Alterações dos componentes da Demanda Agregada brasileira a partir de 2000

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Autores: Grupo 3 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

No final dos anos 90 a economia brasileira passou por grandes mudanças. A virada do século veio com otimismo para os brasileiros, que finalmente pareciam ter uma moeda sólida. Nos anos 2000 ocorreu tanto uma melhora no cenário econômico externo como uma mudança na política macroeconônima do governo. O crescimento econômico da primeira metade da década de 2000 pode ser caracterizado pela melhora do setor externo.  Já a partir da segunda metade da década, o governo realizou várias políticas expansionistas que auxiliaram no crescimento do país. Durante a crise de 2008, o governo adotou diversas medidas para aumentar o consumo e diminuir o desemprego (PAC, expansão de crédito do BNDES e incentivos fiscais). Com o crescimento acelerado da economia através destas políticas e o aumento da demanda agregada como consequência, a crise financeira de 2008 não apresentou grandes efeitos sobre o Brasil na época.

Porém algumas medidas do governo, como expansão de crédito, tabelamento de preço de energia, gasolina e outros, e o continuo  financiamento de obras públicas de grande escala demonstram que estas políticas podem ter durado tempo demais, causando assim um crescimento insustentável. O resultado dessas políticas expansionistas está sendo percebido agora pelos brasileiros, com mais de 13 milhões de desempregados, aumento da dívida pública, juros altos e alta inflação com baixo crescimento. A razão disso é que, apesar de a demanda agregada ter aumentado, a oferta agregada não conseguiu acompanhar esse crescimento. A seguir há uma análise de como os componentes da demanda agregada se comportaram a partir de 2000.

No que diz respeito ao consumo das famílias e do governo, a partir de 2002 houve uma queda do consumo do Governo, já que como medida contra a desvalorização do Real no mercado, o Governo cortou seus gastos e aumentou a taxa de juros real. Consequentemente de 2003-08 houve um aumento de seus gastos, pois suas políticas funcionaram anteriormente. Já em 2008, com a crise financeira que se instaurou no mundo, ocorreu uma queda drástica do consumo em ambos, mas com políticas de expansão de crédito, redução das taxas de juros, transferência de renda e aumento do salário mínimo, em 2009 o país voltou a ter seus gastos normais, até mesmo acima do que gastava antes da crise.

O montante de investimentos, tanto governamental quanto empresarial, não representa um alto valor na demanda agregada, pouco mais que 15% no período que diz respeito a 1999-2010. Desse valor, as empresas fazem parte de aproximadamente 14% da D.A. e os investimentos públicos de apenas 2%. O Governo não investiu muito em função – principalmente até 2004- do controle da inflação, porém essa taxa (2%) teve um leve aumento com uma política expansionista (criação do PAC e auxílio do BNDES). Já o investimento das empresas não mostrava taxas de crescimento, apenas queda, mas com as políticas expansionistas teve um crescimento (por volta de 2005), até a crise em 2008. Logo em 2009, voltou a subir, porque houve uma queda dos juros reais, o que elevou o PIB (reação que as empresas costumam ter quando se aumenta o PIB, investem), mostrando uma relativa recuperação pós-crise.

Com exceção dos anos em que houve crise, as exportações brasileiras tiveram uma taxa de crescimento maior se comparada à taxa de crescimento da demanda agregada no período de 1999-2010. Convém destacar que essas são representadas principalmente por commodities (por exemplo, o petróleo), e que alguns fatores como o efeito-China (rápido crescimento desse parceiro) e a abertura comercial frente a outros países embasam parte da dinâmica observada. Já em relação às importações (bens de consumo duráveis, não duráveis e bens de capital), o crescimento do PIB e a valorização da taxa de câmbio real contribuem para explicar a evolução das mesmas e assim, a redução do resultado das exportações líquidas no período.

 

SILVA, JOSÉ ALDERIR DA; LOURENÇO, ANDRÉ LUÍS CABRAL DE; Uma análise da evolução dos componentes da demanda agregada: Brasil, anos 2000. Indic. Econ. FEE, Porto Alegre, v. 42, n.1, p. 23-40, 2014.

Componentes da Demanda Agregada, valores correntes para o Brasil (1995-2013)-Dados das Contas Nacionas e Trimestrais, Ano: 2013. Disponível em <http://cnd.fgv.br/sites/cnd.fgv.br/files/Gr%C3%A1fico-%20Componentes%20da%20demanda%20agregada%20-%20consumo%20das%20fam%C3%ADlias%20e%20importa%C3%A7%C3%B5es%20(1).png> Acesso em 15 de abril de 2017.

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30 Respostas to “Alterações dos componentes da Demanda Agregada brasileira a partir de 2000”

  1. Noemi Arjona Says:

    É interessante observar que o período avaliado corresponde ao bônus demográfico brasileiro, no qual ainda vivenciamos. A diminuição da taxa da mortalidade infantil associada a queda da natalidade compuseram uma nova dinâmica populacional, elevando a porcentagem de pessoas em idade ativa no curto prazo. Essa composição demográfica é frequentemente associada como colaboradora do processo de crescimento econômico, já que há uma maior parcela da população ofertando “força de trabalho”, um insumo importante para o crescimento do PIB.

    • Thaís Vieira Says:

      Um período de bônus demográfico significa que um país tem mais força de trabalho do que pessoas inativas. Ou seja, há um excedente de pessoas para produzir, pagar impostos e contribuições para a Previdência, servindo de combustível para geração de riquezas, o aumento da quantidade de poupança e do capital na economia. Este crescimento econômico e aumento da renda da população é uma chance para a melhora da qualidade de vida da população. Para aproveitar essa oportunidade é necessário investir em educação, e estimular novas oportunidades de emprego para os jovens. Com o cenário atual de estagnação econômica do Brasil enfrentamos o desafio de atender a essa crescente demanda por empregos e oportunidades de geração de renda. Além disto as políticas de Previdência no Brasil não criaram incentivos a formação de poupança, sendo uma das mais generosas do mundo. O Brasil corre assim o risco de perder a oportunidade de crescimento gerada pelo bônus demográfico.

  2. Beatriz Traetta Says:

    Creio que esse crescimento econômico no início dos anos 2000 é proveniente também da nomeação da equipe econômica do primeiro governo Lula. Uma equipe ortodoxa e conservadora foi consagrada (como o atual ministro da fazenda Henrique Meirelles) e que, de acordo com estudiosos, trouxe novamente para terras brasileiras o capital que havia sido retirado com a eleição de um partido tido como mais heterodoxo.
    Em meados de 2003 a Selic chegou à 26,5% fazendo com que a inflação, por consequência, também caísse. Esta medida, somada a estabilidade política e econômica, foi atrativa para investidores externos (deixando-os confiantes).

  3. sarah rodrigues da silva Says:

    Gostaria de entender melhor como houve um aumento dos gastos do governo a partir de 2003, o que diferiu de 2002 para 2003 no comportamento do mercado ? por que só nessa época houve uma resposta a política expansionista ?

    • Giovanna Liberatori Bassani Machado Says:

      Em 2002 o governo estava tentando se recuperar da desvalorização da moeda brasileira no mercado, e uma das políticas propostas pelo próprio governo foi de diminuir os seus gastos externamente, ou seja, não importar tanto, e exportar mais, para tentar valorizar a moeda. Essa política, na época, funcionou bem, e em 2003 (quando os dados que observamos foi renovado, por isso a data tão certeira assim) a economia já estva bem, já estava no “positivo”, então aumentou o PIB, aumentando a renda e os gastos das famílias, fazendo com que o governo gastasse mais.

      Outro momento que ficou muito nítido a melhoria na economia interna por meio de políticas do governo, foi depois da crise de 2008, que o Brasil conseguiu se recuperar muito rapidamente da crise e ficou até mesmo. em relação aos gastos, gastando mais do que antes mesmo da crise.

      Espero ter esclarecido a sua dúvida, se não, me avisa.

      • sarah rodrigues da silva Says:

        Ficou claro, para entender como os gastos do governo passaram a aumentar ao longo do tempo!!
        Obrigada!!

  4. Isabela Simabukuro Says:

    É interessante também mencionar que os modelos de crescimento neoclássicos supõem que o limite fundamental ao crescimento de longo prazo é a disponibilidade de fatores de produção. A demanda agregada é relevante apenas para explicar o grau de utilização da capacidade produtiva, mas não tem nenhum impacto direto na determinação do ritmo de expansão da capacidade produtiva. No longo prazo vale a “Lei de Say”, ou seja, a oferta (disponibilidade de fatores de produção) determina a demanda agregada. A evolução da economia brasileira na década de 2000 foi mais favorável do que nos anos noventa. Uma marca distintiva do período foi a combinação de crescimento econômico com uma ampla inclusão dos brasileiros mais pobres ao mercado de consumo.

  5. Lara Faria Says:

    No texto, segundo parágrafo, é dito que a oferta agregada não conseguiu acompanhar o aumento da demanda agregada. Quando li isso, pensei nos motivos dessa afirmação, se seria por causa de, por exemplo, juros alto -> baixo investimento.
    Porém, mais para o final, penúltimo parágrafo, é dito que houve um aumento nos investimentos de empresas por volta de 2005 até 2008, e também em 2009, na recuperação pós-crise, devido a queda na taxa de juros real e aumento do PIB, porque a reação das empresas é investir mais quando o PIB aumenta.
    Será que alguém poderia me esclarecer esse cenário, que não compreendi perfeitamente, e parece ambíguo a meu ver?
    Como é caracterizado esse “crescimento insustentável”, que também é citado no segundo parágrafo, como sendo uma consequência do fato que a oferta agregada não conseguiu acompanhar o aumento da demanda agregada?
    Isso tem relação com o que a Isabela estava falando sobre disponibilidade dos fatores de produção, que caracterizam o crescimento a longo prazo?

    • Mariane Zanetti Says:

      Lara, no início dos anos 2000 com a eleição de um novo governo, começou a surgir uma desconfiança muito grande e uma enorme incerteza dos investidores quanto às políticas que seriam utilizadas. Assim, os investimentos não tiveram muita expressividade na demanda agregada, e o crescimento do país deveu-se, primordialmente, às exportações de commodities à China. Por isso, a oferta agregada não acompanhou a demanda agregada. O novo governo tomou medidas que fez o mercado reagir positivamente de modo que em meados de 2003 o país começou a crescer e houve expansão do crédito, porque o nível de confiança aumentou. Impulsionada pelo crédito, a economia foi crescendo, o mercado de consumo foi aumentando, o desemprego foi caindo e a renda foi subindo. Porém, com a crise financeira mundial de 2008, houve um congelamento no mercado de crédito global e os bancos privados brasileiros se tornaram mais cautelosos por causa desse cenário de grande incerteza, enquanto os bancos públicos mantiveram o crédito. Porém, o crédito dos bancos particulares é alocado de acordo com as reais condições do mercado, enquanto o crédito dos bancos públicos é alocado de acordo com critérios políticos, chamado “crédito direcionado”. Por isso, essa medida do governo só poderia trazer benefícios a curto prazo. Os efeitos nefastos começam a se manifestar só depois, com aumento dos preços, aumento do endividamento, e acúmulo de investimentos insensatos. Acho que por isso foi mencionado “crescimento insustentável”.

  6. Carlos Eduardo Jr. Says:

    É importante salientar que a implantação do sistema de metas de inflação, uma importante mudança da política fiscal brasileira, assentaram as bases para a estabilização da inflação definitivamente, e em médio prazo a valorização do real e consequentemente a confiança que possibilitou o aumento dos fluxos internacionais investidos no país.
    Durante os anos 2002-2003, o medo de uma política heterodoxa do governo Lula elevou o risco brasil, assim como uma disparada da taxa cambial, o que levou ao governo a diminuir seu consumo e aumentar a taxa de juros. Em seguida, o governo decidiu lançar as bases para uma política expansionista durante os anos de 2004-2009, impulsionados pela valorização do real, o crescimento abrupto da China (grande importador de commodities, componente importante no produto brasileiro) e o aumento do poder de consumo das famílias (incentivo à credito, ao financiamento e redução de impostos como IPI).
    O problema é que a política expansionista continuou a ocorrer durante a contração de investimentos internacionais, o que reduziu o nível de produção industrial e serviços, causando desemprego e mais intervenção estatal, de modo que esse modelo se tornou insustentável a partir do período de 2014. O governo reduziu o nível de investimento e intervenção, com desemprego, a demanda agregada teve uma queda (uma das razões da crise brasileira).

  7. Carlos Eduardo Jr. Says:

    É importante salientar que a implantação do sistema de metas de inflação, importante mudança na política fiscal brasileira, assentaram as bases para a estabilização da inflação definitivamente, e em médio prazo a valorização do real e consequentemente a confiança que possibilitou o aumento dos fluxos internacionais investidos no país.
    Durante os anos 2002-2003, o medo de uma política heterodoxa do governo Lula elevou o risco brasil, assim como uma disparada da taxa cambial, o que levou ao governo a diminuir seu consumo e aumentar a taxa de juros. Em seguida, o governo decidiu lançar as bases para uma política expansionista durante os anos de 2004-2009, impulsionados pela valorização do real, o crescimento abrupto da China (grande importador de commodities, componente importante no produto brasileiro) e o aumento do poder de consumo das famílias (incentivo à credito, ao financiamento e redução de impostos como IPI).
    O problema é que a política expansionista continuou a ocorrer durante a contração de investimentos internacionais, o que reduziu o nível de produção industrial e serviços, causando desemprego e mais intervenção estatal, de modo que esse modelo se tornou insustentável a partir do período de 2014. O governo reduziu o nível de investimento e intervenção, com desemprego, a demanda agregada teve uma queda (uma das razões da crise brasileira).

    • Larissa Gonçalves Barbosa Says:

      Muito bem colocado, Carlos! A política expansionista utilizada no Brasil a partir de 2004 e pós crise foi muito boa, tanto que podemos perceber como o país rapidamente se “recuperou” depois da tragédia econômica que se instalou no mundo em 2008, porém, ao invés de perceber quando parar, o governo continuou, o que levou a crise brasileira enfrentado nos últimos anos.

  8. Sergio Trevelatto Amancio Says:

    Então o Brasil enfrentou uma crise porque a oferta agregada da economia não conseguiu acompanhar o aumento feito nos componentes da demanda agregada. Como o texto diz essas medidas expansionistas duraram muito.
    Porém, recentemente circulam várias notícias de que muitos produtores estão com fábricas, máquinas e estoque de mercadorias parados.
    Essa estagnação se deve ao fato do cenário político e econômico futuro incerto.
    Será que uma medida expansionista agora diminuiria ajudaria o Brasil com essa Estagnação?

    • Maria Clara Tobar Says:

      Sergio, segundo o artigo citado abaixo: ” (…) podemos observar que as variáveis explicativas Exportação, Investimento e Gastos do Governo são significativas no curto e no longo prazo. A oferta de moeda é significante apenas na dinâmica de curto prazo. Desta forma, parece pouco provável que a política monetária tenha efeitos persistentes sobre o crescimento da economia brasileira. Isso porque o ritmo de crescimento do volume de meios de pagamento no sentido amplo parece não ter influência estatística sobre o comportamento do PIB real no longo prazo.”
      Nos últimos 20 anos o Estado Brasileiro vêm vivenciado uma crise fiscal, a qual pode ser expressa pela combinação ente elevada dívida pública como proporção do PIB, carga tributária elevada e reduzido investimento público em obras de infraestrutura. Dessa forma, “não é possível puxar o crescimento da economia brasileira por intermédio de uma política de expansão dos gastos de consumo corrente do governo.”
      Portanto para o autor, “a semiestagnação da economia brasileira resulta da inexistência, nas condições atuais, de um modelo consistente de expansão da demanda agregada”. Para ele, é necessário reformular o modelo macroeconômico considerando a endogenidade de longo prazo da disponibilidade dos “fatores de produção”,com destaque para o investimento em capital físico como principal determinante da capacidade produtiva. Ainda, é necessário levar em conta a taxa de participação como um indutor do crescimento econômico, e por fim, considerar o progresso tecnológico como endógeno ao sistema econômico e determinante da produtividade do trabalho.

      Artigo “A economia brasileira puxada pela demanda agregada”, http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572010000400003

      • Lina Guerra Says:

        Clara, artigo muito interessante!!! Poderia essa desaceleração do ritmo de crescimento na economia em 1964 estar relacionada tamém ao ambiente político instavel gerado pela renúncia de Jânio, o qual diminuiu o investimento?

      • Maria Clara Tobar Says:

        Sim Lina. Após a renúncia de Jânio Quadros, o ambiente político se tornou bastante conturbado. Seu sucesso, João Goulart, lançou o Plano Trienal, para estabilizar a economia e ao mesmo tempo realizar amplas reformas de base. O Plano Trienal visava combater a inflação e fazer o Brasil crescer a uma taxa de 7% ao ano, além de iniciar uma política de distribuição de renda. Este fazia “grandes investimentos no mercado interno e acreditava numa taxa de crescimento das indústrias brasileiras na casa dos 70%, o que era surreal”. Tais crenças demonstravam como a proposta era mal elaborada, além de evidenciar contradições, já que ocorreu aumento de impostos e tarifas, aumento de salários e busca de recursos externos em meio a uma política de combate ao produto estrangeiro. Almejando alcançar grandes números e numerosas conquistas para a economia brasileira, o Plano Trienal se deparou, em 1963, com um crescimento do PIB de apenas 0,6% e, em 1964, conheceu uma inflação geral de 91,8%.

  9. Maria Renata Silveira Says:

    A política de redução da taxa de juros, embora seja uma boa alternativa , se aplicada em excesso como feito no Brasil durante o período no qual o governo tentou amenizar os efeitos da crise, foi uma atitude perigosa e que gerou consequências, visto que essa pratica tende a elevar a inflação. Teria sido isso fruto de uma fraca política econômica?
    Fazendo um link do período de crise com a realização de eventos como a Copa do Munda e as Olimpíadas, teriam estes gerado um aumento dos gastos públicos e agravado o deficit público? Embora sejam realizados com o intuito de estimular a economia.

    • Rodrigo Diniz Mendes Says:

      Isso também me chamou muito a atenção, tentar entender o porquê desta política econômica que era o oposto do que se estava fazendo no mundo.Lembro que está expansão de crédito e preços tabelados nos anos de 2008 e 2009 na época foi considerado uma política muito boa pois o país ia na contra mão do mundo, a sua economia continuava aquecida enquanto as demais sofriam forte queda.Mas como todos percebemos isso fez com que no futuro nem tão longe os resultados desta política usada em excesso, fez com que a inflação voltasse a bater a casa dos 15, milhões de desempregados e juros muito altos.Acredito que aí está uma demonstração de que economia não é uma ciência tão fácil de se decifrar, por hora você é o único país a se sobressair da crise, mas quando eles estão de recuperando você está em crise.

      • Matheus Soares Mattano de Lima Says:

        Realmente o caso da recente crise brasileira fomenta a discussão sobre as consequências no médio e longo prazo de intervenções estatais buscando uma melhora na situação econômica, dando força aos argumentos daqueles que defendem que há mais pontos negativos que positivos nessa intervenção, uma vez que como explicação para o descolamento da oferta e demanda agregada a análise de que isso se deu graças aos sinais alterados pelas medidas do governo enviados aos agentes privados por meio de mudanças no sistema de preços (taxa de juros, crédito, congelamento de preços de fato) parece ter grande base nos fatos que ocorreram.

    • Lina Guerra Says:

      Maria, realmente a política da redução da taxa de juros, apesar de ser um caminho fácil para conter a inflação, tem maior eficiência no curto prazo. Paul Krugman afirmou que o aumento da produtividade por trabalhador é o que determina uma melhora do padrão de vida no longo prazo, uma vez que essa expansão vai sustentar a classe média e será capaz de ampliar a distribuição de renda.
      Já quanto aos efeitos da Copa do Mundo no Brasil, fiz uma pesquisa e foi dito que ”o segundo trimestre de 2014 viu uma forte desaceleração da economia” com previsões para recuo do PIB; e, adiante, no mesmo texto, que esse evento não gerou um impacto profundo em nossa economia por fazermos parte de um país muito grande. Então essa previsão não estaria associada à Copa?? Não consegui entender o que essa contradição significa (link da reportagem: http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/07/veja-quem-ganhou-e-quem-perdeu-com-copa-na-economia.html)

  10. Matheus Almeida Hereman Says:

    Primeiramente gostaria de parabenizar o grupo pelo artigo.
    O que me surpreendeu foi o percentual do capital fixo em relação a demanda agregada, pois como vimos em sala de aula o capital fixo é um dos componentes para o aumento da produção, e por consequência do PIB.
    Pelo gráfico apresentado pode se perceber que antes da crise de 2008 o capital fixo havia diminuído, que em uma visão keynesiana poderia ser explicada por um aumento da incerteza enfrentada pelos empresários. E o incentivo do governo de expandir a crédito do BNDES caiu como uma luva para a situação enfrentada.
    No terceiro trimestre de 2015 também temos o mesmo problema, mas agora com uma inclinação negativa ainda maior. No texto foi discutido este detalhe, provavelmente por ser um detalhe em si e o objetivo do artigo é ser algo mais geral, então gostaria de questionar sobre as soluções do governo para esta baixa de capital fixo na demanda agregada.

    • Breno Henrique Selmine Matrangolo Says:

      Olá Matheus, tendo em vista as incertezas referentes à crise econômica brasileira a partir de 2015, verificamos essa queda citada nos investimentos (formação de capital fixo). Acredito que entre as tentativas de solução para este problema podemos citar diversas formulações, meio que desordenadas e questionáveis, que estamos vendo no nosso dia a dia. Desde 2015, o governo buscou diminuir seu déficit público, buscando formas de melhor controle de seus gastos: são políticas de controle das receitas do setor público pelos próximos anos, discussão acerca da reforma da previdência, corte de benefícios sociais e em outros setores. Ao mesmo tempo, vemos propostas de incentivo às firmas, como a reforma trabalhista. No entanto, é indissociável no Brasil que a crise econômica está intimamente ligada com uma crise política e de resguardo de privilégios. O governo bambeia, com baixos índices de aprovação, tem dificuldades e demora em aprovar medidas importantes, ao mesmo tempo, que vemos que algumas destas são extremamente questionáveis e atingem apenas alguns setores da sociedade (em geral os menos favorecidos). No fim das contas, ninguém quer ceder, e todos querem manter seus privilégios.

  11. Marina Monteiro Gianeti Says:

    Antes de descrevermos a situação da demanda agregada em 2000, acho interessante levantarmos a situação no período anterior. Querendo ou não, foram os acontecimentos, principalmente da década de 1990 que fizeram com que a demanda agregada se fizesse alta em meados do século XXI.
    Na década de 1990, a ideia era buscar a modernização da estrutura produtiva, o controle da inflação e, consequentemente uma abertura comercial e financeira da economia brasileira. A política vigente até então pelo Governo visava financiar o déficit das contas externas através da captação de ativos financeiros. Essa política, porém, exigiria uma das duas opções para funcionar: ou o país deveria apresentar taxas de exportação maiores que as de importação (o que sanaria/passaria por cima do déficit comercial), ou o setor externo deveria estar funcionando plenamente(ficando à favor dessa política).
    Analisando o primeiro ponto, bem, não era esse o caso, pois a taxa de crescimento das exportações se manteve baixa até 2003. Pelo segundo, bem, não era o caso também, já que, frente às crises na Ásia e no México (de onde vinha maior parte do capital financeiro), o setor externo só veio a ter uma melhoria à partir dos anos 2000 (como citado pelo grupo). Assim, o Brasil acabou com outro problema, além do controle da inflação: um déficit das contas externas, o que esvairia bastante capital financeiro.
    À medida que a situação se tornou cada vez mais insustentável, em 1999, o Governo teve de optar pela desvalorização da moeda (a esse ponto, o já implementado Real) como forma de reter o aumento do déficit das contas externas. A âncora comercial (usada, até então, para controlar a inflação) foi substituída pelo Sistema de Metas (como citado pelo Carlos Eduardo Jr, logo acima), baseado nas metas de inflação e de superávit primário e no câmbio flutuante.
    Os efeitos da desvalorização só vieram em 2000: a taxa de câmbio (estimulada também pela baixa da taxa de juros real) sofreu desvalorização, o que aumentou as exportações e a demanda agregada, consequentemente. Isso reduziu o desemprego e aumentou o PIB do país. Assim, a medida que a economia voltava a crescer, o déficit diminuia, já que o saldo da Balança Comercial (o qual provocava o próprio déficit) diminuia também. Portanto, essa política de desvalorização da moeda para controle do déficit, junto da melhora do setor externo, foi importante na formação dessa bagagem para o século XXI, a qual colaborou, até mesmo, para o crescimento econômico do país, citado logo no começo do texto, pelo grupo.
    Ótimo trabalho pessoal!

  12. Leon Araujo Fischer Says:

    Quais são as perspectivas para o próximo ano? Será que o Brasil está mesmo saindo da crise, ou temos um longo caminho a percorrer? As tensões políticas não parecem se acalmar, delações e processos estão mostrando que poucos políticos não estão comprometidos com nada, em que a crise política pode afetar na demanda agregada?

  13. Vitória Olivier Natal Says:

    O que sentimos na economia hoje pois a oferta agregada não acompanhou o crescimento da demanda agregada no início dos anos 2000. Percebemos isso claramente no gráfico, em que há um crescimento na formação bruta de capital a partir de 2006, sendo que o consumo interno já crescia. Pode-se afirmar que causa disso foram as políticas econômicas adotadas na época que preocupavam com o aumento do consumo das famílias, mas não necessariamente um desenvolvimento da produção nacional, uma vez que as exportações que tiveram seu crescimento eram na maioria commodities, como citado no texto?

  14. Pedro Lopes da Silva Says:

    Belo texto pessoal!
    Gostaria de saber o que fez com que o governo acreditasse que após a crise de 2008, seria interessante manter com medidas como expansão de crédito, financiamentos de obras públicas, tabelamento de preços etc.. Porque como citado no texto, na época em que a crise ocorria essas medidas pareciam corretas para conter a crise, mas acabaram sendo estendidas por tempo demais e acabaram causando um crescimento insustentável. Foi um erro de planejamento ou o quê que ocorreu? Qual era a intenção do governo com essas medidas? Será que essa crise que o Brasil vive hoje poderia ter sido evitada ou ela é fruto de uma cadeia de acontecimentos imprevisíveis na época que foi feito o planejamento? Vejo que o financiamento de grandes eventos esportivos como as Olimpíadas e a Copa do Mundo eram compromissos irrevogáveis depois de serem definidos, e isso exigiu gastos demasiados com infraestrutura no país mas não sei qual o peso deles de fato para a crise, acredito também que existem outros aspectos que não se relacionam com esses eventos que podem ter contribuído para a crise que vivemos agora e queria saber sobre eles.

  15. Lucas Geraldo Says:

    Ao pesquisar sobre o assunto percebi que existia uma expectativa de que o Brasil conseguiria resistir sem muitos danos à crise internacional, graças, principalmente, ao grande leque de parceiros comerciais que o país possuía (em 2007, por exemplo, as exportações do Brasil para os Estados Unidos –maior parceiro comercial do país a época- correspondiam a 15% das vendas brasileiras enquanto que o México, por exemplo, destinava 80% de suas exportações ao vizinho do norte), às grandes reservas que o país possuía, sem mencionar a baixa taxa de juros para os padrões nacionais (7% em termos reais naquele ano, sendo que na década anterior havia atingido o recorde de 45%). Como uma situação aparentemente tão favorável à economia brasileira, mesmo em tempos de crise internacional, pode ter se deteriorado em um tempo relativamente tão curto? As políticas do governo, como apontado no texto, juntamente com, talvez, uma mudança no comportamento dos nossos parceiros são suficientes para explicar essa transformação?
    Fonte:
    LANGELLIER, Jean-Pierre. Le Brésil espère échapper à la crise financière grâce à des réserves records et à la diversification de l’économie. Le monde. Disponível em: http://www.lemonde.fr/economie/article/2008/03/24/le-bresil-espere-echapper-a-la-crise-financiere-grace-a-des-reserves-record-et-a-la-diversification-de-l-economie_1026748_3234.html

    • Caio Vinicius Sousa Says:

      Lucas, acredito sim que a dificuldade em lidar com os parceiros externos tenha tido grande peso para o Brasil. Como muitos já citaram, o crescimento brasileiro nas últimas décadas deve muito ao bônus demográfico, e não a um real aumento de produtividade. Hoje, vemos o quadro demográfico mudar drasticamente, com o envelhecimento da população e a queda no crescimento vegetativo. Com isso, somos levados novamente a lidar com o baixo rendimento produtivo do país. Neste ambiente onde os fatores internos mostram-se atrofiados, a dependência de agentes externos cresce muito. Caso uma crise derrubasse tal ‘muleta’, o Brasil passaria a não ter mais um de seus principais pilares de sustentação. E foi exatamente isso que aconteceu. Por isso acredito que faça sentido uma piora tão repentina e acentuada de nossa situação econômica.


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