ECEC G – Países que adotam Metas de Inflação

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“Nos anos 1990, como podemos ver no gráfico abaixo, um número crescente de países implementou o regime de metas de inflação. Esse regime propõe uma meta de crescimento para algum índice de inflação, que é anunciada no início de determinado período. A meta é estabelecida pelo governo e deve ser perseguida pelo banco central. A disciplina e a transparência requeridas sugerem alguma espécie de âncora nominal para a política monetária.

ECEC G 1 

Abaixo, uma breve descrição da adoção e resultados desse regime em alguns países:

 1) Nova Zelândia

O país foi o primeiro a adotar o regime de metas de inflação como âncora para a política monetária, que foi antecedida de uma reforma econômica abrangente que adotou o câmbio flutuante, desregulou e abriu a economia.    

A reforma no arranjo institucional do banco central da Nova Zelândia ocorreu após um longo, e bem-sucedido, período de desinflação. Desde 1985, o BC – sem autonomia legal, mas com independência de fato – operou uma política monetária desinflacionaria, que trouxe a inflação de 16%, em 1985, para 7%, em 1989.

A nova Lei do Banco Central estabeleceu como sua missão a implementação de uma política monetária com vistas a atingir e manter a estabilidade de preços, mas remeteu a formalização dos detalhes operacionais para um acordo público entre Tesouro e Banco Central: o Acordo para a Política de Metas no qual é acertada uma definição precisa da meta de inflação, compatível com a obtenção da estabilidade de preços.

A Lei de 1989 não estabelece o regime de metas, somente o respeito ao princípio da estabilidade de preços. Na prática, o que se observa, por meio dos sucessivos PTAs, é um processo contínuo, no qual as alterações são movimentos visando ao aperfeiçoamento do regime de metas de inflação. O PTA é, portanto, o veículo por meio do qual o objetivo genérico da estabilidade de preços ganha um contorno preciso com metas numéricas, prazos, cláusulas de escape e mecanismos institucionais internos de revisão.

 2) Chile

Chile é um exemplo bem-sucedido de adoção de regime de metas de inflação em um país emergente.  Apresentava taxas de inflação anuais superiores a 15% quando adotou seu regime de metas para inflação. A primeira meta estabelecida pelo Chile, em 1991, era um intervalo de 15,0% a 20,0% para a inflação acumulada em 12 meses. Esta meta foi diminuída gradualmente e os intervalos foram estreitados de 5 pontos porcentuais de diferença entre os limites superior e inferior da banda para 2 pontos porcentuais. Entre 1995 e 2000, a meta tornou-se pontual, sem abandonar a tendência de queda. Todo o processo de convergência para uma inflação estável foi realizado em aproximadamente 10 anos, desde 1991.

É importante ressaltar que o sucesso da meta de inflação não pode ser atribuído unicamente às ações do banco central chileno: políticas de apoio, tais como ausência de grandes déficits fiscais e de regulação rigorosa e supervisão do setor financeiro têm sido cruciais para seu sucesso.

 3) Brasil

O regime de metas de inflação foi implementado em meados de 1999, no que diz respeito à escolha das metas, dos intervalos de variação e do índice que mediria a inflação, e em que pesem os grandes desvios observados em relação às metas inicialmente traçadas em alguns anos, notadamente em 2002 e 2003, de um modo geral a iniciativa foi bem-sucedida, seja porque ela permitiu enfrentar situações adversas – como as desvalorizações de 1999 e 2002 – com custos moderados em termos da evolução do produto e da própria inflação –, seja porque, levando em conta a meta de 2006 – de 4,5% – a expectativa de mercado – muito próxima disso – sinaliza que a autoridade monetária goza de confiança, uma vez que a inflação esperada não difere substancialmente da meta estabelecida.

Atualmente o COPOM trabalha com o conceito de meta ajustada, em que, à meta preestabelecida pelo CMN, adicionam-se os impactos inerciais da inflação do ano anterior e o efeito primário dos choques de preços administrados por contrato e os preços monitorados.”

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22 Respostas to “ECEC G – Países que adotam Metas de Inflação”

  1. Caio Augusto de Oliveira Rodrigues - ECEC Says:

    O post apresenta uma visão ampla dos países que se utilizam do regime de metas de inflação como âncora nominal. Interessante observar que, antes da implantação dessa âncora, os três países melhor descritos apresentaram um processo de “desinflação” que deu base e sustentação para que fosse possível implementar, com confiança, as metas. Essa confiança advém principalmente do tratamento que o governo oferece quando se fala de inflação, cuja proxy seria, em palavras, o quanto as expectativas de mercado sobre a inflação se distanciam tanto da meta estabelecida quanto do que for divulgado por fontes oficiais.
    Encontrei um infográfico interessante na UOL que mostra o comportamento que os governos brasileiros dos últimos 40 anos tiveram com a inflação. O destaque é para o período 1995-2004, onde o texto fala da existência de certos sacrifícios que seriam necessários a manutenção de patamares próximos a meta. Ainda com esses sacrifícios, tivemos neste período um pico de inflação de 22,4% em 1995 (nada próximo da média de 89,46% ao ano entre 1975 e 1984 [com pico de 215,3% ao ano em 1984] e menos próximo ainda da média de 1024,47% ao ano entre 1985 e 1994 [com pico de 2477,1% ao ano em 1993]). Segundo o infográfico, não estariam sendo realizados, nos dias atuais, esforços suficientes para manter a inflação dentro da meta, o que de certa forma diminuiu a confiança do mercado sobre a atenção das instituições monetárias a este tópico e, além disso, teria sido responsável por interromper a melhora do quadro inflacionário. De qualquer maneira, não acredito que a inflação esteja descontrolada, uma vez que, observando-se a última década do infográfico (2005-2014), vemos que o máximo encontrado é de 6,5% em 2014 (o que na década atual só esteve neste mesmo nível superior em 2011), e que nas três décadas anteriores a esta, os menores níveis encontrados ainda assim são muito próximos do que hoje costuma ser considerado “fora de controle”: 5,2% ao ano em 1997 e 6% ao ano em 2000 – e, em todos os outros anos (exceto por 1998, que apresentou 1,7% ao ano), os índices foram superiores aos que temos atualmente.
    Infográfico: Quatro décadas de inflação no Brasil http://www1.folha.uol.com.br/infograficos/2014/06/84319-quatro-decadas-de-inflacao-no-brasil.shtml

  2. Amanda Rodrigues Galhardo - ECEC Says:

    Os defensores do regime de metas de inflação acreditam que ele desempenha basicamente duas funções: serve como elemento de coordenação de expectativas dos agentes econômicos, e funciona como mecanismo de transparência para a condução da política monetária, auxiliando na redução das incertezas. Para Mishkin, uma alta inflação dificulta a decisão de poupança de longo prazo e de investimento, aumentando assim a volatilidade dos preços. Após vários anos de elevado crescimento econômico, a década de 80 foi marcada pela conjunção de dois fatores: forte queda da taxa de crescimento da economia brasileira e grande aumento da taxa de inflação, situação que se estendeu durante a primeira metade dos anos 90, e que levou à adoção de sete planos de estabilização em menos de dez anos. Hoje há consenso na sociedade sobre as vantagens da estabilidade de preços, condição necessária para que possa haver crescimento autossustentado. Além disso, no médio e longo prazos, maior inflação cria ambiente desfavorável aos investimentos e penaliza as camadas mais pobres da sociedade, promovendo concentração de renda. Vale adicionar que os principais bancos centrais do mundo adotam, de forma implícita ou explícita, a estabilidade de preços como principal objetivo da política monetária.No início de março de 1999, em ambiente ainda marcado pela incerteza quanto ao impacto da desvalorização do real sobre a inflação, o governo brasileiro anunciou a intenção de passar a conduzir a política monetária com base num arcabouço de metas para a inflação. O Brasil adotou formalmente o regime de metas para a inflação como diretriz de política monetária em junho de 1999. Em 30 de junho de 1999, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu o índice de preços de referência e das metas para a inflação para 1999 e para os dois anos subsequentes. A meta para a inflação brasileira foi então definida em termos da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por ser mais abrangente que outros índices ao consumidor e o utiliza a taxa Selic como instrumento primário de política monetária.

  3. Mariana V. Cunha - ECEC Says:

    De acordo com Mishkin (2000), o regime de metas de inflação é caracterizado por cinco elementos principais, são eles:O anuncio público de um número como meta para a inflação, comprometimento institucional de que a estabilidade dos preços será o primeiro objetivo da política monetária, ao qual os outros objetivos estarão subordinados, muitas variáveis, e não somente os agregados monetários ou a taxa de câmbio, são levadas em conta na decisão de estabelecer os instrumentos de política monetária para o alcance da meta, aumentar a transparência da política monetária através da comunicação com o público e com o mercado sobre os planos, objetivos e decisões das autoridades monetárias, aumentar a responsabilidade do Banco Central com o alcance de tal objetivo, isto significa que o Banco Central paga um alto preço se adotar uma política arbitrária que leve a uma alta inflação.
    Desta forma, os investidores conhecem qual a taxa de inflação que o Banco Central considera para os próximos anos e assim podem prever mais facilmente a taxa de juros para seus investimentos. Com isso o regime de metas de inflação gera uma maior estabilidade econômica.
    No Brasil, destaca-se a adoção, pelo Decreto 3.088, em 21 de junho de 1999, da sistemática de metas para a inflação como diretriz de política monetária. Desde então, as decisões do Copom passaram a ter como objetivo cumprir as metas para a inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional. Segundo o mesmo Decreto, se as metas não forem atingidas, cabe ao presidente do Banco Central divulgar, em Carta Aberta ao Ministro da Fazenda, os motivos do descumprimento, bem como as providências e prazo para o retorno da taxa de inflação aos limites estabelecidos.
    A maior parte dos bancos centrais utiliza a taxa de juros de curto-prazo como instrumento principal de política. Assim, o regime de metas para a inflação brasileiro utiliza a taxa Selic como instrumento primário de política monetária.
    A introdução das metas de inflação, seguiu o seguinte caminho: a introdução do regime de câmbio flutuante em 1999 e, num primeiro momento, a desvalorização acentuada do real, a adoção do regime de metas para a inflação em julho do mesmo ano contribuiu para estabilizar a inflação. Desde a adoção do regime de metas, a inflação efetiva ultrapassou o intervalo de tolerância em 2001, 2002 e 2003. Em 2004, 2005, 2008, 2010, 2011, 2012 e 2013, o IPCA ficou acima do centro da meta, mas dentro do limite superior do intervalo de tolerância, tendo ficado abaixo do centro da meta em 2006, 2007 e 2009.

  4. Juliana Costa de A. Abissamra - ECEC Says:

    Achei uma pesquisa empírica muito interessante, que mensura qual o impacto que o regime de metas de inflação tem sobre o Desemprego, utilizando um corte transversal de países em desenvolvimentos e emergentes. A pesquisa abordava o intervalo de 1985-2005.
    Um regime de metas de inflação utiliza a taxa de juros nominal como um instrumento de política e a demanda agregada é o canal de transmissão da política monetária. No lado real da economia, as conseqüências desta política são duas. Por um lado, a adoção de um regime de política monetária pode ter efeitos indesejáveis sobre o mercado de trabalho. A inflação pode ser trazida para perto da taxa meta, mas à custa de maior desemprego e de menor crescimento econômico. Por outro lado, a estabilidade dos preços alcançada pode vir a reduzir incertezas e criar um ambiente econômico favorável para o consumo e o investimento.
    A evidência empírica é que em média, os países que adotaram o regime de metas de inflação foram capazes de reduzir a taxa de desemprego em cerca de 5 por cento no período pós-vigência do regime de metas em relação àqueles que não adotam o regime de metas. Mas, vale ressaltar, que não houve diferença significativa na volatilidade do desemprego entre os dois grupos de países.

    fonte: http://www.ipc-undp.org/pub/port/IPCOnePager74.pdf

  5. Patricia Mendonça De Angelis - ECEC Says:

    Encontrei esse artigo que compara os resultados da utilização de metas de inflação em vários países. Alguns dos resultados apresentados são: uma menor volatilidade da taxa de inflação nos países que adotaram a o regime de metas de inflação em relação a volatilidade nos países em geral, tanto no grupo dos desenvolvidos quanto no grupo dos em desenvolvimento (o que contribui para uma maior estabilidade de preços); um desempenho superior da atividade econômica nos países que adotaram o regime; uma maior volatilidade da taxa de desemprego do grupo dos países, desenvolvidos e em desenvolvimento, que adotam o sistema de metas inflacionárias.

    http://www.usp.br/prolam/downloads/2005_2_1.pdf

  6. Beatriz Mendonça Félix - ECEC Says:

    O regime de metas de inflação tem sido considerado por muitos como a melhor estrutura de regime monetário já implantado por um país, ao permitir resultados mais satisfatórios em relação a performance macroeconômica. Assim, precisa-se de um Banco central com boa credibilidade nesse processo de convergência da inflação para sua meta estipulada, ao exercer o importante papel de reduzir as expectativas dos agentes econômicos a um custo menor. A alternativa do regime de metas de inflação possibilita a utilização do câmbio flutuante traz os benefícios decorrentes da possibilidade de ajustes na taxa de juros. Possibilita um controle estreito e visível da âncora e é prontamente compreendido pelos agentes,altamente transparente e permite a discricionariedade na administração da política monetária. A partir da década de 1990, podemos ver vários países adotando tal método visando a manutenção da estabilidade dos preços. A Nova Zelândia foi o primeiro país a assumir formalmente este regime, no ano de 1990, seguida por Canadá e Chile em 1991, dentre outros, assim como o Brasil, em 1999, como estratégia político-monetária para conduzir as expectativas inflacionárias dos brasileiros após o abandono do já insustentável câmbio fixo.

  7. sssantosusp Says:

    No trabalho citado pela Patrícia¹ (cujo autor é um dos professores da nossa escola) verificou-se que em ambos os grupos – países desenvolvidos e em desenvolvimento – a adoção do regime de metas de inflação é associada a menor volatilidade da inflação e menor crescimento do produto, entretanto, o custo da estabilidade de preços (em termos de menor crescimento do produto) é maior para países em desenvolvimento.
    Outro trabalho, escrito por Masson et. al. (1997), apresenta duas características necessárias para que se alcance sucesso sob um regime de metas de inflação, a saber: i) é necessária que o arcabouço institucional do país permita que a política monetária seja executada de forma independente, em especial, não deve haver dominância fiscal² e ii) a estabilidade do nível geral de preços deve ser o objetivo essencial da política monetária, dessa forma, a autoridade monetária deve evitar se comprometer com qualquer outra âncora nominal.
    Gostaria de poder concluir dizendo se o contexto institucional brasileiro é ou não condizente com o regime de metas de inflação, entretanto, notei que este é um tema que exige uma análise aprofundada e que responder esta pergunta esta fora do escopo desta atividade.
    Aos colegas que se interessarem por esta questão, indico o trabalho de Ázara (2006) que realizou um teste de dominância fiscal (originalmente proposto por Blanchard em 2004) e verificou que, segundo a descrição do modelo, o Brasil encontrava-se em situação de dominância fiscal em 2004.

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    ¹BIONDI, R. L.; TONETO Jr, R. O Desempenho dos Países que Adotaram o Regime de Metas
    Inflacionárias: uma Análise Comparativa, Cadernos PROLAM/USP, ano 4, vol. 2, 2005,
    p. 07-31.
    ² Situação na qual a política fiscal é exógena e então a política monetária é condicionada a restrição orçamentária do governo.

    Referências

    Masson, Paul R., Savastano, Miguel A. and Sharma, Sunil. “The Scope for Inflation Targeting in
    Developing Countries,” IMF Working Paper 97/130, October, 1997

    ÁZARA, Alexandre. Dominância fiscal e suas implicações sobre a política monetária no Brasil: Uma análise do período 1999-2005. São Paulo: Escola de Economia – FGV, 2006.

  8. Fernanda Dandaro - ECEC Says:

    Nos dias de hoje, a política monetária mundial passa por grandes mutações e questionamentos, enfrentando um cenário, onde a política fiscal realizada para estimular a economia, é restrita e não está sendo eficaz.
    O regime de metas de inflação é adotado pelo Brasil e por mais 26 países ao redor do mundo, e foi considerado, por muitos especialistas, como a melhor alternativa de política monetária durante a crise. Contudo, esse sistema tem sido criticado, chegando a ser apontado como um dos causadores da crise de 2007-2008, por influenciar, para um determinado foco, o comportamento dos consumidores a respeito dos preços.
    Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Jeffrey Frankel, professor de Havard e ex-membro do Conselho de Assessores Econômicos dos EUA, defendeu que o regime de metas de inflação foi útil para os mercados emergentes, como o Brasil, principalmente por estabilizar as expectativas de inflação, mesmo após as crises dos anos 90.
    Como alternativa para esse regime, que muitos dizem estar no fim, surge um regime baseado em metas para o Produto Interno Bruto (PIB) nominal. Essa ideia é levantada num ambiente de alto desemprego e economia estagnada, em que a adoção de meta para o PIB nominal poderia amenizar os choques da oferta, segundo Frankel.
    Achei também uma entrevista muito interessante, falando um pouco mais sobre a meta de PIB nominal, para quem se interessar: http://www.valor.com.br/cultura/3074126/o-defensor-de-metas-do-pib-nominal

    Fonte: http://www.valor.com.br/brasil/2993962/regime-de-metas-de-inflacao-e-alvo-de-criticas

  9. Gabriela Batista Says:

    Como já explicado pelo grupo no post, o regime de metas de inflação caracteriza-se como um regime monetário, no qual o banco central se compromete a atuar de forma a garantir que a inflação efetiva esteja de acordo com a meta pré-estabelecida e anunciada publicamente. Como também já explicado, os sistemas de metas de inflação não são exatamente o mesmo em todos os países, sendo que a maioria dos países indica apenas a meta central na qual o Banco Central pretende fixar a taxa de juros básica. No Brasil, o regime de metas para inflação utiliza a taxa Selic como instrumento primário e estabelecem um intervalo de tolerância, sem meta central. O COPOM que estabelece as metas para a Selic e cabe ao Banco Central manter a Selic diária próxima desta meta. Fazendo uma analise da evolução da inflação no Brasil desde a adoção do regime de metas de inflação, podemos notar que a inflação efetiva foi maior que o esperado entre os anos de 2001 e 2003. Nos anos seguintes, podemos notar que a inflação ficou dentro do limite do intervalo de tolerância, tendo ficado abaixo apenas nos anos de 2006, 2007 e 2009. Para os anos de 2014 e 2015, a meta central do BC para fixar a taxa de juros básica, seria de 4,5%. Porem, o intervalo de tolerância esta entre dois pontos para cima ou para baixo, podendo ficar o IPCA em ate 6,5% e a meta ainda ser cumprida. Esta postura de se tolerar inflação, acaba resultando em falta de credibilidade do BC, pois a inflação esta sistematicamente acima da meta estabelecida, deixando de ser temporário. Nos últimos quatro anos, por exemplo, tivemos a inflação próxima a 6%, bem acima da meta de 4,5%, gerando, assim, descredito para o sistema brasileiro.

  10. Naíma Meiado - ECEC Says:

    O Brasil é um dos países que adotam metas de inflação. O link a seguir possui um gráfico que mostra a trajetória da inflação nesse país, tendo como referencia sua meta e podendo ser observados os limites superiores e inferiores. Desde 2004, o Banco Central tem estado dentro dos limites, oscilando para cima e para baixo da meta em si.

    Um fato desconhecido por alguns é que como as taxas de inflação estão sujeitas a diversos fatores e entre esses existem alguns fora do controle da política monetária, o sucesso das metas de inflação não deve ser julgado apenas pelo cumprimento dos alvos da inflação. Por esse motivo, muitas economias que optam por metas de inflação utilizam um recurso especial, as cláusulas de escape. Elas permitem uma boa avaliação das condutas do banco central, e podem evitar os grandes impactos da política monetária. O problema é que existe um trade-off na adoção desse recurso. As cláusulas de escape podem afetar a credibilidade do regime, uma vez que sinaliza que a autoridade monetária será fraca a algumas pressões inflacionárias.

  11. Wenderson de Moraes Pizzo - ECEC Says:

    O Peru é outro exemplo de país que adota o regime de Metas de Inflação, onde a meta de inflação é de 2% a.a, e os responsáveis pela meta são: Banco central /consulta ao governo. O primeiro ano de adoção do regime de metas de inflação foi no ano de 1994. No ano de 2013, a inflação no Peru foi de 2,86% a.a.,mas ficou dentro da meta máxima que é de 3%. As causas do aumento da inflação em relação ao ano de 2012, foi graças aos aumentos nos preços da gasolina, educação, peixe, refeições fora de casa e da energia elétrica como revelou o ENEI.
    Fonte:
    http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,peru-cpi-sobe-2-86-em-2013-e-fica-dentro-da-meta,1114038
    http://periodicos.uesb.br/index.php/cadernosdeciencias/article/viewFile/1857/1718

  12. Rafael Bussolan Mariano - ECEC Says:

    Os sistemas de metas de inflação são diferentes entre as várias economias no mundo, é o que afirma uma matéria jornalística do G1.Como anunciou o site, em março de 2014, o teto da meta da inflação no Brasil é uma das maiores metas do mundo. Apenas três países apresentam uma inflação meta maiores que o teto brasileiro: Jamaica, Nigéria e Uganda (esses resultados foram obtidos por meio de pesquisas feitas pelo Central Bank News).
    Do texto jornalístico pode-se tirar informações adicionais importantes para entendermos o regime de metas de inflação. Segundo consta, muitas nações acabam indicando somente a meta central que deve ser atingida, enquanto que outras estabelecem um intervalo de tolerância, sem uma meta central, e ainda há aqueles que adotam uma meta central juntamente com um intervalo de tolerância para cima e para baixo do centro (caso Brasileiro). No Brasil, vemos uma grande folga entre os pontos de intervalo, e isso dá uma folga maior para que a meta seja estabelecida. Ainda comparativamente, muitos países trabalham com metas de médio e longo prazos, enquanto que no Brasil a meta é fixada anualmente.
    Segundo Heron do Carmo, professor da USP, em depoimento à reportagem, o sistema de metas do Brasil é incomum, gerando, para o professor, um tipo de “descrédito” para o sistema brasileiro, porque a inflação é próxima de 6% durante quatro anos seguidos (2010 à 2013), o que está acima da meta central fixada.

    FONTE: http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/03/teto-da-meta-de-inflacao-brasileira-esta-entre-mais-altos-do-mundo.html

  13. Ana Luisa Montanari - ECEC Says:

    Uma reportagem interessante, que pode ser conferida na integra no link abaixo, relaciona a política atual no Brasil com o modelo de metas de inflação. Segundo ela, tal modelo pode servir para evitar que a relação não causal entre um crescimento da inflação e um aumento do emprego seja explorada por políticos tanto no curto quanto no longo prazo. Além disso, para que de certo, o regime precisa contar com algumas características como, por exemplo, coordenação entre as políticas fiscal e monetária, credibilidade e independência do Banco Central.
    Na tentativa de evitar alta inflação sem aumento do nível de emprego, vários mecanismos são pensados e dentre eles está o regime de metas de inflação. Esse sistema foi adotado pelo Brasil em junho de 1999 e desde então, seu cumprimento tem sido a principal função do Conselho de Política Monetária (Copom). Em 1990 na Nova Zelândia surgiu um modelo contemporâneo de meta de inflação que só ganhou notoriedade quando a Grã Bretanha utilizou para abandonar o sistema cambial europeu para que a libra esterlina permanecesse fora da zona do Euro. A solução mais comum para cumprir a meta é por meio da taxa de juros. E por norma legal, se ela não for atingida, o presidente do BC é obrigado a divulgar uma carta aberta dando os motivos do descumprimento.
    Outros países também a utilizam: Coréia do Sul, África do Sul, Egito, Austrália, dentre outros.

    Fontes:
    http://terracoeconomico.com/2014/09/02/metas-de-inflacao-funcionam-parte-i/
    http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=2158:catid=28&Itemid=23

  14. Renan Barbosa - ECEC Says:

    Nos anos 90, alguns países da América Latina e Ásia Oriental tiveram uma experiência pouco satisfatória ao optarem por programas de estabilização baseados em âncoras cambiais. Os países emergentes deflagram-se em profundas crises financeiras e foram obrigados a encontrar outras alternativas de âncora nominal. Dessa forma, a estratégia de política
    monetária conhecida como meta inflacionária, já utilizada com sucesso em alguns países desenvolvidos como Nova Zelândia desde 1990, Canadá (1991), Reino Unido (1992) e Austrália (1994), tornou-se uma alternativa atrativa para os países emergentes. O Chile em 1991 foi o primeiro país em desenvolvimento a adotar o regime de metas como estratégia de política monetária, posteriormente outros países como a Polônia (1998), Brasil (1999), México (1999) e África do Sul (2000) seguiram essa mesma tendência.Vários autores têm proposto um critério formal para diferenciar o regime
    de metas de outras estratégias de política monetária.

    Segundo Mishkin e como já citado anteriormente em outros comentários, o regime de metas de inflação deve possuir 5 elementos essenciais:

    (i) o anúncio ao público de uma meta numérica da inflação para um ou mais horizontes de tempo;
    (ii) um compromisso institucional assumindo a estabilidade de preços como o objetivo da política monetária, para o quê qualquer outro objetivo está subordinado;
    (iii) o uso de uma estratégia de informação em que algumas variáveis, e não apenas os agregados monetários e a taxa de câmbio, sejam utilizados como parâmetros às decisões envolvendo os instrumentos de política;
    (iv) o aumento da transparência das estratégias de política monetária, por meio da comunicação ao público e aos mercados sobre os planos, objetivos e decisões da autoridade monetária e
    (v) o aumento da responsabilidade do Banco Central em atingir os alvos inflacionários pré-estabelecidos.

    http://www.usp.br/prolam/downloads/2005_2_1.pdf

  15. Lenise Gonçalves- ECEC Says:

    A âncora de meta de inflação é a determinação por parte do Bacen de uma meta diretamente para a inflação futura. Aqui é preciso haver clareza dos regimes do Bacen para que as expectativas do público e do Bacen sejam próximas, para que isso ocorra é necessário que haja informações sobre as metas de médio prazo, transparência na política (por exemplo, através da divulgação das atas das reuniões), accountability por parte do Bacen. Uma vantagem é a que aqui também o câmbio responde a choques externos; e uma desvantagem é o produto no CP terá muita volatilidade. No caso do Brasil, após o plano real utilizou-se a âncora cambial, e depois de 99, meta de inflação.
    Sobre a implementação do regime de metas de inflação nos países achei uma figura interessante (relatando os anos e outras características de alguns países que utilizam metas de inflação): http://brasildebate.com.br/wp-content/uploads/tabela-meta-de-infla%C3%A7%C3%A3o.jpg
    Vale ressaltar que no Brasil e em muitos outros países a meta de inflação é estabelecida entre o governo e o Bacen; em outros, como países do leste europeu e da América Latina é o Bacen que define a meta; já na África do Sul, Noruega e Reino Unido é o governo que decide.

    http://brasildebate.com.br/uma-avaliacao-do-regime-de-metas-de-inflacao/
    http://terracoeconomico.com/2014/09/02/metas-de-inflacao-funcionam-parte-i/

  16. Mirian Wawrzyniak Says:

    A busca por uma âncora nominal para os preços está ligada ao desenvolvimento da teoria macroeconômica. Um dos mais fortes argumentos à respeito da adoção do regime de metas de inflação é de que ele provê uma boa âncora nominal e da lugar a um balanço institucional entre a independência necessária para que a política monetária da autoridade monetária seja crível com o compromisso a algumas regras pré-estabelecidas. Ao ajustar seus instrumentos na persecução das metas o banco central se defronta com custos sociais tais como volatilidade de câmbio e taxa de juros e desempenho do produto. A forma como a governança do regime de metas é institucionalizada tem efeito sobre a forma e a frequência com que os instrumentos monetários são utilizados pelos bancos centrais.

  17. Leonardo de Vitto - ECEC Says:

    Segundo o sistema de Metas de Inflação como regra para política monetária, temos que a função básica do Banco Central e da política monetária é o cumprimento da meta estipulada pelo Conselho Monetário nacional, que utiliza como instrumento essencialmente a taxa de juros, que por meio de seus impactos sobre a demanda, influencia na inflação. Ou seja, quando a inflação encontra-se acima da meta o Copom eleva a taxa de juros, e quando está abaixo da meta o Copom reduz a taxa de juros (devemos sempre lembrar que tal alteração na taxa de juros não é feita de maneira direta, o BC deve interferir no mercado via operações de Open Market, alterações na Taxa de Redesconto da liquidez ou nas reservas de compulsório, assim causando o efeito desejado na taxa de juros), esta relação entre taxa de juros e inflação é denominada Regra de Taylor.
    Tal regime é considerado um dos mais eficientes, dentre os motivos está a transparência das ações realizadas pelo BC o que torna a leitura do mercado mais fácil no que se refere a flutuação da taxa de juros e consequentemente permite aos agentes anteciparem os efeitos sobre oferta e demanda de títulos e moeda. Como exemplo temos o experimento da Ilha de Lucas, em que as expectativas tornaram-se mais próximas da realidade quando o BC passou para o sistema de metas de inflação, ou seja, ações mais previsíveis.
    Historicamente os países da América Latina, em geral, não tem boa reputação no mercado externo, então a meta de inflação tornou o mercado de certa maneira mais previsível, o que nos permitiu recuperar um pouco da credibilidade financeira. Atualmente logo após a reeleição, uma das primeiras ações do BC foi aumentar a taxa de juros a fim de retomar a credibilidade do regime de meta de inflação, pois com tal atitude os agentes percebem que o governo está disposto a manterá inflação sobre controle.

    Gremaud, Amaury Patrick, Marco Antonio Sandoval de Vasconcellos, and Rudinei Toneto Jr. Economia brasileira contemporânea. Atlas, 2002.

  18. Ana Elisa de Oliveira Krugner Says:

    Como podemos notar, essa âncora nominal é um instrumento bastante importante para a regulação da economia no sentido de minimizar as possíveis flutuações inesperadas de preços. No médio e longo prazos, a alta inflação cria ambiente desfavorável aos investimentos e penaliza as camadas mais pobres da sociedade, promovendo
    concentração de renda, por isso a importância dessa política. Achei interessante o exemplo de outros países que saíram de períodos de desinflação e escolheram esse instrumento para prever possíveis cenários e organizar a economia. Todo mês de junho o Banco Central divulga quais as metas para a inflação conforme podemos observar no site: http://www.bcb.gov.br/?METASNORMA.

  19. Laura Nart Says:

    Gostei muito do post dessa semana e achei interessante o grupo falar sobre como funciona em alguns países como o Brasil, o Chile e a Nova Zelândia.
    Mishking alega que um alto índice de inflação tem um impacto na volatilidade dos preços, deixando eles mais propensos a variações, uma vez que torna mais dificil a decisão de investimento e de poupança dos indivíduos. O regime de metas de inflação é usado no Brasil e em outros 26 países do mundo e é considerado a melhor alternativa de política monetária durante crises, mas de uns tempos pra cá, como o regime influencia o comportamento de como os consumidores se comportam a respeito dos preços, ele tem sido apontado como possível causador da última grande crise mundial de 2008.
    Acredita-se que esse regime de metas de inflação tem duas funções: coordenar expectativas dos agentes econômicos e garantir transparência na execução da política monetária, diminuindo incertezas.

  20. Julia Balieiro - ecec Says:

    Encontrei uma reportagem interessante sobre os limites das metas de inflação na Carta Capital. Este, na minha opinião, foi o trecho de maior impacto, porém seria legal se derem uma lida na reportagem toda!
    “Na opinião do economista do Bank of International Settlements, a questão central reside nas limitações da política monetária, enclausurada nas metas de inflação, diante inclinação dos sistemas financeiros em desatar movimentos pró-cíclicos – Enquanto o sucesso da luta contra a inflação foi extraordinário, o mesmo não pode ser dito da estabilidade financeira. Desde a liberalização do início dos anos 80, observamos flutuações cada vez maiores na expansão do crédito e no preço dos ativos. Esses fenômenos desencadearam crises financeiras com consequências materiais para a economia real.”

    http://www.cartacapital.com.br/economia/os-limites-das-metas-de-inflacao

  21. Vladimir - ECEC Says:

    Pesquisando, achei interessante notar que o Brasil vem desde 2005 apresentando meta de inflação de 4,5%, sendo que a última vez em que a inflação esteve mais próxima do centro do que do teto foi em 2009, provavelmente por causa da crise de 2008. Desde então, a inflação tem estado mais próxima do teto, podendo fechar este ano no limite ou até um pouco acima do teto. Apesar de ser importante fazer políticas expansionistas para manter o crescimento do produto e o nível de emprego durante épocas de crise, os investidores podem acabar incorporando em suas expectativas que o governo não persegue mais o centro da meta e sim algo próximo do teto, o que coloca em risco a credibilidade. O aumento dos juros anunciado pelo Banco Central após as eleições foi uma tentativa de sinalização de que o governo pretende manter um compromisso com a meta da inflação e a estabilidade monetária.

  22. Gabriel Besbati Says:

    Colaborações Contabilizadas.


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