Papel econômico dos mercados financeiros

 

“Os mercados financeiros são formados pelos mercados de dívida (onde ocorre a negociação, por exemplo, de debêntures) e patrimônio (onde são negociadas ações e outros títulos), e pelas instituições financeiras como bancos, fundos de investimento e agentes reguladores, que constituem os segmentos de financiamento indireto. Eles contribuem para promover a eficiência da alocação de recursos financeiros na economia ao reduzir os efeitos da assimetria de informação e dos custos de transação enquanto falhas de mercado.

Os mercados financeiros promovem a alocação eficiente de capital ao canalizarem recursos dos agentes que os possuem em excesso (os “poupadores de recursos”) para os agentes com escassez de recursos (os “demandantes de recursos”) com um menor custo de transação (devidos a ganhos de escala e know-how). Dessa forma, projetos de investimento produtivo podem ser financiados possibilitando o crescimento, por exemplo, das empresas que demandam recursos via financiamento direto ou emissão de ações para adquirir novas máquinas, parques fabris etc. Assim os recursos disponíveis na economia são aplicados nos melhores usos possíveis, o que torna a economia mais eficiente.

Este segmento da economia também é importante porque pode, se bem regulado, ajudar a minimizar os problemas decorrentes da assimetria de informação – a seleção adversa e o risco moral. No primeiro caso, a existência de diferentes níveis de informação entre dois agentes envolvidos em uma transação como a compra de um carro (citando o caso tratado no clássico artigo de Akerlof, de 1970) pode inviabilizar sua realização, já que o agente comprador pode conhecer menos, por exemplo, sobre a qualidade do veículo em questão, e ofertar um valor abaixo do esperado pelo agente vendedor, o que o leva a deixar de ofertar o veículo no mercado. Expandindo essa percepção para o mercado de capitais, a assimetria de informação pode inviabilizar a aquisição de ações dado o menor conhecimento dos agentes compradores sobre a qualidade da empresa, o que reduz o montante de recursos disponíveis para financiar projetos e, consequentemente, torna a economia menos eficiente do que o possível. O mercado financeiro ajuda a minimizar os efeitos desse problema através da geração de informação por agentes privados (como as já citadas instituições financeiras) a respeito dos agentes tomadores de recursos, o que permite distinguir os bons dos maus tomadores e, consequentemente, utilizar esses recursos da melhor forma.

Já no caso do risco moral a perda de eficiência se dá após a efetivação da transação, quando um dos agentes envolvidos pode tomar decisões ou atitudes que coloquem em risco o cumprimento de suas obrigações para com o outro agente. Isto acontece, por exemplo, quando gestores de empresas utilizam os recursos obtidos nos mercados financeiros em atividades que não beneficiem a empresa, como aquisições de bens para benefício próprio, dentre outras atividades. Neste caso os mercados financeiros minimizam a perda de eficiência com a criação de contratos que ajudem a reduzir a chance de uma das partes se envolver em atividades prejudiciais, adotando cláusulas restritivas e exigindo maiores garantias no cumprimento de contratos.

Dadas a importância dos mercados financeiros para o bom funcionamento da economia e as possibilidades de conflitos de interesse entre esse segmento e o restante da economia (via poder de monopólio, por exemplo), esse setor é um dos mais regulados da economia, com a existência de diversas instituições que atuam sobre diferentes nichos desses mercados, como é o caso da SEC (Securities and Exchange Commission), nos Estados Unidos, e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no Brasil. Assim funcionamento estável dos mercados financeiros e, consequentemente, da economia de modo geral, é garantido, o que reforça a percepção de sua importância enquanto promotor de eficiência econômica.”

Gabriel Besbati 

Graduando de Economia Empresarial e Controladoria (ECEC)

Texto produzido a partir do capítulo teórico de sua Iniciação Cientítica intitulada “Relações entre risco financeiro individual e risco sistêmico para a economia brasileira”, realizada entre ago/2013 e jul/2014, sob minha orientação.

 

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