Rápido e Devagar – Atividade de Finanças Parte 5

 

“Quinta Parte

 

Na quinta seção deste livro, o autor inicia a discussão abordando utilidade experimentada e utilidade de decisão, definição que o autor dá a palavra “wantability”, termo mais aplicado aos teóricos. Discorre sobre a percepção do eu experiencial e recordativo e como eles afetam nossas decisões.

Tanto o capitulo trinta e cinco como o trinta e seis tratam de como as experiências de dor e prazer podem ser medidas e de que modo elas influenciam nossas decisões futuras. Sendo o trinta e seis mais dedicado a exemplificar as tomadas de decisões baseadas nos diferentes Eus.

Para que essas experiências fossem mais bem estudadas Kahneman desenvolveu algumas experiências com pacientes que passaram por exames médicos, medindo a intensidade da dor no exato momento em que eles eram submetidos aos exames e medindo a intensidade da lembrança da experiência da dor após o procedimento ter terminado, deste modo ele poderia aferir dados a respeito da experiência real e da memória.

Com estes experimentos ficou claro que as medidas de dor mais elevadas no final do procedimento eram muito mais marcantes do que procedimentos mais longos, com dor mais elevada, mas com relatos de menos intensidade de dor no final. Estas investigações revelaram dois padrões bem claros, a Regra do Pico-Fim, que diz que a classificação retrospectiva global foi bem prevista pela média do nível de dor do relatado no pior momento da experiência e em seu fim. E o padrão de Negligência com a duração que diz que a duração do procedimento não exerceu o menor efeito na avaliação de dor total.  Sendo assim Kahneman sustenta a existência do conflito entre dois Eus na tomada de decisão, o conflito entre o eu recordativo e o experiencial.

Conduzindo experimentos para identificar quais dos Eus levamos em conta quando vamos tomar uma decisão evidenciou-se que o eu recordativo se sobrepõe ao experiencial e a regra do Pico-Fim explica grande parte dessas decisões. As decisões dos indivíduos levam em conta principalmente a intensidade do estímulo ao final da experiência e não a sua duração média de estimulo, quanto maior a intensidade do estimulo ao final da experiência, maior serão as chances dela ser usada como exemplo para futuras decisões. Diante disso explicita-se que nem sempre essa será a melhor decisão e que devemos pensar mais racionalmente ou matematicamente sobre a melhor decisão a ser tomada.

Intrigado com o fato de que tomamos decisões a partir do eu recordativo o autor resolve explorar uma melhor mensuração de quão boa é a vida do individuo, um método de calcular o bem-estar experimentado. Desse modo ele realiza uma pesquisa utilizando um método chamado Método da Reconstrução do Dia, que consiste, resumidamente, em avaliar como a pessoa passou durante seu dia, mensurando os sentimentos tanto negativos quanto positivos. Com os resultados dessa pesquisa foi criado um índice U, que é a porcentagem do tempo em que os sentimentos negativos sobrepõem-se aos positivos, por exemplo, uma pessoa que passa acordada 16 horas ao dia e nesse período tem 4 horas em que está mais infeliz do que feliz, seu índice U é 25%.

 Com a elaboração do índice U, Kahneman afirma que o objetivo das autoridades deveria ser a redução do índice U da população, pois isso traria uma melhora geral de bem-estar. Além disso, é destacado nesse capitulo, a diferença entre como a satisfação de vida e o bem-estar experimentado, não necessariamente andam juntos como pensava o autor, e exemplifica: uma pessoa com grau superior de educação normalmente tem uma alta satisfação de vida, porém, devido aos estudos, seu bem-estar experimentado costuma ser menor do que o de pessoas com pouca educação.

Outro ponto importante é como a riqueza ou a pobreza afeta o bem-estar experimentado, um sujeito pobre está propenso a grandes variações no índice U, uma dor de cabeça, por exemplo, levaria a um alto índice U, enquanto para a população geral teria uma índice U normal. Um outro efeito é notado na população rica, apesar de ter uma satisfação de vida alta, seu bem-estar experimentado costuma ser baixo, porque para obter tal renda ele dedica muito tempo ao trabalho e pouco aos prazeres da vida. Em suma, satisfação de vida e bem-estar experimentado são medidas diferentes de qualidade de vida.

No último capitulo do livro, Kahneman começa mostrando como eventos marcantes na vida, como casamento ou passar por um divórcio, alteram as avaliações de felicidade momentâneas, porém, no longo prazo esses eventos não tem grande significância. Diferentemente de metas estabelecidas pelas pessoas, o autor nos mostra que as metas tem grande influência na satisfação de vida da população, um grupo que apontou como meta aos 18 anos ganhar muito dinheiro, anos mais tarde a renda tinha um papel significante na avaliação de felicidade, enquanto o grupo que não apontou ganhar dinheiro como meta, a renda não era tão significativa na avaliação. Desse modo chegamos à conclusão que para avaliar o bem-estar temos que levar em conta a opinião dos dois Eus, ou seja, temos que considerar tanto como as pessoas se sentem enquanto vivem quanto como as pessoas pensam a respeito da sua vida.

Finalizando, o autor nos apresenta um último conceito que é chamado de ilusão de foco. A ilusão de foco é quando damos muito valor a algo diferente ou empolgante e pouco valor aos demais fatores. Como o exemplo citado pelo livro de que os californianos são mais felizes que os outros norte-americanos devido ao clima. Quem não é californiano dá um valor muito grande ao clima, porém o sujeito que nasceu e foi criado na Califórnia, já não dá mais tanto valor ao clima, pois está acostumado a ele, ou seja, o clima na verdade não interfere no seu nível de felicidade.

O tempo foi o foco dessa parte do livro. Vimos que o Eu experimental é como uma soma de todos os momentos vividos na vida, porém sabemos que o Eu recordativo lembra apenas momentos marcantes no tempo como início, pico e fim, como em um filme em que se registram certas partes de uma longa história e tantos outros aspectos são deixadas de lado. Ainda vimos que há uma grande atenção para os momentos em que mudamos de estado e esquecemo-nos dos períodos de adaptação a essa mudança. A ilusão de foco é também algo que está relacionado ao tempo, pois priorizamos certo momento e negligenciamos vários outros. Resumindo, como escreveu o autor, “A mente é boa com histórias, mas não parece bem projetada para o processamento do tempo”. “

Grupo 5

 

Uma resposta to “Rápido e Devagar – Atividade de Finanças Parte 5”

  1. Que tal prestar atenção no seu método de estudo? | Random Walk Says:

    […] Rápido e Devagar – Atividade de Finanças Parte 5 […]


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