A-Ecec: O CURIOSO CASO DAS TAXAS DE JUROS BRASILEIRAS

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” A taxa de juros nominal, aquela prometida como remuneração pelo empréstimo de recursos, pode ser fragmentada em duas partes: a taxa de juros real – que resultará na variação do poder de compra – e a taxa de inflação esperada. Nesse sentido, para uma dada taxa de juros nominal, é preciso ter em mente que a taxa de juros real será afetada por variações na expectativa de inflação. Por exemplo, se o indivíduo deseja ter um incremento em seu poder de compra de 1% no ano seguinte, e acredita que haverá um aumento de 5% no nível geral de preços, ele abrirá mão de seu consumo presente somente se lhe for garantido um juros nominal de pelo menos 6%.

No mais, a relação positiva entre taxa de juros nominal e inflação esperada é reforçada pela análise de oferta e demanda no mercado de títulos, em que um aumento na expectativa de inflação incentiva os emissores de títulos a ofertar mais. Isso ocorre porque o custo real da dívida será menor na ótica desses agentes, uma vez que eles continuarão remunerando aqueles que lhe emprestaram recursos a uma mesma taxa nominal, mas o nível geral de preços de toda a economia aumentou. Simultaneamente, os compradores reagem diminuindo sua demanda por títulos, já que sua remuneração caiu. Em suma, uma elevação na expectativa de inflação gera, no longo prazo, um aumento na taxa nominal de juros. Esse fenômeno é chamado de Efeito Fisher, em homenagem ao economista norteamericano Irving Fisher (1867-1947), o primeiro a formular teoria econômica relacionando as variáveis taxa de juros e inflação esperada.

De fato, como mostra o gráfico da Figura 1: “Expected Inflation and Interest Rates (Three-Month Treasury Bills), 1953-2011”, que ilustra o Efeito Fisher para o caso estadounidense, as variáveis expectativa de inflação e taxa nominal de juros aparentam ser positivamente relacionadas.

A-Ecec-G 1

Contudo, para o caso brasileiro, os dados de taxa de juros nominal e expectativa de inflação, coletados no IPEAdata, para o período de 2010 a 2016 não apresentam a mesma relação, como pode ser observado no gráfico superior da Figura 2: “Inflação Esperada, Taxa de Juros e Déficit Público, 2010-2016”.

A-Ecec-G 2

Fica evidente que há um descasamento entre o comportamento da taxa de inflação esperada e a taxa nominal de juros. Em meados de 2011 a 2013, quando há uma constância na inflação esperada, há também uma queda na taxa SELIC – taxa básica de juros brasileira. Isso resulta, em síntese, numa diminuição na taxa real de juros do período. Em seguida, é possível observar, de 2013 a 2016, um contínuo crescimento na inflação esperada e um aumento na taxa de juros nominal. Essa distância entre as curvas resulta numa reversão da taxa de juros real frente ao período passado, que dessa vez se eleva.

Por fim, de acordo com Moreira (2006), uma possível explicação para o descasamento entre a taxa de juros nominal e a expectativa de inflação é a evolução da dívida pública em relação ao PIB. O governo brasileiro pode escolher se financiar emitindo títulos públicos, aumentando assim a oferta de títulos e, consequentemente, as taxas de juros nominal. Assim, está representada no gráfico inferior da Figura 2 a razão dívida-PIB brasileira. Esta dívida considera apenas aquela contraída pela emissão de títulos, que são títulos atrelados à própria SELIC. Observa-se que, de 2011 a 2014, a razão dívida/PIB diminui e a taxa de juros se aproxima da expectativa de inflação. Já de 2014 a 2016, a dívida/PIB aumenta e a taxa de juros se distancia da expectativa de inflação. Logo, o caso brasileiro se difere daquele demonstrado no livro texto de Mishkin (2013) e uma possível explicação para esse fenômeno é o aumento da oferta de títulos pelo governo brasileiro.

REFERÊNCIAS
MISHKIN, Frederic S. The economics of money, banking, and financial markets. Pearson education, 2013.

 

MOREIRA, Edison M. O regime de metas de inflação, a taxa de juros e a relação dívidda pública/PIB. Indicadores Econômicos FEE, v. 34, n. 2, p. 13-20, 2006. “

 

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44 Respostas to “A-Ecec: O CURIOSO CASO DAS TAXAS DE JUROS BRASILEIRAS”

  1. João Augusto Stoffalette Clara Says:

    Como exposto no texto, Moreira sugere como explicação para a grande distância entre inflação esperada e taxa de juros, o caso da dívida pública em relação ao PIB.

    O governo então emite títulos públicos com a finalidade de captar recursos para financiar a dívida pública brasileira e garantir investimentos em áreas como educação, saúde e infraestrutura.

    No entanto ao analisar os gastos que o governo tem em relação à essas áreas, vemos que, comparando com outros países, nossos gastos representam uma parcela grande do PIB. E isso não indica necessariamente que temos melhor saúde, melhor educação e melhor infraestrutura que tais países (http://www.planejamento.gov.br/assuntos/orcamento/noticias/comparacao-internacional-de-gastos-governamentais).

    Dessa forma, para diminuir então esse descasamento não seria melhor o governo reduzir a oferta de títulos (já que a causa para esse fenômeno, segundo o texto, é o aumento da oferta de títulos pelo governo) e também diminuir seus gastos, ou então melhorar a alocação dos seus recursos em suas atividades?

    Mas pensando por outro lado, também sabemos que esse aumento na oferta de títulos públicos pode sinalizar uma tentativa de diminuir a inflação (http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/tesouro-nacional-emite-r-40-bilhoes-em-titulos-para-o-banco-central.html) o que então “justificaria” esse descasamento, já que a inflação diminuiu comparada ao início do ano.

    • João Zanine Says:

      Acredito que a oferta de títulos teve o intuito de conter a inflação, todavia, o cenário atual é muito incerto, a ponto de uma medida como essa, atrelada à manutenção da taxa de juros resultar em um aumento na expectativa de inflação para os próximos anos (o que pode fazer com que o efeito dessa política seja o oposto do que se pretendia). Ao conectar essas informações com o aprendido em sala, e utilizando o modelo completo, podemos dizer que a política monetária do governo deslocou a curva DA para a direita a princípio, mas no longo prazo o único efeito resultante dessa política é o aumento do nível de preços

      • João Augusto Stoffalette Clara Says:

        João, será então que o fato da população brasileira no geral ter pouco conhecimento sobre o mercado financeiro e não ter um perfil poupador, poderia ser um motivo da inflação não ter diminuído mais do que o pretendido pelo governo ao emitir tamanha quantidade de títulos?

        Se compararmos com os EUA vemos que sua população é muito mais atuante no mercado financeiro, ou ainda o Japão, que tem uma população mais poupadora do que nós. Talvez essas características possam explicar.

      • Giordano Di Giorgio Says:

        Considerando a oferta de título a fim de conter a inflação, como o colega João Zanine apontou, e respondendo o questionamento colocado pelo João Augusto, pode-se dizer que a oferta de crédito à população no Brasil é mais “fácil” e abrangente do que outros países. Vide programas de financiamentos promovidos pelo governo ou até a redução do IPI sobre carros, ocorrido nos últimos anos.
        Assim, a população tem mais incentivos para “adquirir” moeda para consumir, por exemplo, e isso tem refletido no índice de preços ano a ano. Deixando assim, o cenário econômico mais complexo para análise, usando o cidadão mediano como parâmetro, sobre como às taxas de juros irão se comportar. Deste modo, afetando as decisões dos indivíduos no que se diz em como alocar sua riqueza. Seja em títulos ou moeda, dada a Teoria do Portifólio.

  2. Felipe Lyra Says:

    outra possível explicação poderia ser a falta de credibilidade do governo para com os investidores, alocando recursos em mercados poucos produtivos e também com escândalos de corrupção, fazendo com que o governo mantenha a taxa selic alta como forma de maquiar a situação ruim diante do aumento da dívida nacional

  3. Caio de Angelis Nascimento Says:

    Um ponto importante a ser destacado, é a formula utilizada na área de finanças, idealizada por Bodie;Kane;Marcus, que acrescenta à composição da taxa de juros nominal da economia, o fato risco do país, desta forma tornando a mesma: (1+SELIC)=(1+Taxa Real de Juros)x(1+Inflação Esperada)x(1+Risco). Assim com o acrescimento da variável risco do economia, poderíamos realizar uma proxy que facilite o entendimento de como a divida pública financiada via títulos de própria emissão, podem vir a acarretar um aumento no risco da economia e como fatores autónomos (Política; Taxa de Câmbio (Mesmo sendo flexível sujo)) podem afetar o desempenho e a variação das taxas de juros nominais, Outro ponto importante quando comparamos o Brasil aos demais países é destacar o alto nível das taxas de juros reais no longo prazo, fato possivelmente explicado via o risco do investimento no país elevado.

  4. Bruno Ramacini Says:

    Muito interessante observar que, no período anterior ao explicitado no 2º gráfico, principalmente se falarmos de 2002 a 2008, vemos um total casamento entre a expectativa de inflação e a taxa Selic, como no artigo abaixo:
    https://bianchiniblog.wordpress.com/2016/01/03/sobre-o-aumento-nos-juros-da-divida-publica-em-2015/
    Isso nos mostra como a má administração das finanças públicas pode gerar anomalias no mercado, muitas vezes complicando a vida dos economistas.

  5. Monique Saiani Camargo Penteado Says:

    Em suma, como dito acima no texto, o descasamento entre a relação da taxa de juros nominal e a expectativa de inflação no Brasil, pode ser decorrente da alta quantidade de títulos ofertados pelo Governo no mercado. Porém, antes deste efeito, o qual podemos notar pela Equação de Fisher, é necessário analisar os deslocamentos das curvas de oferta e demanda de títulos. Com um aumento na expectativa de inflação, por exemplo, a curva de demanda desloca-se para a esquerda, já que o retorno de ativos reais será maior do que o de títulos, diminuindo a quantidade desejada destes e aumentando o preço dos ativos reais. Junto a isso, ocorre um deslocamento para a direita da curva de oferta, uma queda na taxa de juros real, impulsionando o investimento e por fim aumentando a oferta de títulos no mercado. Além disso, vale ressaltar que um choque nominal na economia irá afetar aspectos nominais, e que as oscilações que ocorrem na Equação de Fisher (taxa de juros nominal, taxa de juros real e expectativa de inflação) não são instantâneas, como muitos acreditam ser.

  6. Patrícia Aparecida de Almeida Says:

    Tanto o texto quanto os comentários acima mencionam como as expectativas de inflação influenciam na taxa de juros e os possíveis motivos pelos quais não há uma relação direta, no Brasil, entre os dois tal como é apresentado normalmente nos livros de macroeconomia e economia monetária. No entanto, em um artigo da Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/01/1732250-selic-parada-em-1425-faz-subir-expectativa-de-inflacao.shtml) que a decisão tomada pelo Copom de manter inalterada a taxa de juros (na época em que o texto foi escrito) influenciou as expectativas de inflação, mais especificamente, da inflação implícita. Seria essa inflação implícita a mesma inflação mencionada acima? Se sim, seria essa uma influência recíproca?

  7. Laura Paschoin Says:

    Acredito que o grupo tenha feito um trabalho interessante e nos mostrado de maneira clara como o comportamento da taxa de juros e da inflação esperada brasileira no últimos anos, diferenciou-se da teoria proposta por Fisher e representada em sua famosa equação i= r + π.exp. Tal como citado no texto, quando a expectativa de inflação aumenta, a taxa de juros nominal irá aumentar. O livro texto de Mishkin também acrescenta que é por essa razão que muitos economistas recomendam que a inflação seja mantida baixa se quisermos manter as taxas de juros nominais também baixas.
    Segundo o autor, uma possível explicação para o descasamento entre a taxa de juros nominal e a expectativa de inflação seja a evolução da dívida pública brasileira em relação ao PIB, que por sua vez, seu comportamento de diminuição ou aumento, pode ser explicado a partir do aumento da oferta de títulos pelo governo brasileiro.
    Em relação à isso, logo me veio a mente a explicação em sala de aula que envolvia a Eficiência Marginal do Capital (EmgK) e o custo de oportunidade (taxa de juros real). No período de 2011 a 2013, houve uma diminuição da taxa de juros real (r), então se r diminui, o EmgK pode aumentar. A partir daí, haveria um aumento na demanda de recursos, e um aumento na demanda de fundos para financiar mais projeto produtivos, ou seja, um aumento na oferta de títulos, resultando em um efeito expansionista.
    No caso análogo, no período de 2013 a 2016, houve um aumento na expectativa de inflação e um aumento na taxa de juros nominal, culminando em um aumento também na taxa de juros real. Ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores, o custo de oportunidade (da obtenção de recursos) aumentou em relação ao EmgK, afetando a decisão de investimento.

  8. Afonso Hernandes Says:

    O artigo publicado no Valor Econômico (http://www.valor.com.br//opiniao/4117788/o-efeito-fisher-e-inflacao-no-brasil) diz que no final de 2012 e em 2013, e pode ser visto na “Figura 2” do post: “o governo tentou forçar a Selic a patamares artificialmente baixos e o mercado ajustou suas expectativas de juros reais. É possível pensar que se tivéssemos criado as condições fiscais para manter essas expectativas baixas à época, o resultado hoje fosse uma Selic de um dígito. Pelo contrário, a política monetária expansionista, somada à frouxidão fiscal, levou o governo a plantar as sementes de um processo inflacionário que estamos colhendo agora”.
    A publicação aponta como objetivo uma redução da taxa de juros real para cerca de 3% ao ano, dessa forma, poderia haver reduções na Selic futura independente do nível de inflação, e que enquanto não houver essa redução da taxa real de juros, a Selic continuará aumentando para controlar processos inflacionários, gerando um alto custo, devido a grande quantidade de juros que prejudica ainda mais as contas públicas.

  9. Ana Paula Santos Says:

    Acredito que o caso exposto pelo presente grupo foi importante para a ampliação dos aprendizados em aula, uma vez que, no caso brasileiro, ocorre um comportamento diferente daquele que fora exposto por Fisher (i = r + infl. e.).
    Como explicado por Moreira (2006), em um contexto no qual o governo possui uma dívida pública elevada, a oferta de títulos trata-se de uma alternativa visando o financiamento desse déficit. Uma vez que o governo está ofertando mais títulos, a curva da oferta sofre um deslocamento para a direita, fazendo com que haja um excesso de oferta. Nesse sentido, os agentes caminharão para novas decisões, direcionadas aos equilíbrio de mercado. A conclusão dos deslocamentos mencionados levará, portanto, a uma taxa de juros mais alta.

    Além dessa explicação exposta no texto (dívida pública), também é possível considerar uma política expansionista durante o período de 2011-2013, uma vez que a queda na taxa de juros reduz o custo de oportunidade. A interesse do governo em aumentar investimentos requer aquisição de recursos, levando-o a ofertar mais títulos que, por sua vez, leva aos mesmos movimentos citados acima.

    Por fim, é importante ressaltar que tais deslocamentos não são “instantâneos”, isto é, requer tempo para que os agentes se conduzam, novamente, ao equilíbrio.

  10. Gabriel Akel Abrahão Says:

    Um aspecto interessante é saber dimensionar e quantificar a questão da dívida brasileira. Como descrito no texto, é que no Brasil, ao contrário como ocorre em economias como a dos Estados Unidos (EUA), há um descasamento entre a taxa de juros nominal e a expectativa de inflação, ocasionando pela evolução da dívida pública em relação ao PIB. Uma das medidas que o governo tem para se financiar é emitindo títulos públicos da dívida (Tesouro Direto) e o faz quando aumentando a oferta de títulos e, consequentemente, as taxas de juros nominal.
    A Dívida Pública Federal Brasileira no final do primeiro bimestre desse ano (2016), segundo divulgações do Tesouro Nacional, se encontrava em R$ 2,81 trilhões (patamar superior ao registrado em períodos anteriores) e um dos motivos apontados por especialistas, além do pagamento de juros, está relacionado com a emissão de títulos públicos acima do volume dos resgates em R$ 39 bilhões (no respectivo mês foram resgatados R$ 16,68 bilhões em papéis, enquanto foram emitidos R$ 55,75 bilhões). Títulos atrelados aos juros básicos da economia (SELIC) representam 10,49% do volume total da dívida interna e títulos atrelada à inflação (IPCA, IGP-M…) totalizam 34,79% do total.
    Isso mostra que, caso haja uma perspectiva da tendência do governo continuar se financiando por títulos públicos e que o volume de títulos emitidos for maior do que títulos resgatados, ocorrerá um aumento da dívida interna, o que pressiona maior descasamento entre a expectativa de inflação e a taxa de juros nominal.

  11. Thiago Caridade Says:

    O que me chama a atenção nas figuras é a queda sucessiva entre meados de 2011 até o início de 2013. Analisando o período histórico percebo que foi um reflexo dos danos causados pela crise financeira mundial, que chegou ao Brasil diminuindo a taxa de crescimento que o PIB vinha apresentando. Vale lembrar que a crise não fez o PIB do Brasil parar de crescer, apenas reduziu seu ritmo de crescimento: o que explica a razão dívida/PIB diminuir, e a aproximação da taxa de juros à meta de inflação. Vejo também que essa redução proposital da SELIC, ajudou o governo a economizar com a sua própria dívida, explicando também a relação dívida/PIB.
    Desta notícia, “http://economia.ig.com.br/2012-08-29/banco-central-faz-novo-corte-na-taxa-de-juros-e-selic-vai-a-75-ao-ano.html”, acredito que tal medida de redução da SELIC teve um certo interesse de fazer com que os brasileiros realocassem seus fundos da cardeneta de poupança (que rendia menos a partir daquele momento) para colocá-lo no mercado de títulos do governo, o que ao meu entender, ajuda a explicar o aumento na relação dívida/PIB proposto por Moreira. E esses sucessivos aumentos propiciaram o aumentos na oferta de títulos.
    Mas gostaria que alguém me corrigisse, caso tenha ido longe demais na análise.

  12. Henrique Kawakami Says:

    O Brasil apresenta uma taxa de juros nominal muito alta, e ainda sofrendo um aumento nos últimos anos devido as alterações que ocorreram na expectativa de inflação. De acordo com um artigo do site (http://www.brasilequity.net/raulmottajunior/o-efeito-fisher-e-a-inflacao-no-brasil/) para que ocorra uma diminuição sustentável da taxa de juros (Selic) no Brasil é necessário não só focar nas taxas de juros nominais em si, mas sim sobre as as taxas de juros reais, uma vez que o Brasil está no ranking dos países com maiores taxas de juros reais do mundo. Dessa forma será possível para o Brasil diminuir a taxa nominal de juros independentemente do nível de inflação.

  13. Denis Silva Moreira Says:

    Um ponto que devemos analisar é o atual regime de metas de inflação que tem como base alguns pressupostos, sendo um destes, de que o produto potencial é independente do produto corrente, o que é muito discutido pela moderna literatura de series temporais (Braga, 2006), as evidencias estatísticas de uma tendência estocástica no PIB demonstram que a tendência do produto é totalmente correlacionada com a evolução do produto corrente. O que demonstra muita credibilidade ao modelo de supermultiplicador (Serrano, 2007), que combina o acelerador flexível no investimento e o efeito multiplicador no consumo, além disso, há muitos bens que possuem seus preços monitorados e que são administrados, mesmo no curto prazo, assim como podemos observar a inflexibilidade nos salários nominais, somando estes fatores temos a impossibilidade de algum efeito da demanda sobre a inflação, com tudo isto é evidente que ao quebrar um pressuposto como falho, o sistema de metas no Brasil não pode funcionar da maneira em que é escrito consensualmente

  14. Ana Paula Umbelino Says:

    É realmente muito interessante o que o grupo apresentou ainda mais contrapondo e mostra uma explicação do porquê o Efeito Fisher apresentado por Mishkin (2013) não acontece no caso brasileiro. É valido lembrar que no final de 2012 e 2013, o governo tentou forçar a Selic a patamares artificialmente baixos e o mercado ajustou suas expectativas de juros reais. Segundo o Junior (2015), em um artigo ao Valor Economico – que pode ser encontrado no link: http://www.brasilequity.net/raulmottajunior/o-efeito-fisher-e-a-inflacao-no-brasil/ – é possível pensar que se o governo tivesse criado as condições fiscais para manter essas expectativas baixas à época, o resultado hoje fosse uma Selic de um dígito. No entanto, a política monetária expansionista, somada à frouxidão fiscal, levou o governo a plantar as sementes de um processo inflacionário que estamos colhendo agora, aumentando as expectativas de inflação e aumentando a taxa nominal, uma vez que esse efeito foi forçado pelo governo.

  15. Mariana Larios Claudio Says:

    De acordo com o esclarecido no texto sobre o descasamento entre a taxa de juros e a inflação esperada, percebemos que ela não segue o modelo de Fisher. No documento exposto pelo Banco Central (https://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/TD359.pdf), escrito por José Valentim Machado Vicente e Flávia Mourão Graminho, temos logo na introdução uma explicação sobre a equação de Fisher: “A hipótese de Fisher (1930) estabelece que a inflação implícita (diferença entre as taxas de juros nominal e real) é igual a expectativa da variação futura dos preços. Em outras palavras, observando as taxas de títulos de renda fixa nominais e reais negociados no mercado poderíamos, por simples diferença, calcular o valor esperado da inflação futura. No entanto, tal hipótese desconsidera a aversão ao risco dos agentes.”
    Conforme descrito por eles, a equação de Fisher não leva em consideração a aversão ao risco dos agentes, o que faz com que eles exijam um prêmio de risco, conforme visto em aula. Essa desconsideração da aversão ao risco pode ser considerada como uma possível explicação desse descasamento?

  16. Lucas Negreiros Says:

    No texto do grupo é mostrado na figura 2 a relação entre a dívida pública e o PIB e logo depois é explicado que uma das formas do governo se financiar é através da emissão de títulos. O excesso de oferta de títulos leva a uma queda dos preços destes e um consequente aumento das taxas de juros. Para ilustrar a emissão de títulos achei essa matéria de 2013 que retrata a quantidade de títulos que estavam sendo emitidos naquele período:
    http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2014/04/com-juro-alto-emissao-de-titulos-publicos-e-maior-da-historia.html

    E apenas por curiosidade, já que foge do período de análise, achei um artigo de 2003 que fez uma análise do efeito Fisher nas economias do Brasil, Argentina e México entre os anos de 1980 e 1997. Eles verificaram que no longo prazo existia uma relação estável entre taxas de juros nominais e inflação esperada na economia brasileira e argentina. Ainda encontrei outro artigo que fazia análise semelhante para o efeito Fisher entre os anos de 1980-2008 e o resultado se repetia no longo prazo. Fiquei curioso em saber se os resultados que temos ao olhar os dados de 2010-2016 são resultados de um prazo pequeno para a análise.
    Artigo 1: http://revistas.face.ufmg.br/index.php/novaeconomia/article/view/407/411

    Artigo2:
    http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/face/article/viewFile/8241/5909

  17. Lucas Negreiros Says:

    No texto do grupo é mostrado na figura 2 a relação entre a dívida pública e o PIB e logo depois é explicado que uma das formas do governo se financiar é através da emissão de títulos. O excesso de oferta de títulos leva a uma queda dos preços destes e um consequente aumento das taxas de juros. Para ilustrar a emissão de títulos achei essa matéria de 2013 que retrata a quantidade de títulos que estavam sendo emitidos naquele período:
    http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2014/04/com-juro-alto-emissao-de-titulos-publicos-e-maior-da-historia.html

    E apenas por curiosidade, já que foge do período de análise, achei um artigo de 2003 que fez uma análise do efeito Fisher nas economias do Brasil, Argentina e México entre os anos de 1980 e 1997. Eles verificaram que no longo prazo existia uma relação estável entre taxas de juros nominais e inflação esperada na economia brasileira e argentina. Ainda encontrei outro artigo que fazia análise semelhante para o efeito Fisher entre os anos de 1980-2008 e o resultado se repetia no longo prazo. Fiquei curioso em saber se os resultados que temos ao olhar os dados de 2010-2016 são resultados de um prazo pequeno para a análise.

    Artigo 1: http://revistas.face.ufmg.br/index.php/novaeconomia/article/view/407/411

    Artigo2:
    http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/face/article/viewFile/8241/5909

  18. Daniela Lourenço Says:

    Além do exposto no texto do grupo, de acordo com o economista Jason Vieira, o Brasil é um dos principais países a apresentar taxas de juros reais altas, encontrando-se em posição de destaque neste quesito desde 2013, quando o Banco Central iniciou um ciclo de alta de juros (http://oglobo.globo.com/economia/brasil-continua-com-maior-taxa-de-juros-reais-do-mundo-18512294). Acrescenta que “para sair dessa posição, seria necessário um corte de 4,5 pontos percentuais na Selic, o que não vai acontecer no curto prazo”.
    Cabe lembrar que a taxa de juros alta é frequentemente citada como uma das mais importantes restrições ao desenvolvimento econômico do país. Alguns autores se referem a esse problema como a mais importante restrição ao crescimento (Hausmann 2008).

  19. Luiz Henrique F. Ambrósio Says:

    Um ponto bastante importante que pode ser destacado neste tema é o fato de o Brasil liderar o ranking de maiores juros reais no mundo, que de acordo com http://exame.abril.com.br/economia/noticias/brasil-dispara-na-lideranca-dos-maiores-juros-reais-do-mundo-2 o Brasil apresenta uma taxa de juros real de 6,78%, e o segundo colocado, a Russia, apresenta uma taxa de 2,78%. Contudo, apesar dessa alta taxa de juros real no Brasil atualmente, ela é extremamente inferior ao patamar apresentado no período da década de 90.
    Segundo o site http://www.paulogala.com.br/breve-historico-da-taxa-de-juros-real-no-brasil-2/ o Brasil possuía uma SELIC acima de 50% no começo do plano real, ele informa também que crises na Ásia e na Russia obrigaram o Banco Central a colocar o juro real em mais de 30% ao ano para segurar o regime de câmbio fixo. E foi na mudança de câmbio (do fixo para o flutuante) em 13 de janeiro de 1999 que inaugurou uma fase de redução das taxa reais. De acordo com o site, a estabilização da nossa taxa de juros real nesse patamar de hoje em dia, se deve muito a transformação do país em grau de investimento, a quadruplicação das reservas, a estabilização dos preços, e entre outras melhoras macroeconômicas.

  20. Heitor de Almeida Says:

    Realmente muito interessante o fato de que o caso brasileiro difere substancialmente do caso demonstrado no livro texto de Mishkin (2013). De acordo com essa matéria publicada no Terraço Econômico (http://terracoeconomico.com.br/por-que-a-taxa-de-juros-e-tao-elevada-e-a-taxa-de-inflacao-nao-cai), existem duas hipóteses explicativas para o porque da taxa da inflação permanecer muito elevada, apesar da taxa nominal básica de juros ser tão elevada.
    A primeira hipótese, como dito no texto a cima, é que a taxa real básica de juros no Brasil é tão elevada por causa da dívida pública.
    Já a segunda hipótese diz que a taxa real básica de juros no Brasil é tão elevada por causa da dependência do resultado não operacional ou renda do capital. Em suma, “a economia brasileira teria se viciado em operar com juros elevados”, propondo que “a receita financeira de curto prazo pode ter contribuído para a viabilidade de muitos negócios”.

  21. Matheus Albino Says:

    O grupo levantou excelentes pontos contrastando o cenário estadunidense e as particularidades do caso brasileiro. De fato, existe uma ampla literatura que discute por que a taxa de juros real da economia brasileira é tão elevada e por que há esse descasamento entre a taxa de juros real e a expectativa de inflação. Para Moreira, isso se deve ao aumento da oferta de títulos, que passa a ser uma alternativa de financiamento do déficit para o Governo. A relação entre o déficit público e as taxas de juros são analisadas pelos economistas por várias óticas. Se por um lado, utilizando o modelo completo para analisar o período de 2013 a 2016, temos que a taxa de juros real acompanha o movimento das expectativas de inflação e taxa de juros nominal mais altas – afetando as decisões de investimento produtivo – por outro, alguns economistas considerados heterodoxos argumentam que a dívida pública aumenta devido a uma taxa de juros elevada. A relação das taxas com o risco associado ao país, citado nos comentários, também pode trazer discussões interessantes, visto que o risco de investir na economia dos Estados Unidos não é o mesmo risco de investimento na economia Brasileira, o que deve ser levado em consideração na análise comparativa entre as duas economias.

  22. Mariana Pivoto Says:

    Vale ressaltar, com base no artigo de Garcia (http://www.economia.puc-rio.br/Mgarcia/outrosmatmacroII_arquivos/O%20Processo%20de%20Forma%C3%A7%C3%A3o%20da%20Taxa%20de%20Juros%20no%20Brasil.pdf) que a taxa de juros brasileira se mantém elevada há décadas, porém, por motivos um pouco distintos ao longo do tempo.
    Tempos atrás, a manutenção da taxa de juros elevada estava relacionada ao risco país e à instabilidade econômica brasileira, fazendo com que o prêmio pelo risco demandado pelos agentes para manter o capital no país fosse alto. Já em outros períodos, o risco país dos títulos brasileiros sofreu redução por conta das melhores perspectivas econômicas. Nos dois cenários, o fato que prevalece é a contínua elevação da taxa de juros, que pode ser explicada pelo fato de quem, em um ambiente com mobilidade de capital e cambio flutuante, o risco do investidor internacional remeter seus recursos sem que haja perda sempre irá existir. De acordo com Garcia, para que estes riscos fossem reduzidos, seria preciso termos mercados internacionais líquidos e profundos em reais.

  23. Thaianna Silva Says:

    Como apontado nos gráficos de ambas economias, nota-se para o caso brasileiro um descasamento entre a taxa de juros e as expectativas de inflação, ao contrário do que é observado para o caso norte-americano. Esta observação empírica possui um embasamento teórico a qual é conhecida como efeito Fisher. Como uma forma de explicar os motivos de tais diferenças quando consideradas as mesmas características – aumento das expectativas de inflação e das taxas de juros – pode ser por meio da relação dívida-PIB para o caso brasileiro.
    Em relação a isso, Mendonça (2008) cita que “a utilização da taxa de juros como principal instrumento para a obtenção da meta de inflação e o fato de grande parte da dívida pública brasileira estar indexada a essa taxa faz com que haja uma reciprocidade entre a condução da política monetária e o gerenciamento da dívida pública”. Essa reciprocidade quando usada de maneira inequívoca pode gerar efeitos contrários ao desejado sendo isso o que ocorreu no caso brasileiro, ou seja, a política monetária expansionista, a necessidade refinanciamento da dívida pública, a frouxidão fiscal, fez com ao invés de diminuir, aumentar a o processo inflacionário e com isso manter as taxas de juros em patamares altos. Um outro fator que faz manter elevadas taxas de juros é falta de credibilidade suficiente na economia e esse é um ponto que Mendonça (2008) diz que merece atenção, porque a credibilidade na condução da política monetária é capaz de contribuir tanto para uma redução na dívida pública quanto para o controle da inflação.

  24. Felício Visnardi Says:

    Como dizer que o cenário político brasileiro atual não é dos mais favoráveis é um grande eufemismo, o impopular aumento de impostos pode ser desastroso. Resta somente, então, o financiamento público por meio de títulos. Neste sentido, a elevada taxa de juros real pode funcionar como incentivo a aquisição de títulos governamentais por agentes média-variância eficientes. A questão que fica é o quão arriscados são títulos do governo brasileiro (relativamente a títulos substitutos) para que justifique-se tão alta taxa real de juros?

  25. Gustavo Cavalaro E. Cardoso Says:

    Vale observar que as expectativas de inflação para 2017 apresentaram melhoras recentemente (http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2016/07/expectativas-para-inflacao-do-proximo-ano-melhoram-pela-3-semana-consecutiva) mas, com a dívida pública ainda em níveis elevados e cenário político incerto, o descasamento entre a expectativa de inflação e a taxa de juros nominal no Brasil deve permanecer.

  26. Tiago Pedro Says:

    Primeiramente parabenizar o grupo pelo exposto no artigo, trazendo em gráficos e comparativamente o que identificamos em aula: o comportamento pouco convencional da taxa de juros nominal no Brasil. Algumas razões ainda não citadas são a de que o mercado brasileiro é pouco representativo e ainda o mercado de títulos pouco explorado no Brasil. Como aprendido em aula a taxa de juros é determinada no mercado de títulos, porém no caso do Brasil a análise por gráfico desses dados é prejudicada.
    Além disso, no Brasil, a taxa de juros tem se baseado principalmente na expectativa de inflação (efeito Fisher). “As expectativas de inflação se deterioram e, com isso, a taxa de juros nominal tem de ser aumentada. Não o fazer seria plantar, como há dois anos, mais inflação, por forçar uma taxa de juros nominal menor do que a relação indicada pelos juros reais pagos no Brasil e a inflação esperada”.(Rodrigo Zeidan 02/07/2015 – O Efeito Fisher e a inflação no Brasil – Valor Online). Portanto, ao se pensar em Brasil e taxas de juros devemos nos focar na relação direta da expectativa de inflação com o que de fato ocorre na inflação para determinar como será o movimento da Selic ao longo dos anos.

  27. Thiago de Morais Says:

    Primeiramente, parabéns grupo A pelo excelente trabalho! Achei muito interessante o artigo do Valor Econômico postado pelo nosso colega Afonso. Pelo que eu entendi, o deficit das contas públicas brasileiras faz com que a taxa de juros real seja mais influente no resultado final da taxa de juros nominal do que a inflação esperada. É isso? Por isso o autor do artigo opina que: “Quanto mais rápido ajustarmos de forma sustentável as contas públicas, maior a celeridade da queda dos juros reais”. Com o ajustamento das contas pública e diminuição de juros reais, o Brasil passa a ter uma interação juros nominais e inflação esperada mais parecida com o Estados Unidos?

  28. Luiz Rodrigo Pereira Says:

    Um ponto interessante a ser destacado é o fato de que a taxa SELIC vem sendo mantida em 14,25% a.a. desde meados de 2015, o que representa a maior taxa em quase 10 anos (nas últimas 8 reuniões do Copom, a decisão tomada for por manter o nível de juros).
    Ao manter a taxa SELIC em nível elevado, o Banco Central encarece o crédito com o objetivo de reduzir o consumo no país, e, assim, conseguir conter a inflação, que tem se mostrado bastante resistente.
    Para 2016, a meta de inflação é de 4,5% com tolerância de até dois pontos percentuais acima do centro da meta, isto é, 6,5%. Em julho, o IPCA fechou em 8,74%, mostrando que o Banco Central terá que manter ou até mesmo elevar a taxa SELIC para não descumprir a meta de inflação.
    O atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, declarou que buscará atingir a meta central de inflação de 4,5% em 2017 – o que pressupõe um atraso maior no processo de queda dos juros. A meta de 4,5% é utilizada desde 2005 pelo Bacen, mas só atingida por 3 vezes, sendo a última delas em 2009. No cenário de mercado, que pressupõe queda dos juros nos próximos meses, a expectativa para o IPCA ainda está por volta de 5,3% para o ano que vem. O que já se mostra um dado preocupante, visto que em 2017 a tolerância será de apenas 1,5% acima do centro da meta, isto é, um IPCA de 6% a.a.
    O problema de se usar a alta taxa de juros como principal mecanismo para conter a inflação são os prejuízos gerados para a atividade econômica, que, consequentemente, inibem a geração de empregos. Quando o Banco Central julga que a inflação está compatível com as metas preestabelecidas, pode baixar os juros. Porém, é difícil de se prever um cenário de taxas de juros mais baixas tão cedo.
    http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/07/em-seu-1-copom-nova-diretoria-do-bc-mantem-juros-em-1425-ao-ano.html

  29. Tales Costa Says:

    Durante a graduação a equação de Fisher sempre nos foi familiar e é curioso ver um caso em que o comportamento da taxa de juros e da inflação esperada brasileira no últimos anos não segue a teoria formulada por ele. Como é exposto no fim do trabalho apresentado, uma possível explicação para esse fenômeno é o aumento da oferta de títulos pelo governo brasileiro. Eu sou favorável à essa opinião, visto que de 2013 em diante (período em que o descasamento entre a inflação esperada e a taxa de juros volta a crescer) a emissão de títulos públicos começou a bater recordes, sendo emitidos R$ 52 bilhões no fim de 2013, R$ 57,97 bilhões no início de 2014, R$ 70,19 bilhões no início de 2015.

  30. Joao Pedro Vieira Says:

    Gostaria de focar um pouco no final do gráfico que representa a relação entre a taxa Selic e a expectativa IPCA, onde há uma clara queda na expectativa de inflação por parte dos consumidores, mas a taxa Selic mantém-se em níveis elevados. Acredito que isso prova que a instabilidade política existente hoje no Brasil é um fator decisivo para a formulação destas taxas, já que após o início do processo de impeachment, a expectativa de inflação entrou em uma constante queda, porém este efeito não foi refletido na taxa Selic. Apesar de concordar com alguns de meus colegas ao dizerem que talvez seja possível que a taxa Selic e a expectativa de inflação “tendam a um efeito Fisher” no longo prazo, acredito que no curto prazo estas duas taxas estão muito mais ligadas à confiança do governo brasileiro do que a qualquer outra variável.

  31. Danielle Sandrini Says:

    Essa relação distinta do caso brasileiro discutida pelo grupo faz, com que pensemos na questão do risco e as variáveis diretamente relacionadas à aversão ao risco dos agentes. Tendo o Brasil, um governo gastador e que se financia através de títulos, e que passa atualmente por problemas ligados à governabilidade a minimização dos possíveis efeitos das variáveis de solvência e liquidez, a inflação, além de tais condições de oferta do mercado financeiro deveriam ser importantes no mercado financeiro. Uma vez que a equação de Fischer não considera os efeitos do risco, pode-se começar a compreender o porque do caso americano não se comportar da mesma forma que o brasileiro. Em um trabalho discutido em 2003, os autores Garcia e Didier (link: http://ppe.ipea.gov.br/index.php/ppe/article/viewFile/92/67 ), demonstraram o risco cambial como determinante do risco Brasil, ligando-o a balança de pagamentos.

  32. Bárbara Pinati Says:

    Gostaria de parabenizar o grupo pelo ótimo texto que nos traz um maior conhecimento das particularidades do caso brasileiro quanto ao quesito de taxa de juros nominais.
    Como a Ana Paula citou nos comentários acima, no período de 2012 e 2013, o governo tentou reduzir “a força” a taxa Selic. Em consequência disso, houve uma expectativa de maior inflação futura.
    Segundo Rodrigo Zeidan, em seu texto disponível no link: https://rzeidandotcom.files.wordpress.com/2014/12/valor-economico_2julho_zeidan.pdf, a alta taxa de juros no Brasil não está relacionada à alta da inflação mas sim com o alto nível de juros reais. A captação real do Estado transforma nossa dívida pública em uma das mais onerosas do mundo.
    O problema do Brasil não está somente em “semear” inflação, mas em lidar com a formação da taxa de juros real.

  33. Bárbara Ribeiro Martins Says:

    O efeito Fisher expressa que a taxa nominal de juros é resultante da soma entre a taxa de juros real e da inflação esperada. No Brasil, o crescimento da oferta de títulos públicos e aumento da taxa de juros para atração dos investidores e não em função da expectativa de inflação ocasiona o descasamento entre a expectativa de inflação e taxa de juros básicos da economia (Selic), como bem mencionado no texto acima e apresentado na figura 2 pelo comportamento da relação dívida/PIB.

  34. Edeilton Torres de Brito Says:

    Por meio da análise gráfica estadunidense (Gráfico 1) é possível observar que existe uma correlação positiva entre a taxa de juros e as expectativas de inflação para um determinado período, corroborando a teoria proposta por Irving Fisher (1930), a qual segundo Barsky (1986, p. 1) diz que “The Fisher hypothesis, which states that nominal interest rates rise point-for-point with expected inflation, leaving the real rate unaffected, is one of the cornerstones of neoclassical monetary theory”. Ou seja, é possível analisar que ambas as curvas do gráfico 1 possuem um comportamento fidedigno à hipótese, a qual também pode ser representada matematicamente pela conhecida expressão: i = r + π^e.

    Já o mesmo não ocorre para o caso brasileiro, conforme analisado no gráfico 2, para o período de 2010 a 2016. Neste intervalo nota-se um descasamento entre a taxa de juros e a inflação esperada, o que pode ser observado com maior clareza entre os períodos de 2011-2012 e 2015-2016, nos quais as curvas possuem “sentidos contrários”, mostrando que nem sempre mudanças na inflação esperada implicam, de forma proporcional-positiva, um ajustamento das taxas de juros nominais (GARCIA, 1991). Mas isso seria suficiente para contestar a teoria proposta por Fisher?

    Não. As economias como um todo possuem particularidades e diferenças, não sendo possível fazer experimentos como se estivéssemos em um laboratório de bioquímica, onde pode-se ajustar todos os elementos exógenos de tal forma a encontrar as condições ideais para os testes de uma determinada hipótese proposta. Cada país está exposto a condições econômicas, geográficas, políticas e sociais diferentes, implicando que uma mesma teoria por mais que provada e aceita cientificamente, poderá incorrer em “desvios de regra” para determinados períodos, não decorrentes da teoria, mas sim, dos choques ou políticas governamentais pelas quais aquela economia esteja passando.

    Segundo Garcia (1991, p. 472), “Se aumentos nas expectativas de inflação não forem inteiramente incorporados às taxas de juros nominais, os governos podem nisto encontrar um estímulo para manterem seus déficits fiscais financiando-os através da dívida pública não indexada. Isto é particularmente relevante para as economias inflacionárias, como o Brasil”. De acordo com a referência anterior, nota-se que existe a possibilidade dos governos se financiarem por meio da dívida pública, o que pode ocasionar o efeito contraditório, porém ilusório, da não aplicabilidade da teoria de Fisher. Ainda de acordo com o gráfico 2, observa-se que quanto maior a relação dívida-PIB maior o descasamento entre a taxa de juros e a inflação esperada, servindo como um fator potencial para explicar a falta de proporcionalidade positiva para o caso brasileiro no período de 2010 a 2016.

    Empiricamente há estudos correlacionando o efeito das expectativas dos agentes em relação à taxa de juros, inflação esperada e a dívida-PIB brasileira. De acordo com a análise econométrica obtida por Nicolay e Montes (2012, p.12), observa-se que “Os resultados para a razão dívida/PIB apontam que o gerenciamento apropriado da política fiscal, no sentido de buscar a sustentabilidade da dívida pública, afeta as expectativas de inflação conforme o esperado, ou seja, o gerenciamento da dívida voltado para sua sustentabilidade leva a redução das expectativas de inflação. (…) Esses resultados apontam para a importância da condução da política fiscal no regime de metas para inflação, pois o controle da dívida pública afeta as expectativas de inflação”.

    Portanto a relação dívida-PIB em altos níveis, pode configurar-se um elemento exógeno com impacto sobre as expectativas de inflação dos agentes, distorcendo o efeito Fisher sobre as taxas de juros nominais.

    http://www.nber.org/papers/w1927.pdf
    http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/4860/1/PPE_v21_n03_Formacao.pdf
    https://www.anpec.org.br/encontro/2012/inscricao/files_I/i3-d834f911baf1a85d518c27ebeaae7e62.pdf

  35. Leonardo da Costa Voltarelli Says:

    Vale destacar, que apesar da taxa SELIC se manter alta, existem muitas linhas de crédito subsidiadas que poderiam interferir nos objetivos traçados pelo Banco Central de controlar a inflação, como os financiamentos oferecidos pelo BNDES, financiamentos imobiliários e estudantis, que representam bilhões de reais oferecidos a taxas abaixo da inflação e que possuem risco relativamente alto.

  36. Franco B. Conceição Says:

    Boa noite! Achei o texto bem informativo, porém o meu destaque iria para o poder da formação de expectativas. Curioso como o Efeito Fisher tem aplicação com o caso americano desde o pós-Guerra e vem se mantendo, me levando a creditar o fato à estruturação econômica norte-americana. Por outro lado, o descasamento do Brasil evidencia a instabilidade econômica e essa tentativa de tentar ”casar o descasamento” com o problema deficitário brasileiro e a necessidade de se financiar via oferta de títulos. E apesar de tudo, vemos que, mesmo no caso que foge ao Modelo proposto por Fisher, o poder da formação das expectativas está fortemente presente.

  37. Emiliano Santos Says:

    A partir da exposição do grupo vemos com clareza a particularidade do caso brasileiro da relação entre taxa nominal de juros e expectativa de inflação, onde se vê um descasamento destes durante vários períodos de tempo. Na hipótese de Moreira ( 2008) isso se dá pelo uso sistemático da venda de títulos para financiamento da máquina pública, que se analisando à partir da relação Dívida/PIB teve uma alta sensível a partir de 2014 (Figura 2), paralelamente a diferença entre expectativa de inflação e taxa de juros se torna mais extrema. Tendo como base o artigo ” Reconsiderando o efeito Fisher: uma análise de cointegração entre taxa de juros e inflação ” (CARNEIRO; DIVINO; ROCHA), vemos que houve a correlação expectativa de taxa de juros e inflação pro caso brasileiro e argentino entre os anos de 1980 e 1997, o que auxilia a hipótese de Morais de que o aumento da relação Dívida/PIB, junto com outros fatores como a instabilidade política como citado nos comentários, influenciou a disparidade entre expectativa de taxa de juros e inflação.

    Artigo: http://revistas.face.ufmg.br/index.php/novaeconomia/article/view/407/411


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