F-Ecec: Paridade do Poder de Compra

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Para se comparar duas economias, diversas são as abordagens adotadas, como a o PIB bruto de cada um deles, a inflação obtida em dado período de tempo ou então o nível de renda. Porém, quando se trata de comparar os produtos e seus preços entre economias diferentes o que usamos é a chamada Paridade de Poder de Compra (PPC no Brasil, PPP na sua sigla em inglês). A teoria da PPC foi formulada pelo economista sueco Cassel (1922) e fala que, basicamente, dois bens iguais devem ter o mesmo preço se comparados em uma mesma moeda (em geral o dólar).

Um bom exemplo dessa comparação pode ser feito com o Playstation 4, da Sony. Quando lançado, no começo do ano de 2014, seu valor no Japão (país sede da empresa) era de 40 mil Yens. À época, a relação cambial entre o Yen e o Real era de aproximadamente Y$46,00 Yens para cada R$1,00. Fazendo-se a conversão pura temos que o mesmo produto, ao preço praticado no Japão, deveria valer R$840,00. Contudo o que se via no Brasil no mesmo período era que o valor do console saia pela bagatela de R$4000,00. Ou seja, algo estava errado em relação a Paridade do Poder de Compra desse produto.

A partir dessas comparações de possíveis PPCs, alguns produtos, comercializados e difundidos por muitos países, podem ser usados como referência no cálculo desse índice. É o caso do Índice Big Mac e do Índice Iphone. Com 30 anos de existência e feito pela conhecida revista ‘The Economist’, o índice Big Mac mostra o preço de um Big Mac nos países pesquisados (em dólar) frente ao preço praticado nos EUA. Se o preço em determinado país estiver maior que nos EUA, mostra que a moeda está sobrevalorizada em relação ao dólar e o seu poder de compra é menor, e vice-versa.

f-ecec-grafico-ppc

Para o caso brasileiro temos um artigo (Palaia & Holland) que testa, por meio de procedimentos econométricos, a validade da paridade do poder de compra. Segundo os autores, o resultado é que não é válida a versão absoluta da paridade do poder de compra que diz, considerando a não existência de custos de transação e que os bens são homogêneos, que o valor da moeda de um país é completamente determinado pela razão entre o preço doméstico e o externo.

A não validade pode ser explicada pela existência de bens não transacionáveis (non tradables), que compõem os índices de preços, além dos próprios custos de transação, como por exemplo o custo de transporte ou então os diferentes impostos que percebemos em cada local. Os bens non tradables não são comercializados no mercado internacional, o que impede a arbitragem de se tornar o preço igual quando colocados na mesma moeda.

Portanto, apesar do fato de a paridade do poder de compra não ser válida em sua forma absoluta, quando pegamos os índices mainstream, como o Big Mac e o Iphone, percebemos uma certa relação com os índices de preços e a taxa de câmbio praticada no Brasil nos últimos anos, haja visto que em qualquer dessas abordagens o Brasil, ou mais especificamente o Real, se mostra em defasagem se comparado ao dólar.

https://economia.terra.com.br/operacoes-cambiais/pessoa-fisica/entenda-como-e-calculada-a-paridade-de-poder-de-compra,05b62ebe54082410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

http://blog.rico.com.vc/bid/76106/Poder-de-Compra-X-Taxa-de-C-mbio

http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=indicators&id=123

(Palaia & Holland) –http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502010000100001

http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/com-desvalorizacao-do-real-brasil-cai-para-14-posicao-no-indice-big-mac.html

http://www.infomoney.com.br/blogs/investimentos-bem-pensados/post/3818331/quanto-alta-dolar-afetou-nosso-poder-compra

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28 Respostas to “F-Ecec: Paridade do Poder de Compra”

  1. Patrícia Aparecida de Almeida Says:

    Como mencionado no texto, para comparar duas ou mais economias, são escolhidos alguns produtos que formariam uma “cesta internacional”. Para isso, para cada país, o preço da cesta em moeda local é comparado ao preço da mesma em dólares americanos nos EUA, que é adotado como referência. mas é justamente por essa estimativa de preço que muitos dos pesquisadores hesitam em utilizar o PPC como uma referência pois eles não flutuam de maneira uniforme e os padrões de compra e os bens disponíveis são diferente de um país para outro, fazendo com que muitos acreditem que uma cesta constante de bens não pode se utilizada para comparar e preços em diferentes países.
    Quanto ao Índice Big Mac, ele foi criado pela revista The Economist, sendo uma pesquisa comparada semestralmente que considera o sanduíche como uma cesta padronizada de bens produzidos localmente, já que, no mundo inteiro, ele utiliza basicamente os mesmo ingredientes.

  2. Caio de Angelis Nascimento Says:

    Em relação a taxa de câmbio corrigida pela paridade do poder compra (PPC), podemos afirmar que a mesma nos fornece uma base para a realização de afirmações sobre os preços administrados em uma economia, na forma que a partir de uma “cesta” de consumo anteriormente desenhada, podemos realizar uma interpretação sobre a importância do peso dentro de uma economia dos preços administrados. Assim, quando temos como resultado uma diminuição na comparação do produto de dois países do que quando mensurados pela taxa de câmbio tradicional, podemos afirmar que o peso dos preços administrados nos países mais pobres tendem a possuir um maior peso que em países mais ricos. Desta forma, podemos afirmar que a PPC é uma medida artificial das taxas de câmbio.

  3. Ana Paula Santos Says:

    Partindo do estudo do livro texto, Mishkin aponta que a Teoria da Paridade do Poder de Compra (PPC) muitas vezes tem pouco poder de previsão no curto prazo. Nesse sentido, mesmo que a PPC forneça uma orientação para os movimentos de longo prazo das taxas de câmbio, este não é perfeito no curto prazo.
    Algumas explicações para esse fato são apresentadas, tais como: pressupõe-se que todos os produtos são idênticos em ambos os países em questão, além de supor que custos de transporte e barreiras comerciais são muito baixas. Além disso, a teoria da PPC não leva em conta que muitos bens e serviços não são comercializados através de fronteiras, logo, se o preço de determinados bens aumentarem, levando a um maior nível de preços em relação a outro país, não haveria um efeito muito direto sobre a taxa de câmbio.

  4. Letícia M. De Lima Silva Says:

    A Paridade do Poder de Compra (PPC) é muito usada para ajuste do Produto Interno Bruto per capita (PIB per capita), geralmente em relação ao dólar, a fim de ser possível então comparar a renda de diferentes países. O Banco Mundial divulga essas medidas e páginas da internet como a Trading Economics disponibilizam dados atualizados referentes a essa medida para diversos países. O Brasil, por exemplo, alcançou em 2015 um PIB per capita ajustado pela PPC de US$14.454 frente aos US$52.549 dos Estados Unidos para o mesmo período, resultado pouco mais de três (3) vezes maior.

    Referência:
    http://www.tradingeconomics.com/brazil/gdp-per-capita-ppp
    http://www.tradingeconomics.com/united-states/indicators

  5. Monique Saiani Camargo Penteado Says:

    Como dito acima no texto, a paridade do poder de compra é muito utilizada para efetuar comparações internacionais ao nível do poder de compra e bem estar social existente em diferentes países. Porém, como é possível saber se a moeda de um país está valorizada ou não? Há esforços importantes para se determinar o quanto e, um desses esforços, segue a linha da paridade do poder de compra (PPC ou PPP em inglês, purchasing power parity).  Segundo definição do FMI (What is a “purchasing-power-parity (PPP)” exchange rate?), a PPC entre 2 países é uma taxa de conversão entre as moedas envolvidas, como a taxa de câmbio. Contudo, essa taxa implica na conversão de quanta moeda do país 1 seria necessária para se adquirir a mesma quantidade de bens no país 2. Normalmente essa PPC é medida em unidades de dólar, de maneira que se podem calcular diversas PPC entre países, dado os preços dos produtos em dólar.

  6. brunoramacini Says:

    O mais interessante sobre o tema Paridade do Poder de compra são os equívocos cometidos pela grande maioria das pessoas na hora de viajar para o exterior e adquirir bens como roupas, perfumes e eletrônicos.
    Nós acreditamos que, por termos uma moeda mais fortes sobre alguns países (ok, a maioria não muito interessantes para um passeio), podemos adquirir produtos mais baratos do que no mercado doméstico, porém na hora de decidir, pela PPP, devemos levar em conta fatores como PIB per capita, diferenças na renda e também o custo de vida em cada região.
    Logo, na hora de viajarmos deveríamos sempre levar em conta o poder de compra do real frente ao das moedas estrangeiras.

    • Laura Tanganelli Says:

      Um erro muito comum também é as pessoas analisarem somente o câmbio na hora de viajar, e se esquecendo da inflação do país de destino, o que pode causar uma falsa impressão de valores.
      Caso a inflação do país de destino tenha sido maior que a inflação do país de origem, haverá um encarecimento dos produtos no país destino, afetando a PPP também.

  7. Laura Paschoin Says:

    Como foi dito em sala de aula, a PPP ou PPC, é uma teoria que explica as relações e comportamentos das variáveis preço e taxa de cambio nominal. A PPP nos indica o que vai acontecer com o câmbio real (competitividade) no longo prazo, de forma que observa como a formação dos preços relativos está conectada com a produtividade. Quanto mais barreiras forem impostas ao comércio internacional, maior o impedimento da formação do equilíbrio de mercado (formação dos preços domésticos), interferindo no câmbio real de longo prazo. Fica mais difícil de encontrar o resultado que a PPP indica.
    No caso brasileiro não há evidências favoráveis à PPP, pois não existe uma proxy no mercado brasileiro que explique bem essa teoria. Um dos motivos para que essa proxy não seja adequada, é que no Brasil não existe um índice de preços somente para os produtos comercializáveis. O IPCA por exemplo, também incorpora bens não comercializáveis entre países, como os serviços, não satisfazendo como métrica mais adequada. Alguns economistas argumentaM que o IPA (Índice de preços por atacado) seria uma medida mais adequada, mesmo assim estaria longe de uma análise conveniente para o PPP. Em países desenvolvidos, esse índice existe, por isso fica mais fácil observar evidências favoráveis à PPP entre eles.

  8. Herbert Huber Says:

    As hipóteses da teoria da Paridade do Poder de Compra (bens homogêneos, ausência de custos de transação) embora fortes, são necessárias para a PPC servir como base de comparação mais facilmente mensurável. Porém, é perceptível notar que os custos de transação são existentes, e podem ser muito significativos. Como no exemplo do texto, de acordo com a sony, 60% à 70% do preço do Playstation 4 no Brasil vem de impostos. Caberia então verificar como a taxa de câmbio é afetada por tais barreiras significativas (se é que é afetada).
    http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2013/10/ps4-do-brasil-e-o-mais-caro-do-mundo-veja-comparacao-com-o-xbox-one.html

    • Giordano Di Giorgio Says:

      Aliado ao que foi apontado pelo colega Hebert, pode-se dizer também, que a PPC é melhor observada para bens comercializados entre países mais desenvolvidos, ou seja, aqueles que tem características comerciais e transacionais semelhantes. Deste modo, como discutido em sala de aula, comparando-se países com uma diferença maior no quesito de crescimento econômico, notaremos incapacidade de a PPP demonstrar as relações de preço entre tais países. Assim, se conseguirmos compensar essa disparidade na nossa conta, seria possível representar um cálculo mais adequado para a Paridade de Poder de Compra e relaciona-lo com produtos homogêneos, como o Playstation e iPhone.

  9. Luiz Henrique F. Ambrósio Says:

    Como dito no texto o índice Big Mac pode ser usados como referência no cálculo da paridade do poder de compra.
    A “Economist”, diz que o objetivo do índice Big Mac não é ser preciso, mas tornar mais fácil entender as taxas de câmbio.
    Este índice só calcula o valor necessário para comprar o lanche, enquanto cálculos tradicionais consideram vários produtos de consumo, como os da cesta básica.
    O mais recente índice indica que a maioria das moedas está significativamente desvalorizada perante a moeda dos Estados Unidos.
    A revista ainda destaca que a política monetária na zona do euro e no Japão provocaram uma desvalorização de 19% do euro e de 37% do iene contra o dólar. Já nos países exportadores de commodities, como a Rússia e o Brasil, a desvalorização das moedas tornou os produtos nacionais mais competitivos no mercado internacional.
    (http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/com-desvalorizacao-do-real-brasil-cai-para-14-posicao-no-indice-big-mac.html).

  10. João Augusto Stoffalette Clara Says:

    Apesar de Palaia & Holland contestarem a validade da paridade do poder de compra em sua versão absoluta, vimos no curso de Macro III que comparar simplesmente produtos pela taxa de câmbio de mercado criamos um problema de subestimação da renda relativa dos países em desenvolvimento, quando fazemos a comparação, vemos que o PIB do país mais pobre é mais baixo do que deveria. Os problemas dessa subestimação são os preços dos bens comercializados, que não podem ser exportados como o corte de cabelo por exemplo, são mais baratos em países em desenvolvimento e mais caros em países desenvolvidos. Além disso, os preços dos bens comercializados em relação a bens não comercializados tendem a ser mais altos em países pobres.
    Quando corrigimos a taxa de câmbio pela PPC, igualamos o preço da uma cesta representativa, em cada país. Então, quando fazemos a comparação encontramos um valor melhor, que atenua a subestimação causada antes.

    WEIL, D. N. The Facts To Be Explained, Cap. 1 In: Economic
    Growth. Harlow: Pearson Education Limited, 2013

  11. Henrique Kawakami Says:

    É interessante mencionar que o poder de paridade de compra, ajuda a calcular o real valor de uma economia em relação a outra. O que acontece é que ao comparar um país com o outro apenas utilizando bens comercializáveis tem-se uma relação que não reflete a realidade, pois dentro de um país existem bens que não podem ser comercializados, como um corte de cabelo. Assim para realizar a real comparação de PIB per capita entre os países é necessário utilizar uma cesta que combine tanto bens comercializáveis como não comercializáveis.

  12. Gabriel Akel Abrahão Says:

    Segundo a pesquisa de BRETAN, conduzida na FGV, a Paridade de Poder de Compra (PPC) é regida pela Lei do Preço Único (LPU), ou seja, os bens e serviços comercializados em diferentes mercados internacionais, devem devem ser os mesmos quando expressos na mesma moeda, em todos os países. Portanto, os índices de preço relevantes (como citado pelo grupo, Índice Big Mac e o Índice iPhone) seriam aqueles compostos por bens comercializáveis internacionalmente.
    Por trás da PPC pela LPU há diversas hipóteses. Algumas delas são: a) bens e serviços devem ser homogêneos e produzidos sob as mesmas condições, b) ausência de custos de transação, c) ausência de restrições tarifárias, d) ausência de custos de transporte. Na ausência destas condições, arbitragem internacional garantiria a validade da PPC pois caso o preço em moeda estrangeira de um certo produto em determinado país exceda o preço nesta moeda em algum outro país, haverá uma oportunidade de ganho para os agentes econômicos através da compra do bem no primeiro país para revenda no segundo país.
    Segundo o autor, no caso brasileiro, há a rejeição da Teoria do PPC. O mais curioso é que essa rejeição também é valida para o período pós-Plano Real, período em que a moeda brasileira apresenta uma paridade nominal com o dólar americano (a taxa era aproximadamente 1 para 1). O que nos mostra que para uma efetiva PPC, devemos levar em consideração fatores além da taxa de cambio.

    link: https://goo.gl/KgxUlX

  13. Lucas Negreiros Says:

    Acho que fica claro a não validade do PPC no caso brasileiro devido à quantidade de artigos publicados que contestam sua validade (coloquei outro artigo que contesta a validade no fim do comentário)… e acho que a não validade no caso brasileiro decorre dos próprios pressupostos em que o modelo se baseia. Em nosso livro texto é afirmado que no longo prazo os custos de transação são baixos, porém sabemos que existem problemas de barreiras entre diversos países, o que já torna nossa teoria extremamente simplificada. Ainda é apontada a hipótese de bens homogêneos que, no próprio livro, é tratada como não sendo razoável. E, ainda, o próprio autor aponta que a teoria não lembra que alguns bens e serviços não são possíveis de serem comercializáveis.
    Além disso, acho que podemos somar que as cestas de consumo entre os diversos agentes em diferentes economias são significativamente distintas devido à própria capacidade produtiva dos diferentes países e também por causa dos gostos dos agentes.

    http://www.anpec.org.br/revista/vol5/vol5n3p75_116.pdf

  14. Thiago Barbosa Caridade Says:

    Vale lembrar que a existência da medida taxa de câmbio é fruto da realização de transações de compra e venda entre os países, devendo existir um método de conversão entre as moedas domésticas e estrangeiras. Desse fato, vemos que a PPC faz esse papel de criar uma relação entre as moedas, e indo além, cria uma relação entre cestas de consumo entre os países.
    Essa relação tem seu ponto de partida na Lei do Preço Único, que determinaria que produtos iguais, ignorando-se os custos de transação, deveriam ter o mesmo preço mesmo em países diferentes. Criando uma relação que ditam que se o nível de preços de um dado país aumenta, e por consequência sua cesta se torna mais cara, o câmbio desse país tenderá a sofrer uma desvalorização.
    Em um estudo que pesquisou a validade da PPC no Brasil, no período que vai de 1995 a 2010, concluí-se que a não validade da PPC em sua versão absoluta, e a uma aceitação da versão da PPC relativa no período analisado

    link: http://www.regen.com.br/ojs/index.php/regen/article/view/931/638

  15. Heitor de Almeida Says:

    A teoria da paridade de poder de compra é expressa por duas versões. A versão mais forte (a absoluta) postula que um bem deve ter o mesmo preço em dois países se os preços forem expressos na mesma moeda. A versão relativa da PPC expressa que a razão dos preços de um bem na mesma moeda deve ser constante ao longo do tempo. Assumindo que não existem custos de transação e que os bens são homogêneos, a versão absoluta da paridade de poder de compra postula que, no longo prazo, o valor da moeda de um país é completamente determinado pela razão entre o preço doméstico e o preço externo. (http://www.scielo.br/pdf/ecoa/v14n1/a01v14n1.pdf)

  16. Danielle Sandrini Says:

    Segundo Mishkin, a teoria da paridade do poder de compra pode ser pensada, dentre três formas, como a taxa real de troca. Nesta ele discute o exemplo da diferença de preços que se da na paridade do poder de compra e o por que que esta não é suficiente para explicar a taxa de troca. No longo prazo, a teoria responde o nível de preços diferentes, porém no curto prazo tem-se o não ajustamento instantâneo do cambio repassado para os preços, discutido pelos autores do primeiro artigo listado abaixo. Isso porque, segundo os autores, não se teria certeza se a mudança é permanente ou apenas uma flutuação momentânea. Para Mishkin, alguns bens não negociados fora dos limites considerando a taxa única de preços, dentre eles o livro cita casas, terra, serviços como restaurantes e até aulas. Esta é uma das relações que pode ser auferida com os exemplos da postagem.

    1 – http://www.bnb.gov.br/projwebren/Exec/artigoRenPDF.aspx?cd_artigo_ren=139

  17. Tales Costa Says:

    A teoria da Paridade do Poder de Compra é uma das mais conhecidas na determinação da taxa de câmbio. Em sua versão absoluta ela declara que taxas de câmbio entre duas moedas quaisquer se ajustarão para refletir mudanças nos níveis de preço dos dois países. Entretanto, a formulação dessa teoria está embasada em algumas suposições que não encontrem validade empírica. A primeira é que os bens produzidos em dois países são idênticos e a segunda é que os custos de transação e as barreiras comerciais entre eles são muito baixos. Quando essas suposições são verdadeiras, a lei do preço único declara que o nível relativo de preço entre os países irá determinar a taxa de câmbio. Porém, um simples exemplo do capítulo com carros Toyota e Chevrolet mostra que para a maior parte dos casos essas suposições não são razoáveis. Além disso, a PPC não considera que muitos bens e serviços cujos preços estão incluídos na medida de nível de preço de um país não são comercializados através das fronteiras (não são exportados/importados, como um corte de cabelo, terras, casas, etc). Por isso, mesmo que os preços desses itens cresçam e levem a um maior nível de preços relativo em relação a um outro país, haverá um efeito direto pequeno na taxa de câmbio, essa é a explicação encontrada no Mishkin para a não validade empírica da teoria da PPC absoluta.

  18. Tatiane Walder Cerri Says:

    A paridade do poder de compra (PPC) é muito útil para comparações internacionais, mede quanto uma determinada moeda poderia comprar se não fosse influenciada pelas razões de mercado ou de política econômica que determinam a taxa de câmbio. Vários fatores fazem com que o preço de um mesmo produto varie de um país para o outro, como por exemplo a inflação interna, preços de importação, diferenças de produção e de impostos. Consequentemente, o custo de vida desses países varia. O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulga uma lista dos países com maiores PIBs per capita calculados pela PPC. Para o ano de 2016 o FMI estimou uma queda do PIB per capita brasileiro, depois de ter atingido seu auge em 2014. Mais detalhes podem ser lidos no seguinte artigo:
    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,pib-per-capita-retrocede-cinco-anos,10000056666

  19. Daniela Lourenço Says:

    Sobre a paridade do poder de compra no caso do Brasil, “segundo estimativas do FMI, a renda per capita do brasileiro (medida em paridade do poder de compra) recuou de US$16,2 mil, em 2014, para US$15,7 mil, em 2015, o equivalente a 90% do rendimento médio dos 24 países considerados emergentes pela instituição. Esse é o menor patamar registrado desde o início da série histórica do Fundo, em 1980. A paridade do poder de compra é uma medida usada em comparações internacionais, por refletir melhor o custo de vida dos países. Mensurado dessa forma, o poder de compra do brasileiro esteve por muitos anos acima da média dos emergentes. Desde meados da década passada – com o forte avanço da renda em nações como China e Índia – a situação do Brasil em relação ao grupo passou a ser de equiparação. Mas, com a forte desaceleração da economia brasileira nos últimos anos, o país tem sido deixado para trás. O FMI espera que, em 2020, a renda per capita do Brasil (em PPC) atinja US$18mil, o que representará pouco mais de 80% da média dos emergentes (US$21,6 mil), se a projeção se confirmar.”

  20. Franco B. Conceição Says:

    O tema da paridade de poder de compra, como dito por alguns, é algo que gera muitas dúvidas em leigos por não entender realmente o equiparamento de moedas, e o quê a diferença entre seu valor e o valor real querem dizer. Trazendo algo que aprendi no curso de Macro III, calcular a PPC por amostragem de cestas entre dois países não é algo complexo de se fazer, mas mostra com exatidão como é diferente o esperado do real.
    Outro detalhe que me chamou atenção na explanação do artigo foi o gráfico ”big mac”, o que teria levado ao cruzamento das curvas de PPC e de câmbio em 2007, e por que houve uma nova aproximação em 2014 das curvas? Vemos que a curva de PPC mostra um leve crescimento ao longo dos anos, enquanto a curva de câmbio segue seu curso a partir das várias determinações que vimos em sala de aula. Também observo que aparentemente, ambas as curvas não apresentam um padrão de movimentação contínuo, nem de oposição..

  21. Ana Flávia Abackerli Says:

    Como apresentado no artigo, devemos entender que paridade poder de compra e taxa de câmbio, embora se relacionem, devem ser apresentada como coisas distintas. A primeira mede o poder real de compra, enquanto a segunda mede a o quanto uma moeda vale em termos de outra moeda. A paridade poder de compra tende a ser mais estável que a taxa de câmbio de um país.
    O índice Big Mac apresentado tanto no artigo que usei tanto no artigo apresentado, nada mais é que a Lei do Preço Único aplicado a Teoria da Paridade do Poder de Compra, apresentado no Miskin, para produtos idênticos em diferentes países.
    Quando a paridade está acima do câmbio, é mais barato consumir no exterior. Assim como apresentado, em 2014, mesmo com a alta do dólar, a paridade ainda estava acima do câmbio, o que significa que ainda compensava para o brasileiro consumir no exterior.
    link: http://www.infomoney.com.br/blogs/investimentos-bem-pensados/post/3818331/quanto-alta-dolar-afetou-nosso-poder-compra

  22. Felipe Lyra Says:

    Em uma abordagem mais austríaca que concorda com a teoria da PPC, achei um trecho interessante que pode complementar a ideia dos non-tradables ” O poder de compra de uma moeda tenderá a ser sempre uniforme, embora a oferta de bens em um lugar e os desejos dos consumidores em um lugar sejam diferentes dos desejos do consumidor em outro. Portanto, é fácil explicar porque, digamos, o preço do pão no Recife é mais alto do que o preço do pão em Caruaru. Porque são dois bens diferentes: um está mais perto do consumidor de Recife, que tem toda uma gama de bens e serviços diferentes à sua disposição em relação ao consumidor de Caruaru. Isso, no entanto, não invalida o fato de que o poder de compra de uma moeda tende a ser uniforme.”

    http://www.libertarianismo.org/index.php/artigos/introducao-teoria-monetaria-austriaca/

  23. Tiago Pedro Says:

    Como mencionado acima, a paridade do poder de compra seria melhor vista entre países desenvolvidos. Como também esta citado no texto, ha custos de transação quando comparamos a paridade do poder de compra entre diferentes países. Quando se observa os índices, deve-se atentar para o fato de que existem impostos diferentes entre os países, assim como custos de mão-de-obra, custos de transporte e até da matéria-prima para se fabricar produtos. E essa é a principal crítica feita do uso de índices como o Big Mac ou até mesmo outro índice chamado Índice Iphone. Por isso cabe um pequeno adendo ao artigo, pois a The Economist com base nessas críticas divulgou uma nova alternativa de comparação: quantos minutos de trabalho são necessários para adquirir um Big Mac em algumas cidades. A pesquisa revela uma mudança de preços relativos entre salários e o preço do sanduíche. Esse método foi considerado como melhor em relação ao Índice Big Mac Simples, porém sua amplitude ainda e baixa.
    Fonte: http://www.fae.edu/galeria/getImage/100/1476855866186416.pdf

  24. Matheus Albino Says:

    Embora os estudos empíricos da PPP para o caso brasileiro não apresentem evidências que corroborem à sua validade, devido a inúmeros fatores como os custos de transação e inexistência de proxy adequada para o nível de preços que não incorpore os bens não comercializáveis, existe uma bibliografia que testa a validade da PPP para países da América Latina e encontram evidências somente para países como Peru e Chile. Ainda que os países da AL compartilhem importantes similaridades históricas e econômicas, como períodos de alta inflação e abertura comercial na década de 1980 que levariam a uma verificação da validade da PPP para vários países, o resultado vai de encontro com o que seria esperado.

    Artigo sobre os resultados para a AL: http://www.ufjf.br/poseconomia/files/2014/09/TD010-14-Vasconcelos-e-LimaJr.pdf


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