ECEC E – Outros exemplos de Âncora Nominal

 

Âncoras nominais são definidas como restrições sobre a moeda doméstica que se impõem sobre a política monetária de modo a fixar o nível de preços a um valor específico. Ela pode contribuir para acelerar a queda da inflação além de reduzir os custos sociais da política anti-inflacionária. Possuem o propósito de evitar que o banco central atue de forma errática ou irresponsável que levaria a condições que resultariam em inflação e algumas consequências prejudiciais.

Existem 3 tipos de âncora nominal: regime cambial, metas de inflação e meta monetária. O primeiro regime já foi abordado no Post anterior, e por isso esse Post foca nos dois outros tipos.

O regime de metas monetárias ocorre quando se fixa o estoque de moeda ou definem-se regras rígidas de expansão dos agregados monetários, elas só funcionam se existir confiança nas informações transmitidas da condução da política monetária (caso elas consigam guiar as expectativas inflacionarias do público), se for criado algum mecanismo de responsabilidade para eliminar desvios da meta monetária e por fim, se a taxa de câmbio for flexível não podendo existir dominância fiscal.

Temos como exemplo empírico de meta monetária o caso dos Estados Unidos 1979-82. O FED adotou, em resposta aos altos índices de inflação, novos procedimentos operacionais que possibilitavam o maior controle sobre a oferta monetária e ao comprometimento em cumprir as metas de expansão monetária. O resultado dessa nova política foi a alta da taxa de juros que levou a recessão econômica e a uma apreciação cambial. Tamanho controle monetário e a forte apreciação cambial teve como consequência simultaneamente a queda da inflação e um alto índice de desemprego caracterizando a pior recessão da economia americana desde a Grande Depressão. Em 1982, aliado a uma política fiscal mais tolerante o FED adotou uma política monetária mais expansiva, abandonando seus compromissos com as metas monetárias, o que possibilitou a recuperação da economia americana juntamente com uma taxa de inflação descendente como é possível observar no gráfico abaixo.

 ecec e 1

Metas de inflação podem ser definidas pelo anúncio oficial de uma banda para a flutuação das taxas de inflação e reconhecimento de que o principal objetivo da política monetária deve ser uma taxa de inflação baixa e estável. Dessa forma ela tem como princípio a neutralidade da moeda no longo prazo, além de ser assumido que as metas inflacionárias aumentam a comunicação com o público sobre os planos e objetivos das autoridades monetárias, e por conseguinte acabam gerando o aumento da responsabilidade do banco central. O funcionamento dessas metas depende de alguns elementos como por exemplo: anuncio público para a inflação, compromisso público da política monetária para a estabilidade de preços, dentre outros.

No caso do regime de metas de inflação podemos utilizar como exemplo a Nova Zelândia. Em 1989, sendo a pioneira nesse tipo de regime, esse país determinou a estabilidade de preços via fixação de metas econômicas. A figura a seguir mostra a queda e a maior estabilidade da inflação quando o regime passou a ser utilizado:

ecec e 2

Os bons resultados obtidos com a utilização dessa âncora na Nova Zelândia deve-se ao grande desejo de transparência pelo banco central. Nesse país, se houver um desvio de 25% da taxa de inflação anunciada o presidente do banco central poderá ser demitido por justa causa.

Referencias:

http://www.unifae.br/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v6_n1/01_miguel.pdf

https://professorgilmar.files.wordpress.com/2009/12/conceito-2-ancoras-nominais-e-metas-de-inflacao-no-brasil.pdf

http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/70/000065119.pdf?sequence=1

http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/70/000065119.pdf?sequence=1

http://www.cepea.esalq.usp.br/pdf/Cepea_monografia_Fabiana.pdf

 

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27 Respostas to “ECEC E – Outros exemplos de Âncora Nominal”

  1. Mariana V. Cunha - ECEC Says:

    Nos anos 70, o cenário de inflação e recessão motivou o surgimento de várias teorias para combater a inflação sendo a mais importante aquela que pressupõe o uso da chamada âncora nominal. Esta permite que o BACEN faça política monetária tanto restritiva quanto expansionista. Se não houver uma âncora poderá, por exemplo, no fim de um mandato político, uma política monetária expansionista para aumentar o produto acima do potencial, e como consequência aumentar a inflação. O Brasil adotou o sistema de âncora cambial de meado de 1994 até o inicio de 1999, depois desse período foi adotado o regime de metas de inflação. Uma das maiores vantagens deste último sistema talvez seja a redução da pressão dos políticos para que o banco central exerça políticas monetárias inflacionárias com objetivos eleitorais e a principal critica é que o controle inflacionário sendo o principal objetivo do banco central, provoca críticas de que este sistema tem poucas preocupações com as flutuações no emprego e no produto.

  2. Gustavo Campanholi de Castro - ECEC Says:

    Não se pode afirmar, se uma âncora é melhor que outra, porém estudos mostram particularidades de ambas, pesquisei mais sobre metas de inflação, por ser a âncora nominal mais adotada atualmente, inclusive no Brasil. Na escolha entre uma ou outra âncora, há a necessidade da análise das condições vigentes no momento da implementação, por serem estas determinantes para o sucesso, ou não, da estratégia escolhida. Não seria recomendável, por exemplo, a escolha do regime de metas de inflação em situações de inflação alta e variável. A escolha dessa âncora nominal, traz algumas vantagens sobre as outras, que são as seguintes: maior flexibilidade em relação ao atrelamento do câmbio; a não dependência da velocidade-renda da moeda em relação aos agregados monetários; a maior facilidade e rapidez no acompanhamento dos resultados das políticas econômicas em relação ao PIB nominal.

    http://www.unifae.br/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v6_n1/01_miguel.pdf

  3. Amanda Rodrigues Galhardo - ECEC Says:

    Desde a Teoria Quantitativa da Moeda, a relação entre moeda e nível de preços é objeto de análise no cenário monetário. Vários regimes monetários foram testados a fim de disciplinar o comportamento dos preços. O regime monetário mais utilizado foi o padrão ouro, mas devido a queda do sistema de Bretton Woods, a aplicação desse sistema caiu em desuso. Dessa forma, na busca de estabilizar os preços, o controle dos agregados monetários tornou-se uma prática comum em vários países. Entretanto, a estabilização dos preços através dos agregados monetários não teve total êxito, vários países, principalmente os emergentes, passaram a empregar variantes do regime de câmbio fixo. Nos anos 90, um novo regime de monetário baseado nas metas de inflação se propagou rapidamente, devido a ideia de que os bancos centrais devem ser independentes e que estes possuem a estabilidade de preços como meta natural. O problema de mau gerenciamento da política monetária tem maior impacto quando as âncoras nominais são as metas para taxa de câmbio e agregados monetários, já o regime de metas de inflação representa um avanço para contornar o problema, uma vez que o Banco Central tem liberdade para conduzir a política monetária para a consecução da meta anunciada. Ainda que as metas de inflação apresentem um desempenho superior ao uso das metas de câmbio e agregados monetários, não podemos afirmar que este é o melhor tipo de regime monetário. O regime a ser escolhido por um país depende do cenário macroeconômico que este está inserido.

  4. Beatriz Mendonça Félix - ECEC Says:

    A âncora nominal fornece condições de determinar unicamente os níveis de preço de uma economia, sendo importante para a estabilização de preços. Ademais, a âncora reduz as expectativas de inflação na direção da restrição sobre o
    valor da moeda. Um importante exemplo é a implementação do Plano Real, inicialmente prevaleceu âncora monetária, com Banco Central permitindo livre flutuação do dólar, sendo que influxo de capitais internacional atraído pelo diferencial da taxa de juros provocou uma forte pressão de valorização do real, muito favorável ao plano na medida que aumentava competitividade dos produtos importados. Já no final de 1994, o real dá sinais de valorização excessiva com redução significativa do superávit comercial, Banco Central muda sua forma de atuação passando intervir no mercado de câmbio estabelecendo uma banda informal de R$0,83 R$0,86 por dólar, ao mesmo tempo em que diante das dificuldades em cumprir os limites de expansão monetária o Governo decide revê-los (para cima). Em março de 1995, receoso de comprometer o combate à inflação, o Governo relutou em efetuar desvalorização, até quando finalmente fez assumiu formalmente banda cambial de R$0,88 R$0,93 por dólar. Sendo assim, podemos ver que o Plano Real realmente deu certo na estabilização da inflação esta despencou de 50% ao mês para algo em torno de 2% ao mês.

  5. Mirian Wawrzyniak Says:

    Metas de inflação no Brasil:
    O Brasil adotou essa âncora em 21 de junho de 1999 como diretriz de política monetária, então as decisões do Copom passaram a ter como objetivo cumprir as metas para a inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional. E se as metas não forem atingidas, cabe ao presidente do Banco Central divulgar, em Carta Aberta ao Ministro da Fazenda, os motivos do descumprimento, bem como as providências a serem adotadas e o prazo para o retorno da taxa de inflação aos limites estabelecidos

  6. Caio Augusto de Oliveira Rodrigues - ECEC Says:

    Âncoras nominais são espécies de resposta que temos a uma pergunta que ocorreu em uma das aulas, que foi mais ou menos assim: “Se depois de 1971 [fim de Bretton Woods] não tínhamos mais o padrão-dólar-ouro, o que ancorava os preços da economia?”. Essa estabilidade de preços em uma economia é importante porque permite que o horizonte de planejamento dos agentes se amplie e, além do mais, permite que o sistema de moeda fiduciária continue a funcionar. Isso tudo depende de instituições cujas ações sejam críveis – e uma proxy disso é quando vemos análises de mercado se aproximarem das análises feitas pelo governo dentro de uma mesma economia.
    Uma vez que um regime cambial faz com que o governo perca seu poder de política monetária, que uma âncora baseada em metas monetárias seja de razoável dificuldade para se seguir e também por alguns motivos aqui acima apresentados – a ampliação do horizonte de planejamento dos agentes -, creio que o regime de metas de inflação, dentro das âncoras cambiais discutidas e utilizadas nas economias em todo o mundo, seja o mais adequado para permitir que a economia seja participante de importantes mudanças no país (em todas as esferas, desde a individual até a mais coletiva que existir), e não algo que interrompa ou faça interromper as intenções de quem deseja prosperar em sua atividade.
    Parece ter ficado vago o que acabei de escrever, mas um exemplo prático torna tudo mais claro: uma pessoa que vive em um período de hiperinflação e tem um negócio (ou mesmo trabalha em um) preocupa-se muito mais com o andar dos preços do que deveria caso houvesse uma inflação baixa e estável. Talvez por este motivo o Brasil tenha conseguido alcançar o desenvolvimento que alcançou após a estabilização da inflação com o Plano Real e, posteriormente, com a adoção do regime de metas de inflação no final dos anos 1990.

  7. Gabriela Batista Says:

    Existem críticas importantes de alguns economistas sobre à adoção de uma política de metas inflacionárias a serem cumpridas por Bancos Centrais independentes, usando para tal seus instrumentos de política monetária. A adoção deste regime, não apenas pela Nova Zelândia, mas como, também, pelo Canadá e Reino Unido trouxe bastante inovação nos anos 90. Se um Banco Central possui a capacidade de anunciar metas de inflação e efetivamente manter estas metas, ele passa a ter credibilidade diante a opinião publica e, assim, os agentes econômicos tendem a usar as previsões feitas pelo banco central como parâmetros para reajustes de contratos, por exemplo, aumentando a estabilidade econômica e bem-estar dos cidadãos, devido ao foto de diminuírem as incertezas em relação as taxas de inflação futuras. Porem, a principal critica deste regime consiste no fato de o controle inflacionário ser o principal objetivo do banco central em um regime de metas de inflação, este sistema acaba tendo poucas considerações a respeito de flutuações o emprego e no produto.

  8. Vladimir - ECEC Says:

    É fundamental que um regime monetário tenha uma âncora nominal para garantir o valor da moeda. Assim, a âncora mais utilizada atualmente é o regime de metas de inflação. O Brasil passou a adotar tal âncora no fim dos anos 90 após sucessivas desvalorizações da moeda doméstica (crawling peg) e com o Banco Central gastando enormes quantias de reservas internacionais, o que aumentava as chances do Real sofrer ataques especulativos. Também nesse período a dívida pública indexada ao dólar era muito alta. Tal cenário em conjunto com as sucessivas crises internacionais fez o Brasil adotar o regime de metas de inflação em 1999. Para recuperar a credibilidade, foi durante este período que o Banco Central aumentou a taxa básica de juros para 45% ao ano.

  9. Juliana Costa de A. Abissamra - ECEC Says:

    Pode-se destacar duas principais desvantagens do regime de metas monetárias:
    1. A fim de que este sistema funcione, torna-se fundamental a existência de uma relação forte e segura entre o crescimento monetário e variáveis como: inflação e taxa de crescimento do PIB nominal. Uma vez que esta relação é fraca, vale dizer, se a velocidade é efêmera, o regime de metas monetárias não mais terá um significado confiável. Isto porque o alcance da meta monetária não irá produzir os resultados esperados em termos de taxas de inflação e renda, sendo desta forma completamente inadequado como âncora nominal.
    2. Além disso, o regime de metas monetárias também admite que o banco central pode facilmente controlar os diversos agregados monetários. Entretanto, existem evidências fornecidas por estudos de economia avançados, com este regime, que demonstraram que os bancos centrais controlam “razoavelmente bem” apenas agregados monetários restritos (M1), sendo muito menor a capacidade de controle sobre agregados mais amplos, como o M2 e o M3 (CANUTO, 1999).

  10. Laura Granados - ECEC Says:

    No caso dos Estados Unidos, o regime monetário é diferente dos convencionais. No país, a autoridade monetária tem amplos poderes de adotar as medidas que julga procedente e, alguns autores denominam este regime de just do it. Esta política é similar à de metas de inflação (explícita), porém faz uso da âncora sem o anúncio de metas. O principal argumento na defesa da utilização do just do it é o sucesso que vem sendo alcançado pelos Estados Unidos na manutenção da estabilidade monetária com a utilização da estratégia. Já a principal desvantagem levantada pelo autor são as causas da falta de transparência da política monetária. Isto deixa os formuladores da política monetária mais suscetíveis ao problema da inconsistência dinâmica (viés inflacionário), visto que permitem-se alcançar objetivos de curto prazo às expensas dos de longo prazo. Outro problema sério é a dependência do sucesso econômico à personalidade e capacidade do(s) responsável(eis) pela condução da política monetária, normalmente o presidente do Banco Central.

  11. Wenderson de Moraes Pizzo - ECEC Says:

    Atualmente, o Brasil utiliza o regime de metas de inflação onde a autoridade monetária define uma meta diretamente para a inflação, ou seja, é anunciado ao mercado uma meta quantitativa para a inflação de médio prazo e o Banco Central tem por objetivo atingir essa medida quantitativa. Dessa forma, essa âncora pode ser considerada uma estratégia de informação e o ponto principal para que essa meta seja alcaçnada é se o Banco Central tem credibilidade com o mercado em se comprometer com os requisitos para o alcance da meta, pois se isso não ocorrer esse regime de metas de inflação tende a não funcionar.
    Nos dias atuais, a inflação acumulada dos últimos 12 meses (Soma dos últimos meses a anteriores a outubro de 2014) é de 6,59%, valor que é maior que a meta do Governo, onde o limite máximo preestabelecido é de 6,5% para o período de um ano.

    Fonte:
    http://www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/CCSA/nucleos/NPQV/Participacao_na_V_Semana_da_FCECA/Participacao_na_Vi_Semana_CCSA/roseli_da_silva.pdf
    http://www.efe.com/efe/noticias/brasil/brasil/infla-desacelera-outubro-acumula-alta-anual/3/16/2460117

  12. Joao Nerasti (ECEC) Says:

    Um ponto interessante do regime de metas inflacionárias é que o Banco Central deve deixar bem claro que o seu objetivo é controlar a inflação e devemos lembrar que esta tem correlação positiva com o emprego. Desta forma para que o regime de metas de inflação funcione o BC deve estar fora de vieses politicos (deve ser por isto a forte rigidez na Nova Zelandia) já que controlar a inflação pode gerar desemprego e consequentemente ônus político. Este é o motivo para que alguns estudiosos defendam que esta ancora não deva ser utilizada em países em desenvolvimento uma vez que é mais difícil a autoridade monetária ter autonomia para isto.

  13. Rafael Bussolan Mariano - ECEC Says:

    Resumidamente (sem preocupações com dados empíricos), conforme a própria prof. Roseli nos apresenta em slides (segue link no final do post), âncoras nominais são “restrições sobre o valor da moeda doméstica, necessárias para o sucesso de regimes monetários”, existindo três tipos de âncoras nominais:
    – âncora cambial (já discutida em outros posts)
    – meta monetária: “objetiva tornar a política monetária consistente com objetivos internos”, ajudando a “restringir o problema da inconsistência dinâmica”.
    – meta de inflação: é estabelecida uma meta para a inflação futura
    Apesar de suas vantagens, todas elas apresentam também alguns pontos fracos, ou considerados críticos. Por exemplo, quando se fixa uma meta para a inflação futura esperada, o sucesso dessa ação dependerá muito da credibilidade do Banco Central no comprometimento dos requisitos para com este regime. Ainda, segundo Roseli, “num regime monetário de metas de inflação…” a estabilidade de preços de longo prazo devem ser o objetivo principal, consolidando assim bases para que a expectativa de inflação seja, de fato, uma âncora nominal, sendo assim fundamentais a credibilidade e transparência da gestão, além de ser antecipável por parte dos agentes da economia. Já as metas monetárias requerem que “o agregado seja bem controlado pelo Banco Central”, além de ser considerada de “difícil compreensão por parte do público”. Já âncoras cambiais trazem “perda de independência da política monetária”, além de que “o país fica sujeito a ataques especulativos contra sua moeda”.

    FONTE: http://www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/CCSA/nucleos/NPQV/Participacao_na_V_Semana_da_FCECA/Participacao_na_Vi_Semana_CCSA/roseli_da_silva.pdf

    http://www.fipe.org.br/publicacoes/downloads/bif/2006/1_bif312.pdf

  14. Rafael Bussolan Mariano - ECEC Says:

    Resumidamente (sem preocupações com dados empíricos), conforme a própria prof. Roseli nos apresenta em slides (segue link no final do post), âncoras nominais são “restrições sobre o valor da moeda doméstica, necessárias para o sucesso de regimes monetários”, existindo três tipos de âncoras nominais:
    – âncora cambial (já discutida em outros posts)
    – meta monetária: “objetiva tornar a política monetária consistente com objetivos internos”, ajudando a “restringir o problema da inconsistência dinâmica”.
    – meta de inflação: é estabelecida uma meta para a inflação futura
    Apesar de suas vantagens, todas elas apresentam também alguns pontos fracos, ou considerados críticos. Por exemplo, quando se fixa uma meta para a inflação futura esperada, o sucesso dessa ação dependerá muito da credibilidade do Banco Central no comprometimento dos requisitos para com este regime. Ainda, segundo Roseli, “num regime monetário de metas de inflação…” a estabilidade de preços de longo prazo devem ser o objetivo principal, consolidando assim bases para que a expectativa de inflação seja, de fato, uma âncora nominal, sendo assim fundamentais a credibilidade e transparência da gestão, além de ser antecipável por parte dos agentes da economia. Já as metas monetárias requerem que “o agregado seja bem controlado pelo Banco Central”, além de ser considerada de “difícil compreensão por parte do público”. Já âncoras cambiais trazem “perda de independência da política monetária”, além de que “o país fica sujeito a ataques especulativos contra sua moeda”.

    OBS: As fontes e seus links estavam dando problema para postagem. Qualquer dúvida ou leituras posteriores, só me pedir os links

  15. Renan Barbosa - ECEC Says:

    A grande vantagem da política de metas de inflação está no fato de que tal medida reduz a pressão política para que o Banco Central realize políticas monetárias visando unicamente objetivos eleitorais. Como já dito em vários comentários, a política de metas de inflação atribui credibilidade perante a opinião pública acerca das políticas realizadas pelo Banco Central. Desta forma, as incertezas em relação à inflação futura seriam reduzidas, o que proporcionaria um aumento da eficiência econômica e do bem-estar dos cidadãos, que passariam a reajustar contratos, aluguéis e salários de acordo com a meta.

    Entretanto, existem críticas no que diz respeito a adoção desta política devido a crença de que, ao Banco Central ter a política monetária como instrumento baseado principalmente para controlar a taxa de inflação, o produto apresentará maior instabilidade, Isto se sucederia porque tendo o controle inflacionário como objetivo principal do Banco Central as considerações à respeito do emprego e do produto ficariam em segundo plano.

    Este sistema está baseado em cinco pontos principais:

    a) anúncio público de metas de médio prazo para a inflação;
    b) compromisso institucional da autoridade monetária no sentido de que a estabilidade
    de preços seja o principal objetivo da política monetária;
    c) uso de uma estratégia que envolva a análise de toda informação disponível a respeito
    das diversas variáveis econômicas relevantes, e não somente taxa de câmbio ou
    agregados monetários;
    d) a estratégia de política monetária deve ser transparente, o que exige comunicação
    constante com o público a respeito dos planos, objetivos e decisões do banco central;
    e) o banco central deve estar sujeito ao escrutínio público tanto no que se refere ao seu
    modo de ação, quanto no que se refere aos resultados obtidos.

    Fonte: https://professorgilmar.files.wordpress.com/2009/12/conceito-2-ancoras-nominais-e-metas-de-inflacao-no-brasil.pdf

  16. Lenise Gonçalves- ECEC Says:

    O valor moeda através do tempo vem sendo ancorada em diferentes padrões. O que ancora nominalmente a moeda
    pode ser meta de inflação, meta monetária, âncora cambial, com o objetivo de garantir o sucesso do regime
    monetário. A âncora nominal de meta monetária ocorre quando o Bacen decide metas para um agregado monetário
    (M1), com a finalidade sendo de controlar a inflação ou produto nominal da economia; uma das vantagens
    desse tipo de meta é que o câmbio passa a responder a choques externos, e uma desvantagem é que é
    necessário um alto controle do M1 pelo Bacen. Já a âncora de meta de inflação é a determinação por parte do
    Bacen de uma meta diretamente para a inflação futura. Aqui é preciso haver clareza dos regimes do Bacen
    para que as expectativas do público e do Bacen sejam próximas, para que isso ocorra é necessário que haja
    informações sobre as metas de médio prazo, transparência na política (por exemplo, através da divulgação das
    atas das reuniões), accountability por parte do Bacen. Uma vantagem é a que aqui também o câmbio responde a
    choques externos; e uma desvantagem é o produto no CP terá muita volatilidade. No caso do Brasil, após o plano real utilizou-se a âncora cambial, e depois de 99, meta de inflação.
    Fonte:

    http://www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/CCSA/nucleos/NPQV/Participacao_na_V_Semana_da_FCECA/Participaca

    o_na_Vi_Semana_CCSA/roseli_da_silva.pdf

  17. Julia Balieiro - ECEC Says:

    Fico me perguntando: o que seria de algumas economias sem âncoras nominais? No post anterior vimos a importância do regime cambial e agora das metas de inflação e monetárias, e isso nos mostra quão a economia depende de um controle, um monitoramento para que recessões e crises possam ser amenizadas e até mesmo evitadas. Isso pra mim é incrível, saber que existe um órgão que efetua esse controle das economias (ou pelo menos tenta).
    Como no Brasil as metas de inflação são as mais utilizadas, acho válido ressaltar que a busca pelo ancalnce das metas pré-estabelecidas para o aumento de preços implicou custos substanciais em termos de crescimento do produto interno bruto da economia – mostrando então, a importância das âncoras nominais, as quais afetam até o PIB.

  18. Fernanda Dandaro - ECEC Says:

    O regime de metas de inflação surgiu a partir dos trabalhos acadêmicos da escola novo-clássica, ou monetarista do tipo II. Essa escola possui como hipóteses principais: (a) a existência de uma taxa natural de desemprego, (b) a inflação como sendo um fenômeno estritamente monetário, as expectativas racionais, (c) os mercados estão continuamente em um processo de marketing-clearing, ou seja, em um processo de formação de preços estabelecido pela oferta e demanda do mercado; e (d) os agentes respondem somente a mudanças de preços relativos.

    Essas hipóteses trazem dois resultados importantes para o entendimento do regime de metas de inflação. O primeiro é que a política monetária seria ineficaz, já que os agentes sendo racionais percebem o aumento de preços como um aumento geral no nível de preços e, portanto, não haveria mudanças no nível de produto e emprego. E segundo resultado das hipóteses novo-clássicas no regime de metas de inflação, é a inconsistência temporal, e consequentemente, o viés inflacionário. Ou seja, a política monetária quando conduzida discricionariamente pelos policymakers, incentivam a prática de choques monetários, com o intuito de usufruir o trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego, que é apresentado pela curva de Phillips.

    Fonte: http://www.revistaoikos.org/seer/index.php/oikos/article/viewFile/102/70

  19. Cássia Tamy Takematsu - ECEC Says:

    O artigo que encontrei aponta o regime de metas monetárias como aquele que possui maior grau de transparência e entendimento em relação as medidas tomadas pela estratégia de política monetária, e por haver a percepção das pessoas, por consequência reflete no combate da inflação como benefício. Porém, ele cita que os países da OCDE que adotaram tal regime em um primeiro momento acabaram desistindo do sistema. As encontradas defasagens entre os agregados monetários e a inflação, se dava na desvantagem da imprevisibilidade dos desvios de demanda por moeda e a quantidade de moeda a ser ofertada. Por essa razão, ele não é melhor que o sistema de meta de inflação adotado no Brasil.

    Fonte: Feijó e Leal, 2011 – O regime de metas de inflação foi a melhor escolha para o Brasil?

  20. Leonardo de Vitto - ECEC Says:

    Como foi destacado pelo grupo no post, metas de inflação é outro tipo de âncora nominal e também a mais noticiada pela mídia brasileira, de maneira que estas destacam as ações feitas pelo governo a fim de regular a inflação. Recentemente, logo após a reeleição da presidente Dilma o Copom decidiu aumentar a taxa de juros para 11,25%, assim surpreendendo o mercado e sinalizando uma alteração na política monetária a fim de intensificar o ajuste dos preços relativos e criar um ambiente de menor risco de crescimento da inflação. Tal choque na taxa de juros mostra os esforços do governo em reverter as expectativas e restabelecer a credibilidade da política monetária o que conseqüentemente permite que o mercado antecipe as decisões do Copom assim fazendo com que as expectativas de inflação exerça sua função de ancora nominal.

    http://noticias.r7.com/brasil/bc-surpreende-e-eleva-juros-para-1125-ao-ano-em-decisao-dividida-29102014-8

  21. Luíza Neves - ECEC Says:

    Uma desvantagem da âncora monetária é que tem que haver uma relação forte de confiança entre o objetivo da política (inflação) e o agregado monetário controlado, assim o BC tem que ter controle sobre o agregado. Além de ser de difícil compreensão por parte do público.

    fonte: http://www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/CCSA/nucleos/NPQV/Participacao_na_V_Semana_da_FCECA/Participacao_na_Vi_Semana_CCSA/roseli_da_silva.pdf

  22. Laura Nart Says:

    Primeiro gostaria de parabenizar o grupo pelo post, achei que ficou bem fácil de entender sobre o tema! Sabemos que a âncora nominal mais utilizada nos dias atuais é a de metas de inflação, então gostaria de acrescentar que quando o Banco Central consegue consolidar uma credibilidade, por consequência ele influencia e também mantém a expectativa da inflação, isso gera uma estabilidade no nível inflacionário. Por outro lado, quando essa credibilidade por algum motivo se rompe, há uma oscilação nos níveis de inflação. É a credibilidade do mercado que ajuda a inflação a se manter em um nível estável.

  23. Ana Elisa de Oliveira Krugner - ECEC Says:

    As âncoras nominais, que são representadas pelos agregados monetários, taxa de câmbio e metas de inflação, garantem “amarrar” o nível de preços a um valor específico, minimizando possíveis decisões inadequadas do Banco Central. Entretanto, elas são efetivas se houver confiabilidade no nível de preços estipulado. Isso pode ocorrer através da divulgação de atas de reuniões que envolvam o assunto no âmbito político e também envolvendo as decisões do Bacen, accountability por parte do último e informações sobre as possíveis decisões de médio prazo.

  24. Vitória Zanetti Monseff (ECEC) Says:

    Os programas de estabilização requerem a recriação da nominalidade e por isso utilizam uma âncora para os valores nominais e esta, por sua vez, são escolhidas por variáveis que estejam sob o controle da autoridade monetária, como foi explicado pelo grupo, dividindo-se em seus vários tipos. Como já foi mencionada em um comentário, o mais recomendado tem sido sobre o câmbio, pois vem se mostrando mais eficiente na estabilização da inflação em situações hiperinflacionárias, mesmo que acabe gerando pressões na balança comercial. No entanto, a análise de uma política cambial vai muito além disso, já que uma das estratégias envolvidas na sua escolha pode ser o desenvolvimento do país por exemplo, buscando a competitividade internacional, aumento de investimentos, emprego e o próprio crescimento econômico.
    http://www.eco.unicamp.br/docprod/downarq.php?id=428&tp=a
    http://www.ppge.ufrgs.br/akb/encontros/2008/10.pdf

  25. sssantosusp Says:

    Gostaria de levantar alguns pontos interessantes a respeito da credibilidade do banco central. A grande maioria já foi abordada pelos colegas, entretanto, acredito que seria útil reiterar alguns aspectos dessa questão.

    Para um banco central que utilize o regime de metas de inflação é natural definir a credibilidade como a coincidência das expectativas dos agentes sobre a inflação com o alvo da meta estabelecida pelo BACEN.

    Um dos motivos pelos quais a credibilidade é uma qualidade desejável para um banco central diz respeito a redução dos custos associados à manutenção da estabilidade da inflação¹.

    A dificuldade do BACEN de conquistar a credibilidade dos agentes econômicos deve-se a aos potenciais ganhos de curto prazo associados a políticas monetárias expansionistas que, não raramente, vem acompanhadas de elevação do índice de preços. Tais ganhos são incentivos para que os policymakers abandonem o compromisso assumido com a meta de inflação. Nesse sentido, o regime de metas de inflação representa o cerceamento da possibilidade de auferir os efeitos benéficos de curto prazo associados a expansão dos agregados monetários.

  26. Malena Figueiredo - ECEC Says:

    Segundo o presidente do Banco Central Alexandre Tombini, em notícia que saiu em maio deste ano, o regime de metas de inflação era adequado à política monetária do país devido a simplicidade, transparência e a fácil aferição do mesmo. Como afirmado pelo grupo, os bons resultados obtidos com a utilização dessa âncora em outro país ocorreram devido a alta transparência do Banco Central.

    http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/05/regime-de-metas-de-inflacao-e-adequado-para-o-pais-diz-tombini.html

  27. Gabriel Besbati Says:

    Colaborações Contabilizadas.


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