Com a palavra, um profissional!

 

Para finalizar a Atividade 1, nada melhor que um profissional com a carreira em ascensão para nos contar como a leitura de “How we decide” o ajuda em seu dia-a-dia! Convidei Caio Banti, um gestor de risco do mercado financeiro, economista, hoje trabalhando em um grande banco em Nova York. Caio também faz Mestrado Profissionalizante na NYU em finanças e, como ele mesmo pediu para contar, foi meu aluno em umas quatro disciplinas (aprovado em todas… rs) e meu orientando de monografia (nota 10!). Além disso, foi ele quem me presenteou com o livro no último Natal, em Nova York!

  

“18 de Setembro de 2008: o telefone toca e pelo menos três traders tentam me explicar porque precisam de um novo limite de crédito para operar com um cliente. O dólar havia saltado de R$ 1.81 para R$ 1.94 em três dias na semana negra que começou com a quebra do Lehman Brothers nos EUA. Isso não parecia nada normal mas os traders pressionavam por um aprovação rápida para evitar que o cliente não perdesse “uma oportunidade de mercado” que se fecharia caso o dólar se movesse. Minha suspeita venceu a pressão dos traders e eu decidi escalar a decisão para meus superiores. À medida que fazíamos mais perguntas, a situação parecia mais anormal. Alguns dias depois, a mesma empresa anunciou perdas de USD 2 bln e sua incapacidade de pagar os credores.

Como gestor de risco meu trabalho é bastante dinâmico. Sou responsável pela aprovação do risco de crédito que o banco incorre em todas as operações de empréstimos e derivativos para um determinado portfólio de clientes. Em algumas ocasiões, há tempo para decidir. Entretanto, na maioria das vezes, especialmente quando se trata de derivativos como no exemplo, a decisão precisa ser quase instantânea ou o cliente acaba fechando a operação com um concorrente.

Normalmente uma decisão rápida é um diferencial competitivo na indústria bancária, mas mais importante do que ser rápido é saber quando esperar. Mas como saber diferenciar as situações? O caso usado como exemplo por muito tempo me fez pensar que a decisão de escalar o pedido por novos limites só tinha um motivo: sorte. Desde então, comecei a pesquisar como tomamos decisões e me surpreendi com a vasta literatura que existe sobre o tema.

 “How we decide” foi um dos primeiros livros que li sobre o assunto. Um livro bastante informal, mas extremamente gostoso de ler e revelador. Uma leitura bastante adequada à iniciação no assunto já que a jornada é longa. Entender como partes importantes do cérebro funcionam tem sido fundamental para aproveitar suas fortalezas e mitigar suas fraquezas no meu dia-a-dia. Foi assim que entendi que na verdade minha decisão de escalar o pedido dos traders não foi puramente sorte. Com base em várias operações anteriores, meu “cérebro emocional” instantaneamente me passou a ideia de que aquele pedido não era convencional.

 Uma das principais contribuições de “How we decide” foi ajudar a diferenciar as situações. Hoje entendo melhor que tipo de abordagem preciso aplicar a cada situação: quando tomar uma decisão instintiva, quando parar por alguns minutos para pensar nas variáveis envolvidas (quando essas são poucas) e quando preciso de mais tempo ainda para poder considerar todas as variáveis (quando essas são muitas). Essa última, por sinal, é uma das mais intrigantes. Por várias vezes dormi com problemas e acordei com soluções. Nada melhor que solucionar problemas dormindo. Alias, pena que não podemos entregar os exames sempre no dia seguinte. Entretanto, nem tudo é feito para dar certo. O cérebro também esconde problemas como o efeito âncora e a aversão a perda certa, apenas para citar dois exemplos. Entender esses defeitos, saber identificar situações em que esses se aplicam e desarmar nosso “instinto” são tão fundamentais quanto usar as fortalezas que o cérebro nos oferece.

 Em resumo, uma grande leitura, mas não o fim de uma jornada. Pesquisando mais vocês verão que, como nós, todos os agentes do Mercado possuem os mesmos desafios para lidarem com as decisões. Em finanças esses desafios podem gerar distorções às teorias tradicionais que estão dando origem a novas teorias com um forte componente comportamental. Mas esse já é assunto para outra oportunidade (e para um outro livro).”

 

 Obrigada, Caio!

 

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Economistas também amam!

 

Eu conheci essa página ano passado, circulou no facebook. Achei realmente bacana e reporto aqui como dica para o dia de hoje:  “A gestão de expectativas é a chave para um longo e feliz relacionamento”… Pensa que é só gerenciar suas finanças e tudo bem?? Nada disso…  😉

“14 Ways an Economist Says I Love You

Give your loved one a nerdy Valentine and they’ll be yours forever! Why? Because if you give them diamonds/cufflinks this year, anything you get them next year will fall short. Give them one of these and anything they receive next year will be a step up. It’s called expectation management and is the key to a long and happy relationship. On that dismal (science heyoo) note, Happy Valentine’s Day.

Source: http://fosslien.com/heart/ ”

 

 

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