Crise do subprime no Brasil: Marola ou tsunami econômico?

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Autores: Grupo 7 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

“Em 1990, devido a expansão do liberalismo, o cenário internacional passou a adotar medidas de desregulamentação de seus sistemas financeiros. Com a criação deste mercado financeiro unificado, houve um aumento da competitividade entre os bancos, resultando na diminuição da lucratividade das operações bancárias.  Como alternativa, os bancos americanos começaram a expandir o mercado de crédito imobiliário para clientes com histórico de crédito “sujo” (histórico de hábitos financeiros pouco saudáveis), também conhecidos como clientes subprime. Os contratos dessa linha de crédito eram formados com juros fixos nos primeiros 2 anos e, após este período, as taxas eram indexadas, tornando-se exorbitantes e aumentando os déficits das famílias subprime. Os preços dos passivos reais eram maiores do que seus ativos financeiros e geraram uma dívida insolvente.

Os investidores, percebendo este comportamento, começaram a vender seus títulos e derivativos que, com o excesso de oferta, obtiveram uma desvalorização. Assim, a unificação do mercado financeiro, que fazia com que os ativos não pertencessem apenas aos estadunidenses, mas também aos empresários do mundo inteiro, proporcionou o alastramento da crise via sistema financeiro.

O primeiro impacto sentido no Brasil foi a restrição de crédito internacional, gerando decréscimo das  exportações brasileiras e diminuição de crédito na economia doméstica. As empresas diminuíram seus investimentos produtivos, afetando a venda e produção principalmente dos setores agrícola, automobilístico, de construção civil, de móveis e eletrodomésticos. Entretanto, esse abalo sobre a economia brasileira foi amenizado graças ao expressivo aumento do Produto Interno Bruto (PIB), com base no aumento do consumo, taxa de investimentos e exportações, observados desde 2004.  Apesar de observarmos em 2009 uma retração de 0,33% do PIB (figura 1), ela se torna mínima, se comparada com o efeito da crise em países desenvolvidos (figura 2).

Projeção: JPMorgan – Global Data Watch, 19 de Outubro de Fonte: FMI. Elaboração: Idéias Consultoria.

Esse ciclo de crescimento acelerado em conjunto com as medidas anticíclicas adotadas em 2008 possibilitaram tendências de recuperação da economia brasileira nos períodos seguintes. As medidas adotadas incluíram: a expansão de liquidez da moeda estrangeira e doméstica, afim de reduzir a volatilidade do preço do dólar e os impactos da crise; e  oferecer maior disponibilidade de empréstimos para agentes financeiros. Já as políticas expansionistas (monetárias e fiscais) buscaram a reduzir a taxa de juros e amenizar as possíveis oscilações no PIB.

Frente à esse cenário, os resultados obtidos foram: redução do processo de desvalorização do câmbio, com o aumento da liquidez da moeda estrangeira e o aumento de  crédito aos setores mais afetados. Isso permitiu uma certa constância na taxa de desemprego, pouco comum em períodos de recessão. Os bancos públicos federais tiveram papel importante ao financiar os bancos comerciais e impulsionar a liquidez do mercado de créditos. Portanto, mesmo em meio a crise, o volume de crédito doméstico cresceu e possibilitou estabilidade do sistema financeiro.

Os objetivos do Governo brasileiro de aumentar a liquidez, à partir da expansão de crédito e da desoneração de impostos, foram eficientes: houve um aumento no consumo (decisivo para superar a recessão) e um crescimento da economia no período seguinte. Apesar dessa rápida retomada, a crise do subprime gerou uma dívida pública pelo conjunto de medidas anticíclicas, que em conjunto com a queda das exportações brasileiras (especialmente para China após a crise européia) e a política fiscal implementada entre 2010 e 2011 diminuiria o crescimento do PIB mais uma vez, apresentando em 2015 o pior resultado dos últimos 25 anos.”

 

Bibliografia

Deus, L.N.; LIMA, T. D., A crise de 2008 e seus efeitos na economia. Revista Cadernos de Economia, Chapecó, v. 17, n. 32, p. 52-65, jan./jun. 2013

JUNIOR, A.C.C.A.C.; MOREIRA, M. B. S. Interação entre políticas monetária, fiscal e cambial no Brasil. Economia e Desenvolvimento, Recife (PE), v. 12, no 1, 2013

FERRAZ, F. C. Crise financeira global: impactos na economia brasileira, política, econômica e resultados. 2013. Dissertação (de Mestrado em Economia) – Curso de ação em Economia (PPGE), Universidade Federal do Rio de Janeiro.

NETO, E.D. Análise da Política Econômica Brasileira no Pós-crise de 2008. Departamento de Economia – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Julho de 2015

Economia brasileira cresceu 0,9% em 2012, diz IBGE, G1 São Paulo. 01 de março de 2013

<http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/03/economia-brasileira-cresce-09-em-2012-diz-ibge.html> Acessado em 17.05.2017

Brasil está entre as 10 economias de menor crescimento em 2015. Época Negócios.

16.06.2015 <http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Resultados/noticia/2015/06

/brasil-esta-entre-10-economias-de-menor-crescimento-em-2015.html> Acessado em 17.05.2017

Brasil tem terceiro pior crescimento econômico do G20 em 2014. BBC Brasil. 27 de março de 2015 <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/03/150326_pib_

brasil_comparacao_fd> Acessado em 17.05.2017

Referência dos gráficos

Figura 1: IPEADATA

Figura 2: FMI. Projeção: J.P. Morgan. Elaboração: Ideias Consultoria

 

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35 Respostas to “Crise do subprime no Brasil: Marola ou tsunami econômico?”

  1. Larissa Gonçalves Barbosa Says:

    Parabéns ao grupo, excelente texto! Gostaria de ressaltar que, como dito no texto, foram realizadas políticas expansionistas, já que durante a crise de 2008, o governo adotou diversas medidas para aumentar o consumo e diminuir o desemprego (PAC, expansão de crédito do BNDES, incentivos fiscais), com a finalidade de não deixar o país sentir muito os efeitos da crise. Contudo, o governo continuou com essas políticas por tempo demais, inclusive durante a redução dos investimentos internacionais, diminuindo o nível de produção industrial e serviços, causando desemprego e mais intervenção estatal, o que acabou sendo insustentável. Deixou resultados como os que se pode observar atualmente, o número cada vez maior de desempregados, a dívida pública com valores exorbitantes, juros altos, entre outros.

    • Noemi Arjona Says:

      Obrigado pelo complemento informacional, Larissa. Infelizmente o ultimo paragrafo não conseguiu exprimir todas as informações necessárias dos rumos economicos de nossa economia entre 2010 e 2016 devido ao limite de caracteres que tivemos que obedecer. Por esse motivo, mantivemos um enfoque maior nas medidas fiscais e monetárias frente à crise do subprime e os impacto econômico nos períodos subsequentes.

      • Breno Henrique Selmine Matrangolo Says:

        Em 2008, quando eclodiu a crise financeira, o sistema bancário brasileiro encontrava-se bem capitalizado e sem exposição aos títulos subprime do mercado imobiliário americano. Por esse motivo, as medidas adotadas pelo Governo e pelo Banco Central visaram, principalmente, compensar a diminuição da liquidez dos mercados financeiros, conforme apontado pelo texto do grupo.
        Nesse sentido, a existência de um considerável volume de depósitos compulsórios acabou por possibilitar ao BCB injetar essa liquidez no sistema bancário fazendo uso deste instrumento da política monetária. O conjunto de medidas relacionadas aos compulsórios ocasionaram uma redução do montante agregado de R$ 250 bilhões para aproximadamente R$ 180 bilhões.

        OBS: Para efeitos de curiosidade o volume de recolhimentos compulsórios em 2016 (março), atingiu a margem de R$398,7 bilhões, sobre os quais o encaixe de poupança apresenta a maior participação (31,58%), seguida da Exigibilidade sobre recursos a prazo (28,47%), Exibilidade Adicional sobre Depósitos (23,65%) e, por fim, Recursos à Vista (16,30%).

        http://www.bcb.gov.br/conteudo/home-ptbr/FAQs/FAQ%2012-Dep%C3%B3sitos%20Compuls%C3%B3rios.pdf

  2. sarah rodrigues da silva Says:

    A crise do subprime é um assunto pelo qual me interesso e procuro ler sobre, em vista disso, ainda tenho duvidas sobre como as instituições financeiras, com a disponibilidade de tantas informações se interessam por iniciar um encadeamento de venda de títulos, a qual é previsível que o mercado a longo prazo haja de forma irracional visando a oportunidade de lucrar e portanto, desencadeie no futuro “um ciclo de não- recebimento “.
    Por mais que se cobre o alto risco através do juros, para mim, fica claro que seria possível “prever” tal não pagamento e evitar uma futura crise, mas a oportunidade de certa forma de “ganhar dinheiro fácil” vista pelas instituições ultrapassa suas preocupações com o longo prazo.

    • Matheus Soares Mattano de Lima Says:

      Olá Sarah. Creio que a resposta para o porque dos operadores do sistema financeiro americano terem se envolvido com esses títulos de baixíssima qualidade não se encontra no fato das oportunidades de ganhar dinheiro fácil terem ultrapassado as preocupações de longo prazo dos agentes, mas sim nas intervenções nas cadeias de incentivos realizadas pelo governo americano.
      O que ocorre é que muitas das hipotecas em que esses títulos eram lastreados não deveriam existir primeiramente, mas foram impelidas por: 1- leis do governo americano que forçavam “cotas” de empréstimos ou facilitações a certas minorias da sociedade mesmo que os indivíduos que os recebessem tivessem uma avaliação de crédito que normalmente não receberia o dinheiro para a compra de imóveis, o que fez com que quando estourou a crise, muitos dos que possuíam hipotecas simplesmente não tivessem mais como paga-las; 2- A existência das agencias Fannie mae e Freddie mac, que eram empresas que existiam para comprar, seguradas por dinheiro público, os títulos de hipotecas dos bancos, fazendo com que os riscos dessas transações não mais caíssem sobre os bancos o que diminuía os riscos e os incentivava a fazerem mais transações desse tipo, além do fato de que a compra permitia, por motivos contábeis, que o banco fizessem mais operações desse tipo também; 3- O sistema de determinação de riscos oligopolista, e por isso mesmo muito atrelado tanto ao governo quanto aos seus “controlados”, que não quis ir de encontro aos interesses destes 2 grupos de pressão e manteve a avaliação desses títulos como máxima mesmo com a qualidade péssima que possuíam;
      4- As taxas de juros se mantiveram artificialmente baixas principalmente do período de 2001 a 2004 e houve um aumento gigantesco na base monetária americana, o que impulsionou ainda mais a criação de hipotecas e inclusive a especulação em cima das mesmas.
      Outros fatores que também ajudam são as mudanças nas regras de contabilidade usadas que trocam princípios que protegiam os investidores de flutuações para outros que ampliam a ação destas, e o fato de que é simplesmente muito difícil para os agentes do mercado saírem do boom enquanto ele ocorre, porque saber quando ele acabará é uma avaliação muito difícil, e se feita de forma errada pode levar a perda de mercado em favor daqueles que continuam a surfar nos efeitos da bolha, o que causa prejuízos imediatamente ao agente e não garante uma recuperação futura do mesmo.
      Como tentei expor aqui, apesar de haver sim erros dos agentes privados na crise, estes erros foram possibilitados e incentivados em muito pelo próprio governo americano, que ao tentar atingir certos objetivos acabou causando não intencionalmente uma série de problemas.
      Uma coletânea de artigos que tratam bastante desse lado da ação do governo na crise de 2008 se encontra nesse link: http://mises.org.br/Ebook.aspx?id=8

      • Ricardo Reis Ricci Says:

        Infelizmente os argumentos dos mises esquecem, ou querem esquecer, que na ponta dos negócios, estão os vendedores e agente financeiros sagazes por seus bonus nas vendas dos títulos de hipoteca, que de forma irresponsável vendiam diversos imoveis a mesma pessoa, com baixíssimos scores de credito. Que aliados a falta de regulamentação, foi multiplicado por apostas, digo apostas por serem efetivamente apostas sobre o mercado de derivativos. Caso similar ja aconteceu aqui em nosso pais nos casos dos Leasing na década de 90.
        A falta de regulação no mercado financeiro não faz sentido, para todo e qualquer angulo que se olhe, pois sempre se busca no lucro no curto prazo pelos agente financeiros que invariavelmente são grandes empresas, que possuem o domínio em mercados particulares. Até que a luz chegue sobre suas ações, após isso o prejuizo sempre será do estado

      • Marcelo Lourenço Filho Says:

        Ricardo, ao que me parece, creditar a responsabilidade pela crise a “vendedores e agente financeiros sagazes por seus bonus nas vendas dos títulos de hipoteca” não é uma análise ponderada. É curiosa também a atribuição que se faz dessa crise ao “neoliberalismo” ou ao “laissez-faire”. À época, a Heritage Foundation estimou que, só em Washington, D.C., o epicentro da crise, mais de 12 mil pessoas trabalhavam na regulamentação do mercado financeiro. Talvez a crítica maior seja à “ganância” dos agentes (incontornável, como sabemos) e que por isso é quase irresistível pedir mais e mais intervenções do estado na economia. A questão, porém, é quando a irresponsabilidade dos agentes é subsidiada pelo governo. Foi o caso que culminou na crise de 2008.

        Entre 2003 e 2005, após a Bolha da Internet, o Fed baixou de tal forma os juros que estes chegaram a ficar, em termos reais, negativos. A alguns, isso pareceu muito bom, uma vez que o consumo e os investimentos aumentaram consideravelmente, mas os perigos de desatrelar o crédito da poupança são imensos. Para não citar austríacos, a Anna Schwartz, da Escola de Chicago, já alertava sobre isso muito antes da bolha estourar. Percebê-lo não é das tarefas mais complexas: com crédito artificialmente barato, as pessoas são induzidas a assumir dívidas que, quando os juros voltarem a subir, não mais serão capazes honrar.

        Associado a isso, há ação persistente das paraestatais Freddie Mac e Fannie Mae, citadas pelo Matheus, e a chamada Lei de Reinvestimento Comunitário (CRA), fortalecida pelo governo Bill Clinton. As duas primeiras agências citadas, sob tutela do departamento de habitação dos EUA, passaram a exigir que os bancos passassem a oferecer percentuais cada vez maiores de seus financiamentos para pessoas de baixa renda. Ao mesmo tempo, forçaram para que os pagamentos de entrada dos imóveis caíssem de 20% para incríveis 3%. E mais: sob pretexto de impedir a “discriminação” de pessoas mais pobres por parte dos bancos, o CRA criava uma série de punições para bancos que se negassem a fazer empréstimos para pessoas com histórico ruim de crédito. Resultado: empréstimos passaram a ser feitos para pessoas que não tinham nenhuma condição de com eles arcar.

        E a minha pergunta é: que tipo de livre mercado é esse?

        Com a inadimplência se espalhando pela cadeia de crédito, as grandes instituições, que dependiam desse capital para dar prosseguimento às suas operações, foram à bancarrota. Neste ponto, quando você critica que “o prejuizo sempre será do estado”, creio que podemos concordar. Eu só diria que o prejuízo foi da sociedade (sempre bom lembrar que o estado vive de sorver a atividade produtiva). Alguns economistas, como Hayek, compreendiam o mercado como um processo de aprendizagem, via sistema de preços. Decisões corretas são premiadas enquanto que as más são punidas. É evidente que, se um empreendimento vai à falência, foi por ter feito previsões erradas ou por ter sido induzido a determinado comportamento (como neste caso). Neste sentido, a falência é um processo imprescindível para a evolução dos mercados, e ideias como o “too big to fail” são sempre absurdas, uma vez que decisões ruins são incentivadas.

        Alguns links de artigos que acho interessantes sobre o tema:

        – Heritage Foundation sobre a crise: http://www.heritage.org/report/meltdowns-and-myths-did-deregulation-cause-the-financial-crisis
        – The CRA Scam and its Defenders: https://goo.gl/Wmusvk
        – Paper de 2004 de Lawrence White sobre os malefícios do financiamento imobiliário estatal (via Freddie Mac e Fannie Mae): https://object.cato.org/pubs/pas/pa528.pdf

  3. Beatriz Traetta Says:

    Podemos perceber que a expansão do liberalismo na economia fez com que tornasse habitual a busca por lucros independentemente dos impactos que eles causam. Investidores de todo o mundo que investiam em títulos americanos ranqueados como triple A sofreram e sofrem até hoje com a crise do mercado imobiliário americano, e por “sorte” a massa da população brasileira sofre de falta de informação sobre investimentos o que fez com que o país não sofresse grandes impactos negativos decorrentes da crise. Porém se pararmos para refletir quão positivo isso é, efetivamente? Qual o custo de oportunidade de não sofrer estes impactos? Será o de uma população majoritariamente sem conhecimento em mercados financeiros, que tem hábitos como o de se afundar em dívidas de crédito rotativo?

    • Matheus Soares Mattano de Lima Says:

      Olá Beatriz. Não Pude deixar de notar que o seu comentário (a primeira parte ao menos), tem um ponto de vista muito parecido com o do Hyman Minsky, falando do desenvolvimento de uma economia “laissez-faire” teria uma tendência a causar graves danos a si mesmo periodicamente. Esse artigo http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=451 tenta fazer uma crítica a essa visão, apontando como intervenções estatais tem papel importante nessas crises quando elas ocorrem. No meu comentário acima sobre a contribuição da Sarah ao debate, eu também expus alguns pontos que tentam por em xeque até que ponto a crise se deu à expansão do liberalismo, como você falou e o próprio texto afirma.

      • Maria Clara Tobar Says:

        Olá Beatriz.
        O custo de oportunidade de não sofrer os impactos da crise na época resultaram, segundo o economista Jefferson Viera, em um déficit fiscal muito forte.”O governo não consegue fechar as contas públicas e a inflação está muito alta”. Jefferson atribui isso à intervenção contínua do governo na economia.”O problema do Brasil é que o governo entrou e não saiu. O filme “A grande aposta”, mostra que o governo americano entrou na economia por dois ou três anos e depois saiu. O brasileiro entrou em 2006, 2007 e continuou até agora”.
        Ainda, o governo americano, preocupado com a saúde econômica do país, começou a emitir títulos (lastreados) para cobrir o enorme déficit.No Brasil, a situação semelhante: o governo teve que pegar dinheiro do Tesouro para pagar a dívida, resultando nas chamadas pedaladas fiscais. O economista ainda afirmou que “O ‘x’ da questão é que chega determinado momento em que é necessário devolver o dinheiro. Alguém tem que pagar a conta. Ou a sociedade paga a conta ou é necessário criar mecanismos para cobrar”.
        No caso brasileiro, a sociedade está pagando, como podemos verificar os aumentos expressivos dos impostos nos últimos anos.
        Fonte: http://www.jornalopcao.com.br/reportagens/crise-que-quebrou-os-estados-unidos-em-2008-tem-muito-dizer-atual-situacao-financeira-do-brasil-57111/

      • Lina Guerra Says:

        Clara, achei muito interessante a discussão sobre a governança corporativa brasileira que você trouxe. O modelo brasileiro (e o latino-americano em geral) é marcado por uma governança recente, embrionária, porém de relevância crescente.
        Vemos, nesse modelo, uma tradição jurídica baseada no Código Civil Francês, com um enforcement baixo. Assim, como as leis e regulações são relativamente enfraquecidas, o governo nem sempre consegue implementar as políticas com sucesso. Além disso, os conflitos de agência ocorrem geralmente entre os acionistas majoritários e minoritários. O Conselho de Administração vêm justamente com o objetivo de minimizar esses conflitos, tentando atender a múltiplos interesses, e garantir que os relatórios econômico-contábeis não contenham fraudes por meio da auditoria.
        Nesse contexto, a CVM (mesmo com a falta de controle verificada no caso Petrobrás), atua como um mecanismo capaz de regular o mercado e proteger o investidor (http://www.cvm.gov.br/menu/acesso_informacao/institucional/sobre/cvm.html).

  4. Carlos Eduardo Jr. Says:

    É importante observar que de 2003-2010, consolidada a estabilidade macroeconômica do Brasil (certo que seu início se dá no segundo mandato de FHC), lança o Brasil numa onda de crescimento, como a tendência mundial no período. Uma situação de estabilidade controle da taxa de juros, situação inflacionária sem grandes flutuações como em décadas anteriores e o mais importante, o fator China (como o primeiro gráfico indica) ou seja, como nosso grande exportador de commodities, teve grande influência no crescimento do produto brasileiro.
    É certo também que o Brasil se tornou uma rota para investimentos estrangeiros, uma grande entrada de capital que é demonstrada na taxa cambial do período, registrando taxas vistas no início do plano real. Nesse período, a oferta de crédito estava em larga expansão no país, principalmente para a classe média. Durante a crise do subprime (títulos “podres” imobiliários), o produto nacional não mostrou tanta retração como nos EUA e Europa, mas os efeitos vieram posteriormente.
    Como os bancos são interligados, a falência de instituições financeiras nos EUA ocasionou a diminuição e até encerramento da oferta de crédito à nível mundial, e como o Brasil era um dos grandes potenciais de investimento, sofreu com a redução do capital estrangeiro, sobretudo na área industrial (forte retração da produção industrial). A crise não afetou de forma imediata pois o país ainda estava “surfando” na onda de crescimento chinês, e por esse efeito, o governo adotou políticas expansionistas, na contramão mundial de retração pós-crise. Os reflexos dessa política se deram em 2014, e que mantém o país na recessão atualmente.

  5. Isabela Simabukuro Says:

    Parabéns pelo texto. Gostaria de complementar dizendo que como os empréstimos subprime eram dificilmente liquidáveis, não geravam nenhum fluxo de caixa para os bancos, esses bancos arquitetaram uma estratégia de securitização desses créditos. Para diluir o risco dessas operações duvidosas, os bancos americanos credores juntaram-nas aos milhares, e transformaram a massa daí resultante em derivativos negociáveis no mercado financeiro internacional, cujo valor era cinco vezes superior ao das dívidas originais. Assim, criaram-se títulos negociáveis cujo lastro eram esses “créditos podres”. Foi a venda e compra, em enormes quantidades, desses títulos lastreados em hipotecas subprime que provocou o alastramento da crise, originada nos Estados Unidos, para os principais bancos do mundo.

    • Fernando Cezar Cremonezi Says:

      Ótimo trabalho conduzido pelo grupo, apesar do tema ser bem extenso e termos uma quantidade limitada de palavras para conduzi-lo. O que a Isabela Simabukuro comentou é uma verdade, porém também cabe ressaltar que os bancos além de securitizar os créditos subprimes gerando um mercado de derivativos sobre esses créditos, esses derivativos eram também compactados em novos produtos financeiros e vendidos a outras instituições financeiras, potencializando ainda mais os lucros/prejuízos e a especulação de todos os lados no mercado financeiro. E isso fica bem condizente com o que o grupo apresentou logo no início do trabalho quando comentou quanto à expansão do liberalismo e aumento da desregulamentação do sistema financeiro e consequentemente aumentando a competitividade entre bancos, diminuindo a sua lucratividade, forçou os bancos a criarem instrumentos e produtos financeiros cada vez mais complexos para que seu objetivo (lucro) fossem atingido. De um tempo pra cá, vemos cada vez mais as instituições financeiras criando áreas altamente especializadas em métodos quantitativos, contratando matemáticos, físicos, estatísticos, tanto para criarem esses produtos financeiros complexos, como para preverem os caminhos da economia, só que não podemos esquecer que existe o lado humano nas equações e esses são difíceis de serem eficazmente de serem mensurados (dados as expectativas racionais, assimetria de informações, etc), o que tornam essas modelagens matemáticas uma “bomba relógio”. Dado a globalização, a interconexão entre os mercados financeiros e o uso desses métodos quantitativos cria-se um ambiente extremamente instável, um sistema caótico (teoria do caos) que parafraseando Edward Lorenz (meteorologista do Instituto de Tecnologia de Massachussetts), “O bater das asas de uma borboleta no Brasil pode iniciar um tornado no Texas”. Até onde a tentativa de quantificar a economia pode nos beneficiar?
      A quem se interessar, segue algumas sugestões:
      – Filme: A Grande Aposta
      – Filme: Margin Call – O Dia Antes do Fim
      – Documentário: Inside Jobs
      – Documentário: The Quants, os Alquimistas de Wall Street: https://www.youtube.com/watch?v=kdMEdGbmZAE
      – Teoria do Caos: https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_caos

  6. Elmo zampieri neto Says:

    Pode-se considerar que a soluçao paliativa da crise de 2008 deixou as sementes para a desaceleração atual? O governo deveria ter agido menos pós crise?

    • Noemi Arjona Says:

      Olá Elmo. Muito interessante a sua pergunta.
      As medidas anticíclicas adotadas em 2008 foram bem-sucedidas para o objetivo naquele período. Por esse motivo, torna-se reducionista definir tais soluções como paliativas. Sobre a segunda parte de sua indagação, a Larissa fez um comentário ótimo a respeito. E como ela expõe, prolongamento dessas medidas, em conjunto com outros fatores (queda da taxa de exportações, políticas fiscais implementadas entre 2010 e 2011) contribuiriam para a construção de um cenário de desaceleração observada nos períodos posteriores.

  7. Pedro Lima Says:

    Procurei ler um pouco mais sobre o assunto e encontrei muito sobre Minsky e a Hipótese da instabilidade Financeira,onde ele fala sobre a necessidade de intervenção estatal para suprir a existência de mercados incompletos oriundos da incerteza em sistemas financeiros.Porém,estas mesmas instituições é quem asseguram que haja liquidez suficiente nesse crédito “artificial” que iniciou toda a crise.Gostei muito do texto mas ele me fez questionar se as causas iniciais da crise do subprime e as ações tomadas para diminuir seus efeitos na economia brasileira não são “doses” diferentes de medidas semelhantes.

  8. João Pedro de Andrade Rosa Says:

    Parabéns ao grupo pelo trabalho. É importante lembrar que como alertava a The Economist em 2008, embora o Brasil estivese em vantagem na recuperação, haviam algumas fraquezas na economia brasileira. Por exemplo os gastos do governo cresciam mais rapido que a economia como um todo, o custo de vida vinha aumentando, os serviços publicos apresentavam uma péssima qualidade, os problemas com corrupção estavam aparentes e também o carga tributária excessiva. Contudo em 2013 ainda acreditava se ser possível uma melhora economica se fossem estruturadas as reformas, o que não ocorreu e em junção com as medidas tomadas no governo DIlma, que reduziram o nível de confiança do mercado no Brasil, nos levou a uma retração do produto.

    Artigo de revisão : http://www.econ.puc-rio.br/uploads/adm/trabalhos/files/Eduardo_Diuana_Neto.pdf

  9. Ricardo Reis Ricci Says:

    Juntamente com esses dados, um fator que podemos nos atentar é quanto ao endividamento das famílias e seu crescimento nesta ultima década, principalmente como olhamos para o setor da construção civil. No levantamento mais recente do Banco Central, aponta para cerca de 42% das famílias, com dividas, grande parte oriundas de credito habitacional, devido a politicas recentes de tomada de credito, na tentativa do governo em manter o aquecimento econômico. Entretanto com o crescimento do desemprego e período de recessão, dados já apontam para um crescimento da inadimplência. Curiosamente ja podemos notar nos balanços dos Bancos, um provisionamento maior para devedores duvidosos.

  10. Sergio Trevelatto Amancio Says:

    Como os ativos financeiros dos EUA se desvalorizaram (consequência do excesso de oferta) não era para ter elevado a taxa de juros americana? O que aconteceu, na verdade, foi uma queda para aproximadamente 1%
    https://pt.tradingeconomics.com/united-states/interest-rate (Fonte)
    Qual a explicação econômica para isso ?

    • Breno Henrique Selmine Matrangolo Says:

      Não podemos deixar de falar também que as agências de rating tiveram papel direto na crise financeira de 2008. Tanto a Moody’s quanto a Standard & Poor’s, as principais agências classificadoras de risco dos Estados Unidos, avaliaram grande parte dos títulos do subprime com a nota AAA, o que indicaria baixíssimo risco, o que levou milhares de investidores a uma armadilha financeira. As agências de rating, ao indicar o risco a todos os investidores, tem a função de evitar a assimetria de informações e garantir maior eficiência do sistema financeiro, mas a partir do momento em que estas não agem com transparência e boa conduta, dão falsas sinalizações ao mercado, abalando a estrutura de confiança e a formação de expectativas dos investidores.

      • Pedro Lopes da Silva Says:

        Sim Breno, realmente é muito importante ressaltar o papel das agências classificadoras de risco na crise de 2008. Mas além disso, é preciso também ver que elas só puderam atuar da maneira como fizeram devido ao grande jogo de interesses que se passava na política dos Estados Unidos, uma vez que mesmo antes da crise houveram tentativas de evitar esse desastre quando autoridades políticas e econômicas foram alertadas sobre os grandes perigos que cercavam um baixo nível de regularização dos mercados financeiros. Infelizmente, o grande lucro trazido para algumas instituições financeiras através de empréstimos de alto risco falou mais alto de modo que todos esses alertas foram ignorados
        O documentário Inside Job,ganhador do Oscar de 2010, retrata muito bem tudo isso, quem tiver interesse vale a pena assistir! http://blogdomello.blogspot.com.br/2011/07/inside-job-na-integra-e-com-legendas-em.html

      • Lara Faria Says:

        A primeira parte do documentário “Inside Job” (“Como chegamos aqui”) explica bem o que o Breno está falando a respeito das classificações atribuídas pelas agências de classificação. O que houve foi falta de regulamentação, além de imprudência e desonestidade por parte das agências classificadoras de risco.
        Em setembro de 2008, a Federal Housing Finance Agency – FHFA (Agência Federal de Financiamento Habitacional), anunciou que Fannie Mae e Freddie Mac sofreriam intervenção governamental. Foi uma das mais drásticas intervenções do governo no mercado financeiro privado em muitas décadas. No mesmo mês houve a maior falência da história americana, do Lehman Brothers. O mais incrível é que todas estas entidades tinham classificações AA ou AAA dias antes!

      • Thaís Vieira Says:

        Uma prática que retrata essa situação de desregulação e imprudência mencionada pela Lara foi a securitização, um instrumento que agrupa/empacota vários ativos financeiros, em sua maioria de crédito e financiamento, para negociá-los no mercado financeiro. Assim no período da crise os bancos agrupavam milhares de hipotecas subprime e prime e, com isso, camuflavam o risco real dos créditos cedidos para famílias de risco, dificultando a mensuração de risco destes papéis para outras instituições financeiras. Segundo o economista Ricardo Amorim “Em linhas gerais, a securitização de hipotecas imobiliárias permitia aos bancos repassar o risco para outras instituições, que em geral não tinham acesso ao real perfil de risco das operações”. Isso permitiu que os bancos norte-americanos repassassem esses “títulos podres” para os mercados financeiros globais, espalhando o risco de inadimplência pelo mundo e gerando o cenário da crise.

  11. Pedro Lopes da Silva Says:

    Qual grau de relevância vocês acreditam que as eleições de 2010 tiveram para esse uso prolongado de políticas que visavam aumentar o consumo da população brasileira pós crise de 2008? Será que essas medidas de fato, tiveram um maior peso político que econômico em si? Pois parece insustentável esse grande aumento do consumo sem o aumento respectivo da produção no período.

    • Maria Clara Tobar Says:

      Pedro, fiquei com a mesma dúvida que você. Fui procurar alguma notícia sobre o assunto e acabei encontrando uma entrevista com Pedro Videla, ex-consultor do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Segundo ele, “As mudanças estruturais que são necessárias para aumentar a produtividade do País não foram feitas. Foram feitas mudanças muito importantes, como a estabilização [através de políticas monetária e fiscal]. Essa é o que se chama a primeira onda de reforma. Falta se mover para a segunda onda de reformas. Sem querer me meter na política local, a percepção de fora é que, diante dessa situação, o atual governo, em vez de fazer as reformas estruturais, sobrevive a curto prazo, aumentando mais as distorções.”
      Portanto, concordo com você que o aumento do consumo sem o aumento respectivo da produção foi uma medida anticíclica que se tornou insustentável.

    • Ricardo Reis Ricci Says:

      Foi feito o uso da politica monetária expansionista para ajudar a economia no periodo da recessão, na tentativa de voltar ao nivel natural de produto. Entretanto a neutralidade da moeda mostra mais uma vez que a politica monetária não consegue sustentar o produto mais elevado para sempre. Creio que nossa taxa de desemprego natural seja um tanto alta.

  12. Maria Renata Silveira Says:

    Ao que me parece, de fato, as políticas anticíclicas adotadas pelo governo brasileiro foram exitosas e conseguiram diminuir naquele período os impactos da crise.Entretanto, há constatações de que o prolongamento dessas medidas pode ter jogado o problema para frente e as consequências se fazem presentes atualmente.
    Dessa forma, até que ponto a manutenção dessas políticas foi de fato necessária? No quesito de até quando ela se fez de fato necessária?

    • Henrique Lima de Siqueira Says:

      Eu também tenho essa dúvida, Maria Renata. Apesar do êxito inicial em conter os impactos da crise no Brasil, as políticas naquele momento implementadas aparentam ter sido mantidas por tempo demais, e talvez com intensidade maior do que o necessário. Nossa crise atual parece ter em sua raiz pelo menos alguns elementos causados pela intervenção iniciada em 2008. De acordo com dados do próprio IBGE, desde 2013 o investimento produtivo vem caindo no Brasil, e a produção industrial também tem caído em ritmo cada vez mais acelerado. Será que a manutenção dessa intervenção por tão prolongado período não foi um agravante de nossa atual crise e depressão?

  13. Mariane Zanetti Says:

    Parabéns ao grupo pelo trabalho!!
    Fiquei curiosa sobre a diminuição do crescimento do PIB citada no final do texto e fui procurar mais a respeito:
    Do fim dos anos 90 até o início de 2012 houve um aumento significativo no preço das commodities no mercado internacional, impulsionado pela crescente demanda chinesa. Foi um momento muito positivo para a economia brasileira, historicamente dependente da exportação de matérias-primas e produtos agrícolas. Mas dada a crise financeira de 2008, mesmo o país tendo sido um dos últimos a sentir os efeitos da crise,a fraca demanda internacional no pós-crise levou à desaceleração do crescimento brasileiro. Para manter a economia aquecida, o governo decidiu apostar em medidas anticíclicas e estimular o consumo. A taxa básica de juros foi reduzida em 2009 e 2010, impostos foram cortados e o gasto público expandido por meio de ambiciosos programas de investimento em infraestrutura. Em 2010 o país registrou uma taxa de crescimento do PIB de 7,5%, a maior expansão desde 1986, mas o estímulo ao consumo e a forte demanda por produtos não foram acompanhados pelo crescimento na produtividade. A indústria brasileira foi a primeira a dar sinais de que a coisa não ia bem. A forte entrada de dólares durante o superciclo das commodities fez com que o real se valorizasse de forma artificial, minando a competitividade da indústria manufatureira. “Houve uma invasão de produtos importados da China e a indústria nacional não acompanhou, não conseguiu competir. Em 2006 a balança comercial de produtos manufaturados no Brasil teve superávit de US$ 5 bilhões. Apenas cinco anos depois, em 2011, nós passamos a um déficit de mais de US$ 92 bilhões”. Os preços subiram e para manter a inflação sob controle o novo governo lançou uma política fiscal mais austera, elevando a taxa de juros para mais de 12% em 2011. Mas com a piora do contexto internacional devido à desaceleração da economia chinesa, no fim do mesmo ano, a equipe do governo voltou atrás e decidiu retomar as políticas anticíclicas, reduzindo novamente a taxa básica de juros, cortando impostos e ampliando o gasto público. “Houve um exagero nos gastos e subsídios, gerando um aumento da dívida pública e o endividamento das famílias”. Para Carlos Primo Braga, ex-diretor do Banco Mundial, o grande erro cometido pelos líderes políticos brasileiros na última década foi focar demais no consumo e se esquecer da produtividade. “No Brasil, nos primeiros dez anos deste século, o salário real aumentou mais que a produtividade. Isso pode ser bom do ponto de vista da distribuição de renda, mas não é sustentável no longo prazo. Vários problemas foram se acumulando e resultaram na crise que estamos vivendo”, afirma.

  14. Caio Vinícius Sousa Says:

    Parabéns ao grupo pelo excelente trabalho.
    Creio que o último trecho do texto traz um foco diferente a um assunto tratado em posts passados: a situação atual da economia brasileira. Acredito que temos aqui, frente à situação caótica mundial, a tomada de algumas decisões que poderiam explicar, em parte, a crise atual. A meu ver, um possível desafio seria elucidar as relações e a interatividade entre os fatores que nos trouxeram até aqui. A partir da definição das causas políticas e econômicas, externas e internas, passadas ou presentes, o diálogo em torno de possíveis soluções tornaria-se mais elucidativo e produtivo.

  15. Lucas Geraldo Says:

    Bom trabalho, pessoal. Quando fui procurar sobre a crise de 2008 e seus impactos no nosso país, descobri que, no mesmo ano, foi criado um fundo soberano com a função de “prover recursos para o Brasil num momento de turbulência econômica”. Alguém pode esclarecer o funcionamento desse fundo e como ele atua (se é que ele atua) nos dias de hoje?
    Fonte:
    http://www.lefigaro.fr/economie/2009/01/06/04001-20090106ARTFIG00333-le-bresil-se-dote-d-un-fonds-souverain-contre-la-crise-.php

  16. Leon Araujo Fischer Says:

    Muito bom o texto… Cabe uma reflexão: as crises de grandes economias do mundo passam a ser generalizadas com a unificação do mercado financeiro, os governos tomam medidas para resolvê-las e acabam tendo que adotar situações nunca adotadas antes. Os EUA, por exemplo, alteraram drasticamente o endividamento interno, alguns países da Europa chegaram a adotar taxas de juros negativas, o Brasil aumentou sua dívida, e assim vai… Quão possível seria uma crise que acabasse com o sistema que vivemos?

  17. Vitória Olivier Natal Says:

    Primeiramente, parabéns ao grupo pelo texto! O que me intriga sobre a crise do subprime é a intensidade a qual ela refletiu no Brasil – obviamente, o crescimento do país antes da crise não foi mais observado e toda a estrutura macroeconômica não é mais tão estável. Queria entender também a causa do crescimento econômico também não ter se “conservado” – talvez porque o crescimento do PIB consistia basicamente de um aumento do consumo, que teve o crescimento não acompanhado pela própria produtividade da indústria brasileira?
    Outro fator curioso é o não controle ou fiscalização (não sei qual seria a melhor descrição) dos créditos sujos. Não poderia o próprio banco central intervir para que isso não acontecesse de modo a evitar futuros problemas?


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