F-ECO: O que são e como funcionam as Políticas Macroprudenciais?

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“Políticas macroprudenciais são medidas que visam fortalecer o sistema financeiro, reduzindo o risco tipicamente procíclico do mesmo. Esse comportamento ocorre porque em períodos de expansão econômica, há incentivos para demasiada expansão do crédito, elevando o risco das operações. Seu objetivo final é suavizar o risco no tempo, ao conter expansões de crédito em períodos de boom e assegurando a liquidez em períodos de contração.

Os instrumentos podem ser separados em dois grupos: os de dimensão temporal, que buscam conter a prociclicidade do risco, e os de dimensão cross-section, onde objetiva-se controlar esse risco em um dado momento, considerando a contribuição de cada instituição financeira para tal. Dentro do primeiro grupo são utilizados os seguintes instrumentos:

  • Provisão de perdas para devedores duvidosos, de forma que o risco de empréstimos seja minimizado;
  • Requerimentos mínimos de capital, utilizados de forma anticíclica, para que eles sejam mais elevados em períodos de expansão e mais baixos em períodos de contração, elevando e reduzindo o fluxo de crédito de acordo com a conjuntura;
  • Recolhimentos compulsórios: Instrumento capaz de influenciar a capacidade de empréstimo dos bancos. Também deve ser utilizado de forma anticíclica.
  • Loan-to-value ratio: Razão entre o valor dos ativos emprestados e o colateral. A razão tende a diminuir nas fases de expansão e aumentar nas fases de contração. A regulamentação teria como objetivo tornar a avaliação do colateral menos sensível ao preço do ativo;
  • Descasamento de moedas: Evitar o descasamento de moedas tem o intuito de fortalecer o sistema financeiro, principalmente para países com moeda internacionalmente fraca, uma vez que o endividamento externo é procíclico.

Em relação ao segundo grupo, destacam-se medidas para regular o capital dos bancos, com enfoque nas operações de ativos e passivos das instituições.

Políticas Macroprudenciais no caso brasileiro

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No caso do Brasil, observa-se a utilização de políticas macroprudenciais no período imediatamente anterior à eclosão da crise. Naquele período, ainda de expansão econômica, o Banco Central aumentou os recolhimentos compulsórios devido a aceleração das operações de crédito, buscando impedir seu crescimento desenfreado. Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros manteve-se elevada, como forma de controlar as pressões inflacionárias.

Com a deflagração da crise, o recolhimento compulsório mais uma vez foi utilizado como ferramenta para manter a saúde do mercado financeiro. Dessa vez, percebe-se o processo de queda do mesmo, com o intuito de resguardar a liquidez dos bancos no cenário de crise. Paralelamente, a SELIC começa uma trajetória de queda.

Em um terceiro momento, no começo de 2010, o Banco Central do Brasil considera que o sistema financeiro está seguro e portanto, mantendo a lógica de uma política macroprudencial anticíclica, os recolhimentos compulsórios voltam a aumentar e a SELIC também começa um movimento de elevação.

Assim, podemos ver que a relação entre políticas macroprudenciais e política monetária no caso brasileiro é de fato complementar, uma vez que ambas foram utilizadas de forma conjunta para, ao mesmo tempo, manter a inflação sob controle, através das taxas de juros, e manter o sistema financeiro protegido do risco, na medida do possível, por meio da movimentação do recolhimento compulsório.

A crise ensinou que o uso de um único instrumento de regulação é insuficiente, forçando a política monetária a olhar para outros aspectos e, assim, surge o papel da medida macroprudencial, que afeta o canal de crédito.

 

Bibliografia:

INFOMONEY. Entenda melhor o que são medidas macroprudenciais e sua atuação na economia. Disponível em: <http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia>. Acesso em: 19 set. 2016.

MISHKIN, F. S. The Conduct of Monetary Policy: Strategies and Tactics, In: The Economics of Money, Banking and Financial Markets. Cambridge: Pearson Publishing, 2012. p. 399

OLIVEIRA, G.C.; ROLIM, L.; BLIKSTAD, N. Regime de metas para a inflação e medidas macroprudenciais: uma análise à luz da experiência brasileira recente (2008-2013). Revista Pesquisa & Debate, São Paulo, v.27, n.1, p. 27, mar. 2016.”

 

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40 Respostas to “F-ECO: O que são e como funcionam as Políticas Macroprudenciais?”

  1. Arthur Della Vecchia Says:

    Julgo ser importante destacar aqui mais detalhadamente as medidas macroprudenciais adotadas pelo BCB após a crise financeira de 2007/08 (que teve seus efeitos mais graves no Brasil em 2008/09). Apresento as principais políticas abaixo, em ordem cronológica, comentando sucintamente cada uma:
    -19 de dezembro de 2008: liberação de reservas compulsórias (exigibilidade adicional e depósitos a prazo), a fim de garantir a liquidez interna para reduzir o risco de calote entre devedores e credores e promover a desconcentração de liquidez pela criação de incentivos para aquisição de ativos de bancos de pequeno e médio porte;
    -23 de dezembro de 2008: regulação da política de redesconto, pela qual as operações de redesconto passaram a ter prazo de até 359 dias, dando assim maior tempo aos bancos comerciais para quitarem sua dívida junto ao Banco Central;
    -31 de março de 2009: criação do Depósito a Prazo com Garantia Especial do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), impondo limites de $20 milhões por depositante em cada banco, visando levar à recuperação das emissões de instituições de menor porte;
    -03 de dezembro de 2010: elevação do adicional do compulsório de 8% para 12% e aumento do requerimento mínimo de capital para empréstimos consignados de 11% para 16,5%, a fim de mitigar riscos identificados no mercado creditício ao conter a forte expansão do crédito, principalmente nas modalidades de empréstimo consignado e financiamento de veículos;
    -09 de julho de 2013: reconhecimento da apuração do crédito presumido oriundo de créditos tributários, com o Tesouro Nacional passando a garantir com títulos públicos federais estes créditos em caso de insolvência das instituições financeiras, contribuindo para a manutenção da capitalização dos bancos brasileiros;
    -30 de setembro de 2013: alteração nas diretrizes do crédito imobiliário, elevando os valores dos imóveis que podem ser financiandos no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), além de elevar o percentual a ser financiado, objetivando a melhor regulação do mercado de crédito imobiliário;
    -20 de dezembro de 2013: normatização da portabilidade do crédito, com o devedor passando a poder transferir suas operações de crédito para outra instituição financeira, de acordo com as condições de pagamento mais favoráveis que o cliente possa usufruir, visando elevar a eficiência do Sistema Financeiro Nacional;
    -28 de dezembro de 2014: mensuração do percentual exigido de Adicional do Capital Principal (ACP) que compõe as exigências dos níveis mínimos de capital, estabelecendo que deve ser decidido pelas autoridades reguladoras nacionais sobre o momento de acionamento dos estoques de capital, assim como o percentual de exigência, visando elevar a solvência das instituições financeiras.

    Fontes:
    http://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/viewFile/2726/3088
    http://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/wps202.pdf
    http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/130222/000975171.pdf?sequence=1

  2. Diego Domingues Says:

    Acredito que é interessante o fato das políticas macroprudenciais afetaram dois aspectos: a oferta de moeda, como colocado em destaque pelo grupo através do uso de recolhimento compulsório, mas também a demanda por ativos, uma vez que a taxa de juros é utilizada também, exposto pelo grupo no gráfico. Assim, as medidas macroprudenciais poderiam potencializar as políticas monetárias usuais, e acredito que o uso de mais de uma política macroprudencial seja no sentido de evitar efeito contágio, como, por exemplo, mesmo com um aumento das taxas de juros, se os compulsórios não acompanhassem, os bancos ainda poderiam ter incentivos a facilitar o crédito, expandindo-o, mesmo que não seja o que o Banco Central deseja. É claro que o risco sistemático pode vir de outras fontes além de um boom, como: grandes choques que afetem a economia e efeito contágio de outros mercados. O que eu não compreendi direito é se as políticas macroprudenciais têm essa característica essencial voltada para o sistema financeiro, que creio que são as políticas tratadas ao longo do post, ou se elas podem ser utilizadas para outras áreas da economia, no sentido de minimizar esses riscos.

  3. Rafael Ribas Says:

    Pelo que entendi, o intuito principal das Políticas Macroprudenciais (PM) é o de evitar potenciais riscos de instabilidade financeira sistêmica no setor bancário; elas visam corrigir externalidades e falhas de mercado.
    Tais ações devem ser complementadas por políticas monetárias, fiscal e cambial, de modo a conjuntamente, provocarem os efeitos desejados sobre a economia e portanto, limitar o risco sistêmico.
    Sobre as medidas macroprudenciais, é interessante notar que elas visam impactar a inflação sem ser diretamente via juros. Alguns exemplos de PM de acordo com o working paper do FMI (WP/14/214) são, por exemplo: (1) limites no crescimento do crédito, (2) limites de capital próprio, (3) limites de reservas e (4) criação de impostos Pigouvianos.
    As políticas macroprudenciais foram destaque no Brasil, quando por exemplo, o BCB fez intervenções para evitar o estrangulamento das operações de crédito e das operações interbancárias, objetivando minimizar os efeitos da crise externa no Brasil (como apresentado pelo comentário do @Arthur Della Vecchia).
    No entanto, de acordo com o WP do FMI, apesar de algumas análises mostrarem que as PM podem reduzir a prociclicidade e os riscos de crises, muito ainda deve ser estudado. Como por exemplo, entender quais os custos da adoção dessas medidas, uma vez que afetam a alocação de recursos e as expectativas dos agentes.
    O FMI ressalta também que, além dos desafios em medir os riscos e calibrar os instrumentos, existem as pressões político-econômicas, e portanto, as PM devem ser adaptadas de acordo com cada arranjo institucional.

    Fontes:
    http://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/td292.pdf
    https://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2014/wp14214.pdf
    http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKBN0FU15920140725

  4. Pamela Generoso Says:

    Em complemento ao post do grupo F, as medidas macroprudenciais são aquelas cujo efeito direto sobre as operações ativas e passivas das instituições bancárias ajudariam a evitar riscos potenciais de instabilidade financeira sistêmica decorrente do comportamento próciclico do sistema bancário.
    Com esse objetivo, busca-se limitar a tendência de assenção de riscos excessivos pelas instituições bancárias na fase ancendente do ciclo econômico por meio de políticas como o requerimento adicional de capital, ajustamento de fatores de ponderação de risco, imposição de limites ao descasamento de prazos e moedas, dentre outros instrumentos. Tais políticas visam articular-se com políticas macroeconômicas (monetária, cambial e fiscal) de forma a evitar o risco sistêmico.
    De forma exemplificada, podemos evitar o rsico sistêmico no mercado de crédito através da utilização destas políticas no combate a inflação. O controle sobre a oferta de crédito, afeta o consumo e desacelera a tividade econômica, de maneira que potencializa os efeitos sobre a política de juros. Quando Banco Central quer combater a inflação, ele geralmente utiliza três mecanismos: política câmbial, corte de demanda diretamente via taxa de juros e o canal de crédito. Via canal de crédito, por exemplo, ele pode aumentar o compulsório e as exigências de capital próprio dos bancos para empréstimos de longo prazo. Tais empréstimos ficarão mais caros e exigirão entradas maiores, reduzindo-se a procura por este tipo de financiamento. Portanto, as pessoas tem menores incentivos para captar empréstimos, a demanda por sua vez diminui e os preços, consequentemente, irão acompanhar o movimento, reduzindo a inflação.

    Dentro deste contexto, o boletim abaixo faz uma análise interessante das intervenções macroprudenciais no mercado de câmbio e no mercado de crédito, tomando como exemplo medidas adotadas durante o ano de 2010:
    http://www.fundap.sp.gov.br/wp-content/uploads/2014/03/boletim_economia_3_intervencoes_macroprudenciais_no_mercado_de_credito_cambio.pdf

  5. Victória Jorge Says:

    Em 2010, foram usadas medidas macroprudenciais pelo governo para diminuir o risco sistêmico do sistema bancário, servindo também como limitador da demanda. Antes da crise havia uma separação entre o papel do Banco Central para controle de preços e das autoridades de supervisão bancária. Os efeitos dos ciclos econômicos têm um efeito direto sobre o preço dos ativos, na crise os bancos se tornaram mais vulneráveis e isso levou a necessidade de algo que ligasse o funcionamento das instituições financeiras com o ciclo econômico, então as políticas macroprudenciais mudaram a regulação das instituições financeiras, atenuando o efeito ruim que o ciclo econômico pode ter sobre a decisão das instituições. Antes da crise era considerado apenas um alvo e um instrumento (a inflação e a taxa de juros), mas a crise mostrou que um único instrumento é insuficiente forçando a política monetária a olhar para outros aspectos. O Banco Central quando busca combater a inflação dispõe de três canais de política monetária: o câmbio, o corte de demanda pela taxa de juros e o crédito, de modo que as políticas macroprudenciais afetam o crédito, impactando a inflação sem ser diretamente via juros. Embora essa medida ajude as autoridades monetárias a combater a alta dos preços ela não se configura como política monetária. O governo brasileiro, durante a crise de 2008, usou a política monetária e as medidas macroprudenciais, a primeira tinha o objetivo de garantir a estabilidade dos preços e a segunda conter riscos sistêmicos do rápido crescimento do crédito e esta combinação foi apropriada para atingir o objetivo da estabilidade monetária adotado pelo Banco Central do Brasil, diferente do Federal Reserve, que se preocupa tanto com a estabilidade e com a taxa de desemprego.
    http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia

  6. Guilherme Pompeu Says:

    As Políticas Macroprudenciais viraram celebridades durante a crise dos anos de 2008 e 2009 no caso brasileiro, com as intervenções do Banco Central como provedor de reais e dólares evitando o estrangulamento das operações interbancárias e de crédito, minimizando os efeitos da crise externa. Em dezembro do ano de 2010, para suavizar a euforia no mercado de crédito, sobretudo em financiamentos de automóveis a prazos a perder de vista, o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central baixaram medidas que passaram por exigência de mais capital para operações com pessoas físicas com prazos superiores a 24 meses e consignado acima de 36 meses e aumento de compulsórios sobre depósitos à vista e a prazo.
    Em meados de 2014 o Banco Central Brasileiro entrou em cena novamente com mais uma política macroprudencial de tal forma que no período o BCB aliviou as regras do recolhimento do compulsório proporcionando assim mudanças nos fatores de ponderação de risco para o crédito ao varejo. Naquela ocasião tais medidas teriam por objetivo injetar 45 bilhões de reias na economia, o que equivaleria a 1,5% do estoque de crédito no país naquele período, que estava em 2,8 trilhões de reais.
    O Brasil é um exemplo bem-sucedido de adoção de políticas tanto macroprudenciais quanto monetárias com o objetivo de buscar estabilidade financeira e macroeconômica, segundo David Vergara, representante do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI). “No caso do Brasil, podemos dizer que o uso de ambas as políticas foi o que fortaleceu os efeitos na economia”, disse Vergara, durante o XIV Seminário de Metas para a Inflação, promovido pelo Banco Central, no Rio. Vergara lembrou ainda que os países emergentes utilizaram as medidas de forma mais intensas do que outros países após a crise. Mas alertou que ainda é difícil monitorar riscos sistêmicos à economia e avaliar quando agir para evitá-los.

    Fontes:
    http://www.valor.com.br/valor-investe/casa-das-caldeiras/3181976/bc-traz-medidas-macroprudenciais-de-volta-ao-jogo
    http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/medidas-macroprudenciais-bipolaridade-ou-hegemonia-financeiro.html
    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-e-bem-sucedido-em-politicas-macroprudenciais-e-monetarias-diz-fmi,112156e

    • Wenderson Pizzo Says:

      Conforme, comentado pelo Guilherme Pompeo, o FMI elogiou as políticas macroprudenciais adotadas pelo Brasil após a crise de 2007/08, segundo o relatório elaborado por esta instituição a combinação das políticas monetária e macroprudenciais realizadas pelo Brasil ajudaram o país a conquistar dois objetivos: a estabilidade de preços e a estabilidade financeira. Onde a política monetária brasileira pós crise de 2007/08 teve como foco assegurar a estabilidade de preços, enquanto os políticas macroprudenciais foram utilizados para conter a potencial formação de riscos sistêmicos decorrentes do rápido crescimento do crédito.

      Além disso, acho importante frisar para todos, que as políticas monetárias e macroprudenciais não são substituas e sim complementares, exemplo do próprio caso do Brasil, onde ambas foram utilizadas pós crise 07/08 com grande sucesso.

      Fontes:
      http://oglobo.globo.com/brasil/fmi-elogia-politicas-monetaria-macroprudencial-do-pais-no-pos-crise-7488768
      http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia

      • Gabriel de Oliveira Teixeira Says:

        Através da matéria “Entenda melhor o que são medidas macroprudenciais e sua atuação na economia”, publicada no site Infomoney, é possível complementar o que o Wenderson escreveu acima no final do seu comentário.
        As políticas macroprudenciais são usadas em conjunto com as políticas monetárias, pois é utilizada para ajustar os ciclos macroeconômicos e portanto suaviza a existência de picos em tais ciclos por meio do seu impacto na inflação e na demanda através do canal de crédito e não diretamente pela da taxa de juros como é feito na política monetária.
        É importante destacar como também ja foi citado pelo Wenderson, que as políticas macroprudenciais não substituem as políticas monetárias, ou seja, são apenas auxiliares. Isso ocorre porque tais políticas não possuem efeito algum na economia no longo prazo.
        Também considero importante que foi dito no site, que como a idéia macropruncial é nova, ainda é incerto o efeito real de tais medidas sobre o combate à inflação, que é algo que os economistas ainda estão tentando medir.

        Fontes:
        http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia

  7. Daniel Wetzel Says:

    Acho interessante notar que o uso da expressão “macroprudencial” se tornou comum no meio acadêmico somente após a crise de 2008. Por mais que o termo já date da década de 70. Mas, nessa época, era genericamente denotado como uma orientação sistêmica para a regulação e supervisão relacionada ao âmbito macroeconômico. A utilização do termo sofreu diversas modificações com o tempo. No pré crise, o termo se relacionava à ideia de proteger os investidores e depositantes, supervisionando e regulando instituições financeiras. De forma que se esses agentes fossem financeiramente saudáveis, o sistema financeiro em si seria seguro. Os instrumentos à época não levaram em consideração a avaliação de riscos relacionados à interdependência dos agentes. Além de ser considerado que preços de ativos, liquidez e comportamento dos agregados monetários eram independentes do comportamento de instituições financeiras. De forma que a redução de riscos sistêmicos viriam de: (1) modernização do sistema de pagamentos, (2) fortalecimento da base de capital, (3) existência de seguro de depósitos para evitar corrida bancária, e (4) empréstimo de liquidez por parte da autoridade monetária. Assim,o uso de políticas macroprudenciais, até 2010 consideradas políticas heterodoxas ou não convencionais, passou a ser mais frequente, e o conceito de política macroprudencial em si sofreu alterações.
    Fonte: http://www.coppead.ufrj.br/upload/publicacoes/Guilherme_Guindani.pdf

  8. Caio Duarte Says:

    As políticas macroprudenciais trazem uma questão interessante a se debater e que causa divergência entre os economistas do mundo todo: Qual o limite das funções e da atuação dos Bancos Centrais ao redor do mundo ? Que um Banco Central deve se preocupar com a estabilidade de preços, isso é quase uma unanimidade entre os economistas e está na maioria dos livros institucionais, entretanto quais instrumentos e como ele os utiliza para alcançar sua meta de inflação aí varia ao longo do globo, pois alguns Bancos Centrais atuam fortemente no mercado para que isso ocorra, o que nem sempre é bem visto pelo mercado, ainda mais quanto a utilização de instrumentos para controlar a taxa de juros é controversa. Por exemplo o caso brasileiro na adoção de determinadas política macroprudenciais deve se olhar quais são os verdadeiros motivos para utilização de tais medidas. No caso da Selic, a preocupação maior do BC é com a reversão da política monetária norte-americana, o aguardado aumento de juros que, em um primeiro momento, provoca um “overshooting”, atraindo dólares do mundo todo e provocando oscilações no câmbio de diversos países.
    E complementando essa extensão de funções do Banco Central percebe-se que ao redor do mundo observamos atuações de Bancos Centrais que não se preocupam apenas com estabilidade monetária, mas também com o nível do produto e do emprego, o que aumenta a extensão da atuação do Banco Central e de seu papel na economia, o que pode deve-se reforçar é que o Banco Central perseguir mais de um objetivo é extremamente relevante, mas deve se atentar qual a prioridade desses objetivos, pois em alguns momentos eles podem ser conflitantes no curto prazo, e se o Banco Central não define essas prioridades ele pode se perder e não conseguir alcançar nenhum de seus objetivos

    Fonte: http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/as-medidas-macroprudenciais-e-a-selic

  9. Marcelle Rocha Says:

    Políticas macroprudenciais foram adotadas não somente no Brasil, mas também em outras EMEs, no contexto de alta liquidez global e atividade econômica doméstica superior à tendência. A conjunção de ambos os fatores levou a um crescimento de crédito superior à tendência e ao aumento dos preços de ativos. Após o período de liquidez abundante, a economia brasileira enfrentou a situação oposta – com o processo de desalavancagem nos mercados globais se seguindo à identificação de problemas financeiros em algumas economias desenvolvidas. A economia se desacelerou e os ingressos de capital diminuíram. Entretanto, as medidas adotadas durante o período de expansão de liquidez ajudaram a mitigar o impacto do problema de limite fiscal sobre a economia brasileira. As economias desenvolvidas têm suas próprias razões domésticas para expandir a liquidez oficial no intuito de minimizar riscos de cauda. Entretanto, as EMEs estão preocupadas com tal expansão de liquidez, em razão de efeitos de transbordamento (spillover) e de sua possível relação não-linear com a liquidez privada. Embora o apoio oficial possa minimizar fortes espirais descendentes, também pode sustentar um ambiente propenso a picos esporádicos nos fluxos privados. A consequência principal dessa volatilidade é transmitida às EMEs. A elevada liquidez que detêm os agentes financeiros nas economias desenvolvidas pode estimular fluxos voláteis na direção de ativos de maior risco e provocar grandes oscilações no sentimento do mercado. Por isso, as políticas macroprudenciais precisam ser reforçadas nas EMEs, que recebem capitais, e provavelmente também em economias desenvolvidas, que são fontes de liquidez.

    http://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/td292.pdf

  10. Marina Lavez Says:

    As políticas macroprudenciais adotadas pelo Brasil na crise de 2008-09, segundo economistas do FMI, o mix de políticas adotadas foram efetivas na administração da demanda agregada, da inflação no período e no controle do crescimento do crédito. Além disso, para eles, o Banco Central Brasileiro mudou nesse período as exigências de depósitos compulsórios dos bancos com frequência, visando administrar ciclos de crédito de um modo contracíclico. Segundo a reportagem, o Brasil passou por um avanço muito forte do crédito desde 2004, quando o total de empréstimos e financiamentos era de apenas 24% do Produto Interno Bruto — em 2012, o número atingiu 51% do PIB. Essa expansão contribuiu para o crescimento e a inclusão financeira Por outro lado o processo trouxe riscos, especialmente para as famílias, uma vez que o nível de endividamento cresceu consideravelmente, assim como o nível de inadimplência.

    Para o FMI, o Brasil usou a política monetária de modo contracíclico depois da crise. Como uma resposta ao crescimento da inflação e a recuperação acelerada da atividade econômica o BC elevou a Selic em 2 pontos percentuais em 2010, o que foi seguido por um aumento de 1,75 ponto na primeira metade de 2011.

    Por fim, o documento do Fundo afirma que, no Brasil, como a recuperação rápida que se seguiu ao agravamento da crise, em setembro de 2008, ocorreu simultaneamente a expansão forte do crédito, especialmente para a pessoa física, a política monetária e a macroprudencial “pareceram complementares”.

    http://www.valor.com.br/brasil/2994944/fmi-elogia-politicas-monetaria-e-macroprudencial-do-pais-no-pos-crise

  11. Guilherme Sandalo Says:

    Podemos destacar que nem todas as modalidades de depósitos compulsórios são remunerados, no caso apenas as seguintes modalidades são:
    -Recolhimento Compulsório sobre Recursos a Prazo
    -Depósitos de Poupança
    -Exigibilidade Adicional sobre Depósitos (recursos a prazo e depósitos de poupança)

    Modalidades essas que tem crescido nos últimos 4 anos, de 80% em março de 2012, para 84% em março de 2016. A finalidade da remuneração para depósitos compulsorios é a de reduzir o custo de captação dos bancos, induzindo a menores taxas de juros cobradas nas operações de crédito.

  12. matheuscarrijobrito Says:

    Como foi exposto pelo grupo a polítca macroprdencial visa conter os efeitos pró-cíclico da expansão de crédito na economia. Os mecanismos são Provisão de perdas para devedores duvidosos, Requerimentos mínimos de capital, Recolhimentos compulsórios, Loan-to-value ratio, Descasamento de moedas a maioria deles não impactam a taxa de juros primariamente. Isto pois a politica macroprudencial visa intervir e regular o sistema financeiro de um modo mais amplo afim de diminuir o risco de bolhas. Além disso, a pratica de adotar um aumento da taxa de juros para solucionar bolhas financeiras pode trazer mais risco ao sistema financeiro, isto por que um aumento de juros traz problemas de seleção adversa, influencia nos balancetes dos bancos, pode trazer impactos recessivos na economia. Contudo, a taxa de juros básica para a economia Americana esta próximo a 0 desde a crise de 2008, e com uma taxa de juros tão baixa é possível que exista a expansão desenfreada de crédito e assim o surgimento de bolhas. Na reportagem adiante, explica os motivos pelos quais a elevação da taxa de juros não é necessária por enquanto nos EUA. O primeiro motivo e que a demanda por crédito esta bem abaixo da vista antes de 2008. O segundo motivo são as medidas de macroprudência adotadas:” Second, central bankers and their fellow regulators can treat financial excess far more surgically today by using “macroprudential” tools rather than the blunt instrument of interest rates. The starting-point with mortgages is usually limiting loan-to-value and debt-to-income ratios, but, importantly, allowing some flexibility for the riskiness of various borrowers. (Canada, for instance, is stricter with buy-to-rent investors than with homeowners.) Banks can also be compelled to hold more capital and liquidity against risky loans. And to the extent that macroprudential measures slow down the growth of assets, debt and wealth, they delay the need to raise interest rates, so safer loans remain cheaper for longer.”. E terceiro pelo motive da taxa de juros estar próximo de 0 um aumento nela pode trazer recessão e transformar inflação em deflação.
    http://www.economist.com/news/leaders/21604560-both-britain-and-america-financial-excesses-are-best-countered-rules-not-interest.

  13. Andrew Normanton de Oliveira Says:

    Nesse contexto, medidas macroprudenciais são decisões administrativas do Banco Central que afetam a quantidade de dinheiro disponível para empréstimos e portanto a taxa de juros para o tomador. Sendo assim, acredito que haja um certo equívoco em considerar a política de compulsório como política macroprudencial, uma vez que segundo Barbosa, ela juntamente com a política de redesconto e open market são consideradas instrumentos tradicionais de política monetária utilizados pelos Banco Centrais.

    Sendo assim, poderíamos citar como exemplos de políticas macroprudenciais:

    Elevação/diminuição do montante de capital destinado a Provisão de Perdas de devedores duvidosos

    Limitar o valor contratado em relação a garantia da dívida visando restringir o endividamento das famílias

    Limitar o valor da dívida em relação a renda visando evitar superalavancagem

    limites aos descasamentos de duration visando reduzir o descasamento de prazos entre ativos e passivos

    restrições nas distribuições de lucros e dividendos visando aumentar as reservas anticíclicas

    limites a empréstimos em moeda estrangeira reduzindo o risco de calote por pressões cambiais

    e outros

    É importante ressaltar também que ainda não existe consenso entre os economistas sobre seus efeitos
    colaterais e a dificuldade de se acertar a dosagem e o momento de adotá-las. Para alguns economistas,
    as medidas macroprudenciais tendem a prejudicar a coordenação das expectativas e a transparência das políticas
    econômicas.

    Fonte:
    http://www.fgv.br/professor/fholanda/Arquivo/Polimone.pdf
    http://www.coppead.ufrj.br/upload/publicacoes/Guilherme_Guindani.pdf
    https://www.fea.usp.br/media/fck/Entrevista_dudu_valor.pdf

  14. Felipe Maia Polo Says:

    Achei um vídeo super interessante a respeito das políticas macroprudenciais. Um professor da Universitat Oberta de Catalunya dá uma entrevista abordando alguns pontos importantes:

    Primeiramente o professor eleva a importância desse tipo de política na prevenção da formação de bolha, crises etc. Logo após, o mesmo faz uma distinção entre as já mais antigas políticas microprundenciais e as macroprudenciais (na realidade, as políticas microprudenciais têm o objetivo de focar nas próprias instituições financeiras, individualmente enquanto as macro adotam uma visão ampla, de contexto geral – o professor considera os dois tipos de política necessárias e complementares). As políticas macroprudenciais, então, deveriam entrar em ação no momento que o comportamento coletivo de instituições (por ex. os bancos comerciais) ameaçam a economia como um todo – escolher qual a melhor política, no sentido de minimizar as falhas de mercado geradas por estas, é um desafio e tanto, como colocado pelo professor.

    Segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=x9dn4HOEl7c

  15. Pedro Venturi Says:

    Um fato interessante é que até antes da crise de 2008 pouco se falava sobre políticas macroprudenciais. Contudo, o termo teve origem na década de 1970, sendo que apareceu pela primeira vez em 1979, na reunião do
    Cooke Committee (precursor do atual Comitê de Supervisão Bancária de Basiléia, BCBS). Apesar da utilização do termo ser inédita, as preocupações subjacentes não o eram. Na época, havia grande preocupação com as consequências do rápido crescimento de empréstimos para as economias em desenvolvimento, e para estabilidade macroeconômica e dos mercados financeiro. O link mostra um pouco da história das políticas macroprudenciais.
    http://www.abbc.org.br/ADM/artigosestudosconfig/uploads/79809489156522166883_O_termo_macroprudencial.pdf

  16. Murilo Mello Says:

    Medidas macroprudenciais, aplicadas pelo Banco Central do Brasil, foram utilizadas pela primeira vez ainda no começo da crise econômica brasileira, entre 2008 e 2009. Esta servia como resposta à crise, onde o Banco injetava dinheiro para incentivar a economia. Como a função do nosso BC é garantir a estabilidade monetária, diferentemente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), por exemplo, o qual deve se preocupar tanto com a estabilidade quanto com a taxa de desemprego, esta foi uma forma do governo fazer política de crescimento econômico.
    Segundo David Vergara, representante do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil é um exemplo bem-sucedido de adoção de políticas tanto macroprudenciais quanto monetárias com o objetivo de buscar estabilidade financeira e macroeconômica.
    De acordo com o relatório do Fundo Monetário Internacional divulgado em 04/02/2013, a combinação da política monetária com as medidas macroprudenciais adotadas pelo Brasil no pós-crise mostrou-se apropriada para atingir dois objetivos — a estabilidade de preços e a estabilidade financeira — com o uso dos dois instrumentos.

    Fontes:
    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-e-bem-sucedido-em-politicas-macroprudenciais-e-monetarias-diz-fmi,112156e
    http://www.valor.com.br/brasil/2994944/fmi-elogia-politicas-monetaria-e-macroprudencial-do-pais-no-pos-crise
    http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/medidas-macroprudenciais-bipolaridade-ou-hegemonia-financeiro.html

  17. Isabela Oliveira Melo Says:

    Em 2014, países emergentes que agiram antes para enfrentar vulnerabilidades, como Índia e Indonésia, mostraram-se mais resistentes à volatilidade nos mercados no começo deste ano, causada em parte pela expectativa de normalização da política monetária nos EUA, segundo relatório da equipe de economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI).
    Além de incertezas sobre a política monetária americana, o começo deste ano foi marcado por uma desvalorização forte do peso argentino, pelo aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia e pelo desempenho abaixo do esperado de um indicador da indústria da China. As armas usadas pelos países para lidar com a volatilidade foram principalmente aumentos de juros, provisão de liquidez e intervenção no câmbio, seguidos por remoção de controles de capitais e políticas macroprudenciais. Como pode ser visto, vários países emergentes usam dessa ferramenta para se protegerem contra a volatilidade. Outro bom exemplo foi o dado no post da ECEC da Nova Zelandia de 2014.

    http://www.valor.com.br/internacional/3721746/fmi-emergentes-que-agiram-antes-resistiram-melhor-volatilidade

  18. Vinícius José Vilela Says:

    Políticas macroprudenciais significam o uso de medidas de regulação e de supervisão do sistema financeiro que visam a estabilidade, tendo como foco o caráter sistêmico, e não individual, da economia. A abordagem tradicional é microfundamentada e não leva em consideração a interações entre as instituições financeiras dentro do mercado financeiro e do mesmo com a economia real. Enquanto a abordagem microprudencial visa evitar a quebra de instituições financeiras isoladamente, a abordagem macroprudencial pretende preservar o sistema financeiro como um todo.

    As medidas macroprudenciais atuam sobre a regulação dos bancos de maneira a diminuir situações de desequilíbrios inerentes ao ciclo econômico. Esses ciclos apresentam duas tendências: em períodos de expansão os agentes tendem a aumentar sua exposição a riscos, enquanto que em períodos de recessão os indivíduos se tornam extremamente avessos ao risco.

    Há confusão entre política macroprudencial com política monetária, porém, essas políticas não são substitutas e sim complementares. Enquanto, a política macroprudencial se encarrega apenas de estabilizar o sistema financeiro, a política monetária é utilizada para ajustar os ciclos macroeconômicos.

    Esse boletim do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) cita as políticas macroprudenciais da América Latina. Resumindo algumas informações mais importantes contidas no texto sobre os outros países da América Latina, o texto cita que no Peru, os reguladores têm focado na gestão de condições de liquidez usando exigências de reservas bancárias e o estabelecimento de requisitos de capital anticíclico. Na Colômbia atenção tem sido ajustar as exigências de capital e limitar a concentração de exposição dos bancos. No Uruguai e Paraguai, além do uso de exigências de reservas como uma importante ferramenta de gestão de liquidez, deve-se notar que os reguladores têm incidido sobre medidas relacionadas com o capital como do estabelecimento dos requisitos de capital e provisões . No Chile, onde o papel da política macroprudencial permanece limitada, o foco tem sido sobre as políticas relacionadas com a liquidez.

    Quem se interessar mais sobre as políticas macroprudenciais dos países da América Latina, segue link:

    https://www.bbvaresearch.com/wp-content/uploads/2014/12/Macroprundentials-in-Latam_e_p.pdf

  19. João Paulo Cinegaglia Says:

    As políticas macroprudenciais geralmente apresentam-se como bastante diferentes dependendo do ponto do ciclo econômico em que uma economia está. Geralmente, essas medidas são vistas como uma espécie de “peso desnecessário” quando a economia progride, mas compõem o primeiro ponto de questionamento após uma situação de quebra de liquidez, por exemplo. No Brasil, a regulação bancária era tida como um incremento puro e simples na dificuldade de operação do setor bancário; mas, após a crise de 2007/08 e seus efeitos reduzidos sobre nosso país (em virtude justamente desta regulação que até então era tida como excessiva), passou-se a olhar com outros olhos sobre essa questão. Hoje, inclusive, temos um banco brasileiro como sendo um dos que tem, segundo analistas internacionais, a melhor gestão financeira do mundo – o Itaú -, enquanto um dos maiores bancos da Alemanha – Deutsche Bank – acaba de anunciar enormes dificuldades financeiras dada sua exposição a derivativos.

  20. Rafael Bussolan Mariano Says:

    Em “O debate da política macroprudencial, alguns conceitos e o contexto brasileiro”, Oliveira, Luporini e Licha trazem um pouco da economia brasileira pós crise de 2008, e como esse período foi encarado em termos de políticas macroprudenciais.
    Inicialmente, trazem que é visão geral da maioria dos autores que estudam esse tema, a prevenção e mitigação dos riscos sistêmicos como objetivo específico da política macroprudencial (escopo de atuação é conter riscos de todo sistema financeiro, e interagi-lo com a economia real). Monitora, assim, o risco sistêmico dentro do contexto do ciclo econômico, e sua atenção deve ser voltada para outras instituições financeiras (além dos bancos), como os já estudados shadow banks.
    Quando se referem ao Brasil, trazem que principalmente entre 2010 e 2011, o Governo, juntamente com o Banco Central, fizeram medidas macroprudenciais nos mercados de câmbio e crédito. Entre as principais foram: aumento da alíquota de recolhimento compulsório, elevação da alíquota IOF, ajuste do requerimento mínimo de capital, entre outros.

    Obs1: recomendo vista da página 9 do artigo, na qual temos uma tabela resumindo os principais instrumentos macroprudenciais para cada objetivo intermediário (booms de crédito/alavancagem/prço dos ativos ; risco de liquidez/mercado ; interconectividade/estrutura de mercado/infraestrutura financeira)

    FONTE: https://s3.amazonaws.com/acadex.articles/Articles/56dcdd915c68c1e60f634eec-fileIdentified.pdf

  21. Giovanni Di Pietra Says:

    Dentro do contexto da discussão de política monetária, é sempre importante observar o contexto de “economias avançadas” e os ditos “EME’s” – Economias de mercados emergentes, que acabam por enfrentar outras dificuldades em relação a economias desenvolvidas na formação de suas políticas macroprudenciais. Neste working paper do BCB, coloca-se que o maior desafio destas economias é executar mandatos de estabilidade de preços em um ambiente global complexo e instável, o paper segue analisando as políticas adotadas em 2009-10 no Brasil, e conferindo a viabilidade de políticas a partir de Liquidez Mundial, Recolhimentos compulsórios, Intervenção no câmbio exterior, Controles de Capital e o Limite fiscal definido para 2011-12. Concluindo que, ao passo que economias desenvolvidas têm incentivos a expandir a liquidez oficial, as EME’s estão preocupadas justamente com esta expansão desta liquidez e com o risco de “spillover” (transbordamento) e sua relação com a liquidez privada. “Embora o apoio oficial possa minimizar fortes espirais descendentes, também pode sustentar um ambiente propenso a picos esporádicos nos fluxos privados. A consequência principal dessa volatilidade é transmitida às EMEs. A elevada liquidez que detêm os agentes financeiros nas economias desenvolvidas pode estimular fluxos voláteis na direção de ativos de maior risco e provocar grandes oscilações no sentimento do mercado. Por isso, as políticas macroprudenciais precisam ser reforçadas nas EMEs, que recebem capitais, e provavelmente também em economias desenvolvidas, que são fontes de liquidez.”

    Para entender melhor as políticas macroprudenciais nas economias avançadas, é interessante á análise empírica proposta pelo Board of Governors of the Federal Reserve System, neste “discussion paper”, com um modelo quantitativo testando o desempenho das economias reais de países segundo suas políticas macroprudenciais, um dos focos do paper é analisar o quão eficazes podem ser estas políticas em conter “bolhas” como a de 2008 na economia americana, ao medir as variações nos preços imobiliários e crédito imobiliário por país.

    Fontes
    BCB: http://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/td292.pdf
    Board of Governors of the Federal Reserve System: https://www.federalreserve.gov/econresdata/ifdp/2015/files/ifdp1136.pdf

  22. Maria Eduarda Pastorello Says:

    Bom, as medidas macroprudenciais são políticas que tem por objetivo reduzir o risco sistêmico e assegurar a estabilidade do sistema financeiro contra choques externos e, como já foi dito, elas foram destaque no Brasil durante a crise de 2008-2009, quando o BCB interviu para evitar o estrangulamento das operações de crédito e interbancárias, buscando minimizar os efeitos da crise externa no Brasil. Além disso, é interessante notar que as políticas macroprudenciais impactam a inflação sem ser diretamente via juros. Tais medidas podem afetar o canal de crédito ao aumentar o compulsório, fazendo com que menos empréstimos sejam concedidos.
    Ao pesquisar sobre o assunto na internet, encontrei críticas em relação às políticas macroprudenciais, dizendo que elas possuem efeitos diferenciados sobre os agentes econômicos e com defasagem temporal, o que dificulta a avaliação de sua efetividade no curto prazo. No entanto, há uma notícia de 2013 em que o FMI elogia as políticas monetárias e macroprudenciais do país no pós-crise, vide link abaixo:
    http://www.valor.com.br/brasil/2994944/fmi-elogia-politicas-monetaria-e-macroprudencial-do-pais-no-pos-crise

  23. Pedro Violante Says:

    A partir da leitura do post e de artigos tais como o presente em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-71402013000400006&script=sci_arttext&tlng=pt, é possível compreender a interação das políticas macroprudenciais com as demais políticas macroeconômicas (controle da inflação via política monetária, por exemplo). Considerando que os instrumentos de política monetária visam ao controle da inflação, é compreensível que tais instrumentos necessitem de um complemento para lidar com uma crise financeira. Tal complemento deve buscar reduzir a probabilidade de sua ocorrência e minimizar seus impactos.

    Dessa maneira, as politicas macroprudenciais praticadas no Brasil em 2008 e 2009 visavam à minimização dos efeitos negativos provocados pelo cenário de crise internacional ao mesmo tempo em que a política monetária desempenhava seu papel de controle dos níveis de preço por meio da manutenção das já elevadas taxas de juros. Temos que dessa maneira as autoridades brasileiras foram capazes de manter sob controle o cenário interno brasileiro por meio da combinação da política macroprudencial com a política monetária: enquanto a primeira garantiu a liquidez no sistema em um cenário de retração da economia mundial, a última não permitiu um descontrole da inflação.

    Sendo assim, temos um exemplo no contexto brasileiro dos efeitos positivos que a combinação das políticas monetárias com as políticas macroprudenciais pode apresentar, principalmente em um cenário de crise.

  24. Anibal Amêndola Paschoal Says:

    Com a crise global de 2008, diversos bancos centrais passaram a utilizar medidas macroprudenciais. No Brasil, o uso foi intensificado a partir de 2008, para a garantir a estabilidade do sistema financeiro e, também, cumprir a função auxiliar de fazer os preços convergirem para a meta estabelecida para a inflação. Esta segunda função, gerou críticas pelos defensores mais ortodoxos do regime de metas de inflação, dado que as medidas macroprudenciais deveriam ser destinadas exclusivamente à estabilidade do sistema financiero.
    Em relação às políticas macroprudenciais, o período 2008-2009 pode ser dividido em dois momentos: o imediato pré-crise, que foi verificado uma política de aperto das regras de recolhimento compulsório como elevação da taxa Selic, ou seja, uma relação complementar entre os dois instrumentos (contenção do acelarado crescimento de crédito e contenção da inflação); e o momento posterior à crise, até o início de 2010, do relaxamento do compulsório e redução da Selic.
    No intervalo de 2010-2011, temos que, no começo de 2010 iniciou-se o processo de elevação dos recolhimentos compulsórios. Para o Banco Central, o mercado de crédito já estava recuperado, tornando-se necessário elevar os recolhimentos.
    No final de 2010, o Copom mencionou explicitamente que o Banco Central utilizou “medidas macroprudenciais” com o objetivo de equilibrar o ritimo de expansão do crédito, justificando a forma de incorporação e como foi incorporada no regime de metas.

    Referência:
    de Oliveira, Giuliano Contento, Lilian Rolim, and Nicholas Blikstad. “Regime de metas para a inflação e medidas macroprudenciais: uma análise à luz da experiên-cia brasileira recente (2008-2013).” Pesquisa & Debate. Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em Economia Política. ISSN 1806-9029 27.1 (49) (2016).

  25. Adelge Pereira de Lima Júnior Says:

    Goudard e Terra(2015) elencam os principais desafios das políticas macroprudenciais, entre eles estão a definição mais precisa dos objetivos deste tipo de políticas, o aprimoramento de instrumentos de monitoramento e detecção de riscos sistêmicos, desenvolver mecânicos de governança que sejam apropriados para que o formulador de políticas possa agir sem que ocorram retaliações dos mercados financeiros e um sistema de cooperação global para que as políticas macroprudenciais criadas em um país possam auxiliar o controle dos riscos de outros países, diminuindo ao máximo os efeitos negativos das políticas macroprudenciais de um país em outro.

    Fonte: http://www.seer.ufrgs.br/AnaliseEconomica/article/download/40732/33367

  26. Daniel Tannous Costa Says:

    O post tratou da importância das medidas macroprudenciais e listou alguns exemplos. Um exemplo que confirma essa importância foi o caso da crise cambial de 1999 que gerou graves impactos nos ativos dos bancos Marka e o FonteCindam. Esses dois bancos tinham grande parte de seus negócios baseados na expectativa da manutenção do Real valorizado. Porém, o governo reverteu essa politica e o Real se desvalorizou, com isso os bancos ficaram insolventes e o banco central teve que intervir para evitar uma desconfiança geral no sistema bancário. Tempos depois essa intervenção acabou gerando bilhões de prejuízo ao BC pois o aumento do Dollar no final de 2002 gerou uma explosão nas despesas do BC com essas operações.
    Futuramente, o TCU classificou essa ocorrência como fraudulenta e condenou diversos participantes ao pagamento de indenizações, tanto integrantes dos bancos como dos órgãos públicos. Entre estes está o banqueiro Salvatore Cacciola do banco Marka, que se tornou foragido e foi encontrado somente em 2007 em Mônaco. O TCU afirmou que a insolvência dos bancos não iria gerar uma crise sistêmica e que os dirigentes dos bancos se aproveitaram de sua influência nos órgãos públicos para conseguir ajuda após terem errado uma aposta.
    É importante sintetizar que se o sistema financeiro brasileiro tivesse tomado medidas macroprudencias que impedissem que esses bancos comprometessem tanto, em comparação com seu patrimônio liquido, em operações tão arriscadas e que poderiam ser tão influenciadas por apenas uma variável. Se ocorreria uma crise bancária ou não é uma questão polêmica mas com algumas ações o mal poderia ter sido cortado pela raiz antes que crescesce.

  27. Maria Carolina Meirelles Napravnik Says:

    Conforme apontado anteriormente, há um consenso que o Brasil foi um bom exemplo em relação as suas políticas monetárias e macroprudenciais que visavam a estabilidade financeira e macroeconômica. Segundo o FMI, foi a interação entre as duas políticas (monetária e macroprudenciais) que fortaleceu os efeitos na economia brasileira.

    Após a crise de 2008, no governo Lula houve incentivo a produtividade e ao consumo no pais, com a retirada do IPI para diversos setores. A partir de 2011, no governo Dilma, algumas mudanças ocorreram (alta dos juros, aumento do IOF) e as medidas macroprudenciais tomaram uma velocidade mais lenta. Atualmente, com a troca para o governo golpista, ainda não sabe-se dizer qual será o rumo dessas políticas na economia brasileira. Muitos analistas acreditam que alternativamente a uma redução da Selic, poderia optar por uma flexibilização das medidas macroprudenciais, como a redução de aliquotas de recolhimento de compulsório que possivelmente ampliariam a liquidez no sistema financeiro, contribuindo para a negociação de dívidas do setor privado.

  28. Luiz Felipe Coser Guarnieri Says:

    Em primeiro lugar, acho importante ressaltar que as medidas macroprudenciais tratam de medidas para diminuir o risco sistêmico do setor bancário, em um universo de tendência a sobre-exposição a riscos que as instituições financeiras (assim como as empresas e os consumidores) apresentam no auge de um ciclo de crédito, seguida de uma excessiva aversão ao risco na fase de desaceleração, o que pode estar associado à crença de que uma instituição é muito importante para falir… Não podemos esquecer aqui da crise de 2008 e da onda de desregulamentação do sistema financeiro norte-americano, em que os próprios bancos foram peças-chave de um quadro de desequilíbrio então vigente e não foram capaz de lidar com o efeitos de suas ações irresponsáveis de negociação, criação de instrumentos e securitização de crédito pobre no auge de um ciclo de crédito, conforme descrito acima.

    Em um mundo cada vez mais difícil de regular, as responsabilidades do BC vão além da estabilidade monetária, exigindo também compromisso com a estabilidade do sistema financeiro. A expansão dos gastos financiados pela ampla disponibilidade de crédito bancário parece ser um dos fatores que têm promovido o crescimento da demanda agregada e da inflação no caso brasileiro. Dito isso, podemos relacionar as Medidas Macroprudenciais surtindo efeito diretamente no canal de expansão de crédito, restringindo o acesso à ele -e no fim da linha, à moeda-.

    Paralelamente, em um ciclo de aperto monetário, a elevação da Selic não garante, necessariamente, o aumento dos juros nos empréstimos bancários, como CDC, Consignado, entre outros, ainda que ela promova um incremento no custo de captação dos bancos(via títulos públicos ou DI). Isso faz com que os tomadores de recursos (deficitários) arquem com juros maiores, sendo penalizados pelo ônus da elevação da Selic e reforçando o efeito final da política macroprudencial.

    Dessa forma, podemos chegar à conclusão que o uso correto dos dois instrumentos (Juros x PM) pode aumentar a eficiência dessa política sem comprometer a estabilidade financeira do sistema bancário.

    Fontes:
    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002013000300011

    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,quem-tem-medo-das-medidas-macroprudenciais-imp-,732388

  29. Tayna Francisconi Says:

    Acho interessante o fato dessas medidas surgirem no contexto da reforma do sistema de regulação financeiro (que veio junto com a crise).havia separação entre o papel do Bacen para controle de preços e das autoridades de supervisão bancária. Nos momentos de crescimento econômico os bancos costumavam conceder mais crédito( como ja foi estudado em sala de aula), havia assim um efeito direto sobre o preço dos ativos. Logo a crise mostrou que havia uma relação entre como os bancos estavam e o ciclo da economia. Assim, nos momentos de crise a situação dos bancos se tornava mais vulnerável, levando o mercado financeiro global à recessão. Portanto, houve a real necessidade de regulação, e é onde as medidas macroprudenciais se encaixam, pois elas mudam a regulação das instituições financeiras de maneira a atenuar um efeito que um ciclo econômico possa ter sobre a decisão dessas instituições.
    Esse artigo da infomoney fala bem sobre isso, achei bem interessante também.
    http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia

  30. Fabio Garcia Silva Says:

    Políticas macroprudenciais têm como objetivos evitar riscos sistêmicos no sistema financeiro, ao realizar qualquer política o governo possui um objetivo ao fazê-la, os objetivos com os quais os governos visam alcançar com as políticas macroprudencias são os mesmos daqueles visados pelos instrumentos clássicos da política monetária: estabilidade financeira, controle da inflação, produto e emprego.
    Sendo os instrumentos clássicos da política monetária o open market, a taxa de redesconto e a reserva de compulsórios. As políticas macroprudenciais possuem um caráter regulatório e normatizador sobre práticas na concessão de crédito e financiamento que podem afetar a demanda ou a oferta de moeda. Por exemplo, o setor bancário apresenta um comportamento pró-cíclico aproveitando-se de momentos de elevação do produto para concessão de crédito, podemos citar como uma medida macroprudencial, limitar o valor contratado em relação à dívida, limitando assim o endividamento das famílias e o risco de calotes.

  31. Guilherme Kermentz Ferraz Costa Says:

    Como o grupo bem colocou, após a crise de 2007-2008, os macroeconomistas da linha principal concluíram que políticas monetárias não seriam suficientes para garantir a estabilidade do sistema financeiro, de modo que intervenções adicionais- as chamadas medidas macroprudenciais- se fariam necessárias para o seu bom funcionamento.

    Na prática, essas regulações foram implantadas, no caso americano, por meio da lei Dodd- Frank (Dodd- Frank act), de 2010, a qual se estabeleceu como uma resposta à crise então em curso. Tal medida inclui inúmeras regulações do sistema financeiro americano, abarcando desde controle das taxas que os bancos comerciais podem cobrar de seus clientes, até normas a respeito da abertura de fundos hedge.

    Alguns autores, no entanto, afirmam que essas regulações estão fadadas ao fracasso, na medida em que distorcem o funcionamento do mercado e em que criam oportunidades para capturas regulatórias. Em outras palavras, para eles, as falhas de governo tendem a ser maiores do que as falhas de mercado.

    Um bom artigo, de 2011, que sintetiza essas críticas é o seguinte: http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1816476. Nele, o autor (David VanHoose) foca tanto os aspectos teóricos quanto os empíricos associadas as falhas de governo resultantes da regulação financeira governamental.

  32. Andrey Targa Prado Says:

    Políticas macroprudenciais objetivam contribuir para estabilidade financeira em períodos de expansão do ciclo, restringindo o mercado de crédito e garantindo liquidez quando o ciclo estiver se retraindo, dessa forma atua de modo a complementar os instrumentos de política monetária clássica. No Brasil, políticas macroprudenciais começaram a ser usadas um poucos antes da crise do subprime, em 2008, e teve como função, além de assegurar a estabilidade financeira, fazer com que os preços se aproximassem da meta de inflação.
    O artigo abaixo, traz uma referência a um estudo do FMI (Fundo Monetário Internacional) com respeito a políticas macroprudenciais em 49 países, onde sugere que o principal motivo dessas políticas é o risco sistêmico que é determinado ao longo do tempo por oscilações próprias dos ciclos econômicos, em seu contexto financeiro, e pelo grau de interconexão entre as instituições financeiras e mercados. Nesses países pesquisados os instrumentos de políticas macroprudenciais podem ser reunidos em três grupos.
    O primeiro são os relacionados ao crédito: o Loan-to-value ratio (razão do valor do contratado em relação à garantia), o Debt-to-income ration (relação da dívida com respeito a renda), os empréstimos em moeda estrangeira
    e o volume/taxa de expansão da oferta de crédito. O segundo grupo são os relacionados à liquidez: as reservas compulsórias (como mostrado pelo grupo no caso brasileiro), os limites para manutenção de posição em aberto
    e/ou descasamento de posições (particularmente em moeda estrangeira) e controle dos descasamentos de maturidade. E o terceiro são relacionados ao capital: as reservas de capital com requerimentos que variam ao longo do tempo e/ou do ciclo, provisionamento de créditos de liquidação duvidosa orientados pelo comportamento futuro e variando no tempo, restrições na distribuição dos lucros, entre outros.

    http://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/viewFile/2726/3088

  33. Caio César Cardoso Ribeiro Mortean Says:

    As políticas macroprudenciais mitigam os riscos que o sistema financeiro coloca nele mesmo.
    Isso parece um pouco abstrato ao ser citado.

    Porém, onde o risco é exposto e, em diversos cenários, sem um filtro de avaliação (seja do consumidor com um baixo caráter informacional) ou da – falta de – prudência (por parte da instituição financeira), das quais estão em um pico em termos de crédito e de desaceleração, acabam tornando um mantra a máxima de que “something is too big to fail”.

    Onde há maiores dificuldades regulatórias, dada a variabilidade de atuantes e de variantes no mercado, o BACEN acaba indo além da estabilidade monetária. Assume-se também que há um compromisso – e não somente do BACEN – para um ciclo saudável do mercado financeiro como um todo.

    O aumento dos gastos financiados pelo excesso de oferta de crédito bancário parece ser um dos fatores que têm promovido o crescimento da demanda agregada e da inflação no caso brasileiro. As Macroprudenciais, logo, surtem efeito diretamente no canal de expansão, restringindo-o.

    Fonte:

    http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia

  34. Marcelo Dias Junior Says:

    Segundo a FMI, houve uma combinação da política monetária com as medidas macroprudenciais adotadas pelo Brasil no pós-crise apropriada para atingir os objetivos de estabilidade de preços e financeira.
    Segundo o documento, o Brasil usou ativamente as duas políticas e a experiência do país no período que se seguiu à turbulência na economia global, agravada pela quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. A política monetária teve como foco assegurar a estabilidade de preços, enquanto os instrumentos macroprudenciais foram utilizados para conter a potencial formação de riscos sistêmicos decorrentes do rápido crescimento do crédito.

    Para maiores detalhamentos sobre como foram feitos as políticas, segue em anexo no link:
    http://www.valor.com.br/brasil/2994944/fmi-elogia-politicas-monetaria-e-macroprudencial-do-pais-no-pos-crise

  35. Vinicius Passos Says:

    As medidas macroprudenciais usadas durante a crise de 2008/2009 com as intervenções do BC como provedor de reais e dólares evitando o estrangulamento das operações interbancárias e de crédito, minimizando os efeitos da crise externa. Que no caso brasileiro foi elogiado pela forma que foi aplicado ajudando o Brasil a sair da crise. No entanto alguns economistas apontam possíveis pontos negativos como a redução do crescimento médio da economia como é o caso de Koji Nakamura, chefe de pesquisa do sistema financeiro do Banco do Japão, mas mesmo com essa critica ele também defende o uso desses instrumentos, “As medidas macroprudenciais serão mais importantes que nunca no futuro, tanto para as economias avançadas como para as emergentes”

    Fontes:

    https://www.fea.usp.br/media/fck/Entrevista_dudu_valor.pdf

  36. Mariana Pivoto Says:

    Podemos dizer que no Brasil, as políticas macroprudenciais se destacaram no período da crise econômica de 2008/09, uma vez que elas eram uma espécie de reação à crise. Cabe às políticas macroprudenciais suavizar os ciclos de crise, limitando a acumulação de riscos financeiros e diminuindo a probabilidade e o impacto de um colapso financeiro.
    De acordo com Taveira (2012), um dos papéis centrais da política macroprudencial é evitar o aumento desenfreado do risco sistêmico e o encolhimento brusco e simultâneo de bancos durante episódios de crise, bem como seus efeitos negativos sobre a economia real.
    Para alguns pesquisadores, as políticas macroprudenciais auxiliam o controle da inflação, mas também possuem desvantagens, pois afetam pouco as decisões de poupança e de investimento; sua intensidade e o tempo de seu efeito são incertos ou ainda desconhecidos e criam distorções e ineficiências no mercado de crédito.

    http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/10458/Dissertac%CC%A7a%CC%83o_Marilia_Biblioteca.pdf?sequence=3

  37. Fabricio Freitas Alves Says:

    Uma paper produzido pelo FMI em conjunto com o Financial Stability Board e o Banco de Compensações Internacionais avalia elementos para políticas macroprudenciais eficientes. Os autores identificaram que os países precisam estabelecer um processo contínuo que traduza uma avaliação do risco do sistema financeiro em ações políticas para conter esses riscos. O processo envolve cinco passos:
    – Desenhar a política de maneira a “atacar” riscos bem identificados sem que ocorra gastos desnecessários;
    – Avaliar e abordar a possibilidade de evasão de ferramentas macroprudenciais;
    – Avaliação após o impacto da política macroprudencial e reconsideração das ferramentas selecionadas e o desenho delas;
    – Considerar a possibilidade de relaxamento das ferramentas macroprudenciais
    – Melhorar a base de informações de políticas macroprudenciais sobre todas as áreas envolvidas.

    http://www.imf.org/en/News/Articles/2016/09/13/NA091416MCMmacroprudential


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