ECO C – Países que adotaram Metas de Inflação

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“O primeiro país a adotar o regime de metas de inflação foi a Nova Zelândia, em 1990, seguida do Canadá em 1991 e do Reino Unido, em 1992. Atualmente são 23 os países que adotaram oficialmente o regime de metas de inflação (RMI). Além dos 3 já citados, temos: Austrália, Chile, Israel, Suécia, Espanha, México, República Tcheca, África do Sul, Tailândia, Islândia, Hungria, Noruega, Peru, Filipinas, Turquia, Coréia do Sul, Brasil, Colômbia, Polônia e Finlândia.

Países com regime de metas de inflação

 eco C 1

Fonte: Gjedren (2005, p.2).

 

 Nova Zelândia

A pioneira Nova Zelândia em 1990 concedeu maior autonomia ao banco central e o incumbiu de manter a estabilidade dos preços no longo prazo. Definiu-se que o ministro das finanças e o presidente do banco central deveriam estipular e tornar públicas as recém-criadas metas para a inflação. O acordo inicial previa uma inflação entre 3-5% que foi se adaptando até 1-3%. A nova política havia conseguido conter a inflação, mas a um custo de profunda recessão e aumento do desemprego. Depois de contida a inflação, o país voltou a crescer e o desemprego tem voltado a crescer significativamente.

 eco C 2

 Canadá

O Canadá, um ano após a Nova Zelândia, também adota formalmente o regime de metas de inflação e possui uma trajetória similar na qual obteve sucesso em conter a inflação, mas com o custo de recessão e desemprego que se elevou mais de 10% de 1991 a 1994.

Reino Unido

Antes mesmo da adoção do novo regime, em 1992, a inflação do Reino Unido já estava baixa (4% no momento da adoção), o que facilitou a manutenção de uma inflação baixa em torno de uma meta. O crescimento do país foi forte durante o período e a taxa de desemprego diminuiu.

Chile

O Chile é o primeiro país emergente a adotar o RMI, embora o tenha feito informalmente, em 1990, aliado a um regime de bandas cambiais e reformas para manter o equilíbrio fiscal. Sinalizando para o mercado políticas mais contracionistas, obteve sucesso em conter a inflação e o regime foi oficialmente adotado no ano de 1999.

México

Durante a década de 90, o México estabilizou sua inflação através da taxa de câmbio, sistema este financiado por uma acumulação de crescente déficit em conta corrente que resultou na crise de 1994. Adotando assim o RMI em 1999, e com uma forte política restritiva, conseguiu conter a inflação abaixo dos 5%, mas para tal obteve uma média de crescimento de 2,1%.

Brasil

O Brasil, com a necessidade de uma âncora nominal, anuncia apenas em 1999 a adesão ao regime de metas de inflação, designando o COPOM (Comitê de Politica Monetária) como responsável por fixar as metas para a inflação, e ao Banco Central do Brasil a responsabilidade de manter estas metas. O COPOM tem de tornar públicas as atas de suas reuniões e também para aumentar a transparência para o público, institucionaliza-se o Relatório de Inflação Trimestral. O Banco Central tem autonomia no controle do instrumento e utiliza da taxa de juros Selic como tal para propiciar o ajuste. Desde a adoção do RMI, a estabilização dos preços se fez mais presente na última década, sendo que as metas não foram cumpridas apenas entre 2001-2003, período de choques inesperados. Desde então, as metas têm sido cumpridas, sendo que atualmente a meta é de 4,5%, admitindo-se uma banda de variação de 2%.

 eco C 3

 Deixamos como sugestão de leitura complementar ao tema uma notícia recente que retrata como Banco Central utiliza a Selic para conter a inflação, buscando atingir a meta. Também sugerimos o link para “Cursos USP – Economia Monetária”, que contém vídeo-aulas sobre o regime de metas de inflação.

http://www.valor.com.br/financas/3756542/copom-foi-mais-corajoso-do-que-se-esperava-diz-professor-da-fea-usp

http://univesptv.cmais.com.br/economia-monetaria/o-regime-de-metas-de-inflacao

 Referências:

Mishkin, F. S.; The economics of money, banking, and financial markets; 10ª edition.

http://www.anpec.org.br/sul/2013/submissao/files_I/i6-eb186994c091a5a9f713522b1ab47d56.docx

Material de Apoio sobre Âncoras Nominais e  Metas de Inflação; Prof. Dra. Roseli da Silva.”

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9 Respostas to “ECO C – Países que adotaram Metas de Inflação”

  1. Cybele Freitas Says:

    Ola professora! Fiquei curiosa com a frase sobre a Nova Zelandia ‘o desemprego tem voltado a crescer significativamente’ porque nao eh o que estamos vendo na pratica por aqui. Fiquei um pouco receosa em comentar porque estou meio enferrujada em Economia, mas dei uma rapida consultada (http://www.stats.govt.nz/browse_for_stats/income-and-work/employment_and_unemployment/HouseholdLabourForceSurvey_HOTPSep14qtr.aspx) e vi que o nivel de desemprego realmente aumentou nos anos 08-12 ficando em 7%, mas voltou a cair nos ultimos dois anos. A carencia de profissionais aqui eh um problema em praticamente todas as areas, o que obriga o governo a implantar programas para atrair estrangeiros e mao de obra, qualificada ou nao. Saudacoes aqui da NZ! Cybele

  2. Marina Ribeiro Says:

    Primeiramente, gostaria de parabenizar o grupo pelo post que está muito claro e informativo.
    Ao ler um dos links recomendados pelo grupo achei interessante como as características do regime de metas de inflação variam dependendo do país analisado.
    O Brasil, por exemplo, não possui independência formal da autoridade monetária, mas somente independência de instrumentos. Outro ponto importante é que o país apresenta conformidade na definição do objetivo, ou seja, garantir um sistema financeiro sólido e uma inflação baixa e estável.
    O Brasil é um dos países que adotam o regime de metas de inflação com um dos menores horizontes de tempo, que é de um ano, para a convergência da inflação à meta estipulada.
    Para concluir, a notícia indicada pelo grupo trata da decisão do Copom em elevar a taxa básica de juros a fim de controlar a inflação e tentar mantê-la dentro do limite.

  3. Roseli Silva Says:

    Gente… eu fui aluna do Sayad… rsrs…

  4. Alice Ferraz Says:

    Parabéns ao grupo por um dos melhores posts do semestre!
    Como já foi citado por outros grupos, o sucesso do regime de metas depende muito da credibilidade da política monetária. O grupo C bem nos mostrou que a maior parte dos países que assumem o regime de metas o fazem para contenção da inflação, sendo assim, estes países, que pelas flutuações inflacionárias não detêm de tanta credibilidade na condução da política, devem construí-la com tempo. Para isso, devem assumir comprometimento com as promessas assumidas, de forma a fazer a expectativa de inflação convergir à meta.
    Sendo a credibilidade alcançada e a âncora nominal fortalecida, os agentes começam a pensar foward-looking, o que os leva a considerar não somente a meta de inflação, mas também a ETTJ.
    Este estudo do caso brasileiro (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502011000300003) mostra que com a maior credibilidade do banco central na condução da política ocorreu a suavização da ETTJ.

  5. Juliana Teixeira Says:

    Ao definir uma taxa de juros, o objetivo é impactar diversos aspectos da economia, que por sua vez irão impactar a inflação através dos meios de transmissão da política monetária, que podem ser a taxa de Juros, crédito e taxa de câmbio por exemplo. No caso brasileiro, como já dito, a taxa de juros foi o instrumento escolhido pelo governo, pois ela determina o nível de consumo do país, já que a taxa Selic é utilizada nas transações bancárias e, portanto, influencia os juros de todas as operações na economia. A taxa Selic é calibrada de acordo com a expectativa de inflação e, caso observe-se que a inflação corre o risco de superar a meta, a tendência é a elevação dos juros, como ocorrido no último dia 29. A expectativa era de que o Copom não elevasse mais os juros, mas os resultados desfavoráveis do câmbio trouxeram a necessidade de se praticar taxas de juros elevadas para assegurar a estabilidade dos preços na economia. Desde o ano passado foram feitos alguns anúncios de elevação da taxa Selic e a inflação não caiu. Segue um post do Adolfo Sachsida em que ele aborda alguns pontos que podem explicar o porquê da Inflação não ter caído com o aumento da taxa de juros no final do ano passado e que, acredito, podem ser desfavoráveis mais uma vez no controle da inflação.

    http://bdadolfo.blogspot.com.br/2014/01/por-que-inflacao-nao-caiu-com-o-aumento.html

  6. Tulio Anselmi Dorigan Says:

    Parabéns ao grupo pelo post !! Muito claro e rico em exemplos !!
    Como já levantado pela Marina, uma questão muito bacana(do artigo que vocês sugerem nas referências) é a descrição das características institucionais dos países que adotam RMI.
    Nessa discussão ele coloca que, além de se pensar na questão da independência formal do BC, também devemos levar em conta a accountability da autoridade monetária (isto é, como ocorre a “responsabilização” da autoridade monetária pelos resultados obtidos). Por exemplo, no caso do Chile e do México – que autoridade monetária possui independência formal – os BCs devem “prestar contas” periodicamente ao Congresso de seu país. Em outros casos ( o Brasil não se incluiu neles), é exigida uma prestação de contas somente se a autoridade monetária não conseguir cumprir a meta.

  7. Tadeu L. S. Mello Says:

    Ao unir as informações passadas pelo post do grupo, com o link que tinha para discussão fiquei com um certo receio quanto a atual situação brasileira. Sabemos que a inflação esperada para 2014 no Brasil estava no teto da meta e em certos pontos do ano a expectativa de inflação (acumulada 12 meses) ultrapassou a meta. Unindo essa informação com o processo eleitoral, como citado na matéria, o Bacen aumentou a taxa de juros com o intuito de reduzir a inflação, principalmente visando a expectativa alta para 2015. Porém, sabemos também que o aumento da taxa de juros reduz o investimento e o consumo, por conseguinte reduz a atividade econômica. Dessa forma reduz o crescimento do país. No caso do Brasil que está crescendo a taxas nominais baixas, reduz ainda mais o crescimento. Ou melhor, aumenta a recessão real. Aliado a tudo isso vem a questão do desemprego, que segundo nossas teorias econômicas, tende a aumentar com o aumento da taxas de juros.
    Gostaria de finalizar com uma pergunta: até que ponto vale a pena esse trade-off entre aumento da taxa de juros e redução da atividade econômica e aumento do desemprego, nas atuais situações do Brasil?

  8. Renato Domingues Coutinho Says:

    Realmente essa questão do trade-off entre aumento da taxa de juros e redução do crescimento econômico com consequente aumento do desemprego é algo que pesa muito no caso brasileiro. No link disponibilizado pelo grupo, percebe-se também que o câmbio assume um papel importante com relação a inflação e o ajuste via taxa de juros para controlá-la. Com a crescente depreciação do real que se tem observado na economia, há uma pressão para que a inflação cresça, sendo necessário uma mudança maior na taxa de juros para que ela fique dentro da meta (o que pode resultar em um aumento mais acentuado do desemprego).
    Como foi observado na discussão, é realmente interessante a pergunta de que até que ponto vale a pena esse trade-off. É visível que o objetivo principal do regime de metas de inflação é a estabilidade de preços, mas como pode ser visto na história de alguns países que adotaram esse regime, o custo pode ser significativo, como recessões e desemprego.

  9. Angelica Mendes - Economia. Says:

    Boa noite! Primeiramente, parabéns ao grupo pelo post. Segundo, assim como a Cybele, fiquei um pouco curiosa sobre a frase “Depois de contida a inflação, o país voltou a crescer e o desemprego tem voltado a crescer significativamente.”
    Sabemos pela curva de Phillips que inflação e desemprego são inversamente proporcionais, mas não é estranho quando se diz que o país voltou a crescer e o desemprego também? Com o país crescendo surgem novas vagas de emprego, então, como seria a ordem dessa queda de inflação, crescimento do país e aumento de desemprego? Posso estar falando besteira aqui, mas é que realmente foi uma duvida que me surgiu agora rsrsrs.


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