Os meus, os seus, os deles!

 

É interessante observar que aluno é aluno, em qualquer lugar do mundo. Preparando um experimento para uma turma, observei que as regras para a aplicação da atividade à classe incluíam um artifício para evitar que os alunos alterassem os resultados obtidos ao longo das rodadas… o experimento foi desenvolvido, testado e publicado por professores americanos, que fizeram a atividade com turmas de até 180 alunos… Tá aí um bom exemplo da importância da regulação em ambientes com assimetria de informação!

Também outra observação: não são apenas os nossos alunos, em geral passivos em relação ao seu próprio processo de aprendizagem, que fazem perguntas do tipo “cai na prova?” ou “professor, pode rever minha nota?” ou “posso entregar amanhã?”. Essa tirinha diz tudo!

http://www.phdcomics.com/comics/archive.php?comicid=1614

 

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“Involve me and I learn” ;-)

 

Sempre repito para mim mesma essa frase perfeita de B. Franklin: “Tell and I forget, teach me and I remember, involve me and I learn”. Encontrei-a lendo o livro “The Heart of Teaching Economics: lessons from leading minds“, que traz uma coletânea de entrevistas com renomados pesquisadores, reconhecidos em suas áreas por seus pares (ou seja, lotados de “pontos qualis”) e que, pasmem, são excelentes professores!! Um outro ponto que salta aos olhos e contradiz boa parte dos colegas locais é o consenso sobre a NÃO independência entre ensino, também na graduação, e pesquisa, que sempre defendi.  De qualquer forma, considero leitura primordial para nós, acadêmicos da área.

O problema é que ensinar dá trabalho e requer dedicação e paciência e, nesse sentido, há também um trade-off de tempo e energia com a pesquisa, ninguém há de negar. Ainda assim, os benefícios superam os custos e os insights que ganhamos ao rever um material básico, há muito estudado por nós, e que precisa ser transmitido aos alunos de graduação de forma eficiente para o seu processo ensino-aprendizagem, permitem-nos uma compreensão mais profunda tanto do problema econômico em questão quanto da evolução científica da área de pesquisa, pois, com o passar do tempo e nosso amadurecimento intelectual, somos capazes de fazer muito mais conexões em nossa memória e conhecimento e, incrível, também melhoramos como pesquisadores (já nos mostra a neurociência)!! Além disso, há os (raros) feedbacks dos alunos em sala de aula, as perguntas, os questionamentos, que também podem trazer interessantes temas de pesquisa, basta que estejamos de ouvidos abertos e receptivos, e tratemos nossos alunos com respeito intelectual – são jovens adultos, com observação do mundo diferente da nossa.

Qualquer um de nós é capaz de realizar de forma eficiente ambas as atividades, ainda que o talento individual seja maior para ensino ou para a pesquisa, se se dedicar minimanente a elas – ou seja, horas-bunda (energia + tempo) precisam ser dedicadas às nossas atividades como profissionais, igualzinho esperamos e incentivamos que os nossos alunos, ou qualquer outro profissional, façam!! “Ah, eu sou excelente pesquisador, mas péssimo professor!”, é, para mim, desculpinha de quem se acha gênio e/ou quer fugir de suas responsabilidades profissionais – salvo raríssimas exceções. E ensinar envolvendo os alunos também é mostrar isso como exemplo e não como retórica: estabeleça e preze o contrato (conteúdo, bibliografia, normas de avaliação, atividades a serem desenvolvidas – o famoso programa da disciplina) proposto no início do semestre; prepare suas aulas (!!!), mesmo que sejam da sua área de pesquisa e vc conheça o conteúdo de trás para frente, e pense em como transmiti-lo aos alunos (técnicas didáticas…); reflita e atue no sentido de contribuir para que os estudantes estabeleçam as conexões entre seu conhecimento nas diversas áreas da sua formação acadêmica (teoria econômica, métodos quantitativos e história) e suas experiências concretas, isso é aprender!

 

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Os meios de pagamento na economia brasileira

 

As alterações nos conceitos de meios de pagamentos promovidas pelo Banco Central do Brasil em 2001 consistem numa mudança quanto ao critério de ordenamento dos componentes agregados, diferente da abordagem clássica de agregação pelo nível de liquidez dos ativos e passando a defini-los conforme seus sistemas emissores, conforme estabelecido pelo Fundo Monetário Internacional. De acordo com essa nova sistemática, os meios de pagamento ampliados são indicadores que antecedem pressões de demanda sobre o setor real – indústrias, famílias etc – melhores que os meios de pagamento restritos (abordagem do grau da liquidez), dado que os avanços tecnológicos aplicados às transações financeiras permitem uma maior facilidade nas realocações de portfólio, propiciando que o agregado de maior liquidez, M1, esteja sempre em um nível suficiente para a realização das transações. Mesmo com modelos de política monetária com foco no controle da taxa de juros, como o modelo de metas de inflação (o qual o Brasil é adepto), os agregados monetários continuam desempenhando um papel importante para acompanhamento de tais políticas, sejam como indicadores de liquidez da economia como também na distribuição dos meios de pagamento nesta.

No novo critério adotado pelo Banco Central, os meios de pagamento restritos apresentam uma baixa correlação entre moeda legal e nominal – observada em sistemas financeiros desenvolvidos – tem aumentado a liquidez aos passivos em geral emitidos pelas instituições financeiras. No entanto, em períodos de estabilização monetária, como o que ocorreu com a introdução do Plano Real, os meios de pagamento restritos tiveram uma variação significante, como em 1996, em que fora observada uma variação em 12 meses entre 14% e 39%.

       Alteração nos conceitos de meios de pagamento

Agregados grafico
Agregados

 

Fontes:

Fundo monetário internacional

http://www.imf.org/external/pubs/ft/mfs/manual/pdf/mmfsch6.pdf, pag 65.

Banco Central do Brasil

http://www.bcb.gov.br/ftp/infecon/NM-MeiosPagAmplp.pdf

 

Post produzido por:

Rubens Bozano

Graduando em Economia – FEARP/USP

 

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