Como decidimos? Parte 8 e Coda

 

How we decide – Capítulo 8

O capítulo 8 intitulado “A Mão de Pôquer” inicia-se contando a trajetória de Michael Binger, um físico da Universidade de Stanford que além de estudar física também é jogador profissional de pôquer.

O pôquer é considerado em sua essência, um jogo de profundidade estatística, em que cada mão é classificada de acordo com sua raridade. Um jogador que consegue analisar as probabilidades envolvidas com as cartas que possui em mãos tem uma vantagem distinta sobre seus oponentes, uma vez que probabilidades maiores indicam uma maior chance de ganhar a mão. No entanto, o pôquer não se baseia apenas em um jogo de cartas, o ato de apostar envolvido em cada rodada é o que faz do pôquer, em especial o Texas hold’em uma arte, uma mistura de dramaturgia e teoria dos jogos. O simples ato de aumentar a aposta possui significados simples, porém difíceis de interpretar. Um jogador que aumenta a aposta pode estar confiante nas cartas que tem em mãos ou então, está blefando e tentando intimidar os outros jogadores a desistirem do jogo para ele ficar com todo o dinheiro. O desafio dos jogadores de pôquer é saber qual a verdadeira intenção do jogador. Essa habilidade é o que jogadores profissionais tentam desenvolver, para isso eles analisam os padrões comportamentais dos jogadores e buscam o menor engano na fala ou no gesto de cada um. Sendo assim, os melhores jogadores de pôquer são também os mais mentirosos. Eles são capazes de envolver seus adversários com blefes sinceros e apostas imprevisíveis.

Para Binger, entender o jogo de cartas consiste em centrar-se nas variáveis mais importantes que estão envolvidas, pensar com clareza e não ficar distraído.

O pôquer é um jogo que possui duas linhas de raciocínio para se ganhar uma partida. Uma que envolve a análise estatística já abordada e a outra que esta associada à indecisão da tomada de decisão. Quando não há respostas óbvias, um jogador de pôquer é forçado a tomar uma decisão utilizando o cérebro emocional. E assim a intuição que vaga sobre a mão, o palpite inexplicável sobre seu oponente, acaba se tornando um fator decisivo.

Os melhores jogadores de pôquer também sabem quando não devem levar apenas a matemática na tomada de decisão. As estatísticas são limitadas e os números não são capazes de dizer tudo. Em determinadas situações é importante ouvir seus próprios sentimentos, mesmo que eles nem sempre respondam a todas as perguntas. Essa é a realidade do pôquer, não é possível construir um modelo perfeito sobre ele.

Dijksterhuis, um psicólogo da Universidade de Amsterdã realizou diversas pesquisas constatando que é melhor realmente usar o cérebro emocional em decisões que envolvam muitas variáveis, pois o córtex tende a simplificar o problema e analisar uma única variável. Dijksterhuis observou ainda em suas pesquisas que quanto mais tempo às pessoas analisavam suas opções, menos satisfeitas com a compra elas ficavam, assim como ao reaplicar o estudo de Timothy Wilson (cap. 5), ele confirma que em situações complexas e subjetivas a tomada de decisão não é melhorada ao envolver o cérebro racional. Agora sabemos que em questões subjetivas a melhor decisão pode ser obtida pelo cérebro emocional, mas como? Talvez o melhor seja adquirir o máximo de informação e se distrair por algum tempo, deixando que o problema fique vagando pelo inconsciente, para só então decidir.

É muito comum no dia a dia tomarmos decisões simples com o emocional e deixarmos decisões mais complexas para o córtex, quando deveríamos fazer exatamente o contrário (isso pode ser algo bem difícil de aceitar), pois comprar um utensílio de cozinha ou escolher o almoço é um problema simples, já decisões tais como a de comprar um carro, um imóvel ou mesmo um sofá envolve muitas variáveis e sobrecarregam o córtex levando a uma pior decisão. Essa ideia não se aplica apenas as compras, mas também diversas situações como um jogo de pôquer ou aos negócios, desde que haja experiência suficiente naquilo que domina (ter gasto certo tempo treinando os neurônios de dopamina).

Binger começou a obter maior sucesso no pôquer ao aceitar que não há solução para o jogo, apenas as probabilidades não são suficientes. O mesmo se aplica aos mercados financeiros, nos dois casos os agentes devem tomar decisão com informação incompleta. Em pesquisa de Lo Andrew, com especuladores e traders foi observado que as melhores decisões foram tomadas com o cérebro emocional enquanto as piores decisões foram tomadas quando as emoções estavam em silêncio. Parece haver uma faixa ideal de respostas emocionais que traders e jogadores de pôquer profissionais parecem exibir, os melhores são aqueles capazes de encontrar esse equilíbrio e desenvolver um sistema cerebral capaz de melhorar o desempenho um do outro.

Podemos observar que Binger está sempre usando o córtex para interrogar suas emoções, isso não quer dizer que ele as ignore, na verdade ele está evitando algum erro emocional óbvio, como em um momento em que se perdem muitas fichas no pôquer com uma boa mão gerando um descontrole emocional e tendendo querer recuperá-las rapidamente. A parte racional é mais apta a monitorar sentimentos e deve ser usada nos momentos em que o cérebro está mais certo de sua decisão. Este é o segredo de Binger, seu cérebro é flexível e capaz de alternar entre emoções e racionalidade. As decisões nunca são simples, se isso acontecer é nesse momento que o córtex deve entrar em ação para questionar o que pode estar errado. O questionamento é importantíssimo no processo decisório, pois faz com que diversas áreas do cérebro sejam utilizadas assim como toda a informação disponível, em contrapartida quando caímos em crises de certeza muitas áreas do cérebro são ignoradas assim como informações, levando a uma decisão pior.

Com a intenção de sintetizar todo o conteúdo visto, o autor propõe alguns “princípios” para tomar uma decisão próxima da certa. Ou seja, quando usar a razão ou emoção ou ambos? Observe que, não é um algoritmo e sim, algo que vem a calhar em algumas decisões.

Primeiro princípio – Problemas simples exigem razão – Há problemas que devem ser resolvidos utilizando nossa velha calculadora, a razão. E outros que exigem a análise de muitas variáveis e que o emocional pode levar à melhor decisão.

Segundo princípio – Problemas novos exigem razão – Utilizar a razão e experiências já vividas para solucionar um novo problema, tal solução pode até ser de maneira criativa devido a conexão existente entre o já vivido e o racional. Nesse caso, a emoção tem um papel importante: se ele estiver bem emocionalmente a decisão será melhor.

Terceiro Princípio – Abraçar a incerteza – precisamos nos perguntar qual é a origem da decisão: se ela advém da experiência, ou somente de um impulso aleatório, somado com a analise das possibilidades de erro e, ainda, conseguir perceber o que está em jogo para evitar surpresas desagradáveis.

Quarto princípio – Você sabe mais do que pensa – O cérebro emocional é o responsável pela tomada de decisões complexas. Ele garante que todas as informações relevantes serão analisadas, e ainda, divide as dúvidas em partes gerenciáveis, e depois o transforma em sentimentos práticos. E o melhor dele é transformar os erros em eventos educacionais, ou seja, você aprende com o erro. No entanto, às vezes o cérebro emocional pode ser impulsivo e míope nas decisões. Isso nos diz que devemos ser razoáveis com as emoções, lembrando que ela é uma grande fonte de informações, mas nem sempre utilizáveis.

Quinto princípio – Pensar sobre o pensamento – Se você tem muitas variáveis para analisar, defina quais são as prioritárias e pense sobre elas. Assim, estamos sujeitos a pensar nas falhas de cada decisão e reduzi-las ao final. Mas caso o erro ocorra, devemos desfragmentá-lo e pensar na melhor decisão. Lembre-se que aprendemos com os erros.

Já aplicando o terceiro princípio aqui, não se deve ter certeza, de imediato, que sabes aplicar o quinto princípio. É aparentemente simples, porém o mais trabalhoso. Conseguir desenvolver esse princípio exige treino, e por consequência, tempo. Os grandes jogadores de pôquer, como Binger, mesmo vencendo o torneio, ao final do jogo, repensam algumas jogadas em que perderam dinheiro e analisam como deveriam ter feito; o diretor executivo de uma televisão, ao errar na escolha de um autor, aprenderá como não deve ser o próximo; os pilotos de avião enfrentam diversas situações em simuladores de voo que os permitem criar bagagem para terem criatividade de enfrentar novos erros; e esses exemplos são os que melhor explicam porque as emoções são inteligentes: porque ela tem a capacidade de tornar o erro um evento educacional, guardando a solução que era conveniente naquele momento, ou seja, sempre vamos poder tomar melhores decisões.

Podemos sempre tomar melhores decisões. O autor neste capitulo mostra, de uma forma mais aplicada – com jogos, pesquisas de compra, investimentos – a combinação de razão e emoção que nos leva a uma decisão. Com os princípios, ele mostra que é possível atingir um mix ótimo – ou próximo dele – que nos leve a boas decisões. Porém ele ressalta: não se desespere quanto ao erro, ele serve para que aprendamos a tomar melhores decisões quando problemas semelhantes ou que conduzam a mesma sistemática venham a ocorrer novamente.

How we decide – CODA

Enfim, de uma maneira bem sucinta, o autor procura fazer uma analogia do sistema de decisão humano (razão e emoção) com o gerenciamento de um voo e seus pilotos.

Comparando a vários pontos citados no texto, o autor vai demonstrando situações (até já citadas nos capítulos) que os pilotos tiveram que enfrentar e o que isso significa no nosso cérebro.

Imagine a cabine de um avião, repleta de computadores: logo acima do para-brisa estão os terminais do piloto automático, que podem manter um avião em curso sem nenhum comando do piloto; na frente os manetes; uma tela que faz a transmissão de informação sobre o estado do avião, a partir de seus níveis de combustível e de pressão hidráulica; mais próximo fica o qual monitora a trajetória de voo e grava a posição e velocidade do avião, então há o painel de GPS; uma tela para atualizações meteorológicas e um monitor de radar. Estes computadores são o cérebro emocional do avião -, e quando trabalham juntos, formam a amígdala do avião.

Os pilotos são o córtex pré-frontal do avião, ficando responsáveis por monitorar cada computador e extrair as informações necessárias deles. Ficam sob sua responsabilidade, as decisões e intervenções.

Os simuladores de voo são os responsáveis por gerar os cenários, criando experiência através dos erros.

Da mesma forma que sob algumas situações congelamos – ou continuamos a jogar nos caça-níqueis – vem a razão para nos ajudar a melhorar nossa decisão, analogamente, os melhores sistemas de piloto automático vão cometer erros. Eles vão soltar, congelar, pilotar o avião em caminhos perigosos, a menos que o piloto esteja lá para corrigir o erro, desligar o computador e puxar o nariz do avião para cima.

Os pilotos também podem errar nas decisões. Eles se esforçam para acompanhar todas aquelas telas diferentes em sua frente, ou seja, a ilustração do funcionamento de nossa velha calculadora não podendo trabalhar com muitas variáveis.

Como na aviação, o primeiro passo para tomar boas decisões é nos observar. Precisamos nos conhecer fielmente detectando pontos fortes e fracos. Depois, devemos usar as ferramentas que vão penetrar na nossa mente para que molde nosso comportamento. Por fim, unir todo o conhecimento, prática e experiência – se já não são sinônimos – e trabalhá-los.

GRUPO 08″

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Síndrome de quase fim de semestre

Não tem jeito, ela está de volta… uma ano fora das salas de aula e achei que seria suficiente para aplacar a minha síndrome de fim de semestre. Não foi. E pior: ainda nem corrigi as provas intermediárias!!

Minha síndrome aparece na forma de um desânimo e um cansaço em dispender energia para tornar o processo de ensino-aprendizagem mais eficiente, buscando formas mais adequadas de tratar os conteúdos, enfatizando o senso de continuidade dos temas abordados em aula, tentando inovações didáticas, etc, etc… Nada parece funcionar para que os estudantes compreendam seu papel no seu próprio processo de aprendizado: eles continuam lá, corpos presentes, mentes ausentes, como se aprendessem por osmose, raramente se dedicando àquilo que deles se espera – estudar, manter uma rotina do que eu chamo “horas-bunda de estudo”. Ok, você pode pensar que o problema não seja esse, que simplesmente a maior parte dos alunos (ou todos) opta por estudar outras disciplinas que não a minha, por motivos de afinidades pessoais com o conteúdo e/ou com o professor. É verdade. Isso pode acontecer, porém ainda não encontrei, em quase quinze anos de docência, um colega que me diga: “poxa, em média, essa turma estuda a minha matéria! participa das aulas fazendo questões interessantes (porque estudam antes da aula) e respondendo às questões que eu proponho, uma beleza!!”.

Sempre tenho longas conversas com alguns poucos colegas (de outras áreas) que se preocupam com o ensino e a formação dos estudantes, minha suspeita é a de que nosso sistema educacional forma robos passivos que vão às aulas esperando receber “cuspe e giz”. Pode até ser que seja, mas, poxa! no segundo ano de faculdade, com a idade e a experiência, já dá para começar a perceber que isso não funciona e que aprender depende mais de si do que do sujeito que está na frente da lousa!!

Até o final do semestre, minha síndrome se agrava e com certeza eu vou voltar aqui no papel de professora chata… rs

Felizmente, e porque minha decisão pela carreira docente é emocional e não racional, a cada nova turma eu recupero a esperança em que “dessa vez vai ser diferente”, afinal, estamos na Universidade de São Paulo, e se as coisas não melhorarem por aqui… enfim…

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Como decidimos? Parte 7

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“Capítulo 7 – “O cérebro é um argumento”

 

O capítulo 7 irá permear sua discussão em torno das decisões influenciadas pelo lado sentimental e emocional da pessoa.

Ele inicia seu argumento apresentando uma situação de debate entre candidatos à presidência. Onde as pessoas são bombardeadas de novas informações, de um confronto de opiniões (às vezes divergentes). A partir disso, elas iniciam o processo de formar sua opinião. Contudo, mesmo diante de uma opinião contundente, bem elaborada  e sólida, elas terão tendência a se confrontar internamente buscando laços sentimentais, ou opiniões previamente formadas de forma que possam ancorar sua decisão no que elas sentem, e não nos fatos observados durante o debate. Ou seja, não mudariam seus votos ainda que fossem vencidas pela boa argumentação e exemplificação.

E esse fato não se restringe a decisão de um voto. Outro exemplo dado é a decisão de escolha entre cereais em um supermercado, onde você será confrontado entre a opção mais apetitosa  contra a mais saudável. Onde essa escolha se dará pelo lado menos desenvolvido, já que nossas escolhas são inconscientemente calculadas em nível emocional, em prejuízo da lógica.

Para comprovar esse dado, foi sugerida a realização de um experimento. Um adolescente seria apresentado a um objetivo por alguns segundos, e logo após seria lhe apresentado o preço. Mapeando o cérebro durante esse processo, foi constatado que o NACC estava em funcionamento. Essa parte é responsável por “quantificar” o desejo por aquele objetivo, livre de segundas analises. Ou seja, caso esse adolescente já possuísse o objeto em questão, o NACC não seria fortemente ativado.

Na segunda parte do experimento (apresentação do preço) são ativados a insula e o córtex pré-frontal. Sendo a primeira responsável por sentimentos aversivos. Por exemplo, um fumante obrigado a se abster de seu vício ou um sentimento de dor, ambos irão despertar a insula. Isso inclui também o ato de gastar dinheiro. Por outro lado, o córtex pré-frontal irá ponderar os sentimentos e realizar os cálculos para averiguar se trata de um bom negócio.

Desse experimento, os cientistas puderam prever qual seria a tomada de decisão do individuo, baseado no grau de ativação dos pontos supracitados.

É claro que nós gostamos de acreditar que nossas decisões refletem um claro consenso cortical, que toda a mente concorda no que devemos fazer. O NACC pode querer o objeto, mas a ínsula sabe que você não pode pagar por isso, ou o córtex pré-frontal entende que é uma má ideia. Esse tipo de reação antagônica se manifesta como uma pontada de incerteza. Você não sabe em que acredita. E você certamente não sabe o que fazer.

O dilema é como conciliar os argumentos. Uma solução simples: forçar um acordo. As partes racionais da mente deveriam interferir e colocar um fim em todo conflitos emocionais.

Embora a solução acima pareça ser uma boa ideia este resultado deve ser usado com grande cuidado. O problema é que a pressa de acabar com a incerteza geralmente leva a negligenciar partes importantes da informação e acaba tomando uma decisão ruim. Em uma citação vemos o seguinte: “Você não pode dar um curto circuito no processo”.

É bom ter certeza. Confiança é reconfortante. O desejo de estar sempre certo é um perigoso efeito colateral de ter tantas regiões do cérebro competindo dentro da cabeça. Você nunca sabe qual área do cérebro que você deve obedecer. Não é fácil fazer seu pensamento quando sua mente é composta de muitas partes concorrentes.

É por isso que estar certo sobre algo pode ser um alívio. O estado padrão do cérebro é indeciso desacordo; várias partes mentais estão constantemente insistindo para que as outras partes estejam erradas.

Outro experimento foi feito para conseguir um cérebro a traçar diferentes conclusões. Tratava-se em apresentar ao individuo uma mesma situação com pontos de vistas diferentes. Mas deste teste, algo inusitado aconteceu: pacientes conscientemente confusos e com opiniões divididas conseguiam traçar explicações plausíveis sobre suas ridículas imprecisões, deixando-os confiantes de suas respostas.

Naturalmente, a autoconfiança do paciente com divisão do cérebro é claramente enganada. Como resultado, cada um de nós finge que a mente está em pleno acordo com ela mesma, mesmo quando não é. Nós enganamos a nós mesmos para ter certeza.

Nesse capítulo o autor mostra como nossas escolhas são feitas muitas vezes a partir de informações já estabelecidas em nossas mentes, e que muitas vezes ignoramos novas informações novas ou as maquiamos para que se ajustem às nossas escolhas anteriores; e quando em desalinho com uma conclusão única, tenderemos a tomar aquela que traz mais “desculpas” e iremos nos convencer de que foi a melhor opção.”

 

GRUPO 07

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Como decidimos? Parte 6

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“Capítulo 6 – A Mente Moral

 

Como anunciado no final do último capítulo, o capítulo seis discutirá outra esfera da tomada de decisões: decisões morais e moralidade.  Iniciando-se a partir da análise da psicopatia para entender quais processos não estão presentes nestes cérebros, busca-se compreender então como a maioria das pessoas toma estas decisões.

Psicopatas não se simpatizam com os outros, o que os leva a agir de maneira a não levar os sentimentos dos outros em consideração, e moralidade é vista basicamente como tratamos outras pessoas. Embora considerados normais em todos outros aspectos, psicopatas diferem por possuírem o cérebro emocional danificado, criando um vazio emocional. Este vazio os torna indiferentes a cenas de violência ou dor sobre outros, palavras que contenham sentido de causar mal a outro, ou mesmo a mentir.  O principal problema causador disto parece ser uma amígdala defeituosa. Sendo a amígdala a responsável por sentimentos negativos como medo e ansiedade, psicopatas não se sentem mal por fazer outros sofrerem.

Enquanto a conexão entre moralidade e emoção, ao invés de razão, possa ser perturbadora, na prática as emoções decidem sobre a moralidade de uma decisão e então a parte racional busca motivos e defesas para esta decisão. Lógica, legalidade, filosofia e teologia têm pouco a ver com esta tomada de decisão. No livro, o autor usa um cenário moral criado por Haidt, em que dois irmãos fazem sexo e o pesquisador retira contextualmente todo e qualquer empecilho advindo desta relação, e as pessoas continuam julgando tal fato imoral, sem poder defender este julgamento racionalmente. Este seria o motivo de psicopatas serem tão perigosos: a eles faltam as emoções que guiam as decisões morais em primeiro lugar. Desta forma, a parte racional do cérebro pode defender qualquer decisão, dado que as emoções não dizem para não serem violentos, por exemplo.

Uma vez que decisões morais são decisões de diferente natureza, os circuitos responsáveis por decisões morais fazem parte de uma adaptação biológica recente que nos distancia da maioria dos outros animais, notadamente por sermos os mais sociais dos animais. Isto foi descoberto analisando-se o cérebro das pessoas enquanto estas tomam decisões morais. As imagens colhidas em experimentos mostram que se ativam circuitos diferentes no cérebro se a decisão for pessoal ou impessoal. Decisões impessoais, que podem ser descritas pelo fato de uma pessoa afetar outros indiretamente por suas ações, são tomadas pelos circuitos de tomada de decisões racionais; enquanto decisões pessoais, descritas como ações realizadas diretamente sobre alguém, são tomadas por outros circuitos, responsáveis por interpretar os pensamentos e sentimentos de outras pessoas. Exemplo aplicado disso, a mudança no treinamento militar americano depois de descoberta a baixa taxa de tiros contra inimigos durante a guerra, tamanho o medo dos soldados americanos de matarem. O novo treinamento focou-se na encenação exaustiva do abatimento do alvo, de modo a tornar isto algo mais natural, e no uso de táticas que envolvem decisões mais impessoais, como o bombardeio.

O autor, então, argumenta que ser simpático exige que o cérebro crie uma teoria sobre o estado de espírito de outra pessoa. Na falta de informações reais sobre outros, tendemos a nos colocar no lugar de outra pessoa para imaginar como nos sentiríamos, e isto acaba criando simpatia.  Este fato é explicado no livro com o experimento do jogo do ultimato, em que participantes ofereceram dividir mais igualmente o dinheiro, antecipando como outros participantes se sentiriam. Os próximos experimentos servem de base para argumentar em favor de uma tendência do cérebro em tentar encontrar estados de espírito que pode inclusive se estender a objetos inanimados, uma correlação positiva entre atividade nas regiões simpáticas e a inclinação ao altruísmo, e um sistema de recompensa por altruísmo que chega a oferecer maior sensação de prazer do que ganhos pessoais. 

Seguindo a linha de utilizar exemplos de mentes danificadas para entender a mente normal (como no caso da psicopatia), o livro traz uma série de estudos sobre autismo e como isto afeta os circuitos simpáticos. Uma das áreas do cérebro afetada pelo autismo é chamada de “neurônios espelhos”, responsável por copiar outra pessoa, simulando a ação percebida dentro do cérebro.  Consequentemente, autistas não conseguem espelhar o sentimento de outros, e não reagem perante alguém com raiva ou alegre, por exemplo. Além disso, autistas não apresentam atividade em uma área para reconhecimento facial, e precisam tentar entender um rosto de forma puramente racional, como fariam com uma cadeira, por exemplo. Estas duas áreas ajudam a explicar o isolamento emocional de um autista, e a falta de simpatia decorrente. Quando participam do jogo do ultimato, autistas tendem a ser racionais sem antecipar o sentimento dos outros participantes, oferecendo mais divisões injustas do dinheiro e aumentando a chance de rejeição.  Posteriormente, experimentos mostraram que pessoas isoladas de outros participantes, portanto sem o contato visual que poderia estimular o circuito simpático, tendem a agir como os autistas. Mais ainda, quando é dado muito poder a um individuo, ou este toma uma decisão baseada em estatística pura, o altruísmo não encontra equivalência nas respostas emocionais, e as decisões são mais egocêntricas.

Finalmente, cérebros com potencial para serem simpáticos ainda precisam de certas experiências para poder desenvolver-se de forma plena. Particularmente, abuso infantil causa um isolamento do cérebro emocional, de forma a desligar o sistema simpático. Assim, crueldade e abuso geram mais crueldade e abuso.  Com o experimento de Harry Harlow, ficou claro como estas experiências afetam macacos sem nenhum contato com um similar, e este resultado foi comprovado em seres humanos com os eventos que se sucederam na Romênia Comunistas, onde a superlotação de órfãos criou esta mesma falta de afeição, com resultados de isolamento emocional semelhantes. Em outro experimento, crianças que foram abusadas não conseguiam consolar outra criança que chorava, e mesmo quando tentavam, terminavam por abusar física ou psicologicamente da outra criança. O ciclo de isolamento emocional perpetuava-se.  A conclusão, por outro lado, é que em mentes ditas como normais, que não sofreram abusos e puderam desenvolver-se sem distúrbios adicionais, os circuitos simpáticos se manifestem de forma a evitar a dor ou sofrimento de semelhantes.  O último experimento do capítulo cita como macacos rhesus evitaram a dor de outro macaco à custa de obter menos de sua comida favorita, ou mesmo passar fome, explicitando como o sistema simpático age de forma a simular os sentimentos de outros e considera-los antes de tomar uma decisão.

De forma concisa, o capítulo visa demonstrar através de experimentos e exemplos como a simpatia, suposta base da moralidade, fundamenta-se na capacidade do cérebro emocional de gerar respostas ao sentimento do outro, e não na razão, como se acreditava.”

GRUPO 06

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Como decidimos? Parte 5

 

“Capítulo 5-Engasgando com o pensamento

Acredita-se que atitudes resultantes de uma decisão racional são, em geral, melhores que decisões tomadas impulsivamente, já que em tese evita erros por descuido. Entretanto, na realidade a racionalidade pode nos levar a tomar decisões não tão acertadas. O mesmo vale para o pensamento de que decisões tomadas com base em um grande número de informações será melhor, o que na verdade também não acontece. É sobre o efeito placebo,esses fatos descritos acima e como o córtex pré-frontal “funciona” em determinadas situações  que o capítulo irá falar,dando alguns exemplos para comprová-los.

Um exemplo que explica o primeiro fato é o colapso de Jean Van de Velde no último buraco da 1999 British Open, em que ele erra uma tacada importante no jogo fazendo-o se sentir inseguro e pressionado levando-o a pensar sobre os seus movimentos para efetuar a tacada. Estudos mostram que a partir do momento em que um jogador profissional deixa de fazer mecanicamente seus movimentos e passa a pensar sobre os mesmos em cada tacada, ele realiza jogadas menos satisfatórias; já no caso de jogadores iniciantes pensar mais sobre a jogada faz com que ele tenha resultados melhores, até que realize o movimento intuitivamente como o profissional. Nesse caso o pensamento racional  interfere nos movimentos já treinados pelo jogador deixando confuso e o prejudicando na tacada.

 Para descobrir a eficácia dos placebos foi realizada a seguinte pesquisa: Selecionaram estudantes e os dividiram em dois grupos, eles receberiam choques nas mãos sendo que um dos grupos receberiam um creme de alivio da dor falso e outro não receberia nada. Após o experimento o grupo que havia passado o creme falso disse que os choques foram significativamente menos dolorosos.Isto demonstra o poder do córtex pré-frontal para modular os mais básicos sinais corporais. O córtex pré-frontal pode desativar sinais de dores, mas também pode levar as pessoas a ignorar os sentimentos que a levam a fazer uma melhor tacada como no exemplo do jogador de golfe. O efeito placebo caracteriza-se então como uma poderosa fonte de auto-ajuda.

Outra versão do efeito placebo é a reação das pessoas aos preços dos produtos: eles acreditam que produtos mais baratos apresentam menor eficácia que os mais caros, mesmo que eles sejam idênticos. Foi realizada uma degustação de vinhos com objetivo de analisar esse efeito; vinte pessoas foram informadas que havia cinco tipos de vinhos diferentes, mas na realidade havia apenas três, ou seja, dois vinhos eram iguais, mas com marcações de preços diferentes. Não surpreendentemente, as pessoas  relataram que os vinhos mais caros tinham um gosto melhor . Fazendo uma análise do cérebro durante a pesquisa,eles chegaram à conclusão de queapenas uma região do cérebro parecia responder ao preço do vinho ao invés do gosto do vinho em si: o córtex pré-frontal. Em geral, os vinhos mais caros fizeram partes do córtex pré-frontal ficarem mais excitadas. Em vez de agir como agentes racionais – pegando o maximo de utilidade no menor preço possível- eles estavam escolhendo gastar mais dinheiro em um produto idêntico. É por isso que a aspirina de marca funciona melhor do que a aspirina genérica e a Coca-Cola tem gosto melhor que as “cocas”- colas mais baratas, mesmo se a maioria dos consumidores não possa dizer a diferença em testes “cegos”.

Com o ojetivo de comprovar que uma ligeira queda dos niveis de açúcar no sangue pode inibir o auto controle, realizou-se uma pesquisa onde  foi oferecido aos alunos uma limonada: metade deles tem limonada feita com açúcar, e a outra metade adoçada com um substituto do açúcar. Depois de dar o tempo para a glicose entrar na corrente sanguínea e no cérebro, os estudantes tiveram que tomar decisões sobre a compra de apartamentos. Descobriu-se que os alunos que tomaram a limonada sem açúcar eram significativamente mais vulneráveis a confiar no instinto e intuição ao escolher um lugar para viver, mesmo que os levassem a escolher os lugares errados é que os cérebros racionais desses alunos estavam simplesmente exaustos para pensar, eles precisavam repor seus niveis de açúcar. Esta pesquisa também pode ajudar a explicar por que ficamos bravos quando estamos com fome ou cansados: o cérebro é menos capaz de suprimir as emoções negativas provocadas por pequenos aborrecimentos.

Se um número aleatório tem um forte impacto em decisões posteriores denomina-se efeito ancoragem para demontrar isso considere os preços dos carros nas concessionárias,os preços  são inflados antes de serem marcados no carro,o que permite que o vendedor  ofereça descontos na hora de efetuar a venda até chegar em seu preço real. Se alguém está olhando para um carro, o preço de etiqueta serve como um ponto de comparação, desta forma o córtex pré-frontal fica convencido que o carro é uma pechincha, criando a ilusão de que o negócio se tornou melhor. O efeito de ancoragem demonstra como um único fato adicional pode distorcer sistematicamente o processo de raciocínio.

Dois exemplos podem demostrar o efeito do acúmulo de informação na tomada de decisões. Um deles é o teste feito pelo psicólogo Paul Andreassen onde ele deu uma carteira de ações para os alunos escolherem, depois disso os dividiu em dois grupos onde um grupo sabia se os preços estavam caindo ou subindo mas não sabiam os fatos que determinavam essas oscilações, já o outro tinha todas as informações sobre o mercado.O grupo que tinha a informação extra acabou fazendo previsões piores.

 O outro exemplo é no diagnóstico de dores nas costas,no início os médicos não tinham tantas informações,já que não tinham tecnologia suficiente,não conseguindo desta forma descobrir o diagnóstico, receitando apenas repouso.Com o avanço da tecnologia surgiram as ressonâncias que mostraram mais detalhes  das áreas doloridas o que poderia dar um diagnóstico mais confiavel,porem não foi isso que aconteceu.Com o excesso de informação os médicos se viam confusos em determinar o que era relevante ou não para  tratamento,o que os levou a diagnósticos errados. O córtex pré-frontal pode lidar somente com um tanto informações  de uma só vez, então quando uma pessoa dá-lhe muitos fatos e, em seguida, pede-lhe para tomar uma decisão baseada em fatos que lhe parecem importantes, isso é um problema.

Em ambos os casos, os métodos racionais causam erros na  tomada de decisão.  Às vezes, mais informações e análise pode fazer as pessoas se contrairem, fazendo com que entendam menos sobre o que realmente está acontecendo.No caso dos médico,em vez de focalizar a variável mais pertinente – a porcentagem de pacientes que  melhoraram após o repouso, por exemplo- sua atenção foi desviada por imagens irrelevantes da ressonância magnética.

Todos nós precisamos saber sobre as fragilidades inatas do córtex pré-frontal, para que não prejudiquem nossas decisões. O córtex pré-frontal é um desenvolvimento evolutivo magnífico, mas deve ser usado com cuidado. Pode monitorar pensamentos e emoções ajudar a avaliar, mas também pode paralisar, fazer uma pessoa  perder uma tacada de golfe,por exemplo . Quando alguém cai na armadilha de gastar muito tempo pensando sobre os movimentos para realizar a tacada ou sobre os detalhes de uma imagem de ressonância magnética, o cérebro racional está sendo usado de maneira errada.O córtex pré-frontal não pode lidar com tanta complexidade  por si só.”

GRUPO 05

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Como decidimos? Parte 4 – Grupo 09

 

Dessa vez, temos 2 grupos diferentes que elaboraram resumos sobre o mesmo capítulo! Uma boa oportunidade para compararmos e discutirmos os pontos destacados por cada um!!

“O uso da razão

No verão de 1949, longo e seco, em Montana, avistou-se um incêndio. Uma brigada do corpo de bombeiros foi designada para o local. Chegando lá perceberam que era pequeno, mas o vento forte, a baixa umidade e o terreno favoreciam seu alastramento. O local era cheio de penhascos. Uma região fronteiriça entre as Rochosas e as Grandes Planícies Centrais.

Com o alastramento do fogo, saiu do controle. O perigo agora era que se tornasse tão alto que chegasse nos ramos das árvores, onde encontraria muito combustível para se alastrar.

Dodge, que estará próximo, olhou para a grama seca, vento e sol, quentes, para piorar não tinha o mapa do terreno. Ainda por cima, não tinha rádio. A equipe contara com si mesma.

O fogo tomou altura e começou a pular de árvore em árvore, se tornou denso, seu centro já atingia 2000ºF a inclinação do terreno fazia sua velocidade crescer exponencialmente.  Passou a ser uma real ameaça àqueles homens, em poucos minutos a diferença que era de 200 metros passou a 50, os homens começaram a correr desesperadamente.

Foi aí que Dodge teve uma ideia, pediu que todos permanecessem parados. Poderia até parecer suicídio, mas não era. Em um ensaio de criatividade desesperada. Ele acendeu um fósforo, rodeou-se de cinzas, ficou cercado por um tampão de cinzas e  terra queimada. Deitou-se na ainda brasa latente. Ele molhou o lenço com um pouco d’água, o pôs em sua boca, fechou os olhos e inalou um pouco de éter.

Ao final somente Dodge e mais dois sobreviveram.

Agora a técnica que Dodge utilizou para sobrevive é ensinada nas brigadas de bombeiros, e já salvou milhares de vidas.

O que muitos podem perguntar é porque Dodge não fugiu, fez como os outros, no calor do desespero?

Não foi o medo que o salvou. Dodge era um bombeiro experiente e sabia que não seria possível fugir já havia visto situação assim, antes e por isso não se deixou levar pelo pânico. O pânico reduz os pensamentos, a consciência. Isso é conhecido como estreitamento perceptível, tudo que se vê é somente o perigo iminente.

A tragédia de Mann Gulch (Montana) detém uma importante lição sobre a mente. Dodge sobreviveu ao fogo, pois foi capaz de vencer e interiorizar suas emoções. Livrar-se de sua mente primal e voltou a mente consciente.

O tipo de pensamento que Dodge teve, tem lugar no córtex pré-frontal, a camada mais externa dos lobos frontais. Esta é a principal diferença entre os homens modernos e outros primatas. O córtex pré-frontal expandido e não o tamanho do cérebro configura a capacidade de exerce o pensamento racional.

É difícil definir Racionalidade. Para Platão, associava à lógica. A economia moderna aperfeiçoou essa ideia antiga em teoria da escolha racional. Pressupõe-se que as pessoas tomam decisões multiplicando-se a probabilidade de conseguirem o que querem a maximização do agente racional. Mas essa racionalidade  tem limites. O cérebro tem uma rede de partes racionais, centradas no córtex pré-frontal (a famosa massa cinzenta do cérebro).

Não faz muito tempo que os cientistas enxergaram a importância desta parte do cérebro. Antes o viam como o apêndice da mente.

Os primeiros estudos cirúrgicos nessa parte do cérebro começaram com o médico Português Antônio Monig, ganhador do prêmio Nobel de Medicina em 1949. A leucotomia inicialmente estava restrita os pacientes tidos como loucos ou esquizofrênicos.

Depois experimentou-se retirar toda a parte branca da massa cinzenta, procedimento denominado, lobotomia pré-frontal.

Como conseqüência, muitos pacientes perderam funções, como: a atenção, a linguagem. A grande maioria dos pacientes lobotomizados sofriam de problemas de memória em curto prazo e incapacidade de controla seus impulsos.

Para ilustrar a importância do córtex pré-frontal, o autor conta-nos a história de Maria Jackson. Ela, uma estudante de medicina em uma boa universidade, com um relacionamento estável, e com planos bem definidos para o futuro. Esperava formar pediatra e constituir família com seu namorado. Maria sempre fora religiosa e muito estudiosa. Porém, as coisas mudaram, de repente começou a beber, se drogar, ir às festas e não estudar. Suas notas despencaram, foi ameaçada de perder sua bolsa de estudos e recomendou-se aconselhamento psiquiátrico.

Com o passar do tempo, Maria começou a se sentir muito mal, foi ao médico e foi diagnosticada com HIV. A partir daí procurou-se entender o que havia acontecido a Maria para que sua vida se arruína-se de tal maneira.

Ela foi encaminhada com um tumor que danificou a região do córtex pré-frontal. O tumor a deixou com disfunção executiva, uma incapacidade de atuar sobre as ideias, não sendo capaz de manter um conjunto coerente de objetivos e contemplar as conseqüências de suas ações.

Perde a memória facilmente, só se concentra  no imediato. Assim Maria esteve impossibilitada de continuar em sua vida de antes, onde traçava metas de longo prazo para sua vida.

Se Maria estivesse fugindo do incêndio, ela nunca teria parado para acender o fósforo.

Quando as pessoas se deparam com jogos há o chamado efeito de enquadramento. As pessoas preferem ao jogar 50 reais, que podem manter 20 a perderem 30. O mesmo efeito ocorre quando num mercado as pessoas preferem comprar uma carne 85% magra do que uma 15% gorda. Isso é um subproduto da aversão ao risco que carregam as pessoas.

A parte do cérebro responsável por esse comportamento é a amígdala. É a parte do cérebro atirada quando há um sentimento ruim de perda. O engraçado é que essa região, segundo os experimentos, se ativa para todas as pessoas.  Mesmo as pessoas que não se deixaram levar pelo efeito do enquadramento. Apesar de todos estarem sujeitos aos efeitos do enquadramento, alguns discerniram o suficiente para verem que estariam diantes de escolhas iguais. O que levou a essa atitude foi o córtex pré-frontal e não a amígdala.

“Pessoas que são mais racionais, não deixam de perceberem as emoções, elas apenas regulam isso melhor.” Segundo Dr. Martino.

O córtex pré-frontal pode deliberadamente escolher ignorar o cérebro emocional.

Curiosamente essas foram às conclusões de Aristóteles. Ele disse que a chave para cultivar a virtude estava em aprender a gerenciar as próprias paixões.

Testes com essas partes do cérebro são conduzidos por companhias televisivas, interessadas em aumenta a popularidade e audiência de seus programas. Apesar de se uma boa medida tem que se tornarem certos cuidados. Esses testes mostram se houve uma boa percepção de algo, mas não explicam as causas da boa impressão. Ao examinar os sentimentos registrados por um mostrador, um observador treinado pode descobrir quais os sentimentos devem ser confiáveis e quais devem ser ignorados.

O cérebro racional (córtex pré-frontal) não pode silenciar as emoções (amígdala), mas pode ajudar a descobrir quais devem ser seguidas.

O Dr. Walter Mischel realizou um experimento com algumas crianças de quatro anos. Todas as crianças gostavam de marshmallows. Deu uma opção a elas; um marshmallow agora ou dois em alguns minutos, até que voltasse da sala. Praticamente todas as crianças decidiram esperar. Porém quando saiu da sala a maioria não suportou esperar nem um minuto, enquanto outros esperaram até quinze minutos. Dr. Walter, então inferiu que mesmo quando crianças, umas são muito melhores em controlar suas emoções do que ouras.

Esse experimento do D. Walter durou anos, acompanhou essas crianças durante seu desenvolvimento e percebeu que aquelas mais controladas, que haviam segurado suas emoções diante dos marshmallows, eram mais controladas ao longo de suas vidas. Tinham menos propensão a se envolver com drogas, tiravam melhores notas na escola e temperamentos menos explosivos. Ao serem expostas a testes de Q.I. também demonstraram melhor desempenho, já adultas, aquelas que quando crianças esperavam ao invés de “atacar” os marshmallows. Na verdade o teste do Dr. Walter, foi um verdadeiro teste de Q.I. para crianças de quatro anos. A capacidade de esperar por um marshmallow revela o crucial talento do cérebro racional. As crianças eram mais controladas, pois queriam os marshmallows tanto quanto as outras.

Outros estudos com crianças com déficit de atenção e hiperatividade demonstram ainda a ligação entre o córtex pré-frontal e a capacidade de resistir a impulsos emocionais. Estas tem desempenho pior na escola, pois tem dificuldade de manter a atenção na tarefa a se realizar. Estas crianças, também, demoravam mais tempo para desenvolver os lobos frontais (três anos e meio em média).

Felizmente, o que se sabe, é que o desenvolvimento mais lento dessas partes, não significa um permanente resultado, mas sim um atraso temporário, pois no desenvolvimento do cérebro a última a se desenvolver é exatamente é o córtex pré-frontal. Ou seja, haverá atrasos para alguns, mas “todos” os desenvolverão.

Isso, em parte, explica a mente “rebelde” dos adolescentes, e seu comportamento mais arriscado.

Assim, para demasiado longo, assumimos que a finalidade da razão é eliminar suas emoções que nos levam ao erro.

As emoções humanas são incorporadas  ao cérebro em um nível muito básico. Tendemos a ignorar instruções.

Mas, isso não significa que os seres humanos são meros bonecos do sistema límbico. Algumas pessoas são capazes de ver alem de suas emoções, mesmo com suas amígdalas atiradas.

A capacidade de supervisionar-se, para exercer autoridade sobre seu próprio processo decisório, é um dos talentos mais misteriosos do ser humano. Denominamos tal manobra de executivo controle.

Como pode Dodge não correr do fogo, parar e pensar em uma alternativa. Sabemos que é devido ao uso do córtex pré-frontal no cérebro. Mas, como o córtex pré-frontal, faz isso?

O córtex pré-frontal é acionado o tempo todo, ele é o maestro do cérebro, ele quem direciona as ações, para onde vão, no cérebro. Não é somente um agregador de informação, é como um maestro diante de uma orquestra. Além do mais é muito versátil, não tem uma função especifica, como outras partes do cérebro.

Quando precisamos pensar sobre algo novo ou sobre uma nova maneira de ver ou fazer algo, é a parte racional e não emocional do cérebro que despertamos, ou seja, o córtex pré-frontal.

Um psicólogo cognitivo, Mark Jung-Beeman, procurando entender a liderança do córtex pré-frontal sobre o cérebro, faz o seguinte experimento. Dá três palavras para as pessoas e pede que formem em palavras compostas ou frase com todas as palavras. Descobriu que o cérebro isola tudo que é irrelevante e depois começa a gerar associações. Mas sabem quando fizeram associações corretas e incorretas.

Pois quando a resposta curta aparece, logo é passada para o lobo frontal, isso passa a imediata percepção de que o enigma foi resolvido, até então isso não acontece, mesmo que outras áreas do cérebro especializadas naquilo que se faz estão atuando.

Um avião decolando de Denver com destino a Chicago, tendo como piloto o experiente capitão Hayves teve problemas. Um enorme estrondo, proveniente do que parecia uma explosão, vinda da parte de traz do avião, assustou o experiente piloto. Logo pensou que poderia ali morrer. Porém, logo após parar o baralho e tudo parecia normal, Hayver, tentou isolar o combustível, porém sem sucesso. Até que o avião não respondia mais ao piloto. Hayver afirmava que havia uma falha eletrônica enorme, mas o circuito de bordo parecia normal. De repente, todos os sistemas hidráulicos pararam de funcionar, o que seria quase impossível. Essa chance era de um em um bilhão (Pasmem!). Por isso jamais havia sido visto ou previsto, tão situação. A não ser um vôo no Japão. Mas, morreram todos a bordo.

Hayves, desesperado, colocou uma chamada de rádio para a torre, falou com engenheiros treinados para lidar com emergências em vôos. Os engenheiros descrentes nada sabiam que pudesse ajudar.

Então, Hayves percebeu que estavam sozinhos com tal problema. Começou a procurar o que poderia manejar sem pressão hidráulica, pouco restou. Somente os manetes de potência. Mas de que adianta controlar a velocidade se não se controlar a direção.

Em seguida, Hayves teve uma ideia. A princípio, ele negou-lhe parecia louco.

Então, que sua preposição parecia a única solução procuraria pilotar o avião somente com os manetes acelerando ora uma turbina ora a outra, quando quisesse mudar de direção. Algo que em condições normais deverias evitado, mas não havia escolha naquela situação.

O que parecia impensável começou a dar certo. Foi o primeiro momento que Hayves percebeu que poderiam sobreviver.

Então, que começaram algumas turbulências. Algo facilmente administrável em condições normais. Porém, nesse caso parecia extremamente difícil e incerto. Hayves ficou um bom tempo  pensando o que poderia fazer. Segundo o próprio: “É, levei alguns momentos, mas que me salvou de fazer um grande erro”. Hayver percebeu que quando o nariz inclinava para baixo e a velocidade maior era necessária para aumentar a potência de modo que os dois motores restantes poderiam voltar o nariz do avião.

Ainda, assim, restava um último problema: pousar em um aeroporto próximo dali. Por um lado, os pilotos não podiam controlar diretamente a sua velocidade de descida, pois os elevadores das aeronaves que controlam as asas eram indiferentes a seus comandos.

Quando o avião se aproximava do aeroporto, os pilotos fizeram os preparativos finais para um pouso de emergência. Embora os pilotos tivessem voado sem controles, durante 40 minutos eles ainda conseguiram alinhar o avião no meio da pista. O que foi um feito incrível! Porém, infelizmente a velocidade era muito grande, o que fez com que o avião ultrapasse a pista e fosse para um milharal, e se quebrou em vários pedaços, Houve depois uma explosão. Também, houve uma intoxicação, entretanto a habilidade e destreza dos pilotos, foi suficiente para salvar mais da metade das vidas que ali estavam. Infelizmente 112 morreram.

A primeira coisa notável sobre o desempenho dos pilotos é que eles conseguiram manter suas emoções sob controle. Hayves teve muito medo, mas deixou que este tomasse conta de si. Hayves como Dodge, usou o seu córtex pré-frontal para gerenciar as emoções.

O que exatamente permite que o córtex pré-frontal seja utilizado em momentos tensos?

Com certeza, a capacidade de foco e concentração. Pois, quando tudo parou de funcionar com exceção do manete de velocidade, o piloto deixou de se concentrar nesses outros equipamentos que costumava lidar e focou naquilo que tinha e no que podia fazer.

O fato de Hayves ter “criado” uma forma nova de pilotar, nada convencional, foi graças a sua atividade cerebral da região do córtex pré-frontal. Única região do cérebro capaz de tal feito.

Apenas recentemente os cientistas aprenderam como o córtex pré-frontal faz isso. O elemento chave é um tipo especial de memória conhecida como memória de trabalho.

Os neurônios no córtex pré-frontal são acionado em resposta a um estimulo, tais como a visão de alguma instrumentação na cabine, por exemplo. Os neurônios continuam “atentos” mesmo após o fim do estimulo. Este “eco” da atividade permite que o cérebro faça associações criativas como aparentemente sensações independentes e ideias sobrepostas. Uma vez que esta sobreposição de ideias ocorre, as células corticais começam a formar ligações que nunca existiram antes, a fiação forma redes inteiramente novas. E então, após o insight inicial, o córtex pré-frontal é capaz de identificá-lo. Sob a perspectiva do cérebro, ideias novas são apenas alguns pensamentos antigos que ocorreram no momento exato.

As habilidades de resolução de problemas de memória de trabalho e córtex pré-frontal são um aspecto crucial da inteligência humana. Pessoas que seguram uma informação por mais tempo na córtex pré-frontal se saem melhor em testes de Q.I.. Pois, são capazes assim, de fazer mais associações úteis, e dispensar aquela informação que não é relevante.”

 

GRUPO 09

 

 

Como decidimos? Parte 4 – Grupo 04

 

“Capitulo 4 – Os Usos da razão

O córtex pré frontal é responsável pela criatividade e pelo direcionamento da razão, ou seja, através dele podemos pensar melhor quando estamos em situações que mexem com o nosso emocional.

Um exemplo apresentado no texto foi de um incêndio em Montana, onde um grupo de bombeiros especializados,buscava apagar um incêndio descontrolado que avançava sobre um Canion. Ao perceber que eles não poderiam mais controlar o fogo e que a vida deles estava em risco, se viram desesperados e começaram a correr das chamas que vinham em suas direções.

O líder da equipe percebeu que não adiantava correr do fogo, este certamente os alcançaria e os consumiria em pouco tempo. Então, em um momento de reflexão chegou a conclusão de que o desespero não o salvaria da morte e que teria que encontrar uma maneira de salvar a todos.

A idéia brilhante que ele teve, foi de colocar fogo em uma pequena parte de grama, da qual, seria o suficiente para comportar o tamanho do seu corpo. Quando o fogo estivesse suficientemente dissipado, apagaria o pequeno foco e deitaria no local, para que quando o fogo avançasse sobre ele, ele não fosse atingido.

Após ter a idéia, gritou insistentemente aos seus companheiros de equipe para que parassem de correr, pois isto não adiantaria. Entretanto, em meio ao pânico, seus parceiros nem ao menos o ouviram, continuaram a correr do fogo.

Vendo que não conseguiria alertá-los, o líder executou seu plano, e obteve sucesso. Todos os outros morreram consumidos pelo fogo, exceto um, que conseguiu fugir, mas faleceu no dia seguinte devido as queimaduras de terceiro grau.Percebe-se assim que o problema com o pânico é que ele reduz os pensamentos, a consciência dos fatos mais essenciais, e os instintos mais básicos,se o líder da equipe não conseguisse se acalmar e pensar racionalmente com certeza o fogo também o teria consumido,logo utilizando a “razão”,podemos expandir a lista de possibilidades de se resolver um problema.

Dois terços do córtex pré frontal é responsável pelo centro racional. Não somos puramente racionais como afirmava Platão, temos uma parte emocional e podemos direcioná-la para uma melhor tomada de decisão.

 Até o inicio do século XIX, os cientistas acreditavam que o córtex pré-frontal não tinha nenhuma função, contudo a primeira lobotomia pré-frontal (tratamento usado para pessoas com problema psiquiátrico como esquizofrenia) mostrou o contrario. Muitos pacientes apresentaram redução dos sintomas.

O sucesso da leucotomia levou os médicos a experimentar com outros tipos de operações de lobo frontal. O novo procedimento era denominado lobotomia pré-frontal e rapidamente tornou-se extremamente popular. Entretanto, a cirurgia veio com uma vasta gama de trágicos efeitos colaterais. Entre 2 e 6 por cento de todos os pacientes morreram na mesa de operação. Aqueles que sobreviveram nunca foram os mesmos, alguns perderam a capacidade de usar a linguagem e o interesse no mundo a sua volta, algo semelhante a uma depressão.

Um exemplo de anomalia com o córtex pré frontal é caso de uma jovem com um futuro brilhante. Ela frequentava a igreja, tinha planos de casar com seu namorado após concluir sua faculdade de medicina e nunca havia ingerido bebida alcoólica. Sem explicação alguma, em seu segundo ano de faculdade, sua vida mudou drasticamente. Ela começou a frequentar bares, dormir com vários homens e a usar drogas. Terminou seu relacionamento, se afastou da igreja e de seus amigos.

Após um tempo nesta vida, a garota desenvolveu uma febre alta que não cedia acompanhada de uma tosse seca. Após algum tempo descobriu-se que ela estava com HIV-positivo.

A garota ficou chocada, ela mesma não conseguia entender seu comportamento. Foi então que seu médico a encaminhou para um neurologista, que após vários testes, onde ela demonstrou incapacidade de se controlar, falta excessiva de memória e uma fúria anormal,  conclui-se que seria um problema com o córtex pré-frontal. Ela era totalmente dependente de estímulos. Tudo que viu, ela tocou. Tudo o que tocou, ela queria. Tudo o que ela queria, ela precisava.

Ao passar por uma ressonância magnética, foi descoberto um tumor que pressionava o córtex pré frontal. O tumor tinha apagado algumas das características necessárias da mente humana: a capacidade de pensar no futuro .

As pessoas com problemas no lobo frontal não são capazes de conter suas emoções. Se ficam com raiva, então querem entrar em uma briga, mesmo sabendo que é uma idéia ruim.

Um outro exemplo, trazido pelo livro é sobre um  jogo de apostas . A pessoa cede cinquenta dólares e tem duas opções, na primeira, com o lançamento de um dado, tem 40% de chance de receber os cinquenta dólares de volta, e 60% de perder tudo; já na segunda opção é uma coisa certa, há o recebimento de vinte dólares. A maioria  das pessoas optaram pela segunda opção. Contudo se mudarmos a segunda opção para perder 30, que é absolutamente a mesma coisa, a maioria das pessoas optaram pela primeira opção.

As descrições diferentes afetam fortemente a forma como as pessoas tomam decisões . Esta fraqueza humana é conhecida como efeito de enquadramento, e é um subproduto da aversão à perda. Se por exemplo um médico falar para uma pessoa, que precisa fazer uma operação cirúrgica,e que ela tem 80% de chance de sobreviver, ela estará muito mais propensa a fazer do que se apresentar um dado de 20% de chance de morrer.

A principio os médicos encararam este efeito como sendo responsabilidade da amígdala animado, uma região do cérebro que, quando excitado, evoca sentimentos negativos. Sempre que uma pessoa pensa em perder algo, a amígdala é ativada automaticamente. É por isso que as pessoas odeiam tanto as perdas.

    Mas houve pessoas que descobriram que as opções eram a mesma, isso se deve ao fato do córtex pré –frontal ter estimulado melhor suas decisões

 Aristóteles percebeu que a racionalidade não estava sempre em conflito com a emoção. Ele argumentou que uma das funções essenciais da alma racional era certificar-se de que as emoções fossem inteligentemente aplicadas ao mundo real. “Qualquer um pode ficar com raiva, que é fácil”, escreveu Aristóteles. “Mas, para tornar-se irritado com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, para o propósito certo, e no caminho certo, não é fácil.” Isso exige alguma reflexão.

A seguir é mostrado uma série de exemplos que mostram como o cortex-pre-    frontral determina o comportamento de um individuo

A parte emocional do cérebro está constantemente motivada por estímulos que irão gerar algum tipo de satisfação. Mas será que é possível ter autocontrole ? As crianças pequenas conseguem se controlar? A resposta a estas questões surpreendeu Walter Mischel que descobriu que mesmo com quatro anos de idade, algumas delas tinham controle para resistir a certos estímulos.

O estimulo usado para atrair as crianças era a oportunidade de comer um ou dois marshamallows. Foi realizado um teste onde Walter deixou as crianças sozinhas em seu laboratório e pediu que elas não comessem nenhum marshamallows ate ele retornar.Walter contudo sabia que algumas crianças não  iriam acatar sua ordem então ele propôs um premio, aquela criança capaz de esperar seu retorno receberia um marshamallonw . Como esperado houve crianças que não conseguiram se controlar e comeram o marshamallow logo após a sua saída , outras mostraram um comportamento interessante ,para tentar controlar o desejo de comer o doce ,algumas crianças, como forma de distração , começaram a puxar o cabelo e a olhar fixo para outro lugar, conseguindo surpreendentemente controlar seus estímulos.O teste do marshamallow serviu para avaliar que tipo de comportamento cada criança possuiria no futuro .As crianças que conseguiram se controlar tornaria-se mais inteligentes e determinadas e as quais não conseguiram teriam notas piores, tendência para usar drogas e um comportamento problemático.

Grande parte dos problemas de comportamento dos adolescentes esta relacionado a falta de amadurecimento do córtex pré-frontal,isto explica ao motivo deles agirem irracionalmente”,ou seja , eles não são capazes de se  controlar.Isso ocorre porque os músculos mentais que verifica as emoções ainda estão sendo construídos.Um estudo realizado por neurocientistas mostraram que o núcleo accumbens, uma área do cérebro associada com o processamento de recompensas, como sexo, drogas e rock’roll , é mais ativa do que o córtex pré-frontal nesta fase da vida.Existem programas de incentivos que ajudam a corrigir este problema, o método utilizado pelos programas consiste em proporcionar recompensa rápidas para os adolescentes .

As crianças hiperativas possuem o cérebro mais lento do que as crianças normais,assim elas não conseguem ficar quietas, se concentrar para realizar uma determinada tarefa,isso porque elas não possuem uma musculatura capaz de resistir a estímulos.

A finalidade da razão é eliminar emoções que nos levam ao erro ,mas não é possível eliminar todas as emoções. O córtex pré-frontal avalia quais emoções serão deixadas de lado e quais não.Para mostrar como é possível, foi realizado um teste para controlar os impulsos .Haviam três palavras: verde, azul e vermelho onde a palavra escrita não correspondia com sua cor.Você deveria responder que cor era a palavra , essa tarefa era extremamente difícil porque o cérebro tinha que deixar de realizar sua tarefa automática,que era de ler a palavra, para se concentrar na cor em que foi escrita rejeitando assim o que seria uma primeira resposta.

O dilema da psicologia clássica,conhecido como o problema das velas,permite observar como o córtex pré- frontal atua.Este dilema é um desafio que consiste em fixar uma vela na parede usando uma caixa de fósforos e uma caixa de tachinhas.A maioria das pessoas tentam duas estratégias que não funcionam .A primeira estratégia era a de fixar a vela diretamente na parede usando as tachinhas,o que fez com que a cera da vela partisse. A segunda estratégia era derreter o fundo da vela e em seguida tentar prega-la na parede, resultado a cera não se manteve e a vela caiu no chão.O estudo mostrou que menos de 20 por cento das pessoas conseguem chegar a uma solução correta , que é prender a vela na caixa dos fósforos, e pregar,usando as tachinhas, a caixa na parede.Pessoas com lesões no lobo frontal nunca conseguem resolver desafios como esse,estas são incapazes de pensar criativamente e observar seus erros.Observar-se assim que o córtex pré-frontal tem o grande papel de exercer o controle criativo e lógico,como neste exemplo,para achar a solução correta o individuo analisou conscientemente o problema de todos os ângulos possíveis .

Mark Jung-Beeman ,psicólogo cognitivo,fez um experimento para entender como o córtex pré-frontal consegue chegar a tais soluções criativas.O experimento era o seguinte ,foi dado á uma pessoa três palavras brisa,raio e quedas e pediu-se para pensar em uma única palavra que poderia formar uma palavra composta.Neste caso o individuo respondeu Para. Mark percebeu então que as primeiras áreas cerebrais ativadas durante a resolução do problema foram os envolvidos com o controle de execução tais como o córtex pré-frontal e o córtex cingulado anterior.

A seguir temos um relato de uma experiencia vivida por um piloto. Ele enfrentou um momento de extrema tensão em um aviao. Tudo ocorreu da seguinte forma:

Na tarde de 19 de Julho de 1989, o aviao United Airlines Flight 232 decolou do Aeroporto de Denver, com destino a Chicago. As condições de vôo eram ideais. As tempestades da manhã já tinha passado, e o céu estava sem nuvens. Uma vez que o aviao atingiu a altitude de 37.000 pés, cerca de trinta minutos após a decolagem, o capitão Haynes desliga o sinal do cinto de segurança. Ele não esperava a ligá-lo novamente até que o avião comecasse a descer, porem não foi isto que ocorreu. A primeira parte do voo transcorreu sem problemas. Haynes tinha voado essa rota dezenas de vezes. Mas cerca de uma hora após a decolagem, o silêncio da cabine foi quebrado pelo som de uma explosao alto vindo da parte de trás do avião. A estrutura da aeronave estremeceu e deu uma guinada para a direita. Para Haynes o primeiro pensamento que lhe ocorreu era de que ele estava prestes a morrer em uma enorme bola de fogo. Mas então, após alguns segundos de ranger de metal, a calma retornou. O avião continuou voando. Haynes e o primeiro oficial imediatamente começaram a olhar para alguns paineis tentando encontrar o que tinha dado errado. O piloto notou que um dos motores não estava mais funcionando. Uma falha como essa pode ser perigosa, mas raramente é catastrófico, pois o aviao tem dois outros motores, um em cada asa. Porem logo em seguida ocorreu uma falha enorme no sistema eletrônico.E a pressão sobre as três linhas hidráulicas foram caindo em direção a zero, o que é fatal pois essas linhas hidraulicas são utilizadas para ajustar tudo a partir do leme até as asas do aviao. Os aviões são sempre projetado com múltiplos, e totalmente independentes sistemas hidráulicos, se um falhar, o sistema de backup pode tomar seu lugar. Esta redundância significa que uma falha catastrófica de todas as três linhas simultaneamente deve ser virtualmente impossível. Engenheiros calculam as probabilidades de um evento como esse em cerca de um bilhão para um. Haynes olhou em seu manual de piloto, mas não havia nada sobre uma perda total de equipamentos hidráulicos. De volta à cabine, os passageiros estavam começando a entrar em pânico. Todos ouviram a explosão, todos eles podiam sentir o avião fora de controle. Enquanto isso, Haynes estava tentando desesperadamente pensar em alguma maneira de recuperar o controle. Ele realizou uma chamada de rádio para a United Airlines Aircraft Management System (SAM), uma equipe de engenheiros de aeronaves especialmente treinados para ajudar a lidar com o CIES em voo emergências. Mas os engenheiros da SAM não deram nenhuma ajuda. Para começar, eles não acreditam que toda a pressão hidráulica estava realmente danificada. Então Haynes começou por fazer uma lista mental dos elementos da cabine que ele poderia operar sem pressão hidráulica. A lista era curta. Na verdade, Haynes poderia pensar em apenas um elemento que ainda poderia ser útil: as manetes de potência, que controlavam a velocidade e o poder de seus dois motores restantes. Em seguida, Haynes teve uma idéia. A princípio, pareceu-lhe insensata. Mas, quanto mais pensava sobre isso, menos ridículo lhe parecia. Sua idéia era usar alavancas (mecanismos que geram impulso) para pilotar o avião. A ideia girava em torno do empuxo diferencial; empuxo é a força dirigida para a frente de um motor de avião, e uma diferença de empuxo entre os motores do avião normalmente é algo que os pilotos querem evitar. Mas Haynes percebeu que sem os motores era a única solucao para impulsionar o aviao. A idéia foi baseada em física simples, mas ele não tinha idéia se ela iria realmente funcionar. Havia pouco tempo a perder. O avião estava à 38 graus. Se ele passasse de 45 graus, iria virar e entrar numa espiral de morte. Então Haynes prosseguiu com sua ideia e o aviao lentamente ganhou estabilidade. Idéia desesperada Haynes tinha dado certo. Porem, no momento do pouso a aeronave comecou a girar em uma descida íngreme e incontrolavel. Afinal, estava sem os controles hidraulicos. Quando enfim o avião se aproximou do aeroporto, os pilotos fizeram preparativos finais para um pouso de emergência. Infelizmente, a cabine de pilotagem se partiu do corpo principal do avião, como a ponta de um lápis, e caiu sobre a extremidade da pista. Todos os pilotos estavam inconsciente e sofreram lesões gravíssimas. Porem, 184 passageiros sobreviveram ao acidente. Analisando a historia, percebemos que o piloto Haynes possuía decisões importantes a serem tomadas para salvar o avião do momento de crise e pousar em segurança e ao invés de tomar decisões instintivas e realizar procedimentos padrões ele optou por estratégias nunca antes utilizadas, conseguindo um pouco de estabilidade. Ao final, o piloto pousa salvando mais da metade dos passageiros.

          Este caso evidencia a importância do preparo para tomada de decisões. Pilotos, diversos outros profissionais e ate mesmo nós sofremos em algumas circunstancias imensa pressão e para solucionarmos um problema devemos muitas vezes improvisar.
Nesta hora é então relevante apontar que descobertas científicas apontam o córtex pré-frontal como o responsável por decisões rápidas e criativas, pois ele é responsável por guardar, em um curto espaço de tempo, dados e imagens que serão analisados. Possibilitando assim a formação de uma estratégia.

Nisso consiste o uso da razão.”

 

GRUPO 04

 

 

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