K11-Eco: Economia brasileira: principais choques e respostas de política monetária

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

Ao analisar a conjuntura macro brasileira, nota-se um movimento de recuperação pós-biênio recessivo de 2015-16. O panorama estável nas principais economias do mundo deve persistir, enquanto o mercado interno apresenta reação em estágio inicial, com choques de oferta levando a inflação menor e expectativas convergindo para o centro da meta já em 2018.

No âmbito externo, há perspectiva de expansão da atividade econômica global. O crescimento nas economias avançadas – EUA, Japão, UE e Reino Unido – registrou aceleração no 2º trim. de 2017, repetindo o momento positivo vivido pelos países desenvolvidos nos últimos 5 trimestres. A China, maior parceira comercial do Brasil, manteve um ritmo de crescimento sólido, na casa dos 7%. Em termos de política monetária, há uma tendência de manutenção da condução expansionista, sobretudo no Japão. Nos EUA, a probabilidade de um aumento das fed funds vem caindo após ter beirado os 70% em Junho, estabilizando-se em torno dos 30%, reduzindo a possibilidade de que uma política restritiva por parte do ocasione saída de capitais capaz de refletir em variação do câmbio.

A recente trajetória dos principais indicadores de atividade econômica mostra sinais de recuperação gradual da atividade econômica. O cenário básico do Copom para a inflação envolve fatores de risco em ambas direções. Por um lado, a combinação de possíveis efeitos secundários do choque favorável nos preços de alimentos e da inflação de bens industriais em níveis correntes baixos e da possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação corrente pode levar à queda da inflação. Por outro lado, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação. O desempenho da safra agrícola teve efeitos expressivos sobre a atividade econômica. A dinâmica favorável dos preços de alimentos desde o 4º trim. de 2016 constituiu importante componente do processo de redução da inflação e surpresa desinflacionária, com impacto também favorável no PIB.

Os choques que propiciam um momento de expansão na economia brasileira, com aumento do PIB e queda na Inflação, exigem que o Banco Central utilize seus instrumentos de Política Monetária para garantir a estabilidade de preços. Além das respostas endógenas que o Banco Central já efetua – operando a política monetária para agilizar ajustes nos mercados financeiros – espera-se que do Banco Central uma postura ativista, que atue de forma a garantir que a inflação permaneça dentro da meta. Como as condições econômicas têm pressionado por inflação menor, espera-se que o Banco Central opere políticas monetárias expansionistas, com taxas de juros menores que a taxa de juros estrutural, incentivando o investimento produtivo e garantindo maior produto, com consequente aumento do nível de preços através dos ajustes no mercado de trabalho, garantindo que a inflação se mantenha na meta. Essa análise corrobora com a conduta adotada pelo Copom, que em reunião de Setembro anunciou diminuição da SELIC, deixando claro que sua conduta está sujeita as expectativas de inflação e a dinâmica econômica futura.

Pelos indicadores econômicos, podemos ver que a economia está caminhando para a estabilização e retomada da atividade produtiva. Devido à expectativa de crescimento menor da inflação, o relatório Focus de novembro mostra que o IPCA está em 3,09% e 4,04% para o próximo ano, mantendo-se estável e ainda dentro da meta de 4,5%. Já o câmbio, a tendência é que a moeda doméstica se deprecie (em relação ao dólar) de R$3,20 para R$3,30 ao final de cada período. A Selic tem a tendência de cair, a projeção para 7% até o final do ano, incentivando consumo e produção, a média é 6,88% em 2018, com previsão de finalizar em 7%; espera-se que o PIB aumente de 0,73% para 2,50%, devido ao maior crescimento da produção industrial e estabilidade do investimento no país e aliado ao avanço no primeiro trimestre.

 

Referências:” 

Valor Econômico – “Mercado corta projeção para inflação e taxa Selic, aponta Focus” (https://goo.gl/uEcWMB)

Focus – Relatório de Mercado 10/11/2017 (https://goo.gl/iEZUcE)

Relatório de Inflação – Setembro de 2017, Banco Central (https://goo.gl/o1GQkP)

Notas da 210ª Reunião do Comitê de Política Monetária (https://goo.gl/CJJ6Gd)

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10ª Edição.

 

Autores: Grupo K – Alunos de Economia Monetária

 

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24 Respostas to “K11-Eco: Economia brasileira: principais choques e respostas de política monetária”

  1. Armando Henrique Barros Says:

    Acredito também que seja possível analisar esse cenário otimista por uma ótica de confiança (correlacionada com as expectativas mencionadas no post) dos diversos agentes da economia, que nos da capacidade de antecipar as principais tendências de curto prazo da economia, consistindo em excelente subsídio para análises, projeções, etc.
    Esse índice de confiança é composto pelo Índice de Situação Atual (que contém dados sobre Demanda total, Situação atual dos negócios e Nível de estoques do próprio mês da pesquisa) e pelo Índice de Expectativas (que avalia as previsões para os próximos meses).
    Na série de dados mostradas no print abaixo, elaborada pelo IBRE-FGV, realmente observamos tendências positivas crescentes para o cenário macroeconômico, como mencionado. Pelo índice, porém, ainda observa-se desconfiança predominante na economia (pois os índices se econtram abaixo de 100 – acima deste valor, significa que há predominância da confiança), mas para as próximas séries, podemos esperar que atinjam valores maiores que 100.
    Com essa situação, também é de se esperar um aumento da Oferta Agregada (dado que o índice de confiança da indústria é o que mais segue em ascenção), o que indica uma possível redução da inflação, acompanhado com o comportamento esperado de redução da taxa de juros para incentivar investimentos (aumentando a Demanda Agregada).
    Print da série de dados: http://puu.sh/yq5SN/f5820dbbfe.png

    • matheus undiciatti Says:

      Seguindo a lógica do Armando, pesquisei índices estrangeiros de expectativas em relação a economia brasileira. Os investimentos externos no Brasil fomentam o investimento produtivo nacional e possuem as mesmas consequências para a economia destacadas pelo colega. Mas o que foi visto nos últimos anos é uma sistemática redução das avaliações dos índices de confiança na saúde econômica do Brasil analisadas por outros países. A agencia Moody’s, por exemplo, vem desde setembro de 2014, rebaixando ou mantendo a nota de risco de investimentos no Brasil, que na ocasião era Baa2 (Qualidade média, baixo risco de calote) para a nota que temos hoje, Ba2 (Qualidade baixa, moderado risco de calote). Em outra análise, o Brasil caiu dez posições nos últimos dois anos no ranking do Índice de Confiança do Investimento Externo Direto (ATKearney) composto por 25 países. De 6º lugar em 2015, o Brasil passou para 12º em 2016 e 16º em 2017. Mesmo com a queda de posições no ranking, o estudo aponta que, principalmente as recentes medidas de controle de gastos do governo, estão ajudando a melhorar o ambiente de investimentos no país e que a depreciação do real brasileiro também pode atrair investidores que procuram adquirir ativos no Brasil.

      Fonte: https://www.atkearney.com/foreign-direct-investment-confidence-index/article?/a/glass-half-full-2017-foreign-direct-investment-confidence-index-article
      https://tradingeconomics.com/brazil/rating

  2. Alessandra Caputi Says:

    Já é de conhecimento geral que, nos últimos tempos, o Brasil passa por uma crise. Um estudo efetuado pelo Cecon afirma que o fator que mais contribuiu pra atual crise econômica brasileira foi um choque recessivo em 2015 exercido pelas autoridades do país. Em um nota, eles demonstram que o PIB alcançado em 2014 não será retomado antes do ano de 2020, consequência das políticas de austeridade econômica comandadas pelas autoridades brasileiras em 2015, que eram compostas por um:
    I) choque fiscal, com diminuição das despesas públicas, em termos reais;
    II) choque de preços administrados, com destaque para os combustíveis e para a energia);
    III) choque cambial, com desvalorização de 50% da moeda brasileira em relação ao dólar e
    IV) choque monetário, com uma elevação da taxas de juros para operações de crédito.

    A partir de então, o país começou a passar por inúmeras mudanças, tais como o mercado de trabalho sofrendo um rápido aumento da taxa de desemprego e, principalmente, a modificação na dinâmica dos componentes da demanda agregada. No último caso, o consumo das famílias e o mercado interno deixaram de ter papel destaque na DA, resultado de fatores exógenos ao economia passou que, nesse caso, é o choque recessivo sofrido pelo Brasil.
    Ainda em 2016, as tentatividades de reformas têm sido frustradas, mesmo com o novo governo modificando a estratégia econômica (focada em privilegiar as reformas estruturais liberalizantes em detrimento do ajuste de curto prazo). E, por isso, o Cecon acredita que a crise brasileira perdure ainda por mais dois anos.

    https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/NotaCecon1_Choque_recessivo_2.pdf

    • Raphael Yan Gomes Ferro Says:

      Ótimo ponto levantado! Apesar dessas previsões, decidimos focar no boletim Focus devido a sua maior credibilidade e por ele ter acertado nas últimas previsões. Mesmo com o cenário de crise, o boletim acredita que a economia conseguirá se estabilizar e começar a se reerguer. Como a Selic tem previsão de cair para os próximos períodos devido à queda da inflação, o investimento estará mais propenso para acontecer, conforme previsto pelo boletim em si. O produto também tem a previsão de crescer, possivelmente em um ritmo mais lento, porém já dará sinais de melhoria na economia.

  3. Thalles Quinaglia Liduares Says:

    Os dados recentes de atividade econômica confirmam, como já mencionado pelo grupo o fim da recessão , apos a queda abrupta do PIB no biênio 2015-16.O crescimento no primeiro trimestre de 2017 foi de 1.0%.E de 0.2% no 2°trimestre.

    Tal crescimento foi puxado pelo sempre pujante setor agropecuário(11,5%) e pelo setor de serviços (0.8%).A industria apresentou variação positiva de 0.2%.

    Tal recuperação repercute no mercado de trabalho, onde já apresenta sinais de recuperação e queda da população desempregada.

    Mesmo com a recuperação da atividade econômica e da queda do desemprego, o BC tem prosseguido sua politica de queda da taxa Selic, aproveitando-se das condições favoráveis internas e externas.A taxa Selic deve terminar 2017 em 7%, menor valor da serie histórica.

    Em entrevista recente, o presidente do BC ,Ilan Goldfajn pontuou que o trabalho continua em diminuir a taxa de juros estrutural da economia brasileira(taxa de juros que gera crescimento sem pressionar a inflação).
    No entanto , para que tal objetivo seja alcançado é necessário a continuidade de ajustes fiscais, para não pressionar o premio de risco da divida brasileira e as reformas microeconômicas que deem maior competitividade as empresas.
    O BC trabalha com o cenario de eventuais choques de preços nos alimentos e bens industrais para avaliar a trajetoria da inflação nos proximos anos.

    Fontes:http://epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2017/08/epoca-negocios-bc-apos-2-anos-de-recessao-dados-recentes-confirmam-estabilizacao-da-economia.html

    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,e-necessarios-continuar-esforcos-para-reduzir-juro-estrutural-diz-ilan,70002088235

    • Victor Goulart Haddad Says:

      É interessante notar também os dados da recuperação do mercado de trabalho que o Thalles evidenciou, se mostrando condizente com a teoria e o choque de oferta, explicado pelo grupo explicou no tópico “respostas da politica monetária”.
      Desde o pico de desemprego que chegou a quase 14%, a recuperação já mostra sinais mais evidentes chegando hoje a 12,4%. O Ipea, no entanto, cita quatro fatores para que fiquemos atentos a essa recuperação. A primeira é que o desemprego caiu mesmo havendo mais gente procurando, isso é resultado principalmente da parte da parcela que estava desocupada e conseguiu emprego. O segundo fato é que os salários, na média, estão maiores pelo rendimento maior dos trabalhadores. O terceiro é que 33% dos que procuravam trabalho no primeiro trimestre de 2017, conseguiu no segundo. O último ponto é que ainda mulheres e jovens apresentam dificuldade para encontrar trabalho.

      https://br.advfn.com/indicadores/pnad

      https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/09/18/Como-o-Ipea-v%C3%AA-a-recupera%C3%A7%C3%A3o-do-mercado-de-trabalho-no-Brasil-em-4-pontos

  4. Bruno Boalin Says:

    Seguindo a análise da resposta da política monetária no Brasil, é necessário portanto acompanhar rigorosamente de perto a atuação do BC e, dessa forma, as atitudes adotadas pelo COPOM para a manutenção da economia. Em sua mais recente reunião (25/10/17), o COPOM continuou reduzindo a Selic, agora em 0,75 ponto percentual, de forma que antes era 8,25% ao ano e passou para 7,5% ao ano. Temos que nossa atual conjuntura econômica necessita e, dessa forma, prevê que o juros continuarão abaixo da taxa estrutural (necessário para “segurar” a inflação). Inclusive, é importante ressaltar que para a manutenção desses níveis baixos de juros é imprescindível que ocorram reformas estruturais.
    Segundo o post, é esperada uma tendência de taxa de juros de 7% até o final do ano, o qual condiz com o andamento das últimas quatro reuniões do COPOM. Nelas, a taxa foi reduzida em 1 ponto percentual, dado que nessa última ocorreu uma redução desse ritmo. Aliás, essa intensidade de cortes pode cair ainda mais, haja visto que “caso o cenário previsto ocorra como esperado, o comitê analisa como adequado uma redução moderada na magnitude da flexibilização monetária.” O relatório Focus de novembro mostrava que o IPCA estava em 3,09%, mas agora está com previsão já atualizada de que a inflação oficial deverá encerrar o ano em 3,06%, mesmo com os aumentos recentes nos preços dos combustíveis (no último ano a inflação caiu devido, dentre outras, a recessão econômica e a queda do dólar). Como sabemos, o Brasil atua com regime de meta de inflação e, até o ano passado, o Conselho Monetário Nacional estabelecia essa meta em 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos (6,5 – 2,5). Já para 2017, essa margem foi reduzida para 1,5 ponto percentual, de modo que não poderá superar 6% e nem ficar abaixo de 3%.
    Para finalizar, com uma menor taxa de juros, o consumo, o credito (fica mais barato) e a produção são estimulados, impulsionando a economia como um todo (crescimento do PIB).

    Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-10/copom-reduz-juros-basicos-para-75-proximo-do-menor-nivel-da

  5. Ana Laura Castro Bertone Says:

    O grupo mencionou que o mercado interno apresenta choques de oferta levando a inflação menor. De acordo com teoria vista em sala, há dois tipos de choque de oferta: o choque permanente e o transitório. De acordo com a análise exposta pelo grupo, podemos observar que foi o choque transitório que ocorreu em nossa economia, situação a qual a Divina Coincidência (dois alvos, produto e inflação, atingidos com apenas um instrumento de política monetária) não ocorre. Como temos um regime de meta de inflação, o Banco Central escolheu focar na estabilização da inflação e não do produto; dessa forma, reagiu ativamente por meio de um choque negativo de demanda agregada, levando a inflação de volta à meta e permitindo uma elevação do produto potencial.
    Se o Banco Central tivesse escolhido estabilizar o produto, o que poderia ter feito? Nessa circunstância, o BC agiria ativamente com um choque de demanda positivo; porém, quando o choque de oferta agregada acabasse (curva OAcp retornaria ao ponto inicial), BC teria de agir novamente e propiciar um choque de demanda negativo. Entretanto, tal escolha não seria a ideal dentro de um regime de metas de inflação; ao ver a inflação muito distante da meta, mesmo que o produto esteja estabilizado, a credibilidade do BC diminuiria, o que iria prejudicar suas futuras atuações na economia.
    Além dessas duas posturas, o Banco Central poderia não reagir; sob essa escolha, a curva DA não irá se deslocar. Como o produto ficaria abaixo de seu nível potencial, eventualmente a curva OAcp irá retornaria ao seu ponto inicial e ambos, inflação e produto, irão se estabilizar com o tempo. Os efeitos de curto prazo seriam indesejáveis, porém, no longo prazo não haveria nenhum trade off entre os dois objetivos e a economia iria se encontrar em uma situação ainda mais favorável.

    MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets

  6. Raphael Delloiagono Says:

    O grupo cita, ao falar sobre a atuação do Banco Central, que se espera que ele tenha uma postura ativa além de sua resposta passiva/endógena frente a um choque transitório de oferta.

    Esta postura ativa que os agentes esperam que o banco central tenha se correlaciona com a credibilidade de que a autoridade monetária vá respeitar a ancora nominal proposta (metas de inflação).

    Se existir credibilidade na manutenção da ancora nominal a variação do nível de preços devido a um choque positivo de oferta será menor, pois a expectativas futuras serão “seguradas” fazendo com que, além do deslocamento reduzido da curva de oferta, aconteça também um deslocamento da curva de demanda agregada, como mostrado pelos gráficos animados. Em um cenário onde essa credibilidade na manutenção da ancora nominal é fraca temos um deslocamento maior da oferta agregada, pois as altas/baixas expectativas de preços futuros estimadas são incorporadas nos níveis de preços presentes, aumentando assim as variações do mesmo.

    Portanto é interessante que o Banco Central atue também ativamente de forma a manter essa credibilidade correspondendo àquilo que os agentes esperam dele ao se comprometer com as metas inflacionarias. Desta forma, além de reduzir as variações no nível de preços devido a estabilização das expectativas futuras causadas pelo comprometimento com suas metas, proporciona também que a economia volte para seu nível de produto potencial mais rapidamente.

  7. Gian Luca Wickart Says:

    Com a adoção do Plano Real e a estabilização monetária, os mecanismos de transmissão da política monetária voltaram a se fortalecer, o que ocorreu gradualmente. Um aspecto importante que divide o período pós-estabilização é o regime de câmbio, semifixo no primeiro e flutuante no segundo, o que constitui uma mudança, em 1999, do instrumento de política, da taxa de câmbio para taxas de juros. Se a taxa de juros, até janeiro de 1999, era em boa parte uma variável macroeconômica de absorção de choques externos, a partir de então passou a ser o instrumento principal da política monetária, sob o regime de metas de inflação, com diferente impacto na economia real. No período de câmbio flutuante há quatro ciclos de elevação da taxa de juros. O primeiro se dá ao longo de 2001, com o objetivo de conter a demanda agregada ante limitações da capacidade produtiva, exacerbadas com a crise energética. A partir de setembro de 2002 a taxa de juros é elevada na tentativa de contrapor-se aos efeitos da depreciação da moeda brasileira com a fuga de recursos no período pré-eleitoral, o que vem sendo chamado de ‘Efeito Lula’. Em setembro de 2004 é iniciado mais um ciclo de elevação dos juros, com o objetivo de controlar a expansão da demanda agregada, novamente em um contexto de estrangulamento da capacidade produtiva da indústria, o que ocorre novamente entre abril e setembro de 2008. No período de câmbio flutuante estas elevações da taxa são revertidas quando a inflação e suas expectativas estão compatíveis com as metas, o que é possível por meio de menor expansão da demanda e crescimento da capacidade produtiva.

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502009000400002

  8. Guilherme Sandalo Says:

    Estive procurando algum artigo/reportagem que pudesse ser contrario as previsões feitas pelo grupo, mas todo lugar tem a mesma perspectiva, teremos uma recuperação lenta no produto este ano e baixa inflação (quase que abaixo da meta, possibilitando o governo de aumentar alguns preços administrados como energia e derivados de petróleo), acentuando a recuperação no ano que vem, onde temos uma previsão (inclusive no FOCUS) de uma inflação dentro da meta e um crescimento razoavel, sinalizando a retomada do crescimento na taxa de emprego, abaixo cito algumas previsões para o Brasil:
    Para o economista chefe do Goldman Sachs, considera que haverá uma expansão monetária (muito possibilitado pela baixa inflação e alto desemprego), mas permanece cauteloso devido ao aumento no nivel de incerteza politica;
    Visão parecida para os economistas da ARX investimentos e do banco Safra, que preveem queda na taxa de juros nas proximas reuniões do COPOM;
    Já no quesito crescimento, o BC recentemente reviu a estimativa de 0,5% para 0,7% no crescimento do PIB de 2017, afetando também a previsão de 2018, que foi revisado para 2,2%. No mesmo relatório, o BC enfatizou o efeito positivo do aumento do consumo das familias, sugerindo uma influencia pelo saques das contas inativas do FGTS, politica feita pelo governo desde o inicio do ano. O relatório ainda cita a meta de déficit primário de R$159 bilhões, a instituição afirma que a redução do rombo e o equilíbrio das contas públicas estão condicionados à aprovação das reformas econômicas.
    Além disso, diz o documento, a diretoria da instituição reforçou que o processo de reformas econômicas é importante para manter o processo de queda da inflação e dos juros.

  9. Jenifer Barbosa Says:

    Conforme o grupo abordou, o choque favorável de oferta no preço dos alimentos faz com que a curva de oferta agregada de curto prazo se desloque para a direita. Com o intuito de manter a inflação na meta, o Banco Central age ativamente e diminui a taxa de juros, aumentando a demanda agregada e levando a um produto maior do que o potencial.
    Segundo o modelo desenvolvido por Mishkin afirma, se o produto é maior do que o produto potencial, o emprego aumenta, o desemprego diminui, o poder de barganha dos trabalhadores aumenta, o salário aumenta e a inflação aumenta. Assim, temos que a curva de oferta agregada de curto prazo volta para a sua versão original e, para manter a inflação constante na meta, o banco central deve agir ativamente uma segunda vez, desta vez, aumentando a taxa de juros e reduzindo a demanda agregada.
    O grupo aponta que a Selic tem a tendência de cair. No entanto, se o produto estiver acima do produto potencial da economia (devido à resposta ativa do BC ao choque de oferta), a taxa de juros não pode ser sustentada no nível em que está.
    Esse é o tema discutido na notícia do Estadão (link abaixo).
    Segundo a notícia, fixar a taxa de juros a 7% é uma política monetária expansionista adotada pelo Banco Central. A sua sustentação depende de reformas estruturais, principalmente ligadas ao déficit público. O economista ainda aponta uma projeção de elevação da taxa Selic já em 2019.
    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,afinal-juro-de-um-digito-ate-quando,70002056485

  10. Vagner Augusto Castro dos Santos Says:

    Como colocado pelo grupo, ao analisarmos os últimos dois anos, pelos quais o efeito de uma politica monetária de curto prazo e expansionista acabaram por propiciar uma das maiores recessões de nosso país e trouxeram a tona o crescimento da Inflação, temos que hoje, os principais choques e instrumentos utilizados pelo Banco Central, corroboram com a expectativa do mercado a qual espera que haja uma atuação “ativa”, pela qual o BCB possa garantir a estabilidade do nível de preços e consequentemente ser um agente catalisador dos ajustes no mercado financeiro.
    Neste ponto, dado os recentes ajustes e entendendo que as condições econômicas vem pressionando a inflação para abaixo do centro da Meta, podemos esperar que o Banco Central venha a reduzir o ritmo de queda da Taxa de juros e possa talvez optar pela utilização por uma política monetária expansionista, com objetivo de incentivar o investimento produtivo e garantir maior produto.
    Fontes:
    http://www.valor.com.br/financas/5178818/copom-adia-decisao-sobre-tamanho-do-ciclo
    http://www.valor.com.br/financas/5156864/ritmo-de-queda-do-juro-deve-ser-moderado-reforca-presidente-do-bc

  11. Luciano Rosa Says:

    Usando uma linguagem Austríaca, de ciclos negócios, podemos dizer que o pior passou e agora a economia passa por um bom momento, com crescimento e baixa inflação.
    Após períodos conturbados o Banco Central Brasileiro, com Henrique Meirelles, fez uma política ativa e sem preocupações com curto prazo. As bruscas quedas na taxa SELIC no momento certo (após estabilização da inflação) podem ser vistas como sinais de políticas ativas do BACEN, de modo a aproveitar os choques positivos de oferta temporários e impulsionar o PIB que vinha de resultados ruins.
    Como conjuntura externa favorável podemos considerar o bom crescimento das principais potências, como China e EUA, que como a teoria sugere, tende a aumentar a demanda por produtos brasileiros e impulsionar o PIB brasileiro.

  12. Maria Fernanda Tavares Says:

    Dado o que foi apresentado pelo grupo e através de algumas pesquisas via fontes confiáveis da internet, podemos perceber que a economia brasileira voltará a crescer, porém lentamente. No curto prazo, o direcionamento da inflação para a meta e a esperada redução da taxa de juros são fatores que contribuem para a retomada de crescimento da economia brasileira, que também deve ser beneficiada pelo melhor desempenho da economia mundial, pelo câmbio favorável e pela existência de capacidade ociosa. Porém, ainda que a economia possa ser favorecida pelo crescimento do comércio internacional, internamente ela segue limitada por uma conjuntura econômica e política que dificulta uma recuperação mais rápida dos condicionantes que impulsionarão os setores produtivos voltados ao mercado interno. Um dos fatores que indicam que a economia não deve ter uma forte retomada no curto prazo é a deterioração do mercado de trabalho que, aliado à restrição da política creditícia, deve continuar contribuindo para a demanda enfraquecida. A realização dos ajustes das contas públicas e a complicada situação fiscal dos estados também devem restringir o crescimento no curto prazo. No médio e longo prazo, um crescimento econômico sustentável exige uma maior capacidade de oferta da economia e menor restrição dos gargalos existentes. O país precisa expandir sua capacidade produtiva através de investimentos em infraestrutura, melhoria da educação, avanços tecnológicos e qualificação profissional, além de melhorias em seu ambiente de negócios. Com avanço nesses fatores e o aumento da produtividade será possível aumentar a competitividade dos produtos nacionais.
    http://especiais.g1.globo.com/economia/2016/o-que-esperar-da-economia-em-2017/

  13. Anibal Amêndola Paschoal Says:

    O Banco Central do Brasil passa por uma recuperação pós-crise em todas as regiões do País, sendo o setor agropecuário e do comércio os responsáveis pelo resultado.
    No primeiro trimestre deste ano, em comparação aos três meses anteriores, houve um crescimento de 1%. No segundo semestre, a economia brasileira cresceu 0,25% frente ao trimestre anterior, segundo o Índice de Atividade Econômica do BACEN.
    Segundo análises do Banco Central, a região Norte obteve efeitos positivos na safra agrícola e recuperação das vendas no varejo; o Nordeste teve forte crescimento na safra de grãos e vendas impactadas pelo saque do FGTS; o Centro-oeste foi marcado por uma expansão da atividade econômica em reflexo da construção civil e da agricultura; o Sudeste foi agraciado pela ampliação da produção industrial e aumento das taxas de emprego; por fim, no Sul ampliou-se as vendas no comércio e, novamente, a produção agrícola.
    Tratando-se de conjuntura externa, o setor continua contribuindo para a retomada, com as exportações avançando em 0,5% e as importações recuando em 3,5%.
    Fonte:
    http://www.valor.com.br/financas/5120336/saimos-da-recessao-e-estamos-em-recuperacao-diz-ilan-goldfajn
    http://www.bcb.gov.br/pt-br#!/home

  14. Renato R Lutz Barbosa Says:

    Com o crescimento do valor da producao agropecuaria no ano de 2017, atingindo o recorde dos ultimos 27 anos, gerou um impacto na oferta agregada brasileira, visto que o setor representa cerca de 23% do pib nacional, deslocou a curva de oferta para direita.
    Entao, para manter a taxa de inflacao na meta, o banco central haje de forma ativa, diminuindo a taxa de juros ao longo do ano, com a SELIC atingindo 7,5 no més de outubro. Isso incentiva os investimentos produtivos e desloca a curva de demanda para direita.
    Com isso, a meta de inflacao é mantida e o BC assegura sua credibilidade.
    Sera que é possivel saber se o cresimento do setor da agropecuaria é um impacto na oferta temporaria ou na oferta permante?
    http://www.agricultura.gov.br/noticias/valor-da-producao-agropecuaria-de-2017-de-r-546-3-bi-e-o-maior-dos-ultimos-27-anos
    https://www.bcb.gov.br/Pec/Copom/Port/taxaSelic.asp

  15. Mariana Pivoto Says:

    Um ponto interessante de discussão tratado no artigo de Garcia diz respeito à crise energética, considerada um choque negativo de oferta (acontecimento não esperado que afeta de forma negativa os custos de produção). De acordo com ele, os choques negativos de oferta causam queda no PIB e aumentam a inflação. Tanto os choques negativos de oferta quanto de demanda causam queda no PIB, porém, há queda da inflação apenas no choque de demanda. Em uma situação de crise energética, os consumidores tendem a reduzir suas compras e os empresários devem diminuir seus investimentos, porém, ainda assim é difícil acreditar que a crise energética possa causar um decréscimo de demanda agregada que acabe diminuindo a inflação. Para o autor, o mais provável nesta situação é que a redução espontânea da demanda não seja suficiente para evitar a elevação da inflação muito além da meta à qual o Banco Central está submetido, sobretudo quando se consideram choques inflacionários adicionais que podem ocorrer no decorrer do caminho (alta do dólar). Dessa forma, pode-se dizer que a inflação no futuro depende diretamente da expectativa dos agentes, ou seja, o que eles esperam que vá acontecer influencia no que irá acontecer.

    http://www.economia.puc-rio.br/mgarcia/Artigos/Artigos%20Valor/valor-31052001.PDF

  16. Danielle Sandrini Says:

    No cenário construído pelo grupo, o BC deve perseguir a inflação e isto é bem reconhecido nas atitudes atuais que foram tomadas. Como por exemplo, abaixar a meta de inflação, que trás maior credibilidade e expectativas positivas para o país. Então, ao adotar uma postura expansionista, com política monetária de redução da taxa, ocorrerá incentivo ao investimento e aumento do produto agregado, deslocando a demanda para direita. E o aumento do produto pode ser conectado à curva de oferta de curto prazo. Como o compromisso do BC é perseguir a estabilização dos preços, a OACP deslocará para direita e assim o governo passa para o mercado a preocupação com a inflação. Entretanto, com o aumento do produto vem a variação da taxa de desemprego. Esta que vem caindo ao longo do ano (8,5% no terceiro trimestre). E isso de confirma quando vemos, no gráfico exposto pelo grupo, que o produto agregado está mais acima do potencial e então o número de empregabilidade está aumentando, ou seja, os trabalhadores resgatam o poder de barganha dos salários. Aprofundando nesse tema, tentei encontrar notícias que relacionassem esse ambiente à nova reforma trabalhista que agrega no Brasil a possibilidade de trabalho intermitente. No link abaixo, a notícia comenta que com o novo tipo de jornada de trabalho, os salários nominais serão mais flexíveis. Anteriormente os salários nominais não eram reduzidos e sim reajustados com a inflação passada, e uma queda na inflação faria com que os trabalhadores se sentissem com salários reais maiores. Isso diminui o efeito da taxa de juros sobre a demanda, e os desempregados que sofreriam o ajuste. Então, para reduzir custo, anteriormente, as empresas demitiam e recontratavam um outro profissional com salário menor. Mas com a possibilidade de trabalho intermitente, a notícia diz que a negociação dos salários seria individual e de acordo com a situação econômica vigente. A promessa seria então, menor rotatividade, redução de desemprego e menor taxa de juros real para alcançar a taxa de inflação. Acredito que será interessante a forma de repasse dos custos de salários que as empresas adotarão para formação de preço relacionado à situação econômica do momento.

    http://www.estadao.com.br/noticias/geral,reforma-trabalhista-e-politica-monetaria,70002057745

  17. Felipe Alvarez Rezende Says:

    Para entender melhor o que está acontecendo com a conjuntura econômica brasileira hoje busquei algumas fontes de noticias que apresentavam análises de especialistas. Alguns especialistas creem que a economia brasileira voltou a se acelerar no terceiro trimestre do ano, prevendo um crescimento de 0,4% (de forma que reforma as expectativas que a atividade econômica encerre o ano com um avanço de 0,7%, melhor desempenho desde 2013). Apesar disso, a recuperação efetiva, segundo os especialistas, está longe de ser alcançada, de forma que isso apenas mostra um sinal de recuperação, nada mais. Nos últimos dois anos a economia caiu 7,4%, porém já começam a surgir expectativas otimistas para o futuro (dado que não ocorram choques surpresas).
    Como resposta a esse crescimento, o Banco Central realizou políticas monetárias buscando reduzir a taxa de juros resultando em aumentos no investimento e consumo brasileiros. Isso mostra a melhora em alguns fatores importantes para a volta do crescimento brasileiro. Além disso, especialistas afirmam que tudo indica que a meta de inflação será cumprida (nas bandas de baixo), porém elevando a credibilidade no Banco Central e aumentando a efetividade da política monetária.

  18. Vitor Bento Galvão Says:

    Achei muito bom o post do grupo, bem esclarecedor e didático (Sem falar nos gifs que ficam piscando haha).
    Após a recessão que o Brasil veio apresentando desde 2014, os primeiros sinais de recuperação começaram a surgir principalmente no segundo semestre de 2017. Ainda é uma recuperação lenta, mas pode ser que seja gradual e a expectativa é que seja mantida esta recuperação.
    É importante frisar que o governo tomou medidas de austeridade e impopulares para tentar recuperar a confiança do mercado. Algumas medidas que, mesmo criticadas, eram, de certa forma, necessárias para que pudéssemos voltar a “caminhar aleatoriamente” na parte acima da média.
    Principalmente em setembro deste ano, várias notícias começaram a surgir sobre a recuperação do brasil. Todas afirmam que o crescimento é baixo e o caminho é longo, mas, ao que tudo indica, o pior ficou pra trás.

    Ao que tudo indica, a inflação anual do Brasil ficará abaixo do piso da meta e o Banco Central já trabalha para que isso não ocorra novamente no próximo ano. A primeira medida tomada foi alterar a meta (de 4,5% para 4,25% em 2019 e posteriormente para 4% em 2020), pois as expectativas dos agentes influenciam (e muito) na inflação real.

    Também é importante salientar que a instabilidade política e principalmente eleição de 2018 geram uma incerteza muito grande no mercado. A indefinição acerca dos candidatos está muito grande e isso pode ser algo muito negativo para economia brasileira. Alguns investidores podem se afastar nesse período por não saber como será o Brasil no médio prazo por não ter uma ideia muito clara de qual será o futuro presidente eleito.

    Como mostrado no gráfico apresentado pelo grupo, o ideal seria um choque de oferta agregada que aumentasse o produto e estabilizasse o índice de preços. Isso partindo de uma postura mais ativa do BACEN.

    Fontes:
    http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-09/industria-apresenta-sinais-mais-consistentes-de-recuperacao-aponta-cni
    https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/consumo-brasileiros-recuperacao/
    https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/01/economia/1504265708_449648.html
    https://g1.globo.com/economia/noticia/cmn-baixa-meta-central-de-inflacao-para-425-em-2019-e-4-em-2020.ghtml

  19. Lucas Santos Says:

    É importante voltarmos a 2012 onde a política macroeconômica passou a assumir os preceitos da “Nova Matiz Econômica” a qual passou a incorporar alta intervenção do governo na economia. Isto, segundo Barbosa Filho (2017) foi o determinante para os choques que seguiram.
    Isso evidencia a importância da condução da política fiscal para a estabilização da economia, uma vez que os déficits contribuem para aumento do grau de risco juntamente com o aumento da inflação.

    Portanto, a condução da política monetária possui mais dificuldades para a estabilização da economia se a política fiscal não estiver em sintonia com os objetivos da política monetária.

    http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142017000100051&script=sci_arttext


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