I-Ecec: Tradeoff de curto prazo: desemprego e inflação e o caso brasileiro

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“Desenvolvida pelo economista William Phillips, a curva de Phillips descreve a relação negativa entre inflação e desemprego no curto prazo através da variação dos salários nominais, sendo estes substituídos posteriormente por inflação, que tem um papel mais central na macroeconomia. A análise de Friedman-Phelps da curva sugeriu que, no longo prazo, a economia alcançaria o nível de desemprego natural e, portanto, que o tradeoff entre inflação e desemprego existiria somente no curto prazo.

Com o choque do petróleo, houve a necessidade de adicionar à essa curva mais uma variável, o choque nos preços, , retratando mudanças na inflação que são independentes da contenção no mercado de trabalho ou expectativa de inflação, podendo ser descrita como:

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i-ecec-variaveis-curva-de-phillipsA partir da substituição de por , a inflação do período anterior, a curva de Phillips moderna com expectativas adaptativas pode ser descrita como:

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implicando que quanto mais os preços e salários forem flexíveis, mais responderão aos desvios do desemprego ao seu nível natural, tornando a curva de Phillips no curto prazo mais íngreme. Se salários e preços são completamente flexíveis, fica tão grande que a curva de Phillips de curto prazo torna-se idêntica à de longo prazo. Nesse caso, não há tradeoff de curto prazo ou longo prazo entre inflação e desemprego.

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No Brasil, segundo a pesquisa “A Curva de Phillips e a experiência brasileira” de 2009 publicada pelo IPEA, nas últimas décadas foram realizados vários estudos sobre este tema englobando diferentes períodos de tempo. Os primeiros foram feitos a partir de dados do período de 1982 a 1998 e através de estimativas lineares entres as duas variáveis, que confirmaram a relação entre elas. Foram utilizados o Índice Nacional de Preços ao Consumidor para a inflação e dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) para a taxa de desemprego. Consecutivamente, foram feitos estudos com estatística mais sofisticada, com a adoção de outros intervalos de tempo, o uso de dados do IPCA para inflação, a adição de meta de inflação, a separação entre preços monitorados e não monitorados e a credibilidade da política monetária, entre outros.

A determinação deste tipo de relação apresenta dificuldades, como o conjunto de variáveis a se adotar como aproximação de expectativa de inflação e custo marginal da empresa. Isso faz com que cada estudo selecione diferentes variáveis, uma vez que ainda não há um método de escolha, que se soma, ao caso do Brasil, à precariedade e à instabilidade econômica que caracterizou o começo da década de 1990.

O trabalho do IPEA tinha o objetivo estimar uma curva de Phillips para a economia brasileira no período Janeiro de 1995 a Abril de 2008, usando dados dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e Índice Nacional de Preços ao Consumidor para representar a variável inflação, que é o padrão para esse tipo de trabalho após a adoção do regime de metas de inflação. Adotou-se um modelo com mudanças de regime (Markov-switching) que possibilita a ocorrência de dois regimes distintos ao longo do período analisado. Com isso, foi possível incorporar uma relação não linear entre as variáveis estudadas, o que explicaria melhor períodos turbulentos do ponto de vista de séries econômicas. O resultado do estudo para o período foi de que a curva de Phillips tem pouca habilidade para representar a dinâmica inflacionária brasileira. O estudo apontou ainda que a estimação da curva de Phillips por métodos lineares seria viesada e ineficiente.

 

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

SACHSIDA, A; RIBEIRO, M; SANTO, C. TD 1429 – A Curva de Phillips e a Experiência Brasileira. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Brasília, out. 2009.”

 

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30 Respostas to “I-Ecec: Tradeoff de curto prazo: desemprego e inflação e o caso brasileiro”

  1. Gabriel Bechelli Says:

    No artigo “The long-run Phillips curve revisited: Is the NAIRU framework data-consistent?”, escrito pelos pesquisadores Schreiber e Wolters, da Universidade de Frankfurt, os autores analisam dados de inflação e desemprego para o caso alemão de 1977 a 2002. Como resultado, a série é I(1) e há uma relação inversa de cointegração, em que PI = 6 – 0,5u. Ainda, destacam algumas implicações do uso das teorias que envolvem aplicação da NAIRU, que são as seguintes:
    1 – não é sempre que se encontra uma NAIRU constante na análise empírica;
    2 – caso haja cointegração entre inflação e desemprego, isso pode descrever um estado estacionário endógeno e qualquer pesquisador que desejar substituir esse resultado arbitrariamente por um componente NAIRU que varia no tempo perderá informações dos dados.
    3 – o fato de forçar a NAIRU a ser constante sem antes realizar os testes de séries temporais necessários também é algo questionável.

    • Henrique Velasco Says:

      É interessante notar que pesquisas que procuram estimar a NAIRU, como “ESTIMATING THE STRUCTURAL RATE OF UNEMPLOYMENT FOR THE OECD COUNTRIES” de Turner et al., utilizam o pressuposto de que a curva de Philips é válida para encontrar a taxa de desemprego que é compatível com uma inflação estável, chamando essa taxa encontrada de NAIRU. Assim, não é claro a evidência de que a NAIRU seja constante no tempo.

    • Matheus Alves Albino Says:

      Foi importante salientar que abordagens recentes desse tradeoff trazem a aplicação da NAIRU. Pesquisas que trazem estimativas para o caso brasileiro admitem a dificuldade de estimação da relação entre as variáveis reais e nominais da economia dado o período de instabilidade da economia nos anos 90. Lima (2000) estima para os anos entre 1995 e 2000 uma evolução crescente da NAIRU e conclui que muito embora haja uma correlação entre os desvios da taxa de desemprego em relação à NAIRU e a taxa de inflação, as estimativas dessa taxa são pouco úteis para a condução da política monetária visto que os intervalos de confiança são amplos.

  2. Tales Costa Says:

    É importante perceber que não existe um consenso no trade off inflação e desemprego entre os economistas. Alguns são a favor do combate à inflação, mesmo correndo o risco de postergar um pouco o processo de crescimento econômico; do outro lado estão os que querem a retomada do crescimento econômico, mesmo que o preço a pagar por isso seja um pouco mais de inflação. Porém, o que parece ser consenso é que esse trade off de fato existe no curto prazo. Alguns autores indicam que o que deve ser considerado é se o custo de uma redução do crescimento econômico e do aumento do desemprego é muito menor para os mais pobres do que o custo da inflação, tendo em vista que a inflação corrói a poder de compra, principalmente o das classes menos favorecidas, e impossibilita processo de planejamento de investimentos dos empresários brasileiros. Dessa forma, o combate à inflação possibilita um crescimento econômico a médio e longo prazo, assim como a melhora no padrão de vida dos mais pobres, visto que seu poder de compra é mantido, ou até mesmo ampliado.

  3. Monique Saiani Camargo Penteado Says:

    A partir do texto escrito acima, sobre o tradeoff de curto prazo entre desemprego e inflação, podemos citar a política brasileira, a qual é, em muitos períodos, conduzida com discricionariedade, criando o problema de inconsistência dinâmica.
    Esse tipo de política pode ser identificada principalmente em época de eleições, onde os políticos precisam impulsionar a economia e criar boas expectativas sobre seu governo. Como principais características estão a queda da taxa de juros e do desemprego, como mostra a curva de Phillips (Oferta Agregada de Curto Prazo). Porém, estes efeitos de curto prazo irão somente criar o aumento da inflação e das taxas de juros no longo prazo, já que estas medidas são tomadas sem uma estratégia econômica correta e eficaz, a qual deveria estar focada em controlar o nível de preços da economia e gerar crescimento no produto do país.
    Além disso, pode se citar a falta de expertise dos políticos para lidar com este tipo de planejamento econômico/metas, a qual pode gerar distorções nas variáveis da economia. Vale destacar o papel de um Banco Central mais independente, para que não sofra este tipo de influência do governo, conduzindo sua política macroeconômica de forma adequada.

  4. Caio de Angelis Nascimento Says:

    Um ponto importante a ser retratado é que a curva está amplamente baseada nas expectativas racionais, e desta forma: a implicação da hipótese de expectativas racionais é que a taxa de desemprego real oscila aleatoriamente em torno da taxa natural. Verifica-se que desvios sistemáticos da taxa de inflação em relação a taxa esperada não podem ser gerados por meio da política de gerenciamento da demanda agregada para influenciar a taxa de desemprego corrente.
    Sob esta versão, a Curva de Phillips de curto prazo colapsa, nenhuma relação entre inflação e desemprego é encontrada seja no curto ou no longo prazo (Dicotomia clássica). Apenas uma surpresa sobre o custo da oferta de moeda, por exemplo, pode alterar instantaneamente o nível real de emprego. Este modelo não é adequado, portanto, para explicar movimentos persistentes na taxa de desemprego, tais como os observados nos ciclos de negócios no mundo.

  5. Letícia M. De Lima Silva Says:

    É interessante observar que, para o caso brasileiro, enquanto a taxa de inflação se manteve entre 8 a 9% ao ano durante o segundo trimestre de 2016, a taxa de desemprego bateu o recorde de 11,6% no mesmo período. Perceber que ambas as taxas, tanto para a inflação como para o desemprego, se mantiveram elevadas ainda no terceiro trimestre me faz pensar que tem razão quem diz que “o Brasil não é para iniciantes.”

  6. João Augusto Stoffalette Clara Says:

    É legal se fazer uma ponte entre o regime de metas de inflação com a curva de Phillips, e ver que no caso brasileiro temos um resultado peculiar, em que no período antes da implantação do Plano Real a relação entre inflação e desemprego se mostrou inversa. E após o Plano Real e a adoção do regime de Metas de Inflação, a curva de Phillips torna-se horizontal, com uma leve inclinação positiva, divergindo das versões de Friedman e Lucas onde, no longo prazo a curva de Phillips deveria tornar-se vertical.

    http://repositorio.ufes.br/bitstream/10/1170/1/A%20curva%20de%20Phillips%20no%20Brasil%20e%20a%20pol%C3%ADtica%20de%20metas%20de%20inflacao%20%3A%20uma%20analise%20da%20evolucao%20do%20trade-off%20durante%20o%20periodo%201980-2010.pdf

  7. Ana Paula Says:

    Inicialmente, temos que a oferta agregada de longo prazo é determinada, enquanto no curto prazo é dependente de três fatores: inflação esperada, “gap” do produto e choques de preço, os quais estabelecem a curva de Phillips.

    Todavia, ao analisarmos a relação do caso brasileiro com a inflação, há uma pesquisa proposta por Ricardo Summa (2011) na qual foram avaliadas as estimações da curva de Phillips para o Brasil no período pós Sistema de Metas de Inflação (SMI). Segundo o estudo do autor sobre inflação brasileira, foi confirmada a existência de pressões inflacionárias relevantes mesmo no longo prazo, colocando em dúvida a hipótese de que “choques” de oferta seriam zero no longo prazo.

  8. Herbert Huber Says:

    Acho importante explicitarmos a crítica de Friedman ao modelo da curva de Phillips, que diz sobre a taxa natural de desemprego, sendo essa a mínima taxa de desemprego possível causada pelas variações e políticas econômicas, também conhecida por ser a taxa de desemprego de equilíbrio no mercado de trabalho no longo prazo. Sua crítica dizia que o desemprego na economia no longo prazo era afetado pelas variáveis reais, e independente da inflação. Com isso, o modelo de Phillips que relaciona uma variável nominal (inflação) à uma variável real (taxa de desemprego), vale apenas para explicar o comportamento no curto prazo.

  9. Ana Flávia Abackerli Says:

    Considerando que a Curva de Phillips estabelece a relação inversa entre desemprego e inflação na economia, aumentos na inflação reduzem o desemprego. No entanto, essa teoria só será válida quando a taxa de inflação está acima da esperada, sendo que no médio prazo, a taxa que está acima passará a ser a taxa esperada. Quando a taxa de desemprego está acima da taxa natural de desemprego (NAIRU), a economia resulta em inflação positiva. Um ponto a salientar é que sempre haverá uma taxa de desemprego natural, mesmo que a economia esteja em pleno emprego, devido ao desemprego friccional e a novos entrantes no mercado de trabalho.
    Atualmente, não se verifica a veracidade dessa teoria devido a inexistência de taxas inflacionárias que tendem a zero porque não consideravam a elevação de salários e preços, devido ao período de estabilidade econômica o qual foi desenvolvida.
    Hoje, há a chamada Curva de Phillips com expectativas, a qual considera as flutuações de salários e preços.

  10. Henrique Kawakami Says:

    É interessante mencionar que a curva de phillips atualmente não se aplica da forma como ela foi criada originalmente, isso devido a inexistência de taxas inflacionarias que tendem a zero, o que na época era provável de existir devido a maior estabilidade existente na economia da época. Além disso o problema central da curva de phillips original é que ela não conseguia suportar as elevações dos salários e dos preços atuais devido o mesmo motivo de ela ter sido criada em uma época de estabilidade. Pode-se dizer que a curva de phillips que existe atualmente foi alterada e ela é chamada de curva de phillips com expectativas levando em consideração as flutuações dos salários e dos preços.
    Fonte utilizada (http://www.fontedosaber.com/administracao/a-curva-de-phillips.html).

  11. Tiago Pedro Says:

    Gostaria de salientar também que, desde que foi criada na década de 50, a curva de Phillips se mostra como um instrumento um tanto quanto incerto. Desde sua forma original, depois pela adiçao de Friedman à curva (conhecida como “Emenda Friedman – Phillips), passando ainda por expectativas adaptativas seguidas de racionais. Aspectos como a suposta igualdade entre inflação de preço agregado e inflação salarial se mostram inconsistentes,
    A partir dessas, de certa forma, “irregularidades” na curva, foi criado O modelo Ball & Moffitt (economistas estadunidenses). Notaram que na década de 90 nos EUA via-se uma economia com baixo desemprego e inflação controlada, o que passou a ser o principal argumento dos críticos curva. Ball & Moffitt propuseram então uma nova adaptação à Curva de Phillips, na qual se incorporaria a produtividade do trabalho. Segundo eles, a melhora no tradeoff inflação desemprego tem sua origem no aumento da produtividade do trabalho e, assim, o crescimento da produtividade influencia a Curva de Phillips.
    Fonte: http://www.pet-economia.ufpr.br/banco_de_arquivos/00002_Rodrigo_cl_lima_e_silva_curva_de_philips_e_aplicacao.pdf

  12. Bárbara Ribeiro Martins Says:

    O grupo apresentou uma análise sobre a eficiência da Curva de Phillips para o caso brasileiro e como nota-se há uma certa inconsistência e viés dependendo das variáveis que são incluídas no modelo. Nesse sentido, é interessante também conectar a Curva de Phillips com a condução da política monetária regida pela âncora nominal que, no caso brasileiro, é o Regime de Meta de Inflação.
    Nesse regime, como já discutido em outros posts, o principal objetivo do Banco Central é o controle da inflação através do instrumento monetário intermediário – a taxa de juros. Com a utilização dessa âncora nominal, o crescimento da economia e o desemprego passam a ser secundários. (Mishkin discute no seu livro texto, algumas evidências de que ao adotar o regime de meta de inflação os responsáveis por conduzir a política monetária apresentam a preocupação em controlar os níveis de inflação ao mesmo tempo que em um certo nível objetivam a estabilidade no curto prazo dessas duas variáveis. Segundo Mishkin ainda, há evidências de que os países que adotaram o regime de metas para inflação apresentaram intenção de minimizar a queda no produto no curto prazo através da diminuição das metas de inflação de curto/médio prazo em para convergir com a meta no longo prazo. Além disso, a discussão sob essa perspectiva mostra que uma vez que os baixos níveis de inflação foram alcançados, tanto o produto como a taxa de emprego voltaram a seu nível ótimo, ou seja, uma conclusão conservadora é que uma vez que a inflação atinge baixos níveis, o regime de meta de inflação não é prejudicial para a economia real dos países)

    Os defensores do regime de metas de inflacionárias, têm como principais argumentos: a hipótese da taxa natural de desemprego, Curva de Phillips com expectativas e o denominado viés inflacionário (SICSÚ,2002). O viés inflacionário é resultado do problema da inconsistência dinâmica intertemporal. Ficando claro desde já que o Regime de metas inflacionárias está embasado claramente na teoria da Curva de Phillips. De acordo com Mendonça (2005), o regime de metas tornou verdadeiro trade-off desemprego-inflação.

    MENDONÇA, H. F. Metas para inflação e variáveis macroeconômicas: uma
    avaliação empírica. Anais do XXXIII Encontro Nacional de Economia,
    dez. 2005.

    SICSÚ, J. Teoria e evidências do Regime de Metas inflacionárias.Revista de
    Economia Política, Vol. 22, nº1 (85) janeiro-março de 2002.

  13. Bárbara Pinati Says:

    Complementando a análise feita no comentário acima pela Bárbara Ribeiro, sob essa ótica, um artigo interessante intitulado: “A curva de Phillips e sua aplicação na economia contemporânea” realizou um estudo com um grupo de países e a partir de uma análise do índice de preços ao consumidor e da taxa de desemprego de um grupo de países, confirmou empiricamente que a implementação de metas de inflação foi eficaz na redução da inflação e responsável pelo aumento do nível de emprego.
    Para que a meta de inflação seja determinada, o Banco Central precisa realizar algumas projeções e para isso utiliza-se de vários instrumentos em sua análise, sendo que o modelo básico para fazer esta análise inclui uma Curva de Phillips. Através do modelo que inclui outras variáveis, obviamente, conclui-se que, dado a utilização do modelo IS-LM na transmissão da política monetária e da Curva de Phillips, o controle da inflação é feito por meio da taxa de juros que reduz a demanda agregada(CURADO; COREIRO 2005). Em suma, a Curva de Phillips é a principal justificativa da teoria que tem por objetivo o controle de um problema maior, que é a inflação.
    Analisando alguns artigos, foi possível notar que existe uma longa literatura a respeito do assunto e a referência à Curva de Phillips é constante. A conclusão do artigo que apresenta evidências empíricas sobre o controle da inflação através do regime de metas de inflação, aponta que a Curva de Phillips, portanto, é um componente fundamental dentro desse regime e que há uma validade instrumental da CP dentro do processo de metas para inflação.
    Claramente, é importante nos atentarmos aos casos que apresentam evidências contrárias ao apresentado (não trata de particularidades) como o atual caso vivido no Brasil que é um período de recessão com altos níveis de inflação, que são explicados por sua vez, por outros fatores que serão abordados em posts posteriores.

    Curado, M.; Oreiro, J.L. Metas de inflação: uma avaliação do caso brasileiro. Indicadores Econômicos FEE, Porto Alegre, v. 33, n.2, p. 127- 146, set. 2005
    Lima e Silva, R.C.; Neduziak, L.C.; Curado, M.L. A curva de Phillips e sua aplicação na economia contemporânea

  14. Danielle Sandrini Says:

    Um dos objetivos do texto desse post foi tentar compreender a relação do trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego. Como o grupo expôs, através do estudo apresentado foi que o resultado mostrou que para o caso do Brasil, a curva de Phillips falha em representar a dinâmica inflacionária brasileira.
    Alguns estudos recentes colocaram essa questão a respeito da adequação da curva de Phillips com evidência novamente para o caso brasileiro. Areosa et al. (2011) salientam a importância de modelos não lineares para explicar a evolução da dinâmica inflacionária brasileira. Sachsida (2009) estima a curva de Phillips por meio de modelos não lineares, mostrando que os resultados são extremamente sensíveis tanto as proxies adotadas para representar o custo marginal das empresas, como também as especificações de linearidade adotadas, como apontado pela conclusão do grupo no post.
    Trazendo mais uma contribuição para essa discussão sobre a existência do trade-off no caso brasileiro, um estudo interessante realizado por Mendonça, Saschida e Medrano, intitulado “INFLAÇÃO VERSUS DESEMPREGO: NOVAS EVIDÊNCIAS PARA O BRASIL” utilizou uma estimativa econométrica que testou a sensibilidade da curva de Phillips com relação às algumas proxies utilizadas.
    De forma sucinta, a pesquisa chegou a duas conclusões que julgo serem as mais relevantes para essa discussão: (1) a expectativa futura de inflação e a inflação passada têm relevância na dinâmica do processo inflacionário, e um aumento do efeito da expectativa de inflação quando pode indicar que os agentes econômicos estão focando mais na credibilidade da política monetária gerenciada pelo Banco Central. Seguindo este raciocínio, podemos dizer que os agentes focam menos no que aconteceu no passado para dar mais ênfase à nova forma de como vai ser gerida a política monetária e fiscal. Por isso a incorporação das expectativas na estimação da CP é tão importante para entender seus efeitos na economia; (2) já com relação ao desemprego, seu impacto de curto prazo sobre a inflação depende do conjunto de proxies adotadas mas foi observada uma relação negativa como esperado, corroborando com a existência do trade-off entre inflação e desemprego no CP também no caso brasileiro.

    http://www.scielo.br/pdf/ecoa/v16n3/06.pdf

  15. Thiago Barbosa Caridade Says:

    A equação de Phillips determina a correlação negativa entre inflação e desemprego, porém, estudo econométricos buscam comprovar se essa correlação é de fato verificada; estudos feitos por Galí e Gertler (1999) e Galí et alii (2001) encontraram resultados estatísticos que comprovam essa correlação; e estudos realizados por Rudd e Whelan (2005), Lindé (2005) e Bardsen et alii (2004) encontraram uma correlação estatística fraca para a equação de Phillips.
    A equação de Phillips que não leva em consideração os choques foi criticada Friedman e Phelps, durante os anos 1960, pois não era consistente com visão de que os trabalhadores e as empresas se preocupavam com os salários em termos reais, não com o salário em termos nominais. Sendo assim, não existiria trade-off de longo prazo entre desemprego e inflação, porém esse trade-off existiria no curto prazo.
    Com o aumento dos preços do petróleo, em 1973 e 1979, adicionou-se ao modelo uma variável responsável por explicar choques; choques de oferta. Essa visão moderna da equação considera que os salários e os preços são rígidos. Definindo portanto que não mais existe trade-off entre inflação e desemprego, tanto no curto prazo como no longo prazo.
    E a versão da equação (curva) de Phillips com expectativas adaptativas, é formulado no sentindo de que os agentes (trabalhadores e empresas) criam suas expectativas sobre inflação “olhando” a inflação passada. Sendo uma versão mais simples, matematicamente, e criando a visão de que a inflação é rígida; ou seja, menos flexível.

    link: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-71402013000400009&script=sci_arttext&tlng=pt

  16. Luiz Henrique F. Ambrósio Says:

    A flutuação dos índices de inflação afeta diretamente a economia de um país, refletindo em indicadores como o de desemprego. Em uma reportagem realizada pelo G1, o professor Kiko Santos faz a seguinte avaliação sobre o modo em que a inflação influencia no desemprego: “A inflação leva ao aumento do preço. Com esse aumento, o consumo diminui. Com o consumo diminuído, a necessidade de mão de obra, tanto na área produtiva como de comércio, diminui. Tudo isso gera o desemprego. Com a redução do consumo, o comércio vende menos, a indústria produz menos, e a quantidade de mão de obra, tanto braçal quanto intelectual, diminui”.
    Um aumento no desemprego ocasionado, por exemplo, pela inflação faz surgiu o trabalho informal, que já é muito comum aqui no Brasil. “Isso ainda é presente no dia a dia da economia brasileira. Mesmo sendo irregular, ainda atende o anseio da remuneração como forma de sobrevivência de grande parte dos trabalhadores, que ficam isentos de algumas garantias trabalhistas. Mas a necessidade leva a aceitarem essa forma de relação de trabalho”, afirmou o professor na mesma reportagem.
    http://g1.globo.com/pernambuco/vestibular-e-educacao/noticia/2013/09/inflacao-atinge-diretamente-os-indices-de-desemprego-no-brasil.html

  17. brunoramacini Says:

    Como explicitado pelo grupo I, o trade-off entre inflação e desemprego só ocorre no curto prazo, no longo prazo, teremos o desemprego voltando a sua taxa natural, porém com uma alta inflação vigente.
    Podemos notadamente perceber esse fato no Brasil, o qual apresentou um bom crescimento de 2010 à 2013, com uma baixa taxa de desemprego, porém agora sofre com a alta inflação.
    http://prosaeconomica.com/2011/04/12/trade-off-entre-inflacao-e-desemprego/

  18. Gabriel Akel Abrahão Says:

    Um dos trade-offs envolvidos na discussão do posto se trata de manter a inflação baixa e deixar elevar-se a taxa de desemprego ou controlar a taxa de desemprego e permitir uma maior variação no nível de preço. Uma outra forma de abordar a inflação, no entanto, numa perspectiva de longo-prazo (LP) é avaliar a mesma pela regra de Taylor: i – i* = a(∏-∏*) – b(Y-Y*). Basicamente, a Regra de Taylor, resumi-se em uma equação como o Fed deveria se comportar quanto à taxa básica de juros para atingir seus objetivos de ter uma inflação baixa e nível de emprego alto (LP). Se a inflação (∏) subir acima da meta, aumente a taxa básica de juros (i) em proporção maior que o aumento da inflação para que ela volte ao patamar de ∏*% no futuro.

  19. Flavia Saldanha Says:

    Lendo os comentários, percebi que existem várias críticas em relação ao modelo de Phillips e as suas premissas adotadas (além de vários modelos novos, incorporando a realidade dos países atualmente), entretanto, atendo-se ao modelo de Phillips, acredito que seja importante ressaltar como as premissas adotadas por ele foram extremamente essenciais para que seu modelo funcionasse. Em exemplo, é tido como razoável pelos economistas assumir-se expectativas racionais nos modelos macroeconômicos, isso leva ao funcionamento ótimo esperado da economia. Assim, a inserção das expectativas de inflação do modelo de Phillips é compreensível. Entretanto, o problema de seu modelo foi que, à época em que foi elaborado, os índices de inflação praticamente não oscilavam, eram muito estáveis e próximos de zero. Assim, o modelo explicava muito bem o trade-off, mas, hoje em dia, é ineficaz, visto a irrealidade de taxas inflacionárias próximas a zero. Tal poderia ter sido pensado por ele no momento de elaborar o modelo, por exemplo.
    Dado este fato, com os choques do petróleo, foi extremamente essencial que se incluísse essa variável no modelo, visto que não se previa variações significativas nos preços. Claramente, nada se compara a um choque, porém, se ele tivesse assumido variações maiores de preços, e o consequente ajuste das expectativas racionais a partir da flutuações da inflação, talvez suas conclusões sobre o modelo desenvolvido fossem diferentes, uma vez que as expectativas se ajustariam para um aumento no nível de preços e todas as consequências que isso traz à economia e ao nível de desemprego.

    Curioso saber que no caso brasileiro, antes do Plano Real, a relação da curva de Phillips seria invertida e que, hoje em dia, o modelo não é capaz de explicar a relação entre essas variáveis no país. A peculiaridade brasileira é realmente interessante.

  20. Franco B. Conceição Says:

    Gostaria de basear minha discussão em parte nas contradições consequentes desse modelo. A hipótese básica evidencia um tradeoff de curto prazo entre inflação e desemprego, que por um tempo fez-se valer, porém como destacado no post, introduziu-se a variável expectativa para simbolizar as variações imprevistas da inflação, e como as alterações de preços iam de encontro às premissas do modelo. Trazendo a contraposição, os críticos mais ferrenhos ao keynesianismo afirmam que a curva de Phillips surgiu como um alerta de que dificilmente se chegaria ao ideal de pleno emprego e baixa inflação. De fato, empiricamente se observou momentos na história em que havia baixa inflação e baixo desemprego.
    Obviamente quis trazer esse contraponto para mostrar como, praticamente todos modelos econômicos, existem os defensores e os críticos.
    Enfim, trazendo ao caso brasileiro, veremos em sala na próxima semana, baseado em um modelo macro completo, como o se têm/teve momentos na história brasileira em que se observou baixo crescimento e alta inflação, ou seja, apresentando alto nível de desemprego também. Fato que também vai de encontro à curva. Quando, pois, chegaremos ao dito longo prazo?

    Contraposição (mito 6): http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=50

  21. Ana Paula Umbelino Says:

    Segundo Corte, que realizou um trabalho sobre “A curva de phillips e o trade-off inflação e desemprego na economia brasileira no período de 2001 a 2008.” conclu-se com o trabalho dela que com base no modelo estimado que no período de 2001 a 2008 o trad-off entre inflação e desemprego no Brasil pode ser verificado. O modelo utilizado apresentou resultados satisfatórios, as variáveis estimadas apresentaram probabilidades próximas de zero podendo ser atribuído ao modelo nível de confiança de 99%. Através do teste Dickey e Fuller pode-se constatar que as séries são estacionárias, o modelo não apresenta risco de resultados espúrios. O modelo apresentou presença de autocorrelação e heterocedasticidade, fatos contornados com a aplicação do método Newey e West. Sendo o modelo estatisticamente significativo, podemos verificar que elevações no nível de desemprego acarretam reduções no nível de inflação e vice e versa, ou seja, o aumento de um ponto percentual na taxa de desemprego irá refletir em uma redução de 0,1917 ponto percentual na inflação observada, como também uma queda de 1% na taxa de desemprego irá refletir um aumento de 2,5080 % na taxa de inflação observada.

    http://www.sober.org.br/palestra/13/337.pdf

  22. Giordano Di Giorgio Says:

    Uma discussão interessante para trazer ao post é a “Hipótese Aceleracionista”, na qual um governo querendo reduzir a taxa de desemprego, via alterações na demanda agregada, resultará numa taxa de inflação em constante aceleração. Por exemplo, acarretando expectativas inflacionárias, os trabalhadores podem querer negociar ajustes nos seus salários para cima, retornando os níveis de salário ao patamar real e, consequentemente, não refletindo na mudança da taxa de desemprego.

    Com a inexistência do trade-off entre inflação e desemprego no longo prazo e baseados nas expectativas racionais, percebe-se que não há possibilidade de se aumentar os níveis de emprego (visando a taxa natural de desemprego), em um país sem ter uma taxa de inflação em aceleração.

    Deste modo, os defensores da tese aceleracionista dizem que a escolha não é entre inflação e desemprego. E, sim, entre desemprego abaixo da taxa natural e uma inflação em constante aceleração.

    Fonte: http://pt.slideshare.net/xleosx/economia-a-equao-da-curva-de-phillips-e-a-tese-aceleracionista

  23. Emiliano Santos Says:

    Mais uma vez vemos o caso brasileiro como uma exceção a regra, contemplando dessa vez a Curva de Phillips e seu trade-off de inflação e desemprego no curto prazo. No artigo de SACHSIDA, A; RIBEIRO, M; SANTO, C. a conclusão que se chega é que, nos períodos analisados, a curva não explica o comportamento no caso brasileiro, fazendo com que as explicações buscadas para tal acontecimento são de que a expectativa de inflação se torna mais relevante na formação da inflação do que a inflação observada no período passado. Este fato combinado com a com a ineficiência da autoridade monetária de passar confiança na sua políticas de metas, não cumprindo-as e adotando metas nem sempre condizentes, faz com que a especulação seja fator de importância considerável na composição da inflação, diminuindo o poder da autoridade monetária.

  24. Heitor de Almeida Says:

    Acho interessante destacar a questão seguinte: Será que o trade-off está confirmando as metas ou as metas estão criando o trade-off?

    De acordo com Mendonça (2005), o regime de metas tornou verdadeiro o trade-off desemprego-inflação.
    Em pesquisa realizada por Bernanke em 1999, com objetivo de analisar se as metas contribuíram para um menor sacrifício, menor crescimento do nível de desemprego, mostra que as Metas para inflação tem contribuído para manutenção do trade-off desemprego-inflação (MENDONÇA,2005).

    Evidências empíricas no mundo têm comprovado a eficácia do Regime no controle da inflação. Ficando claro a importância e validade do instrumental da Curva de Phillips dentro do processo de Metas inflacionárias.

    http://www.pet-economia.ufpr.br/banco_de_arquivos/00002_Rodrigo_cl_lima_e_silva_curva_de_philips_e_aplicacao.pdf

  25. Lucas Negreiros Says:

    As divergências dos resultados das diversas pesquisas sobre a curva de phillips e o caso brasileiro traz uma discussão do motivo dessas divergências. Uma delas é o viés dos modelos lineares que já foi apontado pelo grupo. O motivo disso acontecer é que estes modelos podem estar subestimando o papel das expectativas na dinâmica inflacionaria.
    Acho legal lembrar que Phillips se baseou no pressuposto de que os agentes da economia sofrem de ilusão monetária. Mais tarde Friedman acrescentou que o trade-off só valeria no curto prazo, não sendo algo permanente.

  26. Laura Tanganelli Says:

    O modelo evidência o fato que se houver grande desemprego, as pessoas terão menos dinheiro para contratar bens e serviços e a inflação deve diminuir dado o menor número de transações na economia. Mas diferentemente do que ocorre na realidade atual, inúmeras outras variáveis podem influenciar ambos, o crescimento da força de trabalho pode aumentar o desemprego em um país em crise que também sofre com inflação. O fechamento de empresas que perderam força no mercado também pode ser reflexo da alta da inflação onde fica caro para o investidor pagar os salários dos empregados e também sofrem com o aumento do custo marginal para produção de seus produtos.

    • Felipe Lyra Says:

      Poderíamos também ressaltar os interesses políticos também como uma dessas variáveis, onde a corrupção influência na quebra dessas empresas e a rigidez de leis trabalhistas que dificultam e encarecem a contratação de funcionários para micro e médio empresários.


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