ECEC J – Políticas Macroprudenciais no Mundo

 

“Quando surgiu?

As políticas macroprudenciais surgiram na década de 1970, no contexto da Crise do Petróleo, que causou o aumento do preço do mesmo, afetando os empréstimos bancários e a estabilidade do sistema financeiro internacional. Com a Crise de 2007-2008, essas políticas ganharam maior espaço nas discussões econômicas, já que foi necessária a reforma do sistema de regulação financeira, enfatizando a relação entre a saúde dos bancos e os ciclos econômicos.

O que é?

Políticas Macroprudenciais são decisões administrativas do banco central, caracterizadas pela utilização de instrumentos de regulação, os quais buscam diminuir o risco sistêmico, através do canal de crédito.

Por meio delas, os bancos são obrigados a manter maior quantidade de reserva para cada empréstimo concedido, elevando essa exigência se o financiamento for de longo prazo. Essa medida faz com que os bancos concedam menos empréstimos, e consequentemente eleva a taxa de juros para os tomadores de empréstimos.

Sendo assim, as politicas macroprudenciais objetivam, em períodos de rápido crescimento do crédito, um sistema financeiro mais estável, já que além de enfraquecer o crescimento do crédito, causa uma redução dos preços dos ativos.

Quais os efeitos dessa política?

Os principais efeitos do emprego dessa política são: a redução da oferta de crédito, do consumo e da inflação. Alguns economistas acreditam que a politica macroprudencial é um bom instrumento para o controle da inflação. No entanto, apontam algumas falhas, como o fato de afetarem pouco as decisões de poupança e investimento, sua intensidade e o tempo de seu efeito ser incerto ou desconhecido, e por criarem distorções e ineficiências no mercado de crédito.

Exemplo internacional

Na Nova Zelândia, em maio de 2013, o Ministro de Finanças, Hon Bill English, e o governador do Reserve Bank, Graeme Wheeler, assinaram um Memorando de Entendimento em Política Macroprudencial (MOU). Esse memorando contém uma descrição dos mecanismos de governança para a aplicação dos instrumentos macroprudenciais. Esses instrumentos são:

  • the countercyclical capital buffer (CCB) ou reserva de capital contra cíclica, objetiva garantir que os bancos detenham reserva suficiente de capital para absorver perdas inesperadas, e assim não comprometer a concessão de crédito;
  • adjustments to the minimum core funding ratio (CFR)ou proporção de alavancagem de recursos mínima entre os bancos, que reduz o risco de transformação da maturidade, exigindo credores para financiar o seu equilíbrio usando uma parcela maior de financiamento estável.
  • sectoral capital requirements (SCR) ou requerimento de capital setorial, caracteriza-se como uma política, que requer reservas de capital, para empréstimos concedidos à setores da economia que apresentam alto crescimento;
  • temporary restrictions on high loan-to-value ratio (LVR) residential mortgage lending ou restrições temporárias sobre a proporção dívidas-valor elevada em empréstimos de hipotecas residenciais,  são utilizadas para estabelecer o equilíbrio no setor da habitação e podem assumir uma determinada proporção do valor do imóvel (LVR) ou também como uma restrição sobre a parcela de empréstimos (como uma proporção da carteira de crédito habitacional do credor ou de novos empréstimos).

Comparação com a Politica Monetária

Muitas pessoas confundem política macroprudencial com política monetária, porém, essas políticas não são substitutas e sim complementares. Enquanto, a política macroprudencial se encarrega apenas de estabilizar o sistema financeiro, a politica monetária é utilizada para ajustar os ciclos macroeconômicos.

Referências: http://www.rbnz.govt.nz/financial_stability/macro-prudential_policy/

http://blogdovinicius.folha.blog.uol.com.br/

http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia

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27 Respostas to “ECEC J – Políticas Macroprudenciais no Mundo”

  1. Amanda Rodrigues Galhardo - ECEC Says:

    No Brasil, as políticas macroprudenciais ganharam destaque pela primeira vez no início da crise econômica de 2008-2009. Agora, novas medidas macroprudenciais são esperadas, uma vez que o Banco Central parece querer aumentar os juros indefinidamente. Para tanto o BC vai contar com o auxílio da política fiscal para complementar a política monetária, a fim de manter a inflação dentro da meta.
    Alguns economistas dizem que políticas macroprudenciais colaboram no controle da inflação, mas têm defeitos: afetam pouco as decisões de poupança e de investimento; sua intensidade e o tempo de seu efeito são incertos ou ainda desconhecidos; criam distorções e ineficiências no mercado de crédito.

  2. Mariana V. Cunha - ECEC Says:

    A crise financeira de 2008 mostrou que políticas que têm como principal objetivo garantir a estabilidade de preços podem não ser suficientes para assegurar a estabilidade financeira. De acordo com princípio de Brainard, múltiplos objetivos de política econômica só são alcançados se for possível contar com o mesmo número de instrumentos (William Brainard 1967,“Uncertainty and the Effectiveness of Policy”). Ou seja, se queremos garantir tanto a estabilidade de preços, quanto a estabilidade financeira, devemos contar com um instrumento para o primeiro objetivo, e com outro para o segundo. Em outras palavras, mais objetivos de polítca econômica precisam de um maior número de instrumentos a disposição do banco central No caso da estabilidade de preços, o instrumento comprovadamente mais eficaz é a taxa de juros. No caso da estabilidade financeira, a discussão sobre o instrumento é bem mais complexa.
    Mas independentemente do instrumento que se utilize, há, sem dúvida, alguma complementaridade entre as medidas macroprudenciais e a política monetária, já que afetam as condições de liquidez e de crédito da economia. Contudo, a natureza dos riscos que cada uma pretende controlar é completamente diferente.

  3. Beatriz Mendonça Félix - ECEC Says:

    A crise de 2008 mostrou a necessidade de se preocupar não somente com a estabilidade dos preços dos bens, mas também com os ciclos financeiros e a inflação de ativos. Além de auxiliar a gestão da política monetária e potencializar seu efeito (já que a desaceleração da oferta de crédito afeta o consumo e desacelera o nível de atividade econômica), as medidas macroprudenciais apresentam vantagens frente à alta da taxa de juros básica, especialmente no caso da economia brasileira, já que não ampliam o custo da dívida pública e o diferencial entre os juros internos e externos (assim, as pressões a favor da apreciação cambial em momentos da abundância de recursos externos).
    Pesquisando mais sobre, encontrei um texto interessante e recente sobre um “alerta” das medidas.
    http://www.valor.com.br/financas/3571866/futuro-de-medida-prudencial-divide-especialistas#ixzz34zvY3jf4

  4. sssantosusp Says:

    A crise de 2008 evidenciou a necessidade de alterações na regulação do sistema financeiro que, sobre aspectos importantes, contribuiu para sua gestação.
    Em tempos de crise, a estabilidade do sistema financeiro é seriamente comprometida e, para lidar com esse problema, são tomadas medidas macroprudenciais de regulação do funcionamento de instituições que afetam a estabilidade do sistema, em especial, medidas restritivas sobre o setor bancário.
    A regulação procura mitigar consequências da instabilidade do sistema financeiro, tais como, fuga/enchente de capital e desvalorização/apreciação cambial, que , entre outras coisas, afetam diretamente a taxa de juros da economia.
    Políticas macroprudenciais são, normalmente, focadas na atividade dos bancos por que as empresas deste setor são especialmente vulneráveis a crises e, sendo assim, podem constituir um mecanismo importante de transmissão.
    A susceptibilidade dos bancos a crises financeiras é determinada pela posição alavancada em que operam e pela dependência crucial que estes têm às expectativas dos agentes econômicos que, em cenários de crise.
    A crise de confiança que acompanha crises financeiras diz respeito à expectativa dos agentes sobre a capacidade de pagamento dos bancos. Quando a expectativa é de que os bancos (podemos entender isso como algum banco em particular ou os bancos de um país) não poderão arcar com seu passivo, a estratégia racional é de retirar os depósitos mantidos nestas instituições. Assim é gerado um movimento de corrida aos bancos que pode tornar o banco insolvente e o expõe a um risco maior de falência.
    Trabalhos usados para construção do texto:

    GOMES, Keiti da Rocha; CINTRA, Marcos ANTONIO Macedo. As Transformações no Sistema Financeiro Internacional. 2. ed. Brasília: Ipea, 2012. 682 p. (978-85-7811-147-2). Prefácio
    PRATES, Daniela Magalhães; CUNHA, André Moreira. Estratégias macroeconômicas depois da crise financeira global: O BRASIL e os e Brasil e os emergentes. Porto Alegre: Indicadores Econômicos, 2011. 16 p

  5. Caio Augusto de Oliveira Rodrigues - ECEC Says:

    As políticas macroprudenciais possibilitam que, diante de forte volatilidade nos mercados financeiros – como foi o caso da crise de 2007-2008 -, o sistema financeiro e tudo que por ele é impactado possam ter robustez para que o país não chegue a “quebrar”. São políticas complementares às monetárias, uma vez que ajudam na suavização de picos existentes no ciclo econômico, a partir do momento que “seguram” a demanda e a inflação a partir de aumentos das taxas de juros.
    Achei particularmente interessante a experiência que o texto fala, ocorrida na Nova Zelândia, em que as medidas macroprudenciais tiveram o objetivo de permitir que os players dos mercados financeiros, produtivos e de habitação pudessem ter uma “margem de manobra para tempos complicados” maior. Tais medidas ajudam a manter em equilíbrio mercados que (especialmente no caso financeiro e de habitação), quando de ambiente institucional leniente, podem ter um alto nível de impactos quando da ocorrência de uma crise – no caso, podemos ver por exemplo os efeitos destrutivos da “bolha da internet” no início dos anos 2000, da falência da Enron e da crise baseada em derivativos ancorados em papeis de hipotecas de alto risco (2007-2008): podem parecer problemas distantes um do outro, mas em um olhar mais atencioso vemos que os três casos foram fruto de desregulamentação e alta volatilidade (e, no caso, temos uma amenização do problema de alta volatilidade dos preços em momentos de grande alta através dessas políticas).

  6. Julia Balieiro - ECEC Says:

    Achei o post dessa semana bastante interessante, uma vez que para mim ficou claro o que são políticas macroprudenciais e suas implicações. Acredito que o foco da discussão é o mercado de crédito, por ser um canal de transmissão da política monetária e também das medidas macroprudenciais. Encontrei um relato do COPOM sobre isso, confirmando a importância das medidas macroprudenciais: “Para o Copom, a dinâmica do mercado de crédito merece atenção, tanto pelos potenciais impactos sobre a demanda agregada e, por conseguinte, sobre a inflação, quanto por riscos macroprudenciais que dela podem se originar. O dinamismo do mercado de crédito tem determinado crescimento contínuo da relação crédito/PIB, o que, entre outros fatores, contribui para ampliar o poder da política monetária do Brasil. Por outro lado, a fragilidade crescente observada em algumas economias maduras, combinada com as perspectivas favoráveis para a economia brasileira, tem determinado a entrada de intensos fluxos de recursos estrangeiros no Brasil, sendo que parte desses recursos tem sido canalizada para o mercado de crédito.” (BCB, 2011:87).

  7. Mirian Wawrzyniak Says:

    Segundo David Vergara – representante do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI) – o Brasil é um exemplo bem-sucedido na adoção de políticas macroprudenciais e monetárias. Ele afirmou isso durante o XIV Seminário de Metas para a inflação, promovido pelo Banco central, no Rio, em maio de 2012.
    Além do Brasil, Vergara disse que outros países emergentes utilizaram as medidas macroprudenciais de forma mais intensa do que outros países após a crise.
    Mas as políticas macroprudenciais podem não ter a potência necessária. Segundo Stephen Cecchetti – economista do Banco de Compensações Internacionais (BIS) – “As políticas macroprudenciais são difíceis de desenhar e implementar. As perspectivas de sucesso são difíceis de serem controladas pelo Banco Central. São instrumentos praticamente iguais aos microprudenciais, mas com o objetivo de reduzir impactos das individualidades que surjam no sistema. É importante não usar o termo para fazermos o que quisermos fazer, com a desculpa de proteger o sistema. Essa é a minha preocupação”.

  8. Naíma Meiado - ECEC Says:

    Quando tratamos de medidas macroprudenciais é necessário esclarecer a sua relação com a política monetária. Essas medidas não substituem a política monetária, principalmente porque o mercado consegue se desviar dessas medidas, driblando as regulamentações e inventando novas modalidades que acabam por aumentar novamente o crédito, o que mostra a restrição de tais medidas.
    Entretanto, crise financeira de 2008 mostrou que políticas que têm como principal objetivo garantir a estabilidade de preços podem não ser suficientes para proteger a estabilidade financeira, sendo necessárias medidas macroprudenciais. William Brainard, em 1967, sugeriu que para cada objetivo de política econômica deve se utilizar um instrumento. Para a estabilidade financeira, as medidas macroprudenciais. Para a estabilidade de preços, a taxa de juros.
    As medidas macroprudenciais, como dito pelo grupo, possuem como objetivo diminuir o risco sistêmico do setor bancário.
    Tal risco tem duas principais fontes: a sobre-exposição do risco que as pessoas se submetem no auge de um ciclo de crédito, e a aversão ao risco quando há a desaceleração. A outra fonte parte da incapacidade dos bancos de lidar com os resultados de suas ações arriscadas sobre o sistema financeiro como um todo. As políticas macroprudenciais devem lidar com essas duas fontes de risco. (Roseli Silva)
    Contudo, é necessário ressaltar que não há duvida de que existe alguma complementaridade entre as medidas macroprudenciais e a política monetária, já que afetam as condições de liquidez e de crédito da economia. Contudo, a natureza dos riscos que cada uma pretende controlar é completamente diferente.

  9. Laura Granados - ECEC Says:

    As políticas macroprudenciais ganharam destaque durante a crise de 2008/2009 com as intervenções do BC como provedor de reais e dólares evitando o estrangulamento das operações interbancárias e de crédito, minimizando os efeitos da crise externa. Até então, a maioria dos Bancos Centrais no mundo, consideravam os aspectos de risco como sendo exógenos aos agentes e ao sistema como um todo. Os preços dos ativos financeiros, as condições de liquidez e o comportamento do conjunto dos agregados macroeconômicos eram tratados como sendo independentes do comportamento das instituições financeiras. A redução do risco sistêmico viria da modernização do sistema de pagamentos, do fortalecimento da base de capital, da existência de seguros de depósitos, para evitar as corridas bancárias, e de empréstimos de liquidez por parte da Autoridade Monetária.

  10. Vladimir - ECEC Says:

    Ao ler os textos da turma da Economia e da ECEC sobre medidas macroprudenciais, tentei entender o motivo das medidas microprudenciais não serem suficientes, uma vez que mexer no vetor de incentivos (juros, por exemplo) deveria ser suficiente para mudar o comportamento dos agentes e garantir a segurança do sistema financeiro. Uma analogia que imaginei (e a princípio me parece fazer sentido) é das medidas macroprudenciais com as externalidades: por exemplo, uma fábrica polui o ambiente porque o custo da poluição acaba dividido com toda a sociedade. Da mesma forma, uma instituição financeira pode se expor demais ao risco sabendo que em caso de colapso do sistema financeiro (como em 2008) o governo irá socorrê-la e dividir os custos com toda a sociedade. Assim, mexer somente no vetor de incentivos nem sempre é suficiente. Dessa forma, as medidas macroprudenciais são importantes ao exigirem que as instituições financeiras mantenham determinados indicadores de crédito e liquidez dentro de níveis que não coloquem em risco o sistema como um todo.

  11. Malena Figueiredo - ECEC Says:

    A crise global de 2008 levantou novamente o debate do papel dos bancos centrais na garantia da estabilidade financeira e prevenção de acumulação de desequilíbrios financeiros no setor privado. Enquanto imperou a ênfase na estabilidade de preços (política monetária) a política macroprudencial foi deixada de lado, sendo retomada apenas após a crise. As medidas macroprudencias são aquelas cujo efeito direto nas operações das instituições bancárias poderia evitar riscos de instabilidade financeira na fase ascendente do ciclo econômico.
    Em 2010 no Brasil foram introduzidas uma série de políticas macroprudenciais a fim de garantir o contínuo desenvolvimento do mercado de crédito e, no ano seguinte, o alvo foi o mercado de câmbio a fim de melhorar seu funcionamento.
    Como relatado em reportagem do Estadão em 2012, David Vergara (representante do departamento de Hemisfério Ocidental do FMI): “O Brasil é um exemplo bem sucedido de adoção de políticas tanto macroprudenciais quanto monetárias com o objetivo de buscar estabilidade financeira e macroeconômica”. Portanto, as políticas adotadas tiveram o efeito positivo esperado, amenizando a crise no país, apesar do elevado custo para realiza-las.

    Referências:
    http://novo.fundap.sp.gov.br/arquivos/pdf/Bol3_CE_Intervencoes_macroprudenciais_no_mercado_de_credito_cambio.pdf
    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-e-bem-sucedido-em-politicas-macroprudenciais-e-monetarias-diz-fmi,112156e

  12. Patricia Mendonça De Angelis - ECEC Says:

    No cenário anterior à crise financeira global o objetivo da política monetária era o controle da inflação no curto prazo, sendo o instrumento operacional a taxa de juros de curto prazo em um ambiente com Banco central independente e políticas não discricionárias. Após a crise a política monetária junto com as medidas macroprudenciais objetiva atenuar os riscos de crises sistêmicas, já que medidas macroprudenciais podem reforçar a política monetária na mitigação dos efeitos negativos de choques.
    No final de 2010 medidas macroprudenciais foram adotadas no Brasil visando evitar o endividamento excessivo dos agentes e diminuir os riscos das instituições bancarias ao conter a expansão do credito ao consumo.

  13. Rafael Bussolan Mariano Says:

    Medidas macroprudenciais são decisões administrativas adotadas pelo Banco Central para afetar o montante de dinheiro disponível para crédito nos bancos e a taxa de juros do tomador final, segundo Vinicius Torres Freire. A princípio, essas medidas objetivam evitar que o sistema financeiro se exceda, emprestando demais para quem não pode pagar (risco sistêmico). Medidas de política econômica de qualquer natureza, bem como as macroprudenciais, têm efeitos diversos sobre os agentes econômicos, com defasagem temporal, e isso dificulta a avaliação dos seus efeitos no curto prazo. Da mesma forma, os agentes nem sempre reagem de forma esperada às ações do Banco Central.
    Como já apresentado em publicações anteriores, as medidas macruprudenciais no mercado de câmbio se confundem com política cambial (o que igualmente acontece para o caso de política monetária). Mas, o que acontece, de fato, é que todos esses instrumentos são complementares. Segundo relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgado em 2013, o Brasil soube combinar bem política monetária com medidas macroprudenciais, no cenário pós crise, para atingir dois objetivos: estabilização de preços e estabilização financeira. Esse fato ilustra a relação complementar entre essas duas políticas. À época, o FMI destacou que a política monetária estabilizou os preços, enquanto que as medidas macruprudenciais contiveram a formação de riscos sistêmicos decorrentes do rápido crescimento do crédito.

    FONTE: http://novo.fundap.sp.gov.br/arquivos/pdf/Bol3_CE_Intervencoes_macroprudenciais_no_mercado_de_credito_cambio.pdf

    http://blogdovinicius.folha.blog.uol.com.br/

    interação entre medidas macroprudenciais e política monetária em uma economia com crédito direcionado

  14. Rafael Bussolan Mariano - ECEC Says:

    Medidas macroprudenciais são decisões administrativas adotadas pelo Banco Central para afetar o montante de dinheiro disponível para crédito nos bancos e a taxa de juros do tomador final, segundo Vinicius Torres Freire. A princípio, essas medidas objetivam evitar que o sistema financeiro se exceda, emprestando demais para quem não pode pagar (risco sistêmico). Medidas de política econômica de qualquer natureza, bem como as macroprudenciais, têm efeitos diversos sobre os agentes econômicos, com defasagem temporal, e isso dificulta a avaliação dos seus efeitos no curto prazo. Da mesma forma, os agentes nem sempre reagem de forma esperada às ações do Banco Central.
    Como já apresentado em publicações anteriores, as medidas macruprudenciais no mercado de câmbio se confundem com política cambial (o que igualmente acontece para o caso de política monetária). Mas, o que acontece, de fato, é que todos esses instrumentos são complementares. Segundo relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgado em 2013, o Brasil soube combinar bem política monetária com medidas macroprudenciais, no cenário pós crise, para atingir dois objetivos: estabilização de preços e estabilização financeira. Esse fato ilustra a relação complementar entre essas duas políticas. À época, o FMI destacou que a política monetária estabilizou os preços, enquanto que as medidas macruprudenciais contiveram a formação de riscos sistêmicos decorrentes do rápido crescimento do crédito.

    Fontes: novamente, o sistema bloqueou as fontes postadas. Para mais informações, só pedirem que disponibilizo fontes. 😀

  15. Wenderson de Moraes Pizzo - ECEC Says:

    Eu localizei uma notícia relativamente recente (Julho de 2014), onde são relatadas medidas macroprudenciais realizadas pelo banco central brasileiro, visando aumentar a liquidez do sistema financeiro e o crédito na economia, dessa forma, foi anunciado a liberação de depósitos compulsórios sobre depósitos a prazo e a reversão de algumas medidas macroprudenciais.
    Foram adotadas as seguintes medidas:
    “Liberação. Permitiu que até 50% do recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo seja revertido em operações de crédito. Em outras palavras, em vez de manter estes recursos no BACEN, os bancos passam a poder emprestar ou até comprar carteiras de outros bancos. Os compulsórios sobre depósitos a prazo estavam em R$ 194 bilhões em 2009 e subiram a R$ 405 bilhões atualmente.
    Para bancos menores. Aumentou o rol de instituições financeiras elegíveis a este tipo de operação (redução do compulsório), de 58 para 134. Ou seja, qualquer instituição com Patrimônio de referência Nível I, em dezembro de 2013, menor do que R$ 3,5 bilhões poderão ser elegíveis, sem restrições para estas operações.
    Estimulo aos financiamentos para investimentos e redução de R$ 6 bilhões para R$ 3 bilhões do valor do Patrimônio de Referência, Nível I, das instituições (para fins de redução da exigibilidade sobre recursos à vista). Estas instituições passam a poder usar até 20% dos compulsórios sobre depósitos à vista para empréstimos e financiamentos que sejam enquadráveis no Programa de Sustentação de Investimentos (PSI) do BNDES.
    Alteração de critérios relativos ao requerimento mínimo de capital para risco de crédito das operações de varejo. O BC informou que há um “potencial reflexo na economia” de mais R$ 15 bilhões em recursos com tal medida, que é considerada uma reversão das medidas macroprudenciais adotadas em 2010 para conter o crédito e desacelerar o consumo. O capital adicional requerido nas operações de crédito em função do prazo original de contratação passa a ser referenciado no prazo remanescente (até o vencimento). Segundo o BACEN, a nova regra permite uma alocação de capital mais compatível com o histórico de pagamentos da operação. Na regra anterior, uma operação de crédito consignado maior que 60 meses deveria um capital de 150% no banco.”

    Fonte:
    https://www.investmania.com.br/analise/noticia-macroeconomia-medidas-macroprudenciais/

  16. Gustavo Campanholi de Castro - ECEC Says:

    Acredito que o mais interessante para mim é perceber a diferença entre políticas macroprudenciais e políticas monetárias, que de imediato se parecem tanto. Para sanar a minha dúvida, pesquisei melhor para tentar entender o que as torna distintas. Segundo William Brainard “Para a estabilidade financeira, as medidas macroprudenciais. Para a estabilidade de preços, a taxa de juros.” Mas independentemente do instrumento que se utilize, há, sem dúvida, alguma complementaridade entre as medidas macroprudenciais e a política monetária, já que afetam as condições de liquidez e de crédito da economia. A política monetária convencional tenta minimizar o trade-off entre a volatilidade da inflação e a volatilidade do produto. As medidas macroprudenciais certamente não substituem a política monetária, além da complementaridade ser bastante imperfeita.

    http://www.galanto.com.br/monicablog/?p=1202

  17. Lenise Gonçalves- ECEC Says:

    As políticas macropudrenciais foram destaque no Brasil (como dito no post dessa semana) durante a crise de 2008-2009, quando o BC fez intervenções para evitar o estrangulamento das operações de crédito e interbancárias, objetivando, nessa altura, minimizar os efeitos no Brasil da crise externa. Sobre as medidas macroprudenciais, é interessante notar que elas impactam a inflação sem ser diretamente via juros. Tais medidas afetam o canal de crédito, aumentam o compulsório, fazendo com que menos empréstimos sejam concedidos, encarecendo os empréstimos, diminuindo, assim, a procura por esses financiamentos. Há críticas feitam em relação a tais políticas macroprudenciais aliadas à políticas de incentivo ao crescimento econômico. Como podemos ver neste link: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/medidas-macroprudenciais-bipolaridade-ou-hegemonia-financeiro.html

    Fonte:
    http://www.valor.com.br/valor-investe/casa-das-caldeiras/3181976/bc-traz-medidas-macroprudenciais-de-volta-ao-jogo
    http://novo.fundap.sp.gov.br/arquivos/pdf/Bol3_CE_Intervencoes_macroprudenciais_no_mercado_de_credito_cambio.pdf

  18. Ana Elisa de Oliveira Krugner Says:

    Achei o post da semana muito interessante, uma vez que acredito ser fundamental o controle do crédito no Brasil. As políticas macropudenciais são importantes, pois além do controle do canal de crédito na economia, elas impactam a inflação sem ser diretamente via juros. O fato de as instituições financeiras serem obrigados a aumentar a quantidade de compulsório em cada empréstimo realizado desincentiva os bancos a fazê-lo. Dessa maneira, ocorre a elevação da taxa de juros para os tomadores de empréstimos, o que faz com que a quantidade de crédito seja bastante reduzida. Os consumidores, por sua vez, terão montate menor para consumo.

  19. Luíza Neves - ECEC Says:

    Em 2010 o BCB elevou o adicional do compulsório sobre depósitos á vista e a prazo. Essa medida macroprudencial adotada no mercado crédito foi devido ao forte aumento do crédito para pessoas físicas (principalmente veículos). o BCB viu risco potencial de instabilidade associado ao endividamento das famílias. No geral medidas macroprundenciais no mercado de crédito tem ser mostrado eficientes.

  20. Renan Barbosa - ECEC Says:

    As políticas macroprudenciais e monetária tidas como complementares ou substitutas têm sido fonte de inspiração de inúmeros artigos acadêmicos desde a crise de 2008. Até agora ninguém conseguiu chegar a uma conclusão razoável, pois a tarefa de incluir o comportamento dos bancos e das instituições financeiras nos modelos macroeconômicos tradicionais não é nada fácil. No entanto, o bom senso – e o artigo de William Brainard de 1967 – sugerem que para cada objetivo de política econômica se utilize um instrumento. Para a estabilidade financeira, as medidas macroprudenciais. Para a estabilidade de preços, a taxa de juros.

    A crise financeira de 2008 mostrou que políticas que têm como principal objetivo garantir a estabilidade de preços podem não ser suficientes para salvaguardar a estabilidade financeira. Isto não deveria ser surpreendente. Afinal, a constatação nada mais é do que o reflexo do princípio de Brainard, segundo o qual múltiplos objetivos de política econômica só são alcançados se for possível contar com o mesmo número de instrumentos (ver William Brainard (1967) “Uncertainty and the Effectiveness of Policy”, American Economic Review). Ou seja, se queremos garantir tanto a estabilidade de preços, quanto a estabilidade financeira, devemos contar com um instrumento para o primeiro objetivo, e com outro para o segundo. No caso da estabilidade de preços, o instrumento comprovadamente mais eficaz é a taxa de juros. No caso da estabilidade financeira, a discussão sobre o instrumento é bem mais complexa.

    Mas independentemente do instrumento que se utilize, há, sem dúvida, alguma complementaridade entre as medidas macroprudenciais e a política monetária, já que afetam as condições de liquidez e de crédito da economia. Contudo, a natureza dos riscos que cada uma pretende controlar é completamente diferente. Como argumentou Ball (1999) (ver Laurence Ball “Efficient Rules for Monetary Policy”; International Finance, 1999 2:1; pp. 63-83), a política monetária convencional tenta minimizar o trade-off entre a volatilidade da inflação e a volatilidade do produto. Isto é, o papel do banco central é o de estabelecer o nível para o instrumento de política compatível com um determinado ponto da curva, escolhido de acordo com o mandato da autoridade monetária.

    http://www.galanto.com.br/monicablog/?p=1202

  21. Laura Nart Says:

    Gostei do post desta semana pois ficou mais claro o funcionamento das políticas macroprudenciais e a diferença delas em relação as monetárias. Elas são políticas que funcionam de maneira complementar às políticas monetárias, uma vez que suavizam os “picos” econômico, afinal conseguem controlar a demanda e a inflação a partir das taxas de juros. A crise financeira de 2008 mostrou que somente as políticas não conseguem manter a estabilidade financeira, sendo necessária implementar também as políticas macroprudenciais. Mas, vale ressaltar que estas políticas não são fáceis de serem implantadas na economia e nem devem ser usadas de qualquer forma, deixando o sistema desprotegido.
    Sabemos então que para garantir a estabilidade financeira de um sistema, as políticas macroprudenciais são complicadas, porém bastante importantes, assim como a taxa de juros é essencial para manter uma certa estabilidade nos preços.

  22. Ana Luisa Montanari - ECEC Says:

    Achei bem interessante o assunto e encontrei essa política macroprudencial sendo realizada pelo Banco de Portugal (que integra desde seu início, 1998 o Sistema Europeu de Bancos Centrais constituído pelo Banco Central Europeu e pelos bancos nacionais da União Europeia) que a realiza para que o seu sistema financeiro fique resiliente a absorção de riscos a fim de deixar um nível adequado de intermediação além de contribuir para um crescimento econômico sustentável.
    Por conta da crise financeira mundial se demostrou a necessidade de avaliar os riscos e aperfeiçoar o sistema financeiro e é aí que o Banco de Portugal passou a adotar as medidas macroprudenciais: para serem capazes de prevenir ou mitigar fontes de risco sistemático. A ativação e desativação desses instrumentos requerem coordenação com as outras partes da União Europeia.
    Fonte:http://www.bportugal.pt/pt-pt/estabilidadefinanceira/politicamacroprudencial/Paginas/PoliticaMacroprudencial.aspx

  23. Cássia Tamy Takematsu - ECEC Says:

    Prates e Cunha (2011), apresentam em seu artigo um estudo sobre a aplicação das políticas macroprudencias no final de 2010 no Brasil. Apesar dessas políticas terem sido adequadas na época, o estudo destaca o efeito colateral negativo de tal adoção: os juros extorsivos, tendo como provável causa do timing e da velocidade escolhidos. Essa consideração condiz com os fatos teóricos citados no texto deste post: tempo e intensidade desconhecidos além de ter distorções e ineficiências como resultado. No entanto, os autores consideram que haveria como consertar a situação econômica, se em 2011, ano em que os efeitos foram dados, fossem tomadas medidas expansionistas retirando as restrições ao crédito e laçando estímulos no mercado financeiro, bem como foi feito em 2008.

    http://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/viewFile/2726/3088

  24. Gabriela Batista Says:

    Mesmo depois de ganharem destaques na mídia, quando o governo começou a utiliza-las como uma forma de diminuir os riscos sistêmicos do setor bancário, muitas duvidas ainda existem sobre a função das medidas macroprudenciais no auxilio da politica monetária. Assim como o grupo esclareceu, as medidas macroprudenciais e a politica monetária são politicas complementares e não substitutas, já que afetam as condições de liquidez e de crédito da economia. No Brasil, tanto a politica monetária quanto as medidas macroprudenciais tem sido ativamente usadas, no pós crise, e tem se mostrado eficientes para atingir os objetivos de estabilidade da inflação e financeira, sendo o foco da politica monetária assegurar a estabilidade de preços e dos instrumentos macroprudenciais, conter a formação de riscos, devido ao rápido crescimento de credito.

  25. Leonardo de Vitto - ECEC Says:

    No meio deste ano o BC mudou sua conduta referente a liberação de depósito de compulsórios visando uma maior liquidez do sistema financeiro e expansão do crédito disponível na economia. Tal ação é uma clara utilização de política macroprudencial, pois como existe a expectativa de um baixo crescimento, o governo deve exercer sua função e realizar política econômica a fim de impulsionar a economia. Como já foi dito no post, a política macroprudencial deve caminhar juntamente com a política monetária de maneira a surtir resultados mais eficientes. No entanto algumas pessoas dizem que o fato de o BC manter a taxa de juros (SELIC) a 11% soa contraditório, pois o aumento na taxa de juros restringi o crédito já que aumenta o custo deste ao consumidor final. Tal efeito contraditório é um risco aos consumidores, pois poderá aumentar o nível de endividamento e inadimplência. Porém a meu ver tal política faz sentido já que o aumento do crédito no mercado é necessário para a impulsionar o crescimento econômico que se encontra praticamente estagnado, no entanto tal liberação de crédito não pode ser de maneira exagerada pois causaria um aumento na inflação que já está acima do teto da meta, então por isso este seria restringido via taxa de juros.

    http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/medidas-macroprudenciais-bipolaridade-ou-hegemonia-financeiro.html

  26. João Nerasti (ECEC) Says:

    Certamente desde 2008 o mundo tem dado mais atenção a políticas macroprudenciais, e como o texto disse elas não substituem a política monetária. Contudo em agosto deste ano pareceu substituir para o FED, que anunciou que o aumento das taxas de juros não seriam necessárias no curto prazo e que medidas macroprudenciais já eram suficientes. Isto levantou refutações, como a de Feldstein, que levantou três problemas em relação a políticas macroprudenciais e defendeu a alta dos juros, para ele a política macroprudencial era pouco efetiva devido:
    i) variedade muito grande de ativos e de riscos sistemicos de forma que as atuais ferramentas não são suficientes para minimiza-los.
    ii)sistemas complexos, a elaboração correta de uma ferramenta demandaria muito tempo e seria muito complicada.
    iii) o órgão responsável pela regulação de políticas macroprudenciais demora muito tempo para agir.
    Contudo, pelo menos o uso de políticas macroprudenciais reconhece o fato de que os mercados financeiros tem uma amplitude alta problemas potenciais que podem ser minimizados.

    Segue a reportagem do Feldstein no WSO: http://online.wsj.com/articles/martin-feldstein-and-robert-rubin-the-feds-systemic-risk-balancing-act-1407799902

  27. Gabriel Besbati Says:

    Colaborações Contabilizadas.


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