J-Ecec: inflação e choques na economia brasileira

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““A visão monetária da demanda agregada liga a quantidade de moeda M ao total de gastos nominais em bens e serviços P x Y (sendo P=nível de preços e y=produto real agregado). Para fazê-lo, usa-se o conceito de velocidade da moeda: o número médio de vezes por ano que um dólar é gasto em produtos finais e serviços”, sendo a fórmula:

          V= (P x Y) /M

Rearranjando a fórmula temos:j-ecec-imagem-1

Dado um exemplo em que o v=2 isso irá dizer que a oferta de moeda suporta um nível de transações 2 vezes maior que o próprio valor.

A partir dessa fórmula encontra-se a curva de demanda, considerando que o V e M constante, uma mudança em P fará com que o Y tenha que ser alterado para manter o M x V constante, notando-se que a curva de demanda é uma curva negativamente inclinada. Um exemplo é quando v=5, m=1 trilhão, e o gasto agregado (P x Y) = 5 trilhões, caso o preço passe de 1 para dois o y iria diminuir de 5 trilhões para 2,5 trilhões.

 

j-ecec-imagem-2

A demanda agregada é afetada por seis fatores que são, a oferta de moeda, os gastos governamentais, as exportações liquidas, os impostos, o otimismo do consumidor e o otimismo das empresas. Os impostos são o único fator que quando elevado causa um deslocamento para esquerda na curva, pois este aumento gera uma diminuição da renda disponível, causando uma redução do consumo e assim da demanda agregada. Já um aumento dos outros fatores gera uma elevação da renda agregada, deslocando a curva para a direita.

Como a curva de demanda agregada descreve a relação entre a quantidade de produto agregado demandado e a taxa de inflação, é importante mencionar que um aumento da demanda agregada quando a economia se encontra em pleno emprego, isto é, quando a demanda por mão de obra se iguala a oferta, gera um aumento dos preços principalmente nos setores de insumos básicos, isso leva a crer que um aumento desta demanda leva a um aumento da inflação.

No caso brasileiro temos uma situação incomum. De acordo com a pesquisa “Choques, risco fiscal e crise política fazem a inflação subir apesar da recessão maior” publicada pelo valor econômico, a relação entre PIB e inflação não se dá como o esperado, a piora das projeções para a atividade econômica não foi seguida por uma queda da inflação. As razões que explicam esse descasamento são:

-A desvalorização do real frente as outras moedas aumentando o preço dos importados;

-Um aumento maior do que o esperado nos preços administrados, como gasolina e conta de luz;

-Aumento nos impostos;

Além desses fatores o que pode ter contribuído para o distanciamento das curvas de inflação e PIB se deu por uma crise na confiança já que na época havia um cenário de impeachment, essas variáveis afetam ainda mais a inflação.

j-ecec-imagem-3

Como temos um governo comprometido com o nível de preços estável, segundo a pesquisa o banco central aumenta os juros ao invés de diminui-los, o que seria o normal a se fazer em tempos de recessão a fim de estimular a economia. Há então a dificuldade de estimular a economia e conter o avanço da inflação, uma vez que como no gráfico uma tentativa de aumento da taxa de juros para conter a inflação levaria a uma diminuição ainda maior da atividade econômica.

No entanto, segundo Megale a combinação de uma inflação mais alta e um PIB mais fraco não pode ser vista como consequência de uma política monetária menos eficiente. Ele argumenta que a política monetária atua para alinhar essas duas variáveis, e que sem ela, provavelmente os distanciamentos seriam ainda maiores.

 

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

http://www.valor.com.br/especial/projecoes”

 

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31 Respostas to “J-Ecec: inflação e choques na economia brasileira”

  1. Gabriel Bechelli Says:

    A velocidade de circulação da moeda é um ponto não muito explorado. Por conta disso, decidi trazer algumas das variáveis que possam alterar o comportamento da velocidade, que é tratada como constante no curto prazo, justamente porque os efeitos de tais alterações são absorvidos lentamente. No mais, a velocidade é referente ao quão rápido o dinheiro muda de mãos na economia ao longo do período (1 ano) e pode ser definida como o PIB nominal dividido pela oferta de moeda. Nesse sentido, quanto maior a utilização de cartões de crédito (ou até mesmo cheques) para efetuar transações, menor é a necessidade de retenção de moeda por parte do público, consequentemente menor é a oferta de moeda, e maior é a velocidade (dado o PIB nominal constante). Da mesma forma, quanto maior a verticalização da economia, maior é a proporção de transações meramente contábeis em relação ao número total de transações e, portanto, menor a necessidade de retenção de moeda. Contudo, como é apresentado no site do FED St Louis (https://www.stlouisfed.org/on-the-economy/2014/september/what-does-money-velocity-tell-us-about-low-inflation-in-the-us), a velocidade da moeda – que nunca foi constante – afeta os resultados de políticas monetárias. Por exemplo, num caso que a velocidade da moeda declina rapidamente, mesmo que haja uma política monetária expansionista, é possível que haja deflação ao invés de inflação.

  2. Henrique Velasco Says:

    Uma coisa importante que ficou de lado, provavelmente pelo limite na quantidade de caracteres do post, é que a velocidade da moeda é considerada constante apenas no curto prazo. Isso acontece porque ela depende de variáveis que demoram a se ajustar como a taxa de utilização de cheques e cartões de crédito pela população.

  3. Ana Paula Says:

    O texto exposto, juntamente com a pesquisa mencionada, afirma que o Banco Central deveria reduzir os juros ao invés de aumenta-lo, a fim de estimular a economia. Todavia, é necessário ressaltar que, segundo o livro-texto, é importante que haja um acompanhamento do Princípio de Taylor, isto é, aumento da taxa nominal acima de qualquer aumento da inflação esperada para que a taxa de juros real aumente quando a inflação aumenta.
    Em um contexto no qual o Princípio de Taylor não é seguido, um aumento da inflação levaria a redução da taxa de juros real, a qual, por sua vez, poderia estimular a economia. Entretanto, tal ação leva a um contexto negativo e possivelmente contínuo: eleva ainda mais a inflação, podendo chegar a um ponto em que a mesma fique fora do controle.

  4. Heitor de Almeida Says:

    A Teoria Quantitativa da Moeda nos fornece uma boa explicação para a teoria de longo prazo da inflação, porque é baseada na suposição dos economistas clássicos, como Irvin Fischer, que salários e preços são completamente flexíveis. Todavia, para a teoria de inflação do curto prazo, a Teoria Quantitativa Moeda não pode ser validada remetendo-nos o à conclusão de que a suposição dos economistas clássicos pode não ser uma suposição para as flutuações de curto prazo na inflação e produto agregado.

  5. Letícia M. De Lima Silva Says:

    Um dos tópicos mais atualmente discutidos no Brasil é a aprovação da PEC 241, que discorre sobre o teto dos gastos públicos. Tal tópico está diretamente relacionado ao tema abordado no texto, uma vez que uma redução nos gastos do governo deslocaria a curva de demanda agregada para a esquerda, causando uma diminuição no produto agregado e, consequentemente, uma redução também no nível de preços da economia brasileira (e, quem sabe, atingir então os lendários 4,5%). Não pretendo com este comentário, contudo, defender a aprovação desta proposta de emenda constitucional. Minha intenção é apenas ressaltar que, apesar de seus inúmeros pontos passíveis de discussão, ela é uma forma de dar um basta no gasto público desenfreado que tem sido ator principal da história brasileira já há algum tempo.

  6. Roseli Silva Says:

    Pessoal, vamos lá contribuir para o debate? O grupo J-Ecec ainda está na era da DA à la TQM… Vamos trazer dados mais recentes e tentar compreender a partir da DA como síntese da IS-Paridade de Juros e Regra de Taylor, conforme livro texto, please???? Obviamente não podemos esquecer da OA…:-/

  7. Monique Saiani Camargo Penteado Says:

    Deve-se ressaltar, que no caso brasileiro, onde é possível observar inflação e recessão simultaneamente, o Governo não deve realizar políticas ou choques, tendo somente como obrigação reagir aos choques e equilibrar a economia diante das flutuações.
    A curva de demanda agregada, a qual é baseada no modelo IS, na Regra de Taylor e na Paridade de Juros descreve o comportamento da inflação e do produto da economia, já a ofertada agregada de curto prazo tem como referência o mercado de trabalho, com base na curva de Phillips, reagindo às expectativas dos agentes, e a oferta agregada de longo prazo, a qual é vertical no modelo.
    Como um exemplo no caso do Brasil, quando ocorre uma retração da oferta e da demanda na economia, o produto diminui, e a inflação vai se encontrar em um patamar mais alto do que o anterior. Diante disso, o Governo deve se amparar na âncora nominal escolhida pelos membros que realizam a política monetária, por meio da credibilidade que os indivíduos julgam ter em tal política.

  8. Caio de Angelis Nascimento Says:

    Em relação ao modelo de explanação da demanda agregada, devemos levantar como importantes constituintes da demanda agregada, curva IS aberta, paridade da taxa de juros a descoberto e regra de Taylor. Em relação a parte exemplificada no texto que afirma que o Banco Central deve realizar uma política de diminuição das taxas de juros nominais, não podemos gerar um processo de inconsistência dinâmica e assim deixarmos de considerar que a adoção de políticas expansionistas, irão gerar no curto prazo o aumento do produto da economia, contudo quando analisarmos a variável de longo prazo destaco um aumento no nível de inflação não causando uma movimentação no produto da economia, sendo a mesma apenas influenciada pelos fatores de produção, produtividade e tecnologia, assim as modificações irão causar o ônus de inflação na economia destacada, como um fato recorrentemente presente na economia brasileira.

  9. Laura Paschoin Says:

    Como citado em comentários acima, a demanda agregada, em uma abordagem moderna incorpora além da IS de mercado aberto (o mercado de bens e serviços), a Paridadade de Juros (que leva em conta a expectativa de apreciação do câmbio) e a Regra de Taylor (responde apenas à inflação, tendo uma taxa de juros exógena em sua equação, que é um componente discricionário da Regra de Taylor). É importante salientar que sem o modelo completo, ou seja, sem a Oferta Agregada (que no curto prazo é representada pela Curva de Phillips), não é possível inferirmos muito sobre o porque do comportamento da inflação.
    A situação brasileira pode ser caracterizada como uma situação de “estagflação” termo utilizado para definir uma economia que está em recessão econômica e ao mesmo tempo com alta inflação.
    No artigo do economista José Carlos Estefenon no início do ano , ele fala que realmente são necessários políticas monetárias para reversão da situação de estagflação, citando: “retomada do crescimento através de investimentos na produção e produtividade; ajuste cambial no sentido de proporcionar a necessária competitividade internacional dos produtos nacionais; liberdade econômica com mínima participação do Estado; redução do déficit fiscal, redução do tamanho funcional/administrativa do Estado através de concessões publica-privadas” (visão mais liberal).

    • Bruno Ramacini Says:

      Mantendo a mesma linha de pensamento da Laura, ou seja, a partir de uma visão mais liberal, esse período de estagflação que estamos vivendo foi herança da ideologia governamental desde 2003, de doutrina econômica do “crescimento por meio do consumo”. Podemos observar os mesmos métodos e resultados tanto nos EUA, quanto na Europa, na década de 70.
      Fonte : http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2061

      • Laura Tanganelli Says:

        Outro pontoque podemos citar é o endividamento das famílias em níveis recordes, com os cofres do governo vazios e com a inflação de preços em alta, as políticas de expansão do crédito e déficits orçamentários do governo se exauriram, colaborando ainda mais para a deterioração da economia.

      • Felipe Lyra Says:

        Não só a elementos econômicos se prendem as causas da estagflação, muito também se deve a crise política e a falta de credibilidade do governo para com o público. O fato de que em um passado nem tão distante assim o país também passará por altas crises de inflação podem assustar investidores e produtores. Concordo que uma diminuição no estado seria fundamental para uma maior estabilidade do nível de preços e controle dos gastos do governo, este com gastos muito maiores e produtividade muito menores se comparado ao setor privado.

  10. Herbert Huber Says:

    É importante salientar entretanto que nem toda a variação na taxa de juros é controlada pelo Banco Central, onde uma parte é influenciada pela própria inflação. No entanto, conforme o Princípio de Taylor, para um aumento na expectativa de inflação, é necessário um aumento na taxa nominal de juros maior que o aumento da expectativa de inflação para aumentar a taxa real de juros, caso o objetivo seja de manter a inflação constante. Caso o banco central opte em reduzir a taxa de juros continuamente em um período de inflação, é possível gerar um ciclo inflacionário maior ainda.

  11. Patrícia Aparecida de Almeida Says:

    Conforme pôde ser estudado na disciplina e pode ser visto em diversos textos, a inflação causa diversas distorções na economia, entre as quais se pode citar esfeitos sobre a distribuição de rendas, sobre pagamentos de débitos e impostos, sobre o mercado financeiro e de capitais, sobre o balanço de pagamentos e sobre expectativas e incertezas. Ela pode ser classificada de diferentes formas: Inflação de demanda (quando a demanda agregada de bens e serviços excede a oferta agregada deles), choques de oferta ou inflação de custos (a demanda agregada permanecem quase constantes, mas os custos de produção se elevam e são repassados para os preços), inflação estrutural (quando surge devido a limitações e inflexibilidade da estrutura econômica, ocorridas no processo de desenvolvimento do país). Para dar explicação a elas foram desenvolvidas várias teorias. Além da Teoria Quantitativa da Moeda, explorada no texto, há, conforme a mencionada pela professora Roseli e por outros comentários, a em que a DA pode ser compreendida como síntese da IS-Paridade de Juros e Regra de Taylor, e a explicação do estruturalismo, que se desenvolveu na América Latina a partir da segunda metade da década de 50, que tinha como objetivo construir uma teoria de inflação adequada às características dos países em desenvolvimento e considerava que a inflação sendo causada, como mencionado antes, não de medidas inadequadas de política fiscal e monetária, mas de limitação e inflexibilidade da estrutura econômica.

  12. Tiago Pedro Says:

    Ao se analisar o tema, entendemos que hoje o principal instrumento para se fazer politica monetária, principalmente no Brasil, é através da determinação taxa de juros. Quando uma economia, ou Banco Central, percebe sua inflação indo além da meta, para trazer de volta ele faz uso da taxa de juros. Ao fazer uso dessa, o Banco Central consegue ao mesmo tempo impactar inflação e crescimento econômico do país. Percebemos na economia brasileira que esse tipo de prática se deu principalmente após a adoção do Brasil ao regime de metas de inflação. Desde então a economia brasileira sempre teve dificuldades em fazer o uso da taxa de juros para segurar a inflação, sendo pelo motivo de criação de credibilidade, ou ainda por conta da crise financeira de 2008. O principal motivo para tal situação explica-se pelos choques exógenos na economia, visto através da variação cambial (mencionada no texto) ou até mesmo pelo aumento do endividamento público, causando aumento do risco de default e, por consequência, da taxa de juros.
    Fontes: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71402011000200001
    http://www.portal.ie.ufu.br/mestrado/ie_dissertacoes/2004/2.pdf

  13. Gabriel Akel Abrahão Says:

    A Teoria Quantitativa da Moeda (TQM), contribuição do economista Irving Fisher, expressa pela formula exposta pelo grupo, implica que a quantidade de moeda multiplicada pela quantidade de vezes que esta moeda foi gasta em um determinado ano é igual ao PIB nominal da economia. No entanto, a primeira formulação, que da suporte a essa teoria, não levava em consideração o PIB (Y) e sim a quantidade de transações realizadas na economia (T), sendo assim, teríamos: M*V=P*T. A principal diferença dessas identidades é que a equações de trocas de Fisher (com a variável T) incorpora bens intermediários ao contrário da identidade da TQM, que evita a dupla contagem pela própria definição de mensuração do PIB (Y). Essa reformulação ocorreu devido a dificuldade de mensuração da quantidade de transações ocorridas, sendo assim, assumimos T como parte proporcional a Y de tal forma que T=vY ponde “v” é uma constante de proporcionalidade.

  14. Lucas Negreiros Says:

    A Regra de Taylor nos diz que se a inflação aumentar, é necessários aumentos ainda maiores nas taxas de juros para que se reduza a inflação.
    O atual quadro de estagflação do Brasil talvez tenha ligação com políticas anticíclicas adotadas durante 2008-2010, como o aumento do endividamento do governo (aumenta a demanda agregada por um período, porém mais tarde ela volta ao seu patamar anterior, vale lembrar que não é unanimidade entre os economistas) e a interferência do governo nas taxas de juros (que geram um choque positivo na Oferta agregada, redução dos juros, porém mais tarde ocorre um choque negativo de aumento dos juros).

  15. Ana Paula Umbelino Says:

    Segundo Bastos (2015), a economia já havia entrado em recessão em 2014, mas esta não atingira com força, ainda, o mercado de trabalho, e isso parece ter sido suficiente para, junto com os programas compensatórios de transferência de renda, permitir a Dilma uma vitória apertada. Mas em 2015, já com a presidente reeleita, a crise agravou-se, o desemprego aumentou, o desacerto das políticas ficou evidente e a população e a imprensa constataram que as promessas de campanha eram inviáveis. A opinião pública virou-se rápida e majoritariamente contra a presidente, seu partido e seu mentor, Lula. A confiança de empresários e consumidores despencou. Além disso, não podemos ignorar o fato de que a crise política e escândalos de corrupção que cada vez mais tem saído na mídia piora a expectativa na economia como um todo.

    https://www.publico.pt/economia/noticia/a-crise-da-economia-brasileira-1707638

  16. Giordano Di Giorgio Says:

    O seguinte artigo demonstra como a Regra de Taylor é importante para se manter uma política monetária consistente, para o caso brasileiro.

    Após análises de choque na demanda agregada e cálculos com a regra, notou-se que há uma tendência da taxa Selic acompanhar os níveis de inflação apontados pela Regra de Taylor. Deste modo, notamos que de 2000 até 2015, houve uma disparidade somente entre os anos 2012 e 2014. Isto é, com uma política monetária mais “frouxa”, não houve acompanhamento da tendência e, possivelmente, estaríamos sentindo os efeitos dessa má gestão atualmente.

    Artigo: http://terracoeconomico.com.br/a-regra-de-taylor-e-clara

  17. Flavia Saldanha Says:

    Acredito que um ponto importante que poderia ter sido ressaltado pelo grupo, e como foi feito por alguns nos comentários acima, é de que a Teoria Quantitativa da Moeda foi uma das primeiras desenvolvidas para tentar explicar o comportamento do consumidor e sua demanda por moeda. Entretanto, hoje em dia temos teorias muito mais novas e melhor desenvolvidas a respeito disso, que explicam melhor tal comportamento. Como exemplo, podemos citar a teoria keynesiana, que diz que os sujeitos demandam moeda por três motivos: para transações, para especulações e para precaução, isso conectaria a demanda por moeda com a taxa de juros – teoria do portfólio – (principalmente para o motivo especulativo) o que já modifica a relação da demanda por moeda anterior, uma vez que a TQM não admite a influência dos juros sobre a demanda.
    Nesse contexto, podemos inserir a Regra de Taylor, um dos fatores que rege a curva de demanda amplamente aceita atualmente, além da curva IS e da paridade de juros.
    Assim, os formadores de política monetária levam em consideração esses três fatores no momento de decidirem qual ferramenta aplicar para alcançar o resultado desejado (resultado o qual, muitas vezes, se resume na estabilidade da inflação).

    • Matheus Alves Albino Says:

      De fato, é importante considerar as teorias mais modernas principalmente para entender o caso brasileiro. Dessa forma, vemos que com a simples inclusão da Teoria do Portfólio, é possível compreender um aspecto que foge da Teoria Quantitativa da Moeda, que é a influência da taxa de juros na demanda por moeda. Além disso, a Regra de Taylor mostra a importância de uma política monetária consistente e mais apertada. A curva IS, no modelo completo também admite a mudança provocada por choques financeiros. Outro lado que não pode ser ignorado nessa análise é o da Oferta Agregada!

  18. Daniela Lourenço Says:

    “A reação dos juros também depende da duração esperada do choque. O problema é que só sabemos a duração do choque quando ele termina. Quando o Copom se reúne, tem de definir a taxa Selic sem saber qual será a duração desse choque (por exemplo, quanto tempo durará a crise financeira internacional).
    De acordo com a teoria econômica, o banco central deve tentar neutralizar integralmente o impacto inflacionário de choques de demanda. Intuitivamente, choques de demanda tendem a aumentar a inflação e deixar a economia superaquecida (produzindo acima daquilo que é capaz de produzir em condições normais). Um aumento da taxa de juros teria o efeito simultâneo de pressionar a inflação para baixo e permitir que a economia volte a operar em um ritmo normal.
    Já choques de custos [choques de oferta] tendem a pressionar a inflação e a levar a economia para uma situação de desemprego porque desestimulam a produção. Se o banco central tentar neutralizar totalmente o impacto inflacionário de um choque de oferta, aumentando os juros, poderá ser bem sucedido em fazer a inflação voltar para a meta, mas agravará o problema do desemprego. Por esse motivo, a teoria recomenda que o banco central acomode parcialmente um choque de oferta, deixando a inflação subir um pouco, para preservar o produto no curto prazo.”
    (Disponível em http://www.brasil-economia-governo.org.br/2011/04/18/a-taxa-de-juros-e-a-principal-causa-dos-desequilibrios-macroeconomicos-do-brasil-e-ainda-o-copom-pode-ser-substituido-por-um-computador/)

  19. Tales Costa Says:

    Já na década de 30 Keynes abandonou a visão da Teoria Quantitativa da Moeda de que a velocidade da moeda era constante e desenvolveu uma teoria de demanda por moeda que enfatizou a importância das taxas de juros. Nesta teoria de demanda por moeda, que ele nomeou de Teoria da Preferência por Liquidez, Keynes apresentou três motivos por trás da demanda por moeda: transações, precaução e especulação. É importante ressaltar que os motivos precaução e especulação fazem sentido no contexto de incerteza sobre o futuro. Mais tarde Tobin e Friedman desenvolveram a Teoria do Portfólio aplicada à demanda por moeda, que indica mais três fatores que afetam a demanda por moeda: a riqueza, o risco relativo a outro ativo e a liquidez relativa a outro ativo.

  20. Danielle Sandrini Says:

    Primeiro deve-se lembrar que segundo a teoria quantitativa da moeda, a taxa de juros não possui efeito sobre a demanda por moeda. Pelo entendimento de Taylor, sabemos que a relação entre o PIB real e a taxa de juros, considerando um choque exógeno, é semelhante a curva IS e descreve os efeitos de um aumento das taxas de juros sobre a demanda por bens e serviços na economia. Dessa forma, considerando as proposições macroeconômicas e a síntese do modelo por Taylor, uma alteração da inflação que leva os Bancos Centrais a mudarem a taxa de juros refletirá na oscilação do produto real. Do mesmo modo, quando ha mudanças na política monetária, de cunho expansionista por exemplo, a demanda agregada se deslocará para direita.Porém, como no novo ponto o produto estaria acima do equilíbrio, existiria um ajuste de inflação que levaria à um novo ponto de estabilidade.

  21. Ana Flávia Abackerli Says:

    Tomando inflação como sendo a desvalorização do poder de compra da moeda, tal fenômeno não depende apenas dos mecanismos do Governo (política monetária). No caso brasileiro, há a dependência das mudanças climáticas, haja visto que o Brasil é um país que não possui sua economia totalmente voltada para a tecnologia, possuindo como forte ponto atividades agrícolas, extrativistas e pastoris. Devido aos ciclos da safra, há choques na oferta, alterando as expectativas das pessoas, e então se altera repentinamente a relação de moedas e produtos ( representado por moeda).
    O mesmo raciocínio é utilizado para analisar se houvesse a manutenção da quantidade de produtos e aumentasse o número de moeda no mercado, gerando inflação.

  22. Thiago Barbosa Caridade Says:

    Podemos ressaltar que não são apenas os impostos que possuem uma relação negativa com a Demanda Agregada. Vemos que as fricções financeiras, decorrentes de um mercado que não está em equilíbrio (informação assimétrica), também diminui a Demanda Agregada caso exista uma elevação em sua variável. As fricções financeiras fazem parte da conta que sintetiza o custo real de empréstimo medido pela função investimento (medida gerada a partir da subtração da taxa de juros real da economia do valor que mede as fricções).
    Cabe dizer ainda que o a hipótese de Taylor leva em consideração o ajuste lento da inflação esperada pelos agentes, portanto, a taxa de juros nominal se igualaria à taxa de juros real (Fischer) e, teria um componente autônomo somado a um “lâmbida” que é a sensibilidade à inflação.
    Com a junção da regra de Taylor e da paridade da taxa de juros, temos uma curva de Demanda Agregada que mostra o nível de produto demandado à cada nível de inflação. Onde, uma queda no nível de inflação, provoca uma diminuição da taxa de juros real, aumentando a função investimento, diminuindo a taxa de câmbio e elevando o produto.

  23. Bárbara Pinati Says:

    O regime de metas de inflação é decorrente de discussões sobre regras e discricionaridade. A regra de Taylor, qual esta que é o instrumento de operação do regime, é fundamental para o que Mishkin chama de um consenso novo da política monetária. A adoção deste regime não quer dizer que não há uma preocupação com os resultados econômicos e não implica na falta de relação entre os resultados e a inflação no curto e médio prazo.
    O controle da inflação e moeda pela política monetária advém da Teoria Quantitativa da Moeda. A TQM deriva a meta inflacionária que é por sua vez, controlada por meio da taca de juros e não pelo agregado monetário. A rapidez da circulação da moeda é instável, o que dificulta a intervenção das autoridades monetárias sobre os agregados para manipular/controlar o nível geral de preços.

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572012000200008

  24. Tatiane Walder Cerri Says:

    Desde 1999, segundo o trabalho de Cleomar Gomes e Márcio Holland (“Regra de Taylor e política monetária em condições de endividamento público no Brasil”) a política monetária brasileira que reage às oscilações inesperadas da inflação e do produto (Regra de Taylor) são fortemente condicionadas às alterações na relação dívida/PIB. Ao elevar a taxa de juros, o Banco Central até consegue reduzir a inflação. Entretanto, o estudo revelou que estes impactos acabam amortecidos pelo aumento da relação dívida/PIB e, por conseguinte, pela probabilidade de default do país.
    http://www.anpec.org.br/revista/vol4/v4n2p333_361.pdf

  25. Franco B. Conceição Says:

    Como estudamos em sala de aula, sabemos que a demanda não é composta simplesmente pela TQM, mas compreende a IS de economia aberta, a Paridade de juros e a regra de Taylor. Vemos isso na prática, como observado no post, com a influência que a taxa de juros tem sobre a DA; o aparato mais moderno usado para compreender a macro completa já traz variáveis extras que podem ajudar a explicar o caso brasileiro de baixo crescimento e alta inflação.
    O paralelo que traço essa semana vem de comparar com o post da semana passada, no qual discutimos a curva de Phillips e a questão de tradeoff de curto prazo entre desemprego e inflação, e as informações trazidas essa semana ajudam a ver a dificuldade em aplicar a existência do trade-off empiricamente no caso brasileiro.

  26. Bárbara Ribeiro Martins Says:

    A respeito dos choques na economia brasileira que impactam tanto a inflação quanto o crescimento do produto, é interessante realizar uma observação a respeito dessa última variável que é o crescimento econômico, que pode ser relacionado a demanda agregada ao invés das condições da oferta agregada da economia.

    Nas últimas duas décadas a economia brasileira vem se defrontando com uma forte desaceleração do ritmo de crescimento do produto interno bruto. Com efeito, a taxa média de crescimento da economia brasileira foi superior a 7% ao ano no período 1950-1980. Comparativamente, no período de 2001-2005, a taxa média de crescimento do PIB volta a cair, situando-se em cerca de 2,2% ao ano. (Oreiro, Nakabashi e Souza, 2010).
    Uma explicação para essa desaceleração do crescimento tem seu foco nas condições de demanda, ao invés das condições de oferta da economia. Segundo essa linha de interpretação, o crescimento de longo prazo é puxado pela demanda agregada, de tal maneira que é de fundamental importância a análise dos fatores de impulsionam o crescimento da demanda agregada. Nesse contexto, o modelo de crescimento da economia brasileira até o final da década de 1970 esteve baseado na expansão dos gastos de consumo em bens de consumo duráveis de luxo, expansão essa viabilizada por uma política ativa de concentração de renda (Bresser-Pereira, 2004, p. 181)
    Esse modelo de crescimento se esgotou na década de 1980 em função da redemocratização do país. Com efeito, a redemocratização colocou como primeiro ponto na agenda política do Brasil a redução das enormes desigualdades na distribuição de renda. Dessa forma, não seria mais possível puxar o crescimento da demanda agregada por intermédio de aumentos do consumo de bens duráveis viabilizados por aumentos no grau de concentração de renda. O problema da economia brasileira, segundo essa linha de interpretação, é que não se colocou no lugar uma fonte alternativa de expansão da demanda agregada que viabilizasse a manutenção do crescimento da economia brasileira a taxas elevadas.


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