Rápido e Devagar – Atividade de Finanças Parte 1

 

Começamos hoje a atividade de leitura e discussão com a turma de Finanças, postando a resenha do Grupo 1 para a primeira parte do livro “Rápido e Devagar” de Daniel Kahneman – (recomendo a leitura). O texto postado em itálico e entre aspas é de autoria do grupo e está postado tal qual me foi enviado. Espero que a leitura desse livro ajude os estudantes a compreender para o que serve e, principalmente, para o que NÃO serve a chamada “moderna teoria de finanças” que estudamos a cada aula do semestre!! Deixem seus comentários, participem!!

Resenha e breve resumo da parte 1 do livro Rápido e Devagar, do psicólogo ganhador do Nobel de economia Daniel Kahneman.

De forma intuitiva e muito bem exemplificada, o autor explica conceitos da psicologia, que fazem o leitor se assustar ao se moldar com acontecimentos que, à primeira vista, parecem absurdos.

A parte 1 do livro tem primeiramente a função de apresentar os conceitos utilizados na pesquisa do autor, ricamente ilustrado por exemplos de experiências conduzidas nas mais diversas universidades de psicologia do mundo, e com resultados surpreendentes.

O ponto crucial dessa primeira parte, e que inspirou o título, é a separação do pensamento humano em dois Sistemas, 1 e 2, sendo este o sistema lento, lógico e racional, enquanto aquele é o sistema rápido, impulsivo e associativo. Através de uma série de experimentos o autor busca demonstrar ao leitor que boa parte de nossas decisões são pautadas pelo Sistema 1, não apenas decisões típicas deste sistema (como efetuar uma atividade de rotina), mas também atividades que demandam esforço mental, mas que são respondidas de forma rápida pelo Sistema 1 com a aprovação do Sistema 2.

Este fato é só uma demonstração do que o autor definiu como a lei do mínimo esforço, ou seja, o Sistema 2 procura sempre poupar o máximo de recursos possíveis, o que pode levar, muitas vezes, a decisões erradas ou viesadas por impulsos e associações do Sistema 1. De forma a validar sua informação, o autor ainda expões experiências que demonstram o alto consumo energético do organismo por parte do trabalho mental e também da capacidade de funcionamento da mente, com mostras do que seria uma “carga máxima de pensamento” para cada indivíduo, impedindo que muitas tarefas sejam feitas simultaneamente.

Pensando neste conceito ainda, o autor expõe o conceito de fluxo, uma situação na qual o indivíduo, mesmo precisando destinar uma grande atividade mental para determinada atividade, consegue ainda ter recursos disponíveis, demorando mais para apresentar fadiga, especialmente quando se desenvolve atividades para as quais fomos treinados ou que temos prazer em fazer, que muitas vezes são associadas ao Sistema 1 devido a sua prática.

Após estas exposições, o autor define o conceito de conforto cognitivo como sendo um estado onde o Sistema 2 funciona de forma mais simples, sem tanto esforço. Pelo motivo de preguiça mental já exposto no livro, os experimentos levam a crer que as pessoas tendem a validar informações usando menor número de critérios se estas estiverem dentro da sua zona de conforto. O autor aproveita para dar algumas aulas sobre como escrever um texto convincente, lançando mão de recursos simples, como usar um vocabulário simples, um texto bonito e de fácil leitura, citação de fontes familiares aos leitores, enfim, tudo aquilo que faça o Sistema 2, já trabalhado pelo Sistema 1, a se sentir mais confortável, o que levará os leitores a se tornarem propensos a aceitar suas ideias (o contrário também é válido, ou seja, um texto desbotado, por exemplo, leva os leitores a destinarem maiores recursos na validação das informações).

Dentro deste contexto, o autor ainda busca a relação entre o humor de cada um e a forma de agir, busca também demonstrar fatos curiosos que acontecem pela simples exposição de indivíduos a estímulos, muitas vezes criando a sensação de familiaridade necessária para estimular confiança e ressaltar uma resposta positiva da mente (conforme citado anteriormente, a mente adora ficar em seu estado de conforto).

Relacionando o humor com a fadiga, o autor realiza testes verificando um maior cansaço dos indivíduos quando estimulados pelo Sistema 1 a, até mesmo, feições “desagradáveis”, causando um efeito causal no Sistema 2.

Após toda essa apresentação sobre as características e comportamentos básicos dos Sistemas 1 e 2, com foco maior para o Sistema 1, o autor se aprofunda nas ações do Sistema 1, descrevendo como este consegue gerar um modelo de normalidade, aceito inclusive pelo Sistema 2, com regras e padrões que, quando alterados, geram surpresa e inquietação da mente, sendo rapidamente percebido. Também demonstra como o Sistema 1 tende a trabalhar de forma a verificar sempre a causa e a intenção de uma ação, levando a mente a tirar conclusões baseadas em associações simples, influenciadas pelo cotidiano de cada indivíduo e pela história de vida e também por sua racionalidade, sendo que pessoas mais racionais conseguem controlar melhor seus estímulos imediatistas do Sistema 1, ou seja, são mais céticos e mais utilizadores do Sistema 2.

Dentro do Sistema 2, considera, a partir dos resultados apresentados, distinguir o maior uso desse sistema em racionalidade e inteligência, sendo que o maior uso de um não implica necessariamente na efetividade do outro.

O autor destaca ainda que o nosso Sistema 1 é propenso a chegar a conclusões precipitadas, pois quando se depara com uma ambiguidade, o Sistema 1 rapidamente relaciona com o contexto e, na falta desse, com uma relação cotidiana da pessoa, de forma a criar uma história plausível, tudo de forma instantânea e imperceptível. Além disso, o Sistema 1 ainda vai considerar apenas a informação disponível, ou seja, informações faltantes, ainda que relevantes, serão substituídas por associações. Essa forma de agir leva a algumas características do Sistema 1, como uma forte tendência a confirmação e a credulidade, o efeito Halo, que é, em síntese, o viés causado por um estímulo anterior, como achar uma pessoa atraente e acreditar no que ela diz, sem ter maiores conhecimentos sobre o indivíduo, uma tendência a superconfiança quando se exprime uma opinião, mesmo que pautada em argumentos pobres, e variação nas avaliações de acordo com a forma e a ordem com que as informações são apresentadas.

O Penúltimo capítulo da parte 1 deste livro fala sobre julgamentos, e começa demonstrando uma experiência que comprovou que os resultados das eleições sofrem influência devido a aparência do candidato, correlacionando o fato de como o Sistema 1 qualifica as pessoas apenas por sinais simples, como o formato do rosto e a forma como sorri, o que o autor definiu como “avaliação básica”. Mais três explicações foram feitas: a facilidade do Sistema 1 em trabalhar com médias, porém sua notável dificuldade em operar somas ou multiplicações; a facilidade com que o Sistema 1 com comparar diferentes fatos, em diferentes escalas (como a gravidade de um crime com tons de cor); e o que o autor chamou de “bacamarte mental”, uma metáfora com uma arma antiga, cuja ponta do cano era em formato de sino e sua munição eram várias bolas de metal colocadas diretamente no fundo do cano sobre a pólvora, o que gerava um efeito de espalhamento no tiro, ao invés da mira precisa, alusão ao fato do Sistema 1, em vista de uma fato qualquer, desencadeia uma sequência de cálculos e associações.

Por fim, o autor mostra como o Sistema 1 faz substituições de perguntas difíceis ou sem resposta, para perguntas simples, cuja resposta ele dá seguindo as características que já foram expostas, e ele mostra exemplos de como o humor afeta a percepção de felicidade, o afeto influenciando ações (se gosto, tendo a validar qualquer argumento a favor).

Enfim, a primeira parte do livro traz de forma muito bem ilustrada por exemplos, alguns muito surpreendentes, sobre como nossa mente funciona. Várias características foram atribuídas ao Sistema 1 e ao Sistema 2, e também um descritivo da forma de agir do Sistema 1. Sem se aprofundar muito, já se pode notar que essa pesquisa da área de psicologia explica muitos fatores que a teoria econômica ignora, pois as pessoas não são totalmente racionais, ou pelo menos a que utilizam “mais” seu Sistema 1, e funcionam com um pensamento viesado, associativo e dogmático em grande parte do tempo.”

Grupo 1

 

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5 Respostas to “Rápido e Devagar – Atividade de Finanças Parte 1”

  1. Roseli Silva Says:

    Alguém do grupo poderia citar ao menos um desses exemplos tão “surpreendentes”??? E os colegas, citam outros???

    • Filipe Macias Franco Says:

      Claro professora, haha…é muito engraçado acreditar que 50% dos alunos de Harvard caíram no seguinte teste:
      Se um bastão e uma bola custam juntos R$ 1,10.
      Sabendo que o bastão custa R$ 1,00 a mais que a bola.
      Quanto custa a bola?

      HAHA…a resposta imediata do cérebro é muito boa…

      Outro teste muito bom, foi o de que o Sistema 1 muda a pergunta dentro da nossa mente pra nos proporcionar respostas mais simples…

      Qual seria sua resposta se fossem propostas as seguintes questões?

      -Qual seu nível de felicidade?
      -Como é a sua relação com seus pais?

      e se as questões fossem as seguintes?

      -Como é a sua relação com seus pais?
      -Qual seu nível de felicidade?

      Verificar o poder da mente é muito assustador…
      E de acordo com o livro, a partir de sua leitura, vou procurar fazer as coisas “sorrindo” sempre!

  2. Lucas Nobrega Augusto Says:

    Achei legal o quadro em que lemos : abc e no ultimo 12 13 14 sendo que o b é igual ao 13. Também gostei dos exemplos de primings, nos mostra como ter ouvido uma palavra direciona nossa mente para algo relacionado. Impressionante como fazemos essas associações de forma imediata e inconsciente.

  3. Que tal prestar atenção no seu método de estudo? | Random Walk Says:

    […] Rápido e Devagar – Atividade de Finanças Parte 1 […]


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