ECEC A – Crise Financeira de 2007-2008

 

“Apesar de ter se passado 6 anos desde a Crise Financeira de 2007-2008, a economia mundial ainda não se recuperou totalmente e não sabemos quanto tempo levará para tal. Especialistas afirmam que esta foi gerada pela constante desregulamentação do setor financeiro norte-americano, o que resultou na formulação, por diversas instituições financeiras dos EUA, de títulos que misturavam em si riscos dos mais variados e que, por não exigência de lei, esses títulos não precisavam de muito detalhamento para serem autorizados. Outro grande fator de justificativa foi o mercado imobiliário, que começou a dar sinais de fraqueza após a taxa de juros americana subir de 1% para 5,35% entre 2004 e 2006, fazendo com que o preço dos imóveis caísse e as taxas de inadimplência aumentassem, principalmente aquelas referentes aos empréstimos do subprime (hipotecas de alto risco). Durante 2007, a crise do subprime já era uma realidade, fazendo com que várias instituições financeiras nos EUA e Europa tivessem problemas de liquidez e pedissem ajuda dos bancos centrais.

A crise do subprime se desenvolveu a partir de três fatores principais originários nos EUA: o afrouxamento da regulamentação sobre as ações de instituições financeiras – o que permitiu um aumento sensível no grau de alavancagem dessas empresas -, o aumento no número de financiamentos de maior risco e a colatelarização (associação de títulos financeiros a ativos físicos) às hipotecas. E o modo pelo qual essa crise se espalhou no mundo foi justamente a colaterização: títulos que colocavam em si, de maneira unificada, compromissos de recebimento de hipotecários de diferentes ratings, desde os bons até os péssimos pagadores, eram vendidos mundialmente como oportunidades de investimento com alto retorno e baixo risco (chamados CDOs, collateralized debt obligations). Tais títulos não tinham exigência de lei de serem devidamente detalhados – o que deixava como informação relevante basicamente o fato de serem “altamente lucrativos e de baixo risco” – e eram vendidos a instituições financeiras mundialmente.

No início de 2008, o FED começa a temer os efeitos da crise do subprime sobre a economia, afetando o crédito ao consumidor e os empréstimos a empresas. O governo americano assume, em setembro, o controle das empresas de hipoteca Fannie Mae e Freddie Mac, as maiores do setor imobiliário norte-americano até então.

Três dias após o resgate das empresas de hipoteca, o Lehman Brothers, à época um dos maiores e mais confiáveis bancos norte-americanos, declara prejuízo de US$3,9bi no trimestre. Ao mesmo tempo, na Europa, há alertas de que as economias de Inglaterra, Alemanha e Espanha podem apresentar recessão já em 2008. Sem encontrar comprador, o Lehman pede concordata e torna-se o primeiro grande banco a entrar em colapso na crise.

A partir da falência do Lehman, segue-se um efeito cascata generalizado provocado pela grande incerteza da real situação do sistema financeiro americano. Após o congresso rejeitar um pacote de US$ 700 bilhões proposto por Bush para resgatar o sistema financeiro, a bolsa de Nova Iorque caiu quase 7% num único dia, causando a maior queda em número de pontos dos últimos 80 anos. No Brasil, a Bovespa chegou a cair mais de 10%, o que levou a Bolsa a interromper o pregão por 30 minutos com o objetivo de acalmar os ânimos do mercado.

O efeito dessa crise sobre a regulação culminou no Acordo de Basileia 3, ocorrido em 2008 e ainda não completamente colocado em aplicação. Outro efeito foi sobre a regulamentação das reservas do tesouro norte-americanas, que passaram a ser remuneradas, como forma de incentivar a manutenção de reservas nos bancos (diminuindo os empréstimos desses bancos e a consequente alavancagem).

Fontes:

http://www.dgabc.com.br/Noticia/1000984/basileia-3-e-resposta-a-crise-de-2008-diz-diretor-do-bc?referencia=minuto-a-minuto-topo

http://www.estadao.com.br/infograficos/os-efeitos-da-crise-do-setor-imobiliario-dos-eua,1546.htm

https://www.youtube.com/watch?v=PFGSW-8hKIQ

 

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6 Respostas to “ECEC A – Crise Financeira de 2007-2008”

  1. Amanda Rodrigues Galhardo - ECEC Says:

    Como dito no texto, a crise de 2007-2008 foi precipitada pela pela falência do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, em seguida, outras grandes instituições financeiras quebraram, na “crise dos subprimes”. Pesquisando mais sobre o tema, achei curioso o fato de que o governo norte-americano, se recusou a oferecer garantias para que o banco inglês Barclays adquirisse o controle do Lehman Brothers. Entretanto, preocupado com o efeito dominó que a falência dessa tradicional instituição gerou nos mercados financeiros mundiais, em vinte e quatro horas, Bush decidiu injetar oitenta e cinco bilhões de dólares de dinheiro público na AIG (maior empresa seguradora, também norte-americana, que sofreu falência técnica após o Lehman Brothers) para salvar suas operações. Mas, em poucas semanas, a crise norte-americana já atravessava o Atlântico. Quanto as empresas de crédito imobiliário que foram reestatizadas, a Fannie Mae e a Freddie Mac, ainda não descobri se estas voltaram a ser privatizadas, pois a intenção era ficarem sobre o controle do governo para evitar o colapso, por tempo indeterminado.

  2. Fernanda Dandaro - ECEC Says:

    O tema dessa semana foi muito interessante para entendermos um pouco melhor como aconteceu e o que causou a crise de 2007-2008. A partir desse tema surgem novas dúvidas, como, por exemplo, o que são os acordos de Basileia.
    Os acordos de Basileia são implementados pelo BIS (Bank for International Settlements) ou Banco de Compensações Internacionais. Criado em 1930, com sede em Basileia na Suíça, o BIS é uma organização internacional que estimula a cooperação entre os bancos centrais e outras agências, sempre buscando garantir a estabilidade monetária e financeira, é considerado o Banco Central dos bancos centrais.
    O primeiro Acordo de Capital da Basileia foi divulgado em 1988, e tinha como objetivo estipular exigências mínimas de capital para instituições financeiras como forma de diminuir o risco de crédito, sendo o primeiro acordo mundial desse gênero.
    O Acordo de Basileia 2 foi estabelecido em 2001, pela discordância dos países mais desenvolvidos e com menos risco em manter as mesmas reservas de países mais arriscados. Com esse acordo, portanto, passou-se a levar em conta as diferenças de risco de crédito, risco operacional e os preços de mercado.
    Com a crise de 2008, estabeleceu um novo conjunto de regras a serem implantadas pelos 27 países membros até 2019, conhecido como o Acordo de Basileia 3. No novo acordo existem quatro pilares principais a serem seguidos, o primeiro sugere uma definição de capital mais rigorosa, onde só podem ser contabilizados como recursos próprios ativos conversíveis imediatamente em dinheiro vivo. O segundo pilar prevê a acumulação de reservar adicionais pelas instituições financeiras, denominadas de capital de conservação e capital contracíclico, visando absorver os riscos e perdas de futuras crises. Já o terceiro pilar estabelece dois índices de disponibilidades um de curto prazo e o outro de longo prazo, para aumentar a liquidez dos bancos em momentos de estresse financeiro elevado. E o último pilar, implica a criação de um índice de alavancagem de no máximo 3%, em relação ao capital principal da instituição.
    Fontes: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,entenda-basileia-1-2-e-3-imp-,1065224
    http://www.bcb.gov.br/?BASILEIA

  3. Luíza Neves - ECEC Says:

    Depois de saber como se originou a crise, fiquei mais interessada em saber possíveis soluções para melhorar a economia pós-crise, tendo em vista que crises podem ocorrer a qualquer momento.Procurando os efeitos da crise no Brasil, encontrei um texto muito interessante falando sopre as lições que se pode tirar delas, melhorando :
    – as áreas de monitoramento e prevenção
    – a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de regulação;
    – a melhoria no suprimento de liquidez;
    – o nível das reservas internacionais;
    – o próprio papel do Banco Central
    No que tange a melhoria suprimento de liquide em reais,” cabe considerar mecanismos adicionais, entre eles a
    possibilidade de realização de leilões de liquidez em moeda nacional. Tais leilões, a exemplo da Term Auction Facility (TAF) do Federal Reserve, poderiam fazer parte importante do arsenal de instrumentos, e seriam particularmente úteis caso ajustes de depósitos compulsórios deixem de ser instrumentos efetivos de política – o contexto no qual em geral operam as autoridades monetárias de economias maduras.”

    Fonte : http://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/wps202.pdf

  4. Naíma Meiado - ECEC Says:

    As duas maiores crises do capitalismo foram em 1929 e em 2008. A primeira, por causa de uma super produção sem um mercado que absorvesse tudo que estava sendo comercializado, acabou com a quebra da bolsa de NY; o comercio entre Europa e os EUA foi seriamente abalado, e a economia americana só veio a recuperar com New Deal. A segunda, foi um efeito dominó, onde grandes instituições financeiras quebraram, no processo também conhecido como “crise dos subprimes”, como relatam os grupos da semana. Algumas consequências foram que a crise de 29 prejudicou intensamente as economias da época; fez nascer políticas autoritárias pela Europa, como e o fascismo e o Nazismos; acabou gerando de uma forma indireta a segunda guerra mundial. Com relação a crise de 2008, suas consequências são sentidas até os dias de hoje. As políticas aplicadas até agora não surtiram efeitos suficiente, o que incentivou uma conscientização de parte da população americana e europeia sobre a necessidade de mudança no modo de se fazer politica econômica.

  5. Cássia Tamy Takematsu Says:

    Achei muito bom o texto pelo fato de retratar as causas e explica-las. Me promoveu um entendimento muito maior sobre a crise de 2007-2008. Achei uma reportagem que retrata um panorama do que aconteceu, e além do que já foi dito, ele acrescenta informações sobre a perspectiva de como o Brasil enfrentou a crise e sobre a recuperação econômica dos países. O Brasil, durante o governo Lula, aqueceu o consumo no mercado interno, diminuindo o impacto da crise mundial.

    http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Visao/noticia/2013/09/o-mundo-depois-da-crise-de-2008.html

  6. Gabriel Besbati Says:

    Colaborações contabilizadas.


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