Milton Friedman: Segunda fase da Curva de Phillips e o Desemprego

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Autores: Grupo 10 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

A teoria de Friedman para o desemprego vem da contraposição da teoria de Phillips, em que o desemprego é uma relação inversamente proporcional à inflação. Tal relação se mostrou verdadeira até o início dos anos 70, quando um choque exógeno na OA introduziu um novo conceito, proposto por Friedman e considerada a segunda fase da Curva: a estagflação, uma relação em que existe desemprego e inflação ocorrendo no mesmo período no longo prazo. Porém, Friedman só chegou a sua teoria graças à um choque exógeno na economia americana.

Nos anos 70, o mundo se desenvolvia cada vez mais dependente do petróleo, como combustível e outros insumos derivados, e os EUA, por meio de suas grandes empresas dominavam o mercado petrolífero, determinando preços e seus participantes.

Com a criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), esse cenário mudou radicalmente, já que a organização tinha como principal objetivo a restrição da oferta de petróleo, de modo a manipular e ampliar o preço de tal produto para que os países membros tivessem um aumento de receita.

         O primeiro grande choque no preço do petróleo pôde ser notado entre meados de 1973 e 1974 onde os preços tiveram um aumento de até 4 vezes, como podemos ver na tabela a seguir:

         Nesse período nota-se nas economias ao redor do mundo o fenômeno denominado de estagflação, onde ao mesmo tempo ocorre uma diminuição da taxa de crescimento da produção (estagnação) e um aumento generalizado dos preços (inflação).

         Normalmente, períodos inflacionários ocorrem quando a demanda por bens e serviços da economia está maior do que a oferta, fazendo com haja um crescimento dos preços aliado a um crescimento do produto e consequentemente uma diminuição do desemprego, já que as firmas para conseguirem suprir a maior demanda contratam mais funcionários. Já a estagnação pode ser definida quando há um decréscimo na taxa de crescimento do produto de uma economia, que ocorre normalmente quando a oferta de bens e serviços se encontra acima da demanda, fazendo com que haja um aumento na taxa de desemprego e paralelamente uma diminuição do nível de preços.

         Por isso foi formulado o conceito de tradeoff entre inflação e desemprego, onde períodos de taxa de inflação alta são acompanhados de uma baixa taxa de desemprego ou vice-versa. Podemos analisar esse tradeoff no gráfico abaixo:

A teoria de Friedman pode ser considerada a segunda fase da curva, em que no longo prazo as expectativas ao nível de preços se adaptam, de modo que a ilusão monetária não exista no longo prazo, e os ajustes ocorrem lentamente. Friedman analisou tal efeito na crise do petróleo, em que o nível de preços se elevou dado o custo de produção maior, diminuindo assim a oferta de trabalho por parte dos trabalhadores, mas a inflação se mantinha em alta, e visando conter a inflação, os EUA recorreram à políticas restritivas que agravaram o desemprego.

É importante observamos no gráfico acima que durante os anos de 72-74, tanto o desemprego quanto a inflação tiveram um crescimento no curto prazo, e retornaram ao seu nível natural com o passar dos anos, a partir dessa relação temos a base para a teoria de Friedman, a chamada Taxa Natural de Desemprego e Crescimento:

– Taxa Natural de Desemprego: A chamada NAIRU (sigla para Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment, a taxa de desemprego não aceleradora da inflação), um taxa para qual a economia converge ao longo do tempo dado o ajuste das expectativas dos trabalhadores. Ocorre pela seguinte situação: Através de uma política governamental para movimentar a economia, vemos a ocorrência da hipótese normal da curva de Philips, inflação se elevando e uma queda do desemprego.

Com o aumento do nível geral de preços, dado o repasse dos maiores custos de produção, o trabalhador tem a percepção no longo prazo que o salário real não teve nenhum crescimento nessa relação, portanto decide ofertar menos trabalho, e da mesma forma renegociar maiores salários dado a inflação do período anterior, que logo é repassado aos preços novamente. Vemos que com a diminuição da produção, o produto começa a convergir ao seu ponto inicial, assim como o desemprego (firmas demandando menos trabalhadores) e a inflação sobe.

Em outras palavras, a determinação do desemprego por Friedman está diretamente relacionada com as expectativas adaptativas dos trabalhadores. A NAIRU simplesmente é uma crítica à sustentabilidade da curva de Philips, e para Friedman, esse taxa não pode ser reduzida com uma elevação da demanda agregada, e qualquer tentativa de redução resultaria em um processo inflacionário acelerado, portanto essa taxa pode ser definida como o desemprego remanescente após o pleno emprego.”

 

NASCIMENTO, Edson Fernando: Milton Friedman e a História do Pensamento Econômico Contemporâneo.

RIBEIRO, Fernando: Friedman, monetarismo e keynesianismo: um itinerário pela história do pensamento econômico em meados do século XX.

MAXIR, Henrique dos Santos: O mercado internacional de petróleo: a influência da OPEP e o poder de mercado.

ANDRADA, Alexandre Flávio Silva: Ensaios em história do pensamento Econômico.

https://www.thebalance.com/what-is-stagflation-3305964 (Acessado em: 10/06/2017)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_dos_Pa%C3%ADses_Exportadores_de_Petr%C3%B3leo (Acessado em: 10/06/2017)

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2014/11/10/taxa-natural-de-crescimento-e-de-desemprego/ (Acessado em 03/06/2017)

 

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28 Respostas to “Milton Friedman: Segunda fase da Curva de Phillips e o Desemprego”

  1. Ricardo Reis Ricci Says:

    Hoje em dia o Banco Central, realiza o controle da inflação usando fundamentalmente o instrumento da taxa de juros, o crescimento da economia e o desemprego passam a ser secundários. Por meio da determinação de metas e ações da politica monetária. O principal argumentos dos defensores do regime de metas da inflação é a hipótese da taxa natural de desemprego, a curva de Phillips com expectativas e denominado viés inflacionário que estaria ligado a tendencia de que os políticos tem que querer implantar politicas expansionistas, com redução nos juros, o que provocaria apenas inflação de acordo tanto com as expectativas adaptativas como racionais. Assim o regime de metas inflacionarias esta embasado claramente na teoria da curva de Phillips.

    • Mariane Zanetti Says:

      Ricardo,
      Realmente podemos dizer que o regime de metas está embasado na teoria da curva de Phillips, pois conta com a existência de um trade off entre inflação e desemprego no curto prazo. A base teórica do regime de metas está nas seguintes hipóteses fundamentais: i) expectativas racionais, ii) neutralidade da moeda no longo prazo, iii) barganha salarial no mercado de trabalho na determinação do salário real, iv) equilíbrio determinado pela oferta, v) o processo inflacionário é explicado por pressões de demanda.
      Em relação ao instrumento utilizado para controle da inflação: a crescente instabilidade da velocidade de circulação da moeda a partir do início da década de 1970 e o abandono do regime de metas monetárias por quase todos os bancos centrais do mundo durante as décadas de 80 e 90 levaram os economistas a repensarem sua concepção sobre a forma que a inflação pode ser controlada. Ao invés do controle da oferta de moeda, o Banco Central deve ter em vista a relação entre a taxa de juros real efetiva e a taxa de juros real de equilíbrio. A taxa de juros real efetiva é aproximadamente igual à diferença entre a taxa de juros nominal fixada pelo Banco Central e a taxa esperada de inflação. Sendo assim, se essa taxa for superior a taxa de juros real de equilíbrio, o nível de atividade econômica vai se reduzir, reduzindo também a taxa de inflação, resultado do trade off de curto prazo entre inflação e desemprego expresso pela curva de Phillips. Analogamente, se a taxa real efetiva for menor do que a taxa de juros de equilíbrio, a atividade econômica irá aumentar e, consequentemente, haverá um aumento da taxa de inflação. Dessa forma, como o que se almeja é a estabilidade de preços, o Banco Central deve manter a taxa de juros real ao mesmo nível da taxa de juros de equilíbrio e para isso utiliza o controle da taxa de juros nominal (básica). Toda vez que houver um aumento das expectativas de inflação, o BC deve, portanto, aumentar a taxa de juros nominal e reduzi-la quando houver uma redução das expectativas de inflação.

  2. Beatriz Traetta Says:

    Acho interessante ver como as teorias se aprimoram ao longo do tempo, se ajustando aos resultados reais e aumentando a percepção das pessoas sobre os fatos. A segunda fase da curva de Phillips se relaciona de forma extremamente forte com a fase Novo-Keynesiana da Curva de Phillips, possuem diversas caracteristicas semelhantes (a estrutura geral básica, eu diria) porém a Novo-keynesiana se assemelha de maneira mais correta à realidade pois implementa hipóteses mais reais e plausíveis. Voltando à 2ª fase, o motivo dela ser denominada aceleracionista é que a inflação se acelera quanto mais distante da NAIRU for o desemprego, ou seja, o desemprego deve se manter perto ou igual ao natural para que não ocorra inflação.

  3. sarah rodrigues da silva Says:

    Acredito que consegui identificar as semelhanças e diferenças entre a teoria de Friedman e a curva de Phillips, sendo elas, semelhanças: a rigidez, trade off entre desemprego e inflação entretanto, como diferença a não redução da taxa da natural de desemprego. Focando nessa diferença gostaria de entender melhor como a : “redução resultaria em um processo inflacionário acelerado”.

    • Breno Henrique Selmine Matrangolo Says:

      Olá Sarah. Segundo o pensamento de Friedman com expectativas adaptativas, temos que os agentes formam suas expectativas sobre o presente com base no que aconteceu no passado, assim na segunda fase da curva de Phillips teríamos que π(t) – π(t-1) = -α[u(t) – u(n)]. Como podemos observar na fórmula, caso um governo resolvesse manter uma taxa de desemprego [u(t)] menor que a taxa natural [u(n)] de sua economia, necessariamente precisaria aceitar uma taxa de inflação presente [π(t)] maior que a inflação passada [π(t-1)]. Esse processo se repetiria continuamente, e o governo precisaria arcar com taxas crescentes de inflação caso quisesse manter o desemprego abaixo de sua taxa natural. Por esse motivo, a segunda fase da curva de Phillips ficou conhecida como fase aceleracionista.

  4. Maria Renata Silveira Says:

    É realmente interessante a forma como Friedman introduziu a questão das expectativas e trouxe uma perspectiva diferente para a relação entre inflação e desemprego. Colocar as expectativas adaptativas no curto prazo da muito mais sentido a toda a relação da economia, evidenciando que no curto prazo os agentes cometem erros sistemáticos que são corrigidos no longo prazo. Dito isso, eu posso afirmar que na segunda fase da curva de phillips as expectativas são racionais no longo prazo? já que ao longo do tempo os agentes acertam o nível de inflação, de modo que o nível de emprego se iguala ao nível inicial.
    A segunda fase – com algumas diferenças de hipótese, obviamente- se assemelha bastante com a terceira fase estendida, na qual as expectativas são racionais.Porém, no curto prazo , devido a questões como a rigidez nominal , possui expectativas adaptativas.

    • Maria Renata Silveira Says:

      Corrigindo longo prazo por médio prazo*

    • Lina Guerra Says:

      Maria Renata, acredito que não devemos fazer essa afirmação. As expectativas racionais consistem na formulação de expectativas a partir da coleta de informações economicamente relevantes, de modo que um choque perfeitamente previsto não afete o produto; nas adaptativas, no entanto, os agentes fazem uso de informações anteriores, e ajustam suas expectativas lentamente com base nos erros passados. Não se pode afirmar que são racionais no longo prazo por serem corretas. A precisão é devida a um processo de ajuste gradual e é uma consequência do fato de que as expectativas são adaptativas.

  5. Elmo Zampieri Neto Says:

    Parabens ao grupo pelo texto! Gostaria de saber se voces consideram ser possível dizer que o motivo da proxima inflação ser, em parte, a atual? esse “acostumar” das pessoas com a inflação é a indexação? poderiam explicar mais sobre?

    • Leon Araujo Fischer Says:

      Se entendi direito o que você quis perguntar sobre a próxima inflação, acredito que a inflação atual possa gerar uma expectativa de inflação futura e isso possa sustentar mais facilmente uma inflação no futuro; neste caso, em parte, a inflação futura pode ter uma “ajuda” da inflação atual para se manter.

    • João Pedro de Andrade Rosa Says:

      Acredito que com isso você quis dizer que as expectativas futuras são formadas com base nos fatos passados. Assim uma variação positiva da inflação causaria a expectativa de uma nova variação positiva equivalente e assim as expectativas formadas se ajustariam de acordo com esse processo até se equipararem com a real.

    • Matheus Soares Mattano de Lima Says:

      Elmo, creio que possa ser feita a afirmação que por uma expectativa gerada por um aumento anterior de inflação pode fazer com que empresários e trabalhadores em geral reajustem suas expectativas de preços futuros esperando um outro aumento; entretanto, sem o aumento da base monetária esse aumento não se sustentará e o nível de preços voltará ao anterior.

  6. Lara Faria Says:

    É importante lembrar os motivos pelos quais, antes dos eventos ocorridos na década de 70, a relação de Phillips entre inflação e desemprego se adequava bem ao cenário da época. Os agentes tinham a “ilusão monetária” ofertando trabalho conforme o salário nominal, porém naquele cenário haviam anos de inflação e anos de deflação; sendo assim, a inflação média era próxima de 0, e portanto a ilusão monetária fazia todo o sentido. Ademais, a inflação esperada também era basicamente 0. Como vimos no capítulo 8 do Blanchard, com a inflação esperada igual a 0 “obtemos precisamente a relação negativa entre desemprego e inflação que Phillips encontrou”.

  7. Sérgio Trevelatto Amâncio Says:

    Os resultados de Friedman ajudaram a provar que a teoria Keynesiana, assim como a curva de Phillips só possuem efeito no curto prazo.
    No longo prazo entra o papel das expectativas racionais e a economia volta para seu nível natural de produto e desemprego.
    É interessante lembrar que a curva de Phillips pode demorar para desaparecer após as expectativas racionais devido as novas teorias econômicas que descobriram que os custos de menu e a rigidez dos salários atrasam a convergência do desemprego para seu nível natural

  8. Marcelo Lourenço Filho Says:

    Primeiramente, parabéns ao grupo pelo ótimo texto. É interessante notar o fenômeno da estagflação, por conta de que se deu o questionamento da teoria de Phillips aqui citada (o tradeoff entre inflação e desemprego). A teoria econômica tradicional teve, pelo que me consta, alguns problemas para explicar os motivos que levaram à ocorrência de inflação alta associada à diminuição do produto. Até então só se compreendiam duas possibilidades: (1) a economia aquecida e com inflação e (2) a economia em recessão e com deflação. Em ambos os casos a intervenção do governo se faria necessária, seja para acalmar ou para reanimar os ânimos dos agentes econômicos. Com a estagflação, no entanto, havia uma dubiedade quanto ao que deveria ser feito: por um lado havia o componente inflacionário que sugeria uma redução dos gastos do governo e, do outro, o componente da recessão sugeria um aumento dos gastos. Passou-se, então, a questionar a teoria dominante à época e, creio, foi aí que houve espaço para o surgimento de teorias diversas, como a do Friedman aqui tratada.

    • Carlos Eduardo Jr. Says:

      Perfeito, Marcelo! Essa questão dúbia foi o debate de várias teorias surgidas na época, e creio que a resposta acabou por se tornar mais política do que econômica por parte do governo americano, haja vista que o petróleo é o principal componente que conduz a máquina econômica dos EUA, e a necessidade de uma resposta rápida ao povo, aprofundando o questionamento do que poderia se fazer: Reduzir a inflação ou reduzir o desemprego? A escolha do governo foi atacar a inflação, e o nível de desemprego chegou níveis alarmantes (principalmente nas minorias como latinos e a população negra).
      Dubiedade é a palavra certa para explicar a estagflação, e nos EUA que é necessário manter o nível de consumo alto sob qualquer situação econômica do país, de modo que qualquer variação no nível de desemprego causa pressões políticas maiores que em outras nações, a resposta sempre será o controle da inflação, e o retorno do trade-off no longo prazo.

  9. Matheus Almeida Hereman Says:

    Parabéns ao grupo pelo texto, e gostaria de complementar um pouco a segunda fase que é também chama de frase aceleracionista. Esta fase tem este título por conta da necessidade do governo precisar causar choques cada vez mais bruscos na inflação para que o tradeoff entre desemprego e inflação continuasse, assim a inflação iria crescer, mas não a mesma velocidade ela estaria sempre acelerando. Portanto a economia iria conseguir manter o tradeoff.
    Colocando um pouco de opinião pessoal acho que este sistema se torna um pouco insustentável, que como vemos em sala de aula (com modelos dinâmicos) mesmo quando a inflação aumenta constantemente, o desemprego tende a um valor constante (a NAIRU comentada no texto). Porém acho que utilizar desta medida em um momento de recesso pode ser bem vindo.

  10. Rafhael Milani Says:

    Primeiramente, parabéns ao grupo pelo excelente texto, muito didático. Pensando um pouco no cenário brasileiro, temos o ajuste do salário mínimo anual com base na inflação do ano passado, acredito que afirmar essa situação como uma expectativa adaptativa não é a melhor definição, pois olhamos o passado para definir o presente.

    • Rodrigo Diniz Mendes Says:

      Fiquei com esta mesma sensação rafhael, mas conforme as adaptações vão melhorando cada vez mais acredito que ao longo do tempo conseguiríamos chegar em um salário mínimo próximo com a inflação vigente do ano , mesmo se baseando na inflação passada, mas isso é um grande problema do cenário brasileiro pois com as constantes incertezas sobre o cenário econômico e as grandes flutuações na demanda agregada, os erros acontecem muito mais , necessitando de um cenário mais estável para cada vez mais se igualar inflação esperada com a real.

  11. Maria Clara Tobar Says:

    Parabéns ao grupo pelo texto. Ficou muito bom! Acho interessante trazer uma aplicação contemporânea da curva de Phillips. O Regime de metas inflacionárias está embasado na teoria da Curva de Phillips. A implementação de metas foi eficaz na redução da inflação e responsável pelo aumentou no nível de desemprego, já que com a determinação de metas e ações ortodoxas de política monetária, o Banco Central busca maior transparência e credibilidade perante os agentes, tornando assim a meta crível.

  12. Pedro Lopes da Silva Says:

    Parabéns ao grupo pelo texto! Acho bastante interessante notarmos como o pensamento econômico se transforma ao longo do tempo, através de acontecimentos não previstos na formulação dos nossos modelos econômicos, de modo que nunca estaremos 100% preparados para lidar com os problemas dessa área. O fato dos EUA adotarem políticas restritivas após o choque da Oferta Agregada causada pelo aumento do preço do petróleo, em uma tentativa de controlar a inflação do período, acabou por aumentar o desemprego ilustram o fato de quão estamos suscetíveis a cometer erros nas nossas políticas econômicas. Entretanto, mesmo assim, em alguns casos, economistas conseguem se antecipar a grandes mudanças e acertar suas previsões. Friedman, foi um desses, quando na década de 60 tentou prever por quanto tempo duraria o trade-off inflação e desemprego nos EUA… Pra quem ficar curioso sobre essa história, na sessão FOCO do capítulo 8 do Blanchard da pra conferir.

  13. Jader da Silva Berck Says:

    Parabéns ao grupo pelo excelente texto!
    É interessante ver como as explicações para os eventos econômicos dificilmente são um consenso. Mas cada vez que se percebe um novo acontecimento, um novo choque ou uma nova combinação de indicadores, mais fatos são adicionados às teorias e aquelas que são capazes de melhor explicá-los permanecem, e as outras são esquecidas ou aperfeiçoadas. Mais interessante ainda é ver que é justamente nos momentos de crise que os economistas mais inovam. Em que passo a curva de Phillips estaria hoje se não fosse o choque do Petróleo? Ou a teoria macroeconômica como um todo, se não houvesse a crise de 29?

  14. Lucas Geraldo Says:

    Primeiramente, parabéns ao grupo pelo excelente trabalho. É de fato interessante observar as mudanças ocorridas na teoria com o passar dos anos, partindo desde a Curva de Phillips original até o modelo Novo-Keynesiano. Mais relevante ainda é analisar os motivos que fizeram com que essas mudanças ocorressem, até porque há cenários em que o nosso modelo Novo-Keynesiano tem dificuldades em explicar a falta de conexão entre inflação e desemprego (como no caso da crise de 2008).
    Fonte:
    http://www.economist.com/news/finance-and-economics/21723422-economists-and-federal-reserve-are-not-about-abandon-phillips

  15. Vitória Olivier Natal Says:

    Acho muito interessante como as teorias evoluem de acordo com fatos empíricos de diferentes épocas – o mundo está sempre em transformação e dessa forma, acredito que as teorias econômicas nunca chegarão ao ponto de explicar o seu assunto para sempre.
    Sobre a NAIRU, esta corresponde ao nível de desemprego associado a uma taxa de inflação estável. É associada a um produto potencial máximo atingido pela utilização de todos os fatores de produção da economia no longo prazo e a Curva de Phillips torna-se vertica. No entanto, esta taxa é diferente para cada país, e é difícil de ser determinada, uma vez que o tradeoff inflação-desemprego é instável ao longo do tempo. Desse modo, fatores institucionais, demográficos, de tecnologia de produção e produtividade dos fatores de produção são capazes de interferir na taxa natural de desemprego (não aceleradora da inflação) de cada nação.

  16. Caio Vinícius Sousa Says:

    Excelente trabalho, parabéns grupo! A leitura do texto me intrigou bastante, e o detalhamento do momento histórico em que Friedman desenvolveu suas ideias lembrou-me de uma de suas frases: “A inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário”. Dado o contexto em que os Estados Unidos estavam inseridos, como poderíamos relacionar tal citação com o modelo elaborado por Friedman?

  17. Noemi Arjona Says:

    Parabéns ao grupo pelo texto!
    A respeito das variáveis que deslocam a oferta agregada, dentre as possíveis, focamos nossos estudos normalmente em mudanças de preço de insumos, mudanças de tecnologia e mudanças de expectativa.
    Dado que a primeira varivel interfere nos preços de mercado e a segunda no nível de volume de produção e consequentemente na renda; os agentes econômicos (trabalhadores) terão sempre a mudança de expectativas como variável presente para as duas indicadas anteriormente?

  18. Isabela Simabukuro Says:

    Muito bom! Parabéns pelo texto! achei um artigo interessante que menciona como a curva de Philips é aplicada na economia atual.
    http://www.pet-economia.ufpr.br/banco_de_arquivos/00002_Rodrigo_cl_lima_e_silva_curva_de_philips_e_aplicacao.pdf

  19. Pedro Lima Says:

    A tese original de Philips,contraposta por Friedman de fora que a relação da teoria original seria algo como “enganando as pessoas” num período de curto prazo,ou seja,através de ilusão monetária.A questão das expectativas racionais,elaborado por Friedman nos anos 70,ainda fariam sentido na conjuntura atual? É claro que o raciocínio óbvio seria oque de as teorias estão em constante evolução e as últimas 4 décadas serviriam como impulso aos estudos macroeconômicos,porém,não houve no passado recente um evento de magnitude e repercussão tal como a crise do pétroleo,que realmente chamou a atenção dos agentes.


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