E-Ecec: A busca da estabilidade e o regime de metas de inflação: lições do caso brasileiro

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“Buscando reverter as expectativas e restabelecer a credibilidade da política monetária devido à mudança de regime cambial em janeiro de 1999 – depois de um período de estabelecimento de uma âncora nominal baseada no câmbio (1995-1998), o BCB reconheceu a urgência de uma âncora nominal para a economia por meio do regime de metas de inflação, ou inflation targeting (IT). Em 21 de junho desse ano, o país aderiu formalmente a esse sistema com o decreto 3.088. Nove dias depois, a Resolução 2.615 definiu o índice de preços e as metas para 1999 e para os próximos dois anos.

No regime de metas de inflação, a autoridade monetária anuncia publicamente metas para a inflação futura, isto é, adota uma atitude forward-looking, com ações de comprometimento com a meta estabelecida. Entre os elementos fundamentais do IT, são apontados por Mishkin:

  1. anúncio público de metas numéricas de médio prazo para a inflação;
  2. comprometimento institucional com a estabilidade de preços;
  3. a atuação da autoridade monetária deve ser pautada na transparência e comunicação;
  4. mecanismos de monitoramento da atuação da autoridade monetária.

Para analisar a implementação das metas de inflação é relevante considerar aspectos como o índice de preços, largura da banda de variação, horizonte da meta, cláusulas de escape e prestação de contas em caso de descumprimento. No Brasil, bem como na maior parte dos países que adotam IT, foi escolhido um Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), tendo como horizonte da meta o período de 12 meses.

A Figura 1 mostra a flutuação do IPCA e da expectativa de inflação Focus, bem como o intervalo de tolerância praticado em cada período:

e-ecec-figura1

Desde sua adoção, a inflação efetiva ultrapassou o intervalo de tolerância em 2001, 2002, 2003 e 2015, como mostrado detalhadamente na Figura 2. Toda vez que as metas estabelecidas pelo CMN não são cumpridas, cartas públicas do Presidente do BCB são enviadas para o Ministro da Fazenda explicando os motivos do descumprimento e as medidas para atingir o que foi inicialmente proposto.

e-ecec-figura2

O contato com o público não é uma exclusividade dos Bancos Centrais que adotam o regime de metas de inflação. Porém, as autoridades monetárias que o adotam tomam um passo a frente ao publicarem documentos como os Inflation Reports. Esses esforços decorrem do que é apontado por Mishkin quanto a questão da transparência ser um elemento fundamental para o IT. Em 2002, a carta do presidente do BCB revela que o descumprimento da meta foi explicado pelo cenário internacional e pelo efeito da forte depreciação do real sobre os preços de 2001, tônica que persiste na carta de 2003. No ano seguinte, a persistência da inflação e da deterioração das expectativas impediram o cumprimento da meta nos limites estabelecidos.

Em 2016, o fator preponderante foi a intensidade inesperada do ajuste dos “preços administrados” em relação aos “preços livres” e dos preços domésticos em relação aos internacionais. Como ações previstas para convergir à meta, a carta ressaltou a importância de se manter vigilante aos ajustes de preços relativos de forma a ancorar as expectativas novamente.

Por fim, como aponta Minella e outros (2002), o regime de metas de inflação passou a ser um importante mecanismo coordenador de expectativas, de forma geral, orientando o processo de formação de preços. Os movimentos de política monetária passam a ser mais previsíveis ao mercado no médio prazo e as expectativas de inflação podem ser formadas com mais eficiência. A partir do momento em que a política monetária constroi credibilidade, os reajustes de preços tendem a ser próximos à meta. Uma consequência, verificada na experiência brasileira, refere-se à redução do grau de persistência da inflação.

 

Referências

BOGDANSKI, Joel; TOMBINI, Alexandre A.; WERLANG, Sergio R. da C. Implementing inflation targeting in Brazil. Banco Central do Brasil. Working Paper, n. 1, 2000. Dsiponível em: <https://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps01.pdf&gt;

MISHKIN, Frederic S. The economics of money, banking, and financial markets. Pearson education, 2013.

MINELLA, André et al. Inflation targeting in Brazil: lessons and challenges. Banco Central do Brasil Working Paper, n. 53, 2002. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps53.pdf&gt;

MINELLA, André et al. Inflation targeting in Brazil: constructing credibility under exchange rate volatility. Journal of international Money and Finance, v. 22, n. 7, p. 1015-1040, 2003. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps77.pdf

SILVA, R. Estabilidade Econômica e metas de inflação: uma avaliação do caso brasileiro. Tese (Doutorado), FEA/USP, São Paulo, 2002.

 

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31 Respostas to “E-Ecec: A busca da estabilidade e o regime de metas de inflação: lições do caso brasileiro”

  1. Patrícia Aparecida de Almeida Says:

    O texto “Regime de metas para o Brasil”, do Banco Central do Brasil (disponível em http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus/faq%2010-regime%20de%20metas%20para%20a%20infla%C3%A7%C3%A3o%20no%20brasil.pdf), com informações de até junho de 2016, apresenta a resposta para uma série de perguntas a respeito do assunto. Entre elas estão duas que me chamaram atenção, por, entre outras razões, já ter ouvido várias perguntas: se no regime de metas para a inflação pode haver metas para o câmbio ou para o crescimento econômico; e se quais são as pré-condições para a adoção de um regime de metas de inflação.
    Para a primeira pergunta, a resposta é não, uma vez que a ação do banco central se baseia no controle de apenas um instrumento, que é a taxa de juros de curto-prazo, entretanto, essas e outras duas variáveis econômicas são levadas em consideração na construção de cenário prospectivo para a inflação, que pode ser verifica nas atas do Copom.
    Para a segunda pergunta, as principais pré-condições são que haja autonomia operacional do banco central (para gerir a política monetária para cumprir as metas); que a situação fiscal esteja sobre controle; que o sistema financeiro nacional esteja estável; metas devem ser críveis; e que o banco central tenha conhecimento sobre o funcionamento da economia, principalmente dos mecanismos de transmissão da política monetária por meio de modelos macroeconômicos.

  2. Herbert Huber Says:

    Acho interessante notar como tudo volta ao princípio da expectativa dos agentes. Um exemplo é o intervalo de tolerância e a meta de inflação em si. Sabe-se que a inflação no país está cada vez maior e longe da meta, porém, se o CMN resolve alterará-la, o governo pode acabar perdendo credibilidade com os agentes, o que dificulta na execução das políticas monetárias. Também, de acordo com o próprio presidente do Banco Central, Ilan Goldfajan, ‘metas audazes não são eficientes se ninguém acreditar’. Pois de fato, a meta de inflação precisa levar muito em consideração a expectativa dos agentes. (http://exame.abril.com.br/economia/noticias/nao-precisamos-mudar-meta-de-inflacao-diz-presidente-do-bc)
    Na matéria onde estão presentes alguns trechos do que foi dito, é possível verificar também um certo otimismo dele em relação à direção a ser seguida, e a participação do governo em diversos tipos de políticas para o auxílio no combate à inflação e melhor desempenho da economia.

  3. Ana Paula Santos Says:

    Inicialmente, sabe-se que o sistema de meta de inflação trata-se de um compromisso que visa dar uma maior segurança ao mercado sobre os rumos da economia, bem como dar previsibilidade ao mercado. Todavia, a partir de notícias do atual cenário brasileiro, o desvio da meta da inflação vai além daquele do intervalo de tolerância estabelecido.
    Algumas da notícias consultadas informam que as instituições financeiras projetaram uma inflação de 7,36% nesse ano, ou seja, acima do limite superior da meta de inflação (6,5%).
    Apesar do contexto atual não nos fornecer uma maior segurança a respeito da inflação, ou seja, não cumprir com a meta estabelecida, é importante ressaltar que há um cenário positivo para 2017, uma vez que o presidente do Branco Central, Ilan Goldfajn, afirma não ser necessário que o Brasil mude sua meta de inflação, alegando que haverá o alcance 4,5% em 2017.

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-09/instituicoes-financeiras-projetam-inflacao-de-736-este-ano
    http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/09/brasil-nao-precisa-mudar-meta-de-inflacao-diz-presidente-do-bc.html

  4. Tiago Pedro Says:

    Seguindo a linha da minha colega Patricia várias são as dúvidas em relação ao assunto meta de inflação. Uma que me chama atenção é de como regime de metas de inflação pode acabar e o governo adotar uma outra âncora nominal para sua economia. Pesquisando, cheguei até o seguinte artigo (segue o link: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/pais-deveria-abandonar-sistema-de-metas-de-inflacao-diz-monica-de-bolle),
    Nele, a pesquisadora brasileira do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington, Monica de Bolle diz que o Brasil deve deixar de adotar esse sistema, pelo menos temporariamente. Segundo ela, o Brasil se encontra numa situação de dominância fiscal e alta inflação (não conseguindo chegar perto de sua meta), o que faz com que haja um desequilíbrio nas contas públicas, seguido de desvalorização do real, voltando a alimentar a inflação novamente. Com a mudança temporária, segundo ela, o Brasil teria tempo para formular um plano fiscal e posteriormente, após a retomada do controle, voltar ao regime de metas de inflação.
    Então me veio a cabeça se um país pode fazer uma espécie de “rodízío” com relação a sua âncora nominal, adotando aquela que melhor convir dadas as circunstâncias que a economia do país está passando, ou então até mesmo usar do “Just do It”, sem nenhuma âncora nominal. Fica a dúvida para a professores ou colegas responderem.

  5. Letícia M. De Lima Silva Says:

    É interessante ressaltar como a credibilidade relacionada a política monetária tem um papel fundamental no regime de metas de inflação, de modo que a falta dela leva as expectativas dos agentes da economia pra longe do objetivo anunciado para essa variável macroeconômica. Vivemos um exemplo disso há pouco tempo no Brasil: por mais que a meta de inflação fosse anunciada em torno dos 4,5% os agentes continuavam esperando muito mais que isso para períodos posteriores. Isso, de um modo mais geral, mostra a importância de um governo (ou, ainda, de uma administração econômica respeitável) que pode ser levado a sério quando se compromete a fazer algo.

  6. Gabriel Bechelli Says:

    Tive a curiosidade de ir atrás das cartas citadas, e é possível acessá-las no seguinte link do BC: http://www.bcb.gov.br/pec/cartaaberta.asp
    É interessante que nas primeiras cartas há sempre a desculpa de que são choques e que os mesmos não voltarão a se repetir na mesma magnitude e o BC continuará perseguindo a meta de inflação. Por exemplo, na carta de 2001, ano em que a inflação foi de 7,67% (meta de 4%, teto 6%) há o seguinte trecho:
    “Na medida em que não se vislumbra a repetição dos choques na magnitude observada no ano passado, a tendência da inflação é declinante”.
    Dado isso, há então uma redução da meta de inflação em 2002 de 4% para 3,5% (teto 5,5%), ou seja, uma tentativa de recuperar a credibilidade do Banco Central. Contudo, em 2002 a falha é ainda mais grotesca e há uma inflação de 12,53% frente a meta de 3,5% e a carta de janeiro de 2003 termina com o seguinte trecho:
    “A política monetária nos próximos dois anos será calibrada para que a inflação convirja para as metas ajustadas, de 8,5% em 2003 e de 5,5% em 2004. Dessa forma, o Banco Central perseguirá uma trajetória de inflação que leve a uma redução importante da inflação neste ano e atinja o intervalo de tolerância da meta em 2004”.
    Sem sucesso, em 2003 a história se repete e a inflação só volta a estar dentro da meta em 2004, quando a inflação anualizada é de 7,6% e o teto da inflação havia sido alterado para 8%.

    • Giordano Di Giorgio Says:

      Considerando a discussão proposta sobre metas de inflação e analisando o conteúdo das cartas, que o colega Gabriel Bechelli trouxe para basear sua argumentação, percebemos que o BC brasileiro tem certa dificuldade para justificar, de forma crível, que nos próximos anos os níveis de preço respeitarão as metas de inflação.
      Apesar de ter liberdade para usar os instrumentos necessários para gerenciar a taxa de juros, o BaCen não tem a independência legal de seus objetivos para estabilizar a inflação no longo prazo.
      Como explanado em sala de aula, a falta de liberdade legal para a atuação do Banco Central, pode ser um dos fatores determinantes para a dificuldade na gestão e cumprimento das metas de inflação, pois este pode estar sujeito a influências políticas, especialmente em anos de eleição, a fim de atender às necessidades dos governantes em questão para que os mesmos possam atingir seus objetivos políticos. Possivelmente, pode-se argumentar isso como razão para a dificuldade de se manter uma gestão com objetivos de inflação críveis.

  7. Henrique Velasco Says:

    De todos os 26 países que adotaram o sistema de metas de inflação (fonte: http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2010/03/roger.htm), o Reino Unido, Brasil, México, Turquia, Canadá, Suécia, África do Sul, Austrália, Coreia e a Tailândia (10 dos 26 países) possuem títulos públicos indexados à inflação do país (fonte: http://www.lazardnet.com/docs/sp0/6034/AnIntroductionToInflation-LinkedBonds_LazardResearch.pdf). Seria muito interessante analisar como funciona o problema de agente e principal desses países pois o controle da meta de inflação afeta o custo desses títulos para o próprio governo assim como a remuneração de quem possuir os mesmos.

  8. Monique Saiani Camargo Penteado Says:

    O sistema de metas de inflação adotado no Brasil, em 1999, serve para nortear a política monetária do país. O piso e o teto servem para evitar o risco de deflação ou hiperinflação. A meta de inflação adotada é útil para dar previsibilidade ao mercado, sendo uma garantia que o Banco Central oferece de que não vai deixar a inflação fora do controle. Vale ressaltar, que é o Conselho de Política Monetária (Copom) o responsável por tomar medidas para garantir que a inflação fique dentro do patamar desejado. O principal mecanismo para manter a inflação sob controle é a taxa de juros, ou seja, toda vez os preços sobem acima do nível esperado, o Banco Central intervém com a elevação da Selic. Contudo, caso a meta não seja atingida, não há punição, mas serve como um alerta, o qual gera insegurança no mercado, criando expectativas negativas sobre o mesmo.

  9. Caio de Angelis Nascimento Says:

    Em relação ao regime de metas de inflação no caso brasileiro, podemos citar que o mesmo é composto por um conjunto de características provenientes desse processo, como:
    (i) fixar as metas para a inflação com base em variações anuais de um índice de preços conhecido; (ii) deixar a cargo do Conselho Monetário Nacional (CMN)1 a determinação das metas para a inflação (mediante proposta do ministro da Fazenda), seus respectivos intervalos de variação e o índice de preços a ser cotado; (iii) incumbir ao Banco Central a tarefa de fazer com que as metas estabelecidas fossem cumpridas, utilizando para isso os instrumentos necessários.
    Assim gostaria de destacar o que o índice de preços escolhido para ser utilizado foi o IPCA, o IPCA é um tipo de índice de Laspeyres que calcula a mudança dos preços de bens e serviços entre dois períodos (comparação dos preços que vigoraram nos 30 dias do período de referência com os 30 dias do período-base) ponderando a participação das despesas com cada bem no consumo total. Os tipos de gastos que compõem a estrutura do IPCA são os seguintes: gastos com alimentação, transporte e comunicação, despesas pessoais, vestuário, habitação, saúde e cuidados pessoais, e artigos de residência.
    No conjunto das diferentes despesas discriminadas acima, a precificação pode ser feita através de dois tipos de preços: (i) os preços livres, que são determinados pelas forças de oferta e de demanda existentes na economia; e (ii) os preços administrados, que são muito pouco, ou nada, influenciados pelas forças de oferta e de demanda.
    Assim entendo melhor o meio utilizado como medida das metas de inflações, podemos realizar um análise mais sucinta do que pode vir a representar uma quebra nas metas de inflações e seus desvios(bandas).
    fonte: http://www.scielo.br/pdf/rec/v16n3/a04v16n3.pdf

  10. Gabriel Akel Abrahão Says:

    A âncora nominal diz respeito a uma restrição sobre o valor de uma moeda doméstica necessária para o sucesso de regimes monetários; ela provê condições que fazem o nível de preço da economia unicamente determinado, ou seja, âncoras nominais são, basicamente, restrições que se impõem sobre a política monetária de modo a “amarrar” o nível de preços a um valor específico, com o propósito de evitar que o banco central atue de forma erráticas ou irresponsável, condições estas que poderiam levar à inflação e a todas as consequências perniciosas que ela cria.
    Um forte exemplo da importância de determinar uma âncora nominal foi a realização do Plano Real. Antes de 1994, a hiperinflação assolava o Brasil e para solucionar tal problema criou-se um regime de Cambio Misto (Regime de Bandas Cambiais), ou seja, o BCB fixava o valor do real em relação ao dólar norte-americano dentro de uma faixa de cambio estritamente variável. Essa medida foi tomada na expectativa de controlar a galopante inflação do período. Em 1999, com a inflação já bem mais controlada, é estabelecido uma nova âncora nominal, o regime de metas de inflação, para garantir a estabilidade de moeda ao longo prazo.

  11. Flavia Saldanha Says:

    Pensando sobre a relação entre a efetividade das metas de inflação e as expectativas dos agentes, fica evidente a dependência entre eles. A autoridade monetária anuncia a meta de inflação e os agentes do mercado criam suas expectativas baseadas nesse anúncio. É, portanto, dever do Bacen alcançar a meta estabelecida, ou ao menos manter-se no intervalo de tolerância. Sendo capaz de realizar isso – por meio da estabilidade dos preços, o que controla a inflação – as expectativas formadas pelo mercado serão coerentes com aquelas anunciadas, sem grandes choques.
    Porém, se o governo não for capaz de se manter dentro do intervalo esperado por muitos períodos consecutivos e, ainda, anunciar redução das metas, é provável que as expectativas do mercado não se ajustem a essa mudança de metas e as políticas sejam cada vez mais difíceis de serem aplicadas.

    Neste editorial (http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/O-Regime-de-Metas-de-Inflacao-no-Brasil-o-que-pode-ser-mudado-/7/33475), é citado esse fato, além de serem feitas comparações a outros países que também adotam o regime de metas de inflação. Nos é mostrado que, nesses outros países, é feito o manejo das metas de inflação juntamente com outras políticas. E, com isso, os autores apresentam algumas propostas de reformas básicas, mas relevantes, ao que é o regime de metas hoje no Brasil.

  12. Ana Paula Umbelino Says:

    Muito interessante o texto, mas olhando em uma expectativa no futuro, em 2017 o governo e o CMN fixaram a meta de inflação para 4,5%, no entanto diminuiu seu teto para 6% ao invés de 6,5% como anteriormente. Quando Martello pesquisa sobre os regimes de inflação pelo mundo ele percebe que o objetivo central médio de inflação nas 51 economias pesquisadas é de 4,4%, ou seja, pouco abaixo da meta central brasileira de 4,5%. Entretanto, em todas as 58 economias listadas, 16 delas possuem um teto mais alto do que o valor fixado para o Brasil em 2017 (6%). São elas: Belarus (20% de teto), Bangladesh (6,5%), Gana (10%), Quênia (7,5%), Quirguistão (7%), Malawi (12%), Mongólia (7%), Moldova (6,5), Nigéria (9%), Paquistão (8%), Uganda (7%), Ucrânia (9%), Uruguai (7%), Vietnã (7%) e Zâmbia (7%).

    Para 2018 o Banco Central fechou a mesma meta e intervalo que em 2017 entretanto, a estimativa mais recente do próprio Banco Central é de que ela feche o ano a uma taxa entre 6,9% e 7%. Segundo o o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Carlos Hamilton o Conselho [Monetário Nacional] avaliou a conjuntura macroeconômica doméstica e externa e concluiu que seria oportuno fixar em 4,5% [a meta central de inflação para 2018]. Há de fato muita incerteza no ambiente econômico atualmente. Em nenhum momento foi discutida a redução da meta [para 2018]”, afirmou. Ao subir os juros, o BC atua para conter a demanda da população por produtos e serviços e, deste modo, para tentar impedir a escalada dos preços. Entretanto, os juros altos prejudicam a atividade economica e, consequentemente, inibem a geração de empregos. Quando reduz os juros, o Copom julga que a inflação tende a caminhar para o índice fixado nas metas do CMN. A última vez que o Copom, por meio da definição dos juros básicos da economia, atingiu a meta central de inflação foi em 2009 – notadamente um ano de fraca atividade, marcado pelos efeitos da crise financeira mundial. Nos resta agora esperar para ver as próximas medidas do Banco Central e verificar se eles vão atingir a meta ou não.

    http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/06/governo-fixa-meta-central-de-inflacao-em-45-para-2017-mas-diminui-teto.html

    http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/06/cmn-mantem-meta-de-inflacao-no-nivel-de-45-em-2018-com-teto-de-6.html

  13. Laura Paschoin Says:

    O anúncio público das metas de inflação são importantes, pois permitem aos agentes anteciparem as ações do Banco Central, evitando dessa forma o problema de inconsistência intertemporal, levando a um ambiente econômico de menor incerteza. Sobre esse assunto, ao falar do FED, Mishikin chama a atenção sobre as diferenças na gestão entre dois diretores: um que era mais aberto ao anúncio das decisões e outro que era menos.
    É importante lembrar também que os objetivos da meta, no caso, a estabilidade da inflação (mas também podemos citar: crescimento econômico e estabilidade do sistema financeiro), demoram um tempo para serem atingidos desde a atuação do instrumento de política monetária. O regime de metas é interessante pois os seus efeitos já podem começar a ser sentidos nos instrumentos intermediários de política monetária, como a taxa de juros de curto prazo, por exemplo, e posteriormente nas taxas de juros de médio prazo. No caso brasileiro, isso é interessante, pois dada a falta de um mercado de capitais consolidado para que as empresas possam financiar seus investimentos produtivos, elas fazem isso no mercado de crédito, tornando-se mais sensíveis aos efeitos de política monetária.

  14. Luiz Henrique F. Ambrósio Says:

    A grande maioria dos bancos centrais de todo o mundo utiliza a taxa de juros de curto-prazo como instrumento
    principal de política monetária no regime de metas para a inflação. Logo, o regime brasileiro de metas para a inflação utiliza a taxa Selic como instrumento primário de política monetária. A taxa Selic é a taxa de juros média que incide sobre os financiamentos diários com prazo de um dia útil lastreados por títulos públicos, ou seja, a taxa de juros que
    equilibra o mercado de reservas bancárias. O Copom estabelece a meta para a taxa Selic, e cabe à mesa de operações de mercado aberto do Banco Central Brasileiro manter a taxa Selic diária próxima à meta.

  15. Henrique Kawakami Says:

    É interessante mencionar, como o governo faz para as metas de inflação ficarem dentro do patamar desejado. Ele faz isso através do Copom, conselho de política monetária, um órgão do banco central, e o seu principal mecanismo é que quando os preços sobem acima de um nível aceitável, ele intervém com a elevação da taxa Selic. O que isso gera? Isso faz com que o crédito fique mais caro fazendo as empresas e pessoas gastarem menos em teoria, isso consequentemente leva os preços em geral das coisas a cairem por estar havendo uma menor demanda.

  16. Bruno Ramacini Says:

    Pesquisando um pouco sobre o assunto, encontrei um artigo que compara a utilização de metas em vários países (a maioria adotou o regime na década de 90). Pode-se constatar que tais países tiveram menor volatilidade dos preços em relação aos países que compõe o globo, levando em conta países com diferentes níveis de desenvolvimento. Também podemos constatar um maior desempenho nas taxas de crescimento, o que certamente levou foi auxiliado por um regime inflacionário mais estável.

  17. João Augusto Stoffalette Clara Says:

    É interessante a discussão sobre qual seria a melhor âncora nominal para o caso brasileiro. Como sabemos, existem outros tipos de âncora nominal, como o regime cambial e meta monetária, além do PIB nominal e uma estratégia chamada de just do it, como vemos em posts sobre o tema em anos anteriores: https://roselisilva.wordpress.com/2014/11/04/ecec-e-outros-exemplos-de-ancora-nominal/ ; https://roselisilva.wordpress.com/2014/11/04/eco-i-outras-ancoras-nominais-exemplos-praticos/
    Quando comparamos as vantagens e desvantagens de cada uma, percebemos que o regime de metas de inflação é uma boa solução para nós. Pois como o regime é definido pelo anúncio oficial de uma banda para a flutuação das taxas de inflação vemos que o principal objetivo da política monetária deve ser uma taxa de inflação baixa e estável. Dessa forma ela tem como princípio a neutralidade da moeda no longo prazo, além de ser assumido que as metas inflacionárias aumentam a comunicação com o público sobre os planos e objetivos das autoridades monetárias, e por conseguinte acabam gerando o aumento da responsabilidade do banco central. O funcionamento dessas metas depende de alguns elementos como por exemplo: anuncio público para a inflação, compromisso público da política monetária para a estabilidade de preços, dentre outros.

  18. Emiliano Santos Says:

    Ao adotar um regime de metas de inflação e sistematicamente não conseguir alcançar o limite proposto inicialmente vemos que a autoridade monetária perde a sua credibilidade e faz com que os agentes passam a não confiar nos anúncios do governo e faz com que o mercado faça suas próprias previsões esperando um inflação em um patamar acima daquele estipulado pela autoridade monetária, o que por si pode afetar a decisão futura do governo, causando uma bola de neve de falta de credibilidade e metas irrealistas.

  19. Thiago Barbosa Caridade Says:

    Vale ser dito também que o anúncio de metas de inflação é feito de forma a trazer efeitos reais para o nível econômico. O anúncio de uma meta nominal, em bandas, visa afetar a s decisões dos agentes hoje para que, no caso brasileiro, nos próximos 12 meses possa-se colher os efeitos reais dessa mudança.Seu anúncio é lido pelos agentes e de forma transparente.
    As vantagens advindas do uso de metas de inflação são várias, dentre elas o fato de o regime permitir às autoridades monetárias usar todas informação disponíveis para montar o melhor cenário para a política monetária.
    Outro benefício do regime de metas de inflação é o de reduzir o efeito da inconsistência intertemporal quando tenta expandir o produto e diminuir o desemprego, ou aumentar o nível de emprego, no curto prazo perseguindo uma política monetária expansionista. Ajudando o Banco Central a apontar seus objetivos para o longo prazo.

  20. Heitor de Almeida Says:

    Como eu já havia comentado no post anterior, e também explicado pelo grupo neste post, o regime de metas para a inflação envolve mais do que o anúncio público de metas numéricas para a inflação. A transparência e a prestação de contas regulares à sociedade e a seus representantes são elementos essenciais desse regime.

    Complementando a conclusão do grupo sobre o papel das expectativas de mercado no regime de metas para a inflação, temos que um dos objetivos centrais do regime de metas é ancorar as expectativas de mercado que, de forma geral, orientam o processo de formação de preços na economia. Na medida em que o BCB anuncia sua estratégia de política monetária e comunica a avaliação das condições econômicas, os mercados têm melhores condições de compreender o padrão de resposta da política monetária aos desenvolvimentos econômicos e aos choques. Com isso, o prêmio de risco dos ativos financeiros diminui. Os movimentos de política monetária passam a ser mais previsíveis ao mercado no médio prazo e as expectativas de inflação podem ser formadas com mais eficiência e precisão. A partir do momento em que a política monetária ganha credibilidade, os reajustes de preços tendem a ser próximos à meta.

    Deixo novamente o link do artigo do BCB: http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus/faq%2010-regime%20de%20metas%20para%20a%20infla%C3%A7%C3%A3o%20no%20brasil.pdf

  21. Bárbara de Paula Pinati Says:

    O sistema de metas de inflação foi instituído como uma medida de segurança para evitar a hiperinflação que atingiu a década de 80 e 90, que foi freada com o plano real. Ter uma meta de inflação definida é importante para dar uma certa previsibilidade ao mercado, e é a maneira do BCB não deixar a inflação fora do seu domínio.
    O principal mecanismo para manter sob controle a inflação é a taxa de juros. Se a taxa de juros real efetiva for maior que a taxa de juros do equilíbrio, então o nível de atividade econômica irá reduzir, diminuindo também a taxa de inflação.
    O não cumprimento da meta, como o grupo apresentou no texto, faz com que cartas públicas do Presidente do BCB sejam enviadas ao Ministro da Fazenda explicando os motivos do descumprimento e quais serão as medidas tomadas para reverter a situação. Quando o IPCA estoura o teto da meta, como aconteceu em 2001 e 2004, há uma advertência moral, gerando insegurança nos investidores, aumentando a exigência por juros para investir no país.

  22. Tales Costa Says:

    A meta de inflação é um dos tipos de âncora nominal, e tem como algumas vantagens tornar a política monetária consistente com objetivos internos (o câmbio passa a responder a choques externos); ajudar a restringir o problema da inconsistência dinâmica; é facilmente compreendida pelo público, entre outras. Uma das desvantagens é que a inflação é considerada uma variável de difícil controle, além disso, o sistema de metas de inflação possui regras muito rígidas, isso acaba diminuindo a flexibilidade para lidar com circunstâncias imprevisíveis (regra rígida x discricionaridade). Alguns autores afirmam que no Brasil não houve uma preparação adequada da economia antes da implementação do sistema. Para adotar a política de metas de inflação as autoridades deveriam ter preparado as variáveis-chave da economia, a fim de que pudessem convergir mais suavemente.

  23. Tatiane Walder Cerri Says:

    É interessante que no artigo “Transparência do Banco Central: uma análise para o caso brasileiro” (disponível em http://www.scielo.br/pdf/rep/v30n1/v30n1a10.pdf), a fim de verificar se houve alteração no comportamento de variáveis macroeconômicas devido à adoção do regime de metas para inflação e ao consequente aumento da transparência na condução da política monetária, os autores realizam uma análise por meio de estatísticas descritivas das diversas séries no período de agosto de 1994 e término em outubro de 2006. Essas séries foram: taxa de juros mensal over-Selic; inflação mensal medida pelo IPCA; taxa de desemprego mensal da região metropolitana de São Paulo e o logaritmo natural do PIB real dessazonalizado.
    A análise dos dados permite notar que depois da adoção das metas para inflação, houve uma considerável queda nas médias da inflação e taxa de juros (queda de 29% e 44%, respectivamente). Por outro lado, houve um aumento de 15% na taxa de desemprego, enquanto que o crescimento econômico não apresentou mudança significativa (aumento de 1%).
    Considerando-se a análise da volatilidade, observa-se que com a exceção do PIB (que permaneceu estável) todas as séries apresentaram queda. A diminuição de assimetria de informações entre o BCB e o público faz com que as decisões monetárias causem um impacto menor sobre o setor privado.

    Com relação a volatilidade da taxa de inflação ao longo do período analisado vemos que há uma tendência para a inflação ser menos volátil depois da adoção do regime de metas para inflação e o aumento na transparência da condução da política monetária.
    Já com relação a evolução da variabilidade da taxa de juros (over-Selic) é possível observar que a volatilidade torna-se menos acentuada depois da adoção do regime de metas para inflação, revelando uma maior capacidade de planejamento do setor privado em relação à tomada de decisões. De acordo com os dados analisados uma consequência é que ao combinar uma menor volatilidade com uma menor taxa de juros, isso venha a ocasionar um aumento na taxa de investimento.

  24. Ana Flávia Abackerli Says:

    Entendendo que a meta de inflação tem como sua principal função antecipar as previsões para que os agentes criem expectativas e internalizem essa informação, o descumprimento da mesma, tira a credibilidade do Banco Central.
    Como apresentado no artigo, devido a baixa eficácia da política monetária no Brasil, exige-se uma taxa de juros alta na economia devido a elevada segmentação do mercado de crédito e a indexação formal e informal ainda presente na economia; além de apresentar uma estrutura produtiva fragilizada pelo custo-Brasil, que significa uma estrutura agregada menos flexível, tornando a economia mais vulnerável a choques inflacionários. O corte de juros na economia já começa a ser um sinal da volta cíclica do crescimento econômico.
    Reforçando que, o movimento do Banco Central é um importante indicador de expansão econômica, haja visto que os agentes respondes às suas ações.
    As informações foram extraídas do artigo publicado nesta semana no site da InfoMoney. http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/5573814/mais-que-estimulo-cortar-selic-seria-selo-qualidade-dado-pelo

  25. Danielle Sandrini Says:

    O cenário brasileiro, quando implantado o regime de metas de inflação foi construído como resultado do plano real, que tentava combater a desvalorizações da moeda nacional, desencadeando ações especulativas. Dessa forma, o índice de preços (IPCA) seria referência para o controle da inflação, porque o nível crescente de preços gera incertezas na economia, o que prejudica seu crescimento. Uma vez criada, a meta de inflação é dada como cumprida quando a inflação do ano se encontra na faixa tolerada e isso será efetivo com o papel da ancora nominal que fixará o nível de preços. Ou seja, ao aderir a âncora nominal, mantém-se a variável nominal em um intervalo que promove a estabilidade dos preços e consequentemente estabiliza a expectativa de inflação, além de contribuir com a inconsistência. Porém o regime de metas para inflação deve lidar com problemas de falta de transparência, como enunciado pelo grupo. Além deste, também ha inconsistência com o modelo democrático e com as preferências dos indivíduos que com base na confiança formam suas expectativas. Mesmo assim, o estabelecimento das metas pode agir como orientação para que os agentes confiem na informação divulgada e formem suas expectativas racionais da melhor forma.

  26. Felipe Lyra Says:

    É válido comentar que na última explicação para a alta na inflação acima da meta dizendo ser por causa dos reajustes dos “preços administrados”, o que comprova o argumento austríaco que o fixamento dos preços gera uma demanda acima do ideal, criando desequilíbrios em mercados locais por uma falsa oferta. Causando então, um efeito em cascata após seus altos reajustes por se tratar de bens essenciais da sociedade.

  27. Daniela Lourenço Says:

    Em relação ao tema, encontrei um material interessante disponível em http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/O-Regime-de-Metas-de-Inflacao-no-Brasil-o-que-pode-ser-mudado-/7/33475, do qual destaco:
    “(…) os países emergentes – como o Brasil – enfrentam desafios específicos ao adotar o Regime de Metas de Inflação (RMI), levando em conta que: (i) tais economias têm um repasse cambial (impacto da variação do câmbio sobre os preços domésticos) maior do que as economias desenvolvidas, uma vez que nessas economias a renda das famílias tem um proporção maior de bens comercializáveis internacionalmente (e menos serviços) na cesta de consumo das famílias; (ii) a maior dificuldade na previsão da inflação, uma vez que os choques são maiores e têm efeito mais forte nessas economias; e (iii) parte de seus passivos (grandes empresas, governos, etc.) são denominados em moeda externa, criando um problema de “medo de flutuar” em relação à taxa de câmbio, em função dos impactos deletérios da desvalorização cambial abrupta sobre dívidas. (…) Especificamente em relação ao Brasil, pode-se estabelecer a existência de três fases desde a implantação do RMI em 1999. Nos seis primeiros anos de sua adoção (1999-2004), o Banco Central do Brasil (BCB) teve dificuldades no cumprimento das metas, a despeito das altas taxas de juros, sendo o principal responsável a forte desvalorização cambial. No período 2005-2009 (à exceção de 2008), as metas foram cumpridas com maior facilidade, favorecidas pelos efeitos positivos da apreciação cambial sobre os preços domésticos. Já no período 2010-2014 a taxa de inflação aumentou, ficando perto do teto da meta. Além da elevação nos preços de alimentos e bebidas, devido ao crescimento do mercado interno e dos preços elevados das commodities, destaca-se o forte crescimento dos preços de serviços, que vem ocorrendo desde 2010, em decorrência de mudanças estruturais na economia brasileira relacionadas à melhoria na distribuição de renda e redução do desemprego. (…) Estudos mostram que o RMI na forma em que é operado no Brasil tem resultado frequentemente em efeitos colaterais negativos sobre o nível de produto e renda no país, contribuindo para a economia crescer abaixo do seu potencial.”

  28. Bárbara Ribeiro Martins Says:

    A adoção da taxa de inflação como âncora nominal e a adoção do regime de metas de inflação foi adotado amplamente principalmente a partir dos anos 90 e foi apontado como responsável pela redução da inflação a nível mundial a partir desse período.
    É curioso e interessante apontar que existem divergências entre diferentes escolas econômicas a respeito do real protagonismo desse regime como fator de tendência de deflação nas economias.
    Um artigo a respeito da diferença entre a aplicação prática e teórica desse sistema de PM diz que os economistas ortodoxos acreditam que a adoção do regime de metas de inflação por bancos centrais independentes, aliadas à políticas de ajuste fiscal são os grandes responsáveis pela trajetória de redução da inflação na maioria das economias, a partir da década de 90. (Monteiro, 2006)
    Em contrapartida, existem economistas que tentam explicar esta tendência a partir da revolução tecnológica, que possibilitou reduções de custo, incremento no nível de
    competitividade nos mercados de produto e de fatores, derivado da globalização e da
    redução do papel do governo, em muitas economias (Rogoff, 2003, p. 2).
    Empiricamente, como também é apontado nesse artigo, existe de fato uma indicação de redução do nível inflacionário nos países após a adoção do IT, porém as características distintas de todos os países analisados (países desrnvolvidos e emergentes) deixa margens de dúvida sobre o real protagonismo adoção do IT sobre a redução da inflação dos países e portanto, a estabilidade de preços.
    Essa é uma ótica extremamente interessante sobre a eficiência das estratégias de política monetária e abre um grande espaço para discussões a respeito da eficiência da escolha das âncoras nominais noa diferentes países e suas respectivas economias.

  29. Pedro Parra Says:

    Como citado pelo grupo e por Minella, “o regime de metas de inflação passou a ser um importante mecanismo coordenador de expectativas, de forma geral, orientando o processo de formação de preços. Os movimentos de política monetária passam a ser mais previsíveis ao mercado no médio prazo e as expectativas de inflação podem ser formadas com mais eficiência. A partir do momento em que a política monetária constrói credibilidade, os reajustes de preços tendem a ser próximos à meta.”
    Fica claro que um sistema de metas de inflação contribui para a credibilidade das das autoridades monetárias, do governo e de suas políticas fiscais e monetárias. Então é plausível assumir que se há uma quebra nessa confiança, como se observou recentemente com o expressivo aumento no nível de preços devido à má gestão das contas públicas, os indivíduos nessa economia percam a confiabilidade no governo e nos gestores de políticas monetárias. Que é o que se observou no Brasil recentemente.


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