ECEC O – Políticas macroprudenciais no Brasil

 

A recente crise internacional evidenciou a deficiência da estrutura regulatória do sistema financeiro brasileiro em vigência. Muitos economistas têm atribuído esse episódio à falta de medidas macroprudenciais à regulação do sistema financeiro. Enquanto a abordagem microprudencial visa evitar a quebra de instituições financeiras isoladamente, a abordagem macroprudencial pretende preservar o sistema financeiro como um todo.

As medidas macroprudenciais são políticas que tem por objetivo reduzir o risco sistêmico e assegurar a estabilidade do sistema financeiro contra choques externos. È normal em períodos de crescimento da economia, a diminuição do risco, os preços dos ativos sobem, o crédito aumenta  impulsionam as instituições. Já em épocas de crise, ocorre o oposto, em períodos de desaceleração econômica, surge um ciclo vicioso quando acontece desalavancagem do sistema financeiro,  queda nos preços dos ativos. Esses aspectos denominados de pró-cíclica é difundido pelo sistema financeiro pelo “mecanismo de aceleração financeira”. A princípio, uma alternativa para muar o cenário, são as medidas macroprudenciais, tornando empréstimos mais difíceis de serem efetuados em tempos de “boom econômico”, tentando prevenir desequilíbrios em momentos de desaceleração econômica.

Mudanças nas taxas de juros e medidas macroprudenciais atingem tanto a demanda e oferta adjuntas quanto as condições do sistema financeiro de maneira equivalente. Se por um lado, a política monetária atinge os preços dos ativos e os mercados financeiros de maneira geral, por outro, as medidas macroprudenciais podem surtir diversos efeitos macroeconômicos diversos, que se expandem ao buscar elevar ou recuar o ritmo do ciclo econômico, um exemplo é quando tais medidas implicam diretamente sobre a oferta de crédito.

Entretanto, essas duas medidas não são as melhores alternativas, de maneira geral são complementares, especialmente se existe grandes fluxos de entrada de capital que buscam a aumentar a vulnerabilidade do sistema financeiro. A política monetária pode ser brusca demais ao afetar a economia como um todo, mesmo representando um risco ou não à estabilidade econômica. Por exemplo, a necessidade de aumento de juros pode ser alto demais produzindo grande volatilidade na demanda agregada. Já medidas macroprudenciais podem ser direcionadas para um setor especifico que aparenta estar em risco mais evidente. Somado a isso, quando se muda as taxas de juros podem provocar um efeito nulo no aumento do crédito se as empresas conseguem pegar dinheiro à taxas menores no mercado internacional. Outro problema é o conflito gerado entre atingir a estabilidade financeira e macroeconômica por meio de política monetária. Por exemplo, as metas de inflação, se a expectativa da mesma esta de acordo com a meta, interferir na oscilação dos preços dos ativos para preservar a estabilidade financeira pode prejudicar a credibilidade do sistema de metas da inflação afetando todo o seu funcionamento.

Medidas Macroprudenciais não devem mudar os efeitos de política monetária, e, assim não podem ser usadas sozinhas para adaptar uma reação monetária desejada.

As chamadas medidas macroprudenciais, aplicadas pelo Banco Central do Brasil, entraram em cena pela primeira vez ainda no começo da crise econômica brasileira, entre 2008 e 2009. Esta servia como resposta à crise, onde o Banco injetava dinheiro para incentivar a economia. Como a função do Banco Central brasileiro é garantir a estabilidade monetária, diferentemente do Federe Reserve (Fed, o BC dos EUA), por exemplo, o qual deve se preocupar tanto com a estabilidade quanto com a taxa de desemprego, esta foi uma forma do governo fazer política de crescimento econômico.

Recentemente estas medidas voltaram à cena. Desta vez o BC aliviou regras do recolhimento do compulsório (fatia do dinheiro que os bancos, públicos ou privados, são obrigados a depositarem no BC para evitar empréstimos desproporcionais) e mudou fatores de ponderação de risco para o crédito ao varejo. Estas medidas têm por objetivo injetar 45 bilhões de reais na economia, o que equivaleria a 1,5% do atual estoque de crédito no país, que está em R$2,8 trilhões.

Tais mudanças, segundo o BC terão impacto imediato de 30 bilhões de reais em recursos na economia com uma mudança na regra dos depósitos compulsórios, trata-se de contribuição obrigatória que os bancos têm que fazer junto ao Banco Central. O valor é calculada baseado no volume de depósitos feitos à vista e à prazo nas instituições.

 REFERÊNCIAS

http://spotniks.com/banco-central-lanca-medidas-para-estimular-credito-e-injetar-r25-bilhoes-na-economia/

http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKBN0FU15920140725.

UNZAL, F; Capital Flows and Financial Stability: Monetary Policy and Macroprudential Responses Framework, August, 2011.”

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27 Respostas to “ECEC O – Políticas macroprudenciais no Brasil”

  1. Mariana V. Cunha - ECEC Says:

    O Banco Central do Brasil implementou medidas macroprudenciais pela primeira vez ainda no começo da crise econômica brasileira, entre 2008 e 2009, as quais foram uma resposta à crise, onde o Banco Central injetava dinheiro para incentivar a economia, como a função deste é zelar pela estabilidade monetária, diferentemente do Federal Reserve, por exemplo, o qual deve se preocupar tanto com a estabilidade quanto com a taxa de desemprego, esta foi uma forma do governo fazer política de crescimento econômico. Neste ano, mais precisamente em julho, estas medidas voltaram à cena. Desta vez o Banco Central diminuiu o recolhimento do compulsório e mudou fatores de ponderação de risco para o crédito ao varejo.
    Vale lembrar que o uso das medidas macroprudenciais que o Brasil adotou no pós-crise foi elogiado no relatório do FMI, o qual evidenciou que o Brasil usou ativamente tanto a política monetária quanto as medidas macroprudenciais (através dos compulsórios), para, quando a primeira tinha objetivo de garantir a estabilidade dos preços e a segunda conter riscos sistêmicos do rápido crescimento do crédito e também que esta combinação foi apropriada para atingir tais objetivos.

  2. Amanda Rodrigues Galhardo - ECEC Says:

    No Brasil, as políticas macroprudenciais ganharam destaque pela primeira vez no início da crise econômica de 2008-2009. Esta servia como resposta à crise, onde o Banco injetava dinheiro para incentivar a economia. Como a função do nosso BC é garantir a estabilidade monetária, diferentemente do Fed que deve se preocupar tanto com a estabilidade quanto com a taxa de desemprego, esta foi uma forma do governo fazer política de crescimento econômico.
    Agora, novas medidas macroprudenciais são esperadas, uma vez que o Banco Central parece querer aumentar os juros indefinidamente. Para tanto o BC vai contar com o auxílio da política fiscal para complementar a política monetária, a fim de manter a inflação dentro da meta.
    Alguns economistas dizem que políticas macroprudenciais colaboram no controle da inflação, mas têm defeitos: afetam pouco as decisões de poupança e de investimento; sua intensidade e o tempo de seu efeito são incertos ou ainda desconhecidos; criam distorções e ineficiências no mercado de crédito.

  3. Marina Ribeiro Says:

    Assim como o grupo deixa claro, medidas macroprudenciais são políticas que tem como objetivo reduzir o risco sistêmico e assegurar a estabilidade do sistema financeiro contra choques externos.
    Encontrei uma notícia na página do Valor Econômico (http://www.valor.com.br/brasil/2994944/fmi-elogia-politicas-monetaria-e-macroprudencial-do-pais-no-pos-crise), no qual o FMI elogia as medidas macroprudenciais adotadas pelo Brasil pra atingir seus objetivos, estabilidade financeira e de preços, pós crise de 2008.
    Segundo o Fundo, logo depois da crise, o banco central relaxou os compulsórios, para evitar uma contração de crédito no sistema financeiro. O país também utilizou política monetária de modo contracíclico depois da crise.
    Por fim, o documento do FMI afirma que, como a recuperação da crise no Brasil foi rápida, ocorreu simultaneamente a expansão forte do crédito, a política monetária e a macroprudencial pareceram complementares.

  4. Beatriz Mendonça Félix - ECEC Says:

    Acredito que o conceito e o objetivo de medidas macroprudenciais já deve ter ficado claro nos posts da semana passada e dessa semana como um meio de correção dos desequilíbrios do mercado financeiro, ajustando a demanda agregada e os níveis de preços; assim, como seu destaque no Brasil na crise de 2008. Encontrei um texto interessante para adicionar a questão, falando sobre as medidas e que as mesmas devem ser aplicadas com a máxima prudência e falando do cenário brasileiro. http://www.albino.adv.br/clp_internaNova.php?id=16015

  5. Caio Augusto de Oliveira Rodrigues - ECEC Says:

    Discordo parcialmente da imagem passada pelo texto de que os efeitos das políticas macroprudenciais teriam sido negativas para o cenário econômico brasileiro, por pelo menos dois motivos: após a crise de 2007-2008, tivemos no Brasil um crescimento bastante interessante (mesmo com os efeitos inflacionários sentidos por problemas em estimular a oferta agregada, que se seguem até os dias atuais) e, nos últimos tempos, Alexandre Tombini tem administrado uma alta da taxa de juros que, embora seja atualmente a maior do mundo (segundo esta fonte http://pt.fxstreet.com/economic-calendar/interest-rates-table/), ainda mantém o Brasil numa situação de crescimento (mesmo que baixo). A parte que concordo com o texto é que o combate a inflação tem sido, até então, permissivo. Com a recente indicação de Dilma para a esfera econômica (http://www.valor.com.br/politica/3796208/governo-confirma-levy-na-fazenda-e-barbosa-no-planejamento), creio que este combate será mais efetivo.
    Aliás, sobre o combate a inflação e atuação de Tombini, encontrei um vídeo do Delfim Netto que sintetiza um pouco de minhas opiniões, dentre as quais, “não dá pra imaginar que surgirá um aumento de produtividade que absorverá toda essa inflação”. Eis o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=a3yKYY-cR0k

  6. Patricia Mendonça De Angelis - ECEC Says:

    Um efeito observado da utilização de medidas macroprudenciais adotadas no final de 2010, foi o aumento do empréstimo rotativo (cheque especial e cartão de crédito), com taxas de juros extorsivas. Outro efeito foi o aumento do spread e da taxa de juros nas operações de crédito ao consumidor. Esse cenário levou a elevação da inadimplência no país, o que acabou reforçando tanto a desaceleração do crédito (e a eficácia da medida macroprudencial), como os dois primeiros efeitos adversos, uma vez que aumentou a cautela dos bancos na concessão de recursos.

    (http://www.iedi.org.br/artigos/top/analise/analise_iedi_20111212_credito_e_juros_uma_avaliacao_sobre_as_medidas_macroprudenciais_do_credito.html)

  7. Alice Ferraz - Economia Says:

    Não ficou muito claro no texto o que são as políticas macroprudenciais, apesar de não ser o tema principal. Creio que uma boa abordagem seria abordar as difreneças entre as políticas micro, contudo este tema já foi abordado no post da semana passada.

    Um bom exemplo de política macroprudencial que poderia ser feita no Brasil para o nosso estado atual de recessão seria ajuste na política de juros. De nada adianta o aumento de juros de um lado do mercado se, do outro, a concessão de crédito é exagerada. Como uma política macroprudencial de agrupamento dos setores econômicos (e não micro, analisando pequenos grupos), seria importante integrar os dois lados da política de crédito para que andem juntos e garantam a eficácia da política.

  8. Luiza Iglesias - ECO Says:

    Encontrei poucos links que citavam o uso de políticas macroprudenciais no Brasil.
    Estes dois explicam seu uso no pós crise 2007/2008:
    http://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/viewFile/2726/3088
    http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia
    A partir deles é possível compreender as medidas necessárias realizadas em 2011 para diminuir o risco sistêmico no setor bancário, sem as quais, apenas a política monetária não seria efetiva.
    Este outro link explica e critica o uso mais recente das políticas macroprudenciais:
    http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/medidas-macroprudenciais-bipolaridade-ou-hegemonia-financeiro.html
    Em julho deste ano, o Banco Central revisou e aliviou algumas regras sobre o recolhimento das reservas compulsórias alterando o mercado de crédito, evitando uma crise bancária, e daí vem a crítica: o Estado aplica políticas para salvar os “grandes demais para quebrar”, os bancos.

  9. Fernanda Dandaro - ECEC Says:

    Segundo David Vergara, representante do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil sabe obter um bom desempenho no uso de políticas macroprudenciais e monetárias, no que tange a busca pela estabilidade financeira e macroeconômica.

    O Brasil realizou uma combinação de política monetária com medidas mecroprudenciais no pós-crise (Crise de 2007-2008), que atingiu dois objetivos principais do país nesse período, a estabilidade de preços e a estabilidade financeira. Logo após a eclosão da crise financeira, o Banco Central brasileiro diminuiu os compulsórios, garantindo assim que a contratação de crédito no sistema financeiro não fosse muito afetada. E depois passou a controlar os compulsórios, para desacelerar o crescimento do crédito, assegurando a saúde financeira do sistema e impedindo que os bancos concedessem mais crédito do que podiam.

    Em 2014, vemos o Banco Central novamente reduzir o recolhimento do compulsório e, além disso, também ocorreu uma mudança nos fatores de ponderação de risco para crédito ao varejo. Essas medidas objetivam estimular a economia, que até então tinha expectativa de baixo crescimento.

    Fontes:
    http://www.valor.com.br/brasil/2994944/fmi-elogia-politicas-monetaria-e-macroprudencial-do-pais-no-pos-crise
    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-e-bem-sucedido-em-politicas-macroprudenciais-e-monetarias-diz-fmi,112156e
    http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/medidas-macroprudenciais-bipolaridade-ou-hegemonia-financeiro.html

  10. Rafael Bussolan Mariano Says:

    Segundo Prates e Cunha (2011), as medidas macruprudenciais auxiliam a gestão de política monetária, potencializando seu efeito (desacelerar a oferta de credito afeta o consumo, desacelerando o nível de atividade econômica), e são vantajosas diante da alta da taxa de juros básica, principalmente na economia do Brasil, pois não amplia o custo da dívida pública e o diferencial entre juros internos e externos. Porém, nesse estudo, constatou-se que as distorções no mercado de crédito brasileiro distorcem os efeitos colaterais negativos de algumas iniciativas da macroprudência, entre eles: deslocamento da demanda de crédito para as modalidades de empréstimo rotativos, com taxas de juros extorsivas; aumento do spread e da taxa de juros, decorrentes da elevação da alíquota do IOF sobre operações de crédito; elevação da inadimplência; e o aumento do comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas bancárias. Os autores concluem o trabalho, então, afirmando que as medidas adotadas em 2010 foram adequadas (tanto em função dos riscos de fragilidade financeira, quanto da aceleração da inflação), mas é questionável o timing e velocidade das mesmas (poderiam ter sido antecipadas). Em entrevista concedida em março de 2012, Mantega afirma que, apesar de ter amenizado o crescimento do PIB, as medidas macruprudenciais foram necessárias.

    FONTE: http://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/viewFile/2726/3088

    http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2012-03-06/mantega-medidas-macroprudenciais-foram-necessarias-apesar-de-terem-amenizado-crescimento-do-pib

  11. Rafael Bussolan Mariano - ECEC Says:

    Segundo Prates e Cunha (2011), as medidas macruprudenciais auxiliam a gestão de política monetária, potencializando seu efeito (desacelerar a oferta de credito afeta o consumo, desacelerando o nível de atividade econômica), e são vantajosas diante da alta da taxa de juros básica, principalmente na economia do Brasil, pois não amplia o custo da dívida pública e o diferencial entre juros internos e externos. Porém, nesse estudo, constatou-se que as distorções no mercado de crédito brasileiro distorcem os efeitos colaterais negativos de algumas iniciativas da macroprudência, entre eles: deslocamento da demanda de crédito para as modalidades de empréstimo rotativos, com taxas de juros extorsivas; aumento do spread e da taxa de juros, decorrentes da elevação da alíquota do IOF sobre operações de crédito; elevação da inadimplência; e o aumento do comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas bancárias. Os autores concluem o trabalho, então, afirmando que as medidas adotadas em 2010 foram adequadas (tanto em função dos riscos de fragilidade financeira, quanto da aceleração da inflação), mas é questionável o timing e velocidade das mesmas (poderiam ter sido antecipadas). Em entrevista concedida em março de 2012, Mantega afirma que, apesar de ter amenizado o crescimento do PIB, as medidas macruprudenciais foram necessárias.

    Fonte: PRATES, D. M., CUNHA, A. M. Medidas macroprudenciais e a evolução do crédito em 2011. Porto Alegre, 2012.

  12. Naíma Meiado - ECEC Says:

    Falando de medidas macroprudencias no Brasil, podemos citar o começo do governo Dilma como exemplo.
    Após a crise de 2008, existiram grandes incentivos à produtividade e ao consumo. Um desses incentivos foi a grande redução do juros no Brasil. Esses incentivos tiveram um lado positivo, não deixaram o país entrar em recessão e o protegeu em um período de grave crise internacional. O problema é que as consequências de tais medidas começaram a surgir no inicio do governo da presidente Dilma Rousseff: inflação de demanda interna, inflação internacional das commodities e queda do dólar.
    Com a mudança de governo, ocorreu a troca do presidente do Banco Central, do Henrique Meirelles para o Alexandre Tombini. O novo governador do BC possuía uma preferência por mudanças macroprudenciais de forma mais lenta comparativamente com o anterior, pois acreditava que leves e constantes altas na Taxa Selic enfrentassem a inflação sem afetar muito a produtividade nacional, o que seria de certa forma contraditório, uma vez que as medidas macroprudenciais afirma que governos com credibilidade devem optar por rápidas ações e altas taxas de juros.

    http://www.lemeinvestimentos.com.br/artigos/as-medidas-macroprudenciais-do-governo-dilma-rousseff/

  13. Juliana Costa de A. Abissamra - ECEC Says:

    Demonstrando como as medidas macroprudenciais podem influir na gestão da inflação, o Banco Central do Brasil (2011) fez um modelo em que constava a curva de Philips normal, uma regra de Taylor e um hiato do produto, que é afetado pela taxa swap e pelo crescimento do crédito. De acordo com o modelo, a taxa de juros é transmitida pela curva de juros e pelo mercado de crédito, sendo o recolhimento compulsório essencial na determinação dos empréstimos e no crescimento no volume de crédito. Dentro da estimativa feita pelo Banco Central do Brasil (2011), o aumento do recolhimento compulsório reduz o crescimento do crédito. Este, por sua vez, afeta o hiato do produto, o qual será determinante para política monetária, uma vez que modifica a demanda agregada. De acordo com a simulação feita pelo Banco Central do Brasil (2011), os recolhimentos compulsórios são capazes de alterar a inflação, e seu impacto máximo sobre os preços ocorreria com grande defasagem, pelo terceiro ou quarto trimestre após a mudança nas alíquotas de compulsório.
    “As medidas macroprudenciais podem servir para corrigir desequilíbrios do mercado financeiro e, assim, auxiliar no controle da demanda agregada e, portanto, de preços. Notadamente, os recolhimentos compulsórios, como instrumento macroprudencial, procuram ajustar a liquidez e promover a estabilidade do sistema financeiro, mas podem afetar a oferta de crédito.” (BCB, 2011:98)

  14. Wenderson de Moraes Pizzo - ECEC Says:

    Como já foi falado nos comentários, o FMI elogiou as políticas macroprudenciais e monetárias realizas pelo Brasil no pós-crise a fim de manter a estabilidade de preços e a estabilidade financeira. O documento emitido pelo FMI destacou que os instrumentos macroprudenciais foram utilizados para conter a potencial formação de riscos sistêmicos decorrentes do rápido crescimento do crédito. Em uma nota de rodapé desse relatório, foi apontado que “a taxa de crescimento do crédito mostra uma correlação forte e positiva com o hiato do produto (a diferença entre o PIB efetivo e o potencial, que mostra o nível de ociosidade de recursos na economia) e a taxa de inflação a partir da segunda metade de 2009. Os coeficientes de correlação são de 0,62 e 0,52, respectivamente.” Baseado nesse argumento, pode-se concluir que as políticas macroprudenciais que são utilizadas para diminuir os riscos sistêmicos decorrentes do rápido crescimento do crédito estão diretamente ligadas a taxa de crescimento do crédito e, por conseguinte, está correlacionada com o hiato do produto e a taxa de inflação do Brasil.

    Fonte:
    http://oglobo.globo.com/brasil/fmi-elogia-politicas-monetaria-macroprudencial-do-pais-no-pos-crise-7488768

  15. Luíza Neves - ECEC Says:

    As medidas de controle de capital foram adotadas como mais um instrumento para minimizar os efeitos da elevada liquidez mundial. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os ingressos de capital já tinha sido aumentado de 0% para 2% em outubro de 2009, em resposta aos ingressos de capital – estando isentos os fluxos de investimentos estrangeiros diretos (IED). Naquela ocasião, houve uma redução significativa no investimento de portfólio e estabilização da taxa de câmbio. Um ano depois, em outubro de 2010, o Ministério da Fazenda aumentou o IOF sobre os ingressos de 2% para 4%, e, algumas semanas depois, de 4% para 6%. O IED ainda não era tributado e o imposto sobre investimento de portfólio para ações individuais ficou em 2%. Um imposto adicional de 6% foi aplicado aos depósitos de margem para
    transações derivativas de taxa de câmbio, e o Banco Central do Brasil emitiu uma regulamentação para cobrir algumas brechas em operações de depósito de margem.

    http://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/td292.pdf

  16. Renan Barbosa - ECEC Says:

    “As medidas macroprudenciais ganharam destaque na mídia em dezembro de 2010, quando foram anunciadas pelo governo para diminuir o risco sistêmico do setor bancário, servindo também como um limitador da demanda.”

    “As medidas macroprudenciais afetam o canal de crédito, impactando a inflação sem ser diretamente via juros. Isto porque, com a elevação dios compulsórios e o aumento da exigência de capital próprio dos bancos para empréstimos de longo prazo, estes ficam mais caros e exigem entradas maiores, de modo que a procura por este tipo de financiamento cai”

    Estes são trechos que achei bem interessantes e foram encontrados no link a seguir. Entendo que a leitura completa do mesmo é bem proveitosa para uma melhor compreensão das políticas macroprudenciais, e como o mesmo já foi citado em outro comentário, reforço a atenção nele:

    http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia

    O link trás uma abordagem sobre o funcionamento da política macroprudencial, especificando-a quanto ao combate da inflação. Também trás a relação de complementariedade em relação a política monetária e como a mesma se encaixa em um cenário de contenção de uma bolha crédito.

  17. Laura Granados - ECEC Says:

    Segundo um artigo utilizado pelo Banco Central a experiência recente do Brasil com as políticas monetárias e macroprudenciais é um exemplo de sucesso de uma nova abordagem. Ao combinar instrumentos monetários e macroprudenciais para contrabalancear o ciclo financeiro, o Banco Central do Brasil sempre deixou claro que medidas macroprudenciais não são um substituto para as ações de política monetária, mas são importantes principalmente para enfrentar os riscos à estabilidade financeira. Na verdade, após a crise financeira global, muitos elaboradores de políticas parecem ver agora uma complementaridade entre as medidas macroprudenciais e as de política monetária. Assim, o (novo) princípio da separação parece evoluir no sentido de usar dois instrumentos (a taxa base do banco central e um arsenal de ferramentas macroprudenciais) para atender dois objetivos (a meta de inflação e um conjunto de indicadores de estabilidade financeira).
    http://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps290.pdf

  18. Lenise Gonçalves- ECEC Says:

    Direferente do post da semana passada que tratava sobre as políticas macroprudenciais adotadas no mundo, o post dessa semana fala sobre as políticas macroprudenciais no Brasil. Como dito no post “A recente crise internacional evidenciou a deficiência da estrutura regulatória do sistema financeiro brasileiro em vigência.”. Bem, as políticas macropudrenciais foram destaque no Brasil durante a crise de 2008-2009, quando o BC fez intervenções para evitar o estrangulamento das operações de crédito e interbancárias, objetivando, nessa altura, minimizar os efeitos no Brasil da crise externa. Sobre as medidas macroprudenciais, é interessante notar que elas impactam a inflação sem ser diretamente via juros. Tais medidas afetam o canal de crédito, aumentam o compulsório, fazendo com que menos empréstimos sejam concedidos, encarecendo os empréstimos, diminuindo, assim, a procura por esses financiamentos. Há críticas feitam em relação a tais políticas macroprudenciais aliadas à políticas de incentivo ao crescimento econômico. Como podemos ver neste link: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/medidas-macroprudenciais-bipolaridade-ou-hegemonia-financeiro.html

  19. Otávio Beraldi (Economia) Says:

    Confesso que fiquei confuso e tentei me orientar pelas matérias indicadas pelo grupo. As políticas macroprudenciais praticadas pelo Brasil se resumem a pós crise? Uma injetada de dinheiro na economia pós crise de 2008 é oficialmente uma medida macroprudencial? através de algo ou a simples injeção financeira já conta como tal. Outra dúvida que surgiu durante as leituras das matérias seria sobre o aumento das empresas elegíveis e o que isso significa, pois o artigo não explica os motivos, os resultados desse aumento e nem ao menos o que seria essa condição de elegível dada as empresas.

  20. Eleonora de Oliveira Says:

    Esperava que o texto mostrasse mais exemplos de políticas macroprudenciais no Brasil, mas quando fui pesquisar sobre o assunto, me deparei com uma carência de informações nessa área, sendo aquilo que encontrei já abordado por outros colegas. Por isso, me concentrei nas referências utilizadas. Achei interessante que em uma delas o autor destaca uma dúvida em relação ao objetivo do Banco Central, se este seria controlar a inflação (via aumento de juros, como vimos logo após as eleições; http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/10/29/juros-selic-banco-central-copom.htm) ou se seria estimular a economia via aumento de crédito, como narrado pelo grupo, injetando dinheiro na economia. A dúvida é pertinente pois ao se aumentar o juros, este acaba reprimindo a demanda, efeito oposto do estímulo ao crédito.
    Dado o cenário atual da economia brasileira, com a inflação batendo a meta superior, acredito que a real intenção do BC seja controlar a inflação. Além disso, fica claro aqui uma falha de credibilidade da autoridade monetária brasileira, tomando medidas de efeitos opostos.

  21. Gabriela Batista Says:

    O Brasil foi considerado um exemplo bem sucedido quanto as suas politicas monetárias e macroprudenciais adotadas, com o objetivo de buscar estabilidade financeira e macroeconômica. Segundo David Vergara, representante do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, a interação entre as duas politicas foi o que fortaleceu os efeitos na economia brasileira. Após a crise de 2008, podemos verificar um grande incentivo a produtividade e ao consumo no pais, como a retirada do IPI para diversos setores. Isso acabou favorecendo para que o cenário econômico brasileiro tivesse sempre em crescimento, mesmo que baixo em alguns períodos. Recentemente, no Governo Dilma, uma nova postura sobre politica monetária foi adotada. Com isso, as medidas macroprudenciais adotaram caracteristicas mais lentas, como exemplos, as pequenas e sucessivas altas dos juros, acreditando que isto não afetara fortemente a produtividade nacional. Além dessa medida, podemos citar o aumento do IOF, na tentativa de aumento da arrecadação fiscal. Hoje, temos uma grande incerteza sobre as medidas adotadas pelo governo. Porem, as medidas macroprudenciais adotadas hoje, são consequências da ma administração de governos anteriores.

    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-e-bem-sucedido-em-politicas-macroprudenciais-e-monetarias-diz-fmi,112156e

    http://www.lemeinvestimentos.com.br/artigos/as-medidas-macroprudenciais-do-governo-dilma-rousseff/

  22. Leonardo de Vitto - ECEC Says:

    Após ler o post sugerido e escrito pela Professora Roseli e pesquisar mais a fundo percebi que o intuito principal das medidas macroprudenciais visa evitar riscos potenciais de instabilidade financeira sistêmica no setor bancário, tais ações visam caminhar paralelamente as políticas monetárias, fiscal e cambial de modo a se complementarem e surtirem um efeito mais eficiente na limitação do risco sistêmico.
    No Brasil:
    O combate ao risco sistêmico no mercado de crédito: tais ações podem auxiliar no combate a inflação, já que a regulação da oferta de crédito afeta diretamente o consumo e então contrai a atividade econômica o que potencializa o efeito da política de juros. No entanto assim como foi salientado pela Professora, alterações na reserva de compulsório são instrumentos de política monetária clássica, então são considerados como medidas macroprudenciais somente aspectos regulatórios referente às reservas voluntárias.
    Medidas macroprudenciais no mercado de câmbio: o BCB visa impor limites a uma polarização das apostas do setor bancário no mercado de câmbio, que se por algum motivo modificar o cenário externo causaria grande perda a estas instituições assim elevando o risco sistêmico.

    http://novo.fundap.sp.gov.br/arquivos/pdf/Bol3_CE_Intervencoes_macroprudenciais_no_mercado_de_credito_cambio.pdf

  23. Ana Luisa Montanari - ECEC Says:

    Segundo o artigo de William Brainard para cada objetivo de política econômica é indicado a utilização de um instrumento: para a estabilidade financeira, as medidas macroprudenciais são mais indicadas; para a estabilidade de preços, a taxa de juros por meio de política monetária são mais recomendadas, no entanto elas são complementares (mesmo que não perfeitamente) e não substitutas já que afetam as condições de liquidez e de crédito da economia.
    Após a crise financeira de 2008, as políticas monetárias com objetivo de garantir a estabilidade de preços não foram suficientes para manter a estabilidade financeira do país e por isso a políticas macroprudenciais ganharam importância nesse período, pois as crises financeiras são eventos desorganizadores para as economias e o seu impacto tende a se refletir no aumento da volatilidade de variáveis macroeconômicas.
    Segundo alguns especialistas o Brasil é um caso bem sucedido do uso de ambas as políticas e por sua vez seu uso acabou fortalecendo os efeitos na economia para buscar estabilidade financeira e macroeconômica. Os países emergentes durante a crise usaram de medidas macroeconômicas de forma mais intensa do que outros países e caso deixassem de usar essas políticas as consequências da crise seriam muito mais negativas.
    Fontes:
    http://www.galanto.com.br/monicablog/?p=1202
    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-e-bem-sucedido-em-politicas-macroprudenciais-e-monetarias-diz-fmi,112156e

  24. Renato Domingues Coutinho - Economia Says:

    Pesquisando mais sobre o assunto e tentanto achar outros exemplos de políticas macroprudenciais no Brasil, achei no próprio site do Banco Central alguns exemplos, como os recolhimentos compulsórios, intervenções no câmbio e controles de capital.
    As intervenções no câmbio funcionam da seguinte maneira: através do regime de flutuação livre, o Banco Central deve ter o cuidado de limitar a volatilidade excessiva. Sempre que é avaliado a existência de tendências persistentes sujeitas a riscos abruptos de reversão, executa ações específicas nos mercados a vista e futuro para reduzir a volatilidade no horizonte relevante. A volatilidade da taxa de câmbio, ao interagir com algumas características dos mercados financeiros, gera problemas de estabilidade financeira. Tal volatilidade pode afetar negativamente a qualidade do crédito bancário, o fornecimento de novos créditos e mesmo as operações entre bancos. Além disso, o excesso de volatilidade cambial conduz a um prêmio de risco nas operações de crédito domésticas, restringe a alocação eficiente dos recursos na economia e aumenta a probabilidade de eventos sistêmicos. Por isso é tão importante a ação do Banco Central no sentido de propiciar uma maior estabilidade macroeconômica.

    http://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/td292.pdf

  25. sssantosusp Says:

    Políticas macroprudenciais têm o potencial de amenizar a pró-ciclicidade do setor financeiro, isto é, a dinâmica de expansão/constrição excessiva da oferta de crédito associadas a bull e bear states, respectivamente.

    Com o objetivo de aprimorar a eficácia da regulação do sistema bancário são desenvolvidos, desde 1988, os Acordos de Basiléia que consistem em conjuntos de propostas de reforma para regulação bancária. Já foram produzidos três destes acordos, o último deles data de 16 de dezembro de 2010 e teve como motivação principal a crise financeira de 2008.
    Em 2013 o Banco Central do Brasil implementou as propostas de regulação da estrutura de capital do Basiléia III que estabelece novas exigências de requisitos mínimos de capital. Dentre os requerimentos estabelecidos pelas novas regras, podemos citar:

    i) 4,5% para o Capital Principal, que é composto principalmente por ações, quotas, reservas e lucros retidos;

    ii) 6,0% para o Nível I, que é composto pelo Capital Principal e outros instrumentos capazes de absorver perdas com a instituição em funcionamento; e

    iii) 8,0% para o total do PR, que é composto pelo Nível I e por outros instrumentos subordinados capazes de absorver perdas quando do encerramento da instituição.

    (Os três itens levantados acima foram retirado integralmente de ¹)

    Referências:

    ¹ http://www.bcb.gov.br/pt-br/paginas/banco-central-implanta-recomendacoes-de-basileia-iii-1-3-2013.aspx

    (Samuel Solgon Santos – ECEC)

  26. Gabriel Besbati Says:

    Colaborações Contabilizadas.


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