ECEC H – Taxas de Juros do FED – Definições e Dados

 

No texto de hoje tentaremos entender um pouco melhor o que é o FED (Federal Reserve), como é definida a taxa de juros norte americana e a influência das políticas do FED no Brasil.

Federal Reserve System (FED)

FED significa Federal Reserve System mas é muitas vezes abreviadamente designado por Federal Reserve. Embora sendo um organismo público independente, o banco central da América é propriedade de um número de grandes bancos não sendo, portanto propriedade do estado. A gestão do FED está a cargo de um Conselho Fiscal, Conselho de Administração formado por sete membros, e todos eles designados pelo presidente dos Estados Unidos. A par do FED nacional existem ainda 12 Reserve Banks regionais. Cinco Delegados destes Reserve Banks conjuntamente com os sete membros do conselho de administração formam o FOMC (Comité Federal de Mercado Aberto). Uma tarefa fundamental do FOMC é a supervisão das operações de mercado aberto por intermédio da política monetária. Uma tarefa importante do Federal Reserve é a garantia de estabilidade do sistema financeiro dos Estados Unidos.

Taxa de Juros

Os principais objetivos do Banco Central (FED) são: manter a taxa de inflação sobre controle e manter os níveis de desemprego baixos. Para isso, a principal ferramenta utilizada é a manipulação da taxa de juros, podendo ser manipuladas a taxa de desconto (discount rate) e a taxa para fundos federais (Federal funds rate).
A primeira é a taxa de juros cobrada dos bancos comerciais quando fazem empréstimos de um dia para o outro no Federal Reserve. Quando a taxa aumenta para os bancos é repassada para os clientes, aumentado assim o custo do capital e resultando em menos empréstimos (menos gastos e, portanto os preços tendem a cair).
A segunda é a taxa de juros que os bancos cobram entre si para empréstimos de um dia. Esta taxa de juros é determinada pelo mercado e não é especificamente determinada pelo FED. A função desse nesse caso é determinar qual a quantidade de moeda em circulação, obrigando os bancos a manter um depósito no Federal Reserve. Ao final de cada dia, alguns bancos possuem mais depósitos do que é necessário e outros menos, permitindo que façam empréstimos entre si para manter o equilíbrio.
Assim, se a taxa de juros cobrada entre os bancos difere da meta estipulada, o FED intervém, aumentando ou diminuindo a necessidade de depósitos pelos bancos. Logo, quando o FED altera essa meta, ele modifica as expectativas de mercado e indica onde a taxa de juros deverá estar no futuro.

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FED últimas alterações

 data de alteração percentagem
 16 dezembro 2008 0,250 %
 29 outubro 2008 1,000 %
 08 outubro 2008 1,500 %
 30 abril 2008 2,000 %
 18 março 2008 2,250 %
 30 janeiro 2008 3,000 %
 22 janeiro 2008 3,500 %
 11 dezembro 2007 4,250 %
 31 outubro 2007 4,500 %
 18 setembro 2007 4,750 %

Os Estados Unidos da América não se enquadram no grupo de pequenas economias estudados em macroeconomia. As decisões lá tomadas influenciam as pequenas economias, tendo resultados diretos nos indicadores de outros países.           

Influência das políticas do FED no Brasil

Um exemplo claro foi a retirada de estímulos financeiros da economia aplicada pelo FED em maio de 2013 com o objetivo de retomar o crescimento. Quando esse é retomado, os investidores voltam seus recursos para o mercado norteamericano, saindo de mercados emergentes como o Brasil e deixando como consequência uma desvalorização cambial e o aumento da taxa de juros.

 Referências:

 www.federalreserve.gov

http://pt.global-rates.com/taxa-de-juros/bancos-centrais/banco-central-estados-unidos/juros-fed.aspx

MANKIW, G. Macroeconomia. Rio de Janeiro: LTC. 2010″ 

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25 Respostas to “ECEC H – Taxas de Juros do FED – Definições e Dados”

  1. Naíma Meiado - ECEC Says:

    O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) tomas decisões que dizem respeito as operações do mercado aberto, as quais influenciam a base monetária, como disse o grupo. Contudo, as exigências de reserva e as taxas de desconto não são realmente determinadas pelo FOMC. Essa instituição é titulada como a “instituição-chave” na elaboração de políticas no sistema do Federal Reserve. Isso ocorre porque as operações de mercado aberto são a ferramenta política mais importante de que o FED dispõe para controlar a oferta de moeda. O FOMC não realiza a aquisição ou venda de títulos financeiros, mas emite diretrizes à mesa de operações do Federal Reserve Bank of NY.
    Com relação a esse assunto, encontrei um link que afirma que na ultima reunião do Federal Open Market Committee, em Julho, foi ressaltado que o mercado de trabalho melhorou, a taxa de desemprego diminuiu. A despesa das famílias esta aumentando moderadamente e o investimento fixo das empresas está avançando. A política fiscal continua restringindo o crescimento econômico, mas a extensão da restrição tem sido reduzida. E as expectativas de inflação de longo prazo mantiveram-se estáveis. O Comitê considera que os riscos para as perspectivas de atividade econômica e do mercado de trabalho como quase equilibrada e e julga que a probabilidade da inflação rodando persistentemente abaixo de 2 por cento diminuiu um pouco.
    A Comissão acredita que existe uma força oculta suficiente na economia para apoiar a melhoria contínua das condições do mercado de trabalho. Como esta ocorrendo grande progresso em direção ao emprego máximo e das perspectivas para as condições no mercado de trabalho, a Comissão irá reduzir as suas compras de títulos. Entretanto, manterá a sua política existente de reinvestir os pagamentos de principal de suas detenções de dívida de agências, títulos lastreados em hipotecas de agência e de rolagem de títulos do Tesouro com vencimento em leilão.
    Participações consideráveis ​​e ainda crescentes do Comitê de títulos de longo prazo deve manter a pressão descendente sobre as taxas de juro de longo prazo, apoiar os mercados de hipotecas e ajudar a tornar as condições financeiras mais flexível, o que por sua vez, devem promover uma recuperação econômica mais forte e ajudar a assegurar que a inflação, ao longo do tempo, é a taxa mais consistente com duplo mandato da comissão.
    A Comissão acompanhará de perto as informações recebidas sobre a evolução econômica e financeira nos próximos meses e vai continuar as suas compras de Tesouro e de agências de títulos lastreados em hipotecas, e empregar suas outras ferramentas de política conforme apropriado, até as perspectivas para o mercado de trabalho tenha melhorado substancialmente em um contexto de estabilidade de preços.

    Referências:
    1) Mishkin, Frederic. The economics of Money, Banking and Financial Markets
    2) http://www.federalreserve.gov/monetarypolicy/fomccalendars.htm

  2. Mirian Wawrzyniak - ECEC Says:

    O FED tem o poder de controlar as taxas de juros por meio dos títulos do governo. Esses instrumentos de investimento podem ser comprados ou vendidos, dependendo da decisão do FED. Se ele quiser reduzir as taxas de juros, ele compra vários títulos, injetando dinheiro no sistema bancário e com mais dinheiro disponível, as taxas de juros diminuem. Mas se quiser aumentar as taxas de juros, ele vende os títulos, o que ajusta a taxa de fundos federais, que é o valor cobrado entre os bancos para empréstimos de curto prazo. O FED também pode ajustar a taxa de dedução de juros, que é a taxa de juros cobrada dos bancos por empréstimos obtidos diretamente do Federal Reserve. O FED toma estas atitudes, pois as taxas de juros podem estimular o crescimento econômico e combater a inflação. Entretanto, há um espaço de tempo entre as ações do FED e os resultados. Além disso, as interferências do FED podem ter consequências negativas, contudo, deixar de intervir pode ser ainda pior.

  3. Mariana V. Cunha - ECEC Says:

    O texto sobre o FED esclareceu várias dúvidas que eu tinha sobre o funcionamento deste, porém o que mais me chamou atenção foi o fato do FED não ser uma institução do estado, e sim propriedade de um número de grandes bancos, mesmo que a gestão do FED está a cargo de um Conselho Fiscal, Conselho de Administração formado por sete membros, e todos eles designados pelo presidente dos Estados Unidos, isso não pode trazer um conflito de interesses nas decisões que cabem ao FED? Pois ao pensar em um banco central que não seja propriedade do estado consigo ver um lado bom, o qual ele não seria usado em políticas que beneficiem políticos e seus interesses próprios, mas também me perguntei se algumas medidas não podem ser tomadas em benefícios dos bancos que são seus proprietários, gostaria de saber como funciona isso melhor.

  4. Juliana Costa de A. Abissamra - ECEC Says:

    Sobre o programa de extensão de vencimento do FED (conhecido por alguns como “Operação Twist”) e qual a sua finalidade:

    No âmbito do programa de extensão de vencimento, O FED pretendia vender ou resgatar um total de 667 bilião dólares de títulos do Tesouro de curto prazo até o final de 2012 e usar os recursos para comprar títulos do Tesouro de longo prazo. Esse procedimento fez com que o prazo médio dos títulos em carteira do Banco Central fosse alongado.

    Ao reduzir a oferta de títulos do Tesouro de longo prazo no mercado, esta ação deverá colocar pressão descendente sobre as taxas de juro de longo prazo, incluindo câmbio sobre os ativos financeiros que os investidores consideram substitutos próximos de títulos do Tesouro de longo prazo. A redução das taxas de juros de longo prazo, por sua vez, contribuirá para uma ampla flexibilização das condições do mercado financeiro que irá fornecer suporte adicional para a recuperação econômica.
    fonte: http://www.federalreserve.gov/

  5. Beatriz Mendonça Félix - ECEC Says:

    O papel do Fed é um dos mais complexos (e importantes) da economia não só norte-americana como mundial. É ele que regulamenta as instituições financeiras, administra o dinheiro da nação e influencia a economia mundial. Elevando e reduzindo as taxas de juros, criando dinheiro e usando alguns outros truques, o Fed, assim como os bancos centrais dos outros países, tanto pode estimular como desacelerar a economia. O controle principal do Fed é sobre a elevação e a redução das taxas de juros em curto prazo.
    A política monetária através do sistema baseia-se em três ferramentas fundamentais: estabelecimento do valor das reservas dos bancos; definição em conjunto com os Reserve Banks da política de taxas de juro; operações de openmarket (transações de ativos financeiros com os bancos comerciais como forma de controlar as taxas de juro em vigor). O Fed tradicionalmente compra e vende títulos governamentais com o intuito de influenciar a oferta monetária e a taxa básica de juros, como já explicaram acima.
    O banco central norte-americano tem mantido as taxas de juros quase zeradas desde dezembro de 2008 e comprou trilhões de dólares em Treasuries e ativos lastreados em hipotecas para reduzir os custos de financiamento de longo prazo e estimular o crescimento econômico e o mercado de trabalho. Porém, alguns dos membros já disseram que o Fed deveria eliminar completamente seus estímulos até outubro e avaliar a economia e se a política monetária frouxa está provocando instabilidade financeira.

  6. Renan Barbosa Says:

    Me chama a atenção o fato de que a taxa de juros no mercado interbancário é definida pela oferta e demanda , mas ambas são muito afetadas por ações do Fed, além de desempenhar um papel-chave na política monetária moderna.
    Além disso, outra maneira dos bancos captarem reservas é através de empréstimos tomados do próprio Fed. A chamada taxa de redesconto é a taxa de juros que o Fed cobra para emprestar aos bancos, o que, está atualmente 1 ponto percentual acima da taxa de juros do mercado interbancário, a fim de desencorajar os bancos a recorrerem ao Fed.
    Se achar necessário, o Fed pode mudar as exigências das reservas mínimas ou as taxas de redesconto, sendo que ambas afetariam a política monetária.

    Renan Barbosa Marcos – ECEC

  7. sssantosusp Says:

    Assim como a Naíma fiquei surpreso com o fato de que o FED é propriedade de bancos privados. Isso ilustra bem o quão desenvolvido é o capitalismo nos EUA via-à-vis no Brasil onde os alguns dos atuais presidenciáveis consideram “desnecessária” a garantia legal de autonomia do BACEN.
    A natureza privada do FED deve impedir efetivamente que decisões de política monetária sejam tomadas visando interesses que contrariem a missão institucional do banco de garantir “ a estabilidade do poder de compra da moeda e a solidez do sistema financeiro”.

    • Laura Granados - ECEC Says:

      Outro fato que você pode achar interessante, é que o FED também possui lucro. O Federal Reserve se sustenta totalmente, gerando a própria renda, na maior parte advinda de juros e tarifas de serviços que presta, como transferências de fundos (Fedwire), compensação de cheques e operações de pagamentos eletrônicos (ACH). As opções da ACH são alternativas eletrônicas, com base no sistema de cheque de papel. Exemplos incluem o depósito da folha de pagamento automático e os pagamentos eletrônicos de contas.

      Mais informações: http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/fed15.htm

  8. Leonardo de Vitto - ECEC Says:

    O FED é um sistema complexo com um papel de extrema importância não somente nos EUA, mas também em todo o mundo já que estamos nos referindo a uma das maiores economias mundiais, e de alta influência nas economias emergentes.
    O FED controla as taxas de juros através de títulos do governo e não o contrário como a maioria imagina, ou seja, caso este queira reduzir a taxa de juros ele compra títulos de maneira a injetar dinheiro no sistema bancário e isso tem uma série de conseqüências econômicas, como a diminuição do custo de vida e o fácil acesso ao crédito, o que a curto prazo aquece a economia. Então cabe mais uma questão que é o porque de não ser mantida baixa a taxa de juros já que isso impulsiona a economia, o ponto de vista de um pais economicamente mais igualitário de fácil acesso a todos se da somente no curto prazo, já que no longo prazo com a facilidade de conseguir créditos a demanda excederá a oferta de maneira a despertar a inflação.
    Mas assim como alguns colegas citaram, o que mais me intrigou foi a composição do FED ser composta por bancos privados, fato este muito bom em certo ponto, já que assim sendo este apresenta uma política independente do governo, tornando o cumprimento das metas muito mais fácil, além de evitar divergências ideológicas entre o governo e o Banco Central.

  9. Daniela Lourenço - ECEC Says:

    Além dos membros do Conselho de Governadores, incluindo seu presidente e vice-presidente, serem escolhidos pelo Presidente dos Estados Unidos e confirmados pelo Congresso, o governo também exerce algum controle sobre o Fed ao indicar e estabelecer os salários dos funcionários de mais alto nível do sistema. O Governo dos Estados Unidos recebe todos os lucros anuais do sistema, após o pagamento de dividendos estatutários de 6% sobre o investimento em capital dos bancos membros, e retirada uma parte do excedente como reserva. Em 2010, o Fed realizou um lucro de 82 bilhões de dólares e transferiu 79 bilhões para o Tesouro americano.
    As funções da Reserva Federal incluem, além da formulação e execução de políticas monetárias, a fiscalização dos Federal Reserve Banks regionais, a emissão do Beige Book (relatório sobre a situação econômica dos Estados Unidos) oito vezes por ano e a regulação e supervisão dos bancos membros.

  10. Vitória Zanetti Monseff Says:

    Sobre a influência das políticas “adotadas” pelo Fed no Brasil, achei uma notícia no Estadão que dizia “O Brasil é a economia emergente mais vulnerável depois da Turquia, na avaliação do Federal Reserve americano, que atribui a recente turbulência nesses países a “desenvolvimentos adversos” não relacionados com sua decisão de iniciar o processo de retirada de estímulos monetários da maior economia do mundo, o chamado tapering”. Além disso, traz o Brasil como citado pelo Fed 11 vezes no grupo de países que mais sofreram com a recente fuga de capitais de ativos “arriscados”. Diante disso, o relatório ainda afirma que os emergentes devem ir além das medidas de curto prazo voltadas para conter a volatilidade e defende a adoção de reformas monetárias, fiscais e estruturais que reduzam vulnerabilidades e os tornem mais resistentes a choques, sendo que essas reformas vão demandar tempo e os investidores globais vão acompanhar de perto o seu progresso”. Lendo isso, percebemos que o Brasil sofreu, e ainda sofre, digamos que, impacto igual ou maior que dos choques internos diante das informações disponibilizadas a cada relatório que o Fed divulga. Assim, os ” gestores” da economia brasileira devem ficar muito atentos a isso.

    • Caio Augusto de Oliveira Rodrigues - ECEC Says:

      Complementando o que a Vitória disse, creio eu que o Brasil realmente é sensível às mudanças nas políticas de taxas de juros adotadas pelo FED. Isso porque nossa economia é em grande maioria dependente do setor externo – embora ainda não tenhamos discutido em aula o mercado de bens e serviços, é notável que somos bastante dependentes da exportação de commodities -, e mudanças neste cenário internacional geram impactos razoáveis internamente.
      Segundo a Empiricus Research, em estudo recente de um de seus consultores, a volta do aumento nas taxas de juros norte-americanas nos últimos meses tende a causar uma fuga de capitais do Brasil, uma vez que os títulos dos EUA são o “risk-free” mundial e, devido a diminuição da credibilidade nas contas públicas brasileiras – a chamada “contabilidade criativa” -, temos nosso rating internacional colocado atualmente no limiar entre “grau de investimento” e “especulativo”.

      Mais especificamente sobre o Fed e suas políticas recentes, sua atuação é impactante, mas limitada: ainda em 2014 a presidente da instituição (Janet Yellen) afirmou que a recuperação econômica dos EUA não depende somente de mudanças nas taxas de juros, mas também de outras políticas que seriam necessárias para a melhoria no mercado de trabalho (veja mais aqui: http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2014/02/11/internas_economia,497421/janet-yellen-presidente-do-fed-defende-continuidade-da-politica-monetaria-dos-eua.shtml).

      Alguns links a mais:
      Contabilidade criativa; http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/05/05/contabilidade-criativa-debate-conclui-que-governo-esconde-realidade-economica
      Rebaixamento da nota de rating brasileira http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/03/24/agencia-de-risco-corta-nota-da-divida-do-brasil-de-bbb-para-bbb-.htm

    • Caio Augusto de Oliveira Rodrigues - ECEC Says:

      Falando um pouco mais sobre o que a Vitória expôs, tem-se que realmente há um sensível impacto na economia brasileira quando se fala em mudanças nas taxas definidas pelo FED. Segundo a Empiricus Research, em recente estudo de um de seus consultores, a volta da apreciação das taxas de juros dos EUA pode causar fuga de capitais do Brasil para lá, uma vez que, enquanto os títulos norte-americanos tem suas taxas consideradas como o “risk-free” da economia atual, os títulos brasileiros estão no limiar entre “grau de investimento” e “grau especulativo”, devido a perda de credibilidade nas contas públicas – o que ocorreu com o uso da chamada “contabilidade criativa”. Creio eu que sejam necessárias aos países emergentes – e, em especial, ao Brasil – mudanças nas políticas monetária e fiscal que visem obter uma estabilidade a médio e longo prazo. Essas medidas poderiam ser na direção de “adotar regras e abandonar a discricionariedade”, o que poderia trazer de volta, ainda que com algum esforço, a confiabilidade nas contas públicas brasileiras.

  11. Rafael Bussolan Mariano - ECEC Says:

    Lendo os comentários até aqui postados, acredito que as funções e atuação do FED tenham sido abordados de forma correta. Mas, me deparei com a surpresa de alguns colegas, sobre a possibilidade de existir um conflito de interesses nas atividades do FED, já que este não é uma instituição estatal. Este é também um ponto de dúvida para muitas outras pessoas. Conspiratórias ou verídicas, essas teorias emergem, e acredito ser este um ponto para atentarmos também nesse debate.

    (de forma mais “animada”, recomento este também: http://www.youtube.com/watch?v=RrwbgdtbdXE; ou de forma mais longa: http://www.youtube.com/watch?v=cOZ2l6UNY34 )
    Este vídeo acima acredito que expõe muitas dessas dúvidas sobre a transparência nas atividades do FED. O autor faz questão de destacar no vídeo que o FED é, para muitos economistas, “o maior roubo já difundido no povo Americano” (“The biggest robbery ever enacted on the American people”).
    O fato de ser independente, mas controlado por órgãos, pode sugerir ideias de que o FED atende aos interesses dos que os controlam, mas aplicando práticas “legais”. Fica a dúvida, e, para quem se interessar, o espaço para mais ideias sobre esse assunto.

    • Lenise Gonçalves- ECEC Says:

      Observando o tema proposto pela docente, “FED (Federal Reserve), como é definida a taxa de juros norte americana e a influência das políticas do FED no Brasil”, indico a leitura: http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/fed.htm . E, também, levando em consideração que tais quesitos foram bens expostos pelo grupo H, e ainda lendo os comentários já feitos neste post, acredito que um ponto importante é este levantado pelo Rafael Mariano.
      O conflito de interesses que pode haver no FED em decorrência de este não ser uma entidade estatal também pode ser analisada pelo grau de independência do mesmo em relação ao governo.
      Este ponto me lembrou uma reportagem que li (http://www.cartacapital.com.br/economia/voce-sabe-o-que-e-autonomia-do-banco-central-157.html). Nela está descrito qual o papel de um Banco Central (mas foco no do governo brasileiro) e, observa que pelo fato de ser um órgão com autonomia apenas operacional atualmente no Brasil, devemos levar em consideração o posicionamento dos partidos que disputam à presidência do país em relação ao Bacen.
      No que tange ao comentado pelos nossos colegas aqui sobre a vantagem da independência do Bacen, o texto da ‘Carta Capital’ de 26 de agosto de 2014 afirma: “Seria uma forma de manter a entidade mais preservada de pressões políticas e com maior credibilidade. Essa combinação “acalmaria” o mercado e contribuiria, em teoria, para diminuir as expectativas de inflação.”
      Este é um texto que eu realmente indico para leitura, pois também relata sobre o FED e a autonomia dos bancos centrais de outros países.
      Procurando mais sobre a indepedência dos bancos centrais, encontrei o texto “A tese da independência do banco central e a estabilidade de preços: uma aplicação do método-Cukierman à história do FED” de João Sicsú de 1996 (http://ww2.ie.ufrj.br/moeda/pdfs/a_tese_da_independencia_do_banco_central_e_a_estabilidade.pdf). Tal trabalho, após cálculos feitos, encontra um coeficiente de correlação negativo perto de 0,78 entre o grau de independência do FED e as taxas de inflação, nas palavras do autor “Nesse sentido, o exercício realizado é para estes últimos mais um passo que confirma a necessidade da plena autonomia das autoridades monetárias” (p.41), entretanto o autor segue dizendo: “Contudo, tal exercício deveria ser analisado com alguma cautela” (p.41).
      Esta é uma questão delicada e que requer mais discussão a fim de nos informarmos antes de tomarmos, como estudantes de economia, um posicionamento sobre a independência do banco central, brasileiro ou estaduniense.
      Apesar de ter ido em uma linha de argumentação e questionamento diferente do colega Rafael Mariano, acredito que as questões de conflito de interesses continuam a existir apesar de o Banco Central ter mais ou menos autonomia, pois existiria por um lado conflitos políticos por conta da mudança de partido no governo e, por outro lado, pelos mercados privados e em decorrência do problema agente-principal.

  12. Malena Figueiredo - ECEC Says:

    Achei muito interessante a postagem, visto que pude tirar algumas conclusões e também buscar um pouco mais sobre o assunto.
    O Fed tem papel regulador e supervisor sobre muitas instituições bancárias. Supervisionar envolve analisar a situação financeira dos bancos e verificar a sua conformidade com relação às leis, enquanto regular envolve a definição de diretrizes para o sistema bancário. É válido destacar também que o Fed não pode controlar diretamente a inflação, a taxa de produtividade, de emprego ou definir as taxas de juro de longo prazo. Ele afeta as variáveis econômicas indiretamente, principalmente através de seu controle sobre a taxa de fundos federais. Todas as instituições de depósito, incluindo bancos, cooperativas de crédito e associações de poupança, são obrigados a manter saldos de reservas mínimas em contas em bancos da Reserva Federal.
    Como outras pessoas comentaram, o que também mais se destacou para mim foi o fato do Fed não ser um órgão do estado, mas sim propriedade de vários outros bancos. Pesquisando descobri que, na verdade, o Fed é uma entidade independente dentro do governo: suas decisões de política monetária não têm que ser aprovadas pelo presidente ou por qualquer outra pessoa no legislativo ou executivo. Ele não é propriedade de ninguém e também não é uma instituição privada sem fins lucrativos. O intuito do Congresso em estruturar o Fed dessa forma é para garantir que as decisões de política monetária se concentrem em alcançar as metas de longo prazo sem deixar que pressões políticas influenciem seus resultados.

    Referências:
    http://www.federalreserve.gov/
    http://www.frbsf.org/education/teacher-resources/what-is-the-fed

  13. Fernanda Dandaro - ECEC Says:

    O FED e o BCE (Banco Central Europeu) são considerados os bancos centrais mais independentes do mundo, enquanto o Brasil ainda sofre com as interferências sobre as políticas do Branco Central do Brasil, como acontece, por exemplo, com o combate à inflação.
    De acordo com Roberto Luis Troster, professor titular do Departamento de Economia da PUC-SP, e economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira das Associações de Bancos), há setores que são complacentes com a inflação e criam pressões políticas para postergar o custo da estabilização definitiva de preços, portanto, conceder autonomia ao BC, imunizando-o dessas pressões e tentações políticas conjunturais, permitiria que seus integrantes postergassem a popularidade imediata em troca de benefícios duradouros.
    Essa discussão sobre a independência do Bacen está em alta no momento, por ser uma das propostas apresentadas no Plano de Governo da candidata à Presidência da República, Marina Silva. Segundo a candidata é preciso garantir uma autonomia formal à entidade, garantindo assim que o combate à inflação seja mais eficaz. Para Alexandre Rands, um dos economistas responsáveis pelo programa de governo da candidata, ”a primeira coisa que você tem de fazer para que haja uma intermediação política dos conflitos sociais é uma inflação estritamente controlada. E não resta dúvida que a autonomia do BC é essencial”.
    Porém, muitos têm criticado essa medida, dizendo que a mudança na independência do Banco Central do Brasil não traria benefícios ao país. Segundo João Sicsú, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-diretor de Políticas e Estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a independência do BC dificultaria a execução das políticas econômicas do governo e, além disso, a democracia ficaria enfraquecida, ao se determinar mandatos para dirigentes do BC.
    Portanto, com toda essa discussão que vem sendo divulgada na mídia, uma dúvida fica muito clara, por que a autonomia dessa instituição funciona nos Estados Unidos e não funcionaria no Brasil?

    Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1204200309.htm; http://terramagazine.terra.com.br/blogterramagazine/blog/2014/08/26/autonomia-do-bc-proposta-por-marina-nao-seria-benefica-dizem-economistas/; http://www.otempo.com.br/cmlink/hotsites/elei%C3%A7%C3%B5es-2014/economista-de-marina-defende-agenda-neoliberal-e-autonomia-do-bc-1.910586.

  14. Vladimir - ECEC Says:

    Vou direcionar meu comentário nos efeitos das decisões do FED em outras economias no mundo, principalmente na brasileira.
    Com o chamado quantitative easing (afrouxamento monetário) colocado em prática pelo FED após a crise de 2008, as taxas de juros americanas despencaram e o mundo foi inundado de dólares. Por um lado, tal afrouxamento foi capaz de prover liquidez para a economia mundial num momento em que isso era necessário. Por outro, causou algumas distorções que, em minha opinião, eram absurdas. Como exemplo, me lembro de ver uma notícia de que o Haiti havia emitido bonds com juros de 7% ao ano!
    No Brasil, o excesso de dólares fez com que o câmbio despencasse para menos de R$ 1,60/US$ em meados de 2011. Até 2012, era comum ver opiniões, sobretudo no governo e na indústria, culpando as políticas do FED pelo baixo crescimento do Brasil e defendendo um câmbio acima de R$2/US$.
    Com indícios de recuperação da economia americana, espera-se a retirada ou redução dos estímulos do FED, fazendo investidores tirarem recursos de outros países (como o Brasil) e retornarem ao mercado norte-americano. Tal movimento ajuda a explicar, entre outros fatores, a valorização do dólar ocorrida no primeiro semestre do ano passado, quando a taxa de câmbio subiu mais de 10% em cerca de um mês, passando dos R$2/US$.
    Hoje, o câmbio se encontra próximo de R$2,25/US$. Apesar disso, a indústria continua a enfrentar dificuldades e o PIB brasileiro continua estagnado, chegando em recessão técnica, de acordo com os dados dos últimos dois trimestres. Mesmo tomando decisões que afetam a economia mundial, me parece que o FED não pode ser responsabilizado pelos problemas que o Brasil vem enfrentando…

    OBS: a título de curiosidade, um nome brasileiro, Armínio Fraga, já foi sugerido para o presidente americano Barack Obama para presidir o FED.
    http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/05/1453404-arminio-fraga-foi-sugerido-para-obama-para-comandar-o-fed.shtml

    • João Nascimento Nerasti Says:

      Acrescentando o que o Vladimir expôs, um dos mecanismos utilizados no programa de quantitative easing do FED foi o chamado tapering onde o FED começou a comprar títulos de longa maturidade no intuito de diminuir as taxas de juros de longo prazo, desta forma incentivando instituições financeiras como bancos as emprestar mais e desta forma injetar dinheiro na economia.
      Em 2013 o FED anunciou que ia diminuir estas compras, ou seja, as taxas de juros tendem a subir o que atraiu capital novamente ao país causando uma disparada na cotação do dólar.
      Um dos motivos disto acontecer no Brasil com tanta sensibilidade é que temos um montante muito grande de capital especulativo, ou chamado “carry trade”. Ou seja, grandes instituições financeiras pegam dinheiro emprestado a taxas de juros baixas no exterior (o quantitative easing reforcou esta prática) e investem em locais onde existem taxas de juros mais altas, como o Brasil, ganhando dinheiro nesta diferenca de taxas (spread). Contudo com uma decisão do FED de reduzir o tapering e aumentando a taxa de juros, esse spread diminui fazendo com que os indivíduos realoquem seus portifólios e voltem o capital para os EUA, afetando a taxa de cambio.
      reaquecendo a economia.

  15. Amanda Galhardo - ECEC Says:

    O papel fundamental do FED, assim como e de todos os demais bancos centrais do mundo, é garantir a estabilidade do sistema financeiro dos Estados Unidos. Entretanto, o FED faz parte da maior e mais poderosa economia do mundo, então, indiretamente, é responsável pela estabilidade econômica de todas as outras economias mundiais. Ciente desta importância da economia americana frente ao mundo, uma das funções do FED é garantir e fortalecer isso através da formulação e execução da política monetária, da fiscalização dos Federal Reserve Banks regionais, da emissão do de um relatório sobre a situação econômica dos Estados Unidos e da regulação e supervisão dos bancos membros. A Federal Funds Rate é a principal taxa de juros americana e são os juros cobrados entre os bancos para os empréstimos de um dia (overnight). Esta taxa de juros de base americana é determinada pelo mercado e não especificamente determinada pelo FED. A política monetária é implementada pela compra e venda de títulos diante do aumento ou redução da taxa de desconto da taxa de juros dos empréstimos feitos pelo Federal Reserve System aos bancos. Recentes críticas ao FED é que se trata de uma instituição privada, e não pública, fator que teria contribuído para as crises de 1929 e, mais recentemente, a de 2007-2008. Eu, particularmente, desconhecia o fato de o FED não ser propriedade do Estado americano e sim de um conjunto de bancos. Acredito que essa é uma questão importante a ser discutida e argumentada, pois existem prós e contras ao “privatizar” um banco central. Entre os prós, evitar favores políticos nas escolhas de cargos de confiança referentes à gestão do Banco Central, e nos contras: beneficiar os interesses privados. Estaria certo o Estado americano? É de se pensar, afinal, não deve ser à toa que ele tem o título de potência mundial.

  16. Ana Luisa Montanari - ECEC Says:

    Apesar do que foi dito anteriormente, alguns especialistas dizem que o que aconteceu na crise de 2008 e a sua dimensão só foi possível por causa do Federal Reserve. Anteriormente a crise, ele criou muito dinheiro que foi multiplicado pelo sistema bancário por meio do processo de reservas fracionárias foi majoritariamente canalizado para o setor imobiliário. E, para intensificar ainda mais as distorções, os critérios excessivamente frouxos para a concessão de empréstimos — critérios estes gerados por políticas governamentais criadas exatamente com este propósito — fizeram com que especulações e compras imobiliárias excessivas parecessem investimentos geniais.
    Dessa maneira sem o FED criando dinheiro e dando este dinheiro aos bancos para que estes concedessem empréstimos — e, com isso, fizessem com que a quantidade de dinheiro na economia americana aumentasse continuamente —, não teria como haver uma bolha imobiliária. Certamente, não uma bolha destas proporções.
    As agências de classificação de risco também contribuíram concedendo classificação máxima para todos os títulos imobiliários, principalmente aqueles títulos de emprestadores sem nenhum histórico de crédito. Isso fez com que os grandes bancos americanos, e também os grandes bancos estrangeiros, comprassem títulos hipotecários em quantias volumosas. Mas foi o FED, em última instância, quem tornou possível todo o boom artificial do setor imobiliário, e foi todo o dinheiro por ele criado quem forneceu o principal estímulo à subida estrondosa dos preços dos imóveis vista na década de 2000.
    Ele também inicialmente se mostrou incapaz de prever as consequências da quebra do Lehman Brothers sobre a economia americana além da magnitude da crise que se aproximava e logo depois, ele e o Tesouro americano decidiam intervir para resgatar com fundos federais a seguradora AIG e evitar maiores contágios. A taxa de juros no início era de 2% foi parar entre 0% e 0,25% em dezembro. E apesar disso, as transcrições, que tradicionalmente são reveladas com um atraso de cinco anos, mostram apenas cinco referências à “recessão” frente a 129 menções de “inflação”, o que deixava bem claro quais eram as preocupações dos membros do banco central americano e mostra que o FED demorou para entender e reagir ao que estava acontecendo.

    Fontes:
    http://economia.uol.com.br/noticias/efe/2014/02/21/documentos-mostram-que-fed-demorou-a-entender-magnitude-da-crise-de-2008.htm
    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1696

    Ana Luísa – ECEC

  17. Wenderson de Moraes Pizzo - ECEC Says:

    Como disse o grupo e a presidente do FED, Janet Louise Yellenem, em seu discurso no FMI em Washington no dia 2 de julho de 2014, o objetivo do banco central é manter a estabilidade dos preços e do pleno emprego e das interligações entre a estabilidade macroeconômica e estabilidade financeira, além disso, a mesma acrescentou que o papel do FED não é intervir para evitar supostas bolhas de ativos e esta não vê que a política monetária atual dos EUA precise desviar o foco principal em alcançar a estabilidade de preços e emprego máximo, a fim de responder às preocupações de estabilidade financeira. E partir dessa declaração a analista brasileira, Monica de Bolle, acredita que não haverá uma antecipação na elevação da taxa de juros dos EUA.
    Uma elevação na taxa de juros norte-americana através de alterações nas taxas interbancárias e na taxa cobrada pelo FED aos bancos pode ser prejudicial a economia brasileira, como o grupo citou e podemos ler na notícia a seguir: http://oglobo.globo.com/economia/para-analistas-aumento-de-juros-nos-eua-em-2015-tera-impactos-negativos-no-brasil-13200280. Uma elevação na taxa de juros dos EUA causaria uma fuga de capital estrangeiro no Brasil, o que seria ruim para a nossa economia, tanto no curto prazo, quanto no longo prazo e também haveria uma desvalorização do real e um aumento na taxa de juros do Brasil.

    Referências:
    http://oglobo.globo.com/economia/para-analistas-aumento-de-juros-nos-eua-em-2015-tera-impactos-negativos-no-brasil-13200280
    http://www.federalreserve.gov/newsevents/speech/yellen20140702a.htm
    MANKIW, G. Macroeconomia. Rio de Janeiro: LTC. 2010
    Mishkin, Frederic. The economics of Money, Banking and Financial Markets

  18. Política monetária, mercados e independência do banco central | Random Walk Says:

    […] Monetária aos textos sobre as taxas de juros do Fed preparados pelos grupos das turmas ECEC (aqui) e Economia e (aqui) – foi curioso notar a surpresa quase geral com o fato de que o Federal […]

  19. Pedro Chaim Says:

    Colaborações contabilizadas


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