A-ECO: O que esperar do comportamento da taxa de juros nos ciclos econômicos?

.

A-ECOgrafico1

A teoria monetária nos diz que a taxa de juros de uma economia é formada assim como qualquer outro “preço”: em um mercado, o mercado de títulos. Onde as escolhas dos agentes são definidas segundo a Teoria do Portfolio, para ativos de curto prazo e em condições de concorrência. A demanda por títulos, de acordo com estas hipóteses é dada pela riqueza dos agentes, retorno dos títulos em relação aos ativos reais, risco relativo e liquidez dos títulos, sendo negativamente inclinada. Já a oferta de títulos é positivamente inclinada e dada em função da necessidade de financiamento do Setor Público (que é o maior tomador de recursos das economias, portanto o maior ofertante de títulos), da lucratividade esperada do investimento produtivo (ou Eficiência Marginal do Capital) e da inflação esperada. A taxa de juros é dada pelo inverso do preço de equilíbrio neste mercado, ou seja, quando o preço de equilíbrio dos títulos diminui, a taxa de juros deverá aumentar.

Durante períodos de expansão econômica, a riqueza dos agentes aumenta permitindo-os demandar mais títulos, mas é plausível imaginar também um aumento da lucratividade do investimento real, fazendo com que mais títulos sejam ofertados e tornando este efeito ambíguo. Seu reflexo no preço de equilíbrio (portanto na taxa de juros) depende da sensibilidade das duas curvas, que pode ser estimada para cada país ou economia. No caso empírico dos Estados Unidos, e também do Canadá, o crescimento ou queda do produto está positivamente correlacionado à taxa de juros.

No caso brasileiro, esta relação não se confirma. A taxa de juros brasileira, assim como a de outros mercados emergentes, é muito volátil, contra cíclica (durante uma expansão do PIB a taxa deve diminuir), positivamente correlacionada às exportações líquidas e lidera o ciclo, conforme os dados em Neumeyer & Perri (2005). Em Kanczuk (2004), os resultados encontrados concluem que a taxa de juros brasileira é principalmente afetada por fatores domésticos como as mudanças na política fiscal do governo.

No artigo The Role of Interest Rates in the Brazilian Business Cycles (2011), o economista Nelson F. Souza-Sobrinho, testa dados trimestrais do período do quarto trimestre de 1994 ao primeiro trimestre de 2010, encontrando regularidades empíricas similares a estas para o Brasil. Neste trabalho, a taxa real de juros brasileira é caracterizada como o a taxa internacional de juros livre de risco multiplicada pelo prêmio de risco brasileiro (quanto maior o risco do país maior o seu prêmio de risco). Nesta primeira figura, temos o movimento da taxa de juros brasileira e do produto em relação aos desvios de sua tendência, onde os períodos de crise correspondem às áreas sombreadas.

A-ECOgraphBR_1

Nesta segunda, podemos observar a relação entre as exportações líquidas e a taxa de juros, também em desvios da tendência.

A-ECOgraphBR_2

Já a terceira figura ilustra uma correlação cruzada, entre produto e taxa real de juros com os dados empíricos entre Brasil e Canadá (uma economia que sabemos ter uma taxa de juros que se comporta de maneira pró-cíclica). O formato em U da curva para o Brasil sugere que é taxa de juros que desencadeia o ciclo. Estas diferentes estruturas de correlação estão associadas a fatores diversos, talvez a autoridade monetária canadense dê mais importância à estabilização do produto enquanto o BC brasileiro se preocupa mais com a estabilização de desvios da inflação esperada da tendência.

A-ECOgraphBR_3

A-ECOgraphBR_4

Porém, o trabalho afirma que os números brasileiros das correlações mais recentes entre produto e exportações líquidas, e produto e taxa de juros são menores do que os de outras economias emergentes, nos colocando em alguns aspectos próximos a outras economias relativamente maduras, em decorrência dos profundos avanços estruturais nos últimos vinte anos. O comportamento das nossas variáveis econômicas nos ciclos de negócios indica um meio termo entre o de economias emergentes e economias desenvolvidas.” 

Fontes:

Obs: Todos os gráficos não autorais presentes em Souza-Sobrinho (2011).

Dados do PIB Brasileiro – IBGE
http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?vcodigo=ST12

Dados da Taxa Selic – Banco Central do Brasil (em Ipeadata)
http://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?serid=38402

Frederic S.Mishkin, Apostolos Serletis (2011). The economics of money, banking and financial markets (4th Canadian Edition), The Behaviour of Interest Rates (p. 82-113). Toronto, Ontario: Pearson Canada.

Neumeyer, P. & Perri, F. (2005). Business cycles in emerging economies: The role of interest rates. Journal

of Monetary Economics, 52(2):345–380.

Kanczuk, F. (2004). Real interest rates and Brazilian business cycles. Review of Economics Dynamics,

7(2):436–455.

Nelson F. Souza-Sobrinho (2011). The Role of Interest Rates in the Brazilian Business Cycles. Revista Brasileira de Economia 65(3):315–336. http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rbe/article/view/3064/2262

 

 

.

 

52 Respostas to “A-ECO: O que esperar do comportamento da taxa de juros nos ciclos econômicos?”

  1. Leonardo Veras Says:

    Pra quem ficou com dúvidas na relação entre Exportações Liquidas e Taxa de Juros, segue um site que explica como funciona essa relação http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71402004000300001 .

    Em uma parte do texto é citado que a taxa de juros brasileira é afetada principalmente por fatores domésticos, como mudança nas políticas fiscais do governo, isso seria ruim?
    Ah, e se alguém puder me ajudar, mas qual seria uma possível solução para que a taxa de juros do Brasil se comporte como a dos EUA, onde tem uma relação positiva com o crescimento do PIB?

    • Victória Jorge Says:

      Acredito que a diferença entre a correlação das taxas de juros e o produto entre o Brasil e outros países possa ser devido a forma como cada país decide controlar a inflação. Já que o instrumento de política monetária mais utilizado na maioria dos países para atingir a meta de inflação pré-determinada é a taxa de juros segundo a regra e Taylor. Por essa regra a taxa de juros da economia deveria ser elevada quando houvesse inflação e reduzida quando os preços estivessem em queda. Porém a forma para afetar a inflação mais utilizada no Brasil é através da elevação na taxa real de juros que provoca uma apreciação real do câmbio, gerando um impacto negativo na taxa de inflação, direta e indiretamente, através de reduções na demanda agregada e no produto, reduzindo o crescimento econômico.

  2. Arthur Della Vecchia Says:

    Acho importante trazer à discussão a explicação dada por Mishkin ao final do capítulo 05 sobre as possíveis trajetórias da taxa nominal de juros em resposta a políticas monetárias.
    Sabemos que a médio/longo prazo uma expansão ou contração monetária não produz efeitos reais, não alterando portanto a trajetória de longo prazo do produto. No entanto, sob a ótica Novo-Keynesiana, a política monetária pode provocar oscilações de curto prazo no PIB, e tais oscilações estão demonstradas no gráfico trago pelo grupo, para o caso brasileiro, e no capítulo 05 do livro (figura 07), para o caso americano.
    O ponto é que não podemos saber a priori qual dos efeitos oriundos de uma mudança no crescimento da oferta de moeda é o mais dominante, se o efeito liquidez ( expansão monetária -> aumento da demanda por títulos -> queda da taxa de juros), o efeito renda ( expansão monetária -> mais desejo de transações/mais riqueza -> aumento da demanda por moeda e da oferta de títulos -> aumento dos juros), o efeito nível de preços (via mecanismo de aumento de salários e preços no mercado de trabalho, fazendo com que as pessoas demandem mais moeda para repor poder de compra, elevando os juros) ou efeito expectativa de inflação (também via mercado de trabalho, com trabalhadores ajustando suas expectativas conforme aumenta o nível de preços, elevando portanto a inflação esperada e reduzindo demanda por títulos devido a seu menor retorno esperado frente a ativos reais e fazendo com que se aumente a oferta de títulos devido ao menor custo real de tomar emprestado, ambos os movimentos elevando a taxa de juros).
    A depender de qual é o efeito dominante, e dependendo também da velocidade do ajuste de expectativas, haverá diferenças nas trajetórias das taxas de juros nominais frente a uma decisão de política monetária.

  3. Pedro Venturi Says:

    Interessante notar por meio do trabalho do grupo que a taxa de juros no Brasil apresenta um comportamento contra cíclico. Fica claro por meio do gráfico apresentado que em momentos de crise a taxa de juros tende a sofrer aumentos significativos, padrão que difere dos países desenvolvidos. Com certeza, há vários fatores que explicam esse fenômeno, talvez um deles seja o fato de muitas vezes as crises no Brasil virem acompanhadas de uma taxa de inflação elevada, o que faria com que políticas monetárias contracionista fossem adotadas. Atualmente, o Brasil passa por mais uma crise acompanhada de elevada inflação e seguindo o padrão apresentado pelo grupo a taxa de juros se elevou durante esse período. As últimas notas do Copom mostram a decisão de manter inalterada a taxa de juros e a previsão que inflação volte para a meta em 2017. http://www.bcb.gov.br/htms/copom/not20160720200.PDF

    • Luiz Felipe Coser Guarnieri Says:

      Gostei do seu comentário Pedro! Sem dúvidas há vários fatores que explicam o fenômeno da taxa básica de juros da economia brasileira ser contra cíclica em relação ao crescimento do produto de curto prazo da economia doméstica.
      Julgo um dos principais pontos do texto o trecho “os resultados encontrados concluem que a taxa de juros brasileira é principalmente afetada por fatores domésticos como as mudanças na política fiscal do governo”. É evidente que a situação fiscal brasileira encontra-se em estado calamitoso, com déficit nominal corrente e evolução da relação Dívida Pública/PIB sendo constantemente revisto para cima. O espectro político também possui sua contribuição na formação de expectativas dos agentes, fazendo previsões de piora no quadro fiscal dado um governo conivente com uma política flexível e pouco austera.
      Dados todos esses fatores, temos ainda que por esses e outros motivos a inércia inflacionária na economia torna a política monetária menos eficaz. A expectativa de que os preços se mantenham resistentes ou aumentem de forma descontrolada no futuro possui sua contribuição para a resiliência da taxa de juros doméstica, fazendo com que o ciclo de aperto monetário permaneça por longos períodos de tempo, inclusive em cenários recessivos da economia, evidenciando o fato contra cíclico enfatizado no texto.

    • Luiz Felipe Coser Guarnieri Says:

      .

  4. Leandro Massaki Yonemura Says:

    Pessoal, só uma observação em relação ao artigo. O autor comenta que o comportamento das variáveis econômicas brasileiras assemelha-se tanto ao de economias emergentes, quanto ao de economias desenvolvidas. No entanto, gostaria de salientar que foram utilizados dados desde 1994 até 2010 e, nesse período, mais precisamente em 1999, houve uma alteração na política cambial brasileira, saindo do câmbio fixo e passando para a política de câmbio flutuante que vigora até hoje. Meu questionamento é o seguinte, será que o comportamento citado pelo autor não estaria relacionado com a alteração na politica cambial? O autor cita em outro trecho que ” os números brasileiros das correlações mais recentes entre produto e exportações líquidas, e produto e taxa de juros são menores do que os de outras economias emergentes, nos colocando em alguns aspectos próximos a outras economias relativamente maduras”, sendo assim, caso se exclua da amostra os dados anteriores a 1999, a conclusão do artigo seria outra?

    • Diego Domingues Says:

      A questão é que se analisarmos a taxa de juros como instrumento de gerenciamento de política monetária, não se pode analisar dados antes de 1999, pois do modelo Mundell-Fleming (IS-LM-BP) sabemos que uma economia enfrenta um trade-off entre a adoção de câmbio fixo e a ação por meio de políticas monetárias, isto é, se escolher uma, abre mão da alternativa preterida. Como sugerido no post do grupo: “enquanto o BC brasileiro se preocupa mais com a estabilização de desvios da inflação esperada da tendência.”, o BCB utiliza a taxa de juros para realizar políticas monetárias, devido ao regime de metas de inflação, que, como dito em sala, serve como âncora das expectativas dos agentes econômicos. É interessante analisarmos as disparidades dos comportamentos das variáveis econômicas em diferentes países para nos atentarmos que a teoria econômica, embora abrangente não é global, ou seja, cada economia ainda possui suas especificidades que devem ser levadas em conta, especialmente quando essas características específicas se referem a um instrumento de política econômica.

      • Giovanni Di Pietra Says:

        Diego, no artigo o autor coloca esse mesmo ponto: argumenta que a diferença pode ser tanto fundamental (o que foi estimado no trabalho) quanto circunstancial no uso dos juros como instrumento de política monetária dados os diferentes objetivos das autoridades monetárias.

        Leandro, quanto à uma conclusão diferente de correlações caso a mudança no regime de câmbio fosse considerada: creio que não. Primeiro por que isso é só um fato estilizado para caracterizar o que deve ser estimado ao longo do trabalho. E algumas das outras economias emergentes estudadas em Neumeyer & Perri (2005) sofrem estas mesmas mudanças também. A ideia é que comparativamente a taxa tem se diferenciado mais das regularidades com esses países, porém ainda no sentido oposto ao das “economias relativamente maduras”.

      • matheuscarrijo Says:

        Interessante o Diego ter colocado a analise do modelo Mundell-Fleming achei um texto muito bom o qual explica as principais conclusões do modelo: http://www.economist.com/news/economics-brief/21705672-fixed-exchange-rate-monetary-autonomy-and-free-flow-capital-are-incompatible

  5. Leandro Yonemura Says:

    Pessoal, só uma observação em relação ao artigo. O autor comenta que o comportamento das variáveis econômicas brasileiras assemelha-se tanto ao de economias emergentes, quanto ao de economias desenvolvidas. No entanto, gostaria de salientar que foram utilizados dados desde 1994 até 2010 e, nesse período, mais precisamente em 1999, houve uma alteração na política cambial brasileira, saindo do câmbio fixo e passando para a política de câmbio flutuante que vigora até hoje. Meu questionamento é o seguinte, será que o comportamento citado pelo autor não estaria relacionado com a alteração na politica cambial? O autor cita em outro trecho que ” os números brasileiros das correlações mais recentes entre produto e exportações líquidas, e produto e taxa de juros são menores do que os de outras economias emergentes, nos colocando em alguns aspectos próximos a outras economias relativamente maduras”, sendo assim, caso se exclua da amostra os dados anteriores a 1999, a conclusão do artigo seria outra

  6. Maria Eduarda Pastorello Says:

    Complementando o que já foi muito bem explicado pelo grupo, numa expansão econômica, com aumento da riqueza, a procura por títulos cresce, pois eles se tornam mais atrtativos e a curva de demanda se desloca para a direita. Contudo, o aumento na demanda dependerá até que ponto os títulos são considerados pelos indivíduos como sendo um bem de luxo e não bens necessários.
    Do lado da oferta, quanto mais lucrativos forem os investimentos que uma firma espera realizar, mais disposta ela estará a pedir empréstimos e aumentar seu endividamento para financiar tais investimentos. Portanto, numa expansão econômica, a oferta de títulos (a demanda por empréstimos por parte das firmas) aumenta, e a curva de oferta se desloca para a direita. Dessa forma, sob a teoria do portfólio, se conclui que uma expansão no ciclo de negócios deixa a taxa de juros indeterminada, pois depende de sua sensibilidade.

  7. Marina Lavez Says:

    Interessante notar que em economias desenvolvidas ocorre um efeito tão diferente quanto o de uma economia em desenvolvimento como o Brasil. Quando o Mishkin afirmou que nos Eua geralmente as taxas de juros são elevadas em períodos de expansão econômica e baixas na recessão, primeiramente me causou certa confusão, visto que tinha o Brasil em mente. Pode-se de entender que as taxas aumentam em períodos de expansão econômica como uma reação anticíclica a uma economia que está acima do pleno emprego e que deseja voltar para este.
    Pela primeira figura observa-se uma queda da taxa de juros no começo do período de recessão, e principalmente nas recessões de 1995 e 2008 ela começou a cair rapidamente um pouco antes. Seria então essa queda uma indicação que o país entrará em uma nova recessão?
    Uma coisa que achei interessante quando entrei no site do Bacen para ver a serie das taxas de juros brasileira, foi notar que o Brasil de 1996 errava muito a meta de taxa de juros básica da economia em relação a taxa real. Em junho de 1996 a meta era de 1,90%a.a. quando na realidade ela foi de 23,28%a.a. A série está no site: https://www.bcb.gov.br/Pec/Copom/Port/taxaSelic.asp

    • Sofia Serra Tavares Says:

      Não entendi a relação de que “as taxas de juros aumentam em períodos de expansão econômica como uma reação anticíclica a uma economia que está acima do pleno emprego e deseja voltar para ele”.
      No caso dos Estados Unidos, podemos observar que as taxas de juros estão baixas, com iminência de aumento pelo Fed, e a taxa de desemprego se manteve em 4,9 %, apenas perto de níveis considerados de pleno emprego. Dessa maneira, não entendo como isso pode se relacionar com o comentário de que as taxas de juros aumentam como reação da economia acima do pleno emprego, ou seja, esse é apenas um casos que não se aplica ao meu exemplo? Se alguém conseguir me explicar essa relação mercado de trabalho x aumento de taxa de juros acredito que será esclarecedor também!

      • Bianca Buzzo Says:

        Não sei se estou correta na minha resposta, Sofia, mas pelo que andei lendo é comum que se sugira um trade-off entre desemprego e crescimento, ou seja, atingir o pleno emprego levaria a uma estagnação do crescimento. Dessa forma seria interessante que as taxas de juros caíssem para estimular investimentos produtivos. Quando a Marina se refere a uma reação anticíclica, acho que ela quer dizer isso, enquanto se espera taxas de juros mais baixas para estimular continuidade do crescimento, elas se mantêm em alta.
        Li uma reportagem que cita a visão de um economista indiano em relação a economia brasileira. Ele diz que não acredita muito nesse trade-off de desemprego e crescimento e que acredita na política econômica anticíclica se bem estruturada, já que para ele, entre os emergentes, o Brasil é um país que se destaca. Deixo aqui o link:
        http://www.valor.com.br/brasil/3663484/pleno-emprego-brasileiro-nao-e-entrave-ao-crescimento-diz-indiano

  8. matheuscarrijo Says:

    Fiquei com uma dúvida lendo o trabalho, no Brasil com expansão do produto leva uma diminuição da taxa de juros, isso não seria um efeito pró-cíclico visto que taxas de juros mais baixas incentivam a demanda agregada?

    • Felipe Maia Polo Says:

      Pelo primeiro gráfico, me parece que as taxas de juros nominais no Brasil tem uma correlação positiva com as variações no produto, ainda mais nos anos mais recentes. Por que então parece haver uma disparidade entre o que acontece nos EUA ou no Canadá quando o assunto é efeitos dos ciclos econômicos nas taxas de juros nominais?

      Acho que ainda há alguns pontos que são importantes para a discussão (e se alguém souber responder seria muito legal):

      1) As análises descritivas têm problemas no sentido que não temos uma situação na qual se aplica o conceito ceteris paribus, ou seja, o que garante a nosotros que o que estamos vendo são efeito causais como o apresentado no livro?

      2) Quais são os possíveis efeitos de segunda ordem (no produto) provenientes de uma variação da taxa de juros, provenientes de uma variação no produto?

      3) Quais seriam os principais motivos que levariam diferentes países a terem reações diferentes em situações como a apresentada?

      Lembrando que o processo de construção de conhecimentos traz mais questionamentos do que respostas (tá aí). Se eu me equivoquei em algum ponto, let me know.

  9. Mauricio Belem Says:

    Ao observar os indicadores econômicos do Brasil( http://www.institutoassaf.com.br/2012/indicadoresEconomicos.aspx) no período descrito, reafirma o que foi explicado pelo grupo a falta de correlação entre variação do PIB e a taxa SELIC.

  10. Marcelle Rocha Says:

    No capítulo 05 do Mishkin vemos a analise feita sobre a taxa de juros em período de recessão e de expansão, sendo totalmente diferente do Brasil. Visto que no Brasil durante uma recessão temos altas taxas de juros e em expansão essas taxas são menores.
    Além disso, a composição da Taxa de Juros brasileira por fatores domésticos como a politica fiscal, acredito que deixa o pais suscetível a uma maior oscilação das taxas de juros, que no geral são altas. Vemos claramente isso na matéria que o Terraço econômico fez, mostrando a tendencia das taxas de juros caírem no Brasil no próximos meses e o efeito- riqueza do Impeachment.
    http://terracoeconomico.com.br/o-efeito-riqueza-do-impeachment
    As altas taxas de juros faz com que os investimentos sejam desestimulados, que por sua vez, reduz o aumento da capacidade produtiva. Gerando um ciclo vicioso, no qual a baixa oferta faz com que aumente a inflação, e faz os juros subirem mais, ocasionando a baixa de investimento.
    Os altos juros também desestimulam o consumo, tornando esse consumo presente muito caro, fazendo com que o individuo poupe mais.
    No Brasil hoje, Taxa Selic – Meta está 14,25%, nos Eua a taxa pelo FED é de 0,5%
    http://pt.global-rates.com/taxa-de-juros/bancos-centrais/banco-central-estados-unidos/juros-fed.aspx

  11. Carolina de Souza Gambaroni Says:

    No Brasil, é notável que temos uma taxa de juros altíssima associada a uma alta inflação. Como citado pelo Pedro, a inflação elevada faz com que políticas contracionistas sejam adotadas, mantendo assim uma taxa de juros elevada. Seria isso explicado pelos altos gastos do governo com a construção de um fortíssimo estado de bem estar social, o que implica em altos gastos com programas que visam reduzir o risco em uma economia de mercado? Uma economia com alto bem estar social não tem incentivos para a poupança, o que explica o baixo nível de poupança no Brasil. Ao longo de todo o governo Lula a taxa de investimento no nosso país cresceu muito, porém a porcentagem do PIB de elevação da taxa de investimento correspondeu a uma elevação de poupança externa do mesmo montante. Isto é, a elevação do gasto com investimento não gerou a sua própria oferta, o investimento não gerou sua própria poupança, contrariando o princípio keynesiano da demanda agregada. Para que a inflação não aumentasse muito, a poupança externa teve que tapar o excesso de demanda sobre a oferta. Mesmo com a participação da poupança externa, ainda notamos uma elevada taxa de juros. Porque a entrada de poupança externa não permite uma convergência mais acentuada da taxa de juros? Seria uma solução para as taxas de juros extremamente elevadas do Brasil uma redução dos gastos públicos? Uma diminuição dos gastos do setor público implicaria em uma diminuição da necessidade de financiamento pela venda de títulos, o que implicaria na diminuição da oferta de títulos, aumentando a oferta de moeda e diminuindo a taxa de juros.

  12. Caio Duarte Says:

    De acordo com o trabalho e em complemento a ele sabe-se que há quatro fatores-chave que oferecem explicação para a alta taxa de juros: estabilizar preços via contenção da demanda interna; garantir o financiamento do déficit em transações correntes; evitar ataques especulativos contra o câmbio, objetivos os quais não foram totalmente alcançados. Assim, enquanto a taxa de juros desempenhou papel importante em conter a inflação, que como já foi abordado isso se deve ao foco excessivo do Banco Central na política de metas de inflação, a qual ao focar o controle de inflação deixa em segundo plano o aumento do produto real da economia, logo aqui pode-se notar um descasamento entre a política de crescimento da economia e o controle da inflação,Um segundo fator ainda não abordado aqui na discussão é o mercado de crédito doméstico, pois é um mercado altamente concentrado e dominado por algumas poucas e gigantes instituições financeiras , os quais cobram um dos maiores spreads cobrado ao redor do mundo e que talvez posso ser um dos principais fatores por trás dos juros altíssimos praticados na economia brasileira e o que agrava ainda mais a demanda por investimentos produtivos e por consequência uma estimulação da economia.

  13. Anibal Amêndola Paschoal Says:

    O meu comentário busca mais compreender uma explicação para o motivo do Brasil ter uma das maiores, senão a maior, taxa de juros do mundo, além dos altos juros bancários.
    Juntando o pouco que eu compreendi das aulas de Monetária e Estudos dos Problemas Econômicos atuais, os juros bancários altos seriam um reflexo da já alta taxa de juros básica mais o prêmio de risco, concentração bancária e impostos sobre operações financeiras. Mas, focando no prêmio de risco, gostaria de compreender o motivo de ser tão alto no Brasil. Se alguém tiver alguma informação, ficaria grato. Poderia ser por inadimplência?
    Já em relação à taxa básica de juros, visto que é endógena, seria plausível interpretar a alta taxa de juros brasileira pelo lado da oferta de títulos? Visto que uma alta taxa de juros pode ser um reflexo da nossa inflação esperada, que mesmo superado o histórico hiperinflacionário, permanece em patamares altos. Além da necessidade de financiamento do setor púbico brasileiro e do refinanciamento da dívida gerada pela alta taxa SELIC.
    O que me deixa curioso, é que mesmo estando em situações inflacionárias e fiscais semelhantes a alguns países, a taxa de juros do Brasil é muito alta. Teria alguma explicação complementar?

    • Daniel Wetzel Says:

      Também me pergunto sobre o porquê de as taxas de juros bancários no Brasil serem tão exageradamente elevadas. No fim do ano passado, as taxas de juros bancários sobre o crédito alcançaram o pico de 64,8%. Tais taxas tão elevadas dificultam o acesso a empréstimos bancários, ter o acesso ao crédito de longo prazo comprometido por taxas de juros altas prejudica o investimento produtivo no país, e nosso crédito como porcentagem do PIB é demasiadamente baixo em relação a países desenvolvidos (cerca de 60%, enquanto em países desenvolvidos ele ultrapassa 100%). Que motivos poderíamos encontrar para as taxas de juros bancárias serem tão discrepantes em relação à selic? O risco de inadimplência é o mais deduzível, encontrei uma notícia do G1 que informa que a inadimplência foi a maior no fim do ano passado desde 2013 (http://g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2016/01/juro-bancario-tem-maior-alta-anual-em-4-anos-e-inadimplencia-avanca.html). Ainda têm outros fatores que influenciam para manter as taxas de juros bancárias mais altas, como a concentração bancária e os impostos direcionados aos bancos. Porém, mesmo com a crise, os bancos continuam apresentando lucros bastante elevados, será que não seria o caso de aumentar a concorrência no setor bancário para apresentar resultados na redução das taxas de juros bancárias?

  14. Marcelo Dias Junior Says:

    Com uma melhora na economia norte-americana, há um aumento da taxa de juros, mostrando o comportamento descrito no texto acima.
    Com a finalidade de explicar sobre esta nos Estados Unidos, sugiro a leitura desta notícia: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/12/entenda-alta-dos-juros-nos-eua-e-os-possiveis-efeitos-para-o-brasil.html
    Podemos analisar também, por meio desta, os efeitos que do acréscimo na taxa de juros norte-americana por trazer para o Brasil. Já que com a alta dos juros por lá, os investidores podem começar a achar vantajoso aplicar seu dinheiro nos Estados Unidos, que são considerados uma economia forte e estável. Isso causaria a migração de recursos que atualmente estão aplicados em mercados emergentes, como o Brasil.

    Algo que me despertou interesse foi a forma como os países trabalham com as taxas de juros. EUA: Juros são pagos como recompensa – os chamados yields – a investidores que aplicam seu dinheiro em títulos do Tesouro norte-americano (a dívida do governo). Se os juros são muito baixos, não há incentivo para deixar o dinheiro “parado” nesse tipo de aplicação, o que estimula o consumo e o investimento em produção.
    Brasil: A taxa de juros sempre foi tida como um instrumento crucial no combate a inflação. A ideia é que, ao encarecer o crédito, os juros mais altos ajudam a reduzir o consumo, segurando o reajuste de preços.

  15. Beatriz Leghi Says:

    De acordo com o trabalho pode-se verificar que as taxas de juros no Brasil apresenta um movimento contra cíclico. Ao analisarmos o contexto brasileiro observarmos alguns fatos como o co-movimento inverso entre a taxa básica de juros, SELIC, e investimento produtivo, bem como o co-movimento inverso entre a SELIC e a taxa de inflação. Desse modo, um aumento na taxa de juros ao reduzir o investimento produtivo estimula uma redução na taxa de inflação. Ainda há uma relação de longo prazo positiva entre expectativas de inflação e a SELIC, sendo esta uma relação prevista para a reação do Banco Central no curto prazo e que prevalecendo no longo prazo. Isto sugere que contextos de elevações na
    inflação esperada apresentam maiores níveis de taxa básica de juros, seja pelo comportamento reativo da autoridade monetária, seja pela reação de precificação dos bancos comerciais, que exigem maiores taxas de juros para emprestarem uns aos outros.

  16. João Paulo Cinegaglia Says:

    Realmente interessante e notável a observação de que o Brasil não se encontra junto aos padrões internacionais quando se fala na relação entre a taxa de juros e o produto. Isso se deve também, de maneira adicional, ao fato de que no Brasil a inflação já foi uma questão central na economia – e, conforme sinaliza o BC nas reuniões em que realiza, essa atenção existe até hoje, uma vez que temos a taxa básica de juros no patamar de 14,25% há um ano.
    Outro fator a ser considerado é o fato de que o Brasil tem forte base de sua economia na exportação de bens primários, o que significa que a situação internacional – além do fator fiscal, que é doméstico – também implica na condução da política de juros.

  17. Isabela Oliveira Melo Says:

    É fácil perceber pelo post, as características de um país emergente no seu mercado de títulos. Algo que não foi muito comentado no post, mas me interessou muito são os meios fiduciários, ou seja, trata-se da moeda escritural que não tem nenhuma reserva lastreando-a, pois foi criada do nada pelo sistema bancário de reservas fracionárias. No site pesquisado (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1108) mostra de forma muito interessando e visual (por alguns gráficos), como a expansão de crédito é gerada pelo banco central durante os anos. Basicamente, ela representa a soma de todos os empréstimos que o sistema bancário de reservas fracionárias fez baseando-se na criação de dinheiro sem qualquer lastro.
    Apenas um resuminho do tópico, podemos observar entre os anos de 2003 e 2012, no ano de 2003 podemos ver uma grande baixa da oferta monetária, pois em 2002 o país estava numa alta crise. Após o período de agosto de 2003, pode vemos ver um aumento quase constante da oferta monetária, sempre com uns altos e baixos, mas sempre mantendo o crescimento. Para quem tiver mais interesse, recomendo dar uma lida no site.

  18. Guilherme Dileli Marzochi Says:

    Interessante o texto mencionar a diferença sobre o efeito de variações na taxa de juros real e o produto. Procurei por mais textos que abordassem a questão e entre os textos que encontrei, um texto do FMI tratava da questão para países membros do G7. Onde a autora utilizou de correlação cruzada para verificar se o comportamento do modelo de referência era compatível com as observações empíricas.

    Na abordagem dela as previsões de forte comportamento pró cíclico da taxa de juros real e correlação positiva entre os spreads da taxa de juros e os diferenciais de produto entre o país local e estrangeiro não são consistentes com a evidencia empírica. É incluído na abordagem hábitos de consumo porque, como salienta a autora, como a taxa de juros real depende do crescimento esperado no consumo futuro as diferenças na correlação do produto com a taxa de juros real entre uma economia aberta e outra fechada deveriam aparecer.

    O ponto levantado era o de que uma economia fechada exibe tipicamente correlações maiores entre o consumo doméstico e o produto, assim as previsões a respeito da taxa real de juros e o produto difeririam. Para a análise da autora, ela utilizou um modelo dinâmico de equilíbrio geral para economia aberta em um mundo com mobilidade internacional de capital. O principal resultado do trabalho foi o de que uma vez modificado o modelo para incluir a persistência no hábito de consumo foi suficiente para melhorar os resultados a respeito da correlação entre taxa de juros e diferencial de crescimento no produto.

    Fonte:
    https://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/wp98179.pdf

  19. Rafael Ribas Ferreira Says:

    Aos autores: Achei o post bastante interessante… Gostei que fizeram muitas relações com o material apresentado em aula! E acrescentando um outro ponto de vista, de acordo com Milton Friedman, em seu artigo “The Role of Monetary Policy” (https://assets.aeaweb.org/assets/production/journals/aer/top20/58.1.1-17.pdf), as taxas de juros podem não ser tão importantes na tomada de decisão de investimento do empreendedor.
    Pelo que entendi, Friedman achava que as decisões sobre investimentos mais importantes eram baseadas em: demandas particulares por bens e produtos, no estado geral da economia, na receita esperada, e em outros fatores próprios do mercado em questão.
    De acordo com Friedman, no caso de taxas relativamente baixas, as empresas estariam mais interessadas nas condições do mercado do que nas taxas de juros (ponto questionável no cenário brasileiro, onde temos taxas acima dos dois dígitos ao ano; o custo de oportunidade é muito alto!). No artigo, ele diz que as taxas de juros são sim importantes, mas mais para alguns mercados que para outros – não podendo ser então classificada como único fator determinante do investimento.
    (+) Vídeo Interessante: https://www.youtube.com/watch?v=6LfUyML5QVY (Ao final do vídeo Friedman mostra a relação entre inflação e quantidade de moeda no caso brasileiro)

  20. Guilherme Pompeu Says:

    Vimos nas discussões em sala de aula duas formas de como a taxa de juros é formada. A primeira diz que ela surge no mercado de títulos e a segunda diz que é formada no mercado monetário (moeda). No primeiro temos que na situação descrita de crescimento no ciclo econômico pelo lado da oferta, os títulos tendem a aumentar deslocando a curva de oferta para a direita, pois nesta situação temos mais oportunidades de investimento com bons retornos o que faz com que os ofertantes (por exemplo: empresas) coloquem mais títulos no mercado para tomar empréstimo e assim conseguir fazer os seus investimentos! Pelo lado da demanda quando temos um crescimento no ciclo econômico isso representa um aumento da riqueza na economia e através da teoria do portfólio quando a mesma aumenta os indivíduos tendem a naturalmente demandar mais títulos de tal forma que para um mesmo nível de preços as pessoas demandarão mais títulos fazendo com que a curva de demanda se desloque para a direita e no fim ao caminharmos para o novo ponto de equilíbrio só poderemos afirmar com certeza que o número de títulos no mercado aumentará porque pelo lado da taxa de juros teremos um resultado ambíguo, pois o resultado preciso depende das elasticidades das curvas de oferta e demanda para sabermos qual se desloca mais que a outra e assim chegar a conclusão se a taxa de juros sobe ou desce! Na segunda forma vista de formação da taxa de juros desenvolvida por Keynes dada como o marco da preferência por liquidez vimos que uma expansão do ciclo econômico faz com que as rendas aumentem e esse efeito na renda faz com que as pessoas queiram transacionar mais utilizando moeda além de também desejarem possuir mais moeda como reserva de valor de tal forma que elas demandam mais moeda deslocando assim a curva de demanda para a direita e agora no novo ponto de equilíbrio temos como resultado um aumento da taxa de juros. O interessante é que aqui não temos um resultado ambíguo, ou seja, por esse modelo sempre que ocorrer um crescimento no ciclo econômico ocorrerá como resultado um aumento das taxas de juros! O comportamento macro de países como EUA e Canadá seguem esta referência de que quando o produto cresce as taxas de juros crescem junto, isto é observado nos dados históricos destes países. O caso brasileiro é diferente, ou seja, ao se observar o gráfico apresentado no trabalho do grupo o produto brasileiro não possui esta correlação positiva com as taxas de juros o que acaba sendo classificado como contra cíclico. Acredito que exista alguns motivos de o Brasil não se identificar com esta relação positiva entre produto e taxa de juros, como a prioridade que é dada por parte do Bacen em manter a inflação dentro da meta elevando muitas vezes os juros, a estrutura do mercado bancário dado que os spreads bancários brasileiros vão muito além dos outros ao redor do mundo e mesmo com o Brasil tendo melhorado seu risco soberano em comparação a períodos passados e ainda a questão da entrada de capitais, pois com altas taxas de juros se torna mais atrativo para os capitais externos adentrarem no Brasil.
    Para finalizar encontrei este artigo interessante que discute um pouco do comportamento, determinação e implicação das taxas de juros no Brasil, os dados são um pouco antigos (1994-2004), mas acredito que mesmo assim ele possa ajudar a compreender um pouco dessas relações específicas do Brasil.
    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-98482008000300003

    • Murilo de Mello Says:

      Tratando mais especificamente a taxa de juros, por exemplo a redução da mesmas algumas medidas podem ser tomadas. 1 – Diminuição da razão da dívida pública/PIB: É evidente que essa razão cai quando o PIB cresce mais rapidamente do que a dívida. Em vista de que a dívida pública é composta por títulos indexados à taxa de juros e câmbio e resulta de déficit orçamentário acumulado; 2 – Política monetária expansionista: Uma política monetária expansionista através de aumento da oferta monetária leva à diminuição temporária da taxa real de juros; 3 – Política fiscal restritiva: Restringindo os gastos do governo como forma de reduzir o déficit operacional, ou aumentando o superávit primário, pressiona-se a queda da taxa de juros. Por diminuir a demanda agregada, seja atual ou projetada, e por diminuir a incerteza sobre a monetização de futuros déficits orçamentários, essa iniciativa leva à diminuição da taxa de juros, em conseqüência da diminuição da taxa esperada da inflação. Essa política é utilizada atualmente no país com o objetivo de diminuir a razão dívida/PIB; 4 – Equacionamento do setor externo brasileiro: O problema principal da economia brasileira reside no setor externo, ocasionado, principalmente, pela remessa de lucros e juros ao exterior. A solução desse problema está sendo tratada de forma a alcançar superávit alto na balança comercial. Isso será saudável para a economia se os superávits forem convertidos em investimentos reais, seja dentro ou fora do país. Mas, se forem trocados em papel (US$) para pagar os juros sobre a dívida externa, o resultado será o empobrecimento do país, por transferir recursos reais da economia aos outros, diminuindo a oferta agregada de bens, e assim a escassez do produto aumenta a inflação, e, por conseqüência, exige maior taxa de juros; 5 – Atacar os spreads altos cobrados pelos bancos: A principal medida a ser tomada nesse sentido é o governo rever a estrutura do mercado bancário através de atuação efetiva do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC). O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) e a Secretaria de Direto Econômico (SDE) deveriam fiscalizar e colocar em prática a política de concorrência no setor financeiro com a finalidade de verificar o poder oligopolista dos bancos em cobrar taxas de juros que penalizam o consumo e o investimento e, por conseqüência, a taxa de crescimento do PIB. Senão, mantendo a taxa de juros Selic real em até 11% a.a. ou a sua redução em até 10% a.a., não terá efeito significativo sobre as taxas de juros praticados no setor privado.

  21. Guilherme Kermentz Ferraz Costa Says:

    Caros colegas,
    Muito interessante o post feito pelo grupo A. Ele conseguiu ilustrar bem a teoria com os dados do mundo real.
    Em particular, achei que os dados brasileiros colocados no post mostram bem características da nossa estrutura econômica. De fato, eles confirmam que as exportações líquidas, como argumentado por quase todos os nossos historiadores, são especialmente importantes na determinação de variáveis chaves da nossa economia, como, no caso, a taxa de juros.
    Além disso, a hipótese colocada pelo grupo de que o Banco Central do Brasil é muito preocupado com o controle da inflação é consistente com o problema histórico que temos com essa variável econômica.
    Por último, acho que é importante relacionar o fator preponderante na determinação da taxa de juros- as políticas fiscais do governo- com a dependência do Estado que economias em desenvolvimento como a nossa usualmente possuem.
    Enfim, que o post do grupo A suscita boas discussões sobre a estrutura da economia brasileira.
    Boa semana a todos.
    Abraços,
    Guilherme

  22. Pedro Violante Says:

    Interessante a escolha do grupo em abrir a apresentação do trabalho expondo algumas características do comportamento das taxas de juros em países emergentes, tais como: a tendência a terem um caráter contra cíclico e a serem mais voláteis em relação às taxas de juros de economias desenvolvidas; e finalizar sua exposição mostrando dados a respeito do contexto brasileiro que indicam que a correlação entre a taxa de juros brasileira e o PIB, considerando dados relativamente recentes, aproxima-se dos resultados verificados para economias desenvolvidas. Tanto a constatação inicial, quanto a final, abrem espaço para discussões relevantes acerca da condução da política monetária no Brasil.

    Em relação à tendência da taxa de juros a apresentar um comportamento contra cíclico: o primeiro gráfico, que apresenta a evolução do PIB e da taxa SELIC ao longo de 20 anos (1996-2016), parece indicar que durante a crise de 2008/09 a condução da política monetária brasileira reverte tal tendência, visto que a queda acentuada do PIB é acompanhada de uma também brusca redução da taxa de juros. Imagino que em tal período o comportamento pró cíclico da taxa de juros brasileiras represente o esforço por parte do Banco Central de minimizar os efeitos da crise de origem estrangeira viabilizando, a partir de uma taxa de juros mais baixa, uma maior demanda por fundos via mercado de títulos brasileiro e, como consequência, um aumento dos investimentos produtivos.

    Em segundo lugar, a consideração de dados recentes da economia brasileira parece indicar, segundo o grupo A, que os avanços estruturais dos últimos vinte anos respondem pela aproximação em alguns aspectos, tais como a correlação entre taxa de juros e PIB, do Brasil a economias mais maduras. Sendo assim, pode-se discutir quais foram os alcances de tais avanços estruturais, de maneira a compreender a relevância de continuarmos buscando tais aperfeiçoamentos com o intuito de melhorarmos continuamente a eficácia das políticas monetárias conduzidas pelo Banco Central.

  23. Rafael Bussolan Mariano Says:

    Ao estudarmos o comportamento da taxa de juros no contexto brasileiro, devemos ter em mente a histórica preocupação com o controle inflacionário (ponto este já citado em comentários anteriores). Com isso em mente, temos que a política econômica brasileira utiliza-se principalmente da política monetária para estabilizar a inflação no longo prazo. Costa, Campos e Castro Júnior (2015) contribuem para a temática com um estudo da sensibilidade de politicas fiscal, monetária e cambial para combater a inflação no Brasil, e conjuntamente, a investigação do real impacto da política monetária no longo prazo. Utilizam como modelo Vetores Correção de Erros, e, sumariamente, encontraram que “alterações na taxas de juros não têm sido determinantes em longo prazo no controle inflacionário”.
    O Brasil tem uma das maiores taxas básicas de juros do planeta. A partir do referencial teórico, cabe a reflexão: quão favorável é para a economia brasileira a elevação dos juros? No trabalho citado, foi encontrado que “uma elevação na Selic tem impacto reduzido sobre a taxa de variação do IPCA” (1% a mais na Selic provoca uma diminuição inferior a 0,05% na inflação, segundo o estudo). Esse, então, é um dos pontos que, pra mim, explicam o comportamento acíclico dos juros no Brasil.

  24. Pamela Generoso Says:

    Ao analisar os fatores determinantes da taxa de juros e seus efeitos sobre a condução da política macroeconômica no Brasil durante o período de 1994 a 2004, Omar (2008) corrobora a idéia de que o comportamento da taxa de juros brasileira está relacionada de forma contra-cíclica aos períodos de expansão do PIB, em oposição ao comportamento exibido por economias maduras, provavelmente voltadas à estabilização do produto. Tal fato pode estar intimamente ligado ao próprio foco das políticas do Banco Central mais voltadas a estabilização de desvios inflacionários, conforme apresentado pelo grupo A.

    Os resultados apresentados pelo autor demonstram que as principais causas atreladas às altas taxas de juros durante períodos de contração fundamentam-se na tentativa do governo de controlar e reduzir a taxa de inflação, restringindo a demanda agregada, e servir como instrumento para atrair capital externo, cobrindo o déficit em conta corrente no Balanço de Pagamentos e aumentando as reservas internacionais.

    Neste sentido, acredita-se que desde de 1994 o Brasil passou a estruturar sua política de juros fortemente influenciada pelos acontecimentos do cenário internacional. O que pode justificar os aumentos nas taxas de juros em períodos de crise econômica (conforme a figura 1). Assim, é possível observar que em períodos
    nos quais a economia brasileira sofreu a influência de choques externos, há uma elevação da taxa de juros com redução do PIB: 1995 (crise do México), 1997 (crise no continente Asiático), 1998 (crise da Rússia), 2001 (crise da Argentina), 2002 (eleições presidenciais no Brasil) e, por último, 2008 (crise dos Estados Unidos).

    No entanto, cabe ressaltar…quais teriam sido os reais efeitos produzidos por essa política sobre os investimentos, a dívida pública e exposição ao cenário externo?…..

    Para quem quiser dar uma olhada, esse artigo explica de forma bastante interessante a determinação, o comportamento e os efeitos da taxa de sobre a economia brasileira : http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-98482008000300003

  25. Adelge Pereira de Lima Júnior Says:

    Em um interessante artigo, Lima e Issler(2003) testam a Hipótese das Expectativas na formação da estrutura a termo da taxa de juros brasileira através de uma técnica de regressão vetorial e concluem que tal Hipótese pode ser apenas parcialmente aceita para o caso brasileiro, uma vez que outros fatores, tais como a previsibilidade dos retornos dos ativos financeiros podem afetar a estrutura a termo de juros brasileira.

  26. Caio César Cardoso Ribeiro Mortean Says:

    Interessante e muito bem pontuado a análise do grupo A.
    De fato, o “contra-ciclo” existente entre PIB (positivo) e a taxa de juros é verificado em sua síntese.
    O que também torna interessante a análise é o modo como o amadurecimento da economia brasileira é mostrado e, de fato, vem ocorrendo.

    Encontrei em (http://peritiaeconomica.com.br/kalecki-ciclos-economicos/) um fato interessante que ajuda, empiricamente, a compreender a relação da taxa de juros com flutuações econômicas, todavia, de maneira generalizada.

    “Alguns autores têm atribuído um papel importante à taxa de juros entre as forças subjacentes às flutuações económicas. Como é a taxa de longo prazo que é relevante no que diz respeito à determinação do investimento e, portanto ao mecanismo do processo cíclico, os resultados acima obtidos são bastante significativos. Efetivamente, em vista do fato de que a taxa de juros de longo prazo, pelas razões acima expostas, não apresenta flutuações cíclicas pronunciadas, dificilmente poderia ser considerada um elemento importante no mecanismo do ciclo econômico.” (Kalecki, 1997)

    Notável salientar também o papel da inflação na atuação das políticas monetárias no Brasil, uma vez que ela, se não está assumindo um papel principal, é um coadjuvante relevante o suficiente para ser levado em conta pelos policy-makers. Prova disso é que a taxa de juros continua em um pico preocupante.

  27. Lucas Teofilo Says:

    A taxa de câmbio real é uma variável relevante para o entendimento do processo de crescimento econômico.
    Para os países emergentes no caso do Brasil, tanto a depreciação relativa com relação ao equilíbrio de longo prazo quanto à volatilidade da taxa de câmbio real são relevantes para o crescimento econômico. A escolha do regime cambial também torna-se importante. Segundo os meus estudos, a depreciação relativa é a variável mais importante para o crescimento. A volatilidade cambial e a escolha do regime de câmbio, respectivamente, são menos relevantes. Isso sustenta a visão de que a depreciação da taxa de câmbio real se constituiu numa peça importante do modelo de crescimento do tipo export led seguido por um amplo conjunto de economias emergentes.
    Em relação às economias desenvolvidas como os Estados Unidos, caberia destacar que a depreciação relativa da taxa de câmbio real é significativa, porém menos importante do que nas economias emergentes. Isto sugere que o crescimento nestas economias dependeu relativamente menos do nível da taxa de câmbio. Finalmente, as variáveis que descrevem regimes cambiais não são tão significantes para os países desenvolvidos.
    O comportamento da taxa de câmbio real deve ser observado com extremo cuidado pelos formuladores de política econômica, bem como devem estar atentos à volatilidade da taxa de câmbio, tendo em vista seus efeitos negativos sobre o crescimento. Particularmente para os países emergentes, é de fundamental importância a manutenção de uma taxa de câmbio real que mantenha a competitividade externa.
    Assim, a concepção teórica de inspiração keynesiana argumenta pela importância da taxa de câmbio real como elemento importante para a trajetória de crescimento, sobretudo nos países emergentes.
    Por fim, conclui-se que existem diferenças no processo de crescimento brasileiro e americano.

  28. Fabio Garcia Silva Says:

    Durante a expansão no ciclo de negócios, sob a ótica da Teoria do Portfólio, teremos aumento da riqueza.
    Sendo os títulos B [função de juros real + inflação esperada, risco, liquidez, riqueza]. Deslocamos a demanda por títulos para a direita.
    Porém ainda pela Teoria do Portfólio. A multiplicação das oportunidades de investimento durante a expansão do ciclo econômico deslocam a oferta de títulos também para a direita.
    E então é inconclusivo qual seria a nova taxa de juros. Se a oferta for mais sensível, teríamos uma taxa de juros mais alta.
    Caso que se aproxima da situação dos países desenvolvidos. Se a demanda é mais sensível nos aproximamos do caso dos países emergentes. Em países mais desenvolvidos a multiplicação das oportunidades geradas pela expansão do ciclo econômico seriam maiores?
    Se adotamos a teoria pela preferência pela liquidez. w=M+B.
    Excesso de demanda por moeda é igual a excesso de oferta por títulos. Que diminui o preço dos Títulos e aumenta a taxa de juros. Explicando o caso dos países desenvolvidos.
    Como observado no texto o prêmio pela liquidez parece ser determinante para explicar a taxa de juros do país (emergente). O que talvez não ocorra com países mais desenvolvidos (menor risco), explicitando neste caso a correlação da taxa de juros com o PIB e não com o Prêmio de risco.

  29. Daniel Tannous Costa Says:

    O grupo comentou que a taxa de juros brasileira tem caráter contra cíclica, e analisando a estrutura a termo da taxa de juros disponível no site da ANBIMA (http://www.anbima.com.br/est_termo/CZ.asp), é possível ver que a tendência da taxa de juros é ser mais baixa com o tempo, o que pode ser explicado pelo fato de que a há expectativas de que a economia se recupere a partir de 2017. Os exemplos dados pelo grupo se referem ao passado da economia, e suas conclusões podem vir a ser confirmadas nos próximos anos se as expectativas do mercado se confirmarem.
    Outro fato interessante presente nesta página da ETTJ é o fato de que a inflação implícita utilizada para medir a taxa nunca chega à meta de 4,5%. Se o governo cumprir a promessa de trazer a inflação para a meta isso pode trazer efeitos ainda não precificados à taxa de juros nos próximos anos. Isso pode significar que o mercado não tem plena confiança de que a meta será alcançada nos prazos prometidos ou que a meta pode ser alterada.

  30. Nader F Farhat Says:

    Opa pessoal apenas para fazer um paralelo e acrescentar à discussão o outro “extremo” (em relação aos países emergentes) que é o caso japonês, onde em janeiro foi anunciado que o país operaria a uma taxa de juros negativa.

    O Japão é um caso complexo de se compreender e assim como o Brasil passou por suas particularidades.

    Alguns fatores destacados pela notícia que colaboraram para esse quadro. Desde a década de 1990 encontrava-se em um quadro de deflação do índice de preços da economia além disso houve diminuição da população e envelhecimento da população, consequente diminuição da PEA.

    De forma sintética a economia operando em deflação os agentes formam expectativas de que o índice de preços diminuirá logo o consumo torna-se menos viável hoje, e a poupança mais atrativa. No entanto em um país onde a PEA diminui, o aquecimento da economia (via consumo, multiplicador Keynesiano*) baixo e uma alta poupança, torna-se custoso remunerar a poupança. Não só graças a esse fatores, mas a um conjunto maior que envolve também variações no preço do petróleo e a tendencia de desaceleração do PIB dos EUA também contribuíram para que a autoridade monetária japonesa decidisse impor uma taxa de juros de -0,1%.

    Segue o link da noticia nos sites da folha de São Paulo e do Estadão:

    http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/01/1735200-japao-entra-para-o-clube-das-taxas-de-juros-negativas.shtml

    http://economia.estadao.com.br/blogs/descomplicador/o-japao-e-os-juros-negativos-como-funciona-2/

    Não consegui relacionar muito bem neste comentário as ligações entre as alterações da taxa de juros com o mercado de títulos no Japão. Me limitei mais a análise relacionada com os modelos IS-LM (de Macro 2)
    Mas imaginei que agregaria à discussão incluir esse caso extremo e abrir a discussão, quem sabe alguém complementa e conseguimos relacionar melhor!

  31. tayna francisconi Says:

    Como já comentado anteriormente, achei muito interessante como a taxa de juros brasileira é anticíclica e muito vulnerável a políticas domésticas. Assim perguntei -me, porque as taxas de juros no Brasil são mantidas tão elevadas comparadas com outros países? O Brasil é o país onde a dívida publica é a maior do mundo (proporcionalmente a riqueza dos brasileiros) e para que o governo consiga se endividar em tal nível é necessário que haja uma alto retorno para seus financiadores, assim podemos dizer que boa parte da riqueza do Brasil está financiando o governo. Caso contrário há uma “perda” , não havendo uma demanda tão alta como a esperada necessária para seu financiamento. Uma das conclusões do texto é que a taxa de juros (no formato U) que desencadeia o ciclo e que o BC brasileiro se preocupa mais com a estabilização de desvios da inflação esperada. E como já falado nos comentários, as altas taxas de juros desestimulam os investimentos e reduz assim o produto final e isso leva um aumento na inflação (devido a baixa oferta) a qual eleva o juros ainda mais; além de estimular os indivíduos a pouparem mais.
    Eu pessoalmente chego a conclusão que o Banco Central Brasileiro não é totalmente independente, como deveria ser, e quer controlar a inflação e o financiamento da dívida publica, mas porém acaba sendo muito influenciado por seus governantes, o que pode ser extremamente desestimulante para potenciais investidores.

  32. Lucas Wagner Says:

    Achei bastante interessante o post do grupo. Acredito que ele ilustre muito bem as diferentes maneiras que a política monetária é utilizada em diferentes grupos de países. Por apresentar um comportamento contra-cíclico, é razoável pensar que algo nos ciclos de expansão na economia brasileira acarreta pressões inflacionárias, que precisam ser controladas no período seguinte por meio de uma elevação dos juros, o que muitas vezes pode ter um efeito contraproducente. No caso de países desenvolvidos, me parece que os ciclos de expansão criam uma pressão inflacionária menor, o que permite o uso de uma política monetária expansionista como estímulo em períodos de retração econômica.

    Acho que também é possível pensar nas causas estruturais inerentes aos governos de cada país que fazem com a relação do produto com a taxa de juros seja cíclica ou contra-cíclica. Em um país como Brasil, situações de crise econômica podem levar a déficits fiscais crescentes, abalando a confiança dos agentes, que passariam a exigir um prêmio de risco maior para deterem títulos de dívida pública. Países desenvolvidos tendem a ter instituições com maior nível de credibilidade, então mesmo que esses países incorram déficits fiscais em momentos de retração econômica, o risco percebido dos títulos públicos não aumenta na mesma proporção que aumentaria em um país como o Brasil, diminuindo ou anulando um dos possíveis causadores do comportamento contra-cíclico das taxas de juros.

  33. Vinícius Vilela Says:

    Interessante esse resultado encontrado no trabalho, que a taxa de juros é volátil, contra-cíclica e afetada principalmente por fatores domésticos. Um fator interessante é abordar o período da crise de 2008 e suas consequências.

    No Brasil, a taxa de juros se mantém elevada, principalmente como meio pra controlar a inflação. Antes da crise, o Banco Central do Brasil vinha subindo os juros no país. De setembro a dezembro de 2008, a Selic parou de subir, mas foi mantida em 13,75% ao ano, até cair para a mínima de 8,75% entre o final de 2009 e o início de 2010. Com a retomada do crescimento, os juros voltaram a subir, até o patamar de 12,5% ao ano até Julho 2011. A redução dos juros foi mais uma forma de estímulo ao crédito no país e ao investimento por parte das empresas, aumentando o consumo. Esse período pós crise remete uma inversão na relação negativa entre produto e taxa de juros apresentada no trabalho, pois com a política monetária contracionista realizada, tanto o produto como a taxa de juros tiveram quedas.

    Nos EUA, o Federal Reserve System (FED) manteve a taxa de juros por 7 anos entre 0 a 0,25%, com o principal intuito de estimular o consumo e o investimento em produção, depois da forte crise de 2008. O resultado dessa política foi a queda da taxa de desemprego (que chegou a 10% em meados de 2009), além da aceleração do crescimento econômico. Em Dezembro de 2015, o FED subiu a taxa de juros para 0,25 a 0,5%. Nessa sexta, a presidente do FED, Janet Yellen, afirmou que o argumento para subir os juros estão se fortalecendo, pois os EUA continuam a apresentar um mercado de trabalho sólido (taxa de 4,9% de desemprego, níveis de pleno emprego) e o crescimento econômico tem sido suficiente para gerar uma maior melhoria no mercado de trabalho. Um dos principais motivos para subir o juros nos EUA é a perspectiva de a inflação acelerar em direção à meta de 2% do Fed. Nesse longo período na economia americana, os juros estão muito baixos, como uma das formas para lidar com a crise de 2008.

  34. Fabrício Freitas Alves Says:

    No texto vocês apontam a correlação positiva entre taxa de juros e exportações líquidas. Este artigo (http://www.economia.puc-rio.br/Mgarcia/150408%20Juros%20e%20Cambio%20no%20Brasil%20v25.pdf) trás uma análise da taxa de juros e a taxa de câmbio desde a partir de 1994. Os gráficos 1 e 3 do artigo ilustram bem uma correlação positiva entre taxa de juros e taxa de câmbio. Como um real mais desvalorizado leva a maior exportação líquida, os dados apresentados pelo autor complementam o texto

  35. Maria Carolina Meirelles Napravnik Says:

    Acho interessante acrescentar ao debate algumas teorias, além da teoria monetária – muito bem debatida pelos meus colegas – que tentam explicar o porquê da taxa de juros no brasil ser tão elevada quando comparada a algumas taxas internacionais, inclusive em relação ao outros países emergentes.

    Blanchard considera que, em um cenário de dominância fiscal, o déficit público traz a necessidade do financiamento da elevada divida pública através da atração de capital, portanto se eleva a taxa de juros. Contudo, ao se elevar a taxa de juros, se eleva dívida também – acarretando assim em um ciclo vicioso e uma situação perversa (juros alto, dívida alta), portanto, a economia fica presa em um “equilíbrio mau”. É importante ressaltar que em uma economia com finanças públicas comprometidas, com alta dívida pública indexada a moedas estrangeiras e um ambiente externo de elevada aversão ao risco, um aumento dos juros poderia ser interpretado pelos aplicadores como um aumento na probabilidade de default. Dessa forma, ocorreria uma fuga de capitais – ao contrário da atração de capitais esperada pela teoria econômica convencional – e consequentemente, uma depreciação cambial que levaria a uma nova pressão inflacionária.

    Outra hipótese que procura explicar essa anomalia da taxa de juros brasileira seria a da Incerteza Jurisdicional. A ideia principal seria que no Brasil há um viés pró-devedor, pois a estrutura jurídica não apara muito bem os credores da economia, já que recuperar a dívida é difícil no nosso país. Portanto, criam-se barreiras para os empréstimos serem baratos, dessa forma a taxa de juros incorpora um pouco dessa incerteza na jurisdição, é um premio de risco dada a incerteza jurídica dos empréstimos.

    A teoria clássica diz que a taxa de juros é formada através da oferta de fundos de poupança, retirada a parte do consumo, que é levada ao banco para fomentar investimento (demanda de fundos de investimento). No Brasil, a taxa de poupança é muito baixa em termos globais é relativamente baixa quando comparada com outros países, devido ao nível de renda das pessoas e também ao fato do Estado ofertar serviços como saúde, educação, aposentadoria e etc. Nesse sentido, a taxa de poupança seria um dos maiores diferenciais entre taxa de juros dos EUA e Brasil. Um determinante para a queda da taxa de juros seria uma taxa poupança mais alta, sobretudo a poupança pública – variável macroeconômica fundamental para o “equilíbrio bom”.

    Em suma, acredito ser importante equacionar três fatores para que saiamos do “equilíbrio ruim” da taxa de juros: inflação, dominância fiscal e taxa de poupança.

  36. Isabela Graciliano Says:

    Fiquei curiosa com o fato do grupo ter terminado o texto indicando que as variáveis econômicas brasileiras estão entre um meio termo de economias emergentes e economias desenvolvidas. Acredito que isso se deve, como já citado em outros comentários, pela mudança de politica econômica dos últimos anos.
    Buscando compreender mais profundamente pq a taxa de juros brasileira é mais alta do que a de países desenvolvidos encontrei um artigo que aponta a necessidade de financiamento do setor externo como uma causa dessa taxa de juros elevada. Tanto pela mobilidade de capitais – mudança do regime cambial, meta de inflação – tanto pelo estimulo de importação e exportação como meio de aumentar a oferta agregada na economia.
    Segue o link do artigo: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-98482008000300003

  37. Hudson Martins Says:

    Não podemos notar no Brasil uma relação clara entre a taxa nominal de juros e a taxa de crescimento do PIB devido dois fatores: Primeiro, o governo brasileiro raramente em sua história apresentou superávit fiscal. É recorrente a existência de déficit e de grande necessidade de financiamento por parte do setor público, o que leva o governo a ofertar grande quantidade de títulos, gerando uma queda em seus preços e o aumento da taxa de juros mesmo em momentos de menor crescimento do produto. Segundo, é sabido o histórico de expectativa de inflação alta no Brasil, o que produz um aumento na taxa nominal de juros. Deste modo, não é possível notar uma relação cíclica evidente entre taxa de juros e PIB tal como se nota nos países desenvolvidos.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: