Lucas e o tradeoff inflação e desemprego

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Autores: Grupo 11 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

Robert Lucas é o economista que postulou a Teoria de Expectativas Racionais. Uma grande implicação deste trabalho se deu no fato de as pessoas poderem antecipar suas ações frente às ações do governo e do seu embasamento para agir instantaneamente diferente do modelo de Friedman, onde as pessoas, sem aprender, erravam repetidas vezes, para depois ajustarem suas expectativas com base no passado. O modelo de Lucas considera as pessoas racionais, podendo se antecipar ao que acontece na economia e projetar suas ações, de modo a prever uma alteração nos preços, para, por exemplo, barganhar salários maiores. As pessoas aprendem a reagir às ações do governo, explica Sargent, dependendo de como o governo estrutura seu orçamento, e o equilíbrio deste, o que dá sua credibilidade. Tais reações dependem tanto da rapidez com que o governo faz seus ajustes, quanto da sua credibilidade. Se forem rápidos e imprevisíveis (no caso de um governo com baixa credibilidade) o suficiente para não serem antecipados, o governo irá conseguir influenciar a economia no curto prazo.
Um exemplo: se o governo aumentasse a oferta de moeda, como Keynes recomendaria para atenuar a recessão, isso faria com que as pessoas, conhecendo os efeitos dessa política, se antecipassem ao aumento de preços, barganhando salários maiores, desencorajando o aumento do emprego, pois não haveria diminuição no salário real que justificasse tal aumento. Assim, cada vez mais as pessoas aprendem a lidar com essas alterações no nível de preços, anulando-as, num prazo cada vez menor, tornando a política monetária cada vez menos eficiente. Dessa forma, tanto emprego, quanto produto e salários reais são constantes até mesmo no curto prazo.
(Oposição entre inflação e crescimento econômico Reino Unido)

Essa neutralização ocorre, pois como as empresas tomadoras de preço e sem poder de mercado (hipóteses para o modelo de Lucas), elas antecipam o aumento de preços e de vendas com o aumento da base monetária, o que faz com que cedam salários nominais maiores aos trabalhadores, já munidos de informação para barganhar. Porém, com a inflação acontecendo, os salários reais se mantêm iguais e não se criam mais empregos. Então, a influência da política monetária se atenua cada vez mais quanto maior o prazo, embora ela possa surpreender os agentes, porém nunca da mesma maneira.
É importante lembrar que foi introduzindo conceitos microeconômicos que Lucas pôde justificar seu modelo, através, da integração de expectativas, preferências, informação disponível e embasando a decisão de hoje no futuro, e não no passado. A constatação crucial das ERs é que as pessoas aprendem com os erros e reduzem a margem de erro com o tempo.
(relação entre inflação e recessões EUA)
(taxa de desemprego e inflação EUA)

Tratando-se de Brasil, há uma oportunidade de se observar a validade da hipótese proposta por Lucas a respeito da ineficácia das políticas do governo com a sucessão de planos econômicos heterodoxos de combate à inflação. Exemplo é o Plano Cruzado, que congelou preços artificialmente, o que só ocasionou uma disparada da inflação, pelo motivo de não eliminar as reais causas dela. Isso só fazia a moeda perder cada vez mais sua função de unidade de conta, o que a tornava mais volátil ainda.
Os planos seguintes foram ainda mais rapidamente neutralizados, pois as tréguas momentâneas se tornaram cada vez menores e o retorno da inflação cada vez mais acentuado, o que se deve em grande parte ao ajuste de expectativas racionais, que fazia os agentes, aprendendo com as experiências anteriores, se anteciparem cada vez mais à possíveis repetições nas práticas de congelamento de preços. Assim, quando um novo plano era anunciado, ele chegava, em sua adoção, completamente neutralizado pela ação dos agentes.
As diferenças entre mudanças na base monetária, antecipadas ou não antecipadas são: Expansão monetária antecipada pelos agentes gera imposto inflacionário e não estimularia o produto. Expansão monetária não antecipada pode estimular o produto no curto prazo e tão simetricamente quanto contrações não antecipadas podem produzir recessões.
(A relação de IPCA e Desemprego nos últimos anos no Brasil)
(A queda da URSS mostra o ajuste de expectativas após o choque de governo)”

 

Bibliografia:
•        https://pt.wikipedia.org/wiki/Expectativas_racionais
•        http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/10/18/opiniao/8.html – Delfim Netto sobre Lucas
•        Macroeconomia 3ª Edição, BLANCHARD
•        https://solarcycles.net/2013/05/14/usa-financial-markets-and-economic-correlations/
•        http://www.frbsf.org/economic-research/publications/economic-letter/1997/january/nobel-views-on-inflation-and-unemployment/
•        https://roselisilva.files.wordpress.com/2014/11/curvas-de-phillips.pdf
•        http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/economic-sciences/laureates/1995/lucas-lecture.pdf
•        http://www.econlib.org/library/Enc/bios/Lucas.htm
•        http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfD_IAE/xiv-robert-lucas
•        http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,desemprego-e-inflacao-de-servicos,70001681764
•        http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,juros-desemprego-e-inflacao,70001698069
•        http://www.opovo.com.br/noticias/economia/2016/12/desemprego-deve-crescer-em-2017-mas-queda-da-inflacao-da-indicios-de.html

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30 Respostas to “Lucas e o tradeoff inflação e desemprego”

  1. Ricardo Reis Ricci Says:

    “MODELOS ECONOMÉTRICOS CUJAS EQUAÇÕES SÃO
    ESTIMADAS COM PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOS NÃO PODEM
    SER EMPREGADOS PARA PREVER ATIVIDADE E AVALIAR OS
    EFEITOS DE POLÍTICA ECONÔMICA.( Lucas: “Econometric Policy Evaluation: a Critique)”
    É curioso notar como a formulação das teorias econômicas vão se somando e agregando recursos e explicações sobre o comportamento dos agente econômicos e variáveis econômicas. Após a crítica de Lucas e a metodologia das expectativas racionais, a literatura sobre o ciclo econômicos se funde a nova macroeconomia e as perspectivas do novo clássico e do novo keynesiano. Seria como um caminho a traçar pelas politicas econômicas. Mas fica sempre uma dúvida; Seria a observação responsável pela formulação da teoria, ou seria a teoria que formula a explicação. Qual o papel do observador sobre essas teorias? É fantástico imaginar que de alguma forma podemos traçar um caminho para o crescimento do nosso país, mas como será isso na prática?

    • Elmo Zampieri Netk Says:

      Concordo. E sobre as teorias explicando o mundo, eu vejo sempre uma observação do mundo vindo antes de uma teoria, como a primeira fase da curva de phillips. À medida que surgem problemas no modelo criado, adapta-se o modelo para que esse novo se encaixe num leque maior de possibilidades. Um exemplo foi a curva aceleracionista em meio à estagflação, algo na previsto na primeira fase da curva, (os choques de oferta com custos de fabricacao)

  2. Maria Renata Silveira Says:

    No caso da observação das expectativas racionais no Brasil, onde é dito que os planos posteriores ao cruzado chegava completamente neutralizado pela ação dos agentes, estaria o governo não prevendo os efeitos da expectativa dos agentes? Estaria ele não fazendo uma política rápida e imprevisível ao ponte de conseguir influenciar a economia da maneira desejada?

    • Elmo Zampieri Neto Says:

      Ao que parece o regime cambial adotado pelo plano real fez toda a diferença frente ao que se praticava nos planos anteriores. o que ocorreu foi o seguinte: as pessoas aprenderam que o governo congelou e tabelou preços pelo motivo inflação, portanto, eles se adiantavam sempre que havia inflação, para não ficarem “para trás” no processo de reajuste antes do proximo plano econômico. esse ajuste de expectativas em parte cria a propria inflação, também

      • Breno Henrique Selmine Matrangolo Says:

        Para Mario Henrique Simonsen em “30 anos de indexação” o grande problema da inflação brasileira das décadas de 80 e 90 se devia à grande indexação da nossa economia, nossa inflação era essencialmente inercial. O grande obstáculo para a desindexação era a falta de sincronia dos reajustes automáticos pela inflação passada. Por exemplo: os salários na época eram reajustados a cada seis meses em diferentes data bases de acordo com cada categoria, assim, sempre havia salários recém ajustados e outros atrasados em termos reais. Ao mesmo tempo, cada agentes econômico aumentava seus preços porque os outros agentes econômicos tinham aumentado os seus, e assim por diante. Os agentes, prevendo cada vez inflações maiores aceleravam a subida dos preços.
        Nesse sentido, segundo o professor da FGV, Leonardo Weller a grande diferença do Real para seus antecessores foi a transparência e a antecedência. Nenhum anúncio veio de surpresa, não houve congelamentos e as medidas foram introduzidas aos poucos. Sendo assim, podemos dizer que paralelo à mudanças importantes como a paridade com o dólar e da URV, a transparência e antecedência com que o plano foi realizado contribuíram para o ajuste das expectativas dos agentes, que conseguiram entender a economia do URV e se reacostumaram com preços estáveis.

        SIMONSEN, Mario Henrique – 30 anos de indexação
        http://20anosdoreal.epocanegocios.globo.com/

  3. Beatriz Traetta Says:

    A adoção de expectativas racionais pelos economistas como hipóteses do modelo macroeconômico nos traz juntamente a ideia de erros sistemáticos, rigidez nominal de preços e salários ou seja, é possível que haja o trade-off entre inflação e desemprego mas unicamente no curto prazo (dada rigidez), logo, a adoção de hipóteses que os agentes impactam economicamente tanto quanto o governo se torna extremamente rica e semelhante ao mundo real. É importante levar sempre em consideração todos os possíveis impactos econômicos dos agentes e saber como contorná-los para alcançar os objetivos tanto no curto como longo prazo e, chega a ser até frustrante ver que em certos momentos da história do nosso país os objetivos econômicos foram resolvidos de maneiras ineficientes como nos diversos congelamentos de preços e salários antes da implementação do plano real que tinham o objetivo de estagnar a inflação.

    • João Pedro de Andrade Rosa Says:

      Beatriz, acho que você se confundiu. As expectativas racionais trazem a hipótese que os agentes erram mais não sistematicamente, pois agentes racionais não erram sistematicamente. Então os agentes usualmente acertam emboram as vezes errem, então na média o erro é zero. O conceito de erros sistemáticos parte das expectativas adaptativas do Friedman.

      • Breno Henrique Selmine Matrangolo Says:

        Pelo desenvolvimento das expectativas racionais tal como pensado por Lucas, a política econômica só teria efeito ao surpreender os agentes, e ainda assim por um intervalo de tempo pequeno. Como citado no artigo os agentes racionais, prevendo e acertando as consequências das políticas monetárias, anularia-as num prazo curto de tempo. Nesse sentido, tanto emprego, quanto produto e salários reais seriam constantes até mesmo no curto prazo, diferentemente do conceituado por Friedman.

  4. sarah rodrigues da silva Says:

    É interessante identificar o contraste entre Friedman e Lucas, o qual, o primeiro, refere-se a ilusão monetária e o segundo a expectativas racionais, a partir disso podemos relaciona-los a fases da Curva de Phillips, sendo elas os extremos.
    Em relação ao Plano Cruzado, podemos identificar a neutralidade da moeda nas políticas do governo ou apenas a antecipação dos agentes como responsável pela sua ineficácia?

    • Elmo Zampieri Neto Says:

      penso que a referida “neutralidade da moeda” veio com friedman para termos de médio e longo prazo. a grande sacada de lucas é que a moeda também pode ser neutra a curto prazo, pelo motivo ajuste de expectativas.

      • Leon Araujo Fischer Says:

        Legal o ponto de vocês! Acho legal ressaltar também que Lucas (que continua vivo!) atualmente considera que a neutralidade da moeda seria de mais curto prazo do que discutido pelos anteriores, mas, pessoalmente, acredito que dado tudo que foi discutido também após seu trabalho, ele deva imaginar que também não seja algo instantâneo, afinal, rigidez de salários e preços é algo que podemos perceber na economia real. Em momentos com menos confiança na economia do país (como no momento do Plano Cruzado), talvez tenhamos um efeito mais fraco ainda e de menor prazo, mas considerar que o efeito seja imediatamente nulo, não entra na minha cabeça hahaha….

    • Fernando Cezar Cremonezi Says:

      Bom trabalho! Só achei as imagens um pouco desconexas com o texto do artigo abordado.
      Na minha opinião, tanto a neutralidade da moeda como a mudança nas expectativas dos agentes (devido a incredibilidade, altas taxas de inflação e recorrentes mudanças de políticas) só vieram a agravar a ineficácia da politica econômica brasileira durante os períodos anteriores a adoção do Plano Real.

  5. Matheus Soares Mattano de Lima Says:

    Uma pergunta ficou na minha cabeça ao ler o texto: quando se afirma que políticas rápidas e imprevisíveis podem ter efeito no curto prazo, o que de certa forma é uma forma do governo “enganar” os agentes privados contrariando suas expectativas, ao que me parece isso é dado como uma ação positiva do governo. Entretanto, não há que se considerar que talvez os agentes privados tivessem motivos razoáveis para suas revisões de expectativas, e que ao altera-las isso possa causar consequências negativas? Por exemplo, caso um empresário creia que a condição futura seja “x”, e o governo faça uma ação para mudar sua expectativa para “y”, isso não faz necessariamente que a condição futura seja “y” de fato, de forma que o empresário se encontrará preparado para um cenário “y” em um cenário “z” (considerando efeitos reais das políticas no cenário futuro e assim ele se distanciando do cenário “y” previsto e indo para o cenário “z”), no qual me parece razoável supor que ele se encontra em maior desalinhamento entre sua oferta e a demanda existente pelo seu produto. Me parece que para podermos considerar positivas tais alterações, deveria ser possível afirmar que ao alterar a expectativa do empresário para “y” houvesse com certeza a mudança do cenário futuro para “y”, de forma a não haver distorções, o que não me parece ser possível uma vez que o processo que ocorre no mundo real para que as previsões dos agentes se tornem mais aproximadas do que será a situação futura depende das informações recebidas pelos mesmos (preços, por exemplo) representarem uma série de outras mudanças reais que acarretaram na mudança dessa informação. Quando o governo altera uma ou mais dessas informações nas condições apresentadas, não houveram essas mudanças reais, desfazendo conexões existentes entre a expectativa futura do empresário e o real cenário futuro.

  6. Lara Faria Says:

    Os dois posts dessa semana ficaram muito bons e didáticos. Parabéns aos grupos.
    Foi admirável o avanço que o pensamento macroeconômico obteve com o conceito de expectativas racionais, e que mais tarde, aliado à rigidez nominal, nos fornecerá um bom meio de pensar em como os agentes interagem na macroeconomia atual.
    À parte, alguém sabe dizer por que houve inflação tão alta e crescimento negativo nos anos de 1981 e 1991 no Reino Unido?

    • Vitória Olivier Natal Says:

      Lara, também fiquei curiosa sobre o crescimento negativo no Reino Unido e vi que em 1982 aconteceram as Guerras das Malvinas, o que justifica o aumento dos gastos do governo nesse período, mas não por toda a década. Tal período foi justamente a época em que Margaret Thatcher era primeira ministra e encontrei um artigo bem interessante sobre a sua política macroeconômica: http://www.economist.com/blogs/freeexchange/2013/04/margaret-thatchers-macroeconomic-legacy

    • Lucas Geraldo Says:

      Lara, pelo que pesquisei, a recessão de 1980 começa com o governo tentando combater os diversos problemas da economia (em especial, a alta taxa de juros). Para isso, políticas fiscais e monetárias restritivas foram combinadas – que diminuíram consumo, exportação e investimento – assim como houve um aumento na taxa de câmbio, fazendo com que, posteriormente, a inflação – que crescia a ritmo acelerado desde o choque do petróleo de 1973 – ficasse sob controle, o desemprego subisse e o produto caísse.
      Já a recessão de 1990 pode ser explicada por uma alta na inflação (como consequência das políticas orientadas ao estímulo da demanda, que foram predominantes na década anterior), combinada com uma taxa de câmbio superestimada promovida pela adesão ao Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio – o que também impactou numa elevação da taxa de juros (mesmo em um período de recessão).

  7. Sérgio Trevelatto Amâncio Says:

    Texto excelente. Mas acho que não ficou muito claro quais os mecanismos que o governo poderia usar para tornar suas políticas críveis.
    Observamos muito incerteza sobre as políticas econômicas futuras aqui no Brasil (falta de credibilidade no governo), causando instabilidade e perdas no mercado.
    Existe algum mecanismo de controle das expectativas dos agentes que o governo poderia usar aqui no Brasil para evitar mais perdas ?

    • Lina Guerra Says:

      A credibilidade é essencial para o ajuste da taxa de inflação e, como consequência, na taxa de juros. Em “A importância da credibilidade para o equilíbrio fiscal: uma avaliação para o caso brasileiro”, a análise empírica revela que a Selic é influenciada, dentre outros fatores,pela credibilidade, assim como a razão dívida/PIB.
      A partir de 1999 houve uma melhora da administração da dívida pública, uma vez que as parcelas indexadas à Selic e ao câmbio foram reduzidas. No entanto, o gerenciamento da dívida foi relativamente dificultado pela instabilidade gerada pelas eleições em 2002. Será possível concluir, então, que a credibilidade também está associada à fatores externos e expectativas dos agentes, e não somente às políticas adotadas pelo governo?
      Além disso, o artigo explicita a necessidade de coordenação entre as autoridades monetária e fiscal de modo a evitar a intensificação do déficit e do desemprego.
      (http://www3.tesouro.fazenda.gov.br/Premio_TN/XIIpremio/divida/3afdpXIIPTN/a_importancia_da_credibilidade.pdf)

  8. Marcelo Lourenço Filho Says:

    Primeiramente, parabéns ao grupo pelo texto. Interessante observar que Lucas, seguindo a tradição clássica, não acreditava na capacidade do governo alterar variáveis reais da economia através de política monetária. Para ele, o produto em t era dado pelo seu nível natural mais a diferença entre o nível de preços em t e o nível de preços esperados para t. Assim, se a expectativa de inflação sempre estiver certa (ou: se o agente for racional), o produto estará sempre em seu nível de equilíbrio. Desta forma, os agentes não só estariam atentos à política monetária e aos déficits do governo hoje, mas também ao que acreditam que ocorrerá no futuro. Importante notar que, dado o natural conservadorismo que há entre investidores e contabilistas, situações em que os governos são pouco transparentes ou não são previsíveis fazem com que as previsões dos agentes privados tornem-se mais pessimistas e se elevem as exigências de retornos – o que, em geral, arrefece a atividade econômica.

  9. Matheus Almeida Hereman Says:

    Os textos dessa semana estão realmente muito bons. Gostaria de entrar mais no tópico de credibilidade das ações do governo e como essas expectativas podem ser manipuladas (como já abordado previamente pelo Sérgio Tavelatto).
    Como as expectativas racionais podem simplesmente anular políticas, em mercados sem rigidez nominal, realmente não há como o governo intervir nas variais reais, e a credibilidade do próprio parece que apenas afetaria a trajetória e o tempo que leva para atingir o “novo/velho” equilíbrio.
    E sobre a manipulação de expectativas é muito difícil que o governo consiga isto, advindo da própria maneira que as expectativas racionais são concebidas (elas usam como variáveis todas as informações do modelo); apesar de não haver como ter uma manipulação, a população pode ter uma certa assimetria de informação, assim com a manipulação das informações que as pessoas tem pode haver uma quebra da rigidez da da terceira fase da curva de Phillips.

    Fonte sobre (Risco Moral/Assimetria de informação): https://pt.wikipedia.org/wiki/Risco_moral

  10. Rafhael Milani Says:

    Primeiramente, parabéns ao grupo pelo excelente texto. Ao se afirmar que no Brasil, os planos sempre foram ineficazes para combater a inflação, acredito que faltou falar um pouco sobre o plano real, iniciado em 1994, que trouxe uma estabilidade na inflação do país, que antes chegava a atingir até 46% ao mês, portanto não se deve afirmar que todos os planos foram ineficazes.

    • Mariane Zanetti Says:

      No Brasil, a década de 1980 e principio de 1990 foram marcadas pela elevação dos preços relativos e pelas tentativas heterodoxas de conter o processo inflacionário representadas pelos planos Cruzado, Bresser, Verão, Collor I e Collor II. Estes cinco planos tinham como objetivo principal a estabilização dos preços e todos chegaram a reduzir os níveis de preços, mas por um pequeno intervalo de tempo de modo que todos eles se mostraram ineficientes para o controle do processo inflacionário no longo prazo. A estabilidade dos preços no Brasil só foi obtida por um período mais longo após a implantação do Plano Real em junho de 1994. O Plano Real utilizou como pilares básicos o ajuste fiscal, superávits comerciais e a desindexação das expectativas dos agentes através da utilização da Unidade Real de Valor – URV – e da economia como um todo após a implantação do Real como moeda. A URV, ao ser lastreada ao dólar, serviu de âncora cambial para que fosse feita a transição para o real. Desde então, a ancoragem cambial foi a principal fonte estabilizadora de preços até que a economia passou pela crise cambial de 1999, que colocou em cheque a viabilidade da âncora cambial. É neste momento que o Brasil adota o regime de metas de inflação.

  11. Rodrigo Diniz Mendes Says:

    Gostaria de parabenizar pelo texto. Mas queria intender como o governo poderia atuar de forma sistemica para fazer com que estas politicas sejam criveis.Pois no nosso cenário onde a incerteza sobre a política reina com vigor e uma desconfiança para o futuro que dificulta o nosso crescimento e impacta na oferta de mercado.

    • Pedro Lopes da Silva Says:

      Olá Rodrigo. Acredito que a principal maneira pela qual o governo pode atuar para tornar críveis suas políticas é através da realização de medidas que busquem tornar o seu orçamento equilibrado. Além disso, a velocidade com que o programa será implementado também é um fator muito importante para que uma política seja crível. Uma política de desinflação por meio de um programa prolongado oferecem muito mais possibilidades de mudanças políticas ao longo do caminho, do que um programa rápido, de modo que assim um programa prolongado seja menos crível que um de rápida implementação.
      Quanto ao nosso cenário atual, realmente é difícil para o nosso governo adotar políticas que tenham um alto nível de credibilidade devido aos escândalos que rondam toda nossa esfera política, mas o que talvez poderia contribuir para que isso melhore é a continuação das investigações políticas que ocorrem e o cumprimento das leis da nossa constituição de modo a não permitir que haja impunidade e injustiça.

  12. Maria Clara Tobar Says:

    Parabéns ao grupo pelo texto! Fiquei com uma duvida a respeito da neutralização mencionada. Com o aumento do nível de precos ,seguindo a estrutura de que firmas são tomadoras de preços e sem poder de mercado, elas passariam a demitir alguns trabalhadores, já que não podem repassar o aumento dos custos para os preços??

    • Carlos Eduardo Jr. Says:

      Exatamente, como os trabalhadores acabam por diminuir a demanda dada a inflação, um efeito direto das expectativas racionais, as firmas ficam sem saída pois não podem repassar mais os custos aos preços, o que causaria ainda mais a redução da demanda. Sem poder repassar e com os custos de produção em continuo crescimento (subida dos preços de matéria-prima pela inflação), a saída é a demissão, retornando o trade-off como na terceira e principalmente quarta fase da Curva de Phillips.

  13. Caio Vinícius Sousa Says:

    Texto excelente, parabéns grupo! Fiquei curioso ao ler que o modelo de Lucas toma como hipótese a concorrência perfeita, com empresas tomadoras de preço e sem poder de mercado. No mundo real, muitas vezes observamos casos que não condizem com tal pressuposto. Sendo assim, de que modo poderíamos trazer essa linha de pensamento para uma situação onde a concorrência perfeita falha?

  14. Noemi Arjona Says:

    Ótimo texto, parabéns ao grupo!
    No comentário do texto anterior eu anexei um artigo que fala a exatamente sobre a dificuldade de implantar uma politica monetária com base nas expectativas dos agentes. Um texto interessante, vale a pena ler …

    Segue o link abaixo.

    >http://www.scielo.br/pdf/ecos/v25n1/0104-0618-ecos-25-01-00147.pdf

  15. Pedro Lima Says:

    Em primeiro lugar,parabéns pelo texto. Gostaria de fazer uma pergunta em relação as diferenças entre os planos utilizados pelo governo brasileiro para tentar conter a inflação antes do Plano Real.Eles se mostraram ineficazes no longo prazo mas conseguiram certos resultados no curto prazo.Alguém saberia me dizer quais as expectativas dos agentes da época em relação ao nível de acertos desses planos? Apesar do congelamento de preços não agir na raiz do problema que gera a inflação,haviam expectativas racionais acerca de como “agir” com a possível calmaria na variação de preços?


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