Grupo D – Produto e Desemprego (Plano Real até 2002)

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“Contextualização: Até o Plano Real, adotado em 1994, a economia brasileira foi vítima das elevadas taxas de inflação. Em 1950, quando Juscelino Kubitschek foi eleito e propôs o Plano de Metas, com o famoso slogan dos “50 anos em 5” para impulsionar a industrialização brasileira, até então praticamente inexistente, e a construção de Brasília, empresas americanas e europeias começaram a entrar no Brasil e a estas foram concedidos vários benefícios, o que junto com a construção de Brasília acabou por endividar o Estado. Situação esta que fora controlada pela emissão monetária. Com a renúncia de Jânio Quadros e a posse de João Goulart a instabilidade política propiciou ainda mais o desequilíbrio macroeconômico que já estava em andamento com a inflação elevada e o problema das contas externas. Em 1964, quando os militares tomaram o poder a inflação fora de 90%, foi adotado PAEG (Programa de Ação Econômica do Governo) e a inflação começou a cair. Entre 1968 e 1973, período conhecido como “milagre econômico” quando o PIB do Brasil cresceu absurdamente junto a altas taxas de inflação. E em 1979, o choque do petróleo e o aumento das taxas de juros complicaram ainda mais a situação do país.

Em 1986, foi colocado em prática o Plano Cruzado, para tentar estabilizar os preços (congelamento de preços), após uma ano o governo pôs fim a esse congelamento, fazendo com que o câmbio se desvalorizasse e a inflação subisse novamente.

 Conjuntura: No fim de 1993, sob comando do até então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, começa a tomar medidas para colocar em prática o Plano Real. O Plano Real consistiu na adoção de duas moedas por um determinado período de tempo. A moeda corrente doméstica (Cruzeiro Real), que continuaria sendo usada como meio de troca e uma moeda virtual (moeda indexada-Unidade Real de Valor=URV) usada como unidade de conta. Então os preços na moeda corrente continuariam a subir conforme a inflação, mas permaneceriam estáveis em relação a moeda indexada.

Em 1994, a URV mudaria seu nome para Real e o Cruzeiro Real deixaria de existir. Em quatro meses todos os preços que eram cotados em Cruzeiro Real encontraram seu valor de equilíbrio em URV, estando a economia liberta da inflação. Em 1999, com uma crise mundial houve uma forte desvalorização do Real e então o Brasil adota o regime de metas de inflação.

 D - Produto Interno Bruto (PIB)

D - PIB per capitaD - DesempregoD - Desemprego 2

Fontes:

http://databank.worldbank.org/data/views/reports/chart.aspx

 PAULANI, Leda Maria & BRAGA, Márcio Bobik. A Nova Contabilidade Social – uma introdução à Macroeconomia. São Paulo: Editora Saraiva, 4ª edição, 2012

 http://20anosdoreal.epocanegocios.globo.com/#anchor-u343″

 

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36 Respostas to “Grupo D – Produto e Desemprego (Plano Real até 2002)”

  1. Roseli Silva Says:

    E aí, pessoal?! Vamos valar sobre produto e desemprego entre o Plano Real e 2002?? O que caracterizou esse período?? Qual foi a taxa média de desemprego? E de crescimento do PIB? Ajudem a melhorar a atividade da semana, please??!!

  2. Egberto Bosso Says:

    Encontrei esse artigo feito por Sonia Rebouças da Silva, da Universidade Estadual do Ceará que faz uma análise e disponibiliza dados bem legal dos primeiros 6 anos do plano real (1994-1999):

    “O processo brasileiro de estabilização exigiu a recessão, o PIB continuava crescendo mais muito aquém de sua taxa histórica que era de 10% ao ano, isso por causa dos instrumentos de atração de capitais como as altas taxas de juros.
    Se a criação de empregos é difícil tendo a economia que crescer mais de 5 % a.a. para diminuir em um ponto percentual o desemprego, para gerá-lo é muito fácil. No setor público, com os PDVs e privatizações e no setor privado com as reestruturações produtivas e as quedas no crescimentos da economia provaram um desemprego que ultrapassou 8 % no IBGE e 20 % medidos pelo DIEESE.
    Apesar do crescimento populacional, o PIB per capita cresceu principalmente pelos investimentos em formação bruta de capital fixo e depois pelo consumo.”
    “O PIB manteve trajetória positiva de 1993 a 1997. Com as crises externas dos últimos anos, ocorreu um pequeno decréscimo em 1998, mas podemos observar nova reação por parte do setor industrial no ano de 1999.”

    Segue o link: https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=0CB0QFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.uece.br%2Fpropgpq%2Fsemana_universitaria%2Fanais%2Fanais2002%2Fanais%2FTrabalhos_completos%2FSociais-ok%2FInflacao.doc&ei=e4w1VYGAGYqtyAS7xoGQCA&usg=AFQjCNGKzuzQivJ53syEkwzWvE77afDE0g&sig2=FHB1uDAFqgcJA8PrzzgX3w&bvm=bv.91071109,d.aWw

  3. Victor Haddad Says:

    Sobre o PIB brasileiro durante os anos de 1994 e 2002 tivemos os um crescimento médio de 2,31%. Temos que os crescimentos por ano, em ordem são: 5,85% 4,42%, 2,15%, 3,38%, 0,04%, 0,25%, 4,31%, 1,31% e 2,66%. Podemos perceber que nos anos de 1998 e 1999 houve uma queda significante no crescimento do PIB devido a crise asiática e a crise financeira russa, com o governo do país anunciando uma forte desvalorização do rublo seguida de uma moratória. Adicionalmente, a retomada dos confrontos na Chechênia e o início de uma nova guerra entre os separatistas e o governo foi outro fator que abalou os investidores, que buscaram a fuga para o dólar. O Governo Brasileiro no sentido de segurar a alta da moeda americana queimou as reservas internacionais, mas chegou a um ponto que se tornou insustentável onde mais da metade dessas reservas já tinham sido gastas. A partir desse ponto foi adotado o tripé macroeconômico: câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário.
    Já sobre o desemprego, temos por ano as seguintes porcentagens: 6%,6%,6,8%,7,7%,8,9%,9,6%,9,5%,9,3%,9,1%. Esse aumento se deve as políticas restritivas adotadas pelo governo com o intuito de controlar a inflação. A alta taxa de juros fez com que os investimentos produtivos e a produção reduzissem significadamente, por consequência, a taxa de desemprego cresceu.

    Fonte: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1294

  4. Carolina Gambaroni Says:

    A taxa de crescimento média do PIB entre 1994-2002 foi de 2,3%, um dos menores da história econômica do país. É observada uma queda significativa nos anos de 1998-1999, onde o crescimento econômico do país foi quase nulo. Com a incerteza na economia nacional causada em 1997 pela Crise Asiática houve também a tentativa eminente de especulação do Real, fazendo com que as reservas brasileiras sofressem uma drástica redução. Para tentar controlar o impacto da crise no país, houve um aumento da taxa de juros (que foi quase dobrada), o que consequentemente reduziu a produção (uma elevação da taxa de juros desestimula o investimento) e aumentou o desemprego. Ainda com essa instabilidade econômica o PIB do país apresentou um aumento de 3,34%. A estagnação econômica de 1998 é explicada pela crise que ocorrera na Rússia e que afetou diretamente a economia nacional. Para tentar estabilizar a economia o governo brasileiro elevou novamente a taxa de juros, mas dessa vez o efeito esperado não aconteceu. Novamente o Real virou alvo de especulação, fazendo com que as reservas diminuíssem muito e as exportações brasileiras foram significativamente comprometidas. Em 1999, ainda afetados pela queda acentuada das reservas no ano anterior, o país foi forçado a acabar com a estabilidade monetária. Com essa desvalorização da moeda, os preços de produtos importados apresentaram um aumento, esse aumento somado a elevação da taxa de juros fez com que o Brasil não conseguisse um crescimento satisfatório. Apenas em 2000 o Brasil voltou a apresentar uma aceleração no crescimento. O aquecimento da economia estava relacionado com a diminuição das taxas de juros e com a recuperação da confiança, consequência do comprimento do acordo com FMI (firmado no final de 1998, para que a crise não afetasse os anos seguintes). Em 2001, o país apresentou uma desaceleração do crescimento, apresentando um crescimento de apenas 1,3%.
    Como o PIB é a principal conta da economia e um conjunto de outras variáveis dependem dele, como a renda e o emprego, não é difícil imaginar que o desempenho das mesmas variáveis também não foi satisfatório no período.
    No primeiro governo FHC, as taxas de desemprego apresentaram uma trajetória ascendente, quanto o segundo mandato foi caracterizado por uma queda das mesmas seguida de uma elevação, e FHC acabou por terminar seu mandato com taxas de desemprego maiores do que quando assumiu a presidência. O aumento da desigualdade também pode ser observado no dado período. Analisando o final do governo de FHC, conclui-se que as elevadas taxas de juros impediram a redução do índice de desemprego. Como foi dado prioridade a manutenção da inflação, mantendo a mesma dentro do considerado apropriado, o governo abriu mão do investimento produtivo, que foi reduzido devido as elevadas taxas de juros. Assim, o crescimento da atividade produtiva não foi suficiente para criar o volume de empregos necessários para diminuir a desocupação da classe trabalhadora.

    Fontes: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/97647/000915208.pdf?sequence=1

    • Roseli Silva Says:

      Se esse tivesse sido o texto da atividade teria sido bem mais adequado!
      PIB = Renda?? O que quis dizer no início do segundo parágrafo?

      • Carolina Gambaroni Says:

        Não foi isso que eu quis dizer.
        O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos pela economia em um determinado período de tempo.
        Porém o PIB é influenciado por uma queda ou um aumento do consumo, que por sua vez depende da renda. Como o PIB estava muito baixo, é intuitivo pensar que o consumo estava baixo, logo a renda também devia estar mais baixa. Estou equivocada nesse raciocínio?

      • Roseli Silva Says:

        É que PIB = RENDA!! Ou seja, dizer que o PIB está em queda é o mesmo que dizer que a renda está em queda, exceto em casos muito específicos, pois contabilmente a renda é RNL (Renda Nacional Líquida) que é equivalente ao PNLcf (Produto Nacional Líquido a custo de fatores), que difere do PIB pela Renda Líquida Enviada ao Exterior, pelas distorções de tributos e subsídios sobre a formação de preços de mercado e pela depreciação. Confere??!! Matéria de Contabilidade Nacional!!

  5. Pedro Rossi Says:

    Acho importante observar que o cálculo usado para definir a taxa de desemprego no Brasil antes de 2002 é diferente do modelo atual. Até 2002, o IBGE considerava população em idade ativa (PIA) aqueles com mais de quinze anos de idade, também considerava o limite mínimo de quinze horas por semana para o trabalho não remunerado, parâmetros bem diferentes dos utilizados hoje em dia.
    Segue um blog aqui do wordpress também com números do desemprego no Brasil durante o período citado, até 2014. O Blog também relaciona os números com os governos que estavam em vigor no período.
    Já no primeiro gráfico, um asterisco marca a mudança de metodologia em 2002, e o que impressiona é a grande queda na taxa de desemprego após essa mudança.

    https://brasilfatosedados.wordpress.com/2010/09/09/desemprego-evolucao1986-2010-2/

  6. Arthur Della Vecchia Says:

    Observando os gráficos sobre o desemprego no período após a implantação do Plano Real, fica evidente a aceleração da taxa de desocupação, entre 1996 e 1997. Isto provavelmente está relacionado com a grande abertura econômica realizada na década de 90 e com o câmbio supervalorizado, o que causou uma redução do mercado interno e externo para as empresas brasileiras. A exposição destas à concorrência externa, aliado à queda da demanda efetiva devido aos juros elevados (tema do próximo grupo) e cortes nos gastos públicos reduziu o faturamento médio das empresas e elevou seus custos médios de produção. Houve então um aumento na capacidade ociosa que, associado com uma conjuntura internacional pouco favorável, levou ao aumento da desnacionalização (aumento da participação de empresas estrangeiras na produção dos bens e serviços internos) e à elevação do desemprego dos fatores de produção. Não surpreendentemente também houve taxas de crescimento negativas do PIB após 1997, fenômeno que foi observado até o ano de 2002 (salvo um período de leve crescimento entre 1999 e 2000, conforme nos mostra o gráfico postado pelo grupo). O câmbio extremamente valorizado desestimulou demasiadamente as exportações em detrimento das importações, o que reduziu a demanda agregada e consequentemente enfraqueceu o crescimento do produto. Isto pode ser ilustrado nos déficits da balança comercial brasileira registradas de 1995 até 2000 (deixo o link da imagem abaixo). Apenas em 1999, quando se praticou uma desvalorização cambial é que houve estímulos para o crescimento da demanda e levou a um superávit da BC registrado em 2001. Além disso, as políticas de austeridade fiscal implantadas durante os governos FHC, como contrapartida da ajuda financeira solicitada ao FMI para combater o rombo nas contas públicas, contribuíram para a queda da produção.

  7. Thaissa Bollis Says:

    Oi pessoal! Esse foi um dos temas que mais me chamou atenção até agora. O que achei interessante sobre ele, foi o fato de que as décadas de 80 e 90, mostraram-se com uma série de tentativas para tentar erradicar a inflação no país. O Brasil, ao final da década de 80, registrava uma inflação de mais de 1.500% ao ano e posteriormente, em 1993, atingiu o surpreendente patamar de 2.500% ao ano. Esses números são realmente alarmantes, e é justamente isso que torna o contra-ataque interessante. A partir de 1994, com o Plano Real, a estabilidade e a maior previsibilidade econômica viabilizaram o aumento dos investimentos das empresas e, por consequência, o maior crescimento do país. Entre os anos de 1980 a 2003, segundo dados que encontrei, o Brasil registrou uma taxa de expansão média do PIB de 2% ao ano. Ademais, esse período pode ser dividido em duas etapas, sendo que do início da década de 1980 até meados de 1994, o Brasil vivia com hiperinflação, o que propiciava um ambiente muito desfavorável aos negócios e incertezas com relação à evolução dos preços. A segunda, após 1994, com a implantação do Plano Real, que depois de muitas décadas apresentou expectativas de inflação com trajetória descendente. Esse cenário não havia sido verificado nem mesmo no período de inflação mundial baixa. A eficiência de tal política, portanto, quando vista por números, não pode deixar de ser intrigante para mortais alunos de macroeconomia como nós rs

  8. Bruno Ramacini Says:

    Muito interessante a experiência do plano real com o uso de uma moeda indexada. Pesquisando mais sobre o assunto descobri que a indexação era responsável por reajustar os preços e salários de acordo com a inflação do ano anterior, a qual poderia ter atingido o patamar de 5000% ao ano.
    Com a estabilização das taxas inflacionários, o Brasil parou de utilizar a indexação automática, porém até hoje ainda temos algum tipo de indexação, como por exemplo os salários, os quais são anualmente reajustados de acordo com a inflação do ano anterior.

    Fonte : http://pt.wikipedia.org/wiki/Indexa%C3%A7%C3%A3o_%28economia%29

  9. Pedro Venturi Says:

    Achei interessante que ao analisar a taxa de inflação e o nível de desemprego durante a adoção do plano real até 2002, podemos perceber exatamente aquilo que foi exposto na última aula de macroeconomia, a relação inversa entre desemprego e inflação que é caracterizada pela curva de Phillips. Durante o período estudado é possível perceber que há uma queda na inflação e um aumento do desemprego. Pesquisando um pouco sobre esse período encontrei também um texto que achei interessante, falando sobre a pobreza gerada pela inflação, já que ela diminuí o poder de compra das famílias, e sobre a pobreza acarretada pelo desemprego. http://www.oolhodahistoria.ufba.br/03salama.html

  10. Maria Fernanda Tavares Says:

    Oi gente, a respeito desse assunto é importante citar que como objetivos do Plano Real temos a âncora cambial, abertura econômica e base monetária rígida (juros altos). A exposição à concorrência externa, por exemplo, associada com a redução da demanda agregada, com juros elevados e cortes nos gastos públicos, causou um duplo efeito nas empresas brasileiras nesse período: redução do faturamento e aumento dos custos médios de produção. A redução da demanda implicou uma redução direta de faturamento nas empresas, e a redução de faturamento aumentou a capacidade ociosa, as quais, em conseqüência, perderam ganhos de escala de produção. Fatores como esse, associados a uma conjuntura internacional não muito favorável, foram responsáveis pela falência generalizada das empresas brasileiras, aumento da desnacionalização da economia e desemprego dos fatores de produção. Como resultado dessas estratégias, começamos a observar índices de crescimento não muito expressivos e níveis de desemprego crescentes, verificando-se que o PIB cresceu mais no período de 1995 a 1998. Contudo é importante enfatizar que o desemprego da mão-de-obra não pode ser caracterizado como exclusivamente resultante da implantação do Plano Real. Para entendermos o desemprego, é necessário considerarmos os fatores estruturais, como, por exemplo, a substituição do homem pela máquina no novo dilema da automação flexível, processo que se intensificou no período do processo de privatização como estratégia de atração de capital para redução da dívida pública, solução dos gargalos de infra-estrutura e aumento do superávit orçamentário.

  11. Bianca Buzzo Says:

    Sobre o desemprego nesse período, acho legal lembrar também que apesar de ele continuar maior nas classes baixas, crescia num ritmo mais acelerado nas classes altas, e também para a parcela da população com maior nível de estudo. Como abordado na reportagem de 2004, que segue: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/noticias/gd200204.htm

    • Sofia Tavares Says:

      Também encontrei uma notícia com dados sobre o desemprego nos quatro anos do primeiro mandato do governo FHC. O que mais me chamou atenção nela foi a realização de cenários. Para um caso otimista nos próximos anos (crescimento do PIB de 0,3%) a taxa de desemprego chegaria a 9,8% da PEA, ou 7,3 milhões de pessoas. No pior dos cenários (de diminuição de 3,5% do PIB em 1999) o desemprego iria a 13,6%, ou 10,2 milhões de brasileiros.
      Notícia: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi31019919.htm

  12. Giovanna Gava Says:

    Achei muito interessante o comentário do Pedro sobre o efeito entre a inflação e o desemprego captado pela curva de Phillips. Deste modo, um estudo sobre o comportamento destas variáveis (inflação e desemprego) e sobre como tem se comportado a Curva de Phillips para o Brasil é de grande relevância para o estudo da pobreza e seu comportamento durante o período pós Plano Real. De fato, se a inclinação da Curva de Phillips for muito íngreme (de forma que com um pequeno aumento no desemprego fosse possível reduzir substancialmente a inflação) e se a pobreza for muito sensível à inflação, então seria possível combater simultaneamente inflação e pobreza por meio de políticas econômicas que busquem a estabilização de preços.
    Segue o texto que encontrei sobre o assunto: http://www.ppge.ufrgs.br/sabino/ecod03/pobreza-curva-philips.pdf

  13. Giovani Nicoletti Polli Says:

    Galera, procurando por notícias de desemprego no plano real para melhor entender e participar da atividade, achei um artigo do colunista João Sicsú (Carta Capital).

    O texto dele vai muito ao encontro do postado pelo grupo, o que particularmente achei muito interessante, principalmente por voltar os olhos aos nosso país.

    O artigo explica muito bem sobre o plano real e até sobre bastidores do mesmo, e peca somente em não tratar muito sobre o produto da economia na época, apesar de que ele mesmo não deve ter se importado muito com isso na hora de escrever. haha

    http://www.cartacapital.com.br/economia/20-anos-depois-quem-sao-os-donos-do-plano-real-407.html
    Achei bem interessante mesmo e recomendo a leitura.

  14. Rafael Rodrigues Lopes Says:

    A finalidade verdadeira do Plano Real era, além de consolidar a moeda, alterar o padrão de acumulação de capital no país. O Plano Real não foi um plano para baixar a inflação, mas tinha como pano de fundo uma política econômica, que foi usada para rearticular o desenvolvimento do país, no acordo da dívida externa que visava ajustar a inclusão do Brasil com o mundo.

    Os instrumentos usados pela política econômica neoliberal, como a conversão super valorizada, destroem o parque industrial, porque colocam a importação em vantagem em relação ao que é produzido internamente, e as taxas de juros são elevadas. Com isso, as indústrias passam a produzir menos, fecham postos de trabalho dando começo a um problema social e federativo, causando acontecimentos como a guerra fiscal e a instabilidade do desenvolvimento.

    Esse modelo econômico causou o desemprego e a fragilidade das relações de trabalho. A queda da referência inflacionária trouxe a redução dos postos de trabalho. A troca de uma inflação menor por menos empregos faz parte da política econômica que impera no Brasil desde o governo Collor e, da qual o Plano Real é peça principal.

    No início do Plano Real, o trabalhador teve um aumento de ganhos, porque a inflação teve uma queda muito grande, mas, depois vieram contínuas baixas nos ganhos, aumento no desemprego e sequelas oriundas dessas situações, trazendo a exclusão social, e com ela a fome, a perda do poder aquisitivo e uma crescente violência.

  15. Daniel Wetzel Says:

    Não pude deixar de notar a série de acontecimentos turbulentos em 1998. A manutenção da âncora cambial, uma das medidas do plano real, era financiada com a captação de recursos externos. Dessa forma, o mercado de créditos já havia se estabilizado em 1997. Porém em 98, a crise asiática encareceu o crédito, aumentando o déficit público, visto que a âncora cambial continuou a ser mantida. O fluxo de capitais diminuiu, dificultando o financiamento de nossa dívida. Além disso, era ano de eleições no Brasil, por isso, a âncora cambial foi mantida, porque nenhum ajuste fiscal seria bem vindo em tal situação política, o que agravou ainda mais o déficit. Logo em 1999 deixamos de utilizar a âncora cambial. Será que o impacto da crise no crescimento do PIB e no desemprego no ano poderiam ser amenizados se não fossem por motivos políticos?

  16. Thalles Liduares Says:

    Resumidamente, o diagnóstico macroeconômico dos primeiros anos da década apresentava:

    Aceleração de uma taxa de inflação extremamente elevada;
    Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP), no conceito operacional, modestas, pois a inflação facilitava o ajuste das contas públicas, conforme explicaremos em seguida;
    Taxa de câmbio extremamente desvalorizada, reflexo ainda da contração do mercado de crédito externo ao país na década de 80;
    Situação de tranqüilidade nas contas externas

    O Período 1995-98

    Inflação baixa (para os padrões brasileiros) e declinante;
    Elevado desequilíbrio nas contas públicas (sucessiva piora nos resultados primários);
    Taxa de câmbio significativamente sobrevalorizada;
    Deterioração dos resultados em transações correntes

    pós-99

    Metas de déficit resultado primário, ou seja, comprometimento com uma maior austeridade fiscal;
    Aprovação de reformas;
    Adoção de um sistema de metas de inflação;
    Câmbio flutuante (Ibid).

    http://www.faap.br/revista_faap/rel_internacionais/rel_04/garcia.htm

  17. Diego Domingues Says:

    Apesar do texto inicial ter fugido um pouco do tema proposto, achei legal a contextualização que o grupo fez, logo após a leitura do comentário da Carolina complementou, pude fazer uma conectar ambos os textos. É interessante economia internacional, mas é mais interessante estudar a nossa economia! Por isso acho um tema muito interessante o plano Real e todas as suas consequências, como citado, taxa de juros, investimentos produtivos, disparidade socioeconômica…

    • Victória Jorge Says:

      Sim, a economia do nosso país traz aspectos diferentes e peculiares. Como o período do Plano Real, que foi o único entre os vários outros planos econômicos propostos em governos anteriores (Plano Cruzado, 1986; Plano Bresser, 1987; Plano Verão, em 1989; e Plano Collor, 1990) que deu certo e conseguiu reduzir a inflação, que até então vinha apresentando índices muito elevados.

  18. Gustavo Panobianco Says:

    Admito que encontrei dificuldade ao pesquisar sobre o tema. Não que ele seja muito complicado, mas os temas se prendiam muito à política e insatisfação/satisfação popular da época. De fato, pra quem viveu aquele período deve ter sido, no mínimo, estranho. Analisando hoje, fora do contexto, é possível de dizer que, para “botar ordem na casa” era preciso passar por esse período (de desemprego). Curva de Phillips, né? Segue aqui alguns dados sobre o governo FHC comparado ao governo Lula. PS: Não quis comparar os dois governos, só não achei dados do governo FHC separadamente, hehe.

    http://pt-br.governobrasil.wikia.com/wiki/Estat%C3%ADsticas_de_Desenvolvimento_Econ%C3%B4mico

  19. Fabricio Freitas Alves Says:

    O que mais me chama a atenção nos gráficos é quando comparamos o período de 1995 até 1997. No mesmo período tivemos crescimento do PIB e do desemprego. Lendo o comentário da Carolina podemos ver uma justificativa para tal ocorrido: taxa de juros alta. Deixando um pouco de lado o que foi apresentado pelo Arthur, vou tentar fazer uma análise do Brasil apenas com o que foi apresentado nas aulas de macro I, ou seja, vou buscar explicações dentro de um modelo fechado para o desemprego e PIB crescentes. Como foi descrito por ela, o governo causou um desincentivo ao investimento produtivo. Fazendo uma ponte com o modelo clássico, temos que a demanda por trabalho é função do salário real dos trabalhadores ou da produção marginal do trabalho (Nd = f(w/p) = f(PmgN)). Seguindo o que nos foi informado pelo comentário da Carolina, vou me arriscar a supor que a redução do investimento produtivo teve impacto na produção marginal do trabalho. Com menor investimento as fábricas sofrem redução no seu potencial de aproveitamento do capital humano (menos máquinas por operário, por exemplo). Também não podemos deixar de considerar o impacto da tecnologia, como foi apontado pela Maria Fernanda, a privatização estimulada no governo FHC acelerou o processo de substituição do homem pela máquina. Voltando à teoria clássica, podemos notar pela função de produção (y = F(N,K)) que o desenvolvimento do capital supera a redução no emprego, permitindo um crescimento do PIB mesmo com um desemprego crescente.

  20. Gustavo Cavalaro Says:

    Pessoal, segue um texto bem detalhado de um professor de economia da UNICAMP a respeito do plano real e sua herança (a “maldita” herança, de acordo com ele). Bem interessante pela analise dos dados coletados desse período de 1994-2002 e pela explicação detalhada do processo de implantação do plano , apesar do forte tom politico haha.

    http://resistir.info/brasil/plano_real_20_anos.html

  21. Pedro Marcio Buzati Kasia Says:

    Primeiramente gostaria de comentar que o milagre econômico, que é citado no trabalho do grupo D veio de uma conjuntura internacional muito favorável. Na época, com o auge da teoria keynesiana (e das politicas fiscais) e da guerra fria, onde os EUA queriam mostrar ao mundo que o país capitalista seria melhor do que o socialista, o bom humor internacional contagiou a economia brasileira. O mesmo ocorre a partir do seculo 21.
    Mas falarei um pouco mais sobre as medidas do plano real.
    O plano real tinha um foco no controle da inflação, visto que era prejudicial aos negócios e principalmente as familias.
    O indexador do real teve uma parcela muito importante, mas muito importante também foram as politicas restritivas.
    No mercado de câmbio, o governo zerou suas reservas e ainda se endividou para manter um dólar valorizado, para que os produtos importados entrassem no pais e fizesse uma forte concorrência com os produtos nacionais, quebrando muitas empresas, e aumentando o desemprego (diminuindo a renda da população, a inflação perderia força).
    Na politica monetária, o governo aumentou a reserva compulsória diminuindo o multiplicador bancário, aumentando assim a taxa de juros e consequentemente diminuindo o investimento.
    Na politica fiscal houve um aumento dos impostos, inclusive a criação da CPMF e a privatização de empresas publicas.
    Todas estas politicas e somadas ao indexador controlou a inflação, porem gerou desemprego, desigualdade social e pobreza.

    • Carlos Henrique Says:

      Não faz sentido. Se a moeda é forte, isto implica em poder de compra e desenvolvimento. Se a moeda se desvaloriza, a aumento de inflação, perda no poder de compra, e por consequência também o desemprego.

  22. Lucca Pizzo Mathias Says:

    Como foi visto, o plano real ajudou e muito no problema da inflação no país, depois de vários planos econômicos fracassados e varias trocas de ministro da fazenda naquela época (3 em 7 meses).
    O link refere se a um resumo mais detalhado sobre o que o plano real feito pela UOL. É vem curtinho e vale a pena ler. Grande abraço e o trabalho foi ótimo!
    Link: http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/plano-real-20-anos-moeda-trouxe-novo-ciclo-de-desenvolvimento-economico.htm


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