Crescimento econômico: capital físico e humano no Brasil

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“O produto anual de uma economia(PIB) é criado pela interação entre os estoques de capital físico e de capital humano existente. O capital físico é uma referência a qualquer ativo não humano, como maquinas, equipamentos, edifícios e demais instrumentos utilizados na produção.

O capital humano é o conjunto de capacidades, conhecimentos e competências que favorecem a realização de trabalho de modo a produzir valor econômico. São os atributos adquiridos por um trabalhador por meio da educação e experiência.

Assim pode-se concluir que as fontes de crescimento do PIB de uma economia são: um aumento do estoque de capital físico (que cresce tão mais rápido quanto maior for à taxa de investimento); o aumento da forca de trabalho disponível; o aumento do número médio de anos de estudos dos trabalhadores; e o aumento da produtividade.

No Brasil os estudos que estimam o estoque de capital físico são escassos, os mais conceituados utilizam-se da metodologia de estoque perpetuo. O método do estoque perpétuo acumula os fluxos macroeconômicos de investimento para diversas categorias de ativo deduzindo a depreciação física ou perda de eficiência que ocorre ao longo da vida útil de cada categoria, sendo este, o método tradicional de se calcular estimativas indiretas do estoque de capital.

No Brasil, o setor institucional com maior participação na evolução do estoque de capital é o setor privado, respondendo por cerca de 84% do estoque de capital no período 1950-2001, sendo que desse total cerca de 66% referem-se ao estoque em residências e estruturas e os restantes 18% em máquinas e equipamentos.

O estoque de capital fixo da economia brasileira em termos de PIB é crescente, passa de 2,8 PIB em 1950 para 3,2 PIB em 2001, tendo atingido os maiores valores em 1983(3,28 PIB) e em 1992(3,46 PIB). Analisando-se sua composição, o estoque em estruturas do setor privado cresce em todo o período, passa de 0,22 PIB em 1950 para 1,23 PIB em 2001. O estoque em estruturas do governo cresce bem menos, passa de 0,36 PIB em 1950 para 0,4 PIB em 2001.

O estoque de residências, por sua vez, é decrescente até 1980, passando de 1,81PIB em 1950 para 0,73PIB em 1980, apresentando leve crescimento e tendência à estabilidade a partir de então, chegando a 1,07 PIB em 2001 e uma média de 0,96 PIB entre 1981 e 2001.

12-J figura1

O gráfico 1 destaca a Formação Bruta de Capital Físico como porcentagem do PIB entre 2000 e 2009

 

O cálculo do capital humano por trabalhador considera diferenças entre os trabalhadores em termos de escolaridade e de experiência.

A medida de capital humano tem dois componentes: a produtividade e a participação. Diversos estudos que investigam a relação entre educação e crescimento econômico mostram que o impacto agregado do capital humano no produto é de magnitude similar ao efeito microeconômico da educação sobre os salários.

 Em função disso a produtividade é compreendida como o retorno que o mercado de trabalho paga a uma dada combinação de escolaridade e experiência, enquanto a participação é interpretada como o peso relativo de cada grupo de escolaridade e experiência no total de horas trabalhadas.

12-J figura2

Observa-se uma taxa de crescimento do Capital Humano no Brasil inferior a 1%a.a, tendo crescido aproximadamente 13%, entre os anos de 1992 e 2007.Fato que pode ser explicado pelo aumento da escolaridade da mão-de-obra brasileira, uma vez que ocorreu a maior participação de grupos com níveis mais elevados de escolaridade no mercado de trabalho, em especial, trabalhadores com ensino médio completo e superior completo.

Porém, nota-se alguns períodos de flutuações significativas no Capital Humano, os quais pode-se explicar pelo fator produtividade.

 

Referencias Bibliográficas;

http://www.brasil-economia-governo.orr.br

http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/11705/Evolucao%20do%20Capital%20Humano%20no%20Brasil%20e%20nos%20EUA.pdf?sequence=1

http://aeconomiamarginal.blogspot.com.br/2010/07/os-investimentos-no-brasil-e-copa-ii.html

epge.fgv.br/files/1772.doc”

 

AUTORIA: Grupo J – Macro I

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27 Respostas to “Crescimento econômico: capital físico e humano no Brasil”

  1. Laura Figueiredo Ribeiro Lima Says:

    Procurando mais sobre o tema, não encontrei muito material ou notícias que possam complementar o post, entretando achei esse artigo de opinião http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,doze-anos-sem-rumo-imp-,1540699 , um pouco antigo, de agosto de 2014, mas acho que algumas coisas legais podem ser absorvidas.

    “O Brasil é prejudicado por dois grandes déficits estruturais: o de capital físico e o de capital humano”- Segundo Mauro Borges – ex ministro do desenvolvimento, da industria e do comércio exterior.

    Pesquisando mais sobre a opinião de Mauro Borges encontrei : http://www.valor.com.br/brasil/3666836/mauro-borges-industria-e-balanca-terao-resultados-melhores-em-2015

    Para Mauro Borges, o Brasil teve uma industrialização muito bem sucedida, MAS ela foi feita sem investimento em capital humano, em educação!! E desse modo a produtividade não aumentou – caracterizando um problema estrutural que impede o crescimento. Para ele se conseguirá uma melhora no investimento se lidar bem com esses dois problemas – capital físico e CAPITAL HUMANO.

  2. Luiz Felipe G Inacio Says:

    Interessante -e lógico- pensar que o setor privado, de fato, é o maior contribuinte para aumentos do estoque de capital físico no Brasil. Porém, com relação ao capital humano, eu fico em dúvida com a relação a essa proporção. Afinal, pelo menos vulgarmente, espera-se uma parcela maior da participação do governo nesse caso, principalmente na formação de mão-de-obra à nível superior.

    • Adriano Braga Rodarte Says:

      Olá, Luiz! Tive a mesma linha de raciocínio que você, acerca da proporção dos contribuintes para a formação de capital humano, também me pergunto se, no Brasil, o Estado é o maior responsável pela formação deste tipo de capital.
      Fiquei curioso acerca da parcela da população que cursa ensino superior e, numa breve pesquisa, encontrei essa matéria http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-12/ensino-superior-avanca-25-pontos-percentuais-entre-jovens-estudantes-em-10 que mostra como essa parcela aumentou vertiginosamente na última década. Dessa forma, é de se esperar que passado esse período de turbulência que estamos vivendo, nosso país volte a crescer mais rapidamente, não?
      A matéria também trata – superficialmente – da democratização do acesso ao ensino superior que, nesse período, evoluiu ao meu ver.

      • Renato R L Barbosa Says:

        Oi Adriano, nos estudos de demografia economica, eu pesquisei um pouco a respeito do prouni, e ele tem sido um dos grandes responsaveis por essa democratizacao da educacao superior e tem sido tambem um dos incentivos ao aumento de oferta de ensino superior privado.

  3. Bruno Boalin Says:

    Como dito no texto, o aumento de anos de estudos dos trabalhadores e o aumento da produtividade estão intimamente relacionados ao crescimento do PIB. Sendo assim, ao pesquisar mais sobre o tema da educação recente em nosso país, o Brasil teve crescimento de 80% no número de concluintes do Ensino Superior desde 2004. Programas estudantis que visam alavancar o ingresso das pessoas à uma formação mais estruturada e sólida (como o ProUni) podem ser tidos como um dos grandes pilares desse avanço.
    Ainda, mais do que apenas a quantidade de pessoas formadas, os investimentos em especialização também levaram a formação e a consolidação da educação de mestres e doutores para lugares que antes não tinham estrutura, diversificando então as áreas de alcance da educação (como Tocantins, Amapá e Roraima).
    http://www.brasil.gov.br/educacao/2016/04/brasil-teve-aumento-de-80-de-concluintes-do-ensino-superior-em-12-anos

  4. Caio Borges Donegá Says:

    Seguindo a linha de alguns raciocínios acima, creio que o principal problema brasileiro atualmente é o capital humano. A falta de infraestrutura e de qualidade profissional nas escolas públicas e também privadas fazem com que o novo profissional brasileiro, em médio, não esteja preparado para enfrentar o mercado de trabalho. Com isso, o capital humano brasileiro ainda é fraco e se torna um dos principais entraves para o crescimento da produtividade do país.
    Mesmo que o número de brasileiros nas escolas e faculdades se encontra em processo gradativo de aumento, vejo que o necessário para que possamos solucionar esse problema é parar de tratar a educação como secundária e realizar uma reforma profunda nas bases desse sistema, para que assim possamos ter uma sustentação mais forte para combater crises, instabilidade política, e suprir as demandas do mercado de trabalho.

    • Armando H. Z. M. de Barros Says:

      Concordo com seus pontos. Mas acredito que o problema para que essa reforma profunda nas bases do sistema seja realizada é, ironicamente, parte do próprio sistema. Encontramos toda uma classe política desinteressada em realizar essas reformas. Acredito que o principal motivo disso seria o tempo que leva para que essas reformas gerem resultados. Qual é o incentivo que um político tem de melhorar infraestruturas educacionais, de saúde, transporte, etc, sendo que os efeitos so poderão ser observados anos depois, após seu mandato? Acho que é por isso que pensar no longo prazo é muito difícil no caso brasileiro.

  5. Ana Laura Bertone Says:

    Ao ler esse post, consegui associar todas as informações contidas nele com as informações que o Blanchard traz no capítulo 11.
    Considerando ambas as fontes, podemos perceber que o nível de produto da economia só terá um crescimento satisfatório se combinados os crescimentos de capital físico e capital humano. Além disso, relacionando com o post anterior, podemos perceber que a taxa de poupança também influencia no crescimento de produto, porém apenas por um período de tempo; no longo prazo, a taxa de poupança impacta no nível de produto e não em seu crescimento.
    Em suma, podemos dizer que um aumento na taxa de poupança aumenta o capital físico por trabalhador; o montante que a sociedade poupa sob forma de capital humano aumenta o capital humano por trabalhador. Assim, no longo prazo, o produto por trabalhador depende tanto de quanto a sociedade poupa como de quanto gasta com educação.

    Concluímos, então, que a educação é um fator de extrema importância para o crescimento da economia de um país. O governo deve, a todo momento, se atentar a qualidade de ensino que oferece e sempre ter, como uma de suas prioridades, investimentos constantes no setor de educação nacional.

    Acho válido ressaltar, também, uma informação trazida no capítulo 11 do Blanchard: “estudos recentes concluem que investimentos em capital físico e em educação desempenha papéis semelhantes na determinação do produto”. Por isso, a educação nunca pode ser esquecida pelos governantes e nem pela sociedade.

  6. Luciano Rosa Says:

    O capital humano é o mais escasso no Brasil e, portanto, aquele com a maior necessidade de investimento. Apesar de ocorrer na forma um pouco errada, vemos uma melhora deste nos últimos 10 anos. Pesquisando sobre incentivos a poupar e consequentemente investir, vi que no Brasil estes são poucos. Taxa de juros alta, câmbio muito desvalorizado e pouca infraestrutura, casos muito presentes na economia brasileira nos últimos anos. Esse link dá explicações razoavéis para o baixo nível de investimento brasileiro e cita algumas possíveis soluções para esse problema. https://jlcoreiro.wordpress.com/2013/01/13/por-que-a-taxa-de-investimento-no-brasil-e-tao-baixa/

  7. Renato Takao Matura de Lima Says:

    Como muitos ja disseram acima, acho interessante a correlaçao entre o tema e os dados apresentados do mundo real com as teorias que estudamos. Uma coisa que notei também foi que o grupo fez uma breve explicaçao de como é estimado o estoque de capital físico, e me veio o questionamento: nós montamos todo o modelo que tenta explicar o mundo na otica economica, e muitas vezes deixamos de pensar no metodo de obtençao dos dados, quao dificil é medir alguma variável, e sempre acho muito interessante quando o grupo traz esse tipo de informaçao nos assuntos abordados nos trabalhos.

  8. Lucas Kava Says:

    Existe um Índice de Vulnerabilidade Social utilizado pelo ipea que discute o capital humano nas cidades brasileira. Ele leva em consideração questões como inclusão social, quando analisamos saúde e educação. Neste mapa do Brasil (http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/09/vulnerabilidade-social-caiu-27-aponta-ipea), vemos a mudança do estoque de capital humano no ano de 2000 e 2010. Nota-se que no intervalo de dez anos, a melhora na qualidade de vida na população e também o acesso nestes dois pilares, acabou aumentando a desigualdade entre as cidades e regiões brasileiras. Houve sensível melhora no sul e sudeste, enquanto norte e nordeste continuaram em parte estagnados. Eu acho interessante observar este quadro porque, caso sejamos algum dia formuladores de políticas econômicas ou sociais, preocupemo-nos com a melhora da qualidade de vida dos cidadãos, mas olhemos também pra desigualdade que muitas vezes é deixada de lado por nos importarmos somente com esta “melhora”.

    • João Zanine Says:

      Muito boa contribuição, Lucas! Concordo com os pontos levantados em seu comentário, acredito que na atual conjuntura brasileira a desigualdade ainda tem espaço para ser diminuída, e observando os mapas é possível ver que nesses ultimos governos já foi alcançado um grande avanço nessa área, resta saber se os próximos governantes também terão essa preocupação.

    • Bruna Fontes Says:

      Também agradeço pela contribuição, muito rica! Não podemos, realmente, nos prender aos números sem nos atentarmos para seus reais significados – muitas vezes somos iludidos (políticos!) por dados crus e incompletos. Pensemos, até onde podemos afirmar que é “crescimento” e “desenvolvimento” um país em que apenas alguns ganham e a desigualdade só cresce?

  9. Ruan Cursino Thomé Says:

    Olá grupo J, parabéns pelo trabalho. Quanto ao trechos do texto em si, é possível conectar muito com o que vimos em sala de aula, principalmente sobre crescimento econômico. Sobre a última frase eu não compreendi muito bem “nota-se alguns períodos de flutuações significativas no Capital Humano, os quais pode-se explicar pelo fator produtividade” seria uma alteração na produtividade dos trabalhadores em geral, ou uma alteração na maneira com as empresas remuneram a produtividade dos trabalhadores?

    • Igor Soares Says:

      O fator produtividade o qual é citado no trecho refere-se a um fator utilizado na metodologia do calculo do Capital Humano, como explicamos no trecho “O cálculo do capital humano por trabalhador considera diferenças entre os trabalhadores em termos de escolaridade e de experiência.
      A medida de capital humano tem dois componentes: a produtividade e a participação” e no trecho “a produtividade é compreendida como o retorno que o mercado de trabalho paga a uma dada combinação de escolaridade e experiência”. Espero ter sanada sua dúvida, para uma compreensão mais profunda da metodologia utilizada, sugiro que que de uma olhada na parte “2.2 Decomposição do Capital Humano” do trabalho em que baseamos, “Evolução do Capital Humano no Brasil e
      nos EUA entre – 1992-2007”, cujo link está nas Referencias Bibliográficas ao final do nosso trabalho.

  10. Luis Junqueira Says:

    Quando dizemos que a solução para o aumento de produtividade é o investimento em capital humano, e que este investimento se dá sobretudo pela educação, deve-se levar em consideração que se trata de uma educação tanto teórica quanto técnica. Um exemplo disse é a Coreia do Sul, que investiu pesadamente em educação teórica e técnica e viu a produtividade de sua população aumentar significativamente nos últimos 40 anos.

  11. Felipe Alvarez Rezende Says:

    No último ranking de capital humano realizado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), o Brasil atingiu a 78° colocação, ficando atrás de alguns países da América Latina, como por exemplo, Bolívia, Paraguai, Argentina, Chile, etc., e entre os BRICS ficou apenas atrás da China e da Rússia. Dado o estudo, os fatores prejudiciais ao Brasil são a baixa qualidade de educação primária e a taxa de jovens que saem do ensino básico com habilidades consideradas mínimas. Isso torna visível a carência em uma reforma no ensino básico escolar, que não garante habilidades minimamente suficientes aos estudantes. Por outro lado, a posição do país é afetada positivamente pela qualidade dos treinamentos proporcionados pelas empresas privadas, ficando entre os países com os melhores resultados nesse campo. Isso aliado às taxas moderadas de desemprego no país deixa nosso país perto da octogésima posição no ranking de capital humano. Além de tudo, questiono, será que o modelo de educação atual e como enxergamos o conceito de capital humano não é ultrapassado?

  12. Cezio Says:

    Ao ler o texto pensei sobre o capital humano e se vale pra ele a lei dos rendimentos decrescentes,isto é, será que se adicionarmos mais conhecimentos,habilidades,técnicas,etc a partir de algum ponto da economia o produto será cada vez menor?…tentei achar a resposta mas descobri somente que Lucas tentou provar que essa lei não vale para esse fator.Sua conclusão parece um tanto óbvia mas mesmo assim pra mim pareceu pouco clara.De qualquer modo parece uma questão bastante interessante a se pensar…

  13. Luiz Octávio Vaz Grillo Says:

    Assim como foi constatado acima, acredito que um dos maiores problemas na nossa formação econômica e social foi a falta de investimentos em capital humano, que poderiam ter possibilitado uma maior inclusão e acesso ao bem-estar econômico sobretudo aos mais pobres.

  14. Denise Severo Says:

    Um importante determinante da produtividade que não foi citado até o momento é o conhecimento tecnológico. Avanços tecnológicos possibilitaram que a produtividade atingisse grandes escalas. Mankiw distingue o conhecimento tecnológico do capital humano da seguinte forma: “Embora estejam estreitamente relacionados, há uma diferença importante. O conhecimento tecnológico se refere ao conhecimento que a sociedade tem de como o mundo funciona. O capital humano se refere aos recursos gastos para transmitir esse conhecimento à força de trabalho”.
    Malthus argumentou que um crescimento constante da população sobrecarregaria cada vez mais a capacidade da sociedade se promover. Como resultado, a humanidade estaria condenada a viver para sempre na pobreza. Porém, o crescimento da capacidade de invenção da humanidade contrabalançou os efeitos de uma população maior. Mesmo com mais bocas para alimentar, são necessários menos fazendeiros, porque cada um deles é altamente produtivo.

  15. Anderson Ferreira Says:

    Pesquisando sobre o assunto, encontrei um trabalho de 2014 muito interessante que relaciona o ”milagre econômico” das décadas de 1960 e 1970, ”milagre asiatístico” e o ”milagre brasileiro”. Esse estudo diz que os países asiáticos, China, Coreia do Sul, Hong Kong, Japão, Cingapura e Taiwan, que dobraram a renda per capita em quinze anos, ou menos, tiveram como principais fontes do crescimento econômico a acumulação de capital físico e capital humano. A acumulação de capital físico resultou de uma elevada taxa de investimento financiado por poupança doméstica. Nos períodos de duplicação da renda per capita as taxas de poupança desses países eram superiores a 30% do PIB (o Brasil estava próximo de 18%). O Brasil quando dobrou a renda per capita na década de 1970 teve como principais fontes de crescimento o aumento da produtividade total de fatores, a acumulação de capital físico e o aumento da proporção trabalhadores/população. Atualmente, a principal restrição macroeconômica para que o Brasil volte a dobrar a renda per capita num período de quinze anos é a baixa taxa de investimento. O aumento da taxa de investimento necessita de um aumento substancial da taxa de poupança doméstica. Portanto, o milagre é um evento não explicado pela ciência e atribuído à origem divina, para o sucesso desses países asiáticos não se deve a ocorrência de milagres, mas sim a acumulação de capital físico e de capital humano.
    http://www.rep.org.br/PDF/137-6.PDF

    • Anderson Ferreira Says:

      O fato de que a principal restrição macroeconômica para a duplicação do PIB per capita seja a taxa de poupança não significa dizer que a educação não deva ter prioridade. A ampliação das matrículas no ensino médio e a melhora da qualidade do ensino são fatores de suma importância. A acumulação de capital humano supõe a existência de um sistema educacional que além de universal seja capaz de reter os alunos na escola e preparar os
      mesmos para o mercado de trabalho.

  16. Bruno Serpellone Says:

    O Blanchard aborda esse assunto no capítulo 10. Ele afirma que mesmos acréscimos de capital em países pobres aumentam mais o produto do que em países ricos, de forma que o gráfico de Y/N (eixo Y) e K/N (eixo X) é uma assíntota, após um determinado produto, grandes alterações no capital não alteram significativamente o Y da economia.

  17. Ana Carolina Rosatelli Andrade Says:

    A educação é sem dúvida um dos principais determinantes do crescimento de um país. Ao meu ver, o capital humano é fundamental para o desenvolvimento do capital fixo. Quanto maior o nível de escolaridade dos cidadãos, mais mão-de-obra qualificada haverá e maior será a produtividade de cada trabalhador e o progresso tecnológico, elevando-se, assim, o nosso PIB.
    É uma pena que, no Brasil, ainda haja tão pouco investimento nesse setor. Países como o Japão, o qual direciona bastante recursos para a educação, são exemplos a serem seguidos.

  18. Monyk BAC Says:

    USP, últimas aulas, nós.

    Dizem que a semana começa na segunda, outros dizem que começa no domingo. Este semestre começava aos domingos. Que tínhamos que ler, escrever e aprender com novas visões, ideia e pontos de vistas de nós mesmos, colegas!

    Aproveitando este último – que pena ser o último – e “comentandonomos” sobre nós mesmos: o capital humano que movimentará o nosso país, logo e em breve! Digo que somos privilegiados por podermos estudar, comer e estudar sem a pressa e a necessidade de um horário pontual na empresa, nos órgãos governamentais e no nosso próprio negócio. Digo que temos tudo em mãos e ao nosso acesso.
    Quando li aos comentários acima refleti e lembrei-me de quando vi à nossa biblioteca central nas férias, como vazia ela estava. De quando uma amiga disse que pisando na Europa, mesmo em período de férias dos europeus, a biblioteca lá estava cheia. Que seus livros eram competidos e que o silêncio beirava o primeiro passo dentro da mesma. Será que realmente o problema está em nosso Governo Federal, ou será que está em nosso “federal”? Será que iremos ver atos em prol da reabertura da nossa bibli aos sábados? Será que queremos o aumento do capital humano em nosso país ou estamos fadados à uma…por que não fazem isso ou aquilo?
    As vezes olho para trás, nas minhas aulas na Universidade, e vejo pessoas dormindo, falando e desrespeitando professores que estão em pé horas com seus desgastes físicos e sem falar nos psicológicos. De ver que dizem-nos que precisamos melhorar o ensino, mas os alunos realmente querem isso? Será que um aviso em público foi o suficiente para alunos que conversam, e permanecem com o seu ar de prepotência, mudarem?
    Tentando comparar com o que diz a geração de 50 e 60: que as escola públicas da época de 70 e 80 foram excelentes, busquei em minha memória falas desses pais que presenciaram isso, dizendo a seus filhos que se repetissem de ano iriam para as escolas pública. Talvez um castigo? Não sei ao certo. Mas buscando em noticiários, encontrei um achado: capa da Folha de SP de 17 de dezembro de 1969. Instituido o novo estatuto da USP. O mesmo assumindo um compromisso de que o papel da Universidade de São Paulo era de um centro de ensino e pesquisa dentro do quadro nacional.
    O lema na época mencionado pelo próprio reitor, foi o de: especialização e integração; e que a relação entre a universidade e as empresas era a permuta de atividades universitárias e empresariais. Mal sabia ele que muito disso iria ser realmente feito, porém muito iria ficar na passagem de alguns alunos como algo só de ouvido.

    obs.: o ano passado visitei duas vezes uma das melhores escola pública de RP, e vi X elevado à n livros dados pelo DF e que estavam intactos por muito tempo. Peguei-me a me perguntar…onde está o erro José?

    Obrigada pela turma que participei neste semestre, e agora só teremos a review e a P3!! Talvez eu veja-os novamente, talvez não. Sejam os melhores!

    Ah, não fizemos o ditado em voz alta igual no Pink Floyd, dizendo: essas curvas não pulam!😦

    http://acervo.folha.uol.com.br/fsp/1969/12/17/2/

  19. João Pedro Coli de Souza Says:

    Ao ler o post, lembrei de um ponto levantado em sala de aula, a respeito do Bolsa Família e um suposto efeito positivo que o mesmo traga para o nível de capital humano no Brasil. Pesquisando um pouco, ficou claro que ao menos este era o intuito dos idealizadores do programa, tendo em vista que o benefício é concedido desde que os beneficiários mantenham seus filhos na escola, com uma determinada frequência escolar. Por conta de sua estrutura o BF recebeu elogios do Banco Mundial, que reiterou o programa como uma forma de investimento em capital humano. No entanto, embora a frequência escolar tenha aumentado, não foi percebida uma melhora na avaliação dos alunos que fosse significativa. Alguns argumentam que isso se deve à qualidade ruim do ensino público nas regiões de maior incidência do BF. Portanto, é impensável um aumento no capital humano que não passe pelo investimento em educação, seguindo fórmulas de sucesso como a sul-coreana.

    Link interessante, autoria de Kathy Lindert, economista do Banco Mundial: http://www.mfdr.org/sourcebook/6-1Brazil-BolsaFamilia.pdf

  20. Renato R Lutz Barbosa Says:

    O capital humano é um dos principais pilares economicos de uma naçao. O crescimento do capital humano gera uma melhoria da qualidade da força de trabalho que, mais capacitada, estará mais apta para absorver, reproduzir e desenvolver tecnologias, tornando-se, portanto, mais produtivo. Dessa forma, em termos macroeconomicos, faz com que a renda aumente. Um dos problemas atuais de países subdesenvolvidos é a perda desse capital humano, que muitas vezes atraidos pela qualidade de vida de países mais desenvolvidos deixam suas naçoes.


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