M-ECO: Modelos macro: comparando versões básicas

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Modelo de Walsh (2002)

Walsh utiliza um modelo que é composto por dois principais componentes para explicar o comportamento da Demanda Agregada (D.A) e da Oferta Agregada (O.A) em uma política de metas de inflação: 1) curva de Phillips aumentada pelas expectativas, sob a hipótese de rigidez de preços ou salários; 2) curva das regras da política monetária (RPM), representação reduzida do lado da demanda, e que reflete as preferências da Autoridade Monetária (trading off entre flutuações do produto e inflação).

Conforme observa-se na figura 1, Walsh representa a Curva de Phillips aumentada pelas expectativas da seguinte forma: de maneira simplificada, tem-se uma relação linear entre o gap do produto e inflação, onde a inflação observada é resultante da soma entre a inflação esperada, o estado do ciclo de negócios (representado pelo gap do produto), e por choques que afetam a inflação. Dessa forma, conforme observa-se no gráfico, seu intercepto com a taxa de inflação é igual a inflação esperada acrescida dos choques.

Walsh utiliza a hipótese de uma curva de regras da política monetária argumentando que nos modelos convencionais de D.A, a A.M fixa a quantidade nominal de moeda, e não reage imediatamente às mudanças na economia, tornando o modelo ineficiente para analisar metas de inflação. Também argumenta que este trata a política monetária como exógena, ao invés de mostrar que as ações de políticas monetárias são endógenas. A abordagem proposta pelo autor demonstra como a política monetária se comporta ao passo que os objetivos monetários se alteram durante o tempo. Assumindo uma meta de inflação, a A.M age de maneira ótima para manter as flutuações do gap do produto e da inflação em torno da meta.

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Modelagem de Mishkin (2009)

Mishkin apresenta um modelo expresso em termos da inflação e produto agregado. Considerando que os ajustes nos preços e salários se ajustam de maneira lenta no longo prazo, o autor propõe a existência de curvas de oferta diferentes para o curto e longo prazo.

Segundo o autor, “o nível de produto agregado produzido à taxa natural de desemprego” se denomina produto potencial, ou seja, o instante onde a economia se estabiliza no longo prazo para qualquer taxa de inflação. Como consequência, a curva de oferta agregada no longo prazo (LRAS) é vertical, dado um nível de produto potencial.

Já no curto prazo, a curva de oferta agregada é expressa em termos da expectativa de inflação, gap do produto, e choques nos preços (oferta). Ela também pode ser considerada como uma Curva de Phillips. Sob esta perspectiva, é possível observar que o nível agregado de preços se ajusta lentamente com o tempo, e o que determina a inclinação da curva de oferta agregada é o quão flexível são os preços e salários.

A curva de demanda agregada proposta por Mishkin descreve a relação da quantidade de produto demandados em relação à taxa de inflação, tudo mais constante. É constituída em 4 variáveis: consumo, investimento planejado, gastos do governo, e exportações líquidas de bens e serviços domésticos. Quando a taxa de inflação aumenta, a demanda agregada diminui no curto prazo, pois a taxa real de juros aumenta, diminuindo os investimentos em capital, o que decresce a demanda agregada. Assim, mudanças nessa curva ocorrem quando a inflação se altera, e a AM muda a taxa de juros real, e, assim, o produto real também se transforma. O modelo completo pode ser observado na figura 2:

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Análise comparativa

Após apresentados, notou-se as seguintes semelhanças entre os modelos: ambos os modelos apresentam suas ofertas agregadas como representações da Curva de Phillips, explicitando a influência das expectativas de inflação no modelo; os dois modelos mencionam a taxa de juros real como principal ferramenta de controle da inflação, mesmo que os resultados derivados das mudanças nela mudem nos modelos.

Os modelos se diferem nos seguintes pontos: Walsh torna explícita a ação da AM através da RPM, sendo suas ações consideradas endógenas no modelo, e trás uma melhora didática para o entendimento da política de metas de inflação pois associa diretamente a D.A com a taxa de inflação e o gap do produto, enquanto os modelos convencionais associam a D.A com o nível de preços e a taxa de inflação; Mishkin apresenta diferenciação entre a curva de oferta para o curto e longo prazos, o que não ocorre em Walsh. No modelo de Walsh, apesar de focar no papel da A.M, ele desconsidera as incertezas deste em relação com a posição da curva de Philips, e os objetivos monetários apropriados.

 

FONTES:

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

WALSH, C. Teaching Inflation Targeting: An Analysis for Intermediate Macro. Department of Economics, University of California, Santa Cruz, 2001.”

 

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I-Eco: Oferta e demanda por moeda – caso brasileiro

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A Teoria Quantitativa da Moeda (TQM) diz quanto de moeda é mantida para uma dada renda agregada, o que representa a teoria de demanda por moeda e sugere que as taxas de juros não afetam essa demanda. A moeda seria neutra na versão antiga da TQM, pois não afeta o lado real da economia e também não é considerada como ativo financeiro. Pela ótica keynesiana, há uma ênfase na importância das taxas de juros e a demanda por moeda é motivada por transação, precaução e especulação; relacionando a taxa de juros e a renda com a demanda por moeda. Segundo essa teoria, a moeda começa a ser tratada como ativo financeiro. Friedman, por meio do tratamento da moeda como um bem de consumo com atributos específicos, transforma a TQM, tratando a demanda de forma microfundamentada. Segundo a teoria do Portfólio, há outros fatores além da renda e taxa de juros nominal que afetam a demanda por moeda, são eles risco, liquidez relativos e riqueza.

Os autores CARDOSO (2008) e BACHA (2004) propuseram duas equações de demanda por moeda no caso brasileiro, sendo elas, respectivamente:

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No fascículo do Banco Central do Brasil (BCB), a demanda por moeda é um dos fatores que determinam o comportamento econômico de um país, ou seja, a autoridade monetária deve ofertar uma quantidade de moeda que satisfaça a sua demanda, mantendo o adequado funcionamento da economia, sendo esta representada pelos depósitos à vista e papel-moeda em poder do público (PMPP). O BCB tem o “Monopólio de Emissão” que engloba a gestão das atividades referentes ao meio circulante e destina-se a satisfazer a demanda de dinheiro indispensável à atividade econômico-financeira do país, atendendo às necessidades de numerário do sistema bancário, e, consequentemente, do público, por meio dos mecanismos de emissão e recolhimento, alterando os meios de pagamento. Assim, a emissão de papel-moeda pelo BCB reflete a demanda do público por papel-moeda.

A oferta de moeda é definida como a base monetária vezes o multiplicador monetário. A base monetária é definida como PMPP mais as reservas compulsórias e voluntárias das instituições depositárias; e o multiplicador monetário representa a capacidade dos bancos de multiplicar os depósitos por meio de empréstimos. Ele é afetado pelo desejo dos bancos de manter reservas voluntárias, das pessoas de manter papel-moeda e pela taxa de reservas compulsórias exigidas pelo BCB. Portanto, a oferta de moeda é afetada pela ação do Banco Central, dos bancos e dos indivíduos.

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Em junho de 1999, o Brasil passou a adotar o regime de metas de inflação em que anuncia metas numéricas explícitas de inflação, no qual o BCB tem a responsabilidade de implementar as políticas necessárias para atingir a meta estipulada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), para flexibilizar o gerenciamento da política monetária, é permitido intervalos de tolerância para a inflação.

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Torna-se essencial definir qual indicador utilizar no regime de metas como medida de inflação, o BCB utiliza o IPCA que é elaborado pelo IBGE, compreendendo as famílias com rendimentos mensais de 1 a 40 salários mínimos, residentes na área urbana; a cesta avaliada pelo IPCA é ponderada através das despesas das famílias obtidas pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF).

Desde a adoção do Plano Real, em 1994, o IPCA tem se comportado de modo estável, somente no final de 2002 apresentou um aumento mais acentuado e mais recentemente no final de 2015, início de 2016. É possível observar que o IPCA acumulado tem crescido de forma constante.

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O M1 apresenta queda desde 2015 e quando o analisamos de forma desagregada, os depósitos à vista tiveram uma queda ligeiramente maior que o PMPP.

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http://monetaria-grupo-i.droppages.com/

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http://monetaria-grupo-i-2.droppages.com/

Optamos por utilizar o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) devido ao tamanho de sua série histórica para compatibilizar com a análise do M1 desagregado. O IGP-DI é elaborado pela FGV sendo uma média ponderada de outros três indicadores: o Índice de Preços no Atacado (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional da Construção Civil (INCC). Percebe-se que o IGP-DI possui um comportamento muito similar ao IPCA, após o Plano Real comporta-se de modo estável e no final de 2002 apresentou um aumento em comparação com os demais meses observados.”

 

REFERÊNCIAS

BACHA, Carlos José Caetano. Macroeconomia aplicada à análise da economia brasileira. Edusp, 2004.

Banco Central do Brasil. Acessado: < http://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/home>

COELHO, André Luiz Cardoso. Demanda por moeda no Brasil no período de 1996 a 2008: uma estimação em séries temporais. 2008. Acessado:https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/11964/1/ANDR%C3%89%20LUIZ%20CARDOSO%20COELHO.pdf

MENDONÇA, Helder Ferreira de. Metas de inflação e taxa de juros no Brasil: uma análise do efeito dos preços livres e administrados. Revista de Economia Política, v. 27, n. 3, p. 107, 2007.

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

SILVA, Iago Fernandes Botelho e LONGUINHOS, Marco Antônio Araújo. A inflação brasileira: Uma análise sobre o comportamento do Banco Central do Brasil de 2011 a 2013. 2014. Acessado:<http://www.uesb.br/eventos/semana_economia/2014/anais-2014/j01.pdf>

SERRANO, Franklin. Juros, câmbio e o sistema de metas de inflação no Brasil. Revista de Economia Política, v. 30, n. 1, p. 63-72, 2010. ”

 

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Grupo E – Inflação e Taxa de Juros no Brasil a partir de 2003

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“O período de 2003 até hoje engloba os dois mandatos do ex-presidente Lula, e da atual presidente Dilma Rousseff. Nesse período é mantido o regime de metas de inflação, controlado pelo Banco Central. Sabemos que, apesar das metas estipuladas, na maior parte dos anos obtivemos inflação acima do centro da meta. Esse fato não se restringe ao Brasil, o que difere é termos metas mais altas do que em outros países, e intervalos de tolerância um pouco maiores (desde 2005 o limite inferior é de 2,5% e superior de 6,5%).

Há vários índices de preços utilizados para analisar a inflação, porém, sendo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) o índice oficial de inflação no Brasil desde 1999, o gráfico será baseado nele.

E - gráfico de inflação

Como podemos observar acima, dado que analisamos a inflação a partir de 2003, esse foi o único ano dentre os considerados em que a inflação esteve acima do limite superior da meta, apesar de um aumento no centro da meta no mesmo ano. Isso se deve, principalmente, a inércia, vinda da alta inflação do período anterior, das expectativas negativas no segundo semestre de 2002 e da depreciação cambial. Para reverter o quadro ruim, houve um aumento da taxa de juros, que levou a um maior fluxo de capital externo. Essas medidas levaram a uma inflação mais baixa em 2004, dentro da meta estipulada.

Em 2006, verificamos a menor taxa de inflação desde a implantação do regime de metas, o que pode ser explicado pelo câmbio favorável e aumentos mais baixos em relação à energia elétrica e combustíveis. Hoje temos um cenário de inflação ascendente motivado principalmente pelo aumento de preços relacionado a transporte e alimentação.

É preciso reconhecer o sucesso do regime de metas, que manteve a estabilidade de preços num período de crescimento econômico. Ainda assim, critica-se o comportamento da Taxa Selic, que apesar de todos os avanços continuava sendo a mais alta taxa de juros real do mundo.

E - gráfico taxa de juros

A taxa de juros no Brasil é chamada Taxa Selic e é com base nela que os governos, os bancos e as empresas atuam. Ela serve de parâmetro para o custo do dinheiro e, por isso, dita também o custo dos empréstimos. Durante o período considerado podemos observar com frequência aumentos na taxa de juros, promovidos com o intuito de controlar a inflação. Com o aumento na taxa de juros, verifica-se que os custos dos empréstimos são maiores, e, diante disso, a população tende a consumir menos, o que ajuda a conter a inflação.

Sabemos que só elevar a taxa de juros não é suficiente para controlar a inflação, assim, como o Brasil se deparava com um cenário de juros altos e inflação também alta, foi colocado em prática um conjunto de medidas, capazes de levar a queda da taxa de juros simultânea ao controle da inflação. Entre essas medidas destaca-se a política tributária (como redução de impostos sobre gasolina, diesel e produtos da cesta básica). Desse modo notamos nesse período uma trajetória de queda da taxa Selic, mesmo apresentando movimentos de subidas e descidas.

Na última reunião do COPOM, 29/04/2015, ficou definida a taxa Selic como 13,25% a.a.

 

Fontes: http://www.bcb.gov.br/

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/03/desde-1999-inflacao-anual-superou-centro-da-meta-do-governo-dez-vezes.html

http://www.economiaetecnologia.ufpr.br/revista/Especial%20Capa/Marcelo%20Curado.pdf

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Grupo A – Inflação e Taxa de Juros no Brasil (Plano real até 2002)

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“CONTEXTUALIZAÇÃO: O objetivo principal do Plano Real foi restabelecer a estabilidade monetária, ou seja, o controle do processo inflacionário (no governo FHC, assume-se basicamente que não existe política de crescimento sustentável com instabilidade monetária), o que é diferente do propósito de buscar a estabilidade econômica, embora a estabilidade monetária seja um componente necessário para se atingir a última. Para entendermos a inflação que o Plano Real combateu devemos pensar na persistência e a intensidade dos aumentos dos preços. O financiamento dos sucessivos déficits com emissão de moeda levou ao aculturamento inflacionário, ou seja, os agentes econômicos começaram a associar inflação passada com inflação futura e os preços começaram a se descolar dos custos de produção, sendo definidos e baseados em expectativas inflacionárias. Quando esse processo se consolida a inflação inercial a qual possui uma autoalimentação. Seguindo esse raciocínio, ela se autoalimenta e tende a inviabilizar a moeda na sua função de reserva de valor, perdendo credibilidade e fazendo com que os agentes econômicos procurem se desfazer da moeda rapidamente, pois sabem que de um dia para outro seu poder de compra se reduz significativamente. Também por isso o Plano Real veio acompanhado da implantação de uma nova moeda. Focando o objetivo de estabilidade monetária, o Plano Real se sustentou em três pilares:  a âncora cambial, abertura econômica e base monetária rígida (juros altos).

 INFLAÇÃO: De uma inflação anual elevada em 1994, todos os indicadores considerados apresentam uma tendência de baixa estável até 1998, ano em que se atingiram os menores índices de todo o período do Plano Real. Em 1999, com a necessidade de adoção de um regime cambial flutuante, a desvalorização cambial explica grande parte da aceleração da inflação, processo que volta à sua trajetória descendente e se estabiliza nos anos seguintes, mas ressurge em 2002, como reflexo da crise da Argentina, instabilidade internacional (atentado de 11 de setembro de 2001), incapacidade de cumprir com os compromissos internacionais e, especialmente por ser um ano eleitoral.  A constatação de que o plano real atingiu seu objetivo prioritário fica mais evidente se considerarmos as taxas médias de inflação do período de 1995 a 2002 e contrapô-las com o período anterior de 1990 a 1994. As taxas percentuais médias do primeiro período foram respectivamente de 12,48 do IGP-DI; 12,46 do IGP-M; 10,19 do IPC; 9,47 do INPC e 9,24 do IPCA, contra, respectivamente, 1.383,36; 1.429,32; 1.474,87; 1.325,67 e 1.321,27 no período anterior. São taxas baixas para os padrões brasileiros, especialmente se comparadas com aquelas alcançadas antes do período do Plano Real.  Para ajudar a visualização, colocamos ambos os gráficos abaixo: primeiro do período de 1994 a 2002 e depois de 1986 a 2013 referentes ao assunto:

A - Gráfico 1 Inflação

A - Gráfico 2 Inflação

TAXA DE JUROS: Embora se reconheça que há um componente inercial na inflação brasileira, e o inclua formalmente no seu modelo de meta de inflação, o Banco Central continua a usar a taxa de juros básica para controlá-la. A evolução da taxa de juros referencial da economia brasileira, a SELIC, no período de dezembro de 1994 a agosto de 2002, mostra que embora tenha havido uma grande oscilação no início da série, a taxa de juros decresce sucessivamente até agosto de 1997, ficando em 1,5859% ao mês. É seguido por uma fase de grandes oscilações, com a taxa alcançando um máximo de 3,3345% ao mês em março de 1999, vindo a retroceder e mudar seu ritmo em torno de outubro de 1999 com uma taxa de 1,3839% ao mês, quando a amplitude de variação da taxa de juros se reduz. Novo impulso ao aumento nas taxas de juros ocorre em agosto de 2001, com taxas de 1,6% ao mês, em elevação continuada em 2002, causada pelas eleições presidenciais em função de temor de possível calote da dívida pública.  Vide gráfico abaixo:

A - Gráfico Taxa de Juros

 

Referências:

http://20anosdoreal.epocanegocios.globo.com/

http://www.iea.sp.gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=8984

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ECO O – Países que adotam o regime de metas de inflação

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“Nos anos 90, um número crescente de países adotou o regime de metas de inflação, devido ao fracasso de outras estratégias de âncora nominal como taxa de câmbio ou as metas monetárias. A âncora cambial, como o caso do Brasil e outros países emergentes, é abandonada com a ocorrência das crises asiática em 1997 e russa em 1998, que provocaram queda no preço das commodities, e reduziram o crédito para obtenção de dólares no exterior, inviabilizando a sobrevalorização do câmbio.

O regime de metas de inflação, se baseia no compromisso da autoridade monetária em perseguir uma dada taxa de inflação ou fazer com que ela permaneça em uma banda. Para atingir seu objetivo, o regime possui cinco elementos principais:

  • O anúncio ao público de uma meta numérica da inflação para um ou mais horizontes de tempo;
  • Um compromisso institucional assumindo a estabilidade de preços como objetivo primordial da política monetária;
  • O uso de uma estratégia de informação em que algumas variáveis (não apenas agregados monetários e taxa e câmbio) sejam utilizados como parâmetros às decisões envolvendo os instrumentos de política;
  • O aumento da transparência das estratégias de política monetárias, por meio da comunicação ao público e aos mercados sobre os planos, objetivos e decisões da autoridade monetária;
  • O aumento da responsabilidade do Banco Central em atingir os alvos inflacionários pré-estabelecidos.

A implementação do regime de metas inflacionárias se diferencia entre os países quanto à escolha do horizonte temporal para a convergência da meta, quanto à adoção de uma meta pontual ou banda, o valor numérico para a inflação, a utilização de cláusulas de escape e a independência dos bancos centrais em perseguirem a meta.

Abaixo, a tabela 1 mostra a autonomia dos bancos centrais em diferentes países em sua conduta na política monetária – tema que foi muito discutido na postagem no Grupo K “Taxa de Juros de FED”; aqui a tabela exibe se o BC toma decisões independentemente ou em conjunto com o governo; se ele persegue apenas a meta de inflação ou metas múltiplas; se é livre pra utilizar todos os seus instrumentos; se há cláusulas de escape e se a autoridade do BC pode ser demitida em caso de má conduta sobre a política monetária.

 Eco O 1

 Na tabela 2, são exibidos o horizonte de compromisso e a escolha do índice de preços como referencial para o alcance da meta (índice cheio, como o IPCA; ou o núcleo da inflação, excluído os preços mais voláteis).

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 Países em desenvolvimento, onde a credibilidade da autoridade monetária é mais baixa, adotam políticas monetárias mais agressivas para atingimento da meta, elevando o custo dessa convergência através de altas taxas de juros, o que prejudica a atividade econômica.

Em países desenvolvidos, a adoção do regime de metas também provoca a mesma volatilidade na comparação com outros países desenvolvidos, mas o custo dessa convergência é menor.

A tabela abaixo dividida em 2 partes (países desenvolvidos e em desenvolvimento) , compara a volatilidade da taxa de inflação, Crescimento do PIB, câmbio, juros e desemprego entre dois grupos de países; que adotam e não adotam o regime metas de inflação.

eco O 3

Atualmente 27 países operam no regime pleno de metas de inflação. No começo deste artigo foram apresentados cinco elementos chave para que o regime de metas de inflação atinja seu objetivo, sendo um destes elementos, o aumento do grau de transparência das estratégias de política monetária. Abaixo segue uma tabela  descritiva quanto a responsabilidade e transparência de cada país no que tange a condução do regime de metas de inflação.

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 Links:

http://www.economiaetecnologia.ufpr.br/XI_ANPEC-Sul/artigos_pdf/a3/ANPEC-Sul-A3-02-adocao_do_regime_de_meta.pdf

http://www.usp.br/prolam/downloads/2005_2_1.pdf

http://www.bankofengland.co.uk/education/Documents/ccbs/handbooks/pdf/ccbshb29.pdf

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ECEC G – Países que adotam Metas de Inflação

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“Nos anos 1990, como podemos ver no gráfico abaixo, um número crescente de países implementou o regime de metas de inflação. Esse regime propõe uma meta de crescimento para algum índice de inflação, que é anunciada no início de determinado período. A meta é estabelecida pelo governo e deve ser perseguida pelo banco central. A disciplina e a transparência requeridas sugerem alguma espécie de âncora nominal para a política monetária.

ECEC G 1 

Abaixo, uma breve descrição da adoção e resultados desse regime em alguns países:

 1) Nova Zelândia

O país foi o primeiro a adotar o regime de metas de inflação como âncora para a política monetária, que foi antecedida de uma reforma econômica abrangente que adotou o câmbio flutuante, desregulou e abriu a economia.    

A reforma no arranjo institucional do banco central da Nova Zelândia ocorreu após um longo, e bem-sucedido, período de desinflação. Desde 1985, o BC – sem autonomia legal, mas com independência de fato – operou uma política monetária desinflacionaria, que trouxe a inflação de 16%, em 1985, para 7%, em 1989.

A nova Lei do Banco Central estabeleceu como sua missão a implementação de uma política monetária com vistas a atingir e manter a estabilidade de preços, mas remeteu a formalização dos detalhes operacionais para um acordo público entre Tesouro e Banco Central: o Acordo para a Política de Metas no qual é acertada uma definição precisa da meta de inflação, compatível com a obtenção da estabilidade de preços.

A Lei de 1989 não estabelece o regime de metas, somente o respeito ao princípio da estabilidade de preços. Na prática, o que se observa, por meio dos sucessivos PTAs, é um processo contínuo, no qual as alterações são movimentos visando ao aperfeiçoamento do regime de metas de inflação. O PTA é, portanto, o veículo por meio do qual o objetivo genérico da estabilidade de preços ganha um contorno preciso com metas numéricas, prazos, cláusulas de escape e mecanismos institucionais internos de revisão.

 2) Chile

Chile é um exemplo bem-sucedido de adoção de regime de metas de inflação em um país emergente.  Apresentava taxas de inflação anuais superiores a 15% quando adotou seu regime de metas para inflação. A primeira meta estabelecida pelo Chile, em 1991, era um intervalo de 15,0% a 20,0% para a inflação acumulada em 12 meses. Esta meta foi diminuída gradualmente e os intervalos foram estreitados de 5 pontos porcentuais de diferença entre os limites superior e inferior da banda para 2 pontos porcentuais. Entre 1995 e 2000, a meta tornou-se pontual, sem abandonar a tendência de queda. Todo o processo de convergência para uma inflação estável foi realizado em aproximadamente 10 anos, desde 1991.

É importante ressaltar que o sucesso da meta de inflação não pode ser atribuído unicamente às ações do banco central chileno: políticas de apoio, tais como ausência de grandes déficits fiscais e de regulação rigorosa e supervisão do setor financeiro têm sido cruciais para seu sucesso.

 3) Brasil

O regime de metas de inflação foi implementado em meados de 1999, no que diz respeito à escolha das metas, dos intervalos de variação e do índice que mediria a inflação, e em que pesem os grandes desvios observados em relação às metas inicialmente traçadas em alguns anos, notadamente em 2002 e 2003, de um modo geral a iniciativa foi bem-sucedida, seja porque ela permitiu enfrentar situações adversas – como as desvalorizações de 1999 e 2002 – com custos moderados em termos da evolução do produto e da própria inflação –, seja porque, levando em conta a meta de 2006 – de 4,5% – a expectativa de mercado – muito próxima disso – sinaliza que a autoridade monetária goza de confiança, uma vez que a inflação esperada não difere substancialmente da meta estabelecida.

Atualmente o COPOM trabalha com o conceito de meta ajustada, em que, à meta preestabelecida pelo CMN, adicionam-se os impactos inerciais da inflação do ano anterior e o efeito primário dos choques de preços administrados por contrato e os preços monitorados.”

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ECO C – Países que adotaram Metas de Inflação

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“O primeiro país a adotar o regime de metas de inflação foi a Nova Zelândia, em 1990, seguida do Canadá em 1991 e do Reino Unido, em 1992. Atualmente são 23 os países que adotaram oficialmente o regime de metas de inflação (RMI). Além dos 3 já citados, temos: Austrália, Chile, Israel, Suécia, Espanha, México, República Tcheca, África do Sul, Tailândia, Islândia, Hungria, Noruega, Peru, Filipinas, Turquia, Coréia do Sul, Brasil, Colômbia, Polônia e Finlândia.

Países com regime de metas de inflação

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Fonte: Gjedren (2005, p.2).

 

 Nova Zelândia

A pioneira Nova Zelândia em 1990 concedeu maior autonomia ao banco central e o incumbiu de manter a estabilidade dos preços no longo prazo. Definiu-se que o ministro das finanças e o presidente do banco central deveriam estipular e tornar públicas as recém-criadas metas para a inflação. O acordo inicial previa uma inflação entre 3-5% que foi se adaptando até 1-3%. A nova política havia conseguido conter a inflação, mas a um custo de profunda recessão e aumento do desemprego. Depois de contida a inflação, o país voltou a crescer e o desemprego tem voltado a crescer significativamente.

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 Canadá

O Canadá, um ano após a Nova Zelândia, também adota formalmente o regime de metas de inflação e possui uma trajetória similar na qual obteve sucesso em conter a inflação, mas com o custo de recessão e desemprego que se elevou mais de 10% de 1991 a 1994.

Reino Unido

Antes mesmo da adoção do novo regime, em 1992, a inflação do Reino Unido já estava baixa (4% no momento da adoção), o que facilitou a manutenção de uma inflação baixa em torno de uma meta. O crescimento do país foi forte durante o período e a taxa de desemprego diminuiu.

Chile

O Chile é o primeiro país emergente a adotar o RMI, embora o tenha feito informalmente, em 1990, aliado a um regime de bandas cambiais e reformas para manter o equilíbrio fiscal. Sinalizando para o mercado políticas mais contracionistas, obteve sucesso em conter a inflação e o regime foi oficialmente adotado no ano de 1999.

México

Durante a década de 90, o México estabilizou sua inflação através da taxa de câmbio, sistema este financiado por uma acumulação de crescente déficit em conta corrente que resultou na crise de 1994. Adotando assim o RMI em 1999, e com uma forte política restritiva, conseguiu conter a inflação abaixo dos 5%, mas para tal obteve uma média de crescimento de 2,1%.

Brasil

O Brasil, com a necessidade de uma âncora nominal, anuncia apenas em 1999 a adesão ao regime de metas de inflação, designando o COPOM (Comitê de Politica Monetária) como responsável por fixar as metas para a inflação, e ao Banco Central do Brasil a responsabilidade de manter estas metas. O COPOM tem de tornar públicas as atas de suas reuniões e também para aumentar a transparência para o público, institucionaliza-se o Relatório de Inflação Trimestral. O Banco Central tem autonomia no controle do instrumento e utiliza da taxa de juros Selic como tal para propiciar o ajuste. Desde a adoção do RMI, a estabilização dos preços se fez mais presente na última década, sendo que as metas não foram cumpridas apenas entre 2001-2003, período de choques inesperados. Desde então, as metas têm sido cumpridas, sendo que atualmente a meta é de 4,5%, admitindo-se uma banda de variação de 2%.

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 Deixamos como sugestão de leitura complementar ao tema uma notícia recente que retrata como Banco Central utiliza a Selic para conter a inflação, buscando atingir a meta. Também sugerimos o link para “Cursos USP – Economia Monetária”, que contém vídeo-aulas sobre o regime de metas de inflação.

http://www.valor.com.br/financas/3756542/copom-foi-mais-corajoso-do-que-se-esperava-diz-professor-da-fea-usp

http://univesptv.cmais.com.br/economia-monetaria/o-regime-de-metas-de-inflacao

 Referências:

Mishkin, F. S.; The economics of money, banking, and financial markets; 10ª edition.

http://www.anpec.org.br/sul/2013/submissao/files_I/i6-eb186994c091a5a9f713522b1ab47d56.docx

Material de Apoio sobre Âncoras Nominais e  Metas de Inflação; Prof. Dra. Roseli da Silva.”

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