E-ECO: Uma comparação entre os instrumentos de política monetária no Brasil e nos EUA

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Introdução

Sabemos que existem 3 principais instrumentos que afetam a política monetária, são elas:

  • Reservas compulsórias
  • Taxas de redesconto
  • Operações no open Market

Os objetivos nos EUA e Brasil no que diz respeito ao manuseio dos instrumentos monetários são os mesmos, mas os meios para consegui-los são distintos.

Caso Brasileiro

A gestão de política monetária do Brasil geralmente se da em open Market e reservas compulsórias. A taxa de redesconto de liquidez não é utilizada no Brasil, pois temos um sistema de pagamentos muito avançado em questão de tecnologia. Pois os fluxos de caixa são feitos em tempo real. Com este sistema, os riscos de liquidez passam a ser dos bancos comerciais e não do banco central, sendo assim, os bancos comerciais são obrigados a assumir esses riscos e terminar o dia sem estarem no “vermelho”. O banco central não remunera as reservas dos bancos comercias junto a ele como acontece nos EUA, impossibilitando (ops!!) assim a formação de um mercado de reserva.

Comparação com o caso americano:

A política monetária dos EUA é condensada nas reservas compulsórias e voluntárias. Isso ocorre porque o FED paga aos bancos comerciais uma taxa para as reservas guardadas junto a ele, criando assim um mercado de reservas nos EUA.

Como todo mercado existe também uma taxa (iff – interested federal funds). Como as reservas dos bancos americanos são lastreadas em títulos públicos, esta taxa do banco central americano vem da formação dos mercados de títulos. Com este esboço podemos apresentar a curva de oferta de reserva deste mercado como a somatória das reservas não emprestáveis (MBn – nonborrowed monetary base), que são as operações de open Market e as reservas emprestáveis (BR – borrowed reserves), que consiste nas compulsórias e voluntárias, que, para serem retiradas do FED, devem pagar uma taxa de redesconto. A formação da demanda neste mercado consiste na atuação dos bancos comerciais.

­­­Relação dos Depósitos Compulsórios com o Multiplicador Monetário

Depósitos compulsórios são instrumentos de política monetária e de preservação da estabilidade e a Solidez do Sistema Financeiro Nacional e influenciam o multiplicador monetário, ampliando ou reduzindo o volume de recursos que os bancos podem transformar em crédito para a economia e, dessa forma, controlam a expansão dos agregados monetários.

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Figura 1 – Depósitos Compulsórios Brasil 09.2006 à 09.2015

Como visto anteriormente, o depósito compulsório possui uma relação inversa com o multiplicador monetário, pois quanto maior os depósitos compulsórios, menos recursos os bancos terão para emprestar e menor será o multiplicador monetário.

Utilização dos compulsórios na crise internacional de 2008

Nos países mais expostos aos papéis lastreados em hipotecas subprime do mercado imobiliário norte-americano houve uma rápida deterioração dos indicadores de solvência dos bancos e motivou a adoção de medidas emergenciais de contenção da crise. Entretanto no Brasil, as medidas adotadas foram para atenuar os efeitos da crise sobre o sistema bancário doméstico para compensar a diminuição da liquidez nos mercados financeiros. O confortável volume de depósitos compulsórios possibilitou ao BCB injetar liquidez no sistema bancário e contribuiu para normalização das condições de crédito. Houve uma liberação seletiva de recursos que deveriam ser direcionados a aquisição de ativos ou realização de depósitos de/em bancos pequenos e médios. Os recursos foram liberados para aplicação em instituições com Patrimônio de Referência de até R$7 bilhões que não fizessem parte dos conglomerados dos aplicadores. Para evitar a concentração, cada banco poderia aplicar somente 20% de tais recursos em uma mesma instituição. Essas medidas ocasionaram uma redução do montante agregado recolhido, de pouco mais de R$ 250 bilhões para cerca de R$ 180 bilhões.

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Fiugra 2 – Evolução do Recolhimento Compulsório 03.2008 à 03.2016

Referencias Bibliográficas:

https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries

http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus/faq%2012-depósitos%20compulsórios.pdf

https://www.federalreserve.gov/monetarypolicy/fomc.htm

MISHKIN, F. “Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.”

Notas de Aula

 

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41 Respostas to “E-ECO: Uma comparação entre os instrumentos de política monetária no Brasil e nos EUA”

  1. Arthur Della Vecchia Says:

    A quem se interessar, no link abaixo pode se baixar a planilha com dados referentes à taxa de reservas compulsórias no Brasil, sobre várias modalidades (depósitos à vista, a prazo, poupança, etc):

    http://www.bcb.gov.br/htms/infecon/seriehistreccomp_p.asp
    (dá pra fazer um gráfico para visualizar melhor os movimentos da variável, mas como não sei postar imagem aqui nos comentários, deixo esse serviço para quem saiba e queira fazer.)

    É interessante notar que, tal como comentado pela professora em sala de aula, a taxa de recolhimentos compulsórios chegou a ser de 100% (!!!) em julho de 1994, logo após a implementação do Plano Real. Isso, creio eu, pode ser explicado pela necessidade de se realizar um aperto monetário essencial para combater a inflação, além de ser uma sinalização para os agentes de que o BCB estava comprometido com a estabilidade de preços, servindo então como balizador de expectativas. Como aprendemos, se há um aumento da taxa de compulsórios, os bancos comerciais possuem menos recursos para emprestar a dada quantidade de depósitos, reduzindo o poder de multiplicação da base monetária e reduzindo assim a oferta de moeda.
    Após este ápice. a autoridade monetária foi reduzindo gradualmente a taxa de reservas compulsórias, até chegar a 45%, o nível atual, tal como também comentado em aula. Percebe-se ainda uma estabilidade da taxa em torno deste valor desde agosto de 2003.
    Mishkin cita no livro as desvantagens de se utilizar as reservas compulsórias como instrumento de política monetária, entre elas estando o fato de que atualmente nos EUA tais reservas não são obrigatórias para a maioria dos bancos, além do fato de que a elevação destas reservas pode causar problemas de liquidez imediata para os bancos nos quais elas ainda são exigidas.
    No Brasil, como disse acima, há uma estabilidade na taxa de recolhimentos compulsórios desde 2003, o que indica que o BCB também tem utilizado este instrumento de modo menos ativo. Ao que me parece, ele foi muito importante no período imediatamente pós Plano Real, pelos motivos também citados acima, sendo que após isso as operações open market se consolidaram como o principal meio pelo qual o nosso Banco Central tem tentado garantir a convergência da inflação para a meta.

    • Arthur Della Vecchia Says:

      Detalhe que esqueci de mencionar: quando digo que a taxa de compulsórios foi de 100% em 1994 e foi caindo para os 45% atuais, estou me referindo aos compulsórios sobre depósitos a vista!

    • Pedro Venturi Says:

      Interessante notar as diferenças dos instrumentos de política monetária utilizados pelo Fed e pelo BCB. Achei muito interessante e até surpreendente o fato da taxa de recolhimentos compulsórios terem chegado a 100% durante o início da implementação do plano real. Talvez isso mostre a importância dos bancos centrais sinalizarem que realmente estão dispostos a cumprir os objetivos propostos e com isso alterarem as expectativas dos agentes de modo que tal objetivo seja alcançado. Além do controle dos instrumentos clássico de política monetária a construção de uma boa reputação por parte do banco central também é fundamental para que a política monetária gere os resultados desejados. Como visto em aula, dependendo de como as expectativa sobre a inflação se comportam os efeitos de uma alteração da oferta monetária podem variar. Por exemplo, caso as expectativas de inflação se atualizem com rapidez e seu efeito seja maior que o efeito liquidez, uma política expansionista pode gerar um aumento dos juros mesmo no curto prazo. Portanto, as expectativas dos agentes desempenham papel essencial na política monetária

  2. Marina Lavez Says:

    A taxa de reserva dos bancos comerciais afeta a oferta monetária. Isso pode ser visto pelo multiplicador monetário, a variação no “r” quando positiva, diminui o multiplicador e por consequência a oferta de moeda, quando negativa, aumentará a oferta de moeda. Dessa forma, a determinação do total de reservas que os bancos devem manter junto ao Banco Central é um instrumento muito importante de política monetária.

    No Brasil, as taxas de reservas não são aplicadas somente nos depósitos a vista como também aos depósitos a prazo e outras operações passivas dos bancos comerciais, bancos múltiplos, bancos de desenvolvimento, bancos de investimento, caixas econômicas, entre outros.

    Como dito, o plano Real foi uma fase mais rigorosa de controle monetário, além do aumento do recolhimento compulsório dos depósitos a vista, elevou o recolhimento compulsório sobre a poupança de 15% para 20% e instituiu o recolhimento compulsório de 20% sobre acréscimos nos depósitos a prazo.

    Fonte: Economia Monetária. Lopes & Rosseti

    • Felipe Maia Polo Says:

      Marina, estou especulando aqui mas será que esse grande controle monetário por você mencionado poderia se relacionar com a política cambial adotada pelo BCB na época? Uma das estratégias adotadas para atingir maior estabilidade do Real foi a política de bandas cambiais, fazendo com que a taxa de câmbio fique perto de 1:1. O BCB fazia intervenções comprando e vendendo (mais ofertando do que demandando) reservas de dólar – pode ser que uma maior taxa de reservas compulsórias e sua implicação numa menor liquidez nos mercados (ceteris paribus) retraia a demanda do mercado por dólar, já “puxando” o preço para baixo e possibilitando que o BCB queime menos divisas. Faz algum sentido?

  3. Pamela Generoso Says:

    Conforme abordado pelo grupo e em complemento ao conteúdo exposto, os instrumentos de política monetária, de um modo geneŕico, referem-se às variáveis que o Banco Central controla diretamente. Existem 3 instrumentos tradicionais: operações open market, a taxa de redesconto, e as alíquotas de reservas compulsórias sobre os depósitos do sistema bancário. O redesconto é uma das formas que o Banco Central utiliza para emprestar dinheiro ao sistema bancário. Seu funcionamento depende do tipo de política de redesconto adotado, podendo ser punitivo ou não-punitivo (Marinho, 1996). Um sistema em que o Banco Central estabelece que o custo de redesconto é igual a taxa de juros de mercado mais um percentual adicional, a taxa de redesconto é chamada de punitiva. Neste caso, os bancos comercais só irão recorrer a alternativa do resdesconto como última instância. Em oposição, num sistema em que o Banco Central estipula a taxa de redesconto abaixo da taxa de juros de mercado, a taxa de redesconto é dita não-punitiva.

    Nos casos em que a taxa de redesconto é punitiva o Banco Central força as instituições bancárias a manterem um nível maior de recursos em caixa, consequentemente diminuindo a quantidade de recursos disponíveis para empréstimos pelos bancos. De modo contrário, ao utilizar uma taxa não-punitiva, ele fornece incentivo às instituições financeiras a tomarem recursos emprestados do Banco Central e consequentemente a disponibilizarem um maior número de operações de crédito ao público, ampliando o multiplicador monetário e estimulando o aumento da oferta de moeda. Desse modo, os agentes vão aumentar a demanda por títulos, gerando uma queda na taxa de juros. Um claro exemplo dessa aplicação, foi a redução da taxa de redesconto nos Estados Unidos de 3,50% para 3,25% durante a crise de 2008, numa tentaiva de aumentar a liquidez dos agentes na aconomia, via expansão da oferta de moeda.

    No mesmo sentido da taxa de redesconto, os depósitos compulsórios tambem funcionam como uma ferramenta para o controle da quantidade de recursos que as instituições financeiras terão disponíveis para realização das operações de crédito. Representam uma parte dos depósitos dos bancos comerciais que é recolhida pelo Banco Central diariamente. Da mesma forma que o redesconto, tambem está negativamente relacionado com o multiplicador monetário, à medida que torna parte dos recursos bancários indisponíveis para empréstimo, consequentemente diminuindo a capacidade de gerar moeda escritural e aumentando o custo de captação que que é repassado a taxa de juros cobrada nos empréstimos concedidos ao público. Como exemplo da aplicação dessa ferramenta, o Brasil, durante a crise de 2008, na tentativa de normalizar as condições de crédito e compensar a redução da liquidez no sistema financeiro, reduziu o recolhimento de compulsório no conforme abordado no post acima (figura 1).

    Por último, com relação às operações de mercado aberto (open market), referem-se às compras e vendas de títulos públicos realizadas pelo Banco Central. Ao comprar títulos públicos, o BC desloca a demanda por títulos, aumentando-a, consequentemente, reduzindo a taxa de juros e expandindo a oferta de moeda na economia.

    Desse modo, os instrumentos do BC são capazes de alterar os agregados monetários a medida que alteram as taxas de juros do mercado financeiro. Os juros pagos pelos bancos comerciais em sua captação e os que eles praticam em operações de crédito, influenciam a escolha do portifólio dos agentes. Quanto maior a taxa de juros real da economia, maior a propensão dos indivíduos a manter sua riqueza entesourada, aplicada em títulos públicos ou outra forma de investimento financeiro que seja capaz de render a taxa de mercado.

    REFERÊNCIAS
    http://economia.uol.com.br/ultnot/2008/03/16/ult1767u116053.jhtm
    http://www.fgv.br/professor/fholanda/Arquivo/Polimone.pdf
    Sistema Financeiro Brasileiro”. Mimeo, 1995
    Marinho, H.,Política Monetária no Brasil. Campus, Rio de Janeiro, 1996.

  4. Victória Jorge Says:

    Os bancos comerciais possuem depósitos no Banco Central chamados reservas bancárias, que constituem os recursos imediatamente disponíveis, então quaisquer transações no sistema bancário passa pela conta Reservas Bancárias, por meio desta os bancos realizam transações entre si e com o Banco Central. As reservas depositadas no Banco Central não rendem juros, desse modo a demanda de reservas se deve a obrigatoriedade dos bancos de manter no Banco Central um percentual sobre os depósitos à vista e eles precisam de reservas para realizar transações rotineiras. No entanto, a oferta de reservas provém somente do Banco Central, através de operações de mercado aberto ou de redesconto. Como apenas o Banco Central pode afetar a liquidez do sistema como um todo. No gerenciamento diário de liquidez, alguns bancos encontram-se em situação superavitária e outros em situação deficitária, com isso, durante o dia eles trocam reservas entre si. Geralmente, o sistema está com sobra ou falta de reservas, nesse caso, sem a atuação do Banco Central a taxa de juros cairia ou subiria. Entretanto, ele tem o poder de fixar a taxa de juros do mercado de reservas vendendo e comprando reservas a uma taxa de juros determinada, em períodos de um dia. A taxa de juros do mercado de reservas bancárias é a taxa de juros que o Banco Central controla diretamente e é a partir dela que as demais taxas de juros são formadas.
    http://www.bcb.gov.br/htms/relinf/port/1999/06/ri199906b3p.pdf

  5. Isabela Oliveira Melo Says:

    Como visto no post, os depósitos compulsórios são parte dos depósitos efetuados pelos clientes não bancários nos bancos comerciais deve ser recolhido ao Banco Central, compulsoriamente. Esse instrumento tem o objetivo de diminuir o poder que os bancos comerciais possuem de multiplicar o dinheiro em circulação através dos empréstimos, possibilitando ao Banco Central manter o controle da quantidade de dinheiro em circulação. Esses depósitos variam de 15 a 42% dos depósitos. Sendo 42%para depósitos a vista, 15% para depósitos a prazo, 20% para depósitos de poupança modalidade rural e 15% nas demais modalidades. Nos EUA, por lei, o depósito compulsório deve ser entre 7% e 22% ficando, na prática, por volta de 10%. Podemos ver também, que esse tipo de instrumento é um dos mais usados pelo Banco Central, proporcionou ao Brasil não ter grandes consequências da Crise de 2007-2008, que gerou queda no crescimento de muitos países. Mas eu me pergunto se essas reservas tem seu lado ruim para a economia?

    http://www.fgv.br/professor/fholanda/Arquivo/Polimone.pdf
    http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/instrumentos-da-politica-monetaria/67946/

  6. Guilherme Pompeu Says:

    Com relação à demanda de reservas bancárias temos duas componentes: uma delas são as reservas compulsórias (exigidas) que são obrigadas a manter junto ao Banco Central e temos também as reservas excedentes (voluntárias) que os bancos desejam manter para atender às necessidades de liquidez inerentes à atividade bancária. O fato de que a venda de títulos públicos transforma-se imediatamente em reservas bancárias, tornou a demanda de reservas excedentes independente da taxa de juros. No caso brasileiro os bancos preferem ter em sua carteira títulos públicos, que rendem juros, ao invés de reservas bancárias excedentes dado que estas não são remuneradas pelo Banco Central. Em contra partida no caso estadunidense os bancos comerciais muitas vezes vão optar por ter reservas junto ao Banco Central além daquelas que são obrigatórias, pois neste sistema o Fed (Banco Central dos EUA) remunera as reservas voluntárias com uma taxa.
    Ainda com relação às reservas, tanto o Fed quanto o Banco Central Brasileiro exigem aos bancos privados ter em forma de reservas uma determinada proporção de seus depósitos. Os bancos possuem estas reservas exigidas em numerário com maior frequência em forma de depósitos na conta de reservas do banco em um banco regional do Fed no caso estadunidense ou no Banco Central Brasileiro no outro caso. A autoridade do Fed para fixar o nível de reservas exigidas permite-lhe usufruir de um enorme poder sobre os empréstimos que concedem os bancos privados já que, alterando o nível de reservas exigidas, pode-se alterar diretamente as possibilidades do sistema bancário de conceder empréstimos. Tendo em conta que o excesso de reservas dos bancos é a diferença entre as reservas totais e as reservas exigidas, para uma determinada quantidade de reservas totais, uma redução das reservas exigidas eleva o excesso de reservas e, portanto, eleva também a possibilidade dos bancos privados de conceder créditos aos agentes (quando reduzimos o nível de compulsório o multiplicador monetário se eleva gerando uma situação que há mais dinheiro para ser emprestado). A alteração do nível de reservas compulsórias é de fato um poderoso instrumento para alterar a capacidade do sistema bancário de conceder empréstimos e desta forma afetando o nível de oferta no mercado. Tal instrumento discutido também é válido para o Banco Central Brasileiro tendo a capacidade de intervir na oferta monetária.
    Para finalizar sabemos que por questões institucionais e históricas o principal instrumento de política monetária brasileiro se distingue do estadunidense de tal forma que aqui o principal instrumento de política monetária adotado pelo Banco Central Brasileiro são as operações de mercado aberto em que o BCB atua comprando e vendendo os títulos do governo de curtíssimo prazo e assim ele gera um impacto no mercado de títulos proporcionando também um impacto no mercado de moeda afetando a oferta da mesma enquanto nos EUA o principal instrumento de política monetária adotado pelo Fed é no mercado de reservas bancárias, ou seja, tanto as compulsórias quanto as voluntárias dado que lá há este mercado devido a remuneração destas reservas e assim neste caso quando ocorre mudanças temos um impacto no mercado de moeda gerando variações na oferta da mesma.

    http://www.fgv.br/professor/fholanda/Arquivo/Polimone.pdf

  7. Diego Domingues Says:

    Os Bancos Centrais possuem objetivos de longo prazo e utilizam os instrumentos de política monetária em uma busca contínua para atingi-los, em geral, estabilidade da moeda e, portanto, dos preços; e como dito em aula, o gerenciamento da política monetária se dá diariamente, com o banco central em contato com os players dos mercados financeiros para fazer com que seus comportamentos e expectativas se ajustem ao que o banco central deseja, intervindo na economia para corrigir eventuais comportamentos e expectativas que julgue indesejáveis na busca pela estabilidade. Dessa forma, podemos perceber que a gestão da política monetária se estrutura de forma que seja compatível com os objetivos que o banco central quer alcançar, é exatamente esse o ponto do artigo desenvolvido por Bernanke e Mishkin ainda em 1997, “Inflation Targeting: A New Framework for Monetary Policy?”, em que analisam como o regime de metas de inflação afetará a política monetária. Assim, a condução da política monetária pode ser revista ao longo do tempo se o banco central redefinir seus objetivos, adaptando-a.

    Logo, é necessário analisarmos como os bancos centrais realizam o gerenciamento dessas políticas, estamos acostumados, no curso, a trabalhar com os instrumentos clássicos de política monetária, como o post nos traz: a taxa de reservas compulsórias, a taxa de redesconto e operações de open market. Entretanto, existem outros instrumentos que o banco central pode lançar mão para atingir seus objetivos, em “Instrumentos Não Convencionais do Federal Reserve frente à Crise de 2007-08” (tese de mestrado), o autor cita os instrumentos da Unconventional Monetary Police (UMP), usados pelo Fed para combater a crise de 2007-2008, ao longo do texto evidencia-se que novos instrumentos foram utilizados para dar liquidez e socorro ao sistema financeiro e que poderiam, potencialmente, ser utilizados em “tempos normais” para auxiliar o Fed a alcançar os objetivos a que se propõe.

    Bernanke, Ben S., and Mishkin Frederic S. “Inflation Targeting: A New Framework for Monetary Policy?” The Journal of Economic Perspectives 11, no. 2 (1997): 97-116.
    Pereira, Eduardo P. “Instrumentos Não Convencionais do Federal Reserve frente à Crise de 2007-08” Tese de Mestrado, UFRJ, 2014.

  8. Wenderson Pizzo Says:

    Como se sabe os instrumentos de política monetária afetam a oferta de moeda, dessa forma, creio que é interessante demonstrar como ocorre a derivação da fórmula da oferta da moeda:

    M=m*MB , onde, M= Oferta de moeda; m= multiplicador bancário e MB= Base monetária

    Para fazer a derivação é necessário ter o conhecimento inicial das seguintes fórmulas:
    • c= C/ D , onde C= PMPP e D= Depósito a vista
    • C= c * D, onde C= PMPP e D= Depósito a vista e c=C/D
    • e= ER/D, onde ER=Excesso de reservas e D= Depósitos a vista.
    • ER= e*D, onde ER=Excesso de reservas e D= Depósitos a vista
    • rr= RR/D, onde RR= Reservas requeridas e D= Depósitos a vista
    • RR= rr x D, onde RR= Reservas requeridas e D= Depósitos a vista
    • R= RR + ER, onde R é a soma das Reservas requeridas e das Reservas em excesso.

    Dado que a base monetária MB é igual a C mais as reservas R, temos:

    MB = R + C = (rr X D ) + ER + C
    .
    Rearranjando, novamente a MB, podemos chegar às seguintes fórmulas:

    MB = ( rr * D ) + ( e * D ) + ( c * D ) = ( rr + e + c ) * D

    D= (1/(rr + e + c)* MB

    Como, M é igual a M1, logo M = D + C, então, M = D + (c * D), o que nos faz derivar a fórmula da oferta de moeda de outra maneira, indicando quanto varia a oferta de moeda em resposta a uma alteração no multiplicados monetário, dado uma base monetária:

    M= (1 + c)/(rr + e + c)* MB

    Ou seja, m= (1 + c)/(rr + e + c).

  9. Marcelle Rocha Says:

    O Banco Central do Brasil, desde a criação do mercado aberto no início da década
    dos 70, intervém diariamente no mercado de reservas bancárias para fixar a taxa de juros
    básica da economia, a taxa SELIC/overnight. É conhecimento comum, obtido em
    qualquer livro texto de economia, que num sistema de câmbio fixo o banco central não
    pode fixar simultaneamente a taxa de câmbio e a taxa de juros. No curto prazo, o banco
    central pode esterilizar suas compras de moeda estrangeira vendendo títulos públicos.
    Mas este tipo de operação não pode ser feita de modo ilimitado, pois o banco central
    depois de vender toda sua carteira de títulos públicos comprando reservas internacionais,
    teria de aumentar indefinidamente suas obrigações por emissão de títulos de
    responsabilidade do próprio banco central.
    Na prática a maneira precária de compatibilizar o controle simultâneo das taxas de
    juros e de câmbio é introduzir controles no balanço de pagamentos, seja na conta corrente
    como na conta de capital. Na conta corrente a maneira mais simples é colocar barreiras ao
    fluxo de comércio, através de impostos nas importações e(ou) subsídios nas exportações,
    ou mesmo estabelecer restrições quantitativas. Na conta de capital a maneira tradicional é
    colocar impostos na entrada de capitais, ou mecanismos equivalentes como um sistema de
    quarentena, onde o capital estrangeiro só pode ser internalizado no país depois de um
    período de isolamento no banco central.
    http://www.fgv.br/professor/fholanda/Arquivo/Polimone.pdf

  10. Lucas Wagner Says:

    Parabéns ao grupo pelo post!
    Eu queria só esclarecer um ponto. Foi afirmado no post que “O banco central não remunera as reservas dos bancos comercias junto a ele como acontece nos EUA, impossibilitando (ops!!) assim a formação de um mercado de reserva”. Essa afirmação não é verdade, pois muito embora as reservas que os bancos mantém junto ao Banco Central não rendam juros, o mercado de reservas existe, e é por meio dele que as taxas básicas de juros são determinadas. Esse mercado existe porque os bancos raramente estarão em “equilíbrio”: eles estarão em situação deficitária ou superavitária em relação àquilo que o Banco Central requer que eles mantenham como depósitos compulsórios, e eles emprestam dinheiro entre si por meio das contas de reservas bancárias. As taxas de juros que vigoram nesses empréstimos são um dos determinantes da taxa de juros básica da economia.
    No entanto, o valor do saldo das reservas dificilmente é zero. Sempre há reservas faltando ou reservas sobrando, e isso significa que as taxas de juros nesse mercado ficariam oscilando. Então, o banco central, como único ofertante de reservas, vende e compra reservas de forma que a taxa de juros sempre irá convergir para o ponto que ele deseja.

    • Guilherme Kermentz Ferraz Costa Says:

      Oi Lucas,

      Ótimo ponto que você levantou. De fato, o mercado de reservas é extremamente importante no Brasil.
      É importante lembrar também que a taxa de juros SELIC- formada no mercado em questão, e que depende das intervenções do COPOM- constitui o principal instrumento de política monetária atualmente.
      De fato, conforme discutido por Lopes, Mollo e Colbano (2012), desde a década de 80 os economistas, em geral, têm proposto o manejo da política monetária via taxa de juros, em detrimento do gerenciamento direto dos agregados monetários. Isso ocorreu porque foi constatado que a velocidade de circulação porque a velocidade de circulação da moeda seria mais volátil do que se pensava anteriormente, na era “Friedmaniana”.

      O manejo da política monetária via taxa juros pode ser modelada, inclusive no Brasil, por meio da regra de Taylor, que associa o aumento da taxa de juros tanto ao aumento da inflação em relação a meta, bem como ao desvio positivo do produto em relação ao produto potencial. Detalhes desse modelo podem ser encontrados também no início do artigo mencionado de Lopes, Mollo e Colbano (2012).

      Referência:
      LOPES, Mariana de Lourdes Moreira; MOLLO, Maria de Lourdes Rollemberg; COLBANO, Fabiano Silvio. Metas de inflação, regra de Taylor e neutralidade da moeda: uma crítica pós-keynesiana. Rev. Econ. Polit., São Paulo , v. 32, n. 2, p. 282-304, June 2012 . Available from . access on 27 Sept. 2016. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-31572012000200008.

      • Guilherme Kermentz Ferraz Costa Says:

        Só uma correção na minha própria resposta. A Selic é formada no mercado de títulos publicos, mas se reflete no mercado interbancário, ja que reservas são substitutos quase perfeitos de titulos públicos.

      • Luiz Felipe Coser Guarnieri Says:

        Lucas e Guilherme, parabéns também pelos comentários.

        Gostaria apenas de fazer um complemento ao dizer do Guilherme, o qual disse que a taxa básica de juros SELIC, formada no mercado de títulos e que depende das decisões do COPOM, constitui o principal instrumento de política monetária doméstica.

        Acredito ser importante acrescentar a respeito da diferença entre a taxa Selic e a Taxa CDI. As taxas Selic e CDI são correlacionadas. Ambas refletem operações de compra e venda de dinheiro por um dia no mercado financeiro. A Selic remunera títulos públicos federais. O CDI é um juro interbancário. É referente, portanto, a negócios com papéis privados emitidos por um banco para tomar dinheiro de outro.

        O mercado de os títulos públicos de curto prazo, administrado pelo Banco Central, tem por objetivo administrar a liquidez do sistema financeiro para manter o juro de mercado de um dia o mais próximo possível da meta Selic – taxa definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom), hoje estabelecida em 14,25% a.a.

        Por sua vez, o CDI é a taxa de referência de um mercado garantido e composto por títulos bancários privados. Criado em meados da década de 1980, esse instrumento de captação de recursos teve e tem por finalidade a transferência de sobra de caixa entre os bancos. Mas ao longo do tempo, esse ativo ganhou outros atributos. Transformou-se em indexador de contratos. Daí a importância da evolução de sua taxa de retorno e, mais ainda, das distorções a que pode estar exposta.

        Hoje, a taxa CDI é o principal Índice de Referência nos mercados de Fundos de Investimento e de Renda Fixa, sendo o benchmark mais utilizado para realizar como base nesses investimentos.

        Fontes:
        https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/01/23/descolamento-do-cdi-em-relacao-a-selic-separacao-consensual/

  11. Rafael Ribas Says:

    Achei o post bem interessante. Em particular a figura 2, pois mostra os efeitos da ação suavizadora do BCB em relação à crise de 2008, associando isso ao nível de reservas compulsórias!
    Pelo que entendi da teoria apresentada em sala de aula, quando o BC realiza política monetária através de open market, a contrapartida dos lançamentos no BC pode ser tanto no papel moeda em poder do público, quanto nas reservas voluntárias; que é como ocorre no caso brasileiro. Já no caso estadunidense, o FED tem como principal instrumento de política monetária, o poder de alterar a remuneração paga pelo BC aos bancos comerciais, sobre os recursos armazenados como reservas voluntárias.
    O ponto mais importante importante de se ressaltar nessa diferença, é diferença no nível de controle e eficiência da política monetária. O FED sabe que sua política monetária terá seu primeiro impacto nas reservas dos bancos comerciais; já o BC do Brasil , não.
    Conforme mostrado pelo Wenderson Pizzo no comentário acima, o multiplicador monetário é dado por: m = (1 + c)/(rr + e + c). E portanto, não saber se o efeito da política monetária será sobre “c” e/ou sobre “e” aumenta o nível de incerteza sobre o impacto no “m”.
    Sendo assim, pergunto-me se já existem planos para que ocorra essa aproximação do modelo norte-americano pelo BCB. E se sim, como deve ocorrer essa transição? Seria através da assinatura de um “simples documento” que mude as regras do SFN, e portanto, aumente o controle do BCB e a eficiências em suas ações de suavização dos ciclos econômicos? Os agentes de mercado já esperam isso?
    Procurei algum paper que tentasse simular a diferença de eficiência da política monetária nos dois casos, mas não encontrei..

    Segue link de um paper interessante, publicado em 2009, que tenta explicar por que os bancos estavam segurando tantas reservas voluntárias após a crise de 2008: http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1543348

  12. Anibal Amêndola Paschoal Says:

    De uma maneira generalizada, o texto trata sobre o mercado monetário, responsável pelas operações de curto e curtíssimo prazo, proporcionando um controle rápido da liquidez da economia e das taxas de juros que as autoridades monetárias pretendem alcançar.
    As operações de “Open Market” permitem a regulação diária da oferta monetária e da taxa de juros, gerando liquidez aos títulos que são negociados, por meio de sua compra e venda.
    Os depósitos compulsórios são os depósitos que os bancos são obrigados a manter no BC em reservas bancárias, podendo ser efetuados em espécie ou em títulos. Este instrumento permite ao BC regular o multiplicador monetário mediante o aumento do compulsório: reduz a capacidade de empréstimos e de criação de moeda escritural; e diminuição do compulsório: aumenta a capacidade de empréstimos e de criação de moeda escritural.
    O redesconto de liquidez é o instrumento permite ao Banco Central conceder empréstimos, na forma de crédito em reservas bancárias, aumentando a cobertura para deficiências momentâneas de caixa.
    A política monetária representa a dimensão da política econômica voltada para a administração do volume de moeda e crédito na economia, a estrutura da taxa de juros e seus efeitos sobre a economia como um todo.
    A taxa de juros básica da economia é a SELIC, que é a média das operações compromissadas com prazo de um dia útil (overnigth) e que tenham por objeto títulos públicos federais registrados no Selic.
    A meta para a Selic é definida pelo Copom em suas reuniões mensais, tendo em vista a sua avaliação sobre a evolução das variáveis econômicas. E, é importante dizer a meta da taxa Selic pode ser atingida por meio da compra/venda de títulos do Tesouro Nacional.

  13. Caio Duarte Says:

    Como já apontado no post e em alguns comentários que a diferença entre a maior utilização de certos instrumentos de política monetária entre o Brasil e os EUA se deve a fatores históricos e institucionais, sendo que o Brasil opera principalmente via operações de compra e venda de títulos públicos de Curto prazo sua política monetária e os Estados Unidos utilizam além de políticas de Open Market, usa principalmente a taxa de Redesconto e a taxa de juros de remuneração as reservas voluntárias que os bancos comerciais deixam no FED. Cabe-se ressaltar aqui que mesmo eles atuando com políticas distintas eles buscam objetivos comuns como o controle da inflação, sendo esse um dos maiores objetivos do BCB, e do FED também, mas este também leva em consideração o crescimento do produto como meta em algumas das vezes. Algo não discutido e que pode ser útil para entender essa diferença de instrumentos pode ser a estrutura e origem de cada um dos bancos centrais, pois no Brasil o Banco Central apesar de ser independente, ele é uma instituição pública, o que para alguns autores pode causar uma relativa submissão do Banco Central à políticas do governo em exercício. Já nos EUA o FED ele é uma instituição mista( pública e privada), isso se deve a maior força que a cultura do setor privado está na cultura norte americana, e isso aumenta a independência do FED em relação ao governo teoricamente, pois o FED está sujeito também a pressões tanto do poder executivo quanto do Legislativo. Por fim nota-se que essas diferenças institucionais e a utilização de determinados instrumentos mecanismos de política monetária tem efeitos distintos no início, pois cada instrumento afeta inicialmente um determinado mercado, mas esse efeito depois é transposto para o resto da economia garantindo assim uma convergência com as metas estipuladas por cada um dos Bancos Centrais.

    Referências: MISHKIN, F. “Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.”

  14. Bianca Buzzo Alonso Says:

    Complementando a informação do grupo a respeito das políticas monetárias no Brasil, como eles citaram, as operações de mercado aberto (open market) são o principal instrumento utilizado pelo BCB para regular a disponibilidade de reservas bancárias. O intuito principal dessa política é garantir que se atinja a meta para a taxa Selic estabelecida pelo Copom. Essas operações consistem na compra ou venda, de forma definitiva ou com o compromisso de revenda ou recompra (operação compromissada), no mercado secundário, de títulos públicos federais custodiados através da Selic.

  15. soserra Says:

    Quanto aos instrumentos de política monetária brasileiros, também existem diferenças em relação aos instrumentos de política monetária do Banco Central Europeu. O Sistema Europeu de Bancos Centrais (SEBC) é composto pelo BCE e pelos bancos centrais nacionais dos Estados-Membros da UE. O objetivo primordial do SEBC é a manutenção da estabilidade dos preços- definida como uma taxa de inflação inferior mas próxima de 2 %, a atingir a médio prazo. A fim de atingir esse objetivo, o Conselho do BCE recorre a medidas de política monetária convencionais e não convencionais. Os instrumentos da política monetária convencional do BCE mais importantes são as operações de mercado aberto, as facilidades permanentes e a constituição de reservas mínimas.
    1.Operações de open market
    São importantes na orientação das taxas de juro, na gestão da situação de liquidez no mercado e na indicação da posição da política monetária através de quatro operações:
    a.Operações principais de refinanciamento — são operações regulares reversíveis de cedência de liquidez com frequência semanal e um prazo de maturidade duas semanas. Proporcionam a maior parte da liquidez ao sistema bancário. A taxa mínima dessas operações é uma das principais taxas diretoras do BCE.
    b.Operações de refinanciamento de prazo alargado — são operações reversíveis de cedência de liquidez com frequência mensal e um prazo de maturidade de três meses.
    c.Operações ocasionais de regularização — são operações cujo objetivo é fazer face às flutuações inesperadas de liquidez no mercado, a fim de atenuar os efeitos sobre as taxas de juros;
    d.Operações estruturais — são operações destinadas a ajustar, de forma permanente, a posição estrutural do Eurosistema em relação ao setor financeiro.
    2.Facilidades permanentes
    Permitem fornecer/absorver liquidez com um prazo de maturidade de um dia e a EONIA (índice overnight médio do euro) mede a taxa de juro efetiva no mercado interbancário overnight do euro. O Eurosistema disponibiliza duas facilidades permanentes às instituições de crédito: a facilidade permanente de cedência de liquidez, que torna possível obter liquidez overnight do banco central; e a facilidade permanente de depósito, que permite fazer depósitos overnight no banco central.
    3. Reservas mínimas (no caso, compulsórias)
    O BCE pode exigir que as instituições de crédito constituam reservas mínimas junto do BCE e dos bancos centrais nacionais, para, assim, estabilizar as taxas de juro de curto prazo no mercado e criar (ou aumentar) uma escassez estrutural de liquidez no sistema bancário em relação ao Eurosistema, o que facilita o controle das taxas do mercado monetário.

    Nos últimos anos, o BCE também tomou algumas medidas de política monetária não convencionais, a qual foi citada pelo Diego em seu comentário, no qual discorre sobre os instrumentos não convencionais de política monetária utilizados pelos Estados Unidos para combate da crise de 2007-2008.

    Fonte:
    https://www.ecb.europa.eu/pub/pdf/other/monetarypolicy2001pt.pdf?6557998a26778381c082e099173845dc

  16. Murilo Mello Says:

    Em pesquisa na web, pude encontrar um artigo do Instituto de Economia Agrícola que bem define os instrumentos de política monetária e apresenta medidas tomadas pelo BACEN durante a crise de 2008.
    Conforme apresentado no Post elaborados pelos colegas, os instrumentos de politica monetária utilizados pelo BACEN são três, mais detalhadamente são apresentados:
    O primeiro deles consiste nas operações de Open Market. Nesse caso, quando o BACEN, por um lado, realiza a compra de títulos no mercado, isso resulta em expansão da liquidez e induz a redução da taxa de juros, por outro, quando o BACEN vende títulos no mercado, a quantidade de moeda na economia é contraída e, como conseqüência, a
    taxa de juros eleva-se. Portanto, dado que há relação direta entre os lados real e monetário da economia, as operações de Open Market impactam diretamente o nível de investimento da economia.
    O segundo instrumento é a política de depósitos compulsórios, em que a autoridade monetária determina o percentual dos depósitos à vista que os bancos devem deixar em poder do BACEN. Quanto maior esse percentual, menor a quantidade ofertada de moeda na economia à disposição do sistema bancário para realizar empréstimos, e maior a taxa de juros; por outro lado, quanto menor o valor do compulsório, maior a quantidade ofertada de moeda na economia, e, como resultado, maior o volume de recursos à disposição dos bancos para alavancar as operações de crédito, o que induz o aumento dos investimentos das empresas.
    O terceiro instrumento é a política de redesconto, em que o BACEN empresta recursos a instituições financeiras com problemas de liquidez. No entanto, é necessário observar que, para evitar que as instituições financeiras com problemas de liquidez recorram constantemente a esses empréstimos, o BACEN cobra uma taxa de juros acima da taxa praticada no mercado para evitar problemas de risco moral no comportamento dos bancos, pois esses últimos, sabendo que terão aporte de recursos do BACEN, operam com nível de reservas abaixo do ideal. Logo, a solução do BACEN é emprestar fundos a uma taxa de juros punitiva.

    De posse de tais instrumentos o BACEN, durante a crise de 2008/2009, portou-se da seguinte maneira:
    >> Após longo período voltou a atuar no mercado de câmbio, passando de comprador para vendedor;
    >> Redução do percentual de depósitos compulsórios com o intuito de reduzir a taxa de juros e substituir o crédito externo pelo interno.

    http://www.iea.sp.gov.br/ftpiea/AIA/AIA-66-2008.pdf

  17. Fabio Garcia Silva Says:

    Entre os três instrumentos clássicos para política monetária, apresentados pelo grupo e visto em aula, embora existam e possam ser executados tanto nos EUA como no Brasil as características institucionais do sistema monetário de cada país acaba por induzir uma diferenciação no grau em cada instrumento é de fato utilizado.
    Nos EUA com a taxa básica de juros sendo formada principalmente no mercado de reservas o principal instrumento para política monetária é a taxa de redesconto. A taxa de redesconto é o valor pago pelos bancos comerciais ao FED quando precisam emprestar recursos deste para zerar as transações diárias. Controlando o valor da taxa de redesconto o FED ajusta a liquidez dos bancos comerciais.
    A taxa de redesconto também existe no Brasil, embora não seja o principal instrumento para política monetária utilizado, pois a característica institucional de nosso sistema viabiliza empréstimos interbancários que possibilita aos bancos em caso de saldo negativo no dia emprestar de outros e então zerar suas transações diárias.
    A política monetária é feita portanto principalmente através de operações de open market. O governo através de diversos agentes opera no mercado secundário de títulos públicos de curto prazo comprando e vendendo títulos. Afetando desta forma o mercado de moeda e assim controlando a liquidez da economia.

  18. Daniel Wetzel Says:

    Pesquisando sobre o assunto, encontrei um artigo que mostra que as reações dos bancos à políticas monetárias no Brasil (e imagino que tal fato se repita em outros países também) se diferenciam entre bancos públicos e privados, de tal forma que os bancos públicos reagem mais rapidamente ao aumento das reservas compulsórias, visto que estão mais alinhados às decisões do governo. Porém, a manipulação da taxa básica de juros possui os efeitos esperados na oferta de crédito apenas com os bancos privados, devido aos bancos públicos comumente apresentarem fornecimento de crédito subsidiado e seus objetivos não serem necessariamente o lucro como em instituições privadas, assim, o acesso ao crédito apresenta alterações menores em resposta à política monetária.
    Deixo o artigo aqui para quem interessar:
    http://revistas.pucsp.br/index.php/rpe/article/view/7537/5490

  19. João Paulo Cinegaglia Says:

    A questão dos depósitos compulsórios apresenta duas faces que abrem discussões bastante amplas: enquanto de um lado há a preocupação com “o que pode vir a ocorrer em uma forte baixa de liquidez internacional”, de outro temos o foco na alavancagem do sistema. A diferença, como já evidenciado pelo artigo e por comentários de meus colegas, é o que separa as políticas de reservas brasileira e norte-americana: enquanto por aqui a ideia é a de proteger o sistema financeiro de alguma quebra de liquidez fornecendo ao mesmo um colchão de liquidez que possa absorver grandes choques – como foi a crise de 2008 -, nos EUA temos que o foco se dá sobre o multiplicador monetário e suas possibilidades. Como pudemos observar na crise de 2008 e em seus desdobramentos, a alavancagem elevada pode se traduzir em um também elevado crescimento de lucros do sistema financeiro, mas, ao mesmo tempo, se reflete em um enorme risco para o caso de um revés do sistema. Filmes como Inside Job (que trata exclusivamente da crise de 2008) e The Big Short (drama que conta a história real do conjunto de investidores que decidiu apostar contra o mercado imobiliário norte-americano após analisar seus dados) nos ajudam a entender de maneira mais próxima como o fenômeno financeiro do “lucro antes, consequências depois” (envolvendo inclusive uma boa dose de “vamos retirar do caminho qualquer regulação que nos atrapalhe nesta missão”) pode gerar consequências desastrosas para um país e, como trata-se dos EUA, para toda a economia global.

  20. matheuscarrijo Says:

    Parabens ao grupo! Pesquisando mais sobre a politica monetária feita pelo instrumento taxa de juros do mercado de reserva, o qual como foi visto no trabalho é o principal instrumento do FED, encontrei reportagens que explicam um pouco a dificuldade de usar o instrumento para elevar a taxa de juros atual dos EUA. A dificuldade de se aumentar a taxa de juros, hoje praticamente 0, esta no próprio mecanismo do mercado de reservas como o FED entra nesse mercado vendendo títulos e então diminuindo a oferta reservas, fazendo com que os bancos que precisem de mais compulsório emprestem uns para os outros aumentando a taxa de juros do mercado de reservas. O problema exposto na reportagem é que uma das reações da crise de 2008 foi a politica chamada de ”quantitative easing” a qual foi a expansão da oferta de títulos públicos pra criar liquidez no mercado, influenciou no modo como se faz politica monetária pelo mercado de reservas, pois hoje os balancos dos bancos possuem tantos titulos públicos que a compra dele pelo FED para diminuir a oferta de reservas não induz os bancos a riscos de necessitar de reservas. ” There are so many dollars sitting idle that they risk interfering with the Fed’s conventional method for setting short-term interest rates. Before QE came along, the Fed would raise what is known as the Federal-funds rate by selling assets and thus draining the supply of reserves, forcing banks who need more to borrow from others. But it is hard to drive rates up like this if banks have so much cash they need never borrow.”

    http://www.economist.com/news/finance-and-economics/21602271-central-banks-swollen-balance-sheets-have-their-uses-supersize-me

    Além dessa reportagem achei mais duas as quais possuem relação com a politica de quantitative easing mostrando quais são os efeitos dessa politica na economia e como o FED realiza a possível elevação da taxa de juros. Na primeira reportagem investiga-se o impacto da remuneração das reservas bancarias compulsórias com um possível aumento da taxa de juros, além do mais o efeito da senhoriagem.

    http://www.economist.com/news/finance-and-economics/21570753-what-happens-when-fed-starts-losing-money-other-side-qe
    http://www.economist.com/blogs/economist-explains/2015/12/economist-explains-10.

  21. Rafael Bussolan Mariano Says:

    Conforme nos trouxe o Caio Duarte, investigar as “origens” do Banco Central e FED é importante no que tange a autonomia operacional de cada instituição. Sobre isso, Oreiro e Passos (2005) argumentam em artigo “A Governança da Política Monetária Brasileira” que o sistema de metas de inflação adotado no Brasil só tem seu funcionamento adequado quando as autoridades monetárias têm total controle sobre os instrumentos de política monetária, o que, segundo os autores, não acontece no Brasil.
    Para eles, inexiste um arcabouço institucional que formalize a autonomia para o Banco Central operar, sendo basicamente reflexo do comprometimento pessoal do Presidente da República. Assim, apontam que a autonomia operacional é essencial para a preservação da estabilidade da taxa de inflação no Brasil.
    Talvez pensando nisso, e trazendo o debate para a atualidade, em meados de maio de 2016, Henrique Meirelles apontou como um “avanço enorme” propor uma autonomia técnica de decisão para o Banco Central (uma vez que considera o atual cenário como um “acordo verbal”). A ideia da proposta é garantir constitucionalmente uma maior amplitude para a autonomia técnica do BaCen.

    FONTE:
    http://www.ie.ufrj.br/moeda/pdfs/a_governanca_da%20politica_monetaria_brasileira.pdf

    http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/05/governo-vai-propor-autonomia-do-banco-central-diz-ministro-meirelles.html

  22. Giovanni Di Pietra Says:

    É importante deixar claro, que a ferramenta de política monetária não é o controle da oferta de moeda, mas sim da taxa nominal de juros formada no mercado de reservas monetárias. O Federal Reserve Bank of San Francisco, assim como o distrito de New York, mantém alguns portais informativos sobre o funcionamento do próprio FED em seus instrumentos. Quanto ao “controle da oferta monetária”, mais é explicado em http://www.frbsf.org/education/publications/doctor-econ/2005/february/interest-rates-money-supply/ , relacionando importância das medidas dos agregados monetários. Um pouco mais sobre a oferta monetária dos EUA também está bem explicada nesta seção do NYFED: https://www.newyorkfed.org/aboutthefed/fedpoint/fed49.html

    • Fabrício Freitas Alves Says:

      Como você disse, a política monetária visa o controle da taxa de juros. O Federal Reserve Bank of San Francisco lançou um jogo em que você controla a política monetária do FED. Você precisa estipular a taxa de juros desejada para tentar manter a economia sob controle durante seu mandato. Ao longo do período são simulados alguns cenários (como crises, por exemplo) que tornam a simulação mais interessante. É bastante interessante, principalmente, porque você pode testar cenários com taxas “normais” e extremas. Apesar disso, é apenas um “joguinho educativo”, então as coisas são bem simples

      [LINK] http://www.frbsf.org/education/teacher-resources/chair-federal-reserve-economy-simulation-game/

  23. Maria Eduarda Pastorello Says:

    Quando se fala em instrumentos de política monetária, é interessante discutir também sobre a independência e transparência dos Bancos Centrais, uma vez que afeta diretamente a eficiência da política adotada.
    A transparência na condução da política monetária serve para reduzir a incerteza que os próprios gestores da política criam, de modo que ela está relacionada com as informações que os agente possuem (Informação assimétrica) e não com o simples fato de divulgação/propaganda. Quanto mais transparência, mais o mercado responde às informações prestadas pelo BCB e não pela figura política.

    Dessa forma, para que haja boa condução da política monetária, é preciso que o BCB tome decisões corretas ante a novas informações, de modo que a transparência deve ser entendida como um mecanismo que, se utilizado de forma correta, pode contribuir para aumentar a credibilidade na condução da política monetária.

    Além disso, um outro assunto que acho interessante destacar no que diz respeito aos instrumentos de política monetária, é o controle na fixação pelo Banco Central de um limite máximo de seus créditos para os setores da produção ou empresários, sendo possível controlar o crédito de acordo com seus empregos produtivos e às condições da economia do país. Entanto, como esse instrumento decorre da interdependência de diversos setores da economia, é difícil para as autoridades monetárias brasileiras ter a certeza da utilização final de crédito, ou seja, se o mesmo atingirá os objetivos esperados pelas autoridades monetárias.

  24. Taynã Francisconi Says:

    Como foi falado em sala de aula, o FED consegue formar suas reservas porque oferece um retorno, uma taxa, sobre aquele valor para os bancos comerciais, assim os bancos comerciais preferem armazenar parte da sua moeda no FED ao invés de manterem nos seus caixas, mesmo quando pensamos na liquidez.

    No Brasil existe as reservas compulsórias, um depósito obrigatório feito pelos bancos comerciais junto ao Bacen. O Bacen fixa esta taxa de recolhimento, a qual pode variar de acordo com os interesses do Governo em acelerar ou não a economia. Esse recolhimento tem por finalidade aumentar ou diminuir a circulação de moeda no País, portanto altera o multiplicador monetário, assim, quando o governo precisa diminuir a circulação de moeda (diminuir o multiplicador), o Bacen aumenta a taxa de compulsório recolhido, pois assim os bancos comerciais terão menos crédito disponível para emprestar. O inverso também vale, ja que quando ele quer aumentar a circulação de moedas (aumentar o multiplicador) a taxa de compulsório diminui.
    os bancos comerciais também podem fazer transferências voluntárias.

  25. Adelge Pereira de Lima Júnior Says:

    Segundo Carvalho(2005), a política monetária deve levar em conta os impactos reais na economia, evitando que medidas sejam tomadas para mitigar efeitos de políticas passadas que não consideraram os impactos reais das mesmas, ou seja, a política monetária não deve preocupar-se apenas com as variáveis nominais.
    Em outro artigo, Oureiro e Passos(2005), discutem os problemas da política monetária brasileira, cujo principal são as elevadas taxas de juros reais. Para melhorar os problemas de governança da política monetária brasileira, os autores propõem algumas mudanças, tais como: fortalecimento e ampliação do Conselho Monetário Nacional, adoção do core inflation, e aumento do peso dos agentes com efetivo poder de mudança nos preços nas previsões de inflação.
    Portanto, é possível verificar que a política monetária brasileira é deficitária, o que impede um pleno controle de juros e inflação no cenário nacional.

    Fontes: http://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/view/1089/1421
    http://www.scielo.br/pdf/rep/v25n4/28286.pdf

  26. Vagner Augusto Says:

    O Banco central na sua posição de fornecedor monopolista de liquidez, mantém o funcionamento do sistema financeiro por meio de algumas ferramentas, como a fixação da taxa de juros básica e o ajuste das reservas bancárias, conforme exposto no texto.

    Até meados da década de 90, havia pouco consenso entre os economistas, sobre quais ferramentas poderiam ser utilizadas para controle da política monetária, sendo que no texto temos menção à importância da utilização dos compulsórios – principalmente o seu papel no controle da crise internacional de 2008 e a sua relação direta com o multiplicador monetário.

    Este cenário, pode ser transferido atualmente para a situação econômica da China, uma vez, que no mês de Agosto, este país prometeu a manutenção de uma política monetária expansionista, de forma a fomentar ainda mais o crescimento do seu produto, utilizando para isto, a redução das taxas de juros – para diminuir o custo de financiamento das empresas – e diminuindo também as reservas bancárias compulsórias, de forma a tornar o seu sistema financeiro mais líquido e aumentar o seu multiplicador monetário.

    Fontes:
    http://www.valor.com.br/financas/4656971/china-promete-corte-de-juro-e-reducao-de-compulsorio-bancario
    http://www.valor.com.br/brasil/4624173/o-banco-central-e-o-juro-real

  27. Daniel Tannous Costa Says:

    Primeiramente é interessante notar que as reservas compulsórias, que hoje são como uma Rainha da Inglaterra no mercado monetário, pois não é utilizada como instrumento de política monetária, foi um instrumento de aumento da liquidez no pós-crise de 2008 no Brasil, mesmo que por um curto período de tempo. 
    Outro questionamento que me ocorre é a proximidade da taxa básica de juros do mercado monetário (SELIC) e a taxa divulgada pela Central de Títulos Privado (CETIP), o CDI. Uma resposta que encontrei foi o fato de que se essas taxas do CDI fossem diferentes da SELIC os agentes (que são os mesmos nesses dois mercados) poderiam encontrar oportunidades de arbitragem, o que levaria a equalização das taxas. 
    Isso me levou a pensar qual o porque do mercado americano conviver com uma situação de iff ser diferente das taxas de redesconto e das taxas pagas sobre as reservas sem que ocorram essas oportunidades de arbitragem. Se alguém souber me explicar isso por favor me ajude!

  28. Marcelo Dias Junior Says:

    Pesquisando na internet sobre a utilização dos compulsórios, no Brasil, na crise internacional de 2008, encontrei as medidas tomadas contra esta crise em ordem cronológica, nas quais podemos observar uma forte influencia do recolhimento compulsório e suas contribuições.

    http://economia.uol.com.br/ultnot/2008/12/11/ult4294u2001.jhtm

  29. Maria Carolina Meirelles Napravnik Says:

    O recolhimento compulsório possui diversas funções no mercado monetário que dependem da estrutura do sistema financeiro de cada país e também dos objetivos de política econômica. Ao pesquisar sobre o tema, notei que existem três propósitos para sua utilização: controle monetário; gestão de liquidez e prudencial.

    O uso dos recolhimentos compulsórios para o controle monetário é realizado no sentido de tentar estabilizar a relação entre a base monetária e os meios de pagamentos, ou seja, o multiplicador. O banco central ajusta a base monetária (pelo percentual do recolhimento compulsório sobre os depósitos) com o objetivo de controlar a oferta monetária com base nas suas metas previstas de política.

    Já sua utilização como gestão de liquidez finda a estabilização da demanda por reservas bancárias. Os encaixes dos bancos podem ser voláteis no curto prazo e o controle de liquidez feito pelas reservas médias diárias asseguram que as taxas de juros permaneçam dentro da média estipulada, pois, ao terem alguma dificuldade, os bancos podem usar valores que estejam dentro da margem dos recolhimentos compulsórios sem pressionar a taxa de juros. Ou seja, o método das reservas diárias permite ao banco a gestão de seu fluxo de caixa dentro das margens do período de movimentação dos depósitos compulsórios, diminuindo problemas de iliquidez, estabilizando a demanda de reservas e reduzindo as oscilações de curto prazo das taxas de juros.

    Por último, a forma prudencial assegura liquidez para os bancos e para sistema bancário como um todo, seja através do método das reservas médias diárias, explicado anteriormente, ou através dos depósitos compulsórios dos bancos mantidos no banco central. Este mecanismo impede os bancos de terem elevados graus de alavancagem, e, em momentos de crise, a corrida bancaria poderia ser amenizada com a injeção de liquidez do banco central com recursos dos compulsórios. Principalmente depois da crise financeira internacional de 2008, o conceito de políticas prudenciais de
    controle da estabilidade financeira voltou a tona, já que o recolhimento compulsório suaviza o crescimento do crédito, diminui a alavancagem dos bancos e evita crises de liquidez.

  30. Hudson Martins Says:

    Conforme comentado em aula, seria importante a criação de um mercado de reservas interbancárias no Brasil (reservas essas mantidas no Banco Central e não CDI’s emitidos pelos bancos). Para isso seria necessário a remuneração dessas reservas, com a vantagem de que a política monetária e consequentemente a formação da taxa básica de juros ficasse menos dependente das ações do governo. Isso porque, como se sabe, a taxa SELIC é determinada no mercado de demanda e oferta de títulos públicos de modo que a dívida do governo federal (de curto prazo) possui influência sobre a formação dessa taxa. Com esse mercado interbancário teríamos uma independência maior entre as políticas monetária e fiscal.

  31. Leonardo Veras Says:

    A política monetária é realizada para controlar o nível de preços do país e manter o “crescimento econômico”, mas para ter seu objetivo alcançado é necessário credibilidade de suas ações, acho interessante ressaltar a credibilidade que o BCB vem ganhando com os investidores através da transparência de suas ações, mas afinal será que há muitos efeitos importantes com aumento da transparência? Bom, segundo Mathia Levy da PUC Rio, que realizou alguns experimentos pode perceber a correlação negativa entre transparência e inflação, pois a maior transparência segundo o autor, dinamiza a adaptação das expectativas dos agentes e possibilita choques na economia sem abalar as expectativas de tais. Outro ponto abordado é a relação positiva com PIB per capita…Assim, vemos que muitos Bancos Centrais estão aumentando o grau de transparência, buscando maiores efeitos de suas ações sobre preço e produto.

    fonte: http://www.econ.puc-rio.br/uploads/adm/trabalhos/files/Monografia_de_Final_de_Curso_Mathias_Levy.pdf

  32. Caio César Cardoso Ribeiro Mortean Says:

    Uma coisa legal que eu li no livro são as coisas negativas em usar as reservas compulsórias como instrumento de PM. A liquidez, ainda mais em tempos sombrios para instituições financeiras, vem se tornando um ponto muito importante de ser colocado em argumentação, principalmente pela capacidade de desoneração em caráter imediato. O fato de não se “obrigar o compulsório”(desculpa a redundância) já é um instrumento que traz liquidez instantânea (não no conceito fiel do termo, mas em questão de disponibilidade)

    Entre nós, o BACEN é mais moderado no uso, uma vez que a importância maior de ter e cobrar reservas compulsórias foi colocada em prática no período de implantação do Plano Real. Uma vez que esse tipo de ordem foi estabilizado, os meios de atuação da política monetária também se alteraram nesse período, indo para um open market.

    E em uma comparação sobre as reservas compulsórias é que:

    – o Federal Reserve coloca uma taxa interessante aos bancos a ponto deles preferirem manter rendendo nessa taxa ao invés de ter a liquidez corrente.
    – Já no Brasil, a taxa é fixada mas pode variar de acordo com o nível de atuação do Governo na economia e os interesses de momento. Se as intenções cambiam do dia para a noite, as taxas também vão acompanhar essas expectativas.

  33. Pedro Violante Says:

    Em relação às diferenças entre os instrumentos de política monetária utilizados no Brasil e nos Estados Unidos, podemos destacar a existência do mercado de reservas bancárias no contexto norte americano devido à remuneração que lhes é paga pelo FED. Essa diferença (no Brasil as Reservas não são remuneradas) determina os instrumentos de política monetária a serem utilizados à medida em que existe uma relação entre os mercados de moeda, de títulos e de reservas, de tal forma que a taxa de juros determinada no mercado de Reservas (no contexto dos Estados Unidos) pode ser entendida como a mesma taxa formada no mercado de títulos.

    O argumento de que a formação da taxa de juros pode ser igualmente compreendida por meio do equilíbrio no mercado de reservas ou no mercado de títulos é explicado por meio da Teoria do Portfólio: uma política monetária que afete, por exemplo, a oferta de Reservas (uma modificação nas Reservas Compulsórias, portanto) provoca uma decisão de realocação de Portfólio a ser tomada pelos bancos comerciais. Um (a) aumento/diminuição nas Reservas Compulsórias permite que menos/mais títulos sejam demandados e, dadas a pressão negativa/positiva no preço dos títulos e a relação inversa entre preço e taxa de juros, conclui-se que uma política monetária que afete o mercado de reserva provocará efeitos também no mercado de títulos, levando-nos à conclusão de que a taxa de juros pode ser analisada por meio das curvas de oferta e de demanda em qualquer dos dois mercados mencionados acima.

    Considerando que as reservas não são remuneradas no Brasil, temos que o mercado de reservas não pode ser utilizado para explicar a formação das taxas de juros brasileiras. Sendo assim, as autoridades monetárias no Brasil conduzem políticas, em grande parte, via operações de open market no mercado de títulos. É interessante notarmos, portanto, que a taxa de juros formada no mercado de títulos pode variar em intervalos que não são pré-determinados, ou seja, tendem a ter uma amplitude maior de variação. No contexto americano, a taxa que remunera as reservas estabelece um piso para a taxa de juros, e a iff (semelhante ao CDI brasileiro) determina seu teto, de tal forma que a amplitude da variação das taxas de juros seja menor e pré-determinada.


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