ECO R – Outras Âncoras Nominais

 

“Âncoras nominais são restrições que tem como objetivo estabilizar o nível de preços a um valor determinado, tendo como objetivo evitar que o BACEN se comporte de maneira inconsequente que ocasione problemas inflacionários. Pode-se usar alguns elementos econômicos como ancoras nominais, por exemplo: Taxa de Câmbio, Agregados Monetários, Inflação e o PIB nominal.

A utilização de agregados monetários como ancora nominal é fundamentada na escola monetarista de Friedman, tendo sua maior aplicação nas décadas de 70 e 80. Tal estratégia pressupõe três pontos principais: 1)Confiança na informação transmitida pelos agregados monetários; 2)Anuncio de metas ara os agregados monetários para criar expectativas do publico quanto à inflação; 3)Presença de um veiculo para o acompanhamento da eficácia da politica monetária.  Para que o regime de metas monetárias funcione o crescimento monetário e as variáveis (PIB nominal) devem estabelecer uma relação segura e confiável.

O PIB nominal também pode ser utilizado como âncora nominal através do estabelecimento de uma taxa de crescimento para este, sendo necessário um comprometimento da autoridade monetária para alcançar essa meta. As desvantagens desse tipo de âncora é que a previsão de uma taxa de crescimento do PIB é muito imprecisa, além do fato de sua publicação não ser muito rápida, já q necessita da mensuração de dados relativos tanto a quantidades como a preços. Tal estratégia é vista por alguns economistas, segundo Mishkin (1997), como sendo mais eficiente na produção de resultados econômicos do que a estratégia de metas de inflação.

Existe ainda a politica do Just do it, sendo o caso conhecido de maior sucesso de tal politica monetária sendo os EUA nos anos 90. Essa estratégia consiste que o banco central esteja com o radar ligado para as surpresas que podem vir a acontecer (forward-looking) e esteja apto a combatê-las antecipadamente (pre-emptive monetary police). Isto é necessário pois existe uma defasagem na implementação da politica monetária, sendo preciso no caso dos EUA  um ano para que a politica monetária afete o produto e dois anos para ter impacto sobre a inflação. A principal desvantagem dessa estratégia é a alta dependência dos indivíduos por parte da politica monetaria

 

http://www.unifae.br/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v6_n1/01_miguel.pdf

http://www.infomoney.com.br/mercados/eleicoes/noticia/3627260/arminio-chama-politica-atual-esdruxula-mantega-lembra-inflacao-descontrolada” 

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6 Respostas to “ECO R – Outras Âncoras Nominais”

  1. Augusto Rodrigues Simonetti Says:

    Desconhecia até o momento a política do Just Do It, em que não há uma âncora nominal explícita. Acredito que esta política, quando adotada, requeira extremo compromisso, transparência e qualidade na tomada de decisão pelo Banco Central em relação à expectativa aos agentes, dada a flexibilidade e abrangência do conjunto de ações que o Banco Central pode tomar.

    Interessante notar também o tempo necessário para que mudanças na política monetária afetem o produto e a inflação.

    No texto que li sobre o assunto, cujo link está abaixo, as autoras analisam vantagens e desvantagens de alguns tipos de âncoras nominais.
    No que diz respeito à escolha pela âncora nominal de agregados monetários, as autoras defendem que a maior dificuldade desse tipo de âncora reside no fato de que é quase impossível prever a demanda por moeda após a estabilização do crescimento da oferta da mesma.
    A fixação de uma meta muito restrita de crescimento da oferta monetária tende a elevar as taxas de juros, atraindo capital para o país. Como estes fluxos não podem ser monetizados, sob o risco de violar a meta monetária, acabam por valorizar a moeda doméstica, gerando déficits na balança comercial.
    Por outro lado, se a meta for muito frouxa, a autoridade monetária perde credibilidade e, o que é ainda mais grave, tende a sancionar os aumentos de preços provocados pelo resíduo inflacionário.
    A vantagem da âncora de agregados monetários é permitir que a taxa de câmbio acomode os choques dos termos de troca sobre a economia.

    http://www.eco.unicamp.br/docprod/downarq.php?id=428&tp=a

  2. Marina Ribeiro Says:

    Assim como mostrado no link sugerido pelo grupo (http://www.unifae.br/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v6_n1/01_miguel.pdf) e aprendido em aula, um dos métodos de combate à inflação é a âncora nominal.
    Como vimos, há diversos tipos de âncoras nominais e cada uma delas possui vantagens e desvantagens.
    O texto deixa claro que ao se escolher qual tipo de âncora nominal adotar, deve-se levar em consideração as condições vigentes no momento da implementação, pois isto está amplamente relacionado com o sucesso ou não da estratégia escolhida.
    O autor cita que, no longo prazo, parece haver uma vantagem do regime de metas de inflação. o argumento é que tal regime possui certas vantagens sobre os outros tipos de âncoras nominais. Por exemplo: em relação aos agregados monetários a não dependência da relação velocidade-renda da moeda e em relação ao PIB nominal, a maior rapidez e facilidade de acompanhamento dos resultados da política econômica.

  3. Gustavo Pereira da Costa Says:

    Complementando o post do grupo, gostaria de expor um pouco mais sobre âncoras cambiais.
    A âncora cambial busca fixar o valor da moeda em algum valor de uma divisa (Moedas de países de economia forte e estável), como o dólar. Há também quando o valor é fixado em alguma commodity, como foi no caso da época do Padrão-Ouro.
    Ao contrário da âncora nominal, a âncora cambial é de maior entendimento do público. E também, se a âncora for crível, a expectativa de inflação doméstica tende a ser próxima da taxa de inflação da economia da divisa. Porém, um dos pontos fracos é que o país é mais sujeito a choques externos. E usando nossa história como ilustração, esses choques são amortecidos através da elevação da taxa de juros (Crise Asiática e Russa em 1997~98 quando os juros foram acima de 40%) e também, usando dessa âncora, o país é mais suscetível a ataques especulativos.

  4. Tiago Abdalla Salvagni Says:

    Expandindo um pouco, com o uso da política do Just Do It é menor o fornecimento de informações aos agentes, o que aumentaria a incerteza e criaria instabilidade.
    Outra desvantagem seria que o sucesso da estratégia dependeria muito dos indivíduos. Os bons resultados da política nos EUA seria causada pela competência dos técnicos do FED. Claramente o sistema seria dificilmente aplicado no Brasil já que, como o staff do BC é escolhido através de interesses políticos, não é garantida a competência ou que não existirão pressões políticas.

  5. Angelica Mendes - Economia. Says:

    Parabéns ao grupo. Gostaria de acrescentar que, de acordo com o o referencial teórico : http://www.unifae.br/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v6_n1/01_miguel.pdf
    Alguns economistas, como Mishkin (1997), chegam a apresentar simulações sugerindo que políticas direcionadas para a estabilização do crescimento do PIB são mais efetivas do que o inflation target na produção de resultados econômicos, devido à dificuldade de previsão e de controle da inflação.
    Achei interessante quando ele contrapões esta idéia, mostrando as principais desvantagens do uso do PIB nominal em comparação com a inflação:
    1) em um regime de metas para o PIB nominal, o banco central é obrigado a anunciar uma estimativa para a taxa de crescimento potencial do PIB real. Ocorre que a estimativa deste, além de variar substancialmente com o tempo, é altamente imprecisa, mesmo em retrospecto (BERNANKE et al., 1999);
    2) A inflação é muito melhor compreendida pelo publico do que o PIB nominal;
    3) Informações sobre a inflação são mais periódicas do que do PIB, que depende de fatores como quantidades e preços.

    Estes tópicos deixam mais claro as vantagens do uso da meta de inflação como ancora nominal em detrimento do PIB nominal.

  6. Gabriel Besbati Says:

    Colaborações Contabilizadas.


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