M-ECO: Modelos macro: comparando versões básicas

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Modelo de Walsh (2002)

Walsh utiliza um modelo que é composto por dois principais componentes para explicar o comportamento da Demanda Agregada (D.A) e da Oferta Agregada (O.A) em uma política de metas de inflação: 1) curva de Phillips aumentada pelas expectativas, sob a hipótese de rigidez de preços ou salários; 2) curva das regras da política monetária (RPM), representação reduzida do lado da demanda, e que reflete as preferências da Autoridade Monetária (trading off entre flutuações do produto e inflação).

Conforme observa-se na figura 1, Walsh representa a Curva de Phillips aumentada pelas expectativas da seguinte forma: de maneira simplificada, tem-se uma relação linear entre o gap do produto e inflação, onde a inflação observada é resultante da soma entre a inflação esperada, o estado do ciclo de negócios (representado pelo gap do produto), e por choques que afetam a inflação. Dessa forma, conforme observa-se no gráfico, seu intercepto com a taxa de inflação é igual a inflação esperada acrescida dos choques.

Walsh utiliza a hipótese de uma curva de regras da política monetária argumentando que nos modelos convencionais de D.A, a A.M fixa a quantidade nominal de moeda, e não reage imediatamente às mudanças na economia, tornando o modelo ineficiente para analisar metas de inflação. Também argumenta que este trata a política monetária como exógena, ao invés de mostrar que as ações de políticas monetárias são endógenas. A abordagem proposta pelo autor demonstra como a política monetária se comporta ao passo que os objetivos monetários se alteram durante o tempo. Assumindo uma meta de inflação, a A.M age de maneira ótima para manter as flutuações do gap do produto e da inflação em torno da meta.

l-eco-figura1

Modelagem de Mishkin (2009)

Mishkin apresenta um modelo expresso em termos da inflação e produto agregado. Considerando que os ajustes nos preços e salários se ajustam de maneira lenta no longo prazo, o autor propõe a existência de curvas de oferta diferentes para o curto e longo prazo.

Segundo o autor, “o nível de produto agregado produzido à taxa natural de desemprego” se denomina produto potencial, ou seja, o instante onde a economia se estabiliza no longo prazo para qualquer taxa de inflação. Como consequência, a curva de oferta agregada no longo prazo (LRAS) é vertical, dado um nível de produto potencial.

Já no curto prazo, a curva de oferta agregada é expressa em termos da expectativa de inflação, gap do produto, e choques nos preços (oferta). Ela também pode ser considerada como uma Curva de Phillips. Sob esta perspectiva, é possível observar que o nível agregado de preços se ajusta lentamente com o tempo, e o que determina a inclinação da curva de oferta agregada é o quão flexível são os preços e salários.

A curva de demanda agregada proposta por Mishkin descreve a relação da quantidade de produto demandados em relação à taxa de inflação, tudo mais constante. É constituída em 4 variáveis: consumo, investimento planejado, gastos do governo, e exportações líquidas de bens e serviços domésticos. Quando a taxa de inflação aumenta, a demanda agregada diminui no curto prazo, pois a taxa real de juros aumenta, diminuindo os investimentos em capital, o que decresce a demanda agregada. Assim, mudanças nessa curva ocorrem quando a inflação se altera, e a AM muda a taxa de juros real, e, assim, o produto real também se transforma. O modelo completo pode ser observado na figura 2:

l-eco-figura2

Análise comparativa

Após apresentados, notou-se as seguintes semelhanças entre os modelos: ambos os modelos apresentam suas ofertas agregadas como representações da Curva de Phillips, explicitando a influência das expectativas de inflação no modelo; os dois modelos mencionam a taxa de juros real como principal ferramenta de controle da inflação, mesmo que os resultados derivados das mudanças nela mudem nos modelos.

Os modelos se diferem nos seguintes pontos: Walsh torna explícita a ação da AM através da RPM, sendo suas ações consideradas endógenas no modelo, e trás uma melhora didática para o entendimento da política de metas de inflação pois associa diretamente a D.A com a taxa de inflação e o gap do produto, enquanto os modelos convencionais associam a D.A com o nível de preços e a taxa de inflação; Mishkin apresenta diferenciação entre a curva de oferta para o curto e longo prazos, o que não ocorre em Walsh. No modelo de Walsh, apesar de focar no papel da A.M, ele desconsidera as incertezas deste em relação com a posição da curva de Philips, e os objetivos monetários apropriados.

 

FONTES:

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

WALSH, C. Teaching Inflation Targeting: An Analysis for Intermediate Macro. Department of Economics, University of California, Santa Cruz, 2001.”

 

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39 Respostas to “M-ECO: Modelos macro: comparando versões básicas”

  1. Arthur Della Vecchia Says:

    Uma das principais qualidades do modelo proposto por Walsh, ao meu ver, é explicitar a relação positiva entre inflação e gap do produto como oriunda da Curva de Phillips, e não da Oferta Agregada, como propõe Mishkin. OA e Curva de Phillips são equivalentes dentro da relação que elas tentam explicar, mas é muito mais intuitivo explicá-la por meio de todo o desenvolvimento da teoria Macro nas últimas décadas em termos da relação entre desemprego (e produto) e taxa de inflação. O termo ”oferta de curto prazo” para mim é um pouco obscuro, pois afinal o que se entende por isso? Oferta de longo prazo é a capacidade produtiva da economia dados os estoques de capital, oferta de trabalho e tecnologia, ou seja, é o máximo que se pode produzir dados os insumos e o modo como eles são combinados. Mas qual a definição de oferta de curto prazo? É muito mais didático expor as condições produtivas da economia no curto prazo como dependentes do trade-off entre inflação e desemprego, que é explicado pela Curva de Phillips. Deste modo, pra mim, é mais inteligível ensinar o modelo Macro completo utilizando uma relação de Curva de Phillips (ou seja, utilizar uma curva explicitamente denominada CP) do que uma relação de Oferta Agregada, mesmo que ambas, no fundo, representem a mesma coisa.

    Outra vantagem do modelo de Walsh comparativamente ao modelo proposto por Mishkin, para mim, é que o primeiro abandona a tradicional relação de Demanda Agregada, adotando uma Regra de Política Monetária (RPM), a qual possui uma base teórica calcada na Regra de Taylor (que especifica como o Banco Central reage a variações na inflação e no produto). A beleza desta abordagem é que ela apresenta, mesmo que de modo simplório, micro-fundamentos por trás da teoria Macro, o que é consistente com os atuais desenvolvimentos da Macroeconomia. Walsh deriva a relação negativa entre inflação e gap do produto por meio da ação sistemática da autoridade monetária para minimizar flutuações do produto em torno de seu nível potencial e da inflação em torno da sua meta. Ou seja, a relação RPM é derivada por meio da equalização pelo BC de benefícios e custos marginais de suas ações de política, dados os seus objetivos, o que é claramente uma abordagem microeconômica.

    Ao colocar ambas as curvas em um diagrama (gap do produto; inflação), os interceptos são a inflação esperada (pela CP) e a meta de inflação (pela RPM), o que também é vantajoso, já que o ajuste de curto a médio/longo prazo feito pelas expectativas não consistentes com a inflação corrente e com a meta estipulada pelo BC fica mais nítido do que em um modelo ultrapassado de OA-DA. No entanto, aí vai uma crítica (?) ao modelo de Walsh: no longo prazo, as expectativas de inflação se igualam à meta estipulada pelo Banco Central, e isso seria consistente com um gap zero do produto. Isso ocorre na realidade? Quer dizer, todos os BC’s que adotam o regime de metas de inflação estipulam uma meta consistente com a igualdade entre produto corrente e produto potencial?

    De qualquer forma, o modelo de Walsh, por essas razões que citei e outras citadas no post é muito mais moderno do que o velho OA-DA, e também mais didático, o que liga um sinal de alerta para o ensino atual da Macroeconomia, que sem dúvida passa pelas bibliografias consideradas obrigatórias nestes cursos, muitas das quais ainda ensinando modelo Macro com IS-LM e OA-DA.

  2. Guilherme Pompeu Says:

    Uma das principais contribuições do modelo de Walsh (2002) é mostrar como a política monetária desempenhada pelo policy maker pode ser influenciada pelas expectativas de inflação da economia. Isso acontece, por exemplo, quando o banco central escolhe de tal maneira suas políticas monetárias que a economia se encontra com uma abertura negativa no seu hiato, mas com uma inflação razoavelmente ancorada. Com o tempo, os agentes reconhecendo que a inflação da sua economia é menor que a sua expectativa, ou seja, o intercepto da curva de Phillips com o eixo Y no gráfico é maior que o que de fato a economia está rodando em termos inflacionários, os indivíduos irão ajustar as suas expectativas de forma a convergir para mais próximo do nível desempenhado de fato na economia. Com a redução da inflação, o banco central pode assumir uma posição mais expansionista tendo implícito um menor custo sobre a inflação de sua economia, ou seja, lhe permitiu que ex-post à redução da inflação percebida pelos indivíduos, o custo marginal em termos inflacionários de se tomar um posicionamento mais “dove” (maior preocupação com o desemprego e o baixo crescimento do que com a inflação mais alta) em relação a política monetária fosse menor. Nesse caso, podemos ver como a utilização de uma política monetária mais voltada para a preservação da meta de inflação fez com que a própria mudança nas expectativas da economia levasse à aceleração do seu hiato. No longo prazo, o equilíbrio irá então se dar no ponto em que a meta de inflação seja atingida e o hiato do produto esteja “finalizado”.
    No caso inverso, ou seja, quando o banco central tem um posicionamento que dê preferência em favorecer a atividade frente à inflação, vemos que as expectativas de inflação tendem a forçar o banco central a tomar medidas mais restritivas. Isso porque, supondo que as expectativas de inflação estejam se situando abaixo da meta, mas que, por outro lado, a inflação observada no período seja maior que as expectativas, acabar-se-á criando uma dinâmica que fará com que os agentes revisem suas projeções para cima. Assim, eles elevarão as taxas de inflação da economia, fazendo com que o banco central seja obrigado a restringir a oferta de moeda, contraindo sua base monetária e fechando o gap entre a inflação do período e a meta pré-estabelecida.
    Esta análise do modelo elucidado no trabalho de Walsh (2002) mostra que as expectativas para a inflação compõe uma parte fundamental do regime de “inflation targeting”. Nele, pudemos perceber que dependendo de qual preferência política o banco central adote, as expectativas terão um efeito benéfico ou perverso sobre o nível de atividade da
    economia como um todo. Sendo assim, pudemos observar, que a busca mútua por dois objetivos inversamente relacionados (como pode ser observado na curva de Phillips) não é possível de ser alcançada.

    Fontes:
    http://www.econ.puc-rio.br/uploads/adm/trabalhos/files/Monografia_Leo.pdf
    WALSH, C. E. (2002). “Teaching Inflation Targeting: An Analysis for Intermediate Macro” Journal of Economics Education.

  3. Pamela Generoso Says:

    De Castro (2012) buscou analisar a atuação do banco central quanto ao papel das expectativas na determinação da inflação, e, portanto, como o ancoramento dessas expectativas em torno de uma meta central deve ser o foco principal do policy maker. Este último, através da condução e da transparência da sua política monetária, busca a conversão da inflação para a meta de longo prazo, utilizando se de todos os instrumentos monetários disponíveis.

    Neste sentido o autor afirma que, em relação ao modelo de Carl E. Walsh (2002), quando adotado um regime de metas para inflação, as expectativas acerca dos preços futuros passam a ter papel de destaque não só no processo que culminará na determinação desses preços mas também na eficácia da política monetária.

    Segundo o autor, Carl E. Walsh (2002) mostra a relação entre uma curva de Phillips (compõe a parte da oferta), supondo que a economia tenha certa rigidez de preços (sticky prices), e uma curva composta pelas preferências do policy maker no trade off entre nível de atividade e inflação (compõe a parte da demanda).

    Diferentemente de um gráfico comum de demanda agregada, composto por níveis de preços no eixo Y e nível de produto no eixo X, esse framework é composto pela taxa de inflação de uma economia e o seu respectivo hiato do produto. No modelo proposto por Walsh (2202), a curva de Phillips apresenta uma relação linear entre a taxa de inflação e o hiato do produto, ilustrando a impossibilidade de se atingir dois objetivos ao mesmo tempo, ou seja, caso o banco central tivesse como plano de ação atingir a estabilidade de preços e também a diminuição do slack da atividade, certamente ele não conseguiria atingir mutuamente ambos os objetivos.

    Já a curva de demanda é baseada na regra de Taylor, regra que identifica como o banco central reage à inflação e à atividade econômica. No caso específico, a curva irá demonstrar a preferência do banco central entre uma política monetária mais dovish ou mais hawkish, dependendo de qual objetivo ele tenha traçado. No caso de uma curva mais inclinada, por exemplo, fica evidente a preferência do policy maker por uma política monetária mais voltada para a diminuição do slack, dado o alto custo marginal em se reduzir a inflação. No caso onde a curva é mais próxima de uma linha horizontal, a busca por essa aceleração do hiato se torna muito mais custosa para o banco central.

    Fontes:
    WALSH, C. E. (2002). “Teaching Inflation Targeting: An Analysis for Intermediate Macro ”Journal of Economics Education. 33 (4), Fall: 333-346
    DE CASTRO, Leonardo De Paoli Cardoso. REGIME DE METAS PARA INFLAÇÃO. 2012.

  4. Isabela Oliveira Melo Says:

    Segundo Walsh (2010), um longo período de estabilidade do regime de política monetária, traduzido na constância dos procedimentos operacionais, é importante por facilitar a identificação das chamadas variáveis da política. No caso do Brasil, 13 anos de regime de metas de inflação aliados a uma disponibilidade já considerável de informações sobre a economia, vêm viabilizando o emprego de modernas técnicas de análise e uma compreensão mais sofisticada dos efeitos da política monetária.

    http://www.scielo.br/pdf/rec/v18n2/1415-9848-rec-18-02-00296.pdf

    • Diego Domingues Says:

      Muito interessante seu ponto Isabela, e vai justamente de encontro com o que a professora comentou em sala e com o comentário do Arthur. Como distinguir o que é curto prazo do que é longo prazo? Há uma regra clara na teoria econômica para tal? Concordo com o Arthur que o modelo de Walsh consegue lidar com esse dilema de forma razoavelmente satisfatória ao encararmos ele como a curva de Phillips ao invés de Oferta Agregada, embora, como ressaltado por ele, no fundo represente a mesma ideia. Como a professora comentou em sala, temos dados confiáveis sobre a economia brasileira para realizarmos análises de longo prazo? Como dito em sala, é necessário adequações no modelo utilizado para lidar com quebras estruturais, mas acredito que para uma análise mais de curto prazo, seu argumento se faz coerente, para analisarmos de forma mais eficaz os efeitos das políticas monetárias do BCB sobre as variáveis econômicas de interesse.

  5. Victória Jorge Says:

    Semelhante ao modelo OA-DA, o modelo de Taylor apresenta uma DA que utiliza uma curva relacionando PIB a taxa de juros reais, análoga a IS, descrevendo uma relação inversa entre as variáveis, outra curva que relaciona inflação e taxa de juros real em uma relação direta, mostrando as possibilidades de ação do Banco Central e uma terceira, a curva de Phillips aumentada por expectativas, que relaciona inflação ao PIB real em uma função temporal, forma a curva de ajuste de inflação, que toma o lugar da OA neste modelo. As relações básicas entre as variáveis são semelhantes, mas no modelo de Taylor o enfoque é em relação ao nível de inflação, e não de preços.
    Diferente do modelo DA-OA, o de Walsh utiliza apenas dois componentes: a Curva de Phillips, com hipótese de rigidez de preços e salários e uma curva de política monetária descrevendo as preferências da autoridade monetária que reflete o trade-off entre produto e inflação. A Curva de Phillips relaciona a inflação real à inflação esperada e ao gap do produto real e potencial. Como a DA falha em explicitar o papel do policy maker e dificulta a análise da inflação ao assumir que o Banco Central fixa o estoque nominal de moeda e falha ao reagir aos movimentos da economia, assim suas ações são tomadas como exógenas. Desta forma, a curva de política monetária assume o objetivo do Banco Central de estabilizar inflação e gap do produto, apresentando um trade-off entre eles, em que o benefício marginal de um implica em custo marginal do outro.

  6. Bianca Buzzo Alonso Says:

    Atualmente podemos considerar o modelo de Walsh mais adequado que o de OA-DA, expresso em termos de produto e nível de preços. Isso porque, o modelo de Walsh, mais moderno, consegue explicitar de forma muito mais clara os objetivos de política monetário do Banco Central. No modelo é descrita uma curva de política monetária, que descreve as preferências do gestor de política econômica entre inflação e produto, ou seja, uma representação de forma reduzida do lado da demanda. O lado da oferta, por sua vez, é representado pela Curva de Phillips, aumentada pelas expectativas, sob hipótese de rigidez de preços e/ou salários. Como o Arthur mencionou em seu comentário acima, seria um escolha melhor, pedagógica e didaticamente, optar pelo modelo de Walsh ao invés do tradicional porque, numa DA comum, parecem ser exógenos os movimentos de política monetária, quando na verdade eles são reações endógenas a economia, o que é muito mais claro no modelo de Walsh.

  7. Murilo Mello Says:

    Em seu paper, Walsh mostra a relação entre uma curva de Phillips (compõe a parte da oferta), supondo que a economia tenha certa rigidez de preços, e uma curva composta pelas preferências do policy maker no trade-off entre nível de atividade e inflação (que compõe a parte da demanda). Diferentemente de um gráfico comum de demanda agregada, composto por níveis de preços no eixo Y e nível de produto no eixo X, esse framework é composto pela taxa de inflação de uma economia e o seu respectivo hiato do produto.
    No modelo proposto pelo autor, a curva de Phillips apresenta uma relação linear entre a taxa de inflação e o hiato do produto, ilustrando a impossibilidade de se atingir dois objetivos ao mesmo tempo, ou seja, caso o banco central tivesse como plano de ação atingir a estabilidade de preços e também a diminuição do slack da atividade, certamente ele não conseguiria atingir mutuamente ambos os objetivos. Já a curva de demanda é baseada na regra de Taylor, regra essa que identifica como o banco central reage à inflação e à atividade econômica. No caso específico, a curva irá demonstrar a preferência do banco central entre uma política monetária mais dovish ou mais hawkish, dependendo de qual objetivo ele tenha traçado. No caso de uma curva mais inclinada, por exemplo, fica evidente a preferência do policy maker por uma política monetária mais voltada para a diminuição do slack, dado o alto custo marginal em se reduzir a inflação. No caso onde a curva é mais próxima de uma linha horizontal, a busca por essa aceleração do hiato se torna muito mais custosa para o banco central.

    http://www.econ.puc-rio.br/uploads/adm/trabalhos/files/Monografia_Leo.pdf

  8. Maria Carolina Meirelles Napravnik Says:

    Para determinar o equilíbrio, Walsh utiliza relação entre a curva de Phillips e a forma reduzida da DA que enfatiza o importante papel desempenhado pela escolha do BC da política adotada refletindo o trade-off entre a inflação e as flutuações do produto.

    Essa abordagem fornece uma abordagem conveniente para analisar as metas de inflação. O conceito de metas de inflação está no centro da teoria da política monetária ótima e baseia-se em três princípios. Para atingir a meta de inflação, o banco central deve focar no gap do produto, seguir o princípio de Taylor (a política monetária deve reagir a um aumento da taxa de inflação com um aumento além do proporcional da taxa de juros nominal) e agir de forma prospectiva (foward-looking) (WALSH). Isso significa que a política monetária influencia o lado real da economia com um certo atraso. Uma mudança na taxa de juros tem seu impacto máximo apenas de 12 a 18 meses depois e os efeitos da taxa de inflação demoram ainda mais para se concretizarem. Por conseguinte, os bancos centrais não podem esperar até que a inflação real comece a subir, mas devem de agir de forma prospectiva.

    Uma estrutura de política monetária que atenda a esses três princípios é o conceito de metas de previsão de inflação. Nela, o banco central deve estabilizar a inflação a um nível baixo e fechar o gap do produto ao mesmo tempo. Para tanto, os bancos centrais utilizam todos os conhecimentos e informações disponíveis sobre o curso futuro da inflação, as condições econômicas reais e futuras do lado real da economia e do mecanismo de transmissão monetária. A extensão da reação de política monetária depende da sensibilidade da previsão de inflação às mudanças nas taxas de juros.

    Além da análise das metas de inflação, a abordagem de Walsh é adequada para realçar as incertezas associadas à política monetária. Os efeitos das alterações nas expectativas do público em relação à inflação, as flutuações imprevisíveis da demanda e reações políticas a fatores diferentes da inflação e do gap do produto podem ser tratados numa única estrutura.

  9. Giovanni Di Pietra Says:

    Como colocado pelo próprio Walsh no artigo onde o “modelo de walsh” nos é apresentado, há certas limitações no modelo proposto – assim como “qualquer tentativa de traduzir a complexidade da economia numa simples análise gráfica”, nas palavras do autor. Uma dessas limitações é tomar por hipótese que o banco central está comprometido também com a estabilização do gap de produto, deixando de lado o problema de inconsistência intertemporal dinâmica. Tal problema surgiria a partir de uma meta de produto acima do produto natural, o que refletiria – no modelo – um aumento no intercepto da curva de RPM de modo que cruzaria o eixo vertical acima da meta de inflação, se o público esperar uma inflação compatível com a meta anunciada o equilíbrio de curto prazo tem o x(gap de produto) maior do que zero e a inflação atual acima da meta. Conforme as expectativas se ajustassem o gap de produto voltaria a ser zero, mas a inflação continuaria acima da meta. Esta análise é proposta também pelo próprio autor em Walsh, C. E. 1998. Monetary theory and policy. Cambridge, Mass.: MIT Press. – Capítulo 8.

    Fonte: WALSH, C. E. (2002). “Teaching Inflation Targeting: An Analysis for Intermediate Macro ”Journal of Economics Education. 33 (4), Fall: 333-346

  10. Marcelle Rocha Says:

    O modelo de Walsh mostra que a perda de credibilidade do Banco Central, especificada pela diferença entre a inflação observada e o centro da meta, pode provocar uma contração do PIB real. Pelo modelo apresentado o PIB real vem decrescendo desde 2011 e nos últimos trimestres apresenta uma estabilidade.Todavia, conforme o estudo aponta, desde 2010 a credibilidade do BCB adquirida ao longo de todos os anos a partir do Plano Real vem sendo posta em dúvida devido aos formuladores da política econômica do atual governo tolerarem uma taxa de inflação mais alta para poderem apresentar um crescimento maior do PIB.

    http://www.econ.puc-rio.br/uploads/adm/trabalhos/files/Luiz_Felipe_Molinaro_de_Souza_Moreira.pdf

  11. Wenderson Pizzo Says:

    Um fato interessante do Modelo do Walsh é que não é utilizado a tradicional curva de DA, fato que é vantajoso, pois a curva que a substitui no modelo do Walsh associa a inflação e o gap do produto e é mais apropriada para analisar políticas de metas de inflação, uma vez que na tradicional DA o BC fixa o estoque nominal de moeda e não reage sistematicamente a acontecimentos econômicos o que faz parecer que a política monetária é exogena, ao invés de refletir o fato de que a maior parte das ações de política representa reações endógenas à economia.

    Fonte:

    Notas de aula da professora Roseli.

  12. Gabriel de Oliveira Teixeira Says:

    Uma das motivações do modelo de Walsh foi a adoção por várias economias, emergentes e desenvolvidas, do sistema de metas de inflação, dentre estas economias podemos citar: Reino Unido, Canadá, México, Israel, Nova Zelândia e posteriormente o Brasil, além do próprio BCE (Banco Central Europeu) que também trabalhou para implementar os conceitos do sistema de metas de inflação como âncora nominal. O modelo de Walsh é primariamente didático, formulado com o objetivo de introduzir a análise do papel do “policy making” na política monetária para estudantes de nível intermediário, o que explica o seu grau de simplificação para formular discussões quanto às implicações de se tomar uma meta de inflação para a condução da política monetária e o correspondente comportamento dos agentes em função desta nova regra. De modo que uma análise padrão de oferta e demanda agregada é não seria exatamente ideal para esta tarefa, e isso se da por duas razões propostas por Walsh: Primeiro por que a análise padrão de oferta e demanda agregada é expressa em termos de produto e nível de preços (a análise que é proposta em nosso material do Mishkin já avança nesse sentido, apresentada em termos de taxa de inflação ao invés do nível geral de preços) e em segundo lugar, os objetivos do banco central não estão explícitos – apesar de a regra de Taylor ser incorporada implicitamente ao modelo. O objetivo do modo como o modelo é formulado é tornar explicito o papel da política adotada e seus objetivos, além de dar ênfase às preferencias dos Bancos Centrais que formulam (e devem seguir) a Regra de Política Monetária.

    Fontes: WALSH, C. Teaching Inflation Targeting: An Analysis for Intermediate Macro. Department of Economics, University of California, Santa Cruz, 2001.”

  13. Pedro Venturi Says:

    Achei interessante o fato de no modelo proposto por Walsh a curva de demanda agregada ser substituída por uma curva de política monetária. Isso de fato apresenta a grande vantagem ao mostrar que as ações de política monetária são endógenas. Contudo, fiquei com uma dúvida. Esse modelo pode explicar choques na demanda, como por exemplo variações no consumo ou investimento autônomos? Pelo que entendi ele não considera o mercado de bens e serviços como o modelo de OA-DA proposto no Mishkin.

    • Sofia Serra Tavares Says:

      Pedro, como você mesmo disse, no modelo de Walsh a curva RPM parece não apresentar os efeitos de variações no consumo, investimento autônomo, entre outros. Porém pesquisando sobre isso, encontrei que essas mudanças estão inseridas no termo alfa da equação, que inclui o impacto desses outros fatores sobre a demanda agregada.

      • Felipe Maia Polo Says:

        Obrigado pela informação, Sofia. Fiquei com a mesma dúvida do Pedro quando li o texto. De fato, para efeitos práticos, ou seja de estimação, não faz muita diferença, pois com a técnica econométrica é possível estimar tudo junto. No entanto, acredito ainda, que se o autor tiver o desejo de fazer uma separação entre vários fatores exógenos isso também poderia ser feito – essa mudança enriqueceria a análise e permitiria que a análise econômica fosse mais completa e detalhada.

  14. Taynã Francisconi Says:

    Walsh propõe um modelo, onde a curva de Phillips demonstra uma relação linear entre a taxa de inflação e o gap do produto, assim ilustrando a incapacidade de se atingir dois objetivos ao mesmo tempo.
    A curva de demanda é baseada na regra de Taylor, esse demonstra como o BC reage à inflação e à atividade econômica.
    Walsh assume que o banco central atua de forma a otimizar a sua escolha de política monetária, ou seja, ele irá escolher, qual será a política que irá lhe trazer maiores benefícios com os menores encargos.
    A principal contribuição do modelo é mostrar como a política monetária desempenhada pelo policy maker pode ser influenciada pelas expectativas de inflação da economia.

  15. João Paulo Cinegaglia Says:

    Os dois modelos levam em consideração a utilização da política monetária com o objetivo de contenção da inflação. O diferencial de Walsh é considerar também o gap do produto resultante da política monetária, ou seja, considera que seu efeito seja endógeno.
    Apesar de realmente ser impossível dissociar completamente a ação da política monetária e seus efeitos sobre o produto, considerar que há endogeneidade neste caso é ao menos questionável, dado que isso faz parecer que a função da taxa de juros é mover a economia (ou fazer aumentar o PIB), o que de fato não se configura como realidade, dado que são outros os mecanismos, que não a movimentação da taxa de juros, responsáveis pela movimentação da economia. Compreender que há influência da política monetária sobre o produto é um caso, outro é taxá-lo de responsável pelo avanço ou retrocesso da economia; e, abrir para mais interpretações possíveis da política monetária (embora ressalta-se que esta, por estar dentro do campo aberto que representa a economia não apresenta respostas definitivas) pode gerar uma redução de sua eficácia no combate a sua função até então dada como principal, que é a de combater a inflação.

  16. Caio Duarte Says:

    Como atestado, a principal contribuição do modelo proposto por Walsh é que a política monetária desempenhada pela autoridade monetária pode ser influenciada pelas expectativas de inflação dos agentes. Isso pode ocorrer quando o Banco Central escolhe suas políticas de modo que a economia se encontra numa ” abertura negativa do seu hiato”, mas com uma inflação ancorada, como ocorre no modelo de Metas de Inflação.
    Com o passar do tempo os agentes os agentes passam a rever suas expectativas de inflação, dado que ela está abaixo da expectativa inicial e com isso através do ajuste da Curva de Phillips, as expectativas tendem a se ajustar num nível próximo ao praticado pela economia de fato. Assim dependendo das políticas que o BC adota, as expectativas terão um efeito positivo ou negativo sobre o nível de atividade da economia.
    Por fim uma importante conclusão do modelo é que não é possível a busca simultânea por dois objetivos inversamente relacionados.

    Fontes:
    WALSH, C. Teaching Inflation Targeting: An Analysis for Intermediate Macro. Department of Economics, University of California, Santa Cruz, 2001.”
    http://www.econ.puc-rio.br/uploads/adm/trabalhos/files/Monografia_Leo.pdf

  17. Daniel Wetzel Says:

    Imagino que o modelo de Walsh seja mais realista para avaliar a atuação através da política monetária que seria ideal por parte do Banco Central, pois limita as ações dos gestores estabelecendo uma meta de inflação via contratos, de forma que fatores como a preferência do gestor quanto à inflação são anulados. O modelo se embasa na teoria do agente-principal, em que o governo estabelece a meta e passa a responsabilidade de atingir tal meta para o gestor da autoridade monetária. De forma que o objetivo da política é fixado exógenamente. Este artigo que utilizei de fonte faz uma avaliação da estrutura de governança da política monetária brasileira, através do modelo de Walsh, Rogoff e Svensson, que é uma síntese entre os dois modelos, deixarei o artigo aqui para quem interessar:
    http://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/45455721/texto_para_discussao_ano_2005_texto_15.pdf?AWSAccessKeyId=AKIAJ56TQJRTWSMTNPEA&Expires=1479843241&Signature=r2PTddk7m0jX7iXYcU9KwIf8sao%3D&response-content-disposition=inline%3B%20filename%3DO_Regime_de_Metas_de_Inflacao_e_a_Govern.pdf

  18. matheuscarrijobrito Says:

    No modelo proposto por Walsh, achei interessante a estrutura micro do modelo fundamentando a Regra de Política Monetária por meio de uma função reação do Banco Central ao aumento da inflação e desvio no produto. Com essa estrutura a taxa de juros é variável endógena que se ajusta para manter o produto no pleno emprego e a inflação na meta. Fato o qual difere do modelo feito pelo Mishkin, no sentido, de deixar explicita que a reação do Banco Central não é exógena ao modelo.
    No modelo de Walsh há uma representação algébrica para a função de reação do Banco Central. Contudo em nem todos os momentos é possível se obter a forma algébrica para a função. Partindo dessa situação Taylor, no artigo abaixo, analisa a politica monetária neste ambiente, fazendo ainda, uma reflexão sobre o dilema de politica monetária discricionária e sob regras. E esta analise esta diretamente ligada a função reação do BC pois quando esta existe precisa ser mensurada para melhor captar as variações da inflação e do produto. Fato o qual esta longe de ser trivial, ainda mais em modelos com Expectativas Racionais. Por exemplo, separar efeito de um choque inflacionário de curto prazo ou permanente exige olhar em diferentes índices de preços, como preços do atacado, no consumidor, índice do custo do emprego. Não obstante, é necessário observar a taxa de crescimento do produto potencial, e assim, dos fatores de produção associado. Tudo isso, impacta na determinação da meta de inflação e na função de reação do BC.

    http://web.stanford.edu/~johntayl/Onlinepaperscombinedbyyear/1993/Discretion_versus_Policy_Rules_in_Practice.pdf

  19. Fabricio Freitas Alves Says:

    No artigo “Inflation Targeting: What Have We Learned?”, Walsh discute, dentre muitas coisas, quais os ganhos das metas de inflação para as economias. Ele avalia qual o impacto na média e volatilidade da inflação dos países que adotaram esse método. O autor afirma ser bastante difícil avaliar com precisão qual o impacto desse tipo de política. Porém, as evidências apontam que, em países desenvolvidos, essa política não teve muito impacto em nenhuma das duas variáveis. Por outro lado, os países em desenvolvimento responderam positivamente a essa medida.

    Fonte:
    Walsh, Carl E. “Inflation targeting: what have we learned?.” International Finance 12.2 (2009): 195-233.

  20. Marina Lavez Says:

    Em um paper a respeito de metas de inflação e Banco Centrais Independentes, diz que os que defendem a tese da Independência dos Bancos Centrais (IBC), dentre outros fatores, se apoiam na busca por reputação, que é medida pelo grau de confiança dos agentes privados nos dirigentes do Banco Central e também nas relações fundamentais da curva de Phillips.

    Segundo Fischer (1995, p. 201-203), dois são os modelos propostos para a IBC. O primeiro é o de Rogoff (1985) e o segundo é o modelo de Walsh (1995). O segundo modelo é considerada melhor que o primeiro, pois ele busca limitar as ações dos gestores ao estabelecer uma meta de inflação contratual. Dessa forma, anula a importância de fatores subjetivos como as preferências quanto à inflação na hora da escolha de um diretor ou gestor para o Banco Central. Esta proposta garante ao Banco Central liberdade de instrumentos para alcançar uma taxa de inflação que foi estabelecida pelo governo e/ou congresso e, além disso, ainda impõe aos gestores sanções como perda de seus cargos caso a inflação ultrapasse o nível ótimo estipulado. É também conhecida como alternativa do arranjo Agente-principal,
    pois o governo (principal) delega uma responsabilidade ao gestor do BACEN (agente) mediante um contrato.

    http://www.bcb.gov.br/htms/sobre/consursomonografia/orlando.pdf

  21. Luiz Felipe Coser Guarnieri Says:

    Como último comentário e último tópico da disciplina de Economia Monetária, acredito ser importante pontuar alguns fatos.

    Conforme fomos avançando nos modelos econômicos, fomos percebendo que aqueles que aprendemos a utilizar mostram-se hoje, de certa forma, ultrapassados. Para ser mais justo, pode-se afirmar que eram pouco completos frente aos seus pares mais atuais. Outro ponto a ser levado em consideração (que não pertence na verdade a um dos modelos especificados pelo texto-base do grupo, mas sim de outro) é que a Regra de Taylor depende da meta de inflação e do PIB potencial de uma economia, com enfoque no instrumento de metas de inflação.

    O modelo de Taylor baseia-se em uma curva relacionando o Produto real com a taxa de juros reais (mais um termo de mudança, choque), descrevendo uma relação inversa entre as variáveis, expressando a curva de DA da economia; outra que incorpora a inflação e a taxa de juros real em uma relação direta, demonstrando as possibilidades de ação do Banco Central (lembrando aqui do comprometimento institucional de que a estabilidade dos preços será o primeiro objetivo da política monetária, ao qual os outros objetivos estarão subordinados) e uma terceira, a curva de Phillips aumentada por expectativas, que relaciona inflação ao PIB real em uma função temporal, forma a curva de ajuste de inflação (AI-OA), que toma o lugar da OA neste modelo.
    No caso brasileiro, o sistema de metas de inflação foi incorporado ao Brasil como medida para aumentar a credibilidade do país perante o mercado após a reorganização do sistema monetário com o Plano Real em 94.
    Mais de vinte anos depois, podemos perceber que o sistema é relativamente bem sucedido, mas que é inegável a eficiência e aplicabilidade do jargão reputação-credibilidade-transparência, bastante defendido teoricamente pelo próprio Mishkin.
    FAtores como anúncio público da meta de inflação e comprometimento institucional de que a estabilidade dos preços será o primeiro objetivo da política monetária, ao qual os outros objetivos estarão subordinados tornam-se MENOS efetivos frente a reputação, credibilidade e comunicação utilizada que o gestor do Banco Central faz uso. Como resultado, se paga um alto custo ao adotar uma política arbitrária (ou inflada, como por exemplo que busque implicitamente o teto da meta ao invés da meta) que leve a uma alta inflação.

    MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

  22. Anibal Amêndola Paschoal Says:

    Na versão Taylor, a curva de Demanda Agregada é formada pela curva IS (y= -ar + w), indicando que quanto maior a taxa de juros menor a demanda agregada e, consequentemente, o produto; e pela regra de Taylor estrita (r = bΠ + v), indicando que, quanto maior a taxa de inflação mais o gestor da política monetária elevará a taxa de juros nominal a fim de causar um efeito real afetando negativamente a Demanda Agregada, reduzindo as pressões sobre os preços. Já a Oferta Agregada é representada pela Curva de Phillips (Π = Π-1 +c*y-1 +w), que indica que a taxa de inflação aumenta quando o produto esta acima do potencial, sinalizando pressões da demanda, sendo representada por uma curva horizontal, uma vez que a inflação muda quando o produto está acima ou abaixo do potencial.
    Na versão Walsh, a Curva de Phillips é a Oferta Agregada do Modelo, que relaciona a inflação à inflação esperada, ao estado do ciclo de negócios (medido pelo gap do produto) e “e”, um parâmetro que captura quaisquer outros fatores que possam afetar a inflação. A curva de Demanda Agregada é dada pela “Regra de Política Monetária” , que indica que o BACEN age equilibrando os custos e benefícios marginais de suas ações políticas; isto é: age de maneira ótima dado seus objetivos (minimiza as flutuações do produto em torno do potencial da inflação em torno de sua meta. A inclinação dessa curva depende do peso dado à estabilização do produto relativamente à estabilização da inflação.

  23. Vinícius Vilela Says:

    O artigo de Walsh visa proporcionar aos estudantes um curso de macroeconomia de nível intermediário com um meio de entender suas implicações para a macroeconomia. O artigo é importante pra entender a relação entre a meta de inflação e a condução da política monetária. O autor usa duas relações entre a inflação e o hiato do produto para determinar o equilíbrio de CP. A 1º relação se dá na curva de Phillips e a 2º como uma forma reduzida da DA para enfatizar a importância da escolha política do Banco Central entre a inflação e a variabilidade do produto

    Além disso, o autor fornece um quadro conveniente para a análise de metas de inflação, visando destacar as incertezas associadas à política monetária. Ele cita os efeitos das mudanças nas expectativas do público em relação à inflação, às flutuações imprevisíveis da demanda e às reações políticas a outros fatores além da inflação e do hiato do produto.

    Fonte: “Teaching Inflation Targeting: an Analysis for Intermediate Macro”

  24. Pedro Violante Says:

    Ambos os modelos definem a curva de Oferta Agregada por meio da Curva de Phillips com expectativas, ou seja, os dois autores consideram em suas análises que se y > yp, haverá pressão inflacionária (via mercado de trabalho operando acima da taxa de desemprego natural, por exemplo). Choques exógenos e expectativa de inflação também determinam o nível de inflação observado.

    No entanto, os determinantes da curva de Demanda Agregada são distintos entre os dois modelos. Nesse sentido, é interessante notar a maneira por meio da qual o Modelo de Walsh explicita a atuação das Autoridades Monetárias (por meio da Regra de Política Monetária) e, define (alternativamente a Mishkin) a determinação da curva de demanda agregada: dado que a taxa de inflação depende da inflação esperada e do gap do produto, o Banco Central atua no mercado de títulos para conduzir a taxa de inflação até sua meta via mudanças nas taxas de juros, garantindo assim que o produto seja o produto potencial da economia.

    O argumento de Walsh para a elaboração de uma curva de Demanda Agregada que não seja composta por agregados (consumo, investimento, gastos do governo e exportações líquidas) é que ao defini-la por meio da Regra de Política Monetária, é possível englobar as respostas endógenas do Banco Central às flutuações do produto e da inflação, ou seja, define o objetivo do Banco Central, em vez de assumir o estabelecimento de um estoque de moeda exógeno é. Dessa maneira, pode-se discutir as ações do Banco Central que visam à condução da taxa de inflação à meta pré-definida.

  25. Marcelo Dias Junior Says:

    Em uma monografia sobre regimes de metas de inflação, há afirmação de que no paper de Carl E. Walsh (2002), ele mostra a relação entre uma curva de Phillips (compõe a parte da oferta), supondo que a economia tenha certa rigidez de preços (sticky prices), e uma curva composta pelas preferências do policy maker no trade-off entre nível de atividade e inflação (compõe a parte da demanda). Diferentemente de um gráfico comum de demanda agregada, composto por níveis de preços no eixo Y e nível de produto no eixo X, esse framework é composto pela taxa de inflação de uma economia e o seu respectivo hiato do produto.
    Além de que no modelo, Walsh (2002) assumi que o banco central atua de forma a otimizar a sua escolha de política monetária, ou seja, ele irá escolher, levando-se em conta o custo marginal de cada uma, qual será a política que irá lhe trazer maiores benefícios com os menores encargos.
    Chegando à conclusão, a partir de uma simples ilustração provida pelo modelo elucidado no trabalho de Carl E. Walsh (2002), de que as expectativas para a inflação compõe uma parte fundamental do regime de inflation targeting.

    http://www.econ.puc-rio.br/uploads/adm/trabalhos/files/Monografia_Leo.pdf

  26. Guilherme Kermentz Ferraz Costa Says:

    Muito bom o post dessa semana. Só encontrei uma ambiguidade que pode vir a confundir um leitor incauto. O grupo coloca que “os dois modelos mencionam a taxa de juros real como principal ferramenta de controle da inflação”. No entanto, é importante lembrar que a taxa de juros real é controlada de forma indireta pela taxa de juros nominal, que por sua vez é reflexo dos preços dos títulos de dívida. Ou seja, a autoridade monetária não controla a taxa de juros real diretamente, mas por meio da taxa de juros nominal.
    Fora isso, quero colocar minha opinião aqui de que as diferenças entre esses modelos macroeconômicos modernos e aqueles mais antigos, da era IS-LM, são superestimadas.
    De fato, os modelos mais recentes tratam as expectativas de forma mais sofisticada, incorporam a inflação de forma explícita (não por meio do nível agregado de preços “P”) e colocam a autoridade monetária agindo endogenamente.
    As semelhanças entre eles, contudo, são mais fortes do que as diferenças. Nos dois casos, a escassez de bens de capital é ignorada no curto prazo por meio da hipótese de que existem fatores de produção ociosos. Além disso, embora os modelos incorporem rigidez de preço, a produção é considerada extremamente flexível. Por último, tanto em um, como no outro, os possíveis efeitos de distorção causados pela política monetária na estrutura de produção e nos preços relativos são escondidos pelo alto grau de agregação do modelo.
    Não irei entrar no mérito de que existem modelos melhores do que esses. Com isso, só quero mostrar que ainda não estamos muito distantes dos modelos keynesianos antigos.

  27. Andrew Normanton Says:

    Complementando o comentário do Guilherme a respeito da seguinte frase: “os dois modelos mencionam a taxa de juros real como principal ferramenta de controle da inflação”, é importante lembrar que apesar de o Guilherme ter dito corretamente que o Banco Central opera seus instrumentos de modo a mudar a taxa nominal de juros e portanto alterar a taxa de juros real, é importante lembrar que tal consequência só ocorre porque os modelos mais modernos assumem que exige lentidão nos ajustes da inflação esperada por causa de imperfeições (preços monopolistas, salários justapostos, custos de menu, barganha entre outros), de modo que alterações nas taxas nominais podem causar alterações nas taxas reais. Vide fórmula abaixo:

    i = r + I(e) onde i = taxa nominal de juros, r = taxa real de juros e I(e) = Inflação esperada.

    Sendo assim, se há alterações em i que não são repassadas para I(e) devido a lentidão dos ajustes, r irá variar na mesma direção de i.

    Há modelos também que assumem que o Banco Central possui um conjunto de informações diferente dos agentes privados de modo a criar assimetria de informação, e portanto, a lentidão.

    https://roselisilva.files.wordpress.com/2014/11/taylor-e-walsh.pdf
    MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009
    https://roselisilva.files.wordpress.com/2014/11/curvas-de-phillips.pdf

  28. Fábio Garcia Says:

    O Modelo de Walsh envolvendo o gap do produto, que seria o produto observado menos o produto de pleno emprego e taxa de inflação é mais adequado na análise da macro moderna já que os modelos mais antigos de AO e DA não explicitam os objetivos de política do banco central. A existência de regras, como oposto a política discricionária, é tanto na prática como na teoria bastante aceita e utilizada pelas autoridades monetárias. Como mencionado no post o papel da A.M. deve de alguma forma ser explicitado por um modelo completo. Porém, no modelo de Walsh ainda se desconsidera, segundo o post, as incertezas da A.M. com relação a curva de Phillips e os objetivos monetários.

  29. Maria Eduarda Pastorello Says:

    O modelo Walsh é constituído a partir da curva de Phillips aumentada pelas expectativas sob a hipótese da rigidez de preços/salários representando a OA. Já a DA assume a forma reduzida das decisões do BC em relação ao gap do produto e a inflação. A política monetária é considerada uma resposta do BC, sendo endógena ao modelo. Há duas formas de representar a DA nesse modelo: Regra de Taylor Flaxível e definindo os objetivos do BC de forma que sua ação seja um resultado ótimo. Sendo assim, o BC atua sistematicamente buscando equilibrar custos e benefícios marginais de suas ações.
    A regra de reação do BC no modelo de Walsh, produz uma Regra de Taylor a medida que sintetiza a relação entre inflação e o gap do produto, equilibrando os custos e os benefícios das ações da politica.
    A relação entre o comportamento do BC e a Regra de Taylor se da através do mecanismo de transmissão monetária que conecta as modificações nos instrumentos do BC com os resultados da inflação do produto.
    Sendo assim, modelo de Walsh tem sido considerado mais adequado pelos adeptos da independência do BC, pois ele estabelece uma meta de inflação que deve ser perseguida pelos gestores da política monetária e, ao mesmo tempo, estabelece uma punição a estes, caso a meta não seja alcançada.

  30. Nader F Farhat Says:

    Achei bem interessante o post mas acho que ficou muito limitado na a destacar a composição do modelo e descrever cada componente da oferta e demanda agregada, mas não ficou muito clara a contribuição do modelo, encontrei um artigo que tenta relacionar algumas contribuições do modelo no caso prático de análise da transparência do banco central e mercado financeiro.

    “Walsh (2002) se limita a destacar as dimensões política, econômica e das
    decisões de política monetária. Nesse caso, é dada ênfase à importância das diferentes
    dimensões da transparência do BC e à utilização das regras forward-looking para o BC
    ancorar as expectativas do público à sua meta de inflação. Desta forma, a maioria dos
    trabalhos teóricos e empíricos defende que a transparência do BC tem efeitos benéficos
    sobre as principais variáveis macroeconômicas. Em particular, sobre as expectativas de
    inflação e sobre as taxas de juros futuros. Neste contexto, metas explícitas têm a
    propriedade de revelar as preferências do BC e contratos de incentivo reforçam a
    convergência da inflação para a sua meta. ”

    fonte: http://www.ufjf.br/poseconomia/files/2011/04/TD-003-2011-Sim%C3%A3o_Mendon%C3%A7a.pdf

  31. Lucas Wagner Says:

    Há divergências e pontos similares nos dois modelos. Ambos utilizam alguma versão da Curva de Phillips como a curva de oferta agregada, mas o modelo de Walsh torna explícita a relação entre a taxa de inflação e o gap do produto, colocando as duas variáveis como os dois eixos da representação gráfica do modelo. No caso do modelo apresentado pelo Mishkin, essa relação assume uma forma indireta através da oferta agregada, onde a variação da inflação se dá por pressões sobre os salários.

    Outra coisa que o modelo de Walsh deixa explícito é a ação da autoridade monetária para controlar a inflação e evitar flutuação indesejadas no produto. Essa ação é formalmente definida por uma versão da Regra de Taylor. No modelo do Mishkin isso é feito de maneira implícita, apesar de também definido por uma Regra de Taylor.

  32. Guilherme Sandalo Says:

    No modelo proposto, Walsh demonstra que a curva de Phillips apresenta relação linear entre a taxa de inflação e o hiato do produto, ou seja, mostra-se impossivel atingir dois objetivos ao mesmo tempo (trade off), logo, caso o BaCen tenha como plano a estabilidade dos preços e ao mesmo tempo a diminuição do “slack” da atividade, certamente não conseguiria atingir ambos os objetivos. Como a curva de demanda é baseada na regra de Taylor, que demonstra como o banco central reage a inflação e a atividade economica. neste caso, a curva irá demonstrar as preferencias do Bacen, entre uma politica monetária mais “dovish” ou mais “Hawkish”, dependendo de qual objetivo ele tenha traçado, Por exemplo, no caso de uma curva mais inclinada fica a evidencia pela preferencia do policy maker por uma politica monetária mais voltada para a diminuição do Slack, dado ao alto custo em se reduzir a inflação. No caso onde a curva é mais próxima de uma linha horizontal, a busca por essa aceleração do hiato se torna muito mais custosa para o banco central.

  33. Vagner Augusto Says:

    Conforme colocado pelo gurpo, o modelo proposto por Walsh, adotado no mundo pelas potências desenvolvidas ou mesmo os países emergentes, mostra uma relação linear entre a taxa de inflação e o gap do produto, sendo que a curva da Demanda Agregada, pode ser descrita pelos benefícios marginais das ações politicas, enquanto que Mishkin apresenta um modelo, expresso pelos termos da inflação e do produto agregado, “considerando os ajustes nos preços e salários se ajustam de maneira lenta no longo prazo”, sendo proposto pelo autor a existência de curvas de oferta “diferentes para o curto e longo prazo”.

  34. Andrey Prado Says:

    No modelo macro de walsh é vantajoso para investigar choques econômicos como impactos da inflação e choques de demanda de forma separada. Um choque de inflação, por exemplo negativo, diminui a inflação de forma temporária dado inflação esperada e gap do produto. Isso causa uma queda na Curva de Phillips, sendo que a curva de regra de política monetária (MPR) se mantém, visto que esse choque temporário de inflação não afeta essa curva. Esse choque causa uma queda da inflação, pois diminui o custo marginal da inflação, o Banco Central então opera para incentivar o produto, e o novo equilíbrio de curto prazo possui um gap do produto positivo. Posteriormente, o choque se dissipa, a Curva de Phillips retorna para sua origem, inflação e o gap do produto retornam para o valor almejado, e a expansão na atividade econômica real e a queda da inflação se mostram temporárias.

    Um choque de demanda, por exemplo positivo, desloca a curva MPR para direita, o que demonstra que dada
    taxa de inflação, o choque positivo de demanda eleva o gap do produto. O choque de demanda é representado
    na curva MPR por u, e reflete as mudanças imprevistas pelo Banco Central na demanda e que não podem por
    ele compensar, por serem choques temporários. Posteriormente, a curva MPR retorna à sua origem, e assim
    como ocorreu com o choque de inflação, suas alterações na economia real se mostram passageiras.

    A inclinação da curva MPR reflete a volatilidade da economia quanto aos choques de inflação, e demonstra o quanto se o Banco Central está mais preocupado com alterações na inflação ou no gap do produto. Isso se dá devido à caráter endógeno quanto à abordagem do Banco Central na macroeconomia que o modelo de Walsh traz de novo. Uma curva MPR, quanto mais inclinada, mais alteração a inflação terá como resultado de choques de inflação, porém menos alteração o gap do produto terá, demonstrando a preocupação do Banco Central para com esta variável econômica. O contrário ocorre quando a curva MPR é pouco inclinada, pois um choque de demanda afetará muito o gap do produto, mas pouco a inflação, o que reflete uma preocupação maior do Banco Central no controle e manutenção da inflação dentro da meta. Essa dependência da inflação com o produto é o que, conforme Walsh cita em seu artigo, John Taylor tem caracterizado como nova política de tradeoff.

    WALSH, C. Teaching Inflation Targeting: An Analysis for Intermediate Macro. Department of Economics,
    University of California, Santa Cruz, 2001.

  35. Leonardo Veras Says:

    É importante notar que o BC no modelo de Walsh passa a ter uma presença maior no modelo, tornando mais explícito o objetivo de tal em controlar o nível de precos, mantendo a inflação na meta e reduzindo as variações do produto, utilizando a regra de Taylor, deixando de ser um espectador onde definia a oferta de moeda como no modelo do Mishkin e só reagia em determinados casos.

    Ao meu ver o modelo é mais próximo da realidade macroeconômica, coisa que o modelo apresentado pelo Mishkin deixa a desejar, ao não permitir que sejam analisadas as ações do Banco Central ao conduzir sua política, fazendo parecer que as políticas monetárias são realizadas de maneira exógena

  36. Rafael Ribas Says:

    Gostei do post! Achei um bom resumo do assunto. É interessante ressaltar que a grande contribuição do modelo proposto pelo Walsh foi endogeneizar o comportamento do BC, e com isso, fazê-lo agir reativamente aos choques da economia; tanto para diminuir a variância do produto, quanto a variância da inflação (ainda que não simultaneamente, como visto nas equações do modelo). Assim, esse modelo nos mostra um BC não age causando choques, mas sim, suavizando-os.
    Apesar de representar melhor a realidade observada, o modelo de Walsh ainda possui alguns problemas como o próprio Walsh ressalta em seu paper: “because of the assumption that the central bank is concerned with stabilizing the output gap, issues of dynamic time inconsistency have been ignored”.
    No entanto, o objetivo do artigo não é descrever perfeitamente a economia, mas sim, propor um modelo de fácil entendimento aos estudantes de macroeconomia, como Walsh afirma em sua conclusão, logo antes de escrever: “As with any attempt to compress the richness of the economy into a simple graphical framework, much has been left out of the analysis”, reconhecendo que seu modelo, apesar de útil, é limitado.

    Fontes:
    https://roselisilva.files.wordpress.com/2014/11/taylor-e-walsh.pdf
    https://people.ucsc.edu/~walshc/MyPapers/walsh_jee.pdf
    http://www.ucl.ac.uk/~uctpa36/3equation_2005_withtitle.pdf


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