J-Eco: Curva de Phillips

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O tradeoff de curto prazo entre inflação e desemprego fora descrito na literatura por Philips, que investigou a relação entre a taxa de crescimento dos salários nominais e a taxa de desemprego entre os anos de 1861 e 1957 encontrando empiricamente uma correlação não-linear e negativa para estas variáveis.

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Abaixo um dos gráficos do trabalho de W. Phillips, demonstrando a relação inversa:

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Já em 1960, Samuelson e Solow aplicaram o modelo para os EUA, porém, substituíram a variação dos salários nominais pela taxa de inflação dos preços, encontrando novamente uma relação inversa, batizando a mesma de “Curva de phillips”, passando a ser fundamental na decisão de politicas macroeconômicas. A equação abaixo demonstra a chamada curva de Philips:

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                A relação se mostrou verdadeira até meados de 70, quando houve os choques do petróleo, onde houve aumento do nível de preços sem qualquer razão relacionada ao desemprego.

                As mudanças na conjuntura internacional fizeram com que as críticas, já do final da década de 60, dos economistas Phelps e Friedman ganhassem notoriedade. Segundo eles, no longo prazo a economia tenderia a taxa natural de emprego, ou seja, se o governo utilizar uma expansão de base monetária, com o objetivo de ampliar o produto, e assim o emprego, ter-se-ia um aumento no nível de preços. Assim, verificamos   a curva de Phillips, todavia, o nível de emprego acima do natural gera um excesso de demanda por trabalho, e consequente aumento nos salários nominais. Como o mercado de trabalho é regido por contratos esta pressão não será sentida de forma imediata, quando os contratos forem renegociados haverá um aumento dos salários, reduzindo a demanda por trabalho. Assim, os preços aumentam, mas o produto e o emprego voltam a suas taxas naturais, ou seja, efeitos apenas no longo prazo. Portanto, a curva de Phillips passa a valer apenas no curto prazo. Incorporando assim as expectativas de inflação a curva de Phillips, temos a conhecida expectativas adaptativas:

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Segundo o qual o agente aprende com os erros cometidos no passado, levando isso em conta na sua expectativa atual.

Por outro lado teremos as “expectativas racionais”, de Lucas e Sargent, onde os agentes fazem uso de todo o conjunto de informações disponíveis, assim, o valor esperado de uma variável coincide com seu valor real, a não ser quando há choques aleatórios:

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Caso Brasileiro

No caso brasileiro, podemos observar uma forte perseguição pelo Banco Central em combater a inflação, assim enfrentando o trade off inflação e desemprego, no caso, temos um aumento acentuado no desemprego desde 2014, atingindo o ápice esse ano, quando chegou aos 11,8% da população brasileira:

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Logo, segundo o modelo de Phillips, como consequências da alta de desemprego têm a expectativa de redução da inflação, como acompanhamos no relatório FOCUS apresentado pelo BACEN, onde a mediana do mercado aponta o fim do ano com uma inflação acumulada de 6,89%, mas vale destacar que esta expectativa caiu nas ultimas seis semanas, tendo uma tendência de continuar caindo.

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https://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20161021.pdf

http://www.ibge.gov.br/home/
http://nucleoeconomicooc.blogspot.com.br/2015/02/para-alem-do-trade-off-entre-inflacao-e.html

http://www.pet-economia.ufpr.br/banco_de_arquivos/00002_Rodrigo_cl_lima_e_silva_curva_de_philips_e_aplicacao.pdf

 

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37 Respostas to “J-Eco: Curva de Phillips”

  1. Marina Lavez Says:

    Diversos autores tentaram estimar a curva de Phillips para o Brasil e a partir dela, fazer inferências sobre a adequação da política monetária, do sucesso do regime de metas de inflação, sobre o grau de rigidez salarial da economia brasileira, e da taxa de desemprego que não acelera a inflação. Um exemplo é o autor Lima, que em 2003 criou um artigo que estima o NAIRU (Nonaccelerating Inflation Rate of Unemployment) para o Brasil, que verifica a estabilidade de Curva de Philips no caso brasileiro. Ele encontra em um dos modelos usados que em boa parte do período de inflação alta o desemprego estava abaixo da banda estimada para o NAIRU, essa trajetória só foi quebrada por planos de estabilização.

    Entretanto, as diversas estimativas da curva de Phillips para o Brasil chegam a diferentes conclusões. Além disso, os resultados referentes aos coeficientes estimados da inflação passada e da expectativa de inflação são muito amplos e o efeito do choque cambial sobre a inflação também é controverso. O único resultado geral encontrado refere-se a restrição sugerida por Blanchard e Galí (2007), de que a soma dos coeficientes da inflação passada e da expectativa de inflação devem ser igual a 1. Todos os outros autores que testaram essa hipótese confirmaram que a restrição era adequada.

    http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rbe/article/viewFile/11732/12458
    http://www.scielo.br/pdf/rbe/v57n4/a11v57n4.pdf

    • Felipe Maia Polo Says:

      Marina, achei um outro artigo que traz evidências da Curva de Phillips no caso brasileiro também. O artigo em questão tem sua análise ancorada no período que vai de 2001 até 2008. Por outro lado, me parece que, pelo menos em termos descritivos fica mais difícil reunir evidências sobre a tal curva nos últimos anos, pelas distorções causadas nos preços pelo Estado brasileiro. Não encontrei nenhum artigo que enfatizava esse ponto, mas acho que é um tanto relevante, pois provavelmente a situação atual não satisfaz algumas hipóteses do modelo.

      fonte:
      DALLA CORTE, JUCIANE; CASSUCE, FRANCISCO CARLOS DA CUNHA; GALANTE, VALDIR ANTONIO. A CURVA DE PHILLIPS E O TRADE OFF INFLAÇÃO E DESEMPREGO NA ECONOMIA BRASILEIRA NO PERÍODO DE 2001 A 2008.

  2. Rafael Ribas Says:

    No artigo “NAIRU, Inflação E Curva De Phillips No Brasil Novas Evidências A Partir De Um Modelo Tempo-Variante”, os autores expõem dados que mostram um aumento nas taxas de desemprego e uma tendência crescente na taxa de inflação a partir de o início de 2015, contrariando a teoria original da Curva de Phillips.
    Sendo assim, buscam verificar a existência e a intensidade do trade-off para o caso brasileiro, estimando o indicador NAIRU, que é a “taxa de inflação não-acelerada do desemprego”, durante o período de mar/2002 a out/2015. A NAIRU, para Edmundo Phelps e Milton Friedman, é a “taxa de desemprego de equilíbrio” – ou seja, a “taxa de desemprego natural”; em outras palavras, é o nível mais baixo de desemprego que uma economia pode aguentar, antes de a inflação dos salários começar a acelerar.
    No artigo, os autores concluem que, apesar da incerteza relacionada às “taxas naturais” ou “variáveis não-observadas”, há “uma tendência de queda da NAIRU durante o período analisado”. E mostram que “o hiato do desemprego (taxa de desemprego observada menos a NAIRU) foi positivo até 2010, fato consistente com a diminuição da inflação e tem sido predominantemente negativo no período recente, o que implica em aumento da inflação”.
    No período de 2002 a 2008, “na consolidação do regime de metas de inflação, a NAIRU foi significativamente menor que a taxa de desemprego, consistente com um ambiente de desaceleração inflacionária.”. Já no período de 2012 até o início de 2015, a NAIRU é significativamente maior que a taxa de desemprego, revelando pressões inflacionárias”.
    Além disso, é interessante ressaltar que (1) atualmente, à teoria original da Curva de Phillips, foram adicionadas expectativas, tornando o modelo mais realista e influente, e que (2) não há um consenso entre o trade-off inflação e desemprego entre os economistas.

    http://www.oecd.org/social/labour/33917832.pdf
    http://sbfin.org.br/wp-content/uploads/2016/05/15-NAIRU-INFLA%C3%87%C3%83O-E-CURVA-DE-PHILLIPS-NO-BRASIL-NOVAS-EVID%C3%8ANCIAS-A-PARTIR-DE-UM-MODELO-TEMPO-VARIANTE.pdf
    https://en.wikipedia.org/wiki/Phillips_curve

  3. matheuscarrijobrito Says:

    A Curva de Phillps traz uma teoria muito valiosa para a tomada decisão de política econômica pois demonstra que não há trade-off entre inflação e desemprego no Médio Prazo, mas no curto ainda é possível. Isto é decorrência do processo de ajustamento entre a demanda agregada à oferta de Médio Prazo. A oferta a qual não é influenciada por politica monetária, sendo que alterações da taxa de juros irá ter efeito somente na inflação, no médio prazo. Isto por que a oferta depende de fatores de produção, da tecnologia, de parâmetros comportamentais, assim a oferta agregada é constante no médio prazo e é a partir desse fato que a Curva de Phillps esta capturando.
    No seguinte artigo, o autor faz estimativas para a Curva de Phillps no caso Brasileiro, e para tanto é necessário escolher por meio de quais dados será feito a pesquisa e também qual a metodologia ser aplicada. O que achei interessante é a discussão de como é feito a as escolhas.
    A primeira é como será feito a escolha do dado que captura o hiato do produto, então o ator expõe a metodologia utilizada pelo BC para estimar o produto potencial, a qual é diferença entre o produto efetivo e uma tendência HP(filtro Hodrick-Prescott) extraída da série de produto, outra forma foi uma a utilização de uma função de produção auxiliada por uma regressão. Outra forma também é utilizar dados que capturem os efeitos do ciclo econômico como a taxa de desemprego a qual em a vantagem de não ser estimada e sim medida.
    Como sabemos que o câmbio tem efeito significativo na inflação também faz sentido o modelo dizer a relação dessa variável, no artigo o autor expõe os efeitos da desvalorização do câmbio, o dado é a própria taxa de cambio nominal, não obstante utiliza também um indicador do nível de preços externos convertidos pelo câmbio, uma vez que produtores estão interessados no preço relativo entre os bens.
    Sobre a inercia inflacionaria, no artigo esta modelada apenas como inflação defasada como variável explicativa, a qual tem o beneficio de medir impactos indiretos de outras variáveis, como o câmbio, por exemplo, pois uma desvalorização cambial tem efeitos sobre o preço de comercializáveis e também bens não comercializáveis.
    Sobre expectativas o autor usa as expectativas racionais as quais são modeladas a partir “ Esta é equivalente à utilização da inflação um período à frente como variável explicativa na regressão e o tratamento desta como variável endógena por meio de uma regressão em dois estágios ou método semelhante. Intuitivamente, no primeiro estágio da regressão obtém-se uma previsão não-viesada da inflação futura dada a informação disponível nos instrumentos”

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502006000100008

  4. Guilherme Pompeu Says:

    Uma das relações centrais para análise macroeconômica moderna é a curva de Phillips, ou a relação entre inflação e taxa de desemprego. Tal curva é o que se convencionou chamar de relação estrutural, na medida em que esta depende apenas de parâmetros comportamentais, tecnológicos e institucionais da economia. O conhecimento de relações estruturais é de especial importância para as políticas macroeconômicas e para previsões. Os modelos de curva de Phillips têm sido um tópico importante na pesquisa recente sobre política monetária; seja no campo teórico, seja no campo empírico. Do lado empírico a curva de Phillips é usada para descrever o lado da oferta da economia em modelos macroeconômicos; para medir o impacto do desvio do produto em relação ao seu nível potencial na taxa de inflação; para medir a inércia inflacionária e para realizar previsões.
    Na década de 1990 a economia dos Estados Unidos da América apresentou uma contrariedade ao modelo da curva de Phillips, tinha-se um baixo desemprego e uma inflação controlada. Os defensores da curva afirmavam que uma taxa de desemprego abaixo de 6% (taxa natural), nos EUA, desencadearia um processo inflacionário no país. No entanto, a taxa de desemprego caiu abaixo desse nível e não promoveu inflação significativa. Obviamente este passou a ser um dos principais argumentos de seus críticos. Nesse contexto Ball e Moffitt (2001) propuseram uma nova adaptação a curva de Phillips, na qual se incorporaria a produtividade do trabalho. Segundo eles a melhora no trade-off desemprego e inflação tem sua origem no aumento da produtividade do trabalho. Assim eles buscaram mostrar que o crescimento da produtividade do trabalho influencia a curva de Phillips.
    Sachsida e Mendonça (2009) fazem uso de uma estrutura de dados empilhados para estimar a curva de Phillips com dados de inflação e desemprego provenientes do IBGE para seis regiões metropolitanas brasileiras durante o período de março de 2002 a fevereiro de 2009. Este novo conjunto de dados sugere que não existe um trade-off entre inflação e desemprego, mesmo no curto prazo, na economia brasileira. Os autores nesta ocasião encontraram os seguintes coeficientes: 0,09 para a inflação passada, 0,90 para a expectativa de inflação, e um valor negativo, mas estatisticamente insignificante, de -0,007 para o desemprego.

    Fonte:
    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71402011000300001
    http://www.pet-economia.ufpr.br/banco_de_arquivos/00002_Rodrigo_cl_lima_e_silva_curva_de_philips_e_aplicacao.pdf
    http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1429.pdf

  5. Victória Jorge Says:

    A NAIRU é definida como a taxa de desemprego que é consistente com uma taxa de inflação constante, a qual não alteraria a taxa de inflação. Dessa forma, se o objetivo da autoridade monetária for a redução da inflação, então a taxa de desemprego deve se manter acima da NAIRU, esta fornece um importante referencial para o estágio do ciclo de negócios, além de ser uma variável importante na previsão da inflação e, consequentemente, para a implementação da política monetária. Assim, a NAIRU tem um papel relevante na neutralidade da moeda (uma vez que determina o nível de equilíbrio de longo prazo do desemprego, onde não existe pressões inflacionárias) e no produto potencial, além disso, também é um importante indicador para o mercado de trabalho. Espera-se que quando o hiato do desemprego for positivo (taxa de desemprego acima da NAIRU), a inflação diminua. Quando o hiato for negativo (NAIRU acima da taxa de desemprego), espera-se que haja aumento da inflação.
    No Brasil, o hiato do desemprego apresentou tendência de queda até 2008, voltando a crescer entre 2008 e 2010, mas apresentou basicamente valores positivos nesse período. Portanto, com um hiato positivo, o desemprego observado é maior que a NAIRU, compatível com um ambiente de desaceleração inflacionária, o que confirma a inflação em queda neste período. Após 2010, observa-se um hiato do desemprego negativo, ou seja, a NAIRU é maior que a taxa de desemprego, compatível com uma aceleração inflacionária. No final de 2015, o hiato torna-se novamente positivo e observa-se tendência de crescimento da inflação. Pode-se afirmar, que de 2002 a 2008, período importante de consolidação do regime de metas de inflação, a NAIRU foi significativamente menor que a taxa de desemprego, consistente com um ambiente de desaceleração inflacionária. Dessa forma, como implicação de política, o mercado de trabalho deveria estar mais direcionado à qualidade dos empregos e não à sua quantidade. No período de 2012 até início de 2015, a NAIRU é maior que a taxa de desemprego, revelando as pressões inflacionárias do período. Nesse caso, a autoridade monetária deveria ser rigorosa em implementar políticas anti-inflacionárias, sendo esperada a adoção de políticas contracionistas.
    http://sbfin.org.br/wp-content/uploads/2016/05/15-NAIRU-INFLA%C3%87%C3%83O-E-CURVA-DE-PHILLIPS-NO-BRASIL-NOVAS-EVID%C3%8ANCIAS-A-PARTIR-DE-UM-MODELO-TEMPO-VARIANTE.pdf

    • Fabricio Freitas Alves Says:

      Staiger, Stock e Watson (1997) avaliam a possibilidade de estimar a NAIRU e seu potencial para predizer a inflação. Os autores concluem que estimativas da NAIRU são imprecisas. Apesar das estimativas indicarem um possível intervalo da taxa, não foi possível definir um valor específico. Os pesquisadores, porém, minimizam esse problema na estimação da NAIRU, uma vez que sua investigação concluiu que a taxa é pouco relevante na predição da inflação. Apesar deste resultado, as regressões apontam para uma curva de Phillips com inclinação negativa, porém é muito difícil dizer qual o nível de desemprego que mantém a inflação constante. Se o objetivo é determinar quanto a inflação diminui com o aumento de 1% da taxa de desemprego, esse resultado é irrelevante; se o economista busca determinar o nível de desemprego que mantém a inflação estável, isso torna-se um problema. É necessário reconhecer as vantagens e as limitações da curva de Phillips.

      FONTE:
      Staiger, Douglas, James H. Stock, and Mark W. Watson. “The NAIRU, unemployment and monetary policy.” The Journal of Economic Perspectives 11.1 (1997): 33-49.

  6. Caio Duarte Says:

    A curva de Phillps desde que foi apresentada se tornou uma relação importantíssima na discussão de elaboração de política monetária expansionista, pois por mais que o foco da política monetária da maioria dos bancos centrais ao redor do globo seja a estabilidade do nível de preços, estes não podem ignorar outra variáveis macroeconômicas como o nível de emprego, pois isso poderia causar graves problemas, como por exemplo até trazendo o problema da deflação. Um outro ponto é a discussão da extensão temporal da curva de Philips, pois de início pensava-se que essa relação era válida tanto no curto, quanto longo prazo, entretanto com a evolução das pesquisas empíricas, apontaram que essa relação dada pela curva de Philips só é válida para o curto prazo, pois no longo prazo os indivíduos via expectativas ajustariam essa relação o que resulta numa importante implicação sobre o efeito de políticas expansionistas que visam o aumento do produto e diminuição do desemprego, via políticas monetárias, pois essa não causariam efeitos no longo prazo.
    Um dos estudos do IPEA para a aplicação da curva de Philips no caso brasileiro analisando um período de 1.995 até 2008 apontou uma ” inadequação da curva de Philips para explicar a dinâmica inflacionária no caso da economia brasileira”.

    Fonte: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=4740

  7. Caio Duarte Says:

    A curva de Phillps desde que foi apresentada se tornou uma relação importantíssima na discussão de elaboração de política monetária expansionista, pois por mais que o foco da política monetária da maioria dos bancos centrais ao redor do globo seja a estabilidade do nível de preços, estes não podem ignorar outra variáveis macroeconômicas como o nível de emprego, pois isso poderia causar graves problemas, como por exemplo até trazendo o problema da deflação. Um outro ponto é a discussão da extensão temporal da curva de Philips, pois de início pensava-se que essa relação era válida tanto no curto, quanto longo prazo, entretanto com a evolução das pesquisas empíricas, apontaram que essa relação dada pela curva de Philips só é válida para o curto prazo, pois no longo prazo os indivíduos via expectativas ajustariam essa relação o que resulta numa importante implicação sobre o efeito de políticas expansionistas que visam o aumento do produto e diminuição do desemprego, via políticas monetárias, pois essa não causariam efeitos no longo prazo.
    Um dos estudos do IPEA para a aplicação da curva de Philips no caso brasileiro analisando um período de 1.995 até 2008 apontou uma ” inadequação da curva de Philips para explicar a dinâmica inflacionária no caso da economia brasileira”.

  8. Isabela Oliveira Melo Says:

    No caso do Brasil, o boletim Focus ajuda a determinar uma previsão para o futuro dos brasileiros. Uma das causas do boletim é o ajuste do salário mínimo e do tempo de reajuste. Outra e principal é a previsão das expectativas para a inflação, que melhoraram de forma expressiva na última semana, mas na ponta da atividade, as perspectivas para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) voltaram a piorar, conforme apontado pelos dados do boletim Focus, do Banco Central. Complementando, enquanto a projeção para a inflação melhora, a da atividade volta a piorar. A mediana das estimativas dos analistas para o desempenho do PIB passou de retração de 3,19% para queda de 3,22%. A fraqueza da atividade no terceiro trimestre tem feito com que parte dos analistas postergue para o início de 2017 a expectativa de início de recuperação da economia brasileira. No Focus, a expectativa para o crescimento do PIB de 2017 foi de 1,3% para 1,23%.

    http://www.valor.com.br/brasil/4753567/mercado-preve-inflacao-abaixo-de-7-e-recuo-maior-do-pib-em-2016

  9. Vinícius José Vilela Says:

    Num estudo do Ipea, o autor do texto de revisão literária sobre a curva de Phillips no Brasil cita que apesar de possuir uma representação simples, a curva de Phillips apresenta razoáveis dificuldades para sua estimação e implementação. A primeira dificuldade refere-se a qual conjunto de variáveis se deve adotar como proxies para inflação, expectativa de inflação, custo marginal da empresa e choque de oferta. Esta escolha não é trivial, e vários estudos escolhem diferentes conjuntos de variáveis, não havendo ainda uma metodologia de escolha que sugira quais variáveis devem ser adotadas. No caso brasileiro, tal dificuldade é maior ainda devido à precariedade de várias séries estatísticas, aliada à grande instabilidade econômica que caracterizou o começo da década de 19.

    Outra dificuldade apresentada pelo autor é o método pelo qual deve estimar a equação da curva de Phillips, sendo que cada pesquisador adota seu próprio critério, embasado em motivações teóricas e/ou empíricas. Entretanto, esse fato vai apresentar diferentes resultados, mostrando que tais escolhas de critério irá impactar no resultado final.
    Segundo o autor, encontra uma proxy para a expectativa de inflação não é fácil, e que resultados apresentados em trabalhos sobre a curva de Phillips no Brasil mostram que o uso de diferentes proxies para a expectativa de inflação tem impacto direto nos coeficientes estimados da inflação passada e da expectativa de inflação na curva de Phillips

    http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1924.pdf

  10. Arthur Della Vecchia Says:

    Bom, o que vivenciamos aqui no Brasil nos últimos anos, e o momento econômico pelo qual estamos passando agora, são aplicações práticas da teoria moderna sobre Curva de Phillips. No curto prazo, há o trade-off entre inflação e desemprego, devido à rigidez de preços e salários e pelo fato de o mercado de trabalho não se comportar de forma competitiva. Políticas que estimulem o produto da economia no curto prazo geram processos inflacionários já neste curto período de tempo (pois nem todos os preços são rígidos), ao mesmo tempo que promovem a redução da taxa de desemprego. Isso foi o que o Brasil experimentou a partir do segundo mandato do ex-presidente Lula, até meados do primeiro mandato de Dilma Rousseff.
    No entanto, devido à falta de preocupação com políticas que incentivassem o crescimento do produto potencial, ou seja, com políticas voltadas a alterar a fronteira tecnológica e a capacidade produtiva do país, o modelo de crescimento adotado pelos dois governos supracitados esgotou-se, trazendo sérias consequências econômicas para o país: a temida estagflação, qual seja, inflação alta com baixo crescimento do produto (negativo, inclusive), e alto desemprego. Isso nada mais é do que uma implicação da Curva de Phillips de longo prazo, a qual não permite o trade-off entre inflação e desemprego. A longo prazo, o desemprego e o produto voltam ao seu nível natural (potencial), e todo o estímulo à demanda agregada que se deu a curto prazo se reverte em inflação.
    Poderia ser dada uma aula sobre Curva de Phillips moderna apenas utilizando a evolução da economia brasileira nos últimos 10 anos…

    • Pedro Venturi Says:

      Muito interessante seu ponto Arthur! A teoria moderna das Curvas de Phillips parece realmente se aplicar ao contexto da economia brasileira nos últimos anos. É importante ressaltar também a dificuldade de se sair de uma situação de estagflação como a vivida no Brasil, desde 2012 as taxas de juros vinham aumentando sem, contudo, serem capazes de controlar a inflação e ainda gerando maior desemprego. Somente algumas semanas atrás o Banco Central começou a diminuir os juros e há a esperança que a inflação volte para a meta em 2017 ou 2018. Assim, a adoção de políticas equivocadas há cerca de 7 ou 8 anos atrás ainda se faz sentir hoje e será sentida por mais um tempo.
      http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/10/na-1-reducao-em-quatro-anos-copom-baixa-juros-para-14-ao-ano.html

  11. Marcelle Rocha Says:

    A ideia da curva de Phillips é que existe uma relação negativa entre inflação e desemprego não é nova em economia. A curva de Phillips, permanece no centro da análise de política econômica da maioria dos bancos centrais que adotam o regime de metas de inflação. Muito da análise moderna da inflação é baseada na curva de Phillips novokeynesiana, ou seja, em um modelo de fixação de preços com rigidez nominal que implica que a dinâmica inflacionária pode ser explicada pela evolução esperada dos custos marginais reais.
    Encontram uma estimativa linear do trade-off entre inflação e desemprego que tem significância estatística, e aparentemente é adequada aos dados da economia brasileira. Como proxy para a inflação, os autores adotam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para representarem a taxa de desemprego, eles utilizam tanto a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE como a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Para obterem a inflação esperada, eles estimam vários modelos autorregressivos integrados de média móvel (Arima) e escolhem aquele que gera a melhor predição para a taxa de inflação. Como o objetivo principal dos autores é estimar a non-accelerating inflation rate of unemployment (Nairu – taxa de desemprego que não acelera a inflação), a variável dependente em suas estimativas é a inflação atual menos a inflação esperada para o próximo período. Utilizando os dados do IBGE, eles encontram um coeficiente de 0,185 para a variável inflaçãot-1 – expectativa de inflaçãot-1, e de 0,123 para inflaçãot-2 – expectativa de inflaçãot-2, sendo ambas as variáveis estatisticamente insignificantes. Para o desemprego, contudo, encontra-se um coeficiente estatisticamente significativo da ordem de -1,745.
    Lima (2003) estima a Nairu para o Brasil e verifica a estabilidade dos coeficientes da curva de Phillips brasileira. Os resultados econométricos sugerem que a inclinação da curva de Phillips do Brasil é estável, mas a Nairu brasileira vem se alterando ao longo do tempo.

    http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1429.pdf

  12. Bianca Buzzo Alonso Says:

    A Curva Phillips, como instrumento e fundamento teórico, apresenta a relação inversa entre inflação e taxa de desemprego. Onde o emprego é considerado uma proxi do nível de atividade da economia. Esse conceito surge no fim da década de 50 e então se torna um dos principais instrumentos na tomada de decisões acerca de políticas macroeconômicas. Entretanto ao longo dos anos ele sofre vários ajustes conforme o desenvolvimento de novas teorias e surgimento de novos questionamentos, e também conforme a conjuntura econômica vigente. Autores como Blanchard, defendem que a maneira como as variáveis inflação e desemprego se relacionam variam de país para país e ao longo do tempo.
    Em conjunto com a Curva de Phillips, e sustentando-a, é possível analisar a Lei de Okun, que define uma relação direta entre nível de emprego e crescimento econômico; e a NAIRU (Nonacceleranting Inflation Rate of Unnemployement), que foi abordada em comentários anteriores.

    http://www.pet-economia.ufpr.br/banco_de_arquivos/00002_Rodrigo_cl_lima_e_silva_curva_de_philips_e_aplicacao.pdf

  13. Pedro Violante Says:

    Em relação à aplicação da Curva de Phillips ao contexto brasileiro, é interessante notar que existem diversos artigos já escritos a respeito de tal tema, conforme mencionado por alguns colegas. Acredito que a abundância de publicações sobre o tópico deva-se, em grande medida, à elucidação a respeito de políticas monetárias a serem tomadas que a relação descrita pela curva proporciona.

    Mesmo após as críticas feitas à Curva de Phillips na década de 1970, ainda hoje ela funcionaria como instrumento para os economistas à medida que auxiliaria no prognóstico de curto prazo da condução de política monetária: um cenário de desemprego elevado pode suportar uma política monetária expansionista com menor pressão sobre o nível de preços; alternativamente, um cenário de baixo desemprego tende a incorporar uma política monetária expansionista sob a forma de elevação do nível de preços.

    No entanto, o artigo escrito em 2009 por Adolfo Sachsida, Marcio Ribeiro e Claudio Hamilton dos Santos e disponível por meio do seguinte link: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/2567/1/TD_1429.pdf indica que a Curva de Phillips tem pouca habilidade para representar a dinâmica de inflação no Brasil (para o período considerado na pesquisa dos autores, a saber, 1995-2008). Os testes econométricos realizados apontam para a rejeição da hipótese de linearidade dos parâmetros da Curva de Phillips. Ainda, os parâmetros são altamente sensíveis às diferenças nas especficações de não linearidade. Esses resultados embasam a conclusão dos autores a respeito da inadequação da Curva de Phillips como instrumento para explicar a dinâmica inflacionária do Brasil.

  14. Murilo Mello Says:

    Em uma revisão teórica realizada por Adolfo Sachsida (2013) em uma revisão literária sobre a curva de Phillips no Brasil, o mesmo apontou algumas dificuldades sobre a estimativa da mesma, sendo a principal delas os índices de inflação utilizados no Brasil. O IPCA, por exemplo, considerado uma proxy do modelo, não é calculado para o Brasil como um todo, mas apenas para 11 regiões metropolitanas.
    Assim, ao final do artigo, o mesmo conclui que “…são amplos os resultados referentes aos coeficientes estimados da inflação passada e da expectativa de inflação. O efeito do choque cambial sobre a inflação também é controverso. Sendo que tal efeito depende muito do número de defasagens permitidas para o choque cambial. Além disso, pode ocorrer do choque cambial não ser estatisticamente significante (ou quando o for apresentar sinal oposto ao esperado) para explicar a inflação brasileira no curto prazo.”
    Por fim o Autor conclui: “De maneira mais ampla, parece ficar a dúvida da adequação do uso da curva de Phillips para descrever a dinâmica inflacionária brasileira no período recente. Esse resultado não deixa de ser
    importante, afinal a descrição da inflação como que seguindo a dinâmica proposta pela curva de Phillips é uma suposição padrão na elaboração de política econômica. Talvez seja o momento de tentarmos outras formas de descrever a dinâmica inflacionária da economia brasileira.”

    http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rbe/article/viewFile/11732/12458

  15. Anibal Amêndola Paschoal Says:

    A Curva de Phillips define o trade-off existente entre inflação e desemprego no curto prazo, ou seja, desemprego elevado tende a reduzir a inflação, ao passo que superemprego tende a elevar a inflação. Além desses fatores, podemos incluir também um termo de expectativa de inflação e um termo de choque aleatório.
    A inflação existe dado que há expectativa de que haverá inflação, o desemprego está abaixo do natural e porque ocorrem choques (de oferta, por exemplo).
    Temos três casos de interesse para a curva de Phillips, sempre diferindo a respeito do comportamento da expectativa de inflação.
    No caso da Curva de Philips com a expectativa de inflação igual a zero (versão não-aceleracionista ou versão de Samuelson & Solow), o desvio do desemprego em relação ao natural afeta a inflação e se o desemprego for igual o natural, a inflação zera.
    No caso da Curva de Phillips com expectativas adaptativas (versão aceleracionista ou versão de Friedman & Phelps), assumimos que a expectativa de inflação é igual a inflação to período t-1. Em tal caso a inflação tende a se perpetual, mesmo que o desemprego seja igual ao natural e o choque aleatório seja igual a zero. A inflação é constante e, no longo prazo, o trade-off é inexistente, ou seja, o desemprego sempre estará abaixo do natural se for aceita uma inflação crescente ao longo do tempo. A curva de Phillips de curto prazo possui inclinação negativa, mas a de londo prazo é perfeitamente vertical.

  16. Sofia Serra Tavares Says:

    A curva de Phillips mostra uma relação inversa entre a taxa de inflação e o nível de desemprego, que é válida no curto prazo. A lei de Okun propõe uma relação negativa entre crescimento e desemprego (durante as recessões, por exemplo, é mais difícil de se obter emprego, portanto as taxas de desemprego aumentam), com o coeficiente variando em fução de cada economia em particular. Ambas auxiliam no processo de tomada de decisão de políticas macroeconômicas, porém em vários estudos não é possível afirmar que existe uma relação inversa entre inflação e desemprego no Brasil. Uma monografia em que pesquisei afirma que, no período de março de 2002 a março de 2014: “No caso da curva de Phillips, não foi possível afirmar que há uma relação inversa entre inflação e desemprego no Brasil, a partir do modelo aceleracionista utilizado, bem como com os dados empregados. Tal resultado foi advindo de um modelo bem ajustado e assemelha-se aos obtidos por outros autores, como Schwartzman (2006) e Sachsida (2013). O primeiro concluiu que houve falta de robustez em seus parâmetros. O segundo acreditou que a relevância empírica da curva de Phillips é questionável e como exemplo cita os trabalhos de Rudd e Whelan (2005), Lindé (2005) e Bardsen et al. (2004), que consideram tal relação fraca.”

    Fonte: http://bdm.unb.br/bitstream/10483/7916/1/2014_PaulaVerlangeiroVieira.pdf

  17. Maria Eduarda Pastorello Says:

    Complementando o post do grupo, a Curva de Phillips, segundo descrito no Mishkin, é o resultado das pesquisas do economista de mesmo nome, que analisou as taxas de inflação e desemprego no Reino Unido, mostrando uma relação aparente em que períodos de maior desemprego eram períodos de menor inflação e vice-versa. Isso possibilitava que governos reduzissem desemprego caso fizessem políticas monetárias expansionistas, em troca de inflação. Por outro lado, há a lei Okun, desenvolvida por Arthur Okun, que tem uma relação também inversa entre nível do produto e o nível de desemprego da economia.
    No momento em que houve estagnação econômica e inflação alta, de modo a ter grande desemprego junto de grande inflação (não previsto no modelo da Curva de Phillips), Robert Lucas argumentou que isso ocorria pelos agentes traçarem expectativas não apenas olhando para o passado, mas também para o futuro. Ou seja, caso haja expectativa de inflação amanhã, já se reajusta o produto hoje. Além disso, existe na economia uma rigidez no CP de modo que os preços não podem se reajustar automaticamente, fazendo com que é possível que uma política monetária expansionista gere queda no desemprego e aumente a inflação. No entanto, no longo prazo, as empresas adaptam sua produção e não há impacto no desemprego, apenas na inflação. Sendo assim, o novo modelo da curva de Phillips prevê que há não um tradeoff entre inflação e desemprego, mas sim um tradeoff entre variação da inflação em relação a anterior e variação do desemprego em relação ao desemprego natural no curto prazo, e que a reta é vertical no longo prazo.

  18. Lucas Wagner Says:

    A Curva de Phillips é um tópico muito interessante da literatura porque a relação entre os economistas e ela sempre apresentou alguma tensão. Desde Solow e Samuelson (1960), alguma manifestação da curva tem sido unanimidade no consenso keynesiano, em parte porque é um modo prático de demonstrar como mudanças na economia afetam o nível de preços. Mas tanto Solow quanto Samuelson entendiam como a relação entre as variáveis era tênue, e o paper original deles tem uma série de ressalvas a respeito do porquê o curto e o longo prazo diferem. Mas a academia rapidamente esqueceu as ressalvas e a Curva de Phillips se tornou lugar comum em modelos macro da época: ela era um modo conveniente de completar o modelo keynesiano, que sempre teve problemas explicando porque preços falham em equilibrar os mercados e como o nível de preços se ajusta com o tempo. Quem sugere que a relação que a curva estabelece entre inflação e desemprego não existe no longo prazo é Friedman (1968), com o argumento que hoje todos conhecemos de que apenas uma inflação inesperada é capaz de reduzir o desemprego e não existe inflação que seja eternamente inesperada. Isso prepara o terreno para a revolução das expectativas racionais. Robert Lucas vai elaborar no argumento de Friedman durante os anos 70 em uma série de artigos, e isso vai colocar as expectativas racionais na Curva de Phillips, que assume mais ou menos a forma que conhecemos hoje.

    Outra coisa que eu gostaria de comentar é sobre um paper do nosso querido Blanchard que tenta estimar como os parâmetros da curva mudaram no decorrer do tempo. E ele chega a conclusões bastante interessante e que tem implicações para a condução da política monetária nos Estados Unidos. As primeiras conclusões são previsíveis: o peso da inflação passada para a formação de expectativas sobre a inflação futura, depois de aumentar muito nas décadas de 60 e 70, desde os anos 80 está perto de zero. Em contrapartida, o peso das expectativas futuras de inflação aumenta a partir da década de 80 e hoje é próximo de 1. O que realmente é interessante, e pode ter implicações mais profundas é que a inclinação da curva caiu muito nos últimos 40 anos: uma redução de um ponto percentual na taxa de desemprego nos anos 70 resultaria em um aumento de 0,7 ponto percentual na inflação, a mesma redução hoje, segundo o estudo do Blanchard, resultaria em um aumento de apenas 0,2 ponto percentual na inflação. Isso levanta questões interessantes de política monetária, entre elas se o Fed deveria tentar manter, ao menos temporariamente, a taxa de desemprego abaixo da taxa natural.

    Fontes:

    BLANCHARD, O. The US Phillips Curve: Back to the 60’s?. Policy Brief. v. 16, n. 1, 2016.

    MANKIW, G. The Macroeconomist as a Scientist and as a Engineer. Disponível em: http://www.nber.org/papers/w12349

  19. Pamela Generoso Says:

    No mesmo sentido do post acima, a Curva de Phillips original relaciona a taxa de aumento dos salários ao desemprego, no entanto, ela veio a ser usada como uma curva que relaciona a taxa de aumento de preços (taxa de inflação) à taxa de desemprego. Assim, se tornou um fundamento de análise macroeconômica explicitando o dilema entre desemprego e inflação no curto prazo.

    Para fazer a ponte com a curva de oferta agregada vertical (longo prazo) é necessária a inclusão de expectativas de preços. Quando os trabalhadores e as empresas negociam os salários, estão preocupados com o valor real do salário. O desemprego depende não do nível de inflação, mas do excesso de inflação em relação à inflação esperada.

    Quando um aumento da demanda agregada desloca a economia para cima e para a esquerda sobre a Curva de Phillips de curto prazo, isso produz inflação. Se a inflação persiste, as pessoas passam a esperar inflação para o futuro (π esperada) e a Curva de Phillips de curto prazo se desloca para cima.

    A Curva de Phillips depende das pessoas estarem erradas sobre a inflação de forma previsível. Por outro lado, o equilíbrio de longo prazo é descrito pela igualdade entre inflação esperada e efetiva.

    A introdução das expectativas racionais modifica o argumento em relação ao papel do erro. Lucas argumenta que um bom modelo econômico não deveria se apoiar em um público que comete erros facilmente evitáveis. Modelos bons supõem que os atores econômicos se comportem de forma inteligente, não cometendo erros sistemáticos. À medida que fazemos previsões na informação disponível para o público, então os valores que utilizamos para a inflação esperada e deveriam ser iguais aos valores que o modelo prevê para π. Enquanto mudanças surpresa no crescimento da moeda alterarão o desemprego, mudanças previsíveis não o farão.

    fontes:
    http://www.sober.org.br/palestra/13/337.pdf
    http://analisemacro.com.br/wp-content/uploads/2013/08/CurvadePhillips.pdf

  20. Pamela Generoso Says:

    Embora a Curva de Phillips original relacione a taxa de aumento dos salários ao desemprego, a Curva de Phillips veio a ser usada como uma curva que relaciona a taxa de aumento de preços (taxa de inflação) à taxa de desemprego. Assim, se tornou um fundamento de análise macroeconômica explicitando o dilema entre desemprego e inflação no curto prazo.

    Para fazer a ponte com a curva de oferta agregada vertical (longo prazo) é necessária a inclusão de expectativas de preços. Quando os trabalhadores e as empresas negociam os salários, estão preocupados com o valor real do salário. O desemprego depende não do nível de inflação, mas do excesso de inflação em relação à inflação esperada.

    Quando um aumento da demanda agregada desloca a economia para cima e para a esquerda sobre a Curva de Phillips de curto prazo, isso produz inflação. Se a inflação persiste, as pessoas passam a esperar inflação para o futuro (π esperada) e a Curva de Phillips de curto prazo se desloca para cima.

    A Curva de Phillips depende das pessoas estarem erradas sobre a inflação de forma previsível. Por outro lado, o equilíbrio de longo prazo é descrito pela igualdade entre inflação esperada e efetiva.

    A introdução das expectativas racionais modifica o argumento em relação ao papel do erro. Lucas argumenta que um bom modelo econômico não deveria se apoiar em um público que comete erros facilmente evitáveis. Modelos bons supõem que os atores econômicos se comportem de forma inteligente, não cometendo erros sistemáticos. À medida que fazemos previsões na informação disponível para o público, então os valores que utilizamos para a inflação esperada e deveriam ser iguais aos valores que o modelo prevê para π. Enquanto mudanças surpresa no crescimento da moeda alterarão o desemprego, mudanças previsíveis não o farão.

    fontes:
    http://analisemacro.com.br/wp-content/uploads/2013/08/CurvadePhillips.pdf
    http://www.sober.org.br/palestra/13/337.pdf

  21. Andrew Normanton de Oliveira Says:

    Existem vários estudos que empregam diferentes métodos para estudar a validade da curva de Phillips no caso brasileiro.
    O quê se pode concluir desses estudos é que o hiato do produto e do emprego não apresentam relação sistemática com a inflação, esta, possui melhor explicação em variáveis como a inflação importada, inflação do mês anterior (sugerindo uma inflação inercial, principalmente em estudos realizados durante a década de 80) e a taxa SELIC. Sendo assim, as políticas mais efetivas no combate a inflação estão associadas a taxa de câmbio e política monetária.

    http://www.excedente.org/wp-content/uploads/2014/11/3_29119107889.pdf

    http://tcc.bu.ufsc.br/Economia296195

  22. Guilherme Kermentz Ferraz Costa Says:

    A Curva de Philips foi considerada por muito tempo a maior descoberta da macroeconomia. Ao mesmo tempo em que estabeleceu uma relação estável entre duas variáveis agregadas (inflação e desemprego), essa curva indicou que os policy makers poderiam escolher o trade off que quisessem entre esses dois elementos.
    Como meus colegas apontaram, no modelo keynesiano, a taxa de desemprego está relacionada com a inflação por meio do princípio da demanda efetiva e da lei de Okun.
    Assim, nesse modelo, uma expansão da demanda agregada- supondo que existem fatores de produção ociosos e que, portanto vale o princípio da demanda efetiva- causaria um aumento na renda, o que por sua vez, segundo a lei de Okun, estaria associado a uma maior contratação de trabalhadores para aumentar a produção, reduzindo o desemprego. Por outro lado, uma expansão da demanda agregada tenderia a, no médio e no longo prazo, a elevar os níveis de preço- já que esses são só rígidos no curto prazo-, o que por sua vez levaria a uma maior inflação. Desse modo, estaria explicada a correlação entre inflação e desemprego.
    Apesar da coerência interna desse modelo, ele logo foi alvo de críticas tanto empíricas quanto teóricas. Por um lado, economistas americanos (Friedman, Phelps, Lucas) argumentaram que os agentes reagiriam às políticas do governo alterando suas expectativas de inflação, o que tornaria ineficaz as medidas expansionistas de curto prazo. Por outro, os dados empíricos a partir da década de 70 mostraram situações de estagflação (desemprego e inflação simultâneos) que não se encaixaram na Curva de Philips tradicional.
    Desde então, a macroeconomia keynesiana caiu em certo descrédito, sendo substituída progressivamente por modelos que enfatizam mais o lado real da economia. Esses últimos modelos, contudo, não possuem a mesma simplicidade e operacionalidade das teorias antigas, já que apelam a todo o momento a choques aleatórios- que Romer (2016) chama ironicamente de “flogistons”- para explicar oscilações na renda.
    Diante disso, alguns economistas, como Krugman (2009), argumentam que a macroeconomia deve voltar a ter uma abordagem mais keynesiana, enquanto outros, como Buchanan (2009), argumentam que a macroeconomia continuará a falhar sistematicamente enquanto não oferecer explicações genuinamente microeconômicas- que levam em consideração as instituições do mundo real- para problemas macroeconômicos.
    O debate ainda está em andamento. Qual lado vocês tomam nessa briga?
    Referências:
    BUCHANAN, J. M. et al. Economists have no clothes. Perspectives in moral science, p. 151-156, 2009.
    KRUGMAN, P. How did economists get it so wrong?. New York Times, v. 2, n. 9, p. 2009, 2009.
    ROMER, P (2016). The Trouble with Macroeconomics. No Prelo. Disponível em https://www.law.yale.edu/system/files/area/workshop/leo/leo16_romer.pdf. Acesso em 01/11/2016.

  23. Maria Carolina Meirelles Napravnik Says:

    É evidente que a interpretação Curva de Phillips faz parte do debate sobre o futuro da política monetária de um país. O debate poderia determinar quando o banco central eleva as taxas de juros e sinaliza o que pensa sobre o futuro do mercado de trabalho. Pesquisando mais sobre o tema, alguns autores apontam que a curva aparenta ter falhado nos últimos anos nos EUA, não encontrando uma forte relação entre a inflação e a taxa de desemprego. Esses estudos também demonstram que a curva também foi questionada durante os anos 70, como apontado pela postagem dos colegas.

    Os estudos elaborados até a década de 70 foram amplamente criticados ao notar que a relação entre desemprego e inflação está em constante mudança por razões que são impossíveis de prever. Sendo assim, a Curva de Phillips não seria um instrumento particularmente útil. Contudo, após a década de 70, a adição de outra variáveis além do desemprego como medidas de crescimento da produtividade, mudanças nos preços dos alimentos e da energia e da inflação global ao longo dos seis anos anteriores, facilitam a previsão para a inflação e a tornam mais certeira.

    De certa forma, o debate sobre quanta fé o Fed coloca na curva de Phillips mostra um dilema mais amplo da política econômica. Assim, para todos os seus defeitos, a curva de Phillips e suas variações mais sofisticadas, podem ser a melhor ferramenta atual para se trabalhar.

    Caso tenham interesse, deixo aqui alguma literatura sobre as críticas que eu citei anteriormente.

    http://qz.com/527844/im-a-phillips-and-even-i-dont-trust-the-phillips-curve/

    http://www.federalreserve.gov/econresdata/feds/2015/files/2015042pap.pdf

  24. Pamela Generoso Says:

    Embora a Curva de Phillips original relacione a taxa de aumento dos salários ao desemprego, a Curva de Phillips veio a ser usada como uma curva que relaciona a taxa de aumento de preços (taxa de inflação) à taxa de desemprego. Assim, se tornou um fundamento de análise macroeconômica explicitando o dilema entre desemprego e inflação no curto prazo.

    Para fazer a ponte com a curva de oferta agregada vertical (longo prazo) é necessária a inclusão de expectativas de preços. Quando os trabalhadores e as empresas negociam os salários, estão preocupados com o valor real do salário. O desemprego depende não do nível de inflação, mas do excesso de inflação em relação à inflação esperada.

    Quando um aumento da demanda agregada desloca a economia para cima e para a esquerda sobre a Curva de Phillips de curto prazo, isso produz inflação. Se a inflação persiste, as pessoas passam a esperar inflação para o futuro (π esperada) e a Curva de Phillips de curto prazo se desloca para cima.

    A Curva de Phillips depende das pessoas estarem erradas sobre a inflação de forma previsível. Por outro lado, o equilíbrio de longo prazo é descrito pela igualdade entre inflação esperada e efetiva.

    A introdução das expectativas racionais modifica o argumento em relação ao papel do erro. Lucas argumenta que um bom modelo econômico não deveria se apoiar em um público que comete erros facilmente evitáveis. Modelos bons supõem que os atores econômicos se comportem de forma inteligente, não cometendo erros sistemáticos. À medida que fazemos previsões na informação disponível para o público, então os valores que utilizamos para a inflação esperada e deveriam ser iguais aos valores que o modelo prevê para π. Enquanto mudanças surpresa no crescimento da moeda alterarão o desemprego, mudanças previsíveis não o farão.

    Fontes:
    http://analisemacro.com.br/wp-content/uploads/2013/08/CurvadePhillips.pdf
    http://www.sober.org.br/palestra/13/337.pdf

  25. Pamela Generoso Says:

    Embora a Curva de Phillips original relacione a taxa de aumento dos salários ao desemprego, a Curva de Phillips veio a ser usada como uma curva que relaciona a taxa de aumento de preços (taxa de inflação) à taxa de desemprego. Assim, se tornou um fundamento de análise macroeconômica explicitando o dilema entre desemprego e inflação no curto prazo.

    Para fazer a ponte com a curva de oferta agregada vertical (longo prazo) é necessária a inclusão de expectativas de preços. Quando os trabalhadores e as empresas negociam os salários, estão preocupados com o valor real do salário. O desemprego depende não do nível de inflação, mas do excesso de inflação em relação à inflação esperada.

    Quando um aumento da demanda agregada desloca a economia para cima e para a esquerda sobre a Curva de Phillips de curto prazo, isso produz inflação. Se a inflação persiste, as pessoas passam a esperar inflação para o futuro (π esperada) e a Curva de Phillips de curto prazo se desloca para cima.

    A Curva de Phillips depende das pessoas estarem erradas sobre a inflação de forma previsível. Por outro lado, o equilíbrio de longo prazo é descrito pela igualdade entre inflação esperada e efetiva.

    A introdução das expectativas racionais modifica o argumento em relação ao papel do erro. Lucas argumenta que um bom modelo econômico não deveria se apoiar em um público que comete erros facilmente evitáveis. Modelos bons supõem que os atores econômicos se comportem de forma inteligente, não cometendo erros sistemáticos. À medida que fazemos previsões na informação disponível para o público, então os valores que utilizamos para a inflação esperada e deveriam ser iguais aos valores que o modelo prevê para π. Enquanto mudanças surpresa no crescimento da moeda alterarão o desemprego, mudanças previsíveis não o farão.

    Fontes:
    http://analisemacro.com.br/wp-content/uploads/2013/08/CurvadePhillips.pdf
    http://www.sober.org.br/palestra/13/337.pdf

  26. Andrey Prado Says:

    A curva de Phillips representa uma relação inversa entre inflação e o desemprego, sendo assim, um tradeoff entre
    inflação e desemprego no curto prazo, e revela que a taxa de desemprego for igual à taxa natural de desemprego
    a inflação será zero, a inflação será positiva quando o desemprego estiver abaixo da taxa natural e ocorrerá deflação quando a taxa de desemprego estiver acima da taxa natural.

    Conforme foram surgindo trabalhos acerca das expectativas dos agentes a curva de Phillips foi sendo pensada
    levando-se em conta duas correntes principais: as expectativas adaptativas e as expectativas racionais. Segundo
    as expectativas adaptativas os indivíduos levam em consideração a inflação observada nos períodos anteriores para formar sua inflação esperada e os desvios decorrentes de erros tenderiam a ser corrigidos no longo prazo,
    levando a taxa de desemprego à taxa natural. Como essa abordagem não explicava bem o mundo as expectativas
    racionais se mostravam importantes, inclusive atualmente, e abordam a curva de Phillips explicitando que os
    indivíduos levam em conta também as informações disponíveis no presente e não incorrem em erros sistemáticos para formar suas expectativas de inflação.

    Para explicar o fenômeno da estagflação (ocorrência de inflação com desemprego) que aconteceu nos anos 70 devido à crise do petróleo, houveram estudos que incorreram na criação da curva de Phillips de longo prazo e que possui a forma de uma reta vertical. Essa curva de Phillips é associada a um produto potencial máximo, e indica a taxa de desemprego de equilíbrio, quando a taxa de desemprego corrente é menor que a taxa de equilíbrio as expectativas de inflação aumentam, e a inflação tende a se acelerar, e se a taxa de desemprego corrente é maior que a taxa de equilíbrio as expectativas de inflação diminuem e a inflação tende a se desacelerar, enquanto que, se a taxa corrente for igual a de equilíbrio haverá uma alteração na inflação se ocorrer algum choque exógeno.

    https://markuscoutinho.com/curva-de-phillips-a-relacao-entre-a-inflacao-e-o-desemprego/

  27. Gabriel de Oliveira Teixeira Says:

    No artigo “INVESTIGAÇÃO SOBRE O RELACIONAMENTO DO DESEMPREGO, DOS SALÁRIOS E DA INFLAÇÃO NO BRASIL PÓS-REAL”, são feitas analises econométricas que mostram alguns resultados interessantes.
    Segundo o estudo, as estimações realizadas no mesmo, permitem que se afirme que “a implantação do sistema do regime de metas de inflação no Brasil leva a alteração na relação da curva de Phillips no País”.
    Na primeira fase do Plano Real, não há evidências da existência da curva de Phillips, apenas de uma curva de salários.
    Já no momento econômico em que ocorreu a pesquisa, em 2010, a curva de Phillips se mostra presente em sua versão nova-keynesiana, ainda que de forma tênue. Sendo que, “a baixa significância do teste de causalidade do desemprego sobre a inflação e os pequenos e breves impactos de variações no desemprego sobre esta variável indicam que não é possível falar que manter o controle inflacionário causem elevados níveis de desemprego.”
    “A existência da curva de salários nos dois períodos, com funções impulso resposta indicando perdas salariais com a elevação do desemprego, sem a devida contrapartida no processo inflacionário, indica que não existe um mecanismo de repasse dos aumentos salariais para os preços. Outro ponto que merece destaque é que o avanço na produtividade, ao invés de elevar o salário sem que provoque inflação, reduz o salário e eleva o desemprego. Este impacto do aumento da produtividade sobre os salários talvez explique porque quando há um processo de redução dos salários este não é repassado para o processo inflacionário, ou seja, as flutuações nas margens das empresas absorvem as flutuações salariais, impedindo que o mecanismo da curva de Phillips funcione plenamente no Brasil”.

    Fonte: http://periodicos.ufpb.br/index.php/economia/article/view/9120

  28. Maria Carolina Meirelles Napravnik Says:

    A interpretação Curva de Phillips faz parte do debate sobre o futuro da política monetária de um país. O debate poderia determinar quando o banco central eleva as taxas de juros e sinaliza o que pensa sobre o futuro do mercado de trabalho. Pesquisando mais sobre o tema, alguns autores apontam que a curva aparenta ter falhado nos últimos anos nos EUA, não encontrando uma forte relação entre a inflação e a taxa de desemprego. Esses estudos também demonstram que a curva também foi questionada durante os anos 70, como apontado pela postagem dos colegas.

    Os estudos elaborados até a década de 70 foram amplamente criticados ao notar que a relação entre desemprego e inflação está em constante mudança por razões que são impossíveis de prever. Sendo assim, a Curva de Phillips não seria um instrumento particularmente útil. Contudo, após a década de 70, a adição de outra variáveis além do desemprego como medidas de crescimento da produtividade, mudanças nos preços dos alimentos e da energia e da inflação global ao longo dos seis anos anteriores, facilitam a previsão para a inflação e a tornam mais certeira.

    De certa forma, o debate sobre quanta fé o Fed coloca na curva de Phillips mostra um dilema mais amplo da política econômica. Assim, para todos os seus defeitos, a curva de Phillips e suas variações mais sofisticadas, podem ser a melhor ferramenta atual para se trabalhar.

    Caso tenham interesse, deixo aqui alguma literatura sobre as críticas que eu citei anteriormente.

    http://qz.com/527844/im-a-phillips-and-even-i-dont-trust-the-phillips-curve/

    http://www.federalreserve.gov/econresdata/feds/2015/files/2015042pap.pdf

  29. Diego Domingues Says:

    Sobre as curvas de Phillips, acredito que seja um dos assuntos de macroeconomia em que mais nos aprofundamos em seu desenvolvimento histórico, como visto em aula e em Macroeconomia I, há diversas fases, começando com Lipsey e diversos outros até chegarmos nos novo-keynesianos. Acredito que o ponto mais interessante sobre a curva de Phillips seja seu desenvolvimento, pois a relação entre as variáveis macro inflação e desemprego esteve muito nítida desde o início, a questão sempre foi sobre os agentes que participam das interações econômicas, especialmente no mercado de trabalho. Na primeira fase tivemos agentes que sofriam de ilusão monetária, o que é ilógico, mas considerado, à época, um grande avanço no desenvolvimento da teoria macroeconômica, posteriormente percebeu-se que os trabalhadores levavam a inflação e seu poder aquisitivo real em consideração na decisão de oferta de trabalho. Chega-se na segunda fase, com expectativas adaptativas, contudo, mesmo evoluindo da teoria anterior, ainda há falhas na construção desse conhecimento sobre a curva de Phillips, uma vez que os agentes são irracionais, pois cometem erros sistemáticos em suas previsões. Novamente, a teoria passa por uma reformulação e desemboca na terceira fase, com expectativas racionais, isto é, a expectativa é a esperança da inflação esperada dado um conjunto de informações disponíveis aos agentes, dessa forma, não é que o agente não erre sua expectativa, mas em média possui erro zero, claro que nessa última fase há uma importante distinção entre os novo-clássicos e os novos-keynesianos. Entretanto, o que eu gostaria de ressaltar é justamente essa evolução na teoria sobre a curva de Phillips, uma vez que sempre houve essa relação entre inflação e desemprego e o que evoluiu foi o modo como encaramos a decisão do agente. Uma vez que a curva de Phillips é peça fundamental da análise do modelo OA-DA, o desenvolvimento da teoria permitiu que o modelo desenvolve-se ao longo do tempo também.

  30. Wenderson Pizzo Says:

    Caso alguém se interessar por curvas de Phillips, eu encontrei o seguinte artigo: https://www.bportugal.pt/pt-PT/EstudosEconomicos/Publicacoes/RevistaEstudosEconomicos/Publicacoes/REEv2n2_p.pdf , que contém vários gráficos com as curvas de Phillips da Alemanha, Estados Unidos, França e Japão.

    Além disso, complementando um pouco o post do grupo, eu encontrei nas notas de aula da professora Roseli da Silva, uns slides no qual é possível concluir que a versão da curva de Phillips sob a chamada hipótese forte de Expectativas Racionais implica que a taxa de desemprego real oscila aleatoriamente em torno da taxa natural. Além disso, no curto prazo ou no longo prazo não existe nenhuma relação entre inflação e desemprego. Assim, apenas uma “surpresa” sobre o curso da oferta de moeda, por exemplo, pode alterar instantaneamente o nível real de emprego. Portanto, este modelo não é adequado para explicar movimentos persistentes na taxa de desemprego, tais como os observados nos ciclos dos negócios no mundo real.
    Fonte: http://pt.slideshare.net/RoseliSilva2/economia-monetaria-1

  31. Luiz Felipe Coser Guarnieri Says:

    A curva de Phillips, de maneira conceitual, representa uma relação inversa entre inflação e o desemprego, sendo assim, um trade-off entre inflação e desemprego no curto prazo, revelando que se a taxa corrente de desemprego for igual à taxa natural de desemprego a inflação será zero. Com isso, a inflação será positiva quando o desemprego estiver abaixo da taxa natural e ocorrerá deflação quando a taxa de desemprego estiver acima da taxa natural.

    Sobre o caso brasileiro, procurei melhor sobre o assunto e pude perceber que existem diversos estudos que procuram validar da curva de Phillips. Em um deles, intitulado “A Curva de Phillips e a Experiência Brasileira”, o coeficiente da expectativa de inflação tornou-se MAIOR que o coeficiente da inflação passada, ao contrário do que ocorreu nos resultados de experiências e artigos anteriores que adotaram especificações não lineares para a curva de Phillips, subestimando assim o papel das expectativas na dinâmica inflacionária.

    O ponto que julguei mais interessante do artigo foi que os autores utilizaram uma ampla gama de variáveis para representar o custo marginal das empresas. Quando se estimou a curva de Phillips para o estado do Rio de Janeiro, utilizaram-se duas proxies para x: a massa salarial no estado, e a utilização da capacidade instalada da indústria no estado. Para a curva de Phillips referente a São Paulo, adotaram-se novamente duas proxies para a variável x: taxa de desemprego em São Paulo, e a utilização da capacidade instalada da indústria paulista. Para a curva de Phillips brasileira, adotaram-se três proxies para x: o hiato do produto, a utilização da capacidade instalada da indústria brasileira, e a taxa de desemprego do estado de São Paulo, não utilizando assim a taxa de desemprego do Brasil para estimar a curva de Phillips brasileira, pois esta teve sua metodologia alterada.

    As conclusões que pude extrair foram que à partir do entendimento dos principais pontos da história da Curva de Phillips passando pelas principais discussões contemporâneas do caso brasileiro, os estudos mostraram que a relação entre variação dos salários e desemprego mostra-se bastante simples. A suposta igualdade entre inflação de preço agregado e inflação salarial também é inconsistente, posto que existem outros fatores não inerentes ao trabalho que provocam flutuação no nível de preços. Isto é, a estimação da curva de Phillips por métodos lineares seria viesada e ineficiente, apontando para uma inadequação da curva de Phillips como explicação da dinâmica inflacionária na economia brasileira.

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502006000100008
    http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=4740

  32. Rafael Bussolan Mariano Says:

    Aprendeu-se em sala de aula que a explicação macroeconômica para o funcionamento do mundo passou por transformações ao longo dos anos. Um dos pontos que foram evoluindo com o crescimento do conhecimento foram as explicações da Curva de Phillips. Em estudos mais modernos, como o de Taylor (2000), observamos que, no modelo do autor, a oferta agregada nada mais é do que a Curva de Phillips “aumentada” pelas expectativas. Assim, Taylor evidencia uma relação entre inflação e produto real “e mostra que a taxa de inflação aumenta quando o produto real está acima do potencial, sinalizando pressões de demanda” (SILVA, 2016).

    Sob outra perspectiva, Walsh (2002) relaciona a inflação em t com a inflação esperada para t+1, “ao estado do ciclo de negócios, medido pelo gap do produto, e a um choque de inflação, que captura qualquer outro fator que a afeta” (SILVA,2016).

    Conforme muitos colegas comentaram, também recomendo leitura sobre a curva de Phillips para a economia Brasileira, em Sachsida, Ribeiro e Santos (2009). Nele, segundo modelo de Markov-switching, a curva de Phillips “tem pouca habilidade para representar a dinâmica da inflação brasileira” entre 1995 e 2008.

    FONTES: Artigos de Walsh (2002) e Taylor (2000) propostos em sala e notas de aula.
    http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/2567/1/TD_1429.pdf

  33. João Paulo Cinegaglia Says:

    Algo levantado pela pesquisa de maneira sutil é o fato de que a busca de uma inflação menor utilizando-se da taxa de juros depende mais de preços contratualmente ajustável, como os salários, do que de preços que não se aproximam disso. No caso brasileiro recente, por exemplo: parte notável da inflação do ano de 2015 originou-se de reajustes dos preços administrados (o que reflete uma situação em que a inflação é de custos), mas; mesmo assim, a Selic permaneceu no patamar de 14,25% em quase um ano. O efeito da recessão econômica unida a esta alta taxa de juros é o aumento do desemprego observado no período. Aliás, desemprego é uma variável que tem certa defasagem de mudança dados efeitos contratuais; isso significa, na prática, que a situação econômica como um todo precisa melhorar antes que a situação do desemprego individualmente melhore.
    A Curva de Phillips apresenta, na prática, mais um dos lados negativos da inflação: além da corrosão do poder de compra dos indivíduos, ela acaba aumentando o desemprego devido ao reajuste dos contratos ter como base esta variação de preços em algum índice.


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