Taxas de juros dos EUA: fed fund, redesconto e taxa sobre reservas, a partir da crise de 2007

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“Para realizar a análise proposta pelo tema, iremos diferenciar cada uma das taxas mencionadas, podendo observar suas especificidades de maneira isolada, para, então, pontuar sua interrelação em comportamentos e efeitos após 2007.

Quando se fala da taxa de juros americana, referimo-nos frequentemente à Federal Funds Rate, os juros cobrados entre os bancos para os empréstimos de 1 dia (empréstimos overnight). A meta dessa taxa é determinada pelo FOMC (Federal Open Market Committee) que tem seus representantes reunidos em torno de oito vezes ao ano para discutir as políticas de open market dos EUA e estabelecer recomendações sobre a taxa de redesconto de liquidez e sobre a taxa de reservas compulsórias. Assim, esta taxa de juros de base americana é determinada pelo mercado e não é especificamente determinada pelo FED. O FED procura alinhar a Federal Funds Rate efetiva com a taxa de juros pretendida repondo ou retirando moeda ao volume disponível no mercado. Quando há uma alteração da taxa de juros de base provocada pela política monetária do FED, então tem sobretudo efeitos sobre o valor das taxas de juros para diversos produtos como hipotecas, empréstimos e os juros de poupança.  A seguir vemos seu comportamento a partir de 2007:

É importante sempre termos em mente que o FED não controla diretamente a FFR. Perseguir metas através de políticas de redesconto e de compulsórios não é equivalente a fixar valores para taxas e, portanto, enquanto houver excesso de oferta de reservas, a taxa de juros desse mercado não sairá do patamar em que se encontra.

Dando sequência, temos a Federal Discount Rate, mais conhecida como ou Taxa de Redesconto de Liquidez, como conhecemos no Brasil.  Tem como característica ser o juros fixado pelo Federal Reserve sobre os empréstimos oferecidos aos bancos comerciais elegíveis ou a outras instituições de depósito. A taxa de redesconto permite que o FED controle a oferta de moeda na economia e seja usada para garantir a estabilidade nos mercados financeiros. Ela serve como o limite superior sobre Fed Funds. A seguir vemos seu comportamento a partir de 2007:

Por fim, temos a Taxa Sobre Reservas ou a “IORR”, a qual funciona também como um instrumento de política monetária, tendo como característica a remuneração por parte do FED aos bancos comerciais por suas reservas compulsórias e voluntárias (reservas em excesso). Isso acontece para evitar que as taxas se tornem muito baixas, sendo estas o limite inferior de referência da política monetária americana. Sua implantação ocorreu em 2008 e, desde então, a taxa apresentou o seguinte comportamento:

Dessa forma uma vez definida as taxas de juros podemos interrelacionar elas após a crise de 2008:

Como podemos observar no gráfico, a FFR e a sua banda definida pelo limite superior (taxa de redesconto) e limite inferior (taxa sobre reservas) se encontram em patamares quase nulos para boa parte dos últimos 10 anos, principalmente pós-2008, entre 0% e 0,25%. Esse resultado da crise financeira, na qual foi necessário que o FED injetasse uma grande quantidade de fundos (Quantitative Easing) no sistema bancário americano, para tentar impedir uma recessão ainda maior nos EUA. O resultado direto obtido é a queda da FFR e de suas bandas de variação. No entanto, a partir da recuperação da economia e com a perspectiva positiva para o futuro, assim como o pequeno “ânimo” da inflação, o FED começou a elevar a meta a partir de 2006, sendo esta hoje em torno de 1% a 1,25%.

 

Algumas fontes:”

https://www.thebalance.com/fed-funds-rate-history-highs-lows-3306135

http://www.investopedia.com/terms/f/federal_discount_rate.asp

https://fred.stlouisfed.org/categories

https://www.stlouisfed.org/on-the-economy/2016/july/fed-interest-rates-floor-subfloor

 

Autores: GRUPO C Economia

 

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G3-Eco: A Oferta Monetária na Economia Brasileira

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“Entendemos o Agregado M1 como a definição teórica de moeda como meio de pagamento, sendo ativos estritamente monetários e de liquidez imediata. É o volume de recursos prontamente disponíveis para o pagamento de bens e serviços. Inclui-se o papel-moeda em poder do público e os depósitos à vista: M = pmpp + DV.

A partir do plano real, com a diminuição da inflação, os meios de pagamento restritos ampliaram-se consideravelmente. Tal processo é conhecido como remonetização, resultante da recuperação da credibilidade da moeda nacional.

Em 2001, o Banco Central promove mudanças conceituais nos meios de pagamentos. Mudou-se o critério de ordenamento dos Agregados Monetários, passando de uma agregação pelo nível de liquidez dos ativos para uma definição conforme seus sistemas emissores.

“Os meios de pagamento ampliados são indicadores antecedentes de pressões de demanda sobre o setor real melhores que os meios de pagamento restritos, dado que, atualmente, as facilidades de realocação de portfólio permitem que o M1 esteja sempre no nível necessário para transações e responda passivamente a elevações no nível de preços. Ressalte-se, contudo, que mesmo em modelos de política monetária que privilegiam o controle de taxas de juros, os agregados monetários continuam sendo instrumentos importantes para o acompanhamento dos efeitos daquela política, tanto como indicadores de liquidez quanto como indicadores de captações internas de recursos, por parte do sistema emissor, para multiplicação de crédito no país. ” (Reformulação dos Meios de Pagamento – Notas Metodológicas – BCB).

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados (Jan/96 a Dez/16) obtidos no IPEADATA e Banco Central.

 

A oferta de moeda (M1) na economia é definida como a base monetária multiplicada pelo multiplicador monetário: M = m X BM.

A quantidade de moeda presente numa economia é reflexo de um conjunto de três peças que atuam em um processo de decisões. Dentre essas peças temos a população que decide quanto manter em conta corrente e quanto manter “no bolso”, os Bancos e seu desejo de manter reservas voluntárias e pela definição do percentual de reservas compulsórias exigidas pelo Banco Central.

A Base monetária é o passivo monetário do Banco Central, também conhecido como emissão primária de moeda. Inclui o total de cédulas e moedas em circulação e os recursos da conta “Reservas Bancárias”.  Portanto, temos que a base monetária é definida como a soma do papel moeda em poder do público com as reservas compulsórias e voluntárias das instituições bancárias.

A principal maneira pela qual o Banco Central provoca mudanças na base monetária é através de suas operações de “Open Market”, que permitem a regulação diária da oferta monetária e da taxa de juros, gerando liquidez aos títulos negociados. Tais operações são realizadas através das compra e venda de títulos públicos.

No Brasil, foi introduzido no Plano Real o conceito de Base monetária ampliada, sob o pressuposto de que agregados mais amplos sejam melhor correlacionados com os preços na economia brasileira, visto que mais perfeitamente captam a substitutibilidade entre M1 e os demais ativos financeiros. Incluir, além da base restrita, os compulsórios e títulos federais.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados (Jul/94 a Jul/17) obtidos no Banco Central.

 

O multiplicador monetário indica o grau de modificação da oferta de moeda para uma determinada mudança na base monetária, ou seja, reflete o efeito de outros fatores além da base monetária sobre a oferta de moeda. Como exemplo, com m = 3, um aumento de R$1,00 na base monetária levará a um aumento de R$3,00 na oferta de moeda.

 

Referência

MISHKIN, F. The Stock Market, the Theory of Rational Expectations, and the Efficient Market Hypothesis. In: MISHIKIN, F. Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.”

 

Reformulação dos meios de pagamentos – Notas Metodológicas

http://www.bcb.gov.br/ftp/infecon/NM-MeiosPagAmplp.pdf

 

Autores: GRUPO A

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G2-Eco: A dança das taxas de juros

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

A comparação entre títulos com mesmas características, mesmo emissor e com prazos de maturidade diferentes, nos deixa observar curvas de taxas de juros positivas, planas ou até invertidas. Esse “balé” das taxas de juros pode ser sintetizado pelos seguintes fatos estilizados:

  1. Cointegração das taxas de juros com maturidades diferentes. Ou seja, essas taxas têm um comportamento semelhante ao longo do tempo;
  2. As taxas obedecem ao princípio de reversão à média. Quando falamos de taxas de curto prazo que sofreram queda, em relação a um referencial, espera-se um crescimento ao longo do tempo (ou o contrário);
  3. A curva normal é a mais frequentemente observada.

A teoria capaz de explicar o conjunto dos fatos estilizado é chamada de Prêmio pela Liquidez. Segundo Mishkin, ela demonstra que títulos com maturidades diferentes são substitutos, mas não substitutos perfeitos, assim a teoria ainda permite que os investidores prefiram um título a outro. Portanto, o pagamento de um prêmio positivo pela iliquidez de capital consegue fundamentar os três fatos estilizados, principalmente a frequência da curva positiva.

A figura abaixo pode ser clarificada pela ótica da teoria do prêmio pela liquidez. Ela apresenta o mercado de títulos dos EUA e permite observar o movimento das taxas de juros e os fatos estilizados. Conectados pelo grau de substituição, as diferentes maturidades dos títulos apresentam sincronia no comportamento ao longo do tempo, que associa o pedaço da taxa de longo prazo à composição da taxa de curto prazo esperada, comprovando o primeiro fato estilizado. Além disso, quando as taxas alcançam vales ou picos, elas redirecionam seu movimento para cima ou para baixo, demonstrando o segundo fato estilizado. Por fim, uma vez que o prêmio pago sempre é positivo, ele tende a “puxar” a curva para cima, o que explica a maior frequência da curva normal (terceiro fato estilizado).

Nesse mesmo contexto, o gráfico abaixo ilustra a variação das taxas de juros, porém para três títulos públicos emitidos pelo Tesouro Direto entre os períodos de 2010 a 2017 no Brasil. Para sua elaboração, foi usado como referência o dia 31 de agosto dos respectivos anos. Os diferentes títulos são representados por: a série azul retrata a LTN (Letra do Tesouro Nacional) – um título de curto prazo (CP); a série vermelha NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – série B) – médio prazo (MP) e a série verde NTN- B principal (Notas do Tesouro Nacional – série B – principal) – um título de longo prazo (LP).

Utilizando este gráfico para análise do comportamento da ETTJ no Brasil, é possível notar a cointegração das taxas de curto, médio e longo prazo. Mesmo que essas difiram em seus graus de maturidade, elas tiveram o mesmo movimento ao longo do tempo, ou seja, quando houve uma alta na taxa de juros da LTN (CP), as taxas de NTN-B (MP) e as de NTN-B principal (LP) também aumentaram.  Ainda, pode-se comprovar o princípio de reversão à média, ou seja, o fato da esperança de baixa de uma taxa de curto prazo após um período de alta, observando esse comportamento no período dos anos 2012 a 2015 e no período dos anos 2016 e 2017, respectivamente.”

 

REFERÊNCIAS:

MISHKIN, F. The Stock Market, the Theory of Rational Expectations, and the Efficient Market Hypothesis. In: MISHIKIN, F. Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.” 

http://www.tesouro.gov.br/tesouro-direto-balanco-e-estatisticas

 

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