Como decidimos? Parte 5

 

“Capítulo 5-Engasgando com o pensamento

Acredita-se que atitudes resultantes de uma decisão racional são, em geral, melhores que decisões tomadas impulsivamente, já que em tese evita erros por descuido. Entretanto, na realidade a racionalidade pode nos levar a tomar decisões não tão acertadas. O mesmo vale para o pensamento de que decisões tomadas com base em um grande número de informações será melhor, o que na verdade também não acontece. É sobre o efeito placebo,esses fatos descritos acima e como o córtex pré-frontal “funciona” em determinadas situações  que o capítulo irá falar,dando alguns exemplos para comprová-los.

Um exemplo que explica o primeiro fato é o colapso de Jean Van de Velde no último buraco da 1999 British Open, em que ele erra uma tacada importante no jogo fazendo-o se sentir inseguro e pressionado levando-o a pensar sobre os seus movimentos para efetuar a tacada. Estudos mostram que a partir do momento em que um jogador profissional deixa de fazer mecanicamente seus movimentos e passa a pensar sobre os mesmos em cada tacada, ele realiza jogadas menos satisfatórias; já no caso de jogadores iniciantes pensar mais sobre a jogada faz com que ele tenha resultados melhores, até que realize o movimento intuitivamente como o profissional. Nesse caso o pensamento racional  interfere nos movimentos já treinados pelo jogador deixando confuso e o prejudicando na tacada.

 Para descobrir a eficácia dos placebos foi realizada a seguinte pesquisa: Selecionaram estudantes e os dividiram em dois grupos, eles receberiam choques nas mãos sendo que um dos grupos receberiam um creme de alivio da dor falso e outro não receberia nada. Após o experimento o grupo que havia passado o creme falso disse que os choques foram significativamente menos dolorosos.Isto demonstra o poder do córtex pré-frontal para modular os mais básicos sinais corporais. O córtex pré-frontal pode desativar sinais de dores, mas também pode levar as pessoas a ignorar os sentimentos que a levam a fazer uma melhor tacada como no exemplo do jogador de golfe. O efeito placebo caracteriza-se então como uma poderosa fonte de auto-ajuda.

Outra versão do efeito placebo é a reação das pessoas aos preços dos produtos: eles acreditam que produtos mais baratos apresentam menor eficácia que os mais caros, mesmo que eles sejam idênticos. Foi realizada uma degustação de vinhos com objetivo de analisar esse efeito; vinte pessoas foram informadas que havia cinco tipos de vinhos diferentes, mas na realidade havia apenas três, ou seja, dois vinhos eram iguais, mas com marcações de preços diferentes. Não surpreendentemente, as pessoas  relataram que os vinhos mais caros tinham um gosto melhor . Fazendo uma análise do cérebro durante a pesquisa,eles chegaram à conclusão de queapenas uma região do cérebro parecia responder ao preço do vinho ao invés do gosto do vinho em si: o córtex pré-frontal. Em geral, os vinhos mais caros fizeram partes do córtex pré-frontal ficarem mais excitadas. Em vez de agir como agentes racionais – pegando o maximo de utilidade no menor preço possível- eles estavam escolhendo gastar mais dinheiro em um produto idêntico. É por isso que a aspirina de marca funciona melhor do que a aspirina genérica e a Coca-Cola tem gosto melhor que as “cocas”- colas mais baratas, mesmo se a maioria dos consumidores não possa dizer a diferença em testes “cegos”.

Com o ojetivo de comprovar que uma ligeira queda dos niveis de açúcar no sangue pode inibir o auto controle, realizou-se uma pesquisa onde  foi oferecido aos alunos uma limonada: metade deles tem limonada feita com açúcar, e a outra metade adoçada com um substituto do açúcar. Depois de dar o tempo para a glicose entrar na corrente sanguínea e no cérebro, os estudantes tiveram que tomar decisões sobre a compra de apartamentos. Descobriu-se que os alunos que tomaram a limonada sem açúcar eram significativamente mais vulneráveis a confiar no instinto e intuição ao escolher um lugar para viver, mesmo que os levassem a escolher os lugares errados é que os cérebros racionais desses alunos estavam simplesmente exaustos para pensar, eles precisavam repor seus niveis de açúcar. Esta pesquisa também pode ajudar a explicar por que ficamos bravos quando estamos com fome ou cansados: o cérebro é menos capaz de suprimir as emoções negativas provocadas por pequenos aborrecimentos.

Se um número aleatório tem um forte impacto em decisões posteriores denomina-se efeito ancoragem para demontrar isso considere os preços dos carros nas concessionárias,os preços  são inflados antes de serem marcados no carro,o que permite que o vendedor  ofereça descontos na hora de efetuar a venda até chegar em seu preço real. Se alguém está olhando para um carro, o preço de etiqueta serve como um ponto de comparação, desta forma o córtex pré-frontal fica convencido que o carro é uma pechincha, criando a ilusão de que o negócio se tornou melhor. O efeito de ancoragem demonstra como um único fato adicional pode distorcer sistematicamente o processo de raciocínio.

Dois exemplos podem demostrar o efeito do acúmulo de informação na tomada de decisões. Um deles é o teste feito pelo psicólogo Paul Andreassen onde ele deu uma carteira de ações para os alunos escolherem, depois disso os dividiu em dois grupos onde um grupo sabia se os preços estavam caindo ou subindo mas não sabiam os fatos que determinavam essas oscilações, já o outro tinha todas as informações sobre o mercado.O grupo que tinha a informação extra acabou fazendo previsões piores.

 O outro exemplo é no diagnóstico de dores nas costas,no início os médicos não tinham tantas informações,já que não tinham tecnologia suficiente,não conseguindo desta forma descobrir o diagnóstico, receitando apenas repouso.Com o avanço da tecnologia surgiram as ressonâncias que mostraram mais detalhes  das áreas doloridas o que poderia dar um diagnóstico mais confiavel,porem não foi isso que aconteceu.Com o excesso de informação os médicos se viam confusos em determinar o que era relevante ou não para  tratamento,o que os levou a diagnósticos errados. O córtex pré-frontal pode lidar somente com um tanto informações  de uma só vez, então quando uma pessoa dá-lhe muitos fatos e, em seguida, pede-lhe para tomar uma decisão baseada em fatos que lhe parecem importantes, isso é um problema.

Em ambos os casos, os métodos racionais causam erros na  tomada de decisão.  Às vezes, mais informações e análise pode fazer as pessoas se contrairem, fazendo com que entendam menos sobre o que realmente está acontecendo.No caso dos médico,em vez de focalizar a variável mais pertinente – a porcentagem de pacientes que  melhoraram após o repouso, por exemplo- sua atenção foi desviada por imagens irrelevantes da ressonância magnética.

Todos nós precisamos saber sobre as fragilidades inatas do córtex pré-frontal, para que não prejudiquem nossas decisões. O córtex pré-frontal é um desenvolvimento evolutivo magnífico, mas deve ser usado com cuidado. Pode monitorar pensamentos e emoções ajudar a avaliar, mas também pode paralisar, fazer uma pessoa  perder uma tacada de golfe,por exemplo . Quando alguém cai na armadilha de gastar muito tempo pensando sobre os movimentos para realizar a tacada ou sobre os detalhes de uma imagem de ressonância magnética, o cérebro racional está sendo usado de maneira errada.O córtex pré-frontal não pode lidar com tanta complexidade  por si só.”

GRUPO 05

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20 Respostas to “Como decidimos? Parte 5”

  1. Diego "Metal" Luz Squilante Says:

    Muti legal o resumo, sem se alongar muito passou pelos pontos mais importantes do capítulo: efeito placebo, ancoragem e como o córtex pré-frontal reage ao acúmulo de informações (que no livro, o autor comenta o ensaio do psicólogo Gerge Miller “E o Mágico Número Sete, Mais ou Menos Dois”). Acho que do capítulo é legal comentar ainda de como o cortéx pré-frontal tende a juntar informações em pedaços maiores, na tentativa de dimiuir o número de informações com as quais precisa trabalhar (exemplos do M&M’s, da sopa e da entrada do cinema). De maneira geral, é interessante como efeitos que parecem óbvios e frutos de falta de análise tem todos em comum a mesma fonte: o córtex pré frontal, centro de racionalidade de cérebro, a área responsável justamente por dizer conscientemente que esses efeitos não deveriam afetar a decisão.

  2. Priscila "Ω´" Pacheco Says:

    Realmente… um bom resumo (a cara de um blog, neh =P)! Considerei muito interessante (e relevante também) a explicação do efeito placebo… já que podemos observá-lo em nosso dia-a-dia, sem precisar de muitos esforços… basta ir ao mercado… todos temos aquele produto que consideramos superior aos outros (mesmo nunca tendo efetivamente provado dos outros)… hoje mesmo, falhei ao tentar fazer minha mãe comprar outra marca de leite condensado =X !!!!! Enfim… para destacar o final… mais uma vez descobrimos as peças pregadas por nosso cérebro, de uma parte que deveria ser totalmente mecânica, e a maneira como isto afeta nossas decisões.

  3. Larissa Lopes Says:

    Que bom que vcs gostaram…O capítulo tem vários exemplos e todos eles muito interessantes,foi difícil decidir quais usar.Mas acho que esse fato é explicado bem pelo capítulo uma vez que o grande número de informações(o numero elevado de bons exemplos) nos deixaram indecisas.O efeito placebo tbm foi muito interessante,nos mostrou como nos deixamos afetar pelo nosso emocional.Já que o Metal falou da sopa e do M&m ‘s vou explicar mais ou menos o que foram os exeprimentos:Foi colocado uma tigela com M&M’s na portaria de um hotel como uma colher ao lado para que as pessoas se servissem.Uma semana depois trocaram a colher e colocaram uma colher maior,eles observaram que desta forma as pessoas comeram mais,mesmo sendo possivel no primeiro caso que elas comessem duas colheres de M&M’s e no segundo que comesse apenas meia colher de M&M’s.O mesmo vale para a sopa:eles deram um prato “sem fundo(havia um cano no fundo do prato)”,e viram que as pessoas que utilizavam esse prato comiam bem mais que as pessoas que tinham o prato normal.Embora seja verdade, a conclusão não é de que somos péssimos em contar as coisas,mas sim de que tratamos as coisas em medidas específicas.Por exemplo,contamos o quanto comemos pelos prato de sopa,ou pela quantidade de colherees de M&M’s que ingerimos sem nos preocuparmos com o tamanho destes.

  4. Heber Mizuno Says:

    Fui surpreendido neste capítulo, não esperava que justamente o córtex pré-frontal cairia na armadilha dos preços altos (esperava ser outra região do cérebro). Quanto ao “pior funcionamento” do cérebro quando estamos com fome, se não estou enganado já vi algo que dizia o contrário (quando estamos com um pouco de fome rendemos mais).

    • Diego "Metal" Luz Squilante Says:

      Eu já vi estomago vazio, pq n existe concentração de fluxo sanguíneo no estomago, permitindo maior ‘abastecimento’ para o cébrebro, estomago vazio = fome? =x E fala especificamente de privação de açucar, não é?

      • Anna Carolina M. del Cura Says:

        Nossa, pra mim em particular foi sempre o contrário, quando estou com fome ou estômago vazio eu rendo menos, pois isso começa a me dar dor de cabeça e aí só quero saber de ficar quieta no meu canto, não consigo raciocinar mais nada. Vou pesquisar mais a respeito disso 😉

      • Priscila "Ω´" Pacheco Says:

        Acredito que isso pode até ser verdade… porém a ansiedade cria a sensação de fome também? Logo, talvez você com fome não esteja realmente com fome! (foi confuso… eu sei!! o.O )

  5. Isabela P. S. Says:

    A análise feita nesse capítulo evidencia a dualidade da ponderação entre razão e emoção. Um dos melhores exemplos foi o dos jogadores iniciantes e experientes. Enquanto para um pensar é melhor, para outro, agir instintivamente é a melhor opção.
    A situação da degustação dos vinhos, certamente é universal, pois algumas vezes já me encontrei julgando produtos pelo preço, ou por marca.
    Finalmente, o fato de médicos terem dificuldade em precisar diagnósticos devido à grande quantia de informações me surpreendeu. Isto realmente comprova que não podemos processar mais de sete fontes de informação ao mesmo tempo. E que o excesso do uso da razão pode atrapalhar.

    • Priscila "Ω´" Pacheco Says:

      Realmente… muitas vezes é mais produtivo deixarmos levar pela emoção… ou talvez… pela intuição… um bom médico tem história, estudos e bagagem sua intuição pode valer bem mais do que n informações (vide House md.)!

  6. Anna Carolina M. del Cura Says:

    Esse negócio de muita informação prejudicar as decisões é muito verdade. Quando nós temos acesso a mtas coisas, ficamos perdidos sem conseguir ordenar as informações relevantes e assim tomar a melhor decisão. Acho q nosso cérebro entra em “pane” e nos leva a atitudes mais impulsivas.

  7. Orlando Yuzo Iwamura Says:

    Gostei do resumo, foi simples e objetivo. A parte mais interessante que eu achei foi o efeito placebo do preço sobre os produtos. Eu acho que no teste do vinho estaria induzido a gostar mais do vinho mais caro.

  8. Karina Pagan Says:

    Este capítulo na minha opinião foi uns dos melhores .O fato do córtex pré- frontal fazer “pegadinhas “ a respeito das escolhas de produtos idênticos ,mas com preços diferentes foi que mais me chamou a atenção.Outro fato que também mostrou-se interessante foi como o comportamento de uma pessoa é influenciada pela quantidade de açúcar e cansaço e como o excesso de informações pode acarretar em decisões ineficientes

  9. Rodrigo Sanches - Usuário Says:

    Seguindo o que o Orlando falou também friso aqui: objetividade. Muito bom!
    A respeito do assunto, pensava completamente o inverso: quanto mais informação, mais possibilidade de fazer a escolha certa, ou melhor, uma escolha próximo do certo. Mas, depois de ler o post, lembrei de algo: quando tenho exercício para fazer em casa, leio e o resolvo (dê uma pausa entre leio e resolvo rsrs). Chega na aula, com colegas, eles acrescentam varias outras coisas, dizendo: você não pensara nisso. A complexidade dos “palpites” vai aumentando tanto, que no fim, o exercício que poderia ter entregado não consegui resolver (rsrsrs).

    Como foi dito, a grande adição de informações podem ofuscar a decisão. Acredito que deveríamos ser capazes – e será que não podemos? – de, dado um determinado produto que queremos comprar, saber qual é o quesito mais importante que usaríamos para fazer a separação (o mais restritivo) e aplicar por ultimo. Por exemplo, no caso do vinho, deveríamos escolher por gosto (o que não é possível na maioria das vezes) e por ultimo o preço.
    Mas, convenhamos se é de responsabilidade do córtex pré-frontal decidir, e ele decide errado e ainda, se ele tem sua formação devida a internalização dos erros – ideia dos primeiros capítulos – porque não esperar que um dia ele ‘aprenda’ a tomar a decisão com base nas variáveis que realmente importam? Pode ser somente uma questão de treino!

    Observação: alguém me lembre de tomar garapa antes de vir para a prova de Finanças, precisarei de muito açúcar.

  10. Natália Pagan Says:

    Gostei muito deste capitulo, principalmente porque ele mostrou que mesmo quando tomamos uma decisão racional não significa em parte que ela estará correta.O exemplo do índice de açúcar também foi muito interessante,(o que eu mais gostei) achei curioso que a quantidade de açúcar no sangue ajudasse na tomada de decisão.Um outro exemplo interessante foi sobre a quantidade de informações, sempre falam que mais informações é sempre importante,mas justamente pela quantidade desta, em algumas situações, pode nos levarmos a nos dispersarmos dos objetivos.

  11. Thiago Zanandrea Moda Says:

    O efeito placebo tem muita influência nas minhas decisões, às vezes quando estou na dúvida sempre acabo gostando dos produtos mais caros, agora entendo o motivo ! O excesso de informação foi algo que me deixou surpreso, pois achava que quanto mais informação tivesse, melhor seria minha chance de tomar a decisão correta, mais isso não é possível devido a uma limitação do córtex pré-frontal que pode lidar somente com um tanto informações.


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