica e da gasolina.

A evolução dos preços de alimentos, importante fonte de choques de oferta, foi outro fator determinante da inflação 2015. O segmento alimentação e bebidas, como um todo, apresentou inflação acumulada de 12,01% em 2015, com contribuição de 2,9 p.p. no IPCA. Fatores climáticos impediram que esses preços seguissem o padrão sazonal normalmente observado, o que contribuiu significativamente para a elevação do IPCA em 2015.

Emergentes – o caso indiano e russo: Nos últimos quatro anos, a Índia apresentou queda em sua taxa de Inflação: de 10,9% em 2013, para 6,4% em 2014 e um desempenho de 5,9% em 2015. Em 2016, os dados indicados pelo governo indiano mostravam que houve desaceleração do índice de inflação, chegando a 4,83% no mês de março, contribuídas com a queda de 5,1% no preço de alimentos e combustível. Em contra partida, a Rússia teve uma variação de 7,7% em sua taxa de inflação de 2014 para 2015, sendo o aumento do preço de alimentos um dos principais vilões deste aumento, aliados com a desvalorização do rublo frente ao dólar e o euro.

8-I Imagem 2Desenvolvidos: Contando com taxas controladas e baixas, quando não negativas, ambos os países seguem uma tendência entre os desenvolvidos. Com queda na taxa de desemprego, o Fed reduziu a estimativa para a inflação nos EUA de 1,6% para 1,2%, o que influenciou a manutenção do juros em seus patamares atuais. O Japão, ainda sem se recuperar da ‘’década perdida’’ nos anos 90, tem mantido sua inflação próxima do 0%, comumente apresentando quadros de deflação. Foi estipulada uma meta de inflação na casa dos 2% para esse ano, mas, com deflação em março, o Banco Central se viu obrigado a intervir, buscando taxas de juros negativas.

8-I Gif 2

8-I Gif 3

Brasil: Segundo o relatório Focus divulgado pelo Banco Central, a mediana das estimativas para a Selic ao fim deste ano caiu de 14,25% para 13,75%. Para o fim de 2017, permaneceu em 12,50%. Essa perspectiva de queda de juro pode responder à revisão para o dólar no fim de 2016, que saiu de R$ 4,15 para R$ 4. Um real menos desvalorizado tende a dar alivio para a inflação.

8-I Imagem 3Emergentes – o caso indiano e russo: Em se tratando de taxa de juros, a Índia apresentou taxas que equivaliam em média a 8% entre 2014 e 2015, com sensível queda no último semestre deste último ano. O Banco Central indiano anunciou em abril deste ano um corte para 6,5%, sendo esta a menor taxa de juros desde 2011 e promete novos cortes com sua política monetária expansionista. Com os riscos de alta inflação, a Rússia sofre com a taxa de juros em crescimento desde 2014, alcançando o pico de quase 17% no final de 2014. No último mês, o Banco Central russo fechou a taxa básica de juros em 11%.

Desenvolvidos: Na média dos desenvolvidos em geral, EUA e Japão possuem baixas taxas de juros. A estabilidade econômica dos países mais ricos permite que taxas baixíssimas sejam praticadas, sendo que geralmente estes países possuem uma inflação controlada e igualmente baixas. Os EUA recentemente mantiveram sua taxa de juros entre 0,25% e 0,5%, após um aumento de 0,25% no ano passado das taxas que desde 2006 beiravam 0%. O Japão, por outro lado, estipulou uma taxa de juros negativa (-0,1%) como meta, visando reanimar o mercado e movimentar a economia em um cenário de deflação. Economistas como P. Krugman defendem a tese de que o país se encontra em uma situação de armadilha da liquidez.

8-I Gif 4

 

Fontes:

http://goo.gl/0Egep6

http://goo.gl/UDTLjd

http://goo.gl/wqFriS

http://goo.gl/pfchyC

http://goo.gl/1IYTOV

http://goo.gl/P45gdx

http://goo.gl/8b877a

http://goo.gl/HxxJF8

http://goo.gl/Af4cz3 ” 

 

AUTORES: GRUPO I – Macro I

 

.

 

Principais índices de inflação brasileiros: metodologias e diferenças

.

“No dia a dia, lemos e ouvimos muito o termo “inflação”. Porém, o que é de fato a inflação? Ela nada mais é do que o aumento persistente e generalizado do valor dos preços, sendo essa sua definição mais direta.

Atualmente, a inflação é calculada por meio de diferentes índices de preços, ou seja, por variações do preço de uma cesta estimada de produtos e serviços, a qual reflete o padrão de consumo de um determinado grupo de cidadãos.

Os principais índices de preço que utilizamos no Brasil são:

  • IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) e INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor)
  • IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e INCC (Índice Nacional de Custo da Construção)
  • IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor em São Paulo)

Quais as principais questões que envolvem a metodologia desses índices?

  • Objetivo do índice de preço
  • Região em que o índice é coletado
  • Fontes e formas de coleta (como os setores pesquisados e forma de entrevista)
  • Periodicidade da coleta
  • Quais bens e/ou serviços serão incluídos na cesta a ser pesquisada.

Vamos comparar agora alguns dos principais índices de preços e questões que os envolvem:

6-E - TABELA

Assim, podemos notar que existem diferenças na metodologia dos índices.

Observemos agora como os índices variam, dado as diferenças citadas na tabela:

6-E - GRAFICO

Por fim, citaremos a importância desses índices principais:

  • O IPCA é o mais relevante do ponto de vista da política monetária, já que foi escolhido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) como referência para o sistema de metas para a inflação implantado em 1999. Além disso, o principal título público brasileiro, o NTN-B, oferece rentabilidade indexada ao IPCA;
  • O IGP-DI é utilizado contratualmente para a correção de determinados preços administrados.
  • O IGP-M é o índice mais utilizado como indexador financeiro, inclusive para títulos da dívida pública federal (NTN-C). Também é usado na correção de alguns preços administrados, como, por exemplo, o de energia elétrica;
  • IPC-Fipe é o mais tradicional indicador da evolução do custo de vida das famílias paulistanas e um dos mais antigos do Brasil.”

 

FONTES:  http://www.fipe.org.br

http://brasilescola.uol.com.br

http://www.bcb.gov.br

http://www.infomoney.com.br/…/entenda-melhor-como-funcionam…

http://www.calculador.com.br/tabela/indice/IPCA

http://googleweblight.com/…

AUTORES – grupo B

 

.

 

WILLIAM “BILL” PHILLIPS E CURVA DE PHILLIPS

.

“William “Bill” Phillips (1914-1975) foi um economista neozelandês que viveu na Inglaterra e ficou conhecido principalmente por duas obras: o computador MONIAC e a Curva de Phillips.

5-B Professor_A.W.H_(Bill)_Phillips (1)

Antes de estudar economia, Phillips frequentou uma faculdade de engenharia elétrica, na Austrália, e só foi ter contato com aquele assunto após o fim da Segunda Guerra, quando ingressou na London School of Economics, para estudar Sociologia.5-B Phillips_and_MONIAC_LSE

A partir daí, passou a se interessar por tópicos de macroeconomia e em 1949, utilizando também seu conhecimento em engenharia, criou o MONIAC, um computador analógico composto por reservatórios de água representados por agregados macroeconômicos (entre eles renda nacional, consumo, importações, exportações), tubos e comportas que usava conceitos de hidráulica para demonstrar como o dinheiro fluía em uma economia.

 

Mas sua principal contribuição para as ciências econômicas foi um estudo publicado em 1958 no artigo The Relation between Unemployment and the Rate of Change of Money Wage Rates in the United Kingdom, 1861-1957, no qual Phillips relacionava a inflação à taxa de desemprego de um país. Essa relação já havia sido feita pelo economista Irving Fischer (criador da Teoria Quantitativa da Moeda) em um estudo publicado em 1926 sob o nome de A Statistical Relation between Unemployment and Price Changes, mas foi de fato abordada com mais profundidade no artigo de Phillips.

Uma consideração é importante: o que chamamos de inflação é tratada no artigo de Phillips como a taxa de mudança dos salários nominais. A substituição foi feita por Samuelson e Solow, em 1960, quando aplicaram a relação da Curva de Phillips (esse nome foi dado pelos dois neste artigo) para os Estados Unidos.  

EXPLICANDO A RELAÇÃO ENTRE INFLAÇÃO E TAXA DE DESEMPREGO

Para chegar na conclusão de que inflação e taxa de desemprego relacionavam-se inversamente, além de observar o diagrama de dispersão que desenvolveu, Phillips baseou-se no princípio de que os trabalhadores sofriam de ilusão monetária, ou seja, levavam em conta a variação do salário nominal em detrimento do real. Assim, relacionou a variação dos salários nominais ao excesso de oferta de trabalho em uma economia. De forma simples, este trade-off entre inflação (π) e desemprego (u) é evidenciado no gráfico abaixo e, ao lado, no diagrama publicado no artigo original: 5-B Grafico 15-B grafico 2

 

 

 

 

 

 

Contudo, a relação sugerida por Phillips foi limitada por alguns economistas. Em 1968, Milton Friedman, em seu artigo The Role of Monetary Policy (pág.11), defendeu que a Curva de Phillips, tal qual havia sido proposta, valia apenas para o curto prazo, ou seja, o trade-off inflação-desemprego existia somente temporariamente. No longo prazo, esses economistas argumentaram que  o gráfico da Curva de Phillips, ou NAIRU (Non-accelerating Inflation Rate of Unemployment),  seria uma reta vertical, sugerindo que a inflação não mais teria efeito sobre o desemprego e este caminharia para sua taxa natural. Abaixo, segue o gráfico da NAIRU:

5-B Grafico 3

Modernamente, a corrente principal das ciências econômicas reconhece a importância histórica da Curva de Phillips, e como sua principal contribuição para a macroeconomia. Contribuiu com o debate acerca da ilusão monetária, expectativas adaptativas e expectativas racionais, estagflação, e influenciou as políticas macroeconômicas nas décadas seguintes, tendo ainda hoje influência, ainda que menor, de maneira adaptada. Influenciou economistas como Paul Samuelson e Robert Solow, como no artigo que publicaram em 1960, Analytical Aspects of Anti-Inflation Policy (pág. 188), no qual repetem o experimento de Phillips utilizando a base de dados dos Estados Unidos.  No livro Introdução à Economia, de N. Gregory Mankiw, o trade-off explicitado pela Curva de Phillips é considerado como um dos 10 Princípios da Economia.”

 

Autores: GRUPO E – Macro I

 

.

%d blogueiros gostam disto: