Como decidimos? Parte 7

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“Capítulo 7 – “O cérebro é um argumento”

 

O capítulo 7 irá permear sua discussão em torno das decisões influenciadas pelo lado sentimental e emocional da pessoa.

Ele inicia seu argumento apresentando uma situação de debate entre candidatos à presidência. Onde as pessoas são bombardeadas de novas informações, de um confronto de opiniões (às vezes divergentes). A partir disso, elas iniciam o processo de formar sua opinião. Contudo, mesmo diante de uma opinião contundente, bem elaborada  e sólida, elas terão tendência a se confrontar internamente buscando laços sentimentais, ou opiniões previamente formadas de forma que possam ancorar sua decisão no que elas sentem, e não nos fatos observados durante o debate. Ou seja, não mudariam seus votos ainda que fossem vencidas pela boa argumentação e exemplificação.

E esse fato não se restringe a decisão de um voto. Outro exemplo dado é a decisão de escolha entre cereais em um supermercado, onde você será confrontado entre a opção mais apetitosa  contra a mais saudável. Onde essa escolha se dará pelo lado menos desenvolvido, já que nossas escolhas são inconscientemente calculadas em nível emocional, em prejuízo da lógica.

Para comprovar esse dado, foi sugerida a realização de um experimento. Um adolescente seria apresentado a um objetivo por alguns segundos, e logo após seria lhe apresentado o preço. Mapeando o cérebro durante esse processo, foi constatado que o NACC estava em funcionamento. Essa parte é responsável por “quantificar” o desejo por aquele objetivo, livre de segundas analises. Ou seja, caso esse adolescente já possuísse o objeto em questão, o NACC não seria fortemente ativado.

Na segunda parte do experimento (apresentação do preço) são ativados a insula e o córtex pré-frontal. Sendo a primeira responsável por sentimentos aversivos. Por exemplo, um fumante obrigado a se abster de seu vício ou um sentimento de dor, ambos irão despertar a insula. Isso inclui também o ato de gastar dinheiro. Por outro lado, o córtex pré-frontal irá ponderar os sentimentos e realizar os cálculos para averiguar se trata de um bom negócio.

Desse experimento, os cientistas puderam prever qual seria a tomada de decisão do individuo, baseado no grau de ativação dos pontos supracitados.

É claro que nós gostamos de acreditar que nossas decisões refletem um claro consenso cortical, que toda a mente concorda no que devemos fazer. O NACC pode querer o objeto, mas a ínsula sabe que você não pode pagar por isso, ou o córtex pré-frontal entende que é uma má ideia. Esse tipo de reação antagônica se manifesta como uma pontada de incerteza. Você não sabe em que acredita. E você certamente não sabe o que fazer.

O dilema é como conciliar os argumentos. Uma solução simples: forçar um acordo. As partes racionais da mente deveriam interferir e colocar um fim em todo conflitos emocionais.

Embora a solução acima pareça ser uma boa ideia este resultado deve ser usado com grande cuidado. O problema é que a pressa de acabar com a incerteza geralmente leva a negligenciar partes importantes da informação e acaba tomando uma decisão ruim. Em uma citação vemos o seguinte: “Você não pode dar um curto circuito no processo”.

É bom ter certeza. Confiança é reconfortante. O desejo de estar sempre certo é um perigoso efeito colateral de ter tantas regiões do cérebro competindo dentro da cabeça. Você nunca sabe qual área do cérebro que você deve obedecer. Não é fácil fazer seu pensamento quando sua mente é composta de muitas partes concorrentes.

É por isso que estar certo sobre algo pode ser um alívio. O estado padrão do cérebro é indeciso desacordo; várias partes mentais estão constantemente insistindo para que as outras partes estejam erradas.

Outro experimento foi feito para conseguir um cérebro a traçar diferentes conclusões. Tratava-se em apresentar ao individuo uma mesma situação com pontos de vistas diferentes. Mas deste teste, algo inusitado aconteceu: pacientes conscientemente confusos e com opiniões divididas conseguiam traçar explicações plausíveis sobre suas ridículas imprecisões, deixando-os confiantes de suas respostas.

Naturalmente, a autoconfiança do paciente com divisão do cérebro é claramente enganada. Como resultado, cada um de nós finge que a mente está em pleno acordo com ela mesma, mesmo quando não é. Nós enganamos a nós mesmos para ter certeza.

Nesse capítulo o autor mostra como nossas escolhas são feitas muitas vezes a partir de informações já estabelecidas em nossas mentes, e que muitas vezes ignoramos novas informações novas ou as maquiamos para que se ajustem às nossas escolhas anteriores; e quando em desalinho com uma conclusão única, tenderemos a tomar aquela que traz mais “desculpas” e iremos nos convencer de que foi a melhor opção.”

 

GRUPO 07

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12 Respostas to “Como decidimos? Parte 7”

  1. Luciana Dolci Says:

    Nesse capítulo foi interessante a forma como abordou-se o funcionamento do cérebro quando recebemos novas informações, na hora de tomarmos uma decisão e com nossos desejos, ou seja, a maneira como cada região do cérebro reage. E como podemos nos equivocar agindo apenas com a razão. Acho que um exemplo que cairia muito bem nesse capítulo seria o cérebro de um investidor no momento de decidir se compra ou não uma ação, ou seja, se uma ação está com preço baixo pode atiçar o cortex pré-frontal de alguns investidores, outros porém, podem preferir a excitação de especular no mercado financeiro, essa sensação pode ser explicada pela ativação do NAcc, que é considerado também o centro do prazer. Ainda há os que ficam mais tentados a assumirem riscos, esses possuem a Ínsula ativada, pois esta também diminui a percepção dos riscos. Acredito que ainda teria muito mais a analisar, talvez seria um experimento revelador, que explicasse muitas das ações dos investidores (algo que despertou minha curiosidade).
    Por fim, é importante sabermos ponderar nossas decisões para não dar “um curto circuito no processo”…rs.

  2. Priscila "Ω´" Pacheco Says:

    Um dos resumos mais legais, de um capítulo que possui muitos pontos relevantes e interessantes. Caminhando para uma conclusão, o autor mostra agora como ponderamos as opiniões divergentes do cérebro para tomar as decisões. Como a Luciana escreveu, seria muito interessante e revelador um experimento envolvendo investidores (realmente desperta a curiosidade). Por fim, chama a atenção o jeito como vemos através desse capítulo como que mesmo errados em um contexto geral podemos parecer corretos individualmente (para nós mesmos, no caso) e muitas vezes defender ideias que não condizem com a realidade (verdade?). Pode parecer simples, mas faz muito sentido! ^^

  3. Isabela P. S. Says:

    Este capítulo, apresenta de forma bastante interessante o papel final das nossas emoções nas escolhas que fazemos. Certamente uma situação de decisão eleitoral requer uma escolha baseada em aspectos práticos, porém isto está muito longe de acontecer, uma vez que pode não ser a razão quem solucionará nossa indecisão, e sim algum sentimento em relação aos candidatos. Realmente me parece que nenhum ser humano está livre de julgar ou criticar seu entorno sem se basear em critérios emocionais e razões pessoais. (Agora posso finalmente entender algumas respostas postadas aqui).

  4. Heber Mizuno Says:

    Vemos neste capítulo mais uma armadilha a se evitar. Nunca sabemos qual parte do cérebro devemos obedecer, isso acaba gerando muita incerteza, na qual é algo que não gostamos e temos a tendência de eliminar. Entretanto ao eliminarmos as incertezas, entramos em “conformismo” e acabamos ignorando informações e outras opções disponíveis.

  5. Orlando Yuzo Iwamura Says:

    O que achei mais interessante foi a constatação que gostamos de ter certeza, que ela nos conforta, nos traz alívio pois nosso cérebro muitas vezes entram em conflito com as diversas áreas onde cada uma possui uma linha de pensamento. Eliminando as incertezas os conflitos somem e ficamos mais tranquilos com a decisão. Engamos a nós mesmo para ter certeza? É uma questão interessante. Quando decidimos enganos a nós mesmo para evitar entrar em conflito com nós mesmo? Queremos evitar a pressão de tomar sempre a melhor decisão? Acredito que sim

  6. Diego "Metal" Luz Squilante Says:

    Legal o resumo, e o capítulo defende bem porque algumas pessoas aumentam o barulho da estática ou seguem “O Conceito” independemente das evidências. Saber da armadilha da certeza e procurar mediar os diferentes argumentos deve levar a uma melhor tomada de decisões, ou mesmo a olhar uma decisão passada e perceber um erro, ao invés de aumentar a estática e deixar seu país despreparado para uma invasão por insistir em um erro de inteligência.

  7. Thiago Zanandrea Moda Says:

    Muito interessante como o autor cita uma realidade de valor para a sociedade que é a escolha de seus representantes, onde mesmo os indivíduos mais carregados de informações deixam ser levados pelas emoções novamente, devido que nossas escolhas são feitas muitas vezes a partir de informações já estabelecidas em nossas mentes, e que muitas vezes ignoramos novas informações.
    O fato de que devemos usar somente a razão é eliminado neste capítulo, pois cada região do cérebro entra em conflito defendendo sua “decisão” como se fossem grandes advogados brigando por uma única causa, no final dessa discórdia perdemos partes importantes das informações e tomamos uma decisão ruim, ou seja, todas as áreas atuantes devem ser levadas em conta na hora da decisão.

  8. Rodrigo Sanches - Usuário Says:

    É notável como que comigo a insula e o cortex pré-frontal tem um peso bem maior nas reprovações quanto a excitação do NAcc, ainda mais quando falamos de aversão a preços. Talvez, solucionar isso, basta um cartao de crédito.
    Quero destacar que os ultimos dois parágrafos podem ser ilustrados de uma maneira bem pratica: uma prova, avaliação bimestral. Às vezes, criamos caminhos para poder acreditar – baseado em numeros, calculados errados – que estamos certos e extremamente confiantes em responder a questão daquela forma. No momento da correção, o professor chega até dar risada, perguntando de onde vem esse raciocínio.

  9. Bruno B. Zanardi Says:

    Simplesmente esse capítulo mostra o quão emocionalmente somos diante de situações que exigem racionalidade. Somos capazes de nos enganarmos e mais ainda, acreditar que nosso erro é a solução. Quantas vezes não discutimos sobre um assunto com uma pessoa acreditando que nossos argumentos estão corretos quando eles realmente não fazem sentido algum? As vezes isso pode acontecer pelo simples fato de que não conhecemos nada sobre o assunto e mesmo assim teimamos conhecer.

  10. Karina Pagan Says:

    O capitulo reforçou novamente a importância da emoção. O fato das pessoas usarem o seu lado emocional para fazer escolhas e não a totalidade de informações disponíveis,como no caso da escolha do presidente, foi bem interessante. Outro fato importante é que o cérebro possui áreas, como o NACC e a insula que estão constantemente em conflito e a existência desse desacordo acaba por explica muitas vezes o nosso sentimento de incerteza

  11. Natália Pagan Says:

    Como já mencionado nos outros capítulos, a parte emocional é responsável pela tomada de decisão,o que aparece neste capitulo é como podemos avaliar as nossas decisões tanto através do córtex pré-frontal (como foi visto no capitulo quatro) quanto a através da insula,esses são responsáveis por uma averiguação das decisões que estamos tomando.Então o fato que mais me chamou a atenção foi o conflito que ocorre no cérebro para verificar uma decisão,a incerteza que temos sobre ela e como a autoconfiança pode nos levar a soluções equivocadas.


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