Evolução da taxa de juros e inflação brasileira desde 1999

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Autores: Grupo 5 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

No início de 1999, com o fim do câmbio fixo e num ambiente marcado pela incerteza quanto ao impacto da desvalorização do Real sobre a inflação, o governo anunciou que passaria a conduzir a política monetária por base no sistema de metas; estabelecido em junho de 1999.

O regime de metas de inflação é um regime monetário em que o Banco Central (BCB) age de modo a fazer a taxa de inflação convergir para uma meta pré-estabelecida. Seu objetivo é ancorar as expectativas de mercado que, de forma geral, orientam o processo de formação de preços na economia.

A meta e as bandas (o intervalo de tolerância) para a inflação são decididas e anunciadas pelo Conselho Monetário Nacional. Já a medida de inflação adotada é o IPCA cheio, tendo um ano calendário como período para o cumprimento da meta. Cabe ainda ao BCB cumprir as metas de inflação através da determinação da taxa básica de juros de curto prazo da economia (Selic), principal instrumento de política monetária.

O Comitê de Política Monetária (Copom), composto pela diretoria do BCB, se reúne a cada 45 dias e estabelece a meta para a Selic, e cabe ao BCB mantê-la próxima à meta. Como ela é utilizada como parâmetro, é a partir dela que as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos.

Se o governo deseja estimular o consumo e movimentar a economia, ele reduz a Selic. Se a economia está aquecida e a inflação começa a subir demais, ele a aumenta – os empréstimos voltam a ficar mais caros e as pessoas consomem menos, freando o aumento dos preços, disto vem o trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego. Numa economia aquecida há mais vendas e menos desemprego, entretanto, se a oferta não acompanha a demanda, os produtos podem ficar escassos, causando inflação.

Nos períodos em que a inflação ultrapassa o limite, o presidente do BCB divulga uma carta aberta ao ministro da Fazenda justificando o motivo do descumprimento da meta, o que ocorreu nos anos de 2001 a 2003 e 2015.

Em 2001, a alta inflação esteve associada à desaceleração da economia mundial, aos efeitos da crise argentina e aos ataques terroristas nos Estados Unidos. Internamente, houve crescimento acentuado dos preços administrados por contrato, principalmente das tarifas de energia (crise energética), o que aumentou a incerteza sobre o futuro da economia brasileira. Para conter a inflação o BCB elevou a Selic, fechando em 19%. Complementando a política de juros, o BCB também elevou o percentual das reservas compulsórias e fez intervenções no mercado cambial.

No curto prazo taxas de juros mais baixas levam a um produto maior estimulando o investimento e a demanda por produtos, levando a um aumento dos preços. No médio prazo um aumento da inflação vai diminuir a moeda real na economia, assim a taxa de juros aumenta. O resultado no médio prazo é uma taxa nominal de juros maior, na mesma proporção da inflação (efeito Fisher). Isto pode ser observado no gráfico abaixo.

De 2005 a 2013 vemos um relativo declínio da taxa de juros real, chegando ao seu menor patamar histórico no primeiro trimestre de 2013. A insustentabilidade dessa política fez com que, a partir de maio de 2013, o BCB iniciasse a recomposição da taxa de juros real aos patamares anteriores, sob o pretexto de combater a inflação.

Em 2015 o aumento acentuado da inflação se deveu ao crescimento da demanda acima da oferta e principalmente à liberação do aumento dos preços administrados, como luz, água e combustíveis, represados no ano anterior.

Atualmente as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, Por conta do cenário de recessão na economia, a inflação está em queda. Depois de somar 10,67% em 2015 e 6,29% no ano passado, a previsão dos economistas é de que o IPCA fique em 4,43% em 2017, abaixo da meta central de 4,5%, assim o BCB reduz s Selic para estimular a atividade econômica.

 

Fontes:

BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5ª Edição: Pearson Prentice Hall, 2011.

CONTRI, André Luís. Taxa de Juros e Inflação no Brasil. In Carta de Conjuntura FEE, Ano 23, número 03, 2014.

COUTO, Ana Cristina et alli. O regime de metas de inflação no Brasil: Características e algumas críticas aos seus principais fundamentos. In A Economia em Revista, Volume 18, número 2, Dezembro de 2010.

MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 8ª Edição. Rio de Janeiro: LTC, 2015

Série “Perguntas Mais frequentes”, Banco Central do Brasil, Regime de Metas para a inflação no Brasil”

 

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30 Respostas to “Evolução da taxa de juros e inflação brasileira desde 1999”

  1. Carlos Eduardo Jr. Says:

    Boa noite. Segundo a dedução do artigo, há um trade-off entre o desemprego e a inflação, mas em 2014 até meados de 2015 tivemos uma disparada da inflação e simultaneamente do desemprego no Brasil. O que explica esse movimento conjunto?

    • Lina Guerra Says:

      Olá, Carlos! Um dos principais fatores geradores da inflação consistiu na ruína das contas públicas, mesmo com as políticas promovidas pelo Banco Central e na previsão do aumento do déficit primário. Nesse cenário complexo, era essencial que houvesse a retomada da confiança do consumidor para que houvesse uma base para a melhora econômica.
      O desemprego se devia à fragilidade da criação de empregos. Além disso, acreditava-se que a curva de Phillips estava cada vez mais achatada, o que aumentava o custo de se combater a inflação (uma inflação menor geraria um maior desemprego no curto prazo).
      Um outro fator potencial de aumento no desemprego consistia na conjuntura internacional. A China, nesse período, estava desacelerando, o Japão estava em recessão, a zona do euro crescia lentamente e os países emergentes também estavam relativamente inertes devido à queda do preço das commodities.
      Fontes: http://exame.abril.com.br/economia/inflacao-e-desemprego-atingem-niveis-recordes-no-brasil/
      http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,o-desemprego-em-2015-imp-,1572708

    • Mariane Zanetti Says:

      A taxa natural de desemprego depende das características de cada tipo de mercado: salário mínimo, poder dos sindicatos, a teoria dos salários eficientes e a facilidade, ou não, de se procurar trabalho; enquanto a inflação depende, principalmente, da taxa de crescimento da oferta de moeda, variável essa controlada pelo Banco Central. No curto prazo a sociedade enfrenta um tradeoff entre inflação e desemprego: se expandirmos a demanda agregada podemos diminuir o desemprego, mas ao custo do aumento da inflação e se contrairmos a demanda agregada podemos diminuir a inflação, mas ao custo do aumento do desemprego. No entanto, no longo prazo, inflação e desemprego não estão relacionados, ou seja, políticas monetárias podem ser efetivas no curto prazo, mas não no longo prazo.

  2. Sarah rodrigues da silva Says:

    Podemos então relacionar a situação interna do país em 2001 com a atual? Devido ao crescimento acentuado dos preços administrados por contrato, como a energia que, aumentou em 2001 e aumenta nos dias de hoje ? Esse aumento,também seria uma causa para o aumento da incerteza sobre o futuro da economia atualmente, assim como foi em 2001?

  3. Leon Araujo Fischer Says:

    Já fazem alguns anos que os números se mantêm sempre um pouco acima da meta. Em 2015, por exemplo, chegamos a uma taxa acima de 10%. De certo modo, as crises pelas quais o país passava já indicavam que os níveis de inflação iriam aumentar, a questão é, sabendo que a inflação se tornaria maior, o governo teria como agir ainda mais fortemente sem afetar a vida das pessoas, evitando as taxas altas (que já eram esperadas)? Até que ponto o governo consegue ou não fazer alguma coisa para convergir os valores para as metas?

  4. Beatriz Traetta Says:

    É notável a correlação entre a taxa básica de juros e a inflação acumulada pelos períodos de tempo. As metas de inflação para os anos de 2107 e 2018 está em 4,5% (com a tolerância de 1,5% para cima ou para baixo), ou seja, confiando-se que tais metas serão cumpridas, a redução que vem ocorrido na SELIC recentemente tenderá a se repetir, ou seja, se reduzirá ainda mais do que os atuais 11,25% com previsões de até 9% ao final do ano corrente e de 8,5% no início do ano que vem. Porém, apesar de ser clara a tentativa de reaquecimento da economia, a instabilidade política ainda é extremamente forte e afeta as decisões dos agentes. Sendo o ano de 2018 um ano de eleições presidenciais, acredito que seja possível que este reaquecimento não será suficiente para fazer com a economia flua como o desejado pelo COPOM.

  5. Ricardo Reis Ricci Says:

    Não seria interessante analisar esses dados de inflação juntamente com o PIB? Tenho a impressão que quando falamos de inflação vemos um dragão querendo destruir tudo, mas ao meu entender, posso estar equivocado, o papel do controle desse indicativo vem sendo efetivo, o indicador encontra-se em um patamar “tolerável”.

  6. Ricardo Reis Ricci Says:

    Se houver algum curioso como eu, segue link das cartas ao ministro.
    https://www.bcb.gov.br/pec/cartaaberta.asp

  7. Ricardo Reis Ricci Says:

    Talvez uma maneira alternativa do controle da inflação, seria o ataque as condições que interferem no aumento dos custo, desvalorização cambial e preços controlados. Não apenas ao controle pelo nível da demanda agregada, temos outros componentes da inflação que podem ser trabalhados.

    • Rodrigo Diniz Mendes Says:

      Acredito na mesma coisa, já que repetidamente acontece essa tentativa de controlar a inflação pela demanda agregada, visto que as soluções que partem desta não conseguem um resultado que tenha estabilidade ao longo do tempo devido às constantes flutuações na demanda agregada, por isso compactuo com a mesma idéia que vc Ricardo.Deveriam tentar por soluções alternativas as quais também impactam na inflação, como você mesmo disse , temos a opção de entender a desvalorização cambial, fatores que aumentam o custo entre outras tantas que são partes da causa inflação.

      • Elmo Zampieri Neto Says:

        Estes outros componentes da inflação seriam os preços administrados? segurá-los (ou baixá-los) estáveis gera endividamento do governo e de suas empresas, e gera aumento na renda disponível, o que será revertido em consumo multiplicado pela propensão marginal ao consumo, ou seja, não me parece tão efetivo, pois gerará alta nos preços do varejo.
        As medidas cambiais parecem eficientes contra a inflação (vide 1° governo FHC), vejo uma dificuldade do governo em usar suas reservas e dar poder de compra ao real novamente, o que supriria nossa demanda agregada a curto prazo até futura estabilização política e econômica. Outro ponto positivo no ganho de poder aquisitivo do real é uma queda na taxa de juros, que aumenta o investimento, e dá condições de crescimento na demanda agregada para o futuro, com consumo em alta, confiança retomada, e juros baixos.
        No entanto é necessário que essa medida não seja aplicada ad infinitum, e também não liquide todos os dolares, para que não iluda os agentes a bancar um alto padrão de vida e de importações acima da demanda agregada, já alta, sob pena de, a médio e longo prazo, não ter efeito na economia.

      • Elmo Zampieri Neto Says:

        ERRATA:
        Outro ponto positivo no ganho de poder aquisitivo do real é uma queda na taxa de juros, que aumenta o investimento, e dá condições de crescimento na *OFERTA* agregada para o futuro, com consumo em alta, confiança retomada, e juros baixos.

  8. João Pedro de Andrade Rosa Says:

    Realmente foi bem pontuado a análise conjunta do PIB. Observando os picos de inflação de 2002 e 2015, em conjunto com os dados do PIB nos mesmos anos, é notável um crescimento negativo do PIB real. Seria então um paradoxo do trade off desemprego e inflação, pois mesmo com uma inflação elevada o desemprego ainda estaria em alto nível devido ao crescimento negativo do PIB real. Uma vez que em 2002 a taxa de desemprego era maior que 10%, a inflação rondava 12,5% e o PIB real sofreu um crescimento quase negativo. Em 2015 temos novamente uma taxa de desemprego de quase 7%, uma inflaçao acima de 10% e o PIB sofrendo uma retração.

    Fonte:http://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?serid=38414
    http://www.ipeadata.gov.br/exibeserie.aspx?serid=38401

  9. Giovanna Liberatori Bassani Machado Says:

    Nos anos em que a inflação foi acima da meta, o Governo tentou aplicar Políticas mais rígidas ou ele preferiu tem uma popularidade maior no período, de certo odo contraditório, sendo que a inflação está acima da meta e o que a população vê nos jornais acaba sendo somente isso?

    O grupo encontrou algo sobre o quão forte foi a intervenção quando eles viam a inflação estando acima da meta?

  10. Noemi Arjona Says:

    Eluicidar os conceitos teóricos entre a relação da taxa de juros e inflação nos permite correlacionar as decisões políticas no mundo real e os objetivos de estímulo ou contração da atividade econômica. Dessa forma, é possível compreender as decisões que motivaram a redução da taxa de juros do crédito imobiliário em 2016.

    http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2016/11/caixa-reduz-taxas-de-juros-do-credito-imobiliario

  11. Matheus Almeida Hereman Says:

    Achei extremamente interessante a demonstração meio que empírica do efeito Fisher, já que é algo muito contra intuitivo ao que estudamos até agora, pois até agora só foi visto que com um nível de preços maior, a taxa Selic aumentava (por conta do excesso de oferta por títulos, causando uma queda no valor do título que aumenta a taxa de juros).

  12. Fernando Cezar Cremonezi Says:

    Será que a utilização do regime de metas de inflação (RMI), através da mensuração do ano-calendário e apenas a utilização de política monetária (sob taxa de juros de curto prazo) realmente consegue controlar e trazer estabilidade para a economia brasileira gerando crescimento econômico? Sendo que podemos observar que poucos foram os períodos onde a inflação esteve baixa e não teve grandes oscilações, causando incertezas quanto à economia. Será que na mensuração da inflação não seria interessante adotar o sistema rolling window, para dar uma maior rapidez na neutralização da alta dos preços? Porque a meu ver operar horizontes longos (ano-calendário) traz uma demora na tomada de decisão. E sobre a política monetária via taxa de juros de curto prazo, é possível notar que mesmo em períodos quando a SELIC estava em patamares altos, houve inflação alta também. Isso desestimula o investimento, gera incertezas e dificulta o crescimento econômico.

  13. Sérgio Trevelatto Amâncio Says:

    Então o Brasil, atualmente, está com uma demanda por bens e serviços desestimuladas por causa da crise e das incertezas políticas.
    Explicando a queda na produção de bens e serviços, o desemprego, e consequentemente a queda no custo de produção o que proporciona a queda na inflação de 10.67% em 2015 para 4.29% em 2016.
    Então, no curto prazo, se o Brasil diminuir o desemprego (estimulando a demanda) a inflação voltará a crescer como no ano de 2015, devido ao aumento no custo de produção dos bens e serviços

    • Maria Clara Tobar Says:

      Sérgio, sua análise está correta em partes. Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, “a política monetária brasileira perdeu força e vai levar mais tempo para se refletir integralmente na atividade econômica, em meio ao cenário de forte recessão e baixa confiança tanto das famílias quanto das empresas”. No curto prazo, como você abordou, o atual ciclo de cortes nos juros básicos no país vai ajudar, de imediato, os agentes econômicos a renegociarem suas dívidas, mas a volta do consumo e do investimento mais consistentes demorará.
      Em 2015, como mencionado, “famílias e empresas estavam com o orçamento mais ajustado e, assim, respondiam de forma mais rápida”. Em condições normais, a economia brasileira demorava, em média, de seis a nove meses para responder integralmente aos cortes ou elevações da Selic. Mas, na conjuntura atual, esse prazo pode ser maior.
      “Nas contas da Tendências, cada corte de 0,25 ponto na Selic costumava gerar crescimento de 0,1 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) ao final de quatro trimestres. Mas atualmente, segundo dados do BC, o comprometimento da renda das famílias com dívidas tem recuado pouco nos últimos dois anos, sempre acima de 40 por cento. Do lado das empresas, 48,7 por cento das companhias com capital aberto tinham geração de caixa insuficiente para cobrir as despesas da dívida no terceiro trimestre do ano passado, segundo o Centro de Estudos do Instituto Ibmec. Em 2010, eram 22,7 por cento nesta situação.”
      “A reação tende a ser mais lenta, mas a queda do juro é parte da solução. É um instrumento clássico e que permite que empresas refinanciem as suas dívidas em condições muito melhores”, disse o economista-chefe do Banco Safra e ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall.
      As informações abordadas foram obtidas nesse site: http://extra.globo.com/noticias/economia/analise-politica-monetaria-perde-forca-demorara-mais-para-estimular-economia-20770971.html#ixzz4h3xTbh9c

  14. Lara Faria Says:

    Meus parabéns ao Grupo 5, Breno e Thaís! O trabalho de vocês ficou ótimo e muito claro.
    Então, ainda no ano de 2017, já que o IPCA está abaixo da meta central, o Banco Central diminuirá a taxa básica de juros para estimular o consumo, aumentando a inflação? Podemos esperar então por uma economia mais aquecida e com uma taxa de desemprego menor no curto prazo.

  15. Marcelo Lourenço Filho Says:

    Parabéns ao grupo pelo texto, está muito interessante. Acho importante fazer notar algumas coisas relacionadas à temática dos juros e inflação. Em 2003, o governo elevou as taxas de juros (taxa Selic) para 26,50%. Isso, claro, teve efeitos diretos no consumo: dado que o custo de oportunidade de não poupar aumentou e o crédito ficou mais caro, o consumo interno​ foi consideravelmente reduzido. Isso causou um excedente de mercadorias, as quais foram direcionadas à exportação.
    Também vale notar que períodos de inflação são marcados pela dificuldade de previsão dos agentes econômicos, os quais passam a exigir maiores prêmios para emprestar dinheiro ao governo. Além disso, os períodos de queda da taxa básica de juros costumam auferir ganhos consideráveis aos investidores, uma vez que, por prudência, o Copom normalmente baixa os juros a taxas mais moderadas do que a queda da inflação. Nesse ínterim, o juro real é maior do que seria nas demais transações.

  16. Pedro Lopes da Silva Says:

    Muito didático o texto, parabéns! Pesquisei um pouco sobre o tema da inflação, e através desse artigo da UFRJ, http://www.ie.ufrj.br/aparte/pdfs/akhair090707.pdf , descobri que embora o controle da inflação pelo governo esteja bastante ligado a determinação da Selic, um outro componente que tem uma importância cada vez maior nesse cenário e que não ganhou tanta atenção no texto é a oferta de produtos importados no câmbio atual. Essa importância vem do fato de que a inflação pode alterar dependendo da taxa de câmbio, uma vez que a inflação é causada pelo excesso de demanda que faz com que os preços dos produtos subam, e que o excesso de demanda por produtos pode ser suprido por meio do aumento das importações (quanto mais baixo o valor do câmbio, maior as importações, a demanda por produtos então se aproxima da oferta e a inflação diminui).
    Pra quem se interessar essa matéria também ajuda um a entender a influência do câmbio sobre a inflação: http://qifinanceiro.com.br/como-o-cambio-influencia-a-inflacao/

  17. Maria Renata Silveira Says:

    Considerando o efeito Fisher de que ‘ O resultado no médio prazo é uma taxa nominal de juros maior, na mesma proporção da inflação’, isso afetaria as políticas feitas pelo governo, levando a um caminho no médio prazo, contrario ao esperado de inicio? Eu realmente fiquei um pouco confusa em relação a isso. Ou devemos considerar a política feita de curto prazo a fim de ajustar a economia naquele momento? a fim de a estabilizar de acordo com a previsão de longo prazo?

  18. Bruno Forjaz Says:

    Parabéns ao grupo, o texto ficou muito interessante e claro! Assim como dito no final do texto, para o ano de 2017, a taxa SELIC será reduzida para estimular a economia, porém o que não fica muito claro para mim é a relação de trade-off entre inflação e desemprego no médio e longo prazo, tendo em vista a redução da SELIC. O consumo no curto prazo ira aumentar, mas a inflação resultante irá depender da oferta agregada acompanhar a demanda agregada ? E como fica o desemprego com isso ?

  19. Elmo Zampieri Neto Says:

    Parabens pelo texto. Gostaria de saber do grupo se eles acreditam que a crise pode funcionar como um “filtro” de investimentos, selecionando melhor os setores que receberão investimento produtivo, por realmente terem uma eficiência marginal do capital atrativa. Apesar de tudo, esse “lado bom” pode lançar as bases para a futura expansão da oferta agregada, que acredito, foi o que limitou nossa política expansionista de demanda agregada. Além disso, as reformas trabalhistas e previdenciárias podem diminuir o desemprego, e aumentar a população em idade de trabalho, que é um dos fatores da função de produção

    Sendo assim, gostaria de saber se o grupo imagina que as previsões de crescimento do PIB para 2018 podem ser revistas com a aprovação dessas 2 novas regulamentações, e com esse “purgatório” de investimentos chamado crise? uma vez que a copa do mundo já passou, e os investimentos atualmente serão mais direcionados pelo mercado do que por fatores políticos.

  20. Lucas Geraldo Says:

    Parabéns ao grupo pelo excelente texto. É interessante observar, como expresso no texto, que os períodos recentes em que tivemos uma grande alta na inflação coincidiram com épocas de aumento nos preços administrados pelo governo que certamente, por qualquer motivo, não teve a sensibilidade correta para alterá-los. O grande exemplo, ou, pelo menos, o que acredito ser o mais emblemático, é o do petróleo: no final de 2015, na contramão de tudo, tivemos aumentos nos preços dos combustíveis derivados de petróleo justamente na época que este bem alcançava seu menor valor no mercado internacional em quase uma década.
    Fontes:
    http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/09/postos-de-combustiveis-ja-repassam-aumento-da-gasolina-ao-consumidor.html
    http://money.cnn.com/2015/12/07/investing/oil-price-below-38-six-and-a-half-year/

  21. Caio Vinícius Sousa Says:

    Parabéns ao grupo pelo excelente texto.
    Algo que desperta minha curiosidade é o comportamento da inflação nos últimos 2 anos e o que o futuro pode nos reservar. Ao contrário do pico inflacionário de 2001, motivado em grande parte pelos fatores externos e pelo aumento de custos energéticos, a alta de 2015 surge junto com uma crise recessiva. Uma economia em recessão tende a apresentar taxas inflacionárias mais baixas, devido ao desemprego e ao desaquecimento econômico. Podemos ver, por exemplo, que em 2016 o IPCA cai novamente para dentro das bandas e que as previsões para 2017 mostram-se ainda mais baixas. Nesse cenário, o BCB abaixa a Selic, visando impulsionar a atividade econômica, mais a incerteza age contra o estímulo de investir. Poderíamos nos perguntar, então, quais seriam as possíveis soluções para é dilema.

  22. Vitória Olivier Natal Says:

    Primeiramente, parabéns ao grupo pelo texto! Super claro e completo.
    Bom, assim como o Carlos comentou tenho algumas dúvidas a respeito do trade off inflação – desemprego, mas trago para o cenário atual: o desemprego está bem alto e a inflação baixa, que se espera ao seguir a lógica do texto. No entanto, não acredito que o nível de desemprego já fosse estar assim, uma vez que, teoricamente, demorariam um certo tempo para se ajustar à queda da inflação. Não acredito que a conjuntura atual permita uma taxa de desemprego natural tão alta.
    Queria entender também qual seria o ponto ótimo desse trade off (inflação – desemprego) e como ele é determinado, uma vez que ambos trazem benefícios e malefícios.


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