Principais medidas de inflação no Brasil

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Autores: Grupo 9 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

“Inflação é um conceito econômico que representa o aumento de preços dos produtos em um determinado país ou região, durante um período. Em um processo inflacionário o poder de compra da moeda se reduz. Como o salário do trabalhador não é reajustado mensalmente, o poder de compra diminui.

A inflação tem papel marcante na história recente do Brasil, uma hiperinflação ocorreu entre as décadas de 1980 e 1990, quando a inflação exorbitante chegou a superar os 80% ao mês, ou seja, o mesmo produto chegava a quase dobrar de preço de um mês para o outro.

 

Entre os principais índices de medição de inflação no Brasil, podemos destacar o IPCA e o IGPM. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é produzido pelo IBGE desde 1979.O IPCA tem por objetivo medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias. Já o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) é uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e registra a inflação de preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.

 

O Brasil conviveu com uma das maiores taxas de variação de preços do mundo, sendo o Plano Real de extrema importância já que foi a única política capaz de ameninar a superinflação do país após dezenas de tentativas.

No período anterior a implementação do Plano, os índices do IPCA mostravam variações mensais absurdas (Figura 1), e o mesmo se aplica aos dados apresentados pelo IGPM (Figura 2) entre 1989 e 1994.

Em 1° de julho de 1994 houve a culminância do programa de estabilização, com o lançamento da nova moeda. A estabilidade e a maior previsibilidade econômica viabilizaram o aumento dos investimentos das empresas e, por consequência, o maior crescimento do país.

Com a hiperinflação superada, a economia brasileira começou a registrar baixos níveis de inflação (Figura 3), registrados também pelo INPC (Figura 4),embora, até janeiro de 1999, o regime de câmbio semifixo tenha levado o BC a adotar taxas de juros de dois dígitos, o que ajudou a provocar níveis de expansão reduzidos do PIB. Ainda naquele ano, já com a mudança para o regime de câmbio flutuante, sistema de metas de inflação e maior rigor fiscal, o Brasil começou a melhorar seus fundamentos macroeconômicos, o que foi essencial para o atual governo registrar maiores taxas de crescimento, mesmo com o aumento dos custos dos componentes importados, sendo transferidos para os preços do atacado, porém sem afetar os preços do varejo. A redução da dívida interna é outro fator que evidenciou a trajetória seguida pelo país nos últimos anos.

As metas de inflação não foram alcançadas em 2001 em razão dos choques externos e internos que atingiram a economia. A decisão tomada em elevar abruptamente a taxa Selic que vinha sendo reduzida desde 1999, como medida para conter a depreciação da moeda e a elevação dos preços, chamou a atenção dos credores externos, o que gerou uma crise no balanço de pagamentos do mesmo ano. Dados mais recentes apontam para uma recuperação do emprego, das vendas e do volume de crédito, o que pode elevar os preços.  Nesse ambiente, cabe à política monetária (definição da taxa de juros) manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para afirmar que a economia já se encontra em uma trajetória de crescimento, ainda que persista alguma incerteza, que deverá ser dirimida ao longo do tempo, sobre o ritmo desse processo, portanto, a política monetária tem o dever zelar para que as pressões inflacionárias sejam contidas.

 São quase 25 anos com a mesma moeda, mais de uma década de regime de metas de inflação com BC independente, de superávit fiscal e redução do endividamento e de câmbio flutuante, são instituições e políticas que resistiram às mudanças políticas e alterações na presidência da república.

Fontes:

SCHERER, Fernando Luiz; KOWALESKI, Paulo Sérgio; REZENDE JR., Sebastião: A DINÂMICA DA INFLAÇÃO BRASILEIRA APÓS O “PLANO REAL In Vitrine da Conjuntura, Curitiba, v.3, n. 6, agosto 2010.

[IPCA e IGP-M] Dados históricos, Sazonalidade, Metas de Inflação no Brasil e muito mais…

http://hcinvestimentos.com/2011/02/21/ipca-igpm-inflacao-historica/?hvid=NcSFP >acessado em 03.06.2017

Como os governos controlam a inflação?

http://g1.globo.com/economia/inflacao-como-os-governos-controlam/platb/ > acessado em 03.06.2017

Apontamentos sobre a inflação no Brasil entre 1994 e 2014

http://jornalggn.com.br/blog/diogo-costa/apontamentos-sobre-a-inflacao-no-brasil-entre-1994-e-2014-por-diogo-costa > acessão em 04.06.2017

 

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32 Respostas to “Principais medidas de inflação no Brasil”

  1. Beatriz Traetta Says:

    É interessante analisar que as economias dos países tem o dever de se manter crescente, apesar das flutuações de curto prazo, e que cada medida adotada pode facilitar ou dificultar este crescimento por conta de variações econômicas em todo o mundo. A adoção do plano real finalmente trouxe a confiança no governo para os brasileiros e investidores em todo o mundo que passaram por tempos de alta desconfiança na época da ditadura militar e nas altas do petróleo que aprofundaram a crise. O maior erro para esta crise ter se aprofundado foi a crença de que o congelamento de preços e salários teriam medidas efetivas quanto a inflação, mas o que ocorreu na realidade foi que apenas retardaram e aprofundaram o que estava por vir. O Brasil ter a economia extremamente fechada também foi crucial para o aprofundamento da crise, tanto que o ministro da fazenda da época Fernando Henrique Cardoso adotou medidas que abrissem a economia e que acelerassem o processo de saída da crise.

  2. Matheus Soares Mattano de Lima Says:

    É interessante notar que o plano real, tão importante para o retorno de alguma estabilidade econômica, foi uma política econômica em muito espelhada na utilizada na Alemanha da década de 20, conhecida como rentenmark, e que o Gustavo Franco, um dos principais participantes do plano real, é um especialista no assunto o que com certeza auxiliou na correção do curso das políticas tentadas no país para resolver o problema da inflação.

    • Mariane Zanetti Says:

      Matheus, muito interessante a lembrança da Alemanha.
      Várias são as semelhanças a serem encontradas entre os casos dos surtos inflacionários na Alemanha e no Brasil. A primeira delas, e imprescindível para entender os dois processos, é que ambos apresentavam causas inerciais assim como causas de desequilibrio financeiro, e que os planos econômicos de estabilização só perduraram porque tiveram credibilidade perante o público de que atacariam as duas causas da inflação. Outro resultado importante que podemos extrair da comparação do Plano Real com o Rentenmark é que o equilíbrio fiscal do orçamento do governo não foi pré requisito para as duas estabilizações, ao menos no curto prazo. A estabilização alemã estava em curso por quase um ano quando as soluções do Plano Dawes foram apresentadas, e o panorama macroeconômico brasileiro pós implementação do Plano Real foi conturbado por muitos anos
      após a estabilização. No que diz respeito ao mecanismo de estabilização em si, a maior diferença entre a implementação do rentenmark e do URV se dá no fato de que o primeiro era um moeda indexada e o segundo um índice moeda. No caso do rentenmark, tivemos durante algum tempo uma dualidade efetiva de moedas em circulação. Por outro lado, o URV permitiu que a fase de reforma monetária viesse depois de uma fase de ajustes. Em seu cerne porém, os dois planos incorporavam processos de mercado, nos quais os preços eram ajustados na
      nova moeda, simultaneamente ao abandono progressivo da moeda antiga.

  3. Leon Araujo Fischer Says:

    Legal o texto! Alguém sabe se outras economias também passaram por situações de hiperinflação como foi no Brasil? Se sim, quais as causas?

    • Maria Renata Silveira Says:

      Em 1946 a Hungria sofreu um sério caso de hiperinflação, de tal forma que o nível de inflação aumenta em uma taxa de cerca de 195% ao dia e os preços dobravam a cada 15 horas.
      Devido aos esforços do governo voltado para a guerra, o a produção no país estava muito baixa.O financiamento da guerra se deu através de emissão de moedas e isso aumentou bastante a moeda em circulação dentro dessa economia.Como guerra gera instabilidade, a desconfiança do consumidor se vazia presente, de tal forma que eles optavam por controlar seus gastos e poupar a maior parte de seus rendimentos. Juntando tudo isso, teve-se uma dos maiores casos de inflação já registrados na história.
      No final do conflito, se observava um excesso de oferta de moeda em uma economia que não oferecia produtos em quantidades suficientes. Isso é explicado pela equação π=gm-gy, de tal forma que o crescimento da moeda foi maior que o crescimento da renda/produto. Sendo assim, obteve-se inflações positivas, se tratando, nesse caso, de números altos.

    • João Pedro de Andrade Rosa Says:

      Leon, essa matéria da Exame fala de casos de outros países com situações de hiperinflação. A matéria trás mais seis casos de outros países.

      http://exame.abril.com.br/economia/os-6-piores-casos-de-hiperinflacao-da-historia/

  4. Caio Vinícius Sousa Says:

    Ótimo texto grupo! Vale observar que, apesar de para muitos a hiperinflação brasileira parecer extrema, ela não chegou nem perto das taxas observadas na República de Weimar após a Grande Guerra (onde os preços chegavam a dobrar a cada dois dias em 1923) ou na Hungria após a 2a Guerra Mundial (onde os preços chegavam a dobrar a cada 15 horas). Além disso, o Brasil estava inserido em um contexto em que vários países da América Latina enfrentavam também situações de hiperinflação, com variados níveis de sucesso ao lidar com a situação. Acredito que isso explicita a complicada natureza dos problemas econômicos: mesmo com casos passados e presentes a serem estudados, não é fácil moldar determinadas soluções à realidade nacional. Inventividade e sensatez constantes tornar-se então características indispensáveis nos governantes.

    • Lucas Geraldo Says:

      Legal você abordar a questão da hiperinflação na América Latina, Caio. Nesse contexto, acho interessante de estudar o caso do Peru, que nos permite observar claramente muitas coisas que vimos em sala, como os efeitos de um ambiente “inseguro” (causado, nesse caso, pela alternância entre regimes democráticos e militaristas) na tomada de decisões pelos agentes, assim como as consequências de uma crise do petróleo. Esses fatores, dentre outros, fizeram com que o Peru alcançasse, na década de 80, uma inflação diária de 5%, com preços dobrando a cada 13 dias, aproximadamente.

  5. sarah rodrigues da silva Says:

    Acho interessante, após ler o texto poder relacionar a inflação, a incerteza, taxa de juros e taxa de desemprego que como foi citado acima, em 2001 a maior incerteza compromete a longo prazo um crescimento da economia, por haver uma instabilidade no mercado, alem de crises internas afetarem o nível geral de preços, como foi também citado os não pagamentos. Visto isso, podemos relacionar com a situação atual, a grande incerteza política causada pelos escândalos da corrupção também compromete o crescimento econômico do pais, além do declínio da taxa de desemprego que ocorreu no fim do ano passado, proporcionou a queda da inflação nesse ano e assim, a taxa selic também tende a cair devido a menor demanda.

    • Rodrigo Diniz Mendes Says:

      Vejo também desta forma, após ler o texto consigo unir os assuntos aprendidos em aula, relacionando a inflação, aos termos taxa de juros,incerteza e nível de desemprego, afetando o crescimento econômico no longo prazo, mostrando que como o país na maioria das vezes a sua política vive andando em meios conturbados, com o nível de incerteza sempre alarmante isso afeta drasticamente o crescimento de nossa economia e também aumentando bastante os juros e com isso o nível geral de preços, fazendo com que muitos brasileiros estejam desempregados.

  6. Carlos Eduardo Jr. Says:

    O plano real foi muito importante para a estabilização da inflação no Brasil, mas é importante refletirmos o porquê tivemos uma hiperinflação no país. A hiperinflação brasileira tem suas raízes em meados dos anos 70, durante o chamado “milagre econômico brasileiro”, em que o país apresentava altos índices de crescimento, dado os estímulos de produção interna a base de suntuosos empréstimos internacionais.
    Com a crise do petróleo, os empréstimos se tornaram menores e mais escassos, tornando a situação do “milagre” do crescimento insustentável, de modo que a moeda vigente perdia seu valor e os constantes reajustes de preços deram início à um processo inflacionário que, tentado ser controlado por diversas terapias e planos econômicos falhos, mergulharam o país em uma situação somente controlada no plano real.
    A hiperinflação brasileira foi um caso tão isolado, que recebeu um apelido de “jabuticaba econômica”, a fruta muito doce que só nasce em terras tupiniquins, visto somente em países que sofreram com eventos catastróficos internamente (como guerras e desastres naturais). Podemos dizer que o processo inflacionário do Brasil foi causado por uma gestão irresponsável economicamente.

  7. Matheus Almeida Hereman Says:

    Ótimo trabalho. Gostaria de criar uma reflexão de como esta explosão de inflação afeta as expectativas dos agentes; principalmente afetando a eficiência marginal do capital, e a expectativa de inflação dos agentes, sendo estes dois fatores distorcidos por conta da alta, quase que exponencial, da inflação. E os fatores resultantes podem ser observados nos gráficos apresentados no corpo do texto.
    Com a piora nas expectativas dos agentes sobre a situação economia faz com que a situação se agrave, e uma expectativa de maior inflação faz no, curto prazo, que a inflação aumente mais ainda; este tipo de análise serve para nos mostrar que os agentes é que fazem a economia no curto prazo, e que a expectativa deles é tão importante quanto qualquer outro indicador econômico.

    • Lina Guerra Says:

      Matheus, muito interessante a sua contribuição. Nesse contexto, é pertinente analisarmos o Indicador de Expectativa de Inflação dos Consumidores visando tentar prever os rumos econômicos no curto prazo. Por meio dessa ferramenta, as decisões de âmbito privado são influenciadas, assim como a regulação das políticas econômicas de curto prazo.

  8. Pedro Lopes da Silva Says:

    Parabéns pelo trabalho! Conforme mencionado no texto, o Plano Real, realizado durante o governo FHC, foi de fato um plano econômico muito bem bolado que conseguiu retomar o crescimento econômico do país após um dado período de recessão. Entretanto, acho importante sempre buscarmos ter uma visão bem ampla sobre os diversos aspectos de políticas econômicas. Logo, embora seja claro o papel do Plano Real na estabilidade de nossa moeda e na retomada do nosso crescimento, um outro lado do Plano Real é que através de algumas medidas por ele realizadas como manutenção do câmbio valorizado e abertura comercial, as importações no Brasil eram muito estimuladas e impediam que empresas brasileiras aumentassem seus preços ( uma vez que assim a concorrência com o mercado externo seria impossível ), de modo a diminuir o crescimento da indústria nacional.

  9. Isabela Simabukuro Says:

    Parabéns pelo texto! Relacionando desemprego e salários, obtêm-se a relação de que quanto maior a taxa de desemprego, menor é o salário. Em relação à taxa de inflação e à taxa de inflação esperada, obtêm-se a relação de que um aumento da inflação esperada leva a um aumento da inflação efetiva.De acordo com Blanchard (2009), um aumento no nível esperado de preços leva a um aumento de igual magnitude do nível de preços efetivo. Se os fixadores de salários esperam um nível de preço mais alto, fixam um salário nominal mais alto, o que leva a um aumento no nível de preços. Uma maior taxa de aumento de nível de preços em um determinado período implica uma inflação mais alta. Um aumento no nível de preços esperado gera uma inflação esperada mais alta. Então um aumento da inflação esperada leva a um aumento da inflação.

  10. Marcelo Lourenço Filho Says:

    Primeiramente, parabéns ao grupo pelo texto. Sobre as medidas de inflação, gostaria de trazer à discussão dois efeitos interessantes e de difícil mensuração: o efeito substituição e o efeito Cantillon. Dado que cada um tem uma cesta de consumo próprio, a cesta agregada acaba por não detectar que, com os preços aumentando, as pessoas passarão a adquirir outros produtos (por vezes inferiores) que ofereçam o mesmo preço de antes – a este fenômeno é dado o nome de efeito substituição. O efeito Cantillon, nome dado pelo economista Mark Blaug, compreende que o aumento da oferta monetária (que se manifestará sob a forma de inflação) tem diferentes efeitos sobre a economia, a depender da forma como e em que setores este “dinheiro novo” foi injetado: quem o pegou primeiro, o gasta com os preços ainda em baixa, obterão vantagem sobre quem o gastará no futuro, quando os preços estarão mais elevados. Desta forma, depreende-se que a inflação pode ter diferentes efeitos sobre diferentes setores econômicos, sendo, ao menos a curto prazo, não-neutra.

    • Breno Henrique Selmine Matrangolo Says:

      Olá Marcelo. Pensando sobre estes dois efeitos citados, me veio a mente algumas considerações levantadas por André Luiz Medrado Barboza em sua tese de mestrado defendida na FEA-SP. De acordo com esse autor, devemos sempre considerar também os efeitos que a inflação causa sobre a desigualdade de renda. Embasado em autores como Albanesi e Soto, ele encontra uma relação positiva entre inflação e o aumento da desigualdade de renda. Esta desigualdade seria causada por alguns fatores, dentre eles: 1. diferentes elasticidades da demanda por trabalho, sendo que o trabalho qualificado estaria menos sujeito às flutuações econômicas de combate à inflação. 2. Quanto maior a renda, maior, e mais barato, é o acesso aos serviços financeiros. Os mais ricos teriam também uma parcela maior de seus rendimentos alocada em capital do que os pobres (proporção maior de sua renda em gastos mínimos de subsistência). Como os mais ricos detêm proporcionalmente menos moeda, sofreriam menos a sua desvalorização, protegendo-se conforme a inflação se eleva, diferentemente da parte mais pobre da sociedade.

  11. Ricardo Reis Ricci Says:

    Interessante notar também o papel importante que o controle da inflação acarreta na sociedade em geral. Com a estabilização econômica cria-se um ambiente mais propicio para a abertura de empresas, uma maior segurança nos contratos, por consequência uma melhor mensuração no risco sistêmico. No âmbito social, reduz-se a desigualdade de distribuição de renda. Em época de grandes variações, ninguém fica com dinheiro na mão, quem tem possibilidade logo compra imoveis e outros bens que possa carregar valor no tempo.

  12. Sérgio Trevelatto Amâncio Says:

    Vale lembrar que quando a população já está acostumada com a hiperinflação, o país perde a capacidade de amenizar crises econômicas através da política monetária.
    Quando a expectativa racional entra em cena, os agentes da economia só negociarão seus salários indexados a índices de preços. Ou seja, a relação entre desemprego e inflação desaparece.
    Logo podemos concluir que o Real foi também decisivo para o governo retomar o controle da economia contra choques exógenos.

    • Fernando Cezar Cremonezi Says:

      Cabe aqui também acrescentar, que devido a hiperinflação ocorrida nos períodos anteriores a implantação do Plano Real e às grandes variações na taxa de inflação até hoje percebidas, acabam por criar e enraizar uma cultura interna nos brasileiros por uma certa aversão a poupar e/ou investir, tanto dos indivíduos como das firmas. Já que a previsibilidade de períodos posteriores é incerta.

      • Lina Guerra Says:

        Realmente, Fernando! Além disso, o brasileiro tende a preferir possuir bens físicos (como um carro, terreno ou casa) por acreditar ser mais seguro, uma vez que, no período de inflação violenta, os imóveis perdiam relativamente pouco valor, quando comparados aos outros bens.

  13. Lara Faria Says:

    Parabéns ao grupo pelo trabalho!
    É válido considerar que, como dito pela Beatriz, um grande erro do plano cruzado “foi a crença de que o congelamento de preços e salários teriam medidas efetivas quanto a inflação”, na década de 80. O resultado dessa medida acabou sendo uma crise de abastecimento.
    Alguém saberia explicar por que a inflação medida pelo IPCA teve um pico tão alto em março de 1990 e depois caiu tão abruptamente?

    • Elmo Zampieri Neto Says:

      Oi Lara, o período em questão se remete ao Plano Collor 1, onde houve uma desmonetização do país. Se apegando a Teoria Quantitativa da Moeda, basicamente é diminuir a quantidade de moeda.
      O artigo na wikipedia, não tão profundo, porém suficiente, permite entender as “torneirinhas” por onde o dinheiro escapava do plano, e pressionou os preços para cima.
      As medidas iniciais da politica economica de Collor eram

      O plano foi anunciado em 16 de março de 1990, um dia após a posse de Collor.[2] Suas políticas planejadas incluíam:[6]

      80% de todos os depósitos do overnight, das contas correntes ou das cadernetas de poupança que excedessem a NCz$ 50mil (cruzado novo) foram congelados por 18 meses, recebendo durante esse período uma rentabilidade equivalente a taxa de inflação mais 6% ao ano.
      Substituição da moeda corrente, o cruzado novo, pelo cruzeiro à razão de NCz$ 1,00 = Cr$ 1,00[9]
      Criação do IOF, um imposto sobre as operações financeiras, sobre todos os ativos financeiros, transações com ouro e ações e sobre todas as retiradas das contas de poupança.
      Foram congelados preços e salários, sendo determinado pelo governo, posteriormente, ajustes que eram baseados na inflação esperada.
      Eliminação de vários tipos de incentivos fiscais: para importações, exportações, agricultura, os incentivos fiscais das regiões Norte e Nordeste, da indústria de computadores e a criação de um imposto sobre as grandes fortunas.
      Indexação imediata dos impostos aplicados no dia posterior a transação, seguindo a inflação do período.
      Aumento de preços dos serviços públicos, como gás, energia elétrica, serviços postais, etc.
      Liberação do câmbio e várias medidas para promover uma gradual abertura na economia brasileira em relação à concorrência externa.
      Extinção de vários institutos governamentais e anúncio de intenção do governo de demitir cerca de 360 mil funcionários públicos, para redução de mais de 300 milhões em gastos administrativos.

    • João Pedro de Andrade Rosa Says:

      Lara, acredito que possa ter relação com o aumento relativo dos preços de bens de investimento como diz o artigo, a maior variaçao pode ser consequência dessa proximidade com o vale da redução de investimentos.
      “Em 1980, a taxa de investimento, a preços constantes desse mesmo ano, era de 23,6% do PIB. Em 1990, o indicador tinha caído para 15,5% do PIB e continuou a diminuir até atingir em 1992 o vale de 14% do PIB (Gráfico 2). Essa queda refletiu tanto a menor poupança agregada, particularmente as menores poupanças pública e externa, como também o aumento do preço relativo dos bens de investimento, resultado da própria instabilidade econômica e das políticas públicas adotadas para combatê-la”

      Fonte:https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/2972/1/1999_A%20economia%20brasileira%20nos%20anos%2090_P.pd

  14. Elmo Zampieri Neto Says:

    Alguem poderia me explicar as principais falhas nos planos de política monetária anteriores ao Real? o assunto me suscitou essa curiosidade, após inúmeras tentativas, assinadas por gabaritados economistas, como elencar “o que deu errado?” até então?
    sou mt grato se alguem souber entrar em detalhes.
    parabens ao grupo, excelente trabalho

    • Maria Clara Tobar Says:

      Olá Elmo. Os planos que antecederam o Plano Real foram os Planos Cruzado e Plano Cruzado II, Plano Bresser, Plano Verão, Collor I e II.
      O plano Cruzado tinha como principal medida o congelamento de preços. A inflação foi diagnosticada como inercial de forma que os preços eram reajustados para recompor a inflação passada (formação de “expectativas adaptativas”), criando uma espiral de aumentos, como na versão aceleracionista da curva de phillips. Contudo, não houve redução nos gastos do governo, proporcionando o crescimento da demanda agregada e o consumo explodiu, de forma que havia um excesso de demanda gigantesco, resultando no desabastecimento do mercado.
      “Pode-se afirmar que as causas desse desequilíbrio que levou novamente ao aumento inflacionário após o descongelamento, segundo Lanzana (2010, p. 119), foram a política fiscal expansionista, com aumento de gastos e queda de receita; política monetária expansionista com aumento da oferta de moeda e taxas de juros reduzidas; aumento expressivo do salário real; e a própria conjunção desses fatores, que leva a um quadro de explosão de demanda e desequilíbrio externo.”
      O plano Cruzado 2 foi uma tentativa de controlar o consumo e o déficit público através do aumento de tarifas e impostos. Os automóveis foram reajustados em 80%, o combustível em 60% e a energia elétrica em 35%. Mas notou-se que este plano estava servindo para financiar o déficit público e que o plano foi um incremento maior da inflação, despertando um enorme descontentamento da população.
      O Plano Bresser trouxe um novo congelamento de preços, com validade de 3 meses; a desvalorização do câmbio visando aumentar as exportações e obter receita em dólares e corte no déficit público. O plano fracassou e a inflação ultrapassava 360%.
      Podemos notar que o grande vilão era o déficit público. Apesar do Plano Bresser ter adotado a medida de congelamento, como no Plano Cruzado, buscou fazer com que houvesse maior sustentação, pois fazia reajustes periódicos. No entanto também chegou ao fracasso e ao analisarmos seu contexto, vemos que seus problemas ocorreram pelo aumento do déficit público, já que o governo aumentou a arrecadação, mas ampliou também os gastos, na área de pessoal e encargos. O novo meio de reajustar os salários e o teto dos preços, também tornou-se um erro, e houve muito a desvalorização cambial. Diante desses fatos houve novamente a reaceleração cambial, necessitando assim a criação de um novo Plano.
      O Plano Verão anunciou o terceiro congelamento de preços e a troca da moeda para o cruzado novo. Foi adotada uma política fiscal contracionista, via corte nos gastos do governo.
      O Plano Collor I, trazia como marco o confisco das poupanças, contas correntes e ativos financeiros. A inflação deveria ser contida com a limitação brusca de recursos em circulação na economia, com o corte de gastos do governo e dos poupadores. Preços são congelados, salários passam a ser corrigidos pela previsão de inflação do mês seguinte.
      O Plano Collor II, para tentar desestimular a indexação, extingue o overnight (aplicações de curtíssimo prazo que tinham como objetivo preservar os investimentos da corrosão da inflação). Menos de um mês depois, empresários e trabalhadores já demonstram insatisfação. Este proporcionou enormes desajustes às cadernetas de poupança e não conseguiu impedir que a inflação voltasse a se acelerar. Entre outros fatores como a quebra na safra agrícola, a falta de produtos provocada pela redução das empresas oligopolistas que não possuem concorrentes e dominam suas fabricações e preço, o Plano Collor II não obteve grandes resultados. Sem apoio político, governo não consegue levar adiante plano e inflação chega ao fim do ano em 472%, com a economia em rota de recessão.
      FONTES:
      http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/06/1477505-pais-teve-varios-planos-economicos-para-controlar-a-inflacao-conheca.shtml
      http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/plano-real—20-anos/noticia/2014/07/01/brasil-teve-sete-planos-economicos-e-dez-moedas-antes-do-real-133659.php

    • Noemi Arjona Gomes Says:

      Olá Elmo.
      Sua indagação me despertou interesse. No artigo “A inflação e os Planos Cruzado e Real:
      uma interpretação institucionalista”, os autores abordam o impacto da expectativa dos agentes, que ao conviverem com um alto nível de inflação, o naturalizaram, dificultando o processo de mudança proposto no Plano Cruzado. Segue o link abaixo.

      >http://www.scielo.br/pdf/ecos/v25n1/0104-0618-ecos-25-01-00147.pdf

  15. Jader da Silva Berck Says:

    A falta de confiança na economia brasileira foi o principal fator causador dessa crise de uma década. Da perspectiva das expectativas racionais, em que os agentes formadores de salários levam em consideração a inflação de períodos inferiores, fica mais claro o fato de que o índice de preços não apenas subia, mas subia ACELERADAMENTE. O Fantasma da Inflação assombra o Brasil até hoje, 30 anos depois, e as expectativas são o que dá ao fantasma a possibilidade de voltar. Afinal, moeda fiduciária tem já intrínseca a necessidade de confiança, e isso o Banco Central não controla, ao menos não diretamente. O poder do BC em combater o fantasma está na SELIC, mas abre-se aí um novo dilema: Combater a inflação no curto prazo ou incentivar o investimento e o crescimento no médio e longo prazo?

    • Vitória Olivier Natal Says:

      Jader, também acho muito interessante questão da confiança no governo e no próprio sistema econômico e o como a falta dela pode afetar a economia do país – um sistema econômico que não tem confiança do povo é insustentável. Políticas econômicas despreocupadas com a inflação, gastos exorbitantes do governo e inclusive a “contabilidade criativa” fazem com que o consumidor (e investidor) perca a confiança em uma economia. Já um governo com transparência e que tenha certa previsibilidade em suas políticas públicas passa uma maior cedibilidade gerando um ambiente mais propício ao consumo e investimento e, portanto, ao crescimento.

  16. Maicon Leonardo Says:

    Na perspectiva das expectativas racionais é interessante notar que o sistema de metas, adotado pelo Brasil em 1999, funciona como um instrumento de política econômica no sentido de induzir os agentes, uma vez que incorporarão essa informação em suas previsões futuras, a adotarem uma inflação esperada próxima a estabelecida pela meta, o que
    reforça a importância de se manter a inflação efetiva dentro das bandas definidas como forma de mostrar a credibilidade
    desse sistema e por consequência manter a sua efetividade como instrumento de política econômica.


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