K-Eco: Choques de oferta e demanda no Brasil recente

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“Choques de oferta e demanda deslocam as variáveis desemprego e inflação de seus valores nominais no curto prazo, demandando a ação da política monetária. Tal ação é balizada pela Regra de Taylor (1993). De acordo com a Regra de Taylor, se a inflação aumentar, é preciso que aumente a taxa de juros em proporção maior que o aumento da inflação para que ela volte ao seu patamar. O efeito dessa regra não é unanimidade: Gomes & Holland (2003) chegam a conclusão de que, dependendo do volume e perfil da dívida, a taxa de juros ser aumentada contribui positivamente para o combate à inflação mas aumentam o risco de default do país (analisaram o cenário brasileiro para chegar a esta conclusão).

Mishkin (2007): existem três fatos estilizados sobre a dinâmica inflacionária nos últimos anos: os choques de inflação estão declinando; a Curva de Phillips (que relaciona inflação e desemprego) está se tornando mais horizontal; a inflação tem se tornado menos reativa a choques nos preços. Os três fatos estilizados podem ser comprovados com uma observação do mundo desenvolvido: EUA com um crescimento sutil que não acomoda ainda elevação sustentável de sua taxa de juros, Europa com crescimento leve e preocupação com endividamento e Japão que mesmo com estímulos imensos (conhecido até como “jogar dinheiro de helicóptero”{1}) não tem conseguido os efeitos desejados.

Enquanto isso, no Brasil: atualmente há forte recessão econômica e inflação razoavelmente resistente (mesmo que em trajetória de queda). O que poderia ter acontecido para alcançarmos esta situação? Elencamos três fatores:

– Aumento do endividamento: a crise de 2008 originou-se nos EUA mas teve efeitos sobre o resto do mundo; por aqui, no segundo mandato de Lula, decidiu-se que a utilização de estímulos ao consumo e produção (redução de IPI, aumento da participação do BNDES) reduziria os efeitos; tal política culminou no crescimento de 7,6% do PIB em 2010. Porém, como todo medida anti-cíclica, há um limite: como isso não fora observado, continuou-se até o ano de 2014, o que elevou o endividamento sensivelmente; economistas divergem sobre o efeito do endividamento na atual recessão {2}, mas temos nele um choque positivo de demanda agregada: com o aumento dos gastos do governo aumenta-se o nível de produto no curto prazo para em seguida aumentar-se o nível de preços, levando o produto a patamares anteriores;

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– Quebra de expectativas no setor elétrico: com a Medida Provisória 579/2013, foi antecipada a renovação dos contratos de longo prazo com as empresas fornecedoras pelo motivo declarado de forçar uma redução na conta de luz. Sendo setor de longo prazo, em que investimentos são feitos num tempo e resultam em benefícios mais longos, houve queda no incentivo ao investimento: temos aqui um choque negativo de oferta, caso em que, para um mesmo nível de produto, o nível de preço estará maior. Outros preços administrados – como o da gasolina – também tiveram caminho parecido e, juntos, estes preços compuseram um quarto da inflação de 2015 {3};

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– Inferência governamental sobre a taxa de juros: a Regra de Taylor (supracitada) disserta sobre a relação entre a inflação e os juros. Em nosso país, tivemos um “descasamento” desta entre 2011 e 2012 {4}, resultando em aumento da inflação nos períodos seguintes e a necessidade de um aumento ainda maior da taxa de juros. Aqui temos inicialmente um choque positivo de oferta (a redução dos juros), que coloca para um mesmo nível de produto um nível de preços menor e, em seguida, um choque negativo de oferta (o aumento dos juros faz com que para um mesmo nível de produto um nível de preços maior ocorra).

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A recessão com inflação existente em nosso país é resultado dos fatores descritos acima. Recentemente, debate entre Carlos Kawall e Delfim Netto sobre os caminhos recentes da economia brasileira discute estes fatores {5}.

 

REFERÊNCIAS

TAYLOR, John B. Discretion versus policy rules in practice. Carnegie-Rochester Series on Public Policy, nº 39, p. 195-214. Stanford-CA, 1993.

GOMES, Cleoma & HOLLAND, Márcio. Regra de Taylor e Política Monetária em condições de endividamento público no Brasil. EconomiA. Niterói-RJ, dez/2003. Link: http://www.anpec.org.br/revista/vol4/v4n2p333_361.pdf

MISHKIN, Frederic S. Inflation Dynamics. National Bureau of Economic Research. Cambridge-MA, 2007. Link: http://www.nber.org/papers/w13147

{1} http://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2016/08/25/dinheiro-de-helicoptero-sera-testado-pelo-japao-diz-mobius.htm

{2}         http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-02/economistas-divergem-sobre-trajetoria-da-divida-publica-brasileira

{3}         http://www.valor.com.br/brasil/4383728/ibge-precos-administrados-disparam-18-em-2015

{4}         http://terracoeconomico.com.br/a-regra-de-taylor-e-clara

{5}         http://livestream.com/insper/Paineleconomico/videos/139987112

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39 Respostas to “K-Eco: Choques de oferta e demanda no Brasil recente”

  1. Arthur Della Vecchia Says:

    Primeiramente, gostaria de fazer uma pergunta ao grupo: não entendi como redução e aumento na taxa de juros podem ser considerados choques de oferta (6º parágrafo do texto)! Poderiam explicar melhor esta parte?

    Ademais, o que comentei no post do último grupo também serve para este, acerca do caso brasileiro. O descaso, nestes últimos 10 anos, com políticas que visassem a elevação da capacidade produtiva do país (i.e., políticas educacionais, melhora da infraestrutura, incentivo à pesquisa e desenvolvimento, etc) contribuiu para a estagflação que vivemos hoje. Como bem ressaltado no post, as medidas anticíclicas adotadas em 2009/2010 como resposta à crise financeira se estenderam demasiadamente, talvez pela crença das autoridades à época de que há espaço infinito para o crescimento do produto. É mais do que consenso em Teoria Econômica que choques nominais não possuem impacto no produto e no desemprego no longo prazo, sendo estes afetados apenas por choques reais (tecnologia, estoque de capital, oferta de trabalho, etc) neste prazo.

    Não cabe aqui endeusar a teoria do Real Business Cycle, a qual advoga que a maior parte das flutuações do produto são atribuídas a choques reais, ao invés de nominais. Devido a vários fatores, dentre eles custos de menu, salários eficiência, contratos justapostos, poder de barganha, entre outros, a maioria dos preços e salários são rígidos, o que permite a transmissão, no curto prazo, do efeito de choques nominais para o produto e o desemprego. A longo prazo, no entanto, todos somos clássicos: o ajuste de expectativas neutraliza os efeitos nominais sobre o setor real da economia.

    Políticas fiscal e monetária, que possuem o poder de alterar o produto e o desemprego no curto prazo, só podem ser utilizados de modo sustentável (vejam bem, SUSTENTÁVEL, e não utilizadas como se não houvesse o amanhã como foi o caso do Brasil em anos recentes) se concomitantemente houver estímulos ao produto potencial por meio de políticas que afetem o lado real da economia. Caso contrário, podem haver problemas inflacionários sérios, com a economia terminando em uma situação de alta persistente e generalizada do nível de preços e queda do produto, tal como vivemos hoje.

    • Grupo K Says:

      Olá Arthur!

      Tentando auxiliar na sua dúvida, nesse parágrafo, o choque de oferta é dividido em duas partes: o primeiro, com a taxa de juros sendo reduzida de maneira diferente do que a Regra de Taylor considera prudente, resulta em um choque monetário positivo porque aumenta a oferta de crédito no mercado – e, no momento em que tornou-se a aumentar a taxa de juros, buscando corrigir esta questão*, tivemos um choque monetário negativo, pois retirou-se crédito do mercado.

      Por que seriam choques? Nossa interpretação é: por que inicialmente foi cometido um equívoco com esse “descasamento” e, em segundo lugar, o aumento foi sensível e sustentado basicamente pela tentativa de recorreção da inflação**.

      *Uma vez que a inflação começou a subir e o controle é feito pela própria taxa de juros, novamente utilizando da metodologia de Taylor;
      **Importante: ressaltamos no texto que a inflação teve participação considerável da parte de custos (1/4 do IPCA de 2015), o que implica que a taxa de juros talvez não precisasse ter subido tanto e se mantido alta por um longo período.

  2. Isabela Oliveira Melo Says:

    A economia brasileira apresentou mudança na sua trajetória após a crise financeira de 2008. O produto brasileiro apresentava uma trajetória de crescimento até o final de 2008, quando a crise financeira levou à diminuição do PIB. Depois o PIB retoma a trajetória de crescimento mas, a partir da segunda metade de 2010 assume uma trajetória de estagnação. O ponto que chama mais a atenção é que a produção sofreu uma queda repentina com a crise de 2008, e, longe de retornar à mesma trajetória de crescimento, começou a divergir da trajetória anterior, mesmo após quatro anos pós-crise. Tal comportamento fornece evidências de que a crise foi capaz de alterar a trajetória de crescimento do país. Porém, outro aspecto da crise chama a atenção. O comportamento de queda do PIB em 2008 está atrelado a uma queda persistente da Produtividade Total dos Fatores (PTF) da economia. Vale à pena destacar que as taxas de desemprego, após 4 anos da crise, são hoje menores que antes da crise e que a utilização da capacidade instalada também é maior hoje. Isso fornece pistas de que ocorreu uma queda da produtividade que se manteve no período.

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71402013000400008

  3. Guilherme Pompeu Says:

    No ambiente da macroeconomia, a crise energética é um “choque negativo de oferta”, ou seja, um evento inesperado que afeta negativamente os custos de produção do sistema produtivo, como, por exemplo, uma quebra de safra agrícola ou, mais dramaticamente, um terremoto. Choques negativos de oferta, explicam os modelos macroeconômicos, causam queda no PIB e aumento de inflação. A estagflação vivida nos anos 70, deflagrada pelo choque do petróleo, é um bom exemplo de tal combinação perversa. Não se deve confundir os efeitos de choques negativos de oferta com os efeitos de choques negativos de demanda (política monetária ou fiscal contracionistas, por exemplo), que proporcionam também a queda do PIB, mas acompanhados de queda da inflação. Ou seja, ambos os choques negativos (oferta ou demanda) causam queda no PIB, mas a inflação cai apenas no caso do choque de demanda e sobe no caso do choque de oferta.
    Em uma situação de crise energética, os consumidores, temerosos dos efeitos recessivos desta crise (perder o emprego, ou ter alguma redução em suas rendas), devem reduzir suas compras, embora aparelhos que possibilitem economizar energia devam vender em maiores quantidades. Os empresários, por sua vez, também antevendo o menor crescimento do PIB, devem diminuir seus investimentos, embora investimentos em uso eficiente de energia devam permanecer em alta. Também deve crescer substancialmente os investimentos em geração e transmissão de energia elétrica durante tal período.
    Portanto, mesmo observando que tanto os consumidores quanto os empresários em uma situação de crise energética acabam retraindo em seus gastos ainda sim é difícil acreditar que a crise energética como um todo possa gerar um decréscimo tal da demanda agregada que acabe “reduzindo” a inflação. O mais provável nesta situação é que a redução “espontânea” da demanda seja insuficiente para evitar a elevação da inflação para muito além da meta à qual o Banco Central está submetido, sobretudo quando se consideram choques inflacionários adicionais que podem ocorrer no decorrer do caminho, como por exemplo a alta do dólar.
    Outro ponto importante a se considerar nesta análise é que a inflação que vai se verificar no futuro depende diretamente da expectativa quanto a essa inflação por parte dos agentes, ou seja, o que os agentes econômicos esperam que vá ocorrer acaba por influenciar substancialmente no que de fato ocorrerá.

    Fonte:
    http://www.economia.puc-rio.br/Mgarcia/Artigos/Artigos%20Valor/valor-31052001.PDF

  4. Wenderson Pizzo Says:

    Em minha opinião, outros fatores que ajudaram o país entrar em recessão econômica e ter uma inflação razoavelmente resistente, foram: aumento da desconfiança dos investidores graças a instabilidade política (com escândalos de corrupção e incerteza quanto a permanência ou não da presidente Dilma Rousseff) e quebra de expectativas dos investidores graças ao intervencionismo estatal nos preços do petróleo, fato que aumentou a crise econômica da Petrobras e gerou desconfiança no mercado financeiro.

  5. Giovanni Di Pietra Says:

    Pode ser contribuição importante para o tema apresentado quanto ao primeiro ponto citado no caso da crise brasileira, o aumento do endividamento, a discussão promovida pela AFBNDES em Outubro deste ano entre os economistas Laura Carvalho – USP/SP e Marcos Lisboa – Insper sobre e “A dimensão fiscal da crise”, em especial atenção do Marcos sobre a restrição de oferta da economia brasileira, relacionada às políticas de proteção de setores na economia brasileira (durante o período de “descasamento” da Regra de Taylor citado, entre 2011 e 2012) e sua resultante queda na restrição fiscal no governo, além do problema demográfico envolvido na questão do endividamento. É um debate longo, mas vale a pena ser assistido.

    Primeira parte do debate: https://www.youtube.com/watch?v=sxCB0pN2hkA

    • Vinícius José Vilela Says:

      Debate muito bom. Valeu por compartilhar.

    • Felipe Maia Polo Says:

      Realmente, este vídeo é ótimo. Marcos Lisboa, como era de se esperar, é mais conservador e ortodoxo em relação à teoria econômica quando comparado à Laura. Interessante é trazer à discussão uma perspectiva mais micro que falta um pouco nas aulas de macro que temos. O investimento produtivo é uma função agregada e que, no melhor dos mundos, necessita de uma fundamentação micro. Se adotarmos as hipóteses de que os agentes maximizam lucro e utilidade, podemos também, por consequência, inputar variáveis como o individamento e crises políticas do governo como tendo um efeito adverso no agregado justamente pela incerteza da conjuntura, Isso se encaixa bem à discussão, pois eventuais choques podem necessitar de políticas fiscais para a suavização da economia no curto prazo e possivelmente este fato pode acarretar problemas nas contas públicas em períodos futuros.

  6. Caio Duarte Says:

    Esses choques de oferta e demanda brasileiros podem ser observados por uma ótica de política discricionária realizada pelo governo. Pois no caso do choque de demanda agregada que o grupo discutiu que foi a redução do IPI para produtos de linha branca, parece um bom razoável de política discricionária, pois dada a conjuntura internacional vigente da época, que era uma das maiores crises internacionais e essa política estimulava bens de consumo duráveis e não de investimento, logo no médio e longo prazo os efeitos são muito ruins para o país, pois esses incentivos foram dados para setores não estratégicos.
    Um bom exemplo para discutir um choque de oferta na economia brasileira foi o crescimento expressivo da produtividade agrícola brasileira que ao longo da ´´ultima década bate recordes atrás de recordes demonstrando um ganho imenso de produtividade e isso alinhado com a maior demanda global por alimentos, o que faz com que haja menos alimentos para o mercado nacional o que causou um aumento no preço dos alimentos. O economista Fernando Monteiro diz que ” um choque de oferta em meio a uma demanda aquecida torna a inflação mais persistente.”
    Lembrando que essa foi a mesma época em que o comércio já estava superaquecido devido as isenções fiscais aos produtos de linha branca. Logo isso fez elevar em muita a dívida do governo e aumentou a inflação.

    Fonte: http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2011-04-01/choque-de-oferta-e-demanda-aquecida-estimulam-alta-dos-precos

  7. Marcelle Rocha Says:

    Desde o início de 2011, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem se acelerado mês após mês. Nos últimos 12 meses encerrados em julho, a inflação acumulou alta de 6,9%. Trata-se de valor muito acima do centro do intervalo de flutuação perseguido pelo Banco Central do Brasil (BCB), 4,5% a.a. – superando, inclusive, o teto de 6,5%. Em linha com o regime de metas para a inflação (RMI), o Comitê de Política Monetária (Copom) do BCB iniciou novo ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic), visando reverter a tendência de elevação dos preços: entre janeiro e agosto, a Selic saltou de 10,75% para 12,5% a.a. Trata-se de uma das maiores taxas de juros reais do mundo, superior a 5,0%. Uma verdadeira aberração, principalmente quando se leva em conta que as taxas de juros internacionais têm sido mantidas próximas a zero.
    A despeito da elevação da Selic, a inflação resiste em querer baixar. Por uma razão muito simples: a inflação brasileira não é, genuinamente, um fenômeno de demanda . Antes pelo contrário, a dinâmica inflacionária é, em larga medida, explicada por dois componentes que guardam pouca relação com o nível de atividade econômica doméstica. O primeiro tem caráter mais conjuntural e resulta de um choque internacional dos preços das commodities. O segundo tem caráter estrutural – com origens históricas – e se refere ao alto grau de inércia inflacionária. Em suma, as pressões (conjunturais) de custos e o componente inercial explicam boa parte da dinâmica da atual inflação. O problema é que a política monetária (PM), na melhor das hipóteses, é pouco eficaz para combater esses dois elementos que estão por trás da recente aceleração inflacionária. A elevação da Selic, além de pouco eficaz, tem imposto um elevado sacrifício à economia brasileira, o que torna urgente a busca de instrumentos alternativos.

    http://revistas.ufpr.br/ret/article/viewFile/26607/17723

    • Luiz Felipe Guarnieri Says:

      Marcelle, um ponto interessante que acho legal ressaltar é exatamente esse: a inflação do caso brasileiro não é causada somente por aspectos da demanda. Além dos aspectos da demanda, de fatores externos como cartéis, há fatores como o déficit público governamental que também auxilia no aumento do nível geral de preços.

      O déficit público é um dos principais fatores que influencia a economia e, consequentemente, a inflação de um país. Ele nada mais é do que quando um governo gasta mais do que arrecada, afetando o orçamento governamental, sua política fiscal e investimentos e até a imagem do país perante o mercado internacional. De modo simples, o déficit público representa um desequilíbrio entre as despesas e a arrecadação com tributos, apontando falhas no processo orçamentário de um governo.

      O déficit público afeta diretamente a capacidade de investimento da iniciativa privada, reduz a produção de bens e serviços e o nível geral de emprego. Ele diminui ainda a capacidade de compra do consumidor graças ao aumento de preços gerais. Outra conseqüência negativa é o aumento da carga tributária e a criação de políticas fiscais, monetárias e públicas para frear o déficit, como aumento de juros, por exemplo. Se, por um lado, essas medidas reduzem o déficit, por outro limitam o crescimento econômico do país e causam inflação, pois o preço do produto na ponta final aumenta.

  8. Vinícius Vilela Says:

    Numa pesquisa sobre os efeitos dinâmicos dos Choques de Oferta e Demanda Agregada sobre o Nível de Atividade Econômica do Brasil, o autor interpreta as flutuações no PIB e no desemprego como sendo causadas por dois tipos de choque: um que tem impacto permanente na produção (choque de oferta), e outro, que não apresenta efeito permanente (choque de demanda). Os resultados mais importantes encontrados são que as flutuações na produção no Brasil podem ser atribuídas a choques de oferta, além disso, há evidências na pesquisa que os choques de demanda são importantes para explicar flutuações na taxa de desemprego.

    http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_0267.pdf

  9. Rafael Ribas Says:

    Sobre o tema, acredito que – além da diminuição da demanda pelas commodities brasileiras – boa parte do impacto na economia brasileira nos últimos anos, seja proveniente de fatores políticos e de má gestão do orçamento público.
    Posso citar, por exemplo: (1) o alto número de fraudes nos programas sociais, (2) a má gestão do orçamento público, (3) a desconfiança causada pelo alto grau de intervenção na economia e (4) o desgaste econômico causado pelo ciclo político. Todos esses fatores fizeram com que a âncora nominal da economia brasileira fosse se enfraquecendo, fazendo com que as expectativas de inflação fossem aumentando cada vez mais.
    O instrumental mostrado na disciplina certamente ajuda a entender a situação, mas acredito que por já termos noção de como algumas equações do modelo se comportam. Por exemplo, na equação de determinação do investimento, nos modelos apresentados, não existe nenhum parâmetro que relaciona a confiança dos investidores com o nível de credibilidade de um governo; no entanto, é trivial imaginar que quanto menor o nível de credibilidade, menor a propensão dos investidores a realizarem investimentos no país em questão.
    Nessa linha de raciocínio, um trabalho interessante que encontrei foi o WP-4448, da “National Bureau of Economic Research”, entitulado “Credibility of Policies versus Credibility of Policymakers”, onde os autores propõem um modelo que leva em conta a variável “credibilidade do governo” e uma variável que modela um comportamento para o policy maker que ‘foge à regra” quando determinadas condições são satisfeitas.

    Fontes:
    http://www.nber.org/papers/w4448
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/05/1776564-ministerio-publico-ve-irregularidades-de-r-25-bilhoes-no-bolsa-familia.shtml

  10. Marina Lavez Says:

    Há alguns elementos que podem gerar choques na economia brasileira nas Notas do Copom. No item número 14, da nota de agosto de 2016 é dito que o ambiente para investimento em ativos no Brasil e em outros países emergentes está favorável e parece continuar assim. Entretanto, há recentemente um aumento da incerteza quanto ao processo de normalização da política monetária nos Estados Unidos, isso eleva o risco piorar esse ambiente. Os membros do Comitê concordaram sobre a necessidade de monitorar o ritmo de normalização da política monetária nos Estados Unidos e suas possíveis implicações sobre a velocidade de convergência da inflação. Também houve consenso sobre a permanência dos riscos de médio e longo prazos no âmbito externo, associados à fragilidade da recuperação da economia global.

    Na nota anterior, de julho de 2016, o Copom já demonstra a preocupação a respeito da política monetária nos EUA, e também os efeitos que a saída do Reino Unido da União Europeia poderiam ter. A respeito dessa última, a saída do bloco gerou período de oscilações nos preços de ativos nos mercados financeiros. No entanto, a dinâmica da recuperação da economia global permanece frágil, com incertezas quanto ao seu crescimento e riscos deflacionários em importantes economias desenvolvidas. O que pode futuramente afetar o Brasil e várias outras economias emergentes.

    As atas do Copom ficam nesse link: http://www.bcb.gov.br/?ATACOPOM

  11. Diego Domingues Says:

    No livro “Monetary Policy Rules”, organizado por Taylor, ele mesmo escreve um dos capítulos: “A Historical Analysis of Monetary Policy Rules” em que analisa o histórico monetário americano dando ênfase em alguns episódios da economia americana, no qual ele define regra de política monetária como os instrumentos de política (base monetária ou juros, por exemplo) mudam em resposta a variáveis econômicas. Um dos aspectos interessantes desse capítulo especificamente é que o autor explicita três acontecimentos que chamou de “policy mistakes” cometidos pelo Fed, isto é, o Fed errou na mão na hora de realizar a política monetária, sendo eles: (i) política monetária excessivamente restritiva no começo da década de 60, (ii) política monetária excessivamente expansionista no final de 60 e começo de 70 e (iii) política monetária excessivamente restritiva no começo de 80. Só de lermos as datas em que ocorreram essas políticas “erradas”, parece que foram realizadas para consertarem as políticas “erradas” anteriores. Assim como no caso brasileiro, em que foram adotadas políticas anti-cíclicas por tempo demais, erros de política econômica acontecem, no entanto deve-se atentar ao passado, como o próprio Taylor discorre ao longo do capítulo, muitos policy-makers ao elaborarem a política econômica, olha em retrospecto para não cometerem os mesmos erros ou melhorarem uma política que tenha funcionado.

    • Pedro Venturi Says:

      Interessante seu ponto Diego. É plausível pensar que após a adoção de uma política monetária excessivamente restritiva, haja o risco do Banco Central adotar uma política excessivamente restritiva. Isso, com certeza, não traria bons resultados, debilitaria ainda mais nossa economia e poderia tornar o desemprego ainda mais elevado. Contudo, nas últimas semanas o Banco Central anunciou uma redução dos juros de 0,25% e nas notas do Copom afirmou que, segundo projeções, a inflação irá convergir para a meta entre 2017 e 2018, sendo assim a tendência é que as taxas de juros continuem diminuindo. Portanto, até então não há sinais que o Banco Central adotará uma política excessivamente restritiva.
      http://www.bcb.gov.br/htms/copom/not20161019202.pdf

    • Daniel Wetzel Says:

      De fato, também achei interessante a observação sobre os erros de política monetária realizados pelo Fed no século passado. Porém, voltando ao período em questão, acho que deduzir a política monetária ideal ( quando digo ideal, me refiro a intensidade da política restritiva ou expansionista mesmo) nao me parece tão trivial, principalmente observando a ação do Fed no decorrer da década de 70 e inicio da década de 80. Sendo que nesse período curto de tempo houveram os dois choques do petróleo, reduzindo a oferta agregada mundial. A alta nos preços que tais choques de oferta causaram fez com que o Fed realizasse uma política monetária restritiva para impedir a inflação de se elevar demais. Imagino que a insegurança quanto a futuros choques levou-os a realizar tal política excessivamente restritiva, afinal, a insegurança mundial de um terceiro choque, influenciando as expectativas dos agentes, influenciou as ações do mercado, sendo realmente complicado mensurar a intensidade da política monetária ideal para a ocasião.

  12. Taynã Francisconi Says:

    Em 2013 houve um aumento nos preços brasileiros devido a um choque de oferta, o qual começou com a queda da produção agricola em 2012. As safras nao satisfizeram e além disso, tivemos pressões externas de aumento de preços. E houve a correção do cambio, necessaria para salvar a industria.
    Houve uma queda na quantidade de cereias e seus subprodutos, mas principalmente no setor hortifruti que sofreu muito com as chuvas no verão .
    Havia uma expectativa de uma pequena desvalorização no cambio, assim levando à crença de uma redução no crescimento dos preços.
    Houve uma relutância em aumentar a taxa de juros, por esperar uma pressão menor sobre os preços , sem contar que um aumento nessa taxa poderia agravar ainda mais a situação da industria e poderia gerar desemprego.

  13. Lucas Wagner Says:

    O Brasil passa por diversos choques após a crise de 2008. O primeiro deles é um choque fiscal, em que o governo efetivamente concede desonerações à empresas como medida anticíclica. As desonerações e cortes de impostos tem um efeito de política fiscal expansionista, que resultam em um crescimento de mais em 7% em 2010. Esse resultado é previsto no nosso modelo macro completo, bem como o que aconteceu posteriormente, com o aumento da inflação de maneira que o produto retorne ao seu nível natural. Esse efeito é naturalmente mais violento devido à janela de tempo em que estas políticas foram adotadas, desde 2008 até meados de 2014
    A mesma coisa acontece com a política monetária. O uso de política monetária como política anticíclica é, no mínimo, controverso, mas foi o que ocorreu durante o início do governo Dilma, onde vemos uma redução das taxas básicas de juros, que chegam a 7,25% em 2013. Esse descasamento da PM com a Regra de Taylor naturalmente leva a uma expansão inflacionária, e que tem como conclusão lógica um aumento maior dos juros no futuro, que é o que vemos hoje, com a SELIC em 14%, a despeito de estarmos em plena recessão. Como o Giovanni comentou acima, é possível ligar a resistência da inflação em um período recessivo à problemas na oferta agregada.

  14. Victória Jorge Says:

    Alguns economistas consideram que o PIB real é melhor caracterizado como um processo no qual as flutuações estacionárias se dão em torno de uma tendência estocástica. Desse modo, as inovações no PIB real são uma combinação de choque com efeitos permanentes (tendência estocástica) e com efeito temporário (choques no componente estacionário). Se os choques no PIB real apresentam elevada persistência, alguns autores consideram isso uma indicação de que os choques sejam influenciados por inovações técnicas e o efeito cumulativo de choques de produtividade é o responsável pela maior parte das flutuações econômicas.
    No Brasil, as flutuações no índice de produção da indústria de transformação são provocadas, em sua maior parte, por choques de oferta. Os choques de demanda são pouco importantes na explicação dessas flutuações, entretanto no que diz respeito às flutuações na taxa de desemprego aberto, observou-se o oposto, boa parte da flutuação é provocada por choques de demanda. Porém, na agricultura há uma grande importância dos choques de oferta e demanda no crescimento da agricultura brasileira, pois ambos os choques têm efeitos permanentes nos preços e produto da agricultura, de modo que, se os investimentos em ciência e tecnologia forem mantidos e a integração internacional expandida, o Brasil será capaz de aumentar sua oferta de produtos agrícolas para os mercados externo e doméstico.
    http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rbe/article/view/1030/822
    http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=3293

  15. Vinícius José Vilela Says:

    Numa pesquisa sobre os efeitos dinâmicos dos Choques de Oferta e Demanda Agregada sobre o Nível de Atividade Econômica do Brasil, o autor interpreta as flutuações no PIB e no desemprego como sendo causadas por dois tipos de choque: um que tem impacto permanente na produção (choque de oferta), e outro, que não apresenta efeito permanente (choque de demanda). Os resultados mais importantes encontrados são que as flutuações na produção no Brasil podem ser atribuídas a choques de oferta, além disso, há evidências na pesquisa que os choques de demanda são importantes para explicar flutuações na taxa de desemprego.

    http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_0267.pdf

  16. Victória Jorge Says:

    Alguns economistas consideram que o PIB real é melhor caracterizado como um processo no qual as flutuações estacionárias se dão em torno de uma tendência estocástica. Desse modo, as inovações no PIB real são uma combinação de choque com efeitos permanentes (tendência estocástica) e com efeito temporário (choques no componente estacionário). Se os choques no PIB real apresentam elevada persistência, alguns autores consideram isso uma indicação de que os choques sejam influenciados por inovações técnicas e o efeito cumulativo de choques de produtividade é o responsável pela maior parte das flutuações econômicas.
    No Brasil, as flutuações no índice de produção da indústria de transformação são provocadas, em sua maior parte, por choques de oferta. Os choques de demanda são pouco importantes na explicação dessas flutuações, entretanto no que diz respeito às flutuações na taxa de desemprego, observou-se o oposto, boa parte da flutuação é provocada por choques de demanda. Porém, na agricultura há uma grande importância dos choques de oferta e demanda no crescimento da agricultura brasileira, pois ambos os choques têm efeitos permanentes nos preços e produto da agricultura, de modo que, se os investimentos em ciência e tecnologia forem mantidos e a integração internacional expandida, o Brasil será capaz de aumentar sua oferta de produtos agrícolas para os mercados externo e doméstico.
    http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rbe/article/view/1030/822
    http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=3293

  17. Nader F Farhat Says:

    Os choques de demanda são choques associados a aumentos inesperados de
    componentes da demanda agregada, como consumo, investimento, gastos do governo
    ou exportações. Um aumento de gastos do governo; um estado de maior
    euforia da população, que estimula o consumo ou um aumento da demanda externa por nossas exportações.
    Já choques de custos estão normalmente associados a fatores que aumentam os
    custos de produção, ou a variações na oferta. É o caso de quebras de safra, de uma
    mudança no estado de confiança dos mercados internacionais (que afetam diretamente a
    taxa de câmbio), de aumentos salariais acima da produtividade do trabalho (por
    exemplo, em decorrência da fixação de um novo salário mínimo) ou de tragédias
    naturais. De acordo com a teoria econômica, o banco central deve tentar neutralizar
    o impacto de choques de oferta e demanda agindo com a politica conveniente para estabilizar algumas variáveis econômicas (inflação, taxa de juros, desemprego), mas a teoria é bem mais fácil que a prática.
    Muitas vezes, o mesmo fenômeno traz impactos semelhantes a choques de demanda e de oferta,
    simultaneamente, e em sentidos opostos. Por exemplo, no início da crise financeira
    internacional, no segundo semestre de 2008, o aumento da aversão ao risco fez com que
    houvesse uma tendência de desvalorização do real. Isso corresponderia a um choque de
    custos (oferta). Mas, ao mesmo tempo, a crise financeira empurrou o mundo para uma recessão,
    o que provocou queda no preço das commodities e na demanda por nossas exportações.
    Isso corresponde a um choque negativo de demanda. Coube ao Banco Central avaliar
    qual desses impactos seria o mais relevante para a nossa trajetória de inflação.

    Fonte: http://www.brasil-economia-governo.org.br/wp-content/uploads/2011/04/a-taxa-de-juros-e-a-principal-causa-dos-desequilibrios-macroeconomicos-do-brasil.pdf

    Artigo redigido por Paulo Springer de Freitas – Consultor Legislativo do Senado Federal e professor do Programa Mestrado em Economia do Setor Público, do Departamento de Economia da UnB.

  18. Bianca Buzzo Alonso Says:

    Ao analisar os choques de oferta, como foi destacado também em sala de aula, é importante analisar se o choque é permanente ou temporário. Isso porque um choque permanente precisa de intervenção para trazer a economia de volta ao equilíbrio, ou melhor, ao novo equilíbrio, tentando reduzir os prejuízos aos agentes da economia. Entretanto, em casos de choques temporários, comuns no Brasil, principalmente relacionados a produção agrícola, como o de 2013 que a Taynã citou em seu comentário acima, a ação deve ser diferente. Dependendo da intensidade do choque e das perspectivas de sua duração, pode ser interessante uma reação endógena do Banco Central no intuito de trazer a economia de volta ao seu ponto de equilíbrio de forma mais rápida. Porém, pelas políticas monetárias também não apresentarem resultado imediato, quando choques temporários aparentam ter durabilidade muito baixa, pode ser que não seja vantajoso para a economia realizar qualquer política monetária, dado que seus efeitos podem aparecer depois que o choque já passou, podendo ocasionar inclusive efeitos recessivos.

    http://www.cartacapital.com.br/economia/choque-de-oferta

    • Gabriel de Oliveira Teixeira Says:

      Esse assunto é tratado em uma matéria da folha que foi publicada em 2014 em que Alexandre Tombini o presidente do banco central na época fala justamente do efeito temporário que a alta dos preços dos alimentos (causados por um choque de oferta negativo na produção agrícola) tem na inflação. Sendo assim, de acordo com a teoria, poderia ser que não houvesse a necessidade de promover uma política monetária especificamente para combater tal choque, e trazer a economia de volta ao seu equilíbrio, como já citado pela Bianca, dependendo da intensidade e durabilidade do choque, a intervenção através da política monetária nesse caso pode gerar inclusive efeitos recessivos.
      Na matéria porém, é dito que com a passagem do choque da alta dos preços dos alimentos, a inflação deveria recuar e terminaria dentro da meta naquele ano, o que de fato aconteceu. Apesar de tal resultado ser influenciado pelo não reajuste dos preços administrados, caso o choque de oferta fosse permanente haveria grandes chances da inflação ter ultrapassado a meta estabelecida pelo BCB.
      A matéria completa pode ser acessada através do link abaixo:
      http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/04/1438655-choque-de-alimentos-e-temporario-diz-tombini-sobre-inflacao-de-marco.shtml

      .

  19. João Paulo Cinegaglia Says:

    Um ponto que o texto explora apenas superficialmente, mas vale notar: a política monetária talvez está sendo mais rígida do que deveria. O artigo apresenta que, do IPCA de 2015, praticamente um quarto se refere ao reajuste de preços administrados. Com isso, usando como proxy que a inflação tenha dado 10%, 2,5 pontos percentuais são advindos de uma inflação de custos, não de demanda. Deste modo, é possível imaginar que outras medidas poderiam ter sido tomadas; como o acompanhamento real dos preços administrados e não seu “congelamento”, para que pudesse ter sido evitado este choque de juros (ou ao menos que a “volta do acompanhamento da Regra de Taylor” pudesse ter sido mais suave).

  20. Pedro Violante Says:

    Em relação aos choques de oferta e de demanda no cenário brasileiro recente, podemos pensar na contração da demanda agregada como reflexo dos efeitos da crise iniciada em 2007/08 (nos Estados Unidos, mas que logo se tornou mundial) sobre os investimentos brasileiros: esse choque negativo de demanda agregada ocasionado pela diminuição na parcela autônoma dos investimentos produtivos reduz o volume de investimentos, diminui a produção e pode levar a aumento de desemprego. Sendo assim, o governo brasileiro reagiu ao choque exógeno provocado pela crise internacional por meio de política monetária e fiscal, ambas expansionistas: redução da SELIC para patamares jamais vistos (7,25% a.a.) e redução de IPI como forma de estimular o consumo das famílias.

    O mecanismo da ação do governo descrita acima pode ser bem explicado por meio do modelo de Oferta Agregada e Demanda Agregada, permitindo atuação exógena do Banco Central, ou seja, considerando que o Bacen não age somente de acordo com a Regra de Taylor para conduzir a Política Monetária, mas responde também age exogenamente a variações na taxa de inflação. Dessa maneira, a redução na demanda agregada provocada pela redução da parcela autônoma do Investimento Agregado tenderia a levar a inflação a níveis demasiado baixos, o que justificaria a intervenção exógena do Banco Central e o estímulo ao consumo dado pelo governo.

    No entanto, verificamos no Brasil que os anos de crescimento durante a crise externa deram lugar a baixas taxas de crescimento (e até a taxas negativas) acompanhadas de inflação crescente. O que poderia explicar esse cenário seria um possível erro na condução das políticas monetária e fiscal visando à retomada da economia: afrouxamento da política monetária e estímulos ao consumo trouxeram a economia do país ao seu produto natural, porém agora com um nível de inflação maior que o inicial. Talvez as medidas do Banco Central possam ser classificadas como excessivamente expansionistas.

  21. Anibal Amêndola Paschoal Says:

    Para um melhor aprofundamento do conteudo apresentado no artigo, formalizarei alguns conceitos juntamente com uma proposta de estática comparativa.
    A regra de Taylor é uma regra que estipula a forma com a qual a autoridade monetária deve definir a taxa nominal de juros em função de mudanças na taxa de inflação e no comportamento do produto, entre outros fatores. Segundo a curva IS, temos que quanto maior a taxa de jutos, menor a demanda agregada e, consequentemente, o produto. A Regra de Taylor estrita indica que, quanto maior a taxa de inflação, mais o gestor da política monetária elevará a taxa de juros nominal a fim de causar um efeito real afetando negativamente a DA, reduzindo pressões sobre os preços. A curva IS e a Regra de Taylor estrita formam a DA do modelo.
    A Curva de Phillips indica que a taxa de inflação aumenta quando o produto está acima do potencial, sinalizando pressões da demanda. E é a OA do modelo, e pode ser representada como uma linha horizontal, uma vez que a inflação muda quando o produto está acima ou abaixo do potencial.
    Para um exemplo de estática comparativa, tomemos um corte de impostos, que seria um choque permanente positivo na DA.
    Um choque positivo da demanda agregada faz com que a curva se desloque para a direita, aumentando o produto e fazendo com que ele fique, no curto prazo, acima do produto potencial. Ao longo do tempo, no entanto, a curva de ajustamento começa a se mover para cima. Ela subirá até que não haja mais pressão sobre os preços, isto é, até que o produto seja igual ao potencial. Assim, em tal exemplo, o estímulo fiscal só gera inflação.

  22. Andrey Prado Says:

    Como visto no post, para estabilizar a elevação no nível geral de preços as autoridades monetárias seguem o princípio de Taylor, que sugere que os Bancos Centrais devem aumentar a taxa de juros nominal mais que proporcionalmente ao crescimento da inflação, para que a taxa de juros real se eleve e contenha um aumento
    da inflação.

    Pesquisando sobre encontrei um trabalho de mestrado que analisa a aplicabilidade das regras de política
    monetária e fiscal no Brasil. Resultados encontrados mostram que a demanda agregada é explicada pela
    atividade econômica defasada e pelas expectativas de crescimento, enquanto a inflação é influenciada pela
    inércia e pelas expectativas, e na Regra de Taylor brasileira, é mostrado um certo gradualismo quanto à reação do BCB, através da suavização da taxa de juros.

    https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/13598/1/RegraMonetariaRegra.pdf

  23. Pamela Generoso Says:

    Em relação os efeitos dos choques de oferta e demanda agregada sobre o nível de atividade econômica no Brasil, Lima, Migon e Lopes (1993), utilizando um modelo de auto regressão vetorial irrestrito e dados de 1982 a 1990, buscaram analisar se o ciclo real de negócios pode ser interpretado como resultante principalmente de choques permanentes de oferta.
    No mesmo sentido da versão bayesiana desenvolvido por Blanchard e Quah (1989), os autores interpretaram as flutuações no PIB e no desemprego como causadas por dois tipos de choques: um de impacto permanente e outro que não apresenta impacto permanente. O primeiro é interpretado como um choque de oferta, já o segundo como um choque de demanda.
    Os principais resultados encontrados indicam que as estimativas dos choques de oferta corroboram a uma fração substancial das flutuações de produção no Brasil enquanto os choques de demanda são importantes para explicar as flutuações na taxa de desemprego. Os autores identificaram que se os choques no PIB real apresentam elevada persistência e, no mesmo sentido de Long e Plosser (1983), consideram esse fato uma indicação de que os choques são preponderantemente decorrentes de inovações técnicas. Alem disso, um dos resultados mais importantes e controversos encontrados referem-se a tese de que o efeito cumulativo de choques de produtividade é responsável pela maioria das flutuações econômicas.

    fontes:

    LIMA, Elcyon Caiado Rocha; MIGON, Hélio S.; LOPES, Hedibert Freitas. Efeitos dinâmicos dos choques de oferta e demanda agregada sobre o nível de atividade econômica do Brasil. 1992.
    LONG JR, John B.; PLOSSER, Charles I. Real business cycles. The Journal of Political Economy, p. 39-69, 1983.
    BLANCHARD, Olivier J.; QUAH, Danny. The dynamic effects of aggregate demand and supply disturbances. 1988.

  24. Murilo Mello Says:

    Para alguns críticos e formadores de opinião da economia nacional, a virada de política econômica no início de 2015 tem aprofundado a crise no Brasil. O “experimento liberal” apoiado em uma “terapia de choque” provocou um desajuste na economia brasileira, com aumento da inflação e do desemprego (Rossi, 2015).
    Frente a uma queda de 4,8% na arrecadação do primeiro semestre de 2015, o governo optou por uma estratégia de choque nos preços administrados, defendida pelos economistas liberais, em detrimento de uma estratégia gradualista.
    A taxa de juros Selic, que até outubro de 2014 estava em 11%, escalou para 14,25%. Com essa política monetária, o Banco Central tratou a inflação brasileira como se fosse um problema de demanda em um momento de contração de demanda e de choque de custos. Além de ineficaz para reduzir a inflação, a contração monetária contribui para a recessão ao aumentar o custo do crédito e o custo de oportunidade para o investimento produtivo. Não obstante, também tem grandes impactos fiscais considerando que o déficit nominal alcançou 8% do PIB e que mais de 90% desse déficit pode ser explicados pela conta de juros.
    Esses três elementos evidentemente não explicam totalmente, mas certamente têm contribuído para a crise econômica atual. Estamos piores do que no fim de 2014, quando se iniciou o ajuste com a alegação de que o crescimento viria pela recuperação da confiança dos agentes econômicos. De lá pra cá, a confiança dos agentes despencou e esse discurso perdeu aderência.

    http://pedrorossi.org/255-2/

  25. Rafael Bussolan Mariano Says:

    Embora muitos tenham apontado fatos que se relacionam com o tema num período mais atual, trago uma literatura sobre choques de oferta e demanda no Brasil de 1992, para ilustrar como essa questão era encarada 20 anos atrás.

    Nele, utilizou-se uma versão keynesiana para investigar o ciclo de negócios no Brasil, e interpretá-lo como resultante principalmente de choques permanentes de oferta. Lima, Migon e Lopes (1992) utilizam dados trimestrais de 1982 até 1990 para tal investigação, e apontam que “as estimativas dos choques de oferta corroboram a visão de que uma fração substancial das flutuações da produção no Brasil pode ser atribuída a choques de oferta”.
    Nele, também, é possível verificar que choques de demanda são pouco importante para explicação das flutuações do produto, mas, por outro lado, explicam bem flutuações na taxa de desemprego.

    Fonte: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_0267.pdf

  26. Andrew Normanton Says:

    Além dos fatores citados acima, alguns economistas como Simão Silber, Alessandra Ribeiro e Gesner Oliveira citam como outras causas para a estagflação as quebras de safra do período e medidas econômicas que perduraram durante o primeiro governo Dilma e também auxiliriaram no processo de estagflação, por exemplo: política de valorização do câmbio, a lava jato e a falta de resposta do Banco Central.

    A política de valorização câmbial acelerou a demanda agregada via importações e portanto a elevação das taxas de inflação. A lava jato causou revisão das expectativas dos investidores que decidiram adiar seus investimentos e deixar de contratar.

    Quebras de safra que ocorreram no período causaram redução transitória da oferta agregada da economia e um aumento no viés de elevação dos preços via inflação de custos.

    Essas medidas somadas as citadas acima mostram um agravamento da oferta agregada de CP da economia com uma demanda aquecida, levando o país a uma estagflação.

    Fonte:

    Mishkin, Frederic: “The Economics of Money, Banking and Financial Markets”, 9th ed. update, Addison-Wesley.

    http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2016/04/03/dilma-argentina-capitalismo-analistas-citam-as-causas-da-crise-economica.htm

  27. Fábio Garcia Says:

    Os choques citados pelo grupo como responsáveis pela estagnação e inflação no Brasil nos últimos anos, tiverem seus efeitos tanto pelo lado da oferta como pelo lado da demanda. A quebra de expectativas no setor elétrico que reduziram a oferta de energia gera esse cenário de estagnação e inflação com o deslocamento da curva de oferta agregada assim como o descasamento entre taxa de juros e inflação nos anos 2011 e 2012. No conteúdo visto em aula que choques na oferta podem ser permanentes ou temporários. Imagino que no caso brasileiro, como o efeito desses choques de oferta ocorreram através de ações do governo estamos falando do caso de choque de oferta temporário. Desde que políticas desse tipo não sejam permanentes, claro. Assim, nenhuma política monetária deveria ser realizada. Pois a curva de oferta tende a retornar para sua posição inicial uma vez que o choque se dissipa.

  28. Guilherme B Sandalo Says:

    Para explicar melhor o motivo da crise no Brasil acho interessante explicar a economia alguns anos antes, o Brasil se beneficiou do aumento da demanda chinesa por commodities, fazendo os preços aumentarem, e tambem recordes nas exportações brasileiras. Muitos inclusive associam a popularidade de Lula a esse momento de euforia.
    A partir deste boom, o governo Lula encorajou as exportações e a liberação de crédito por bancos publicos, gerando empregos e ganhando notoridade internacional.
    O modelo economico adotado favoreceu a distribuição de renda e expansao do consumo, tivemos aumento substancial no salario minimo e programas sociais.consequentemente tivemos um inchaço dos gastos do governo, aumentando a divida publica, aliada a um alto juros, dificultando o pagamento da divida e ampliando a mesma.
    A situação, que já nao era das melhores, foi piorada devido ao cenario internacional, a desaceleração da China e consequente impacto na demanda levou a diminuição dos precos das commodities, principalmente minerio de ferro, petroleo e soja. Ou seja, além do aumento da divida publica, tivemos impacto nas exportacoes, gerando incertezas e inflação.

  29. Gabriel Sanaiotte Pinheiro Says:

    Sabe-se que a força econômica que move tanto o Brasil como os países da América latina são as Commodities. Ela influencia totalmente o produto de nossa economia. Com isso, baseado em uma matéria da BBC de 2013 temos uma relação clara da influencia das commodities nessa economia, pois ela vem apresentando uma forte queda.
    Isso reflete claramente nos momentos de crise que nos encontramos hoje, claro não é o único fator. Considerando que nossa economia esta baseada nessa força, qualquer choque que envolva esse tipo de produto afeta negativamente em nossa economia, assim, a atuação do governo com politicas monetária é extremamente necessária.
    Como já visto neste post, sabemos o efeito que isso causa em nossa economia e impacto direto nos resultados apresentados ultimamente.

    http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/05/130520_commodities_queda_crescimento_america_latina_lgb

  30. Vagner Augusto Says:

    Conforme colocado pelo grupo, a dinâmica inflacionária dos últimos anos vem vem declinando em todo o mundo enquanto que no brasil, a atual recessão econômica e a inflação “resistente” podem ser explicadas por três fatores: o aumento do endividamento, a quebra de expectativas no setor elétrico e a inferência governamental sobre a taxa de juros.

    Destes, gostaria de destacar o papel do aumento do endividamento, visto que este além de manter as pressões inflacionárias constantes, ainda retém a retomada da economia brasileira. Neste contexto, é importante ressaltar que além do setor público, as empresas e consumidores acumularam débitos pesados nos últimos anos, o que limita a capacidade de investimento e de consumo, enquanto a escalada da dívida bruta vai exigir um esforço fiscal por longos anos.

    Esse excesso de endividamento acaba por dificultar a recuperação da economia e por conseguinte, faz com que a trajetória do endividamento bruto deixa claro que a política fiscal terá de ser restritiva por vários anos, para que o país consiga estabilizar e depois reduzir a dívida como proporção do PIB. Para tanto, podemos chamar atenção ao projeto que limita a expansão dos gastos da União à inflação do ano anterior, cuja iniciativa é bem- vinda, bem como as medidas de reforma da Previdência e outras propostas que diminuam a rigidez do Orçamento

  31. Fabrício Freitas Alves Says:

    Uma coisa interessante de choques na economia são os efeitos de transbordamento, isto é, quando um choque em determinada economia tem consequências em outras. Segundo Kireyev e Leonidov as relações comerciais são as conexões pelas quais o efeito se espalha. Se ocorre um choque em determinado país, seus principais parceiros comerciais (primeiros vizinhos) sofreriam diretamente os efeitos. O efeito de transbordamento também afetaria, em menor grau, os “segundos vizinhos”, isto é, os parceiros diretos dos primeiros vizinhos. O impacto desse efeito de cascada varia com a economia. Países em desenvolvimento tem menos parceiros comerciais imediatos e, também, relevância no total comercializado por outras economias. Por outro lado, choques em países como China e EUA envolveriam o mundo todo.

    Fonte:
    Kireyev, Alexei, and Andrei Leonidov. “Network Effects of International Shocks and Spillovers.” (2015).


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