G-Eco: Sobre a Paridade do Poder de Compra (PPC) e sua validade no Brasil

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O conceito de Paridade do Poder de Compra (PPC) consiste em comparar efetivamente uma quantidade de produtos que possa ser comprada em diferentes moedas, sendo estas convertidas a uma (e em comparações internacionais esta costuma ser o dólar), chegando, assim, a elucidar de modo comparativo, o poder de compra de cada moeda. Parece um conceito distante de qualquer realidade, mas há um exame de comparação realizado anualmente pela revista The Economist chamado Índice Big Mac que nos auxilia a entender este conceito: tal índice compara as quantidades necessárias de moeda em diferentes países para a aquisição do lanche padrão no McDonalds.

            Através da análise internacional da PPC podemos chegar a uma aproximação maior do custo de vida dos diversos países. A crítica existente a este conceito ocorre por dois motivos: 1) as chamadas “cestas de produtos” não são uniformes entre os países e 2) as flutuações não ocorrem em níveis uniformes (ambos geram dificuldade em se realizar uma adequada comparação).

            A PPC não é um conceito direto e fechado – “é válida ou não” –, pois divide-se em duas vertentes: a versão absoluta afirma que um bem deve ter o mesmo preço em dois países caso os preços estejam sendo expressados em uma mesma moeda, enquanto a versão relativa sinaliza que a razão de preços existente para um mesmo bem em países diferentes deve ser constante ao longo do tempo (CASSEL, 1922).

            Uma vez que a PPC se relaciona à taxa de câmbio, é notável o efeito de valorização ou desvalorização cambial sobre nosso poder de compra: quando da valorização de nossa moeda, temos um aumento do poder de compra – e o contrário também é verdadeiro, ceteris paribus. Ilustrativamente: desde o início dos anos 2000, temos, então, uma redução no poder de compra quando da eleição de Lula em 2002 (quando o dólar chegou a ultrapassar R$4,00), um aumento considerável durante o segundo mandato de Lula (entre 2007 e 2010, com o dólar a menos de R$2,00) e, mais recentemente, uma queda do poder de compra entre o final de 2014 e o primeiro trimestre de 2016 (dólar de R$2,30 para R$ 4,15).

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 Cambio X Paridade entre Abr. 2000 e Out. 2014

             Seria válida a PPC no caso brasileiro? Alguns estudos discutem este caso através de métodos econométricos e chegam ao entendimento de que isso não possa ser confirmado (ao menos na forma absoluta de PPC):

             Freixo & Barbosa (2004) aplicam o modelo não linear auto regressivo com transição suavizada (STAR) à taxa de câmbio brasileira entre 1959 e 2004, logo após apresentarem um levantamento da literatura sobre PPC; a tese de que a PPC seria válida para o caso brasileiro é rejeitada justificando-se que a partir da análise realizada o que se encontra é que a taxa de câmbio brasileira apresenta comportamento “explosivo” quando próxima da paridade e “estacionário” quando o equilíbrio de longo prazo se encontra distante;

 Palaia & Holland (2010) também desenvolvem um levantamento de literatura e uma série de testes econométricos, chegando ao entendimento da não validade absoluta do conceito de PPC.

                                                     g-eco-grafico-2

 

                            Valor do dólar e taxas de juros, 1973-2008

Através do gráfico acima podemos acompanhar como a taxa de câmbio efetiva está muito mais alinhada com a taxa de juros reais do que com a taxa de juros nominais.  Assim, podemos verificar que nem sempre uma alteração na taxa de juros gera efeitos na taxa de câmbio, isso devido ao componente de expectativa de inflação embutido na taxa de juros nominal pela equação de Fisher.

Cabe ressaltar no gráfico que na crise financeira de 2007-2008 houve um descasamento entre as taxas de câmbio e a taxa de juros real, pois enquanto o FED reduzia a taxa de juros, os Bancos Centrais ao redor do mundo não pensaram ser necessária tal redução, cenário esse que se reverte depois, pois a crise começa a aprofundar seus efeitos no resto do mundo.

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Referências:

https://economia.terra.com.br/operacoes-cambiais/pessoa-fisica/entenda-como-e-calculada-a-paridade-de-poder-de-compra,05b62ebe54082410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

http://www.economist.com/content/big-mac-index

“Cassel, Gustav. 1922. Money and foreign Exchange after 1914. New York, Macmillan”

http://www.infomoney.com.br/blogs/investimentos-bem-pensados/post/3818331/quanto-alta-dolar-afetou-nosso-poder-compra

http://www.anpec.org.br/revista/vol5/vol5n3p75_116.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502010000100001

MISHKIN, F. S. The Foreign Exchange Market, Cap. 17 In: The Economics of Money, Banking and Financial Markets. Cambridge: Pearson Publishing, 2010.

MISHKIN, F. S. The Foreign Exchange Market, Cap. 17 In: The Economics of Money, Banking and Financial Markets. Cambridge: Pearson Publishing, 2012.

 

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43 Respostas to “G-Eco: Sobre a Paridade do Poder de Compra (PPC) e sua validade no Brasil”

  1. Gabriel de Oliveira Teixeira Says:

    Acho interessante destacar que o Produto Interno Bruto (PIB) que é calculado a partir da soma dos bens e serviços e é um dos principais parâmetros utilizados para medir a atividade econômica dos a países ao redor do mundo, sofre consideráveis alterações quando calculado a partir da Paridade de Pode de Compra (PPC) isso é discutido na matéria “Entenda como é calculada a Paridade de Poder de Compra” publicada no site “https://economia.terra.com.br.
    Um dado interessante citado na matéria é que ao comparar a lista divulgada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que mostra os maiores PIBs per capta calculados pela PPC com lista que mostra os PIBs nominais, é possível perceber variação. O texto cita o seguinte exemplo: “o PIB per capta de Luxemburgo, país em primeiro lugar, é de US$ 106.406. Quando calculado pela PPC, o valor muda para 77.958 dólares internacionais – unidade hipotética que corresponde ao poder de compra do dólar norte-americano nos Estados Unidos”.

    Fontes:
    https://economia.terra.com.br/operacoes-cambiais/pessoa-fisica/entenda-como-e-calculada-a-paridade-de-poder-de-compra,05b62ebe54082410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

  2. Rafael Ribas Says:

    Durante minhas pesquisas sobre taxas de câmbio e PPC, encontrei o artigo “Paridade do Poder de Compra: Teoria ou Metodologia?”, do economista Pedro Jorge Vianna. Neste artigo, o autor argumenta que a contribuição da PPC, de Gustav Cassel em 1918, não pode ser considerada puramente uma “teoria”. Segundo ele, “ela simplesmente é uma metodologia para se calcular a taxa cambial de paridade de uma determinada moeda quando não se tem o ouro como referência”.
    Como “nos sistemas cambiais onde há perfeita conversibilidade, a paridade entre duas moedas é dada pela relação fixa de conversibilidade entre tais moedas com o ouro”; sabendo que o padrão-ouro praticamente deixou de existir em 1914, “a preocupação de Cassel era, então, estabelecer um princípio que auxiliasse na determinação das relações entre as moedas inconversíveis”.
    Para Vianna, “o que foi estabelecido por Cassel foi a “paridade do valor de troca” entre as moedas e não a medida do poder de compra da moeda “i” no país “j”.
    Achei interessante quando o autor argumenta: “É bom lembrar que se a taxa cambial que se quer estabelecer deve incorporar todos os custos efetivos de uma transação comercial ou financeira, então teríamos que definir uma taxa de câmbio para cada transação. Isto porque, os impostos podem ser diferentes para cada tipo de bem; os custos de transporte normalmente variam de bem para; os custos de seguros também variam; as taxas de armazenagem, manuseio e traslado também diferem de acordo com a mercadoria.”
    É interessante ressaltar que o autor deixa bem claro que suas críticas à “Teoria da Paridade do Poder de Compra” são direcionadas à sua operacionalidade, e não ao seu significado. E como alternativas à TPPC, Vianna apresenta: (1) A Teoria da Paridade do Poder de Compra de François Divisia, (2) A Teoria da Paridade do Poder de Compra de Rene Roy, (3) A Taxa Cambial de Paridade de Edmar Bacha, (4) A Teoria da Taxa Cambial de Paridade, com Inflação Ponderada, e (5) A Teoria da Taxa Cambial de Paridade e os Salários.

    Fontes:
    http://www.econometrix.com.br/pdf/paridade-do-poder-de-compra.pdf
    https://en.wikipedia.org/wiki/Purchasing_power_parity
    http://www.investopedia.com/ask/answers/030915/why-ppp-purchasing-power-parity-controversial.asp

  3. Victória Jorge Says:

    A hipótese da Paridade do Poder de Compra diz que a taxa de câmbio real de equilíbrio de uma economia deve corresponder à razão entre os níveis de preços de bens e serviços produzidos interna e externamente. Porém, uma taxa de câmbio real não estacionária, indica que não existe relação de longo prazo entre taxa de câmbio nominal, nível de preços doméstico e nível de preços internacional, não validando a hipótese da PPC. Há três correntes que defendem a inexistência da paridade do poder de compra em sua versão absoluta, a primeira de Balassa e Samuelson diz que a taxa de câmbio não depende única e exclusivamente do nível de preços entre dois países, mas reflete a diferença de nível de produtividade entre eles, pois na conversão há uma tendência de elevação no nível de preços dos países ricos quando comparados a países pobres. A segunda teoria garante que a trajetória da taxa real de câmbio é definida por um passeio aleatório (random walk), que é um melhor previsor da taxa de câmbio do que modelos baseados em fundamentos macroeconômicos. E por último, para Krugman, um ambiente de competição imperfeita onde as empresas do setor exportador não repassam para os clientes os custos das variações das taxas de câmbio nominais, prevalecem os diferenciais de preços entre países.
    O resultado de vários testes não encontrou evidências empíricas para a validade da PPC, tampouco para a existência de uma taxa de câmbio real de equilíbrio de longo prazo na economia brasileira no período analisado, pois as taxas de câmbio real utilizadas tornam-se estacionárias apenas no curto prazo, mas não no longo prazo.

    https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=7&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwi-qM33_8jPAhWBIpAKHfQbAykQFghBMAY&url=http%3A%2F%2Fsisweb.tesouro.gov.br%2Fapex%2Fcosis_monografias.obtem_monografia%3Fp_id%3D283&usg=AFQjCNEGbrZe4zUzQvn819xLWUTDFY1b2g&sig2=USas2yDZaaF3BdcfRLFIow&bvm=bv.134495766,d.Y2I

    • Arthur Della Vecchia Says:

      Importante seu ponto, Victória. Na verdade, pra mim, o fato de no artigo de Palaia & Holland, citado no post, os autores terem testado por métodos econométricos a não validade da PPC absoluta para o caso brasileiro foi apenas uma mera formalidade para confirmar algo que me parece bem óbvio. Explico: o que afirma a teoria da Paridade do Poder de Compra na sua versão absoluta? Ela simplesmente fala que no longo prazo, não existindo custos de transação e considerando que os bens são homogêneos, o valor da moeda de um país é completamente determinado pela razão entre o preço doméstico e o preço externo. Oras bolas, o problema dessa teoria está exatamente nas hipóteses que a fundamentam.
      Primeiro, sabemos que existem barreiras comerciais entre a maioria dos países (inclusive entre países desenvolvidos, e não apenas entre desenvolvidos e não-desenvolvidos/em desenvolvimento), de modo que não raramente haverá custos de transação na comercialização de bens entre países. Isso por si só seria um poderoso argumento para invalidar a teoria da PPC absoluta sem precisar por a mão em quaisquer dados e fazer quaisquer testes econométricos.
      Segundo problema: considerar os bens homogêneos. Não me parece ser difícil de entender que há inúmeras diferenças na natureza da produção de um mesmo bem aqui e nos Estados Unidos, por exemplo. Diferenças essas associadas justamente à produtividade, como bem destacado pela Victória. Ainda, o conjunto (a ”cesta”) de bens consumidos aqui no Brasil, um país em desenvolvimento, pode diferir (e provavelmente difere) do conjunto de bens consumidos nos países desenvolvidos, podendo diferir até com relação a outros países em desenvolvimento. Isso porque há diferenças de desempenho econômico histórico, que refletem no nível da qualidade de vida, principalmente no primeiro caso, e também porque há diferenças sociais e culturais, principalmente no segundo caso.
      Enfim, a teoria da Paridade do Poder de Compra absoluta claramente não tem validade empírica, e ela tende a ficar, com o tempo, tão esquecida quanto a primeira fase da Curva de Phillips, por exemplo.

      • Diego Domingues Says:

        Arthur, acredito que mesmo que a teoria da PPP absoluta não seja validada empiricamente dado os argumentos muito convincentes expostos em seu comentário, renegá-la falando que ela será esquecida não é muito razoável, até porque é do debate sobre teorias que acreditamos que sejam inválidas que florescem novas teorias para substituí-las, como a Curva de Phillips que utilizou de exemplo. Afinal, a Lei do Preço Único serviu de base para a PPP absoluta, e esta, por sua vez, serviu para a PPP relativa. Lembrando sempre que a PPP absoluta, mesmo obsoleta, sempre pode cair numa prova de Macro III, se a gente estuda a curva BP até hoje, quem dirá a PPP absoluta.

      • Arthur Della Vecchia Says:

        Concordo com você, Diego. Quando eu disse que a PPC absoluta seria esquecida, foi no sentido de sua validade ser totalmente rechaçada (exceto em casos muito específicos), ou seja, de ela não servir como um instrumento explicativo da realidade, tal como a primeira fase da Curva de Phillips, sendo sobreposta por outras teorias que possuem mais respaldo empírico. Mas você tem toda a razão, ela teve/tem/terá sua importância na formulação de novas teorias que reflitam mais fielmente o mundo em que vivemos, contribuindo para o desenvolvimento da Teoria Econômica.

  4. Pedro Venturi Says:

    Algo interessante a ser destacado é importância da teoria da paridade do poder de compra para a comparação da renda entre diferentes países. Como cada país estima o PIB em termos de sua moeda local, comparações entre países que utilizam moedas diferentes tornam-se difíceis. É necessário que a renda esteja denominada em uma mesma moeda para que se possa realizar a comparação, contudo utilizar as taxas de câmbio nominais para isso, pode não ser uma boa ideia, uma vez que o câmbio nominal pode variar e assim tornar a razão entre as rendas dos países maiores ou menores, sem que contudo tenha havido mudanças em fatores reais. Para solucionar o problema utiliza-se a taxa de câmbio da paridade do poder de compra, ou seja a taxa de câmbio que iguala o preço de determinada cesta de bem nos países que estiverem sendo comparados.
    Uma maior discussão sobre esse método pode ser encontrado no livro texto “Economic Growth” de David N. Weil.

    • Diego Domingues Says:

      Pedro, mesmo utilizando a taxa de câmbio da Paridade Poder de Compra, pode ser muito complicado ainda fazer comparação entre países, pesquisei sobre PPP GNI (Gross National Income at Purchasing Power Parity) e li que mesmo assim, as comparações podem ser incompatíveis, em um dos artigos que li, “Purchasing power parity and country characteristics: Evidence from panel data tests”, os autores chegam a conclusão de que a comparação da PPP só faz sentido se analisarmos grupos de países com características semelhantes. Eles fazem uma análise em um grupo de países com características diversas, incluindo países desenvolvidos e emergentes, e nesse caso a PPP não se mantém. A evidência da PPP é mais contundente em países que são mais abertos, próximos aos Estados Unidos e possuem menores taxas de inflação. Ademais, países que possuem crescimento do PIB real similar aos dos Estados Unidos e têm taxas de câmbio nominal com volatilidade cambial moderada também possuem evidências mais fortes de uma PPP. Torna-se claro que quando analisamos o caso brasileiro não há evidências da PPP, como citado em comentários anteriores, baseando-se nesse paper vemos que o Brasil está meio longe dessas características que fortalecem evidências da teoria PPP. Os autores finalizam argumentando que conforme os países emergentes e os demais vão se aproximando das características destacadas, as evidências da PPP nos mesmos tornarão-se mais fortes.

      ALBA, Joseph D.; PAPELL, David H. Purchasing power parity and country characteristics: Evidence from panel data tests. Journal of Development Economics, v. 83, n. 1, p. 240-251, 2007.

  5. Wenderson Pizzo Says:

    O Brasil perdeu muitas posições no “índice Big Mac” que é utilizado pelo “The Economist” desde 1986 para para mostrar o comportamento das moedas frente ao dólar e o poder de compra nos 48 países pesquisados. Em janeiro de 2015, o Brasil tinha o 4º Big Mac mais caro do mundo, enquanto, em janeiro de 2016 o país pulou para a décima sétima colocação, vendido a US$ 3,35 (o que representa uma subvalorização de 32% do real frente ao dólar, uma vez que o Big Mac nos Estados Unidos sai por US$ 4,79).No topo do ranking se encontra a Suíça (US$ 6,44) e o último lugar é da Venezuela onde o lanche é vendido a US$ 0,66.
    O índice de 2016 demonstra que a maioria das moedas está significativamente desvalorizada perante a moeda norte americana, refletindo diretamente o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.
    A diferença entre a PPC e o índice Big Mac é que o segundo só calcula o valor necessário para comprar um lanche, enquanto o primeiro utiliza cálculos tradicionais considerando uma cesta básica de produtos.

    Fonte:

    http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/com-desvalorizacao-do-real-brasil-cai-para-14-posicao-no-indice-big-mac.html.

  6. Felipe Maia Polo Says:

    Não consigo achar argumentos teóricos que embasam o uso do preço do Big Mac como parâmetro a ser comparado ao redor do mundo. Puxando para um lado mais micro, como todos sabemos o preço é resultado de uma interação entre oferta e demanda e percebemos que o mercado de fast-food está mais longe de ser um mercado competitivo no Brasil do que nos EUA, por exemplo. Pelo lado da oferta, há um número maior de firmas que atuam no ramo nos EUA e pelo lado da demanda, temos que o gosto pelos lanches ainda é divergente entre os países, pois a população brasileira, como um todo, não está acostumada com fast-food relativamente à população americana. Se pensarmos no mercado de pão, café, sucos etc etc, não teríamos algo mais perto do que queremos medir?

    • Guilherme Dileli Marzochi Says:

      Felipe, o índice Big Mac certamente apresenta alguma inconsistência. Provavelmente, não há uma medida perfeita para esse propósito, seja o índice um produto ou uma cesta de produtos. Várias pesquisas na área encontram que a longo prazo as taxas de câmbio estão ancoradas pelo nível de preços. Para esclarecer a questão vou tratar de alguns trabalhos que abordam especificamente o caso do índice Big Mac.

      Os economistas Clements, Lan e Seah em um de seus trabalhos apresentaram uma revisão sobre o índice. Nela a conclusão é de que o índice é um indicador viesado dos valores das moedas, mas que uma vez permitido esse viés o índice acompanha bem a taxa de câmbio a médio e longo prazo. Mencionam ao longo do trabalho a importância da distinção entre paridade absoluta, relativa e estocástica para avaliar a precisão do indicador. No cálculo, é sugerido que em uma combinação arbitrária, como para valores de preços relativos, tanto a PPC absoluta e a relativa poderiam indicar que a moeda está desvalorizada enquanto a PPC estocástica indicaria como neutro.

      Em outro trabalho, de Parsley e Wei, eles fizeram algo semelhante ao que você sugeriu e dividiram o preço do lanche em seus componentes (a carne, o pão, custos trabalhistas, aluguel, entre outros) e encontraram que mais de 50% do preço do lanche corresponde a componentes não comercializáveis (non-traded) e que esses componentes apresentam dispersão de preços maior que os comercializáveis. Válido lembrar que no livro do Mishkin é mencionado que a teoria PPC (na versão absoluta) não leva em conta que alguns bens sejam não comercializáveis. Nesse mesmo trabalho, eles mostraram também que esse índice é altamente correlacionado a outras taxas de câmbio reais baseadas no índice de preços ao consumidor. Assim, seus resultados não estão muito distantes de outros mecanismos para cálculo de taxa de câmbio real.

      O Mishkin ainda pondera no livro que a conclusão da teoria da PPC, de que a taxa de câmbio é determinada por mudanças nos níveis de preços relativos, depende do pressuposto de que todos os bens nos dois países sejam iguais e os preços de transporte e barreiras ao comércio sejam muito pequenos.

      Fonte:
      Clements, Kenneth W., Yihui Lan, and Shi Pei Seah. “The Big Mac Index two decades on: an evaluation of burgernomics.” International Journal of Finance & Economics 17.1 (2012): 31-60

      Parsley, David C., and Shang‐Jin Wei. “A Prism into the PPP Puzzles: The Micro‐Foundations of Big Mac Real Exchange Rates.” The Economic Journal117.523 (2007): 1336-1356.

      MISHKIN, F. S. The Foreign Exchange Market, Cap. 17 In: The Economics of Money, Banking and Financial Markets. Cambridge: Pearson Publishing, 2010.

    • Daniel Wetzel Says:

      Concordo com você que, devido à diferenças de demanda nos países pelo produto, o preço do Big Mac não necessariamente é uma medida eficiente pra comparar o poder de compra de países diferentes. Fugindo um pouco do tema, me lembro de na matéria “Distribuição de Renda e Pobreza” estudarmos um índice de pobreza (não me lembro exatamente qual) que deveria levar em consideração os alimentos específicos que eram mais consumidos em determinada região e seus preços para formular uma cesta básica viável e, assim, estabelecer uma renda mínima para determinar uma linha de pobreza compatível com o consumo dessa cesta. Levando tal índice como exemplo, fica claro que atrelar o Big Mac como grau de comparação pode ter (e tem) defeitos ao se avaliar o poder de compra de determinada moeda. O consumo do produto em si varia muito de cultura para cultura, assim como o pão,café e sucos também variam. E como já foi comentado por outras pessoas, a PPC absoluta também possui inconsistências nas hipóteses utilizadas para formá-la, tornando-a inválida em muitos casos. Assim, acredito que, se a ideia é avaliar o poder de compra através dos preços de bens específicos, produtos eletrônicos (como também citado por alguém, o iPod) acabam sendo mais eficientes para fazer tal análise. Apesar de também não serem tão precisos na mensuração.

  7. matheuscarrijobrito Says:

    Como foi exposto no trabalho e nos comentários acima, a paridade de poder de compra não fornece uma boa explicação para o câmbio real o seja uma medida entre a produção interna contra a externa. Sabendo que essa teoria não explica a relação de câmbio é importante saber onde a teoria falha. No artigo abaixo, o autor expõe quais são as falhas da teoria para explicar a disparidade de pode de compra entre os países. Primeiro, ele analisa a modificação de resultado quando se muda o padrão de comercio. Segundo, crescimento econômico afeta o preço relativo entre produtos domésticos e importados. Terceiro, alterações monetárias e na taxa de cambio podem resultar em desvios reais no preço relativo e na paridade do pode de compra devido a não flexibilidade de preços e salários.
    Não obstante, o autor também expõe uma analise sobre a diferença entre o poder de compra de países mais e menos industrializados, principio explicado também por David Ricardo. Por exemplo, países que tem indústrias mais produtivas exportam mais pelo lei de preço único, com competição perfeita, e índices de preço iguais. Então, a produção ser igual ao preço do produto igual ao custo marginal do trabalho. E assim maior produtividade no país manufatureiro, acarreta maior demanda pelos bens comercializáveis produzindo elevação dos salários nesse setor e também na economia em geral. Fazendo por fim o nível de preço do país exportador aumentar sem que necessariamente a produtividade do setor de não comercializáveis aumente. Causando diferenças com a paridade de poder de compra, pois apesar do aumento do nível de preços houve alteração relativa nos preços de bens para exportação e não exportação. Assim mudanças tecnológicas, preferências, politica comercial e crescimento da forca de trabalho alteram a taxa de cambio real.

    http://www.nber.org/papers/w1591.pdf

  8. Marina Lavez Says:

    Em uma tese encontrada no site do Tesouro, o autor comenta como vários outros autores tratam o problema da PPC no Brasil. O autor faz uso de séries temporais para testar se a hipótese da PPC é válida no Brasil durante o período de 1994 a 2013, e chega no resultado que rejeita a hipótese nula da paridade em relação ao dólar.

    O autor coloca na tese que na literatura sobre a PPC encontram-se alguns casos de divergência sobre a validade. O autor faz um estudo para invalidar essas pesquisas e concluí que as taxas de câmbio real utilizadas no estudo tornam-se estacionárias apenas no curto prazo, mas não no longo prazo. Assim, não se encontrou evidências empíricas para a validade da paridade do poder de compra, tampouco para a existência de uma taxa de câmbio real de equilíbrio de longo prazo na economia brasileira no período analisado, invalidando as evidências empíricas obtidas por Feijó e Morales (2008), Palaia e Holland (2010), bem como Simões e Marçal (2012).

    O autor faz uma sugestão no final do texto, ele dá a ideia de se testar a validade da paridade do poder de compra, em
    sua versão relativa, para a economia brasileira, em dados de frequência mensal ou trimestral, por meio de outros testes de raízes unitárias que possam levar em consideração as propriedades de não-lineares das séries de taxas de câmbio real, uma vez que ele não encontrou razões para se supor que a taxa de câmbio real tenha dinâmicas unicamente linear no longo prazo.

    Fonte: https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=6&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwiTwJbfs87PAhUHIpAKHdWUBcAQFghBMAU&url=http%3A%2F%2Fsisweb.tesouro.gov.br%2Fapex%2Fcosis_monografias.obtem_monografia%3Fp_id%3D283&usg=AFQjCNEGbrZe4zUzQvn819xLWUTDFY1b2g&sig2=8I8NzUSBrmY183kxsNjqVg&bvm=bv.135258522,d.Y2I

  9. Marcelle Rocha Says:

    A Paridade do Poder de Compra (PPC), em sua versão absoluta, significa manter a taxa de câmbio real fixa, de modo que modificações nas taxas de câmbio nominais entre duas moedas,quaisquer refletem o diferencial de inflação entre os países considerados. Em outras palavras, sob a hipótese da PPC, a taxa de câmbio real de equilíbrio de uma economia deve corresponder à razão entre os níveis de preços de bens e serviços produzidos interna e externamente. Uma das implicações da Paridade do Poder de Compra significa fazer desvalorizações nominais para compensar a valorização real causada pela inflação, de maneira a manter a taxa de câmbio real constante.
    Portanto, a teoria da paridade do poder de compra, em sua versão absoluta, postula que a taxa de câmbio se ajusta para refletir os níveis de preços doméstico e internacional. Trata-se de uma condição de arbitragem fundamental no estudo da economia e das finanças internacionais, e tem sido usada como hipótese em modelos macroeconômicos de determinação de taxa de câmbio como um ponto de referência nas decisões de política econômica. Essa teoria postula que a taxa de câmbio nominal se ajusta para refletir as diferenças nos níveis de preços interno e externo através dos países. Os níveis de preços são considerados estáveis, relativamente. Todavia, as taxas de câmbio nominal flutuam amplamente uma vez que as séries dessas variáveis estão sujeitas à volatilidade do fluxo de capitais, assim como no fluxo de bens e serviços. Portanto, a PPC não ocorre no curto prazo. Por outro lado, verificar se a PPC ocorre em uma relação de equilíbrio de longo prazo se torna uma questão empírica importante que tem implicações para as fontes de distúrbio para as taxas de câmbio real em modelos de determinação da taxa de câmbio.

    http://sisweb.tesouro.gov.br/apex/cosis_monografias.obtem_monografia?p_id=283.

  10. Bianca Alonso Says:

    A PPC reflete o real poder de compra dos consumidores, é uma alternativa a taxa de câmbio em algumas análises macroeconômicas e costuma ser mais estável do que ela. Isso porque a taxa de câmbio reflete não só a oferta e demanda de bens e serviços entre dois países, mas também o fluxo de investimentos internacionais, além de políticas monetárias.
    Entretanto, como o grupo ressaltou no post, esse estudo não é fácil de ser feito, já que é difícil precificar produtos e serviços de diferentes países sem a certeza de que são do mesmo nível. O que significa que essa teoria ainda carrega consigo muitas falhas, também apresentadas em comentários anteriores. Mesmo assim essa análise é bastante interessante porque na maioria dos casos, PPC e taxa de câmbio não estão casados. O que nos mostra que o poder de compra com moeda estrangeira, no estrangeiro, comparativamente ao que se compraria aqui, convertendo-se à moeda nacional, não é necessariamente igual ao câmbio, mas pode ser maior ou menor.

    Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/blogs/investimentos-bem-pensados/post/3818331/quanto-alta-dolar-afetou-nosso-poder-compra

  11. Gabriel Sanaiotte Pinheiro Says:

    Uma instituição australiana de analise de riscos e investimentos, CommSec (Commonwealth Securities Limited), traz a partir de 2006 um novo índice para comparar custos de se adquirir um produto igual em países diferentes.
    O produto escolhido foi o iPod, assim ela criou o Índice iPod, a premissa utilizada pela instituição, toma como base um produto que está presente em quase todos os países e que é predominante fabricado em um, no caso a China. Assim a questão que impacta o Indice BigMac, a questão dos custos de produção em diferentes países, não é prejudicada. Porem custos de transportes e tributações são inclusos no calculo.
    Outro fator importante a ser considerado é que o iPod é um produto “tradealbe”, assim os consumidores podem procurar pelo preço mais baixo, fato esse facilitado pelo comércio eletrônico.
    Hoje a CommSec, associou outros produtos da apple como indice (iPhone, iPad)
    Desta forma temos uma nova maneira de olhar a teoria do poder de compra, sendo esse considerada uma variante moderna do Indice BigMac.

    Veja mais em: https://www.commsec.com.au/content/dam/EN/ResearchNews/ECO_Insights_050916_CommSec-ipad-and-iphone-indexes.pdf

    https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwiAqJfOzdHPAhVBIpAKHdjGC2QQFggfMAA&url=http%3A%2F%2Fwww.fae.edu%2Fgaleria%2FgetImage%2F100%2F1476855866186416.pdf&usg=AFQjCNFniHMV-HY9_gOEQtEZ62zmxof5IQ&sig2=mI4l9OGFNc2d5EP-awyeBA&bvm=bv.135258522,d.Y2I

  12. Guilherme Sandalo Says:

    A paridade do poder de compra sob cambio fixo: Num regime de câmbio fixo, a oferta nominal de moeda no país é condicionada a taxa de câmbio pre fixada e ao nivel de preços do país central, se a autoridade monetaria do país optar por fixar sua taxa de cambio, então existirá uma determinada quantidade de moeda consistente com o cambio fixado, alterações nesses estoques gerarão mecanismos de ajustamento que regulam a consistencia entre o estoque de moeda e a paridade fixada.
    Partindo desse principio, em uma situação de equilibrio, se a autoridade monetária decidir por aumentar a quantidade de moeda em circulação, haverá um aumento do nivel de preços do país, acima do valor implicito na PPC antes estabelecida, como a taxa fixa, os bens deste país se tornarão relativamente mais caros que o bem externo, levando os agentes desta economia procurar bens externos, controlando assim a subida do preço interno.Em contrapartida, a procura por bens externos estimula a procura por moeda externa junto ao banco central, reduzindo assim as reservas internacionais deste país, contribuindo para a absorção do excesso de moeda nacional em circulação, retornando ao estoque de moeda exigido pela PPC.

  13. Rafael Bussolan Mariano Says:

    Objetivando uma visão mais didática, trago hoje um texto complementar ao tema, e que discorre sobre o Poder de Compra de uma maneira bem simples de se entender. O Blog da Rico traz essa discussão sob a perspectiva de quem almeja viajar e, por isso, necessita entender um pouco mais sobre o câmbio e as relações de compra entre moedas. O texto mostra que para medirmos a PPC entre dois países, não basta só considerarmos a taxa de câmbio, mas também diferenças de renda, custos de vida de cada região e PIB per capita, por exemplo.
    Segundo o texto, em meados de 2014, o Brasil se encontrava em 79º na lista de países com maior poder de compra do mundo, estando à frente de Argentina e Uruguai, mas atrás de Japão e Suécia. Utilizando como exemplo um PlayStation 4, mostra que, apesar do real valer mais que as moedas argentina e uruguaia, esse produto acaba saindo mais barato nesses países, já que o Real tem um valor de compra maior que a moeda local dessas economias.
    Outro ponto que destaco é uma ilustração, no mesmo texto, que mostra o Índice Big Mac de uma maneira mais interativa, comparando moedas de diversos países.
    Outra leitura que sugiro é um estudo que consiste numa tentativa de testar empiricamente as condições da PPC absoluta, bem como a Paridade da Taxa de Juros Descoberta (PTJD), no contexto da economia brasileira. Marçal, Pereira e Filho (2003) utilizam como fonte dados trimestrais entre 1980 e 1994. e aplicam testes econométricos para testar essa validade. Entre um dos resultados encontrados, temos a não rejeição da hipótese de raiz unitária, apresentada pelos autores como o fato das variáveis do sistema (apresentado formalmente no texto) possuem ordem de integração 1 ou inferior, quando foi construída a série de PPC a partir do IPA. Assim, os autores apontam que “espera-se que a PPC seja válida para índice construídos com bens comercializáveis (IPA) e não para bens domésticos (IPC).

    FONTE:
    -http://blog.rico.com.vc/bid/76106/Poder-de-Compra-X-Taxa-de-C-mbio
    -http://www.scielo.br/pdf/rbe/v57n1/a06v57n1.pdf

  14. Andrew Normanton de Oliveira Says:

    Além dos estudos citados acima, podemos mencionar outros diversos que invalidam a paridade do poder de compra em sua versão absoluta e também na relativa para quem tenha interesse em se aprofundar no assunto.

    Os estudos Zini & Cati (1993), por exemplo, testaram a estacionariedade da taxa de câmbio real no período compreendido entre 1985 e 1990 e o resultado também invalidou a tese de PPC absoluta.

    Em 1991, Rossi utilizou os métodos de teste de cointegração de Engle & Granger (1987) e também obteve resultados contrários a teoria.

    Dos estudos mais recentes, temos o de Marçal et al publicado em 2000 e também o de Kannebley. Esse último realizou o teste de raízes unitárias com quebra estrutural de Perron & Vogelsang com o objetivo de testar a cointegração entre as variáveis analisadas, usando os valores críticos de Gregory & Hansen (1996), notou se que o resultado dos testes não foram suficientemente baixos para rejeitar a hipótese nula, e portanto, não foi possível aceitar a validade da paridade do poder de compra na forma absoluta nos dados compreendidos entre 1980 e 2006.

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502010000100001

    Hansen, P. (2003), ‘Structural breaks in the cointegrated vector autoregressive model’, Journal of Econometrics 114, 261–295.

    Kannebley, S. (2003), ‘Paridade do poder de compra no brasil – 1968 a 1994’, Estudos Economicos de São Paulo 33, 735–769.

    Marçal, F. E., Pereira, V. L. P. & Canuto, O. (2000), ‘Paridade de poder de compra: Testando dados brasileiros’, Revista Brasileira de Economia 57, 159–190.

  15. Isabela Oliveira Melo Says:

    O Índice Big Mac foi criado para explicar um conceito econômico chamado paridade de poder de compra. Por esse conceito, a longo prazo o mercado de câmbio deveria se ajustar para que o valor de um dólar fosse equivalente em qualquer país. Se houvesse paridade, o preço de um produto –nesse caso um Big Mac, que é feito com os mesmos ingredientes em quase todos os lugares pesquisados– deveria ser o mesmo em todo o mundo. (Como é abordado pelo post)
    Em 2015, o preço de US$ 5,21 no Brasil demonstra uma valorização de 8,7% do real em relação ao dólar. Na Suíça, o país em que o Big Mac é mais caro, o preço é de US$ 7,54. Na Noruega, segundo país com moeda mais valorizada, é de US$ 6,30. Na Dinamarca, US$ 5,38.O preço do lanche nos Estados Unidos é usado como base na pesquisa. Atualmente, ele está em US$ 4,79.
    Já em 2016, a queda do dólar em relação ao real nos últimos meses fez o Brasil voltar a ter um dos Big Macs mais caros do mundo. Segundo a revista britânica “The Economist”, o lanche custa, no Brasil, R$ 15,50, o equivalente a US$ 4,78 – o quinto mais caro do mundo. Em janeiro deste ano, o Brasil aparecia com o 17º Big Mac mais caro do mundo, a US$ 3,35.
    O preço do Big Mac no Brasil segue mais alto do que em países como Japão, Chile, México e Argentina. O sanduíche vendido a US$ 4,78 no Brasil representa uma subvalorização de 5,1% do real frente ao dólar, considerando que um Big Mac nos Estados Unidos sai por US$ 5,04. Em janeiro, essa desvalorização era de 32%. O índice aponta que a maioria das moedas está significativamente desvalorizada frente ao dólar, refletindo diretamente o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.

    http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/07/queda-do-dolar-faz-brasil-voltar-5-posicao-no-indice-big-mac.html
    http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/01/22/indice-big-mac-mostra-que-real-e-a-quarta-moeda-mais-cara-do-mundo.htm

  16. Adelge Pereira de Lima Júnior Says:

    Em um artigo de Pinotti et al. (1998), foi provado que, utilizando um deflator como o índice de preços do consumidor, não é possível validar as evidências que confirmem a Paridade do Poder de Compra do caso brasileiro instantaneamente, pois não é possível rejeitar a hipótese de que a taxa real de câmbio possua uma raiz unitária. Contudo, caso seja utilizado um índice de preços do atacado, observa-se que as raízes unitárias desaparecem. A maior presença de bens estrangeiros na economia leva o câmbio real a uma tendência de reversão da média, apresentando sensibilidade apenas temporária aos choques que o afetam.
    Fonte: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rbe/article/view/736/8092

  17. Lucas Wagner Says:

    Me parece que a Paridade do Poder de Compra é uma ferramenta que tem alguns usos importantes, como uma forma com talvez menores distorções de comparar o PIB de diferentes países, por exemplo. Mas eu também acho que são claras as limitações práticas em torno da PPC. Além do problema que a Victoria citou no comentário dela, de que diferenças nos preços de bens em diferentes países levam em conta outros fatores que não a taxa de câmbio, como o nível de produtividade de cada país, há ainda o problema de como mensurar a PPC, pois esse é um processo que envolve montar uma determinada cesta de bens e compará-la entre países. O problema é que as cestas consumidas tendem a ser radicalmente diferentes entre países, o que complica o cálculo. Isso explica o porquê do Índice Big Mac ter se mostrado popular: é apenas um bem, disponível para compra mundialmente com pequenas variações em sua composição, dispensando a necessidade de criar uma cesta de bens.

  18. Anibal Amêndola Paschoal Says:

    Para dissertar sobre a Paridade do Poder de Compra (PPC), antes devemos dar ênfase à Lei do Preço Único (LPU), dado que a PPC é uma aplicação mais abrangente da LPU.
    Temos que a LPU é uma análise dos preços de produtos entre dois países, de modo que um bem idêntico entre ambos deveria custar a mesma quantia, não importando o país produtor. De tal modo, a taxa de câmbio, pela LPU, seria uma fração do preço do bem um país pelo mesmo bem do outro. Por exemplo, dado que o ferro no Brasil custe R$100,00 e o ferro Americano custe US$50,00, pela LPU, a taxa de câmbio real/dólar seria de 2 reais por dólar. Se, a taxa de câmbio fosse de 4 reais por dólar, o ferro americano seria mais caro em ambos os países e sua demanda seria zero.
    A PPC é a aplicação da LPU aos níveis de preços nacionais em vez de preços individuais. As taxas de câmbio entre duas moedas quaisquer irão se ajustar para refletir a mudança no nível de preço dos dois países.
    A teoria da PPC sugere que, se o nível de preço de um país sobe em relação ao de outro, sua moeda deveria desvalorizar (a moeda do outro deveria valorizar), sendo uma boa teoria para movimentos de longo prazo do câmbio.
    No entanto, a PPC pode não explicar completamente as taxas de câmbio, dado que a hipótese de que os bens em ambos países podem não ser idênticos. E, também não leva em consideração que muitos bens e serviços não são comercializados além das fronteiras, gerando um efeito pequeno sobra a taxa de câmbio. Talvez, a PPC possa ser melhor explicada ao ser analisado o nível de abertura econômica entre países e a semelhança dos bens e serviços comercializados por ambos.

  19. Taynã Francisconi Says:

    O índice Big Mac foi criado pela revista The economist em 1986, e parte do principio de que o sanduíche do Mc donalds é feito igual no mundo inteiro, então ele deveria custar o mesmo preço em qualquer lugar, desde que a paridade fosse válida entre os países.
    O salário Big Mac expressa uma alternativa mais “digestiva” de comparar o poder de compra. A lista do poder de compra do Big Mac é publicada anualmente pela revista The Economist. É interessante ressaltar que os valores não refletem necessariamente os preços de um restaurante em particular em certo país.
    A PPC, que reflete o real poder de compra dos consumidores costuma ser mais estável do que a taxa de cambio, que reflete não só a oferta e demanda entre os bens e serviços de dois países, mas também de investimentos internacionais, além de políticas monetárias.

  20. Vinícius José Vilela Says:

    A teoria da Paridade do Poder de Compra (PPC) estabelece que, no longo prazo, ambos os níveis de preço nacional e estrangeiro são iguais quando medidos em termos da mesma moeda. Esta relação deriva diretamente da “Lei do Preço Único”, que no pressuposto de todos os bens serem transacionáveis com custos de transporte nulos; não existirem obstáculos às trocas; existir homogeneidade perfeita dos bens nacionais e estrangeiros e de, normalmente, a concorrência ser perfeita, estabelece que o comércio livre de bens deve garantir preços idênticos entre os países. Como meus colegas acadêmicos já chamaram a atenção, a existência de imperfeições de mercado, presença de custos de transação, entraves comerciais, bem como a impossibilidade prática de comparação de cestas homogêneas de bens entre diversos países fazem com que dificilmente esta relação seja observada empiricamente.

    No estudo de Sérgio Kannebley, o autor selecionou alguns trabalhos que testaram a validade da PPC para o caso brasileiro. Os resultados dos testes para a versão relativa da PPC indicam a não rejeição dessa versão para o caso brasileiro, independentemente dos índices de preços utilizados e dos períodos analisados.

    No estudo Holland e Pereira (1999), procurou-se investigar a influência do aumento da variabilidade da inflação sobre a relação de longo prazo entre taxa de câmbio e o relativo de preços. O resultado obtido, mostra que com a intensificação do processo inflacionário, a relação entre as variações da taxa de câmbio e o diferencial de inflação torna-se mais estreita, corroborando a hipótese de que em economias de alta inflação, a possibilidade de verificação da PPC é maior.

    http://www.scielo.br/pdf/ee/v33n4/v33n4a05.pdf

  21. Marcelo Dias Junior Says:

    A queda de 3,8% na economia brasileira marca o empobrecimento do Brasil em relação a outros países emergentes. Segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), com o encolhimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, a renda per capita do brasileiro caiu de US$ 16,2 mil em 2014 para US$ 15,7 mil no ano passado. O valor representa 90% do rendimento médio dos 24 países considerados emergentes. É o pior desempenho do Brasil desde 1980, início da série histórica do Fundo.
    Esta notícia leva o título, “Brasileiro perde poder de compra em relação a outros emergentes”. O que mostra que a variação negativa na renda per capita do brasileiro, diminuiu a poder de compra destes, em relação aos países emergentes e a expectativa é de que em 2020 o país atinja renda média de US$ 18 mil, aproximadamente 80% da média dos emergentes. Quando a comparação é com países desenvolvidos, o resultado é alarmante. O brasileiro tem 27% do poder de compra de um americano médio.

    http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/economia/noticia/2016/03/brasileiro-perde-poder-de-compra-em-relacao-a-outros-emergentes-4989000.html

  22. Pamela Generoso Says:

    A premissa básica da teoria da Paridade Poder de Compra (PPC) é que a taxa de câmbio entre dois países é igual à relação entre os níveis de preços internos desses. Desse modo, é esperado que a redução no poder de compra interno de uma moeda (representado pelo aumento da inflação interna) esteja associado a uma depreciação proporcional da moeda no mercado de câmbio.

    As principais críticas para essa análise é que a falta de evidências para a validade da PPC se deve à utilização de amostras em curtos intervalos de tempo, cujas investigações levaram a aceitação de que no curto prazo a PPC não é válida, e que no longo prazo ainda se encontra sobre processo de investigação.

    Neste sentido, Bessaria e Sobral (2015), ao testar a paridade do poder de compra para países da América Latina (Argentina, Brasil, Chile,México, Paraguai e Uruguai) por meio de testes de cointegração para dados em painel para o período de 1999 a 2014, afirma que os resultados empíricos são extremamente desfavoráveis à hipótese de PPC como uma condição de equilíbrio de longo prazo.

    Em particular, rejeita-se a hipótese de não cointegração da taxa de câmbio e os preços relativos para qualquer um dos países tratados. Longe de encontrar uma proporcionalidade estável de longo prazo entre as taxas de câmbio e os preços relativos, os resultados sugerem, portanto, que eles tendem a se afastar no longo prazo. Uma das possíveis explicações para estes resultados é o uso de medidas protecionistas por esses países. Esse é um instrumento comercial que tem forte aceitação pelos gestores de política econômica na América Latina, fazendo com que esses países sejam, historicamente, considerados como economias que adotam políticas comerciais com características protecionistas.

    Referências:
    http://coreconpe.org.br/ivenpecon/downloads/sel_teoraplic/023c.pdf

  23. Fabrício Freitas Alves Says:

    Em um estudo utilizando técnicas de cointegração de painel, Drine e Rault (2007) concluem que a paridade do poder de compra não é relevante para determinar o comportamento da taxa de câmbio no longo prazo para países africanos, asiáticos, latino americanos e do leste europeu. Além disso, os resultados indicam que, para países em desenvolvimento, não há uma relação de equilíbrio entre preços nacionais, internacionais e taxa de câmbio. Este resultado rejeita empiricamente a validade da teoria da paridade do poder de compra.

    Drine, Imed, and Christophe Rault. “PURCHASING POWER PARITY FOR DEVELOPING AND DEVELOPED COUNTRIES. WHAT CAN WE LEARN FROM NON‐STATIONARY PANEL DATA MODELS?.” Journal of Economic Surveys 22.4 (2008): 752-773.

  24. Luiz Felipe Guarnieri Says:

    A hipótese da Paridade do Poder de Compra faz menção que a taxa de câmbio real de equilíbrio de uma economia deve corresponder à razão entre os níveis de preços de bens e serviços produzidos internamente no país e também fora dele. Com isso, no longo prazo, não existindo custos de transação e considerando que os bens são homogêneos, o valor da moeda de um país é completamente determinado pela razão entre o preço doméstico e o preço externo.

    Entretanto, pode-se afirmar com clareza que há vários pontos a serem discutidos nessa teoria. O primeiro deles é sobre os custos de transação. É de conhecimento que existem barreiras comerciais entre a maioria dos países, fazendo com que haja ônus em transações entre os países. Impostos, protecionismo e taxas alfandegárias são exemplos que podem ser citados.

    Outro ponto relevante é o fato da teoria da PPC considerar os bens 100% homogêneos (perdoem-me da redundância). É novamente evidente o fato de que os bens não são totalmente iguais nos países. O famoso índice Big Mac utiliza o lanche como parâmetro para comparar o preço entre os países, mas o processo, os insumos, o fornecedor, tudo muda de um país para o outro, tornando o bem cada vez menos homogêneo.

    Dessa forma, podemos concluir que uma taxa de câmbio real (não estacionária) indica que não existe relação de longo prazo entre taxa de câmbio nominal, nível de preços doméstico e nível de preços internacional, retirando assim a validade da hipótese da PPC.

  25. Fabio Garcia Silva Says:

    Como ressaltado pelo grupo e nos comentários parece ser muito condizente às críticas feitas em relação à PPC. 1) Cestas de produtos não são uniformes e 2) flutuações não ocorrem em níveis uniformes. Por isto a PPC absoluta , principalmente, torna-se difícil de encontrar um respaldo empírico quando estamos a comparar todo o mundo com sua diversidade e características próprias. Talvez sirva melhor para economias em estágios mais parecidos ou mais abertas.
    Pelo que entendi, ainda assim, a hipótese da PPC relativa que seguiu das teorias do preço único e da PPC absoluta ainda encontra algum respaldo não comprovado empiricamente, os trabalhos sugerem que à curto prazo de fato sua aplicabilidade pode ser bastante contestada, mas no longo prazo não temos evidências o suficiente para descartar a validade da hipótese da PPC relativa ou o método da PPC relativa como alguns comentaram.

  26. Leonardo Veras Says:

    Acho interessante o efeito lula entre 2002 e 2003, percebe-se que os agentes tinhas baixas expectativas em relação ao seu mandato, devido a N fatores, como passado sindicalista, as críticas às privatizações feitas pelo FHC. Porém, quando vemos uma análise feita pelo FMI sobre o crescimento do PPC em relação aos outros emergentes ,o Brasil no início da década passada conseguiu recuperar o seu crescimento e mostrou-se equiparável á outros emergentes durante o mandato do Lula, surpreendendo as expectativas dos agentes.

    Infelizmente nos últimos anos estamos tendo uma recessão em que está levando a uma redução do PPC, fazendo com que o Brasil seja superado por países como Colômbia, Argentina, Peru e Turquia, como podemos ver na notícia abaixo que foi realizada com base nos dados do FMI.

    http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/02/1739399-renda-per-capita-do-brasileiro-diminui-e-se-distancia-de-paises-emergentes.shtml

    Outro ponto que eu gostaria de observar, são os indicadores internacionais que também apresentaram melhorias durante os 13 anos do PT, em que podemos observar na notícia feita pela BBC

    http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/05/160505_legado_pt_ru

  27. Vagner Augusto Says:

    Conforme colocado pelo grupo, o conceito de Paridade do Poder de Compra (PPC) é utilizado como ferramenta para comparar de maneira efetiva o preço das cestas de bens em moedas diferentes, sendo que além de ser utilizada para comparar o poder aquisitivo das moedas em relação à bens – como por exemplo é realizado por meio do índice Big Mac – esta relação também é utilizada de forma à comparar os gastos relativos e o próprio PIB das nações.

    Com isso, ao medirmos o custo de vida dos diversos países, podemos entender melhor as economias, gerando indicadores para carga triburárias – “Quando medida em dólares ajustados por paridade do poder de compra, a carga tributária brasileira per capita foi de US$ 5 mil por pessoa em 2013 […] Bem distante dos US$ 27 mil da Noruega, dos US$ 22 mil da Dinamarca” ou mesmo para poupança -” No ranking dos quinze países com maiores PIB por paridade do poder de compra (G-15), o Brasil quase tem uma das menores poupanças brutas (16,2% do PIB), acima só da inglesa (12,2%) e logo abaixo da americana (17,9%).”

  28. Maria Carolina Meirelles Napravnik Says:

    Apesar de grande parte dos testes econométricos apresentarem evidências contra a validade do modelo de paridade de poder de compra em sua forma original ou no contexto de um modelo monetário, diversos pesquisadores apoiam a hipótese da PPC ocorrer em uma relação de equilíbrio de longo prazo entre diferentes países. Nessa visão, seria possível estabelecer um valor de equilíbrio de longo prazo para a taxa de câmbio real e, deste modo, analisar a evolução de uma divisa em termos de poder de compra relativo entre dois países.

    Ao pesquisar sobre o tema, me deparei com um estudo que confirma a validade da hipótese de PPC para alguns países da América Latina. Nesse estudo, se encontrou evidência estatística de estacionaridade das séries de taxa de câmbio real efetiva para o Chile e o Peru. Deixo a dica de uma literatura adicional sobre o tema:

    http://www.ufjf.br/poseconomia/files/2014/09/TD010-14-Vasconcelos-e-LimaJr.pdf

  29. Giovanna Gava Says:

    Buscando mais sobre os índices de paridade do poder de compra e considerando as críticas ao mesmo, temos que uma delas seria a diferença entre os custos de produção em cada país: considerando-se que o preço relativo da mão-de-obra é diferente entre os países, o custo de produção do Big Mac teria reflexo no preço final do produto. A própria The Economist divulgou uma nova alternativa de comparação: quantos minutos são necessários para produzir um Big Mac em algumas cidades. Essa medida apresenta-se um pouco mais efetiva, dado que preços relativos locais são comparados ao invés de comparar preços relativos entre países. Porém, leva em consideração apenas a remuneração média de 14 profissões.
    Além disso, o artigo que encontrei apresenta um novo índice utilizado pela instituição australiana Commonwealth Securities Limited (CommSec) denominado Índice iPod, em que compara o custo em dólares de se adquirir o iPod Nano de 8GB em diferentes países. A diferença enunciada é a de que, como o iPod está presente em todos os países e é fabricado predominantemente na China, a comparação não seria prejudicada por diferenças de custos de produção entre os países, incluindo apenas custos de transporte e tributação. Essa seria uma alternativa, porém diversas críticas ainda podem ser feitas, como deixou claro o trabalho do grupo e os diversos comentários acima.

    Um pouco mais sobre o assunto pode ser encontrado no seguinte artigo:
    https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=4&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwidlM3KiNTPAhXCipAKHXJTD18QFggvMAM&url=http%3A%2F%2Fwww.fae.edu%2Fgaleria%2FgetImage%2F100%2F1476855866186416.pdf&usg=AFQjCNFniHMV-HY9_gOEQtEZ62zmxof5IQ&bvm=bv.135475266,d.Y2I

  30. Guilherme Kermentz Ferraz Costa Says:

    Muito interessante o post dessa semana. De fato, o conceito de paridade de poder de compra (PPP) é muito útil para se entender melhor o que, de fato, é o poder de compra de uma moeda, quando a comparada àquelas de outros países.

    Embora as interpretações literais da PPP não se confirmem no Brasil, esse modelo tem valor enquanto instrumento para compreensão de princípios de determinação da taxa de câmbio, de modo que não ele não deve ser abandonado. Em outras palavras, existe uma assimetria entre explicação e previsão para a PPP.

    Tal defeito, contudo, existe também para os modelos importante, como o de competição de perfeita, cujas hipóteses quase nunca se confirmam no mundo real.

    Assim, acho que devemos “pegar leve” com as críticas a teoria de PPP.

  31. Maria Eduarda Pastorello Says:

    A Paridade do Poder de Compra é um conceito que faz mais parte de nosso cotidiano do que imaginamos, pois é extremamente comum nos pegar pensando o quanto nosso salário valeria em determinado país ou, então, quantos carros conseguiríamos comprar em dado país com o valor do nosso carro aqui no Brasil.
    Sendo assim, a PPC é útil para compreender o real valor das moedas ao comparar produtos comuns no valor das moedas locais. Ela é calculada com base em uma ampla gama de bens de consumo e relaciona a moeda com o valor dos produtos e serviços que ela pode comprar em determinado país.
    No entanto, uma análise sobre a validade da PPC absoluta no Brasil rejeitou a hipótese de PPC em relação ao dólar no período analisado. Segundo consta na pesquisa, as séries de taxa de câmbio real não são estacionárias em nível, mas sim, em primeiras diferenças, sendo séries integradas de ordem um, mesmo levando-se em consideração a presença de quebras estruturais. Portanto, segundo a conclusão da pesquisa, as taxas de câmbio real utilizadas tornam-se estacionárias apenas no curto prazo, mas não no longo prazo, de modo que não encontraram evidências empíricas para a validade da paridade do poder de compra absoluta.

    Wanzeller, D. M.; Gadelha, S. R. de Brito; “Paridade do Poder de Compra no Brasil: Uma Investigação Empírica”; 2014.

  32. Isabela Graciliano Says:

    Pesquisando sobre a validade da PPC para o Brasil, encontrei um artigo que discute a sua validade nos países da América Latina: Os resultados da análise da validade da hipótese da PPC em sua versão absoluta mostrou que para a amostra de cinco países da América Latina (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru) que apresentaram linearidade em suas séries, apenas para os países Chile, Peru se encontrou evidência estatística de estacionaridade das séries de taxa de câmbio real efetiva, confirmando a validade da hipótese de PPC para estes países.

    http://www.ufjf.br/poseconomia/files/2014/09/TD010-14-Vasconcelos-e-LimaJr.pdf

  33. Caio César Cardoso Ribeiro Mortean Says:

    O que eu entendo da PPC é que a taxa de câmbio entre 2 países é igual à relação entre os níveis de preços internos. Isso significa que, se reduzir poder interno, isso se relaciona diretamente à uma depreciação da moeda no mercado de câmbio. Apetece-me dizer também que a PPC tem alguns usos muito relevantes, como por exemplo comparar o PIB entre países, mas com menores distorções nessa comparação.

    Por último, e que me atraiu desde antes do curso de Monetária, é o Índice Big Mac. O índice Big Mac foi criado na década de 1980 dado a globalização que a rede de fast food McDonalds se mostrava no mundo. Ou seja, nada melhor do que pegar um produto comum, que se vende em uma quantidade enorme de países e partir do princípio que ele deve custar o mesmo no mundo todo, logo, deveria custar o mesmo preço em qualquer lugar SE a PPC fosse válida entre os países. É uma das abordagens práticas mais legais da Paridade do Poder de Compra.

  34. Pedro Violante Says:

    Em relação à Paridade do Poder de Compra, é interessante as considerações do artigo “Co-integração e Taxa de Câmbio: Testes sobre a PPP e os Termos de Troca do Brasil de 1855 a 1990” de autoria de Álvaro Antônio Zini Júnior e Regina Célia Cati acessível por meio do seguinte link: http://ppe.ipea.gov.br/index.php/ppe/article/view/831

    Nesse artigo, os autores aplicam econometria de séries temporais para discutir a validade da hipótese da PPP como explicação para a taxa de câmbio real no longo prazo, além de testar a hipótese de que as variações na taxa de câmbio real se ajustam a mudanças nos termos de troca do país. Em relação à PPP absoluta, os resultados dos testes não a validam.

    O artigo ainda conclui que é válida a ideia de que as mudanças nos termos de troca devem ser consideradas nas políticas cambiais em países em desenvolvimento como maneira de complementar outros critérios, tais como os da PPP.

    A relevância de artigos como esse e os demais disponibilizados nos comentários acima se dá à medida que nos permite analisar aplicações da teoria apresentada em sala de aula. A discussão levantada pela apresentação de tais artigos promove a continuação do estudo e auxilia portanto na fixação do conteúdo.

  35. Daniel Tannous Costa Says:

    A paridade de juros foi citada no final do artigo como uma outra abordagem para explicar os movimentos da variável juros. Essa abordagem possui alguns problemas quando tenta explicar fenômenos recentes no Brasil. No período eleitoral de 2014 houve várias variações especulativas do câmbio graças a expectativas relacionadas ao resultado da eleição, e no final do período o poder de compra do real em relação ao dólar havia diminuído. Depois da eleição o câmbio explode, chegando a patamares superiores a R$4,00 e o que se tem nos juros reais é a permanência dele no mesmo patamar, perto dos 4%.
    Uma explicação pode ser o poder das expectativas, que eram negativas com relação a economia real no período, que acabaram por cravar uma desvalorização cambial. Essa caso é mais um exemplo de situação que mostra os limites do poder explicativo de uma teoria quando ocorrem fatos não tratados que passam a ter impacto significante no objeto a ser explicado.

    fonte:https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2015/07/19/inflacao-juro-real-e-salario-real-rendimento-do-capital-r-rendimento-do-trabalho-g/


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