ECO Q – Sistema de Pagamentos Brasileiro

 

“O Sistema de Pagamentos é um conjunto de normas, padrões e instrumentos que interligam e processam as transações entre os agentes econômicos não bancários, bancos e Banco Central. Este montante de recursos transacionado entre estes agentes pode ser dado por meio de cheques, cartões de crédito, transferências eletrônicas, documentos bancários de crédito e débito e papel moeda. O objetivo deste Sistema de Pagamentos é promover liquidez ás transações de compra e venda de ativos financeiros e reduzir riscos inerentes ao seu funcionamento, sendo dividido em duas subdivisões: (i) o sistema bancário ou monetário, que tem o poder de criar liquidez através da emissão de moeda por meio da multiplicação dos depósitos bancários; e (ii) o subsistema não monetário, que realiza a intermediação dos recursos entre os agentes econômicos deficitários e superavitários.

                Ao longo dos anos 80 e 90 observou-se um aumento nos fluxos globais de capitais que foi resultado da liberalização e inovação dos instrumentos financeiros. Os Estados Unidos, o Japão, e o Reino Unido adotaram o sistema de liquidação pelo valor bruto em tempo real (LBTR). Este sistema executa a liquidação definitiva de transferências interbancárias de fundos em bases contínuas e instantâneas, transação a transação.  A partir desse sistema o valor médio das transações cresceu de US$ 2,9 milhões para US$ 6,1 milhões nos EUA neste período.

                No Brasil, o sistema de pagamento anterior a abril de 2002 era dividido em quatro câmaras de compensação: 1. SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) – responsável pelas transações primárias e secundárias de títulos públicos e federais, alguns títulos estaduais e municipais e transações de compra ou venda de CDI; 2. Cetip ( Central de Custódia e de liquidação Financeira de Títulos Privados) – responsável pela liquidação de títulos privados e alguns públicos; 3. Câmbio (Sistema de Câmbio) – realiza transações interbancárias em moeda estrangeira; 4. Compe ( Serviço de Compensação de Cheques e outros Papéis) – responsável pela compensação de cheques, documentos de ordem de crédito, boletos de cobrança e cartões de crédito entre outros. Esse sistema de pagamento era considerável vulnerável porque a maior parte das liquidações era feita através da Compe  e por isso era suscetível a um risco maior, em casos de descumprimento de liquidações pelos agentes do sistema.  A partir de abril de 2002 entrou em vigor o Sistema de Transferência de Reservas (STR) com a reformulação da Selic o sistema de pagamentos passou a ser constituído pelas seguintes câmaras: Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), Compe e Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), esta responsável pela liquidação de títulos privados.

                A implantação deste novo sistema de pagamentos, em abril de 2002, provocou algumas mudanças como: a exigência de saldos positivos na conta de reservas bancárias – isto permitiu o monitoramento instantâneo, pelo Bacen, das contas de reservas bancárias; e a criação da Transferência Eletrônica disponível (TED) – permite a transferência de grandes valores em tempo real.  Essa mudança trouxe benefícios como: (i) tornou o sistema financeiro mais seguro, (ii) aumento das transações de crédito e débito, reduzindo o tempo decorrido entre o início da transação e sua liquidação final; (iii) diminuição do uso dos cheques e (iv) maior segurança ao investidor estrangeiro. Por outro lado este sistema apresenta como desvantagem o seu alto custo de implantação e um custo adicional para manter as reservas bancárias com um saldo positivo.”

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7 Respostas to “ECO Q – Sistema de Pagamentos Brasileiro”

  1. Gabriela Frazatto - Economia Says:

    Queria parabenizar o grupo, pois a explicação ficou muito clara e de fácil entendimento, mas eu tenho uma dúvida, vi que em alguns países, como a Alemanha por exemplo, além do sistema LBTR eles adotam também o sistema de liquidação pelo valor líquido, onde a liquidação das transferências de fundos ocorre em bases líquidas, de acordo com as normas do sistema, a questão é como que funcionaria um país que opera tanto pelo valor líquido quanto pelo bruto? Mesmo que assim como o LBTR, o sistema de liquidação pelo valor líquido transmitem e processam mensagens de pagamento em tempo real, transação por transação, eles as liquidam em bases líquidas e a intervalos discretos. Então eu não consegui visualizar como um país associa os dois sistemas.
    Eu sei que a questão aqui é o sistema brasileiro, mas se alguém souber e puder explicar eu agradeço. Obrigada.

  2. Alice Ferraz Says:

    Acho interessante fazermos um paralelo com o post e a matéria aprendida em sala. Como vimos, o Sistema Financeiro Brasileiro é o mais regulamentado e mais sólido do mundo, e isso se deve em grande parte à reforma do Sistema de Pagamentos. A maior rapidez e robustez das transações do Sistema de Pagamentos garantiram a divisão de risco e auxiliaram para que o Brasil não fosse afetado fortemente pela crise de 2008. além de todo o benefício no S.F. brasileiro, há a notável melhora nas rotinas bancárias para o público em geral.
    No relatório do Banco Central de 18/09/2014 foi divulgado que o SPB apresentou adequada capacidade de suportar efeitos de choques” provenientes de cenários adversos ou de mudanças abruptas nas taxas de juros ou de câmbio.
    “As análises de backtesting, periodicamente realizadas para os sistemas de compensação e de liquidação de transações com títulos, valores mobiliários, derivativos e moeda estrangeira, nos quais há uma entidade atuando como contraparte central (CPC), apresentaram resultados satisfatórios a longo do semestre”, apontou o REF.

  3. Lucas Teofilo - Economia Says:

    Ao pesquisar encontrei este autor Brito (2003) que defendeu, a importância de alguns requisitos essenciais para ter um sistema de pagamentos, ou seja, é necessário que a liquidação de pagamentos seja efetuada por meio de sua rede de participantes. A transferência de fundos cursados no sistema de pagamento deve ser final, irrevogável e incondicional. Existem, no entanto outras duas características que são desejáveis para a existência de um bom sistema de pagamento a integridade e a eficiência. Segundo Brito (2003), a integridade refere-se ao fato de que o bom funcionamento do conjunto depende da operação de cada um de seus componentes, para que não ocorra nenhuma falha no subsistema, pois isso causaria risco à confiança da sociedade nos mecanismos de pagamentos.Segundo Brito (2003), os principais tipos de riscos envolvidos no Sistema de Pagamento foram destacados em um relatório preparado pelo Comitê de Sistema de Pagamentos e de Liquidação (CSPL), no qual a seguir é visto uma breve descrição dos referidos riscos: riscos de crédito, risco de liquidez, risco de liquidação, risco legal e operacional e risco sistêmico.

  4. Gustavo Pereira da Costa Says:

    Confesso que eu não sabia desse fato até a exposição em aula. É muito interessante pensarmos que não só frutos ruins deixou o período de hiperinflação no país. Se por muitas vezes recebemos missões de outros países para analisar o sistema de pagamentos brasileiro, podemos confirmar o quão eficiente é. Assim como sistema de votação por urnas eletrônicas. Além disso, a transformação de 2002 foi importante para reduzir risco sistêmico de uma forma geral, e adicionando tbm algumas mudanças gerais no sistema

  5. Tiago Abdalla Salvagni Says:

    Interessante notar que os governos regionais brasileiros também vem sendo grandemente beneficiados com a modernização do sistema de pagamentos, e não somente pelos benefícios à economia. Com o novo sistema foi proporcionada a capacidade de supervisar as contas junto ao Bacen em tempo real, encurtar os atrasos da arrecadação de impostos e pagar de forma mais rápida e com menor custo os pagamentos a beneficiários. Da para observar que o sistema de pagamentos nacional acaba por afetar, direta ou indiretamente, a sociedade como um todo.

  6. Otávio Beraldi Ribeiro Says:

    Interessante pensar também no contexto histórico-social, se o novo sistema de pagamentos foi implementado no ano de 2002 e deu mais segurança entre as transações e nos investimentos estrangeiros. Essa segurança pode ter ajudado a amenizar o efeito do risco-país que foi crescendo concomitantemente com o Lula nas pesquisas para presidente em 2002. Garantindo assim uma menor debandada do capital estrangeiro principalmente com o resultado das eleições.

  7. Gabriel Besbati Says:

    Colaborações contabilizadas.


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