I-Eco: Oferta e demanda por moeda – caso brasileiro

.

A Teoria Quantitativa da Moeda (TQM) diz quanto de moeda é mantida para uma dada renda agregada, o que representa a teoria de demanda por moeda e sugere que as taxas de juros não afetam essa demanda. A moeda seria neutra na versão antiga da TQM, pois não afeta o lado real da economia e também não é considerada como ativo financeiro. Pela ótica keynesiana, há uma ênfase na importância das taxas de juros e a demanda por moeda é motivada por transação, precaução e especulação; relacionando a taxa de juros e a renda com a demanda por moeda. Segundo essa teoria, a moeda começa a ser tratada como ativo financeiro. Friedman, por meio do tratamento da moeda como um bem de consumo com atributos específicos, transforma a TQM, tratando a demanda de forma microfundamentada. Segundo a teoria do Portfólio, há outros fatores além da renda e taxa de juros nominal que afetam a demanda por moeda, são eles risco, liquidez relativos e riqueza.

Os autores CARDOSO (2008) e BACHA (2004) propuseram duas equações de demanda por moeda no caso brasileiro, sendo elas, respectivamente:

i-eco_imagem-1

No fascículo do Banco Central do Brasil (BCB), a demanda por moeda é um dos fatores que determinam o comportamento econômico de um país, ou seja, a autoridade monetária deve ofertar uma quantidade de moeda que satisfaça a sua demanda, mantendo o adequado funcionamento da economia, sendo esta representada pelos depósitos à vista e papel-moeda em poder do público (PMPP). O BCB tem o “Monopólio de Emissão” que engloba a gestão das atividades referentes ao meio circulante e destina-se a satisfazer a demanda de dinheiro indispensável à atividade econômico-financeira do país, atendendo às necessidades de numerário do sistema bancário, e, consequentemente, do público, por meio dos mecanismos de emissão e recolhimento, alterando os meios de pagamento. Assim, a emissão de papel-moeda pelo BCB reflete a demanda do público por papel-moeda.

A oferta de moeda é definida como a base monetária vezes o multiplicador monetário. A base monetária é definida como PMPP mais as reservas compulsórias e voluntárias das instituições depositárias; e o multiplicador monetário representa a capacidade dos bancos de multiplicar os depósitos por meio de empréstimos. Ele é afetado pelo desejo dos bancos de manter reservas voluntárias, das pessoas de manter papel-moeda e pela taxa de reservas compulsórias exigidas pelo BCB. Portanto, a oferta de moeda é afetada pela ação do Banco Central, dos bancos e dos indivíduos.

i-eco_imagem-2

Em junho de 1999, o Brasil passou a adotar o regime de metas de inflação em que anuncia metas numéricas explícitas de inflação, no qual o BCB tem a responsabilidade de implementar as políticas necessárias para atingir a meta estipulada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), para flexibilizar o gerenciamento da política monetária, é permitido intervalos de tolerância para a inflação.

i-eco_imagem-3

Torna-se essencial definir qual indicador utilizar no regime de metas como medida de inflação, o BCB utiliza o IPCA que é elaborado pelo IBGE, compreendendo as famílias com rendimentos mensais de 1 a 40 salários mínimos, residentes na área urbana; a cesta avaliada pelo IPCA é ponderada através das despesas das famílias obtidas pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF).

Desde a adoção do Plano Real, em 1994, o IPCA tem se comportado de modo estável, somente no final de 2002 apresentou um aumento mais acentuado e mais recentemente no final de 2015, início de 2016. É possível observar que o IPCA acumulado tem crescido de forma constante.

i-eco_imagem-4

O M1 apresenta queda desde 2015 e quando o analisamos de forma desagregada, os depósitos à vista tiveram uma queda ligeiramente maior que o PMPP.

i-eco_imagem-5

http://monetaria-grupo-i.droppages.com/

i-eco_imagem-6

http://monetaria-grupo-i-2.droppages.com/

Optamos por utilizar o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) devido ao tamanho de sua série histórica para compatibilizar com a análise do M1 desagregado. O IGP-DI é elaborado pela FGV sendo uma média ponderada de outros três indicadores: o Índice de Preços no Atacado (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional da Construção Civil (INCC). Percebe-se que o IGP-DI possui um comportamento muito similar ao IPCA, após o Plano Real comporta-se de modo estável e no final de 2002 apresentou um aumento em comparação com os demais meses observados.”

 

REFERÊNCIAS

BACHA, Carlos José Caetano. Macroeconomia aplicada à análise da economia brasileira. Edusp, 2004.

Banco Central do Brasil. Acessado: < http://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/home>

COELHO, André Luiz Cardoso. Demanda por moeda no Brasil no período de 1996 a 2008: uma estimação em séries temporais. 2008. Acessado:https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/11964/1/ANDR%C3%89%20LUIZ%20CARDOSO%20COELHO.pdf

MENDONÇA, Helder Ferreira de. Metas de inflação e taxa de juros no Brasil: uma análise do efeito dos preços livres e administrados. Revista de Economia Política, v. 27, n. 3, p. 107, 2007.

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

SILVA, Iago Fernandes Botelho e LONGUINHOS, Marco Antônio Araújo. A inflação brasileira: Uma análise sobre o comportamento do Banco Central do Brasil de 2011 a 2013. 2014. Acessado:<http://www.uesb.br/eventos/semana_economia/2014/anais-2014/j01.pdf>

SERRANO, Franklin. Juros, câmbio e o sistema de metas de inflação no Brasil. Revista de Economia Política, v. 30, n. 1, p. 63-72, 2010. ”

 

.

 

33 Respostas to “I-Eco: Oferta e demanda por moeda – caso brasileiro”

  1. Felipe Maia Polo Says:

    [Gráficos Interativos]

    Pessoal, os dois últimos gráficos são interativos, basta clicar no link e brincar. Embaixo do eixo horizontal é possível escolher o horizonte de tempo. Como fizemos no R, posso compartilhar o código, é só manda um email para felipemaiapolo@gmail.com.

    Abraços!

  2. Isabela Oliveira Melo Says:

    No caso brasileiro, a meta monetária do Banco Central era, até 1998, o estoque de moeda medido pelo M3. Adotou-se, então, um regime de metas inflacionárias, de modo que o estoque de moeda passou a ser inteiramente determinado pela demanda por moeda dos agentes. Em resumo, o mecanismo de transmissão monetária descreve como mudanças nos instrumentos de política monetária – excesso de moeda e taxa de juros de curto prazo – afetam a dinâmica da economia via taxa de juros de longo prazo, hiato do produto, e taxa de inflação. A primeira condição para haver equilíbrio refere-se ao canal de transmissão monetária via a taxa de juros fixada pelo Banco Central. Essa condição é aparentemente satisfeita no caso brasileiro, uma vez que a taxa SELIC do Banco Central é reconhecidamente o principal determinante das taxas de juros praticadas pelo mercado.

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71402005000100001

  3. Bianca Buzzo Alonso Says:

    Como o próprio grupo ressaltou no post, a emissão de moeda é de exclusividade do banco central, e deve satisfazer a demanda por moeda de um país. Tanto a emissão de moeda quanto o controle de políticas monetárias que afetam a oferta de moeda são feitas no intuito de assegurar a liquidez necessária para o crescimento da economia, sem perder de vista objetivos centrais de longo prazo, como a estabilidade de preços, no caso do Brasil, respeitando a meta de inflação. No entanto, a oferta de moeda pode ser afetada também pelos bancos comerciais e pelo público, via efeito multiplicador. Esse efeito corresponde ao aumento da quantidade de empréstimos disponíveis que os bancos comerciais poderiam oferecer, multiplicando depósitos. Mais especificamente o processo consistiria nas seguintes etapas, se partisse da decisão do público de fazer mais depósitos: aumenta quantidade de depósitos nos bancos comerciais, bancos podem fazer mais empréstimos, que pode ser revertidos em novos depósitos, posteriormente mais empréstimos e dá-se sequência ao efeito. Com crédito mais fácil também podem ser feitos mais investimentos de risco, o que pode ser prejudicial, gerando um crescimento descontrolado. Tendo isso em vista, mais uma vez no intuito de manter estabilidade, o Banco Central precisa estar sempre atento aos movimentos da economia para implementar políticas que controlem tais efeitos sempre que necessário.

  4. Wenderson Pizzo Says:

    Outra perspectiva de análise da demanda por moeda para o caso brasileiro, poderia ser através da Teoria da Demanda por Moeda pela Teoria do Portfólio que enuncia que os agentes demandam moeda pelos seguintes fatores:
    • Riqueza: conforme aumenta a riqueza, os investidores possuem mais recursos para comprar ativos, o que aumenta a demanda por moeda. Todavia, geralmente os investidores preferem manter ativos que rendam juros a manter moeda.
    • Renda: Quando a renda é mais alta, provavelmente a riqueza também será. Por conseguinte, uma renda maior, significa uma riqueza maior, o que indica uma maior demanda por moeda. (Quando o crescimento da renda é constante, um aumento da riqueza causa um pequeno efeito sobre a demanda por moeda).
    • Taxas de juros: Taxas de juros mais altas fazem as pessoas desejarem menos dinheiro em circulação e preferirem títulos, o que diminui a demanda por moeda.
    • Risco: Quando aumenta o risco dos outros ativos em relação à moeda, aumenta a demanda por moeda.
    • Liquidez de outros ativos: Quando aumenta a liquidez de outros o risco em relação à moeda, diminui a demanda por moeda (esse fato tem ocorrido nos últimos anos com o desenvolvimento de ativos mais liquidez como Fundos de Mercado ou linhas de Hipoteca).
    Fonte: MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

    • Gabriel de Oliveira Teixeira Says:

      Em contraste com o post do Wenderson acho interessante analisar a demanda por moeda por meio da ótica da Teoria Keynesiana da Demanda por Moeda que introduz à Teoria Quantitativa da Moeda (que inclusive ja foi citada no post) um novo motivo relacionado a demanda por moeda, a especulação. Segundo a teoria os agentes demandam moeda por três motivos:
      – Transação (já presente no modelo clássico): representa a moeda para se fazer face a pagamentos, dado que os pagamentos e recebimentos não são perfeitamente sincronizados.
      – Precaução (já presente no modelo clássico): as famílias (e empresas) vão reter moeda também devido a incertezas (dai o nome precaução) em relação ao pagamento das suas contas ou recebimento de sua renda. De acordo com uma expectativa (que pode ter base numa constância de atrasos anteriores ou antecipação de um evento possível) as pessoas vão reter mais ou menos moeda, de acordo com sua renda.
      – Especulação (introduzido na teoria por Keynes): Essa demanda envolve a possibilidade de as pessoas especularem com títulos, aplicações e etc. Um indivíduo, a fim de ganhar com possíveis oscilações nos mercados, vai manter certa quantia em espécie.

      Fonte: MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

  5. Caio Duarte Says:

    Complementando um pouco do post, o grupo apresentou a importância da taxa de juros da teoria de preferência por liquidez na demanda por moeda e como essa passou a apresentar a características de reserva de valor. O que é interessante ressaltar é o comportamento da demanda por moeda em relação à inflação, ainda mais no caso brasileiro.
    Primeiramente pode-se notar que conforme o nível de preços vai se elevando consideravelmente e atinge altos patamares a moeda vai perdendo suas características como reserva de valor, pois quanto maior a inflação há uma desvalorização do valor do moeda. Segundo conforme esse aumento elevado de preços a moeda passa a perder sua característica como unidade de conta, pois não é mais um parâmetro considerável de medida. E por fim quando a inflação deixa de ser inflação a moeda perde sua principal característica que é ser meio de troca. Esse processo de elevada inflação atingindo níveis de hiperinflação levaram o Brasil por meio de vários planos econômicos a trocar a moeda brasileira diversas vezes, até que em 1994 com a introdução do real e houve uma estabilização econômico monetária no país. Por fim cabe ressaltar aqui a importância de uma âncora nominal, pois nos planos anteriores ao real, não houve uma consolidação da âncora nominal o que fez com que a moeda perdesse seu valor.

    Fontes:
    http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/politica-monetaria-demanda-por-moeda/64069/

  6. matheuscarrijobrito Says:

    Pesquisando mais sobre a demanda por moeda pra o Brasil, encontrei um estudo econométrico sobre o assunto. Nele se contata as relações já vista em sala de ala, contudo o estudo foi feito com séries de tempo. Com isso observa-se no estudo uma tendência de crescimento na demanda de moeda acompanha um crescimento da renda, do credito, dos preços, e do cambio, além da diminuição dos juros. Estes efeitos todos são previstos pela teoria de manda por moeda. Pois, com maior renda ou credito as pessoas demandam moeda para transacionar, com maior câmbio significa apreciação da moeda domestica e, portanto maior poder de compra em relação a bens importados. A relação negativa com a taxa de juros é devida ao custo de oportunidade da moeda, assim quanto maior a taxa de juros maior o preço do consumo e menor a demanda por moeda. Além do mais, como o banco central tem como meta equilibrar a demanda por moeda com oferta se observa o crescimento da oferta de moeda no período.
    file:///C:/Documents%20and%20Settings/JOAO/Desktop/imagem.pdf

  7. Guilherme Pompeu Says:

    Com relação à demanda por moeda podemos observar que enquanto meio de troca, a moeda começa a afetar o sistema econômico, pois para realizar as trocas, para poder comprar, os indivíduos devem ter moeda. Neste sentido, porém, os indivíduos não demandariam, não reteriam moeda por ela mesma, mas pelos bens que ela pode adquirir. Esta é a chamada demanda de moeda por motivo transacional. Se a moeda se restringisse a essa função, teríamos a seguinte ideia: como os indivíduos não demandam moeda por si mesma, toda moeda no sistema seria utilizada para realizar as trocas; dada a quantidade de bens existentes na economia, a quantidade de moeda influenciaria tão-somente na determinação dos preços destes bens. Além disso os agentes não recebem renda diariamente na economia, por exemplo os salários são pagos de mês em mês, enquanto que os mesmos agentes efetuam gastos diários como alimentação e transporte. Sendo assim, os indivíduos devem fazer frente a estas defasagens entre recebimentos e pagamentos, guardando moeda para poderem realizar as transações necessárias ao longo do tempo. A demanda por moeda para transações depende do padrão de gastos dos indivíduos e estes do nível de renda.
    Quando consideramos a moeda como reserva de valor, temos novos motivos para demandar a mesma. Um segundo motivo a ser considerado é o motivo precaução. Os indivíduos têm incerteza em relação ao futuro e guardam moeda para precaver-se dos infortúnios. Aqui poderíamos nos perguntar o porque de nos precaver retendo moeda que não rende juros em vez de comprar títulos que por sua vez rendem mais moeda no futuro? Uma boa resposta é a ideia de que no contexto de incerteza, o único ativo que fornece segurança a seu detentor é aquele que possui liquidez máxima, ou seja, a moeda. Assim a posse de moeda dá a seu detentor maior segurança diante das incertezas futuras, pois tem liquidez máxima na economia.
    Um terceiro motivo para demandar moeda, salientado por Keynes, é o motivo especulação. O indivíduo guarda moeda para esperar o melhor momento para adquirir títulos que permitam rendimentos. Conforme o valor do título de longo prazo por exemplo vai variando de acordo com as variações nas taxas de juros vigentes o seu valor também sofrerá variações de tal forma que o agente de posse da moeda pode comprá-lo naquele momento onde o preço é menor.
    Portanto, segundo Keynes a sociedade como um todo demandaria moeda por esses três motivos comentados anteriormente: demanda para transação, demanda para precaução e demanda para especulação.
    Mas podemos observar o efeito de uma variável ainda sobre a demanda por moeda: a inflação. De uma lado à medida que os preços se elevam, a necessidade de moeda para transação também aumenta em termos nominais. De outro lado, porém, quando a inflação é elevada, “carregar dinheiro no bolso” significa perder maior, uma vez que os preços estão aumentando e o dinheiro fica parado, podendo comprar cada vez um montante menor de bens. Esta situação é chamada de imposto inflacionário e reduz o poder de compra da moeda que os agentes detêm, portanto em períodos de inflação elevada os agentes procuram “livrar-se” o mais rapidamente possível da moeda como se estivesse literalmente pagando um “imposto” de tal forma que a demanda por moeda é contraída em termos reais.

    Fonte:
    http://www2.unijui.edu.br/~castoldi/nutri/Texto_7.pdf

  8. Sofia Serra Tavares Says:

    Pesquisando um pouco mais em uma fonte de referência do trabalho (BACHA, Carlos José Caetano. Macroeconomia aplicada à análise da economia brasileira. Edusp, 2004.) , encontrei algumas observações que me chamaram atenção com relação à evolução dos agregados monetários no Brasil:
    -A partir do Plano Real (implementado em julho de 1994) houve aumento de monetização da economia brasileira, isto é, ampliaram-se as quantidades deflacionadas de B e M1. Por exemplo, entre junho e novembro de 1994, os valores deflacionados de B e M1 aumentaram, respectivamente 248% e 74%. Isto ocorreu, em partes, porque a inflação baixa levou os agentes econômicos a reterem maiores saldos monetários nominais.
    -Tradicionalmente o mês de dezembro implica em aumento de B e M1 devido ao pagamento do 13o salário nesse mês, o qual faz com que ocorram maiores depósitos a vista nos bancos, bem como pelas despesas adicionais ocorridas por conta do fim de ano, as quais aumentam o uso de papel moeda pelo público não bancário.
    -Em períodos de inflação mais alta encontramos valores mais altos para o multiplicador em relação aos períodos de inflação mais baixa. Durante períodos de inflação alta, o sistema bancário é mais usado para efeitos de transformação de moedas em títulos, o que implica no “d” (depósitos a vista nos bancos comerciais/ meios de pagamentos) da fórmula do multiplicador (m=1/[1-d(1-r)]) ser maior do que em períodos de inflação baixa, aumentando o multiplicador.

    Também pude constatar essas observações ao analisar os gráficos interativos feitos pelo grupo, que facilitam a visualização! Parabéns para o grupo.

  9. Andrew Normanton de Oliveira Says:

    Acredito que tenha faltado falar um pouco da teoria de demanda por moeda de Baumol-Tobin, que apesar de ser um teoria fundada por volta dos anos 1950, foi fundamental para o desenvolvimento de modelos que tem como objetivo gerir o fluxo de caixa das empresas. Devido as elevadas taxas de juros no Brasil, manter liquidez é altamente custoso, uma vez que deixamos de receber boas quantias de juros, sendo assim, as empresas deveriam manter um “estoque” mínimo de caixa suficiente apenas para honrar os compromissos de curto prazo. Esse “estoque” mínimo dependeria dos custos de corretagem incorridos para transformar títulos em dinheiro, taxa de juros representando o custo de oportunidade e a renda.
    Essa teoria também concluiu que a demanda por moeda, mesmo pelo motivo transação, é sensível às taxas de juros, ponto que não havíamos obtido ainda com as teorias anteriores.

    http://www.ppge.ufrgs.br/giacomo/arquivos/esp207/aula022.pdf
    Corporate Finance 9Th Ed – Ross Westerfield Jaffe.

  10. Gabriel Sanaiotte Pinheiro Says:

    Considerando que o post traz uma visão do caso brasileiro sobre oferta e demanda por moeda, fica interessante elucidar alguns dados atuais, dada a crise financeira em que vivemos. Segundo matéria da Folha de São Paulo 22/02/2-16 (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/02/1741678-crise-encolhe-producao-de-cedulas-e-moedas-e-faz-faltar-dinheiro-trocado.shtml), valor total das cédulas e moedas em circulação no país cresceu apenas 2,1% em 2015, menor expansão desde a criação do Plano Real, em 1994. Descontada a inflação, o valor do meio circulante encolheu 8,4%. (segundo dados do banco central).
    Relatório do BCB sobre Politica Monetária de 28/09/2016 trás dados sobre a evolução dos agregados monetário:
    “A média dos saldos diários da base monetária totalizou R$237,2 bilhões em agosto, com variações de -0,1% no mês e de 3,4% em doze meses. A evolução mensal refletiu redução de 0,2% no papel-moeda emitido e crescimento de 0,5% nas reservas bancárias.”
    Esses dados elucidam como estão variando os dados do nosso balanço de pagamentos.
    Sobre inflação, o BCB aumentou a projeção para inflação dese ano, medida pelo IPCA, deve ficar em 7,3%, calculo esse feito setembro de 2016 , segundo EBC Agencia Brasil.
    Todos esses cenários nos mostram a tendencia que os rumos da economia Brasileira tomará, claro todos nos sabemos que esses dados vem de estimativas e que podem sofrer alteração até o fim do ano.
    Porem fica claro o uso de todos os conceitos de aula e elucidados no post.

    Fonte:
    http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-09/banco-central-projeta-inflacao-de-73-este-ano-e-recuo-para-44-em-2017
    http://www.bcb.gov.br/

  11. Anibal Amêndola Paschoal Says:

    Segundo a teoria apresentada no Mishikin, o processo de oferta de moeda é dado pela multiplicação do Multiplicador Monetário e da Base Monetária.
    O Multiplicador Monetário indica qual o múltiplo da base monetária é transformado em oferta de moeda e reflete o efeito de outros fatores além da Base Monetária sobre a oferta de moeda. Já a Base Monetária é formada pelo papel moeda em poder do público mais o total de reservas da economia, formando assim, o passivo monetário do Banco Central.
    Um Banco Central pode exercer um controle mais preciso sobre a Base Monetária (pmpp + Reservas). Pois, dado que as Reservas são formadas por voluntárias e Excedentes, uma elevação do quociente de reservas compulsórios por parte do Banco Central sobre o total de depósitos em conta corrente, eleva a quantidade de reservas compulsórias. E, embasado no modelo simples, em que o sistema bancário não mantém nenhum excedente de reserva, um aumento no quociente de reservas compulsórias, elevarão o total de reservas como um todos. Por exemplo, se as reservas aumentam em $X, diante de um quociente de reservas compulsórias de 10%, os depósitos em conta corrente devem se elevar em 10.$X a fim de que o total de reservas compulsórias também aumente em $X.
    Exemplificando a ideia subjacente ao Multiplicador Monetário, é que tendo um m=3, um aumento de $1 na Base Monetária levará a um aumento de $3 na Oferta de moeda.
    Fatores determinantes do multiplicador monetário, como o quociente de reservas compulsórias, a relação entre papel moeda e depósitos a vista e no quociente de reservas excedentes são fatores que influem diretamente multiplicador e, consequentemente, na oferta de moeda, sendo os três inversamente proporcionais a mesma.

  12. Rafael Ribas Says:

    Sobre o post, achei muito bem escrito e informativo. Gostei bastante dos gráficos interativos! Foram feitos com Shiny?
    Sobre o tema, acho legal destacar o quanto a estrutura institucional é importante para o bom funcionamento da economia. No artigo “Moeda e poder legislativo no Brasil: Prestação de Contas de Bancos Centrais no Presidencialismo de Coalizão”, publicado na “Revista Brasileira de Ciências Sociais”, os autores fazem um estudo do cenário político-econômico brasileiro para tentar responder perguntas como:
    1) Estaria o Congresso Nacional instrumentalizado para controlar as ações do Banco Central? Que tipo de controle é exercido? Por quê?
    2) Teria o presidente da República poder discricionário sobre a política monetária?
    3) Quais as razões que teriam levado o congresso, após 1988, a delegar cada vez maior autoridade ao Banco Central para perseguir a meta da estabilidade de preços?
    4) Estariam os congressistas contrariando a sua própria “natureza” [de buscar a reeleição a qualquer custo], ao admitir a supremacia monetária sobre a fiscal, após o Plano Real?
    5) Seria esta uma escolha racional do congresso, diante dos incentivos institucionais do sistema?
    Na conclusão os autores reportam: “nossos resultados sugerem é que a prestação de contas não é um processo definido unicamente por intermédio do estatuto legal que rege as atividades do Banco Central; depende também de variáveis institucionais que condicionam as estratégias dos atores políticos, os quais, de alguma forma, têm poder de interferir no processo de prestação de contas.”
    E mostram, com dados, que “na estrutura do presidencialismo de coalizão, a oposição cumpre o papel de terceiro agente, ou seja, é aquele que é acionado para promover o fire alarm.”. Isto é, ao invés de o legislativo manter uma fiscalização permanente sobre o executivo, só o faz quando é acionado pela oposição do executivo.
    Como ideia de solução, os autores propõem “especular sobre configurações alternativas do sistema político no que tange à distribuição de força parlamentar dos partidos e à tendência ideológica do chefe do executivo”.
    Assim, quem sabe os números mostrados nos gráficos – como o das séries do IGP e do M1 – não sejam tão afetados por vieses políticos…

    Fonte:
    http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-69092002000200007&script=sci_arttext

  13. Marcelle Rocha Says:

    Pesquisando sobre o tema vemos que,a política monetária (PM) brasileira constitui verdadeira anomalia. Apesar de inaugurada em 1995 uma fase de relativa estabilidade de preços com o Plano Real (PR), o Banco Central do Brasil (BCB) tem mantido a taxa básica de juros (Selic) em níveis excessivamente elevados: o país vem alcançando recordes mundiais em termos de juros reais. Após a implementação do PR e adotado o regime de metas de inflação (RMI), em 1999, a expectativa era de que, na medida em que se fosse consolidando a estabilização dos preços, a Selic passasse a ser significativamente reduzida, convergindo para níveis prevalecentes nas economias com preços estáveis. Não foi o que aconteceu. Mesmo a despeito da inflexão da política fiscal, com a geração de superávits primários, a partir de 1999. Entre esse ano e o de 2010, a Selic real média foi superior a 9% a.a. Embora tenha sido reduzida a partir do ano 2000, a Selic ainda permanece demasiadamente alta. Não obstante a rigidez da PM, a inflação vem-se mantendo em patamares que podem ser considerados elevados, principalmente com relação à experiência internacional. No período de 1995 a 2010, o IPCA ficou abaixo de 5% em apenas quatro anos, atingindo média próxima a 7%. Em suma, apesar da longa manutenção da Selic em níveis inusitados, a inflação tem cedido pouco.

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572012000300003

  14. João Paulo Cinegaglia Says:

    Especificamente sobre o caso brasileiro, é importante apresentar dois pontos: primeiramente, temos que as reservas compulsórias não são remuneradas (o que serve de desincentivo a sua formação, sendo que, no fim das contas, elas existem então por função de lei, para controle do multiplicador monetário) e, em segundo lugar, dado o período extenso em que a taxa de juros ficou alta (somente recentemente houve um pequeno corte de juros, a trajetória sinalizada é de queda, mas lenta), é possível que o multiplicador monetário atual esteja próximo de 1,2. A recuperação econômica que se aproxima – sinalizada, dentre outros motivos, pela trajetória de queda sustentável dos juros nos próximos trimestres – pode vir a elevar o multiplicador monetário sem necessariamente resultar em aumento de inflação.

  15. Pamela Generoso Says:

    A teoria da demanda por moeda sustentada pela escola de Chicago e, principalmente por Friedman, reformulou e desenvolveu as bases teóricas tradidicionais e clássicas da escola de Cambridge. Para Friedman a demanda por moeda pode ser abordada de forma similar a demanda por bens de consumo, apenas com a diferença de que a riqueza e não a renda constitui a restrição orçamentária.

    A moeda é vista como um ativo que os indivíduos retêm para compor sua carteira de títulos pelo serviço que ela produz. Para as empresas ela é um bem de capital como qualquer outro utilizado no processo produtivo. A renda permanente, segundo Friedman é a variável que melhor desempenha o papel do nível de renda corrente ou da riqueza individual na especificação da demanda por moeda, sendo uma média ponderada das rendas correntes e passadas da unidade de riqueza.

    Friedman concluiu que a elasticidade da demanda por moeda em relação à renda é superior a unidade, ou que a moeda é um bem superior, enquanto a elasticidade-juros da demanda por moeda é igual a zero. Para ele, as variações da renda nominal e dos preços são originadas, principalmente, das mudanças da oferta nominal da moeda e esta por sua vez varia conforme as mudanças da base monetária, do comportamento público, dos bancos comerciais e da relação dos encaixes bancários.

    fonte:
    TRICHES, Divanildo. Demanda por moeda: uma revisão das teorias alternativas e o conceito de liquidez. Ensaios FEE, v. 11, n. 2, p. 394-406, 1991.

  16. Taynã Francisconi Says:

    Notamos que a demanda de moeda para transações depende do padrão de gastos dos indivíduos e seus respectivos níveis de renda. Portanto, quanto maior a renda maior o numero de moedas demandadas para as transações. A moeda também pode ser considerada como reserva de valor, levando a uma demanda de moeda.
    A precaução leva os indivíduos que possuem incerteza quanto ao futuro a guardarem moeda no presente para se precaverem, assim, a posse de moeda leva a uma maior segurança, devido a sua liquidez.
    A especulação também leva a uma demanda por moedas, já que os indivíduos são maximizadores e demandam moeda para esperar o melhor momento para adquirir títulos que permitam alto rendimentos.
    No caso do Brasil, um período de inflação coloca em cheque a função de reserva de valor,deixando de ser uma forma adequada de se guardar riqueza; além disso, também em consequência da inflação a moeda deixa de ser unidade de conta, pois deixa de ser um parâmetro razoável de medida e, finalmente, em processo hiperinflacionários, perde inclusive a função de meio de troca.

  17. Rafael Bussolan Mariano Says:

    Silva, Souza e Frega (2005) realizaram um estudo sobre a demanda por moeda, buscando “desvendar, econometricamente, quais sãos os fatores mais relevantes que determinam a demanda por encaixes monetários no Brasil”.

    Entre as variáveis encontradas como determinantes, temos:
    “a) variação percentual da demanda por moeda;
    b) variação percentual da taxa de juros no período atual;
    c) variação percentual do IGP-DI;
    d) variação percentual do produto industrial;
    e) variação percentual das operações de crédito do SFN;
    f) variação percentual da taxa de câmbio”.
    Os autores utilizam dados para períodos distintos, coletados no banco de dados do IPEA, entre os anos de 1995 e 2004. Além do já citado, “percebeu-se forte influência dos efeitos da tendência e da sazonalidade aliado ao mecanismo de correção de erros”.

    Outro estudo que deixo apenas para ilustrar é o de Figueiredo e Cerqueira (2012), que buscaram retratar, em “Estimações de Demanda por Moeda para o Brasil: uma resenha”, diferentes metodologias desenvolvidas ao longo do tempo, para explicar a função de demanda por encaixes monetários com dados brasileiros e assim investigar seu comportamento ao longo do tempo. Nele fica a curiosidade de enxergarmos diferentes modelos, com ópticas próprias, que buscam explicar o mesmo assunto.

    FONTES:
    http://www.din.uem.br/sbpo/sbpo2005/pdf/arq0214.pdf

    http://www.uff.br/econ/download/tds/UFF_TD283.pdf

    • Fabrício Freitas Alves Says:

      No trabalho de Figueiredo e Cerqueira (2012) os autores abrangem as metodologias de 1968 até 1991. O artigo aponta Fishlow (1968) como pioneiro no Brasil na estimação da demanda por moeda, mas os resultados apresentados incomuns se comparados a estudos de outros países. Figueiredo e Cerqueira (2012) apontam os dados estatísticos pouco confiáveis utilizados pelo pesquisador como responsáveis pelos resultados. A revisão discute a questão da estabilidade na demanda por moeda entre 1970 e 1990 levantada por Teixeira (1991) e Triches (1992). A questão levantada é a existência de uma instabilidade na função de demanda estimada, o que impossibilita sua utilização no gerenciamento de políticas monetárias. A questão da instabilidade se mostrou bastante complexa. Nakane (1994) conseguiu estimar um função de demanda estável, mas a consequência foram parâmetros com “sinais errados e não intuitivos”. Cerqueira (1993) afirma existir um período de homogeneidade até 1974, mas a escalada da inflação a partir, principalmente, de 1980 gerou um período de instabilidade. Figueiredo e Cerqueira (2012) apontam que o índice de PIB utilizado pode ser a causa de algumas inconsistências, como ocorreu em outros trabalhos econômicos

      Os artigos citados na resenha discutem uma possível quebra estrutural na mudança da década de 1970 para 1980. Triches (1992) afirma que houve mudança nos parâmetros mas não uma quebra estrutural na virada da década. Cerqueira (1993), por outro lado, nega essa hipótese afirmando que a série de renda utilizados nos estudos tem origem em encadeamento de séries elaboradas com metodologias diferentes, não possuindo validade estatística.

      FONTE: http://www.uff.br/econ/download/tds/UFF_TD283.pdf

  18. Lucas Wagner Says:

    Parabéns pelo post grupo, achei bastante bem-feito e informativo. A primeira coisa que eu achei interessante é na verdade mais uma tangente do assunto principal, que é a tabela com a meta de inflação e a inflação efetiva. Isso me fez pensar no que ocorre quando os agente perdem a confiança no sistema de metas de inflação. Se a inflação efetiva em 2015 foi de 10,67% e a meta era de 4,5%, é de se esperar que os agentes usem os 10,67% para formar suas expectativas ao invés da meta anunciada(e não cumprida), então as expectativas podem não estar mais ancoradas na meta, e uma nova forma de âncora nominal pode ser necessária. Mas essa é uma questão que se desvia do conteúdo central do post.

    A grande anomalia do caso brasileiro em relação às teorias é a taxa de juros básica. Claro, o fato de termos taxas de juros reais tão altas reflete uma série de fatores estruturais, que vão desde a baixa taxa de poupança no Brasil até os empréstimos subsidiados do BNDES, mas é interessante notar que o brasileiro parece ser “neutro” a essa taxa, ou pelo menos a taxa a qual ele troca papel moeda por aplicações financeiras que rendem juros parece ser muito menor do que Lord Keynes imaginaria. Afinal de contas, o IPCA de 2015 é 10,67%, ao passo que a taxa de juros girava em torno de 14,25% ao ano.

  19. Marcelo Dias Junior Says:

    Pesquisando sobre demanda de moeda no Brasil na internet, encontrei uma pesquisa de um aluno da pós-graduação em economia da Universidade do Rio Grande do Sul, Marcelo Gusmão Arnosti.
    Este estudo da demanda por moeda é feito por uma análise por meio do Filtro de Kalman, objetivando através da estimação de uma equação de demanda por moeda de longo prazo para o Brasil, período 1980-2001, testar sua estabilidade. Como resultado, rejeita-se a hipótese nula de estabilidade da demanda de moeda e nos testes de capacidade de previsão, a estimação por meio do Filtro de Kalman supera as demais técnicas, evidenciando a ocorrência de mudanças nos regimes da política.

    Segue abaixo o link: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/6493/000485897.pdf?sequence=1

  20. Maria Carolina Meirelles Says:

    Sobre a demanda por moeda, como os colegas citaram no início do texto, há bastante divergência e um debate intensificado sobre a função demanda por moeda. O modelo keynesiano, caracterizado pela ênfase sobre os motivos transacionais, precaucionais e especulativos da moeda, assume que a moeda passa a servir também como reserva de valor, acrescentando, portanto a taxa de juros como argumento fundamental na função demanda por moeda. Essa nova ótica conduziu na representação da Teoria Quantitativa da Moeda, realizada por Friedman, na qual a taxa de juros ainda possui um papel de destaque na função demanda por moeda pelos indivíduos, mas a velocidade da moeda é, pelo menos, estável no sentido de ser previsível.

    Pesquisando sobre o tema, me deparei com uma pequisa do IPEA que, apesar do ponto de vista contido na nova teoria quantitativa da moeda (que trata a demanda por moeda como um problema de escolha de ativos, o chamado enfoque de portfólio) e do ponto de vista keynesiano (em que a moeda é listada como um mecanismo facilitador das transações e é demandada ainda que seja um ativo dominado em retorno), conclui que as abordagens monetárias divergentes, apesar de partirem de hipóteses diferentes, resultam em funções de demanda por moeda semelhantes. Achei essa pesquisa bem interessante e aconselho a leitura caso os colegas tenham interesse:

    http://www.ipea.gov.br/ppp/index.php/PPP/article/viewFile/22/28

  21. Mariana Pivoto Says:

    Bacha mostra um ponto de vista interessante, dizendo que a retenção da moeda como proporção ao PIB e a inflação são inversamente proporcionais, ou seja, quanto menor a retenção de moeda, maior a inflação para financiamento precisa ser. Também destaca que a inflação pode causar uma retenção da moeda, dessa forma, refletindo em altos juros para financiamento público, o que resulta, por fim, uma alta na inflação de maneira temporária. Essa situação é chamada de “armadilha inflacionária” e mostra que o equilíbrio dual resulta em uma economia que pode estar estagnada em situação de equilíbrio de alta inflação no momento em que poderia aproveitar de uma taxa mais baixa de inflação, esse cenário ocorre por conta da perda de confiabilidade da moeda. Para ele, pode-se dizer que o Brasil enfrentou essa situação descrita, cuja retenção da moeda e sua falta de confiabilidade acabam gerando inflação, esta por sua vez resulta nas duas primeiras, causando assim um ciclo vicioso.

    http://www.rep.org.br/pdf/53-1.pdf

  22. Guilherme B Sandalo Says:

    Como dito no texto, desde 1999 o Brasil possui metas de inflação, tendo o IPCA como medidor. Para manter o nível de inflação esperado, o governo faz uso da política monetária, por meio da taxa básica de juros, a Selic.
    Assim, caso a tendência é expectativa de mercado seja de inflação alta, o BaCen tende à agir no mercado a fim de aumentar a taxa de juros, e o inverso pode ser realizado caso seja necessário, a fim de aquecer a economia.
    A taxa básica de juros é frequentemente utilizado pelo Bacen visto sua forte ligação com o consumo, já que a mesma interfere na taxa cobrada pelos bancos comerciais as empresas e as pessoas.
    Acho interessante também comentar sobre o relatório FOCUS, onde o governo pública as expectativas de mercado para diferentes cambos, como IPCA, SELIC, PIB, câmbio, entre outros, podendo destacar a melhoria nas expectativas nas ultimas semanas.
    https://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp

  23. Fabio Garcia Silva Says:

    Os teste empíricos realizados sobre a teoria quantitativa da moeda revelam conclusões interessantes. O pressuposto que preços e salários são flexíveis mostram-se fracos para o curto prazo, como vemos no livro do Mishkin o aumento da quantidade de moeda é acompanhado pela diminuição da inflação no longo prazo. O que vai de encontro com a formulação feita por Friedman que a moeda é um fenômeno puramente monetário. Porém, no longo prazo onde há maior razoabilidade para os pressupostos de flexibilidade de salários e preços a teoria quantitativa da moeda volta a ter respaldo empírico.

  24. Murilo de Mello Souza Says:

    A oferta de moeda, conforme já estudado ao longo do curso e também pelos colegas que elaboraram o artigo deste post, é determinada pelo produto entre o multiplicador monetário e a base monetária. o Multiplicador monetário é determinado pela taxa pelo desejo dos bancos de manter reservas voluntárias, da população em manter papel moeda e do banco centrar em requerer reservas (reservas compulsórias). Já a base monetária é determinada pelo papel moeda em poder do público somado às reservas (reservas compulsórias mais reservas voluntárias). Acontece que ao plicar o modelo ao caso Brasileiro existem alguns problemas são enfrentados. Primeiramente, no Brasil não existe uma remuneração para os depósitos compulsórios (taxa de juros que os remuneram). Segundo, não existe um mercado de reservas no Brasil onde as reservas “voluntárias” seriam emprestadas a uma dada taxa de juros. Assim, acredito que o grupo que elaborou o post deveria ter limitado o modelo ao caso brasileiro, onde o a base monetária e formada apenas pelo papel moeda em poder do público e as reservas compulsórias. Já o multiplicado monetário no caso brasileiro é determinado pelo desejo das pessoas em manter moeda e pelo desejo do banco em requerer reservas (taxa de depósito compulsório).

  25. Vagner Augusto Says:

    Conforme especificado pelo post, a demanda por moeda é um dos fatores determinantes para o comportamento econômico de um país, sendo que as decisões da autoridade monetária quanto à oferta de moeda deve satisfazer sua demanda de forma a manter adequado funcionamento da economia, “atendendo às necessidades de numerário do sistema bancário, e, consequentemente, do público, por meio dos mecanismos de emissão e recolhimento, alterando os meios de pagamento.”
    Neste contexto, a utilização de um regime de metas de inflação – a qual hoje tem como principal indicador o IPCA do IBGE – podemos citar um comportamento econômico mais estável, longe das trajetórias explosivas dos anos 90, onde tínhamos hiperinflação, sendo que a própria política monetária torna-se mais flexível, instrução esta que recentemente retornou as pautas das reuniões do COPOM.

    Fontes:
    http://www.valor.com.br/financas/4754959/bc-inflacao-rumo-meta-condiz-com-flexibilizacao-monetaria-gradual

  26. Daniel Wetzel Says:

    Muito interessante o post! Encontrei um artigo que avalia a senhoriagem no caso brasileiro. Acredito que seja de interesse ao tema, pois a prática da senhoriagem consiste em elevar a oferta monetária para financiar déficits públicos, que resultam em elevações das taxas de inflação. No caso do Brasil, essa prática era comum até aproximadamente a aplicação do plano real. A taxa de senhoriagem, até então, não era suficiente para financiar integralmente os déficits públicos, mas era suficientemente grande para impedir o crescimento explosivo da dívida.
    http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/13054/000080780_td.pdf?sequence=1&isAllowed=y

  27. Andrey Prado Says:

    Como citado no tópico o processo de oferta monetária depende de três agentes econômicos: o banco central,
    os bancos comerciais ou instituições depositárias e o público em geral. Entretanto apenas a atuação do banco central se caracteriza como política monetária, apesar dos outros agentes citados também alterarem a base monetária e o multiplicador monetário. Para a execução de política monetária é importante identificar o impacto inicial que a política vai produzir para conhecer o reflexo desse impacto. Reservas compulsórias o impacto se dá sobre a oferta de moeda através do multiplicador monetário, assim como o redesconto de liquidez, e o reflexo desses dois instrumentos se dá através da realocação de portfólio. Enquanto que o instrumento de open market o impacto inicial ocorre no mercado de títulos e se reflete no mercado de moeda através da alteração do custo de oportunidade de se reter moeda.

    No Brasil o COPOM ficou instituído de estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros
    (Taxa Selic), sendo que desde a adoção das metas para inflação as decisões do COPOM têm como principal objetivo o cumprimento dessas metas definidas pelo Conselho Monetário Nacional. O BCB, assim como outros bancos centrais do mundo, se compromete a proporcionar maior transparência e comunicação com o público em geral facilitando o processo decisório e contribuindo para construção de credibilidade e reputação, para isso divulga trabalhos técnicos (working papers), técnicos realizam pesquisas, estimações criam modelos e há toda uma estrutura de divulgação de relatórios.

    http://www.bcb.gov.br/htms/copom/a-hist.asp

  28. Pedro Violante Says:

    Em relação ao tema postado pelo grupo, acredito que o a leitura do seguinte artigo seja pertinente: A exogeneidade da oferta de moeda no Brasil, de autoria de Cláudio R. Contador, e acessível por meio do link: http://ppe.ipea.gov.br/index.php/ppe/article/viewFile/566/510http://ppe.ipea.gov.br/index.php/ppe/article/viewFile/566/510

    Nesse artigo, o autor discute a hipótese de exogeneidade da oferta de moeda presente na literatura de Economia Monetária que, segundo ele, nem sempre é confirmada pelos fatos. Argumenta ainda que existem autores que sustentam a hipótese de a oferta monetária ser de fato endógena no contexto brasileiro com base em evidências que indicam que a maior abertura ao exterior tornou a expansão da Base Monetária mais sensível às mudanças nas reservas cambiais.

    A partir dessa contextualização do debate acerca da oferta de moeda no Brasil, o autor realiza uma série de testes econométricos para acrescentar sua contribuição. Sua conclusão, por fim, indica que em períodos distintos a oferta de moeda no contexto brasileiro pode ter sido influenciada em maior ou menor grau por outros fatores. Em outras palavras, os graus de exogeneidade da oferta de moeda variaram ao longo da história da Economia Monetária brasileira.

  29. Leonardo Veras Says:

    Parabéns pelo trabalho.
    Eu gostaria de comentar sobre a importância da nova abordagem da teoria de demanda por moeda levantada por Friedman, é interessante ver o papel da adoção do conceito de renda permanente na formação da demanda por moeda, a qual assume que as pessoas preferem um nível consumo estável durante a vida, dado o nível presente de riqueza e rendas ganhos agora e no futuro, umas das principais implicações de adotar tal conceito, é que a demanda por moeda não estará suscetível a grandes flutuações durante os ciclos econômicos. Desse modo, as políticas que afetarem a renda permanente dos agentes, irão ter maiores impactos no consumo, na demanda por moeda e na economia.

    Evolução do consumo no Brasil: da teoria à evidência empírica† – http://www.economiaetecnologia.ufpr.br/boletim/Economia_%26_Tecnologia_Ano_07_Vol_026.pdf#page=21

  30. Hudson Martins Says:

    Durante os anos de 2002 e 2003, em que a inflação efetiva esteve bem acima da meta, nota-se uma grande queda no multiplicador monetário. Provavelmente esta queda deve-se a uma tentativa de controle da inflação via aumento da taxa de juros por parte do Banco Central. De fato, como consta no histórico disponível no site do BC cujo link segue abaixo, houve uma brusca elevação na taxa de juros nesse período.
    https://www.bcb.gov.br/Pec/Copom/Port/taxaSelic.asp


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: