Como decidimos? Parte 3

“CAPÍTULO 3 – FOOLED BY A FEELING (*Enganado pelas emoções)

            A intenção deste capítulo é mostrar como as decisões podem ser influenciadas pelas emoções, mesmo usando o lado racional. O autor desenvolve tal ideia utilizando-se de exemplos verídicos do cotidiano e baseando-se em pesquisas.             

            O primeiro exemplo citado é o de Ann Klinestiver, professora de inglês, diagnosticada com Parkinson com apenas 52 anos. Como tratamento, seu neurologista indicou o Requip, droga que imita a atividade da dopamina (proteína que desempenha importante papel no sistema motor, o qual é degenerado pela doença) no cérebro. Após começar o tratamento, Ann tornou-se viciada em jogos, fato que pode ser explicado pela dopamina estar envolvida na dependência psicológica a vários vícios.

  O segundo exemplo nos traz os estudos sobre as imperfeições da mente humana, baseados nos jogadores considerados “mãos-quentes” (popularmente conhecidos no Brasil como “cestinhas”) da NBA. O foco da pesquisa foi saber se tal denominação influenciava os arremessos destes jogadores. Após várias análises, foi concluído que o evento de acertar ou não a cesta era aleatório, ou seja, ser ou não ser chamado de “mão-quente” não melhorava ou piorava o desempenho do jogador. Mesmo com as estatísticas, os fãs do esporte continuaram a acreditar que os chamados “mãos-quentes” possuíam uma porcentagem de acertos maior que a média dos não assim chamados. Mas por que isto ocorre? Mais uma vez, a dopamina é a responsável, pois está intimamente ligada à previsão de eventos considerados previsíveis, e também nos desvia do foco quando lidamos com aleatoriedade. Em relação aos jogadores, a dopamina distorce o senso de seu talento, levando-os a arremessos mais arriscados quando considerados “mãos-quentes”.

            Tal defeito no cérebro emocional pode ser observado no mercado de ações, uma vez que não se pode prever o movimento futuro das ações, pois se trata de um sistema aleatório. A possível previsão a curto prazo das flutuações na bolsa nos dá a ilusão de poder prever qualquer oscilação, o que caracterizaria um sistema não aleatório, ou seja, imaginaríamos tendências significativas onde há a apenas riscos sem sentido. Nesse ponto, a dopamina deixa o cérebro tão ansioso por maximizar recompensas inesperadas que acaba por levar o acionista a perigosas bolhas de mercado de ações.

            Para analisar esse efeito da dopamina, foi realizado um experimento em que alguns indivíduos receberam US$100,00 juntamente com informações básicas do mercado de ações. Em seguida, os jogadores escolheram o quanto iriam investir e o jogo continuou por vinte rodadas. Mas como o cérebro funciona com as flutuações de mercado? Cientistas descobriram um sinal neural que liberava dopamina no cérebro, interferindo nas decisões de investimento. Um jogador, ao investir apenas 10% de seu montante e observar o aumento da bolsa, tornou-se insatisfeito ao perceber o quanto deixou de lucrar. Os neurônios da dopamina estão fixados no lucro que ele perdeu, estas células calculam a diferença entre o melhor retorno possivel e o retorno real. Dessa forma, quando os mercados estavam estourando, os investidores continuaram a aumentar seus investimentos, pois não investir causaria um arrependimento, gerando assim o principal motivo das bolhas financeiras. O cérebro está convencido de que já decifrou o mercado de ações, e não pondera as possibilidades de perda. Logo, os neurônios dopaminérgicos não têm a capacidade para lidar com oscilações aleatórias da bolsa de valores.

            O próximo exemplo é o jogo “Topa ou não Topa” (“Deal or no Deal”), em que um competidor é confrontado com vinte e seis malas fechadas com quantidades variáveis de dinheiro (de US$0,01 à US$1000000,00). Sem saber o valor guardado em cada mala, o competidor escolhe uma única, que é então colocada em um cofre. Seu conteúdo não será revelado até que o jogo acabe. O jogador abre uma mala de cada vez e o seu conteúdo é revelado. A cada rodada o banqueiro (uma personagem do jogo) oferece uma quantia pela mala que se encontra no cofre. Nesse momento o jogador deve decidir se aceita ou não tal oferta. Se aceitar, sai do jogo com a quantia negociada com o banqueiro, e abre o cofre para conferir o valor da sua mala, caso contrário o jogo continua até restar apenas a mala do cofre. Tal decisão é influenciada por fatores emocionais, desconsiderando aspectos racionais e objetivos. O problema é que o cérebro foca na maior quantia possível (ponto de referência), tornando qualquer oferta menor que esta quantia uma perda dramática, desconsiderando a possibilidade de ganhos menores que os oferecidos. Logo, observamos mais uma vez as escolhas sendo influenciadas pelas emoções.

            O último exemplo é sobre Herman Palmer, consultor financeiro que auxilia seus clientes a utilizar de maneira racional o cartão de crédito. Muitos o procuram por não conseguirem controlar seus gastos com o cartão. Pagar no crédito muda a maneira de como gastamos, alterando nossas decisões financeiras. O problema do uso do cartão é que nossas emoções tendem a valorizar ganhos imediatos, o cérebro emocional simplesmente não entende coisas como taxas de juros ou pagamentos de dívida ou de financiamento e encargos. Os sentimentos enganam para fazer decisões financeiras insensatas. Novamente, decisões financeiras são tomadas pelo emocional e não pelo racional.

            Com a leitura deste capítulo, podemos observar a relação entre os compostos químicos do nosso sistema neural e as nossas emoções, também como e quanto tal relação influencia em nossas decisões. Isso ocorre porque a liberação de hormônios, como a dopamina, faz com que tomemos posições aparentemente sem lógica para a razão, porém, palpáveis na neuroestimulação por pressões exteriores. “

GRUPO 3

 

 

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19 Respostas to “Como decidimos? Parte 3”

  1. Diego "Metal" Luz Squilante Says:

    IMO, o melhor post até agora, bem resumido e com as principais considerações. Este capítulo realmente usa principalmente de exemplos para defender a influência, nestes casos negativa, da dopamina, notadamente pelo vício de procurar padrões e tentar prever resultados.
    Maaas, como é o grupo da Pri, eu vou ver se provoco alguém =p :
    achei mesmo o melhor resumo, mas senti falta da citação da “Aversão a perda”. Esta aversão é usada para explicar porque acionistas tendem a insistir por mais tempo em ações que estão perdendo valor; e porque o ponto de referência citado em “Topa ou Não Topa” é tão importante quando comparado a oferta do banqueiro, pois uma oferta de um valor menor, mesmo com uma “perda dramática”, ainda poderia ser racionalmente aceita, mas a aversão a perda acaba tendo maior peso na decisão (talvez processo decisório, dado que este fenómeno não é normalmente conscientemente ponderado).

    • Priscila "Ω´" Pacheco Says:

      Sabia que você iria gostar do resumo Metal (bom gosto ^^)!! Nossa… deu trabalho escolher os exemplos e deu mais trabalho ainda tentar passar seus pontos de um modo que fosse coerente a um formato “blog”!! Vamos lá… não usamos o termo “aversão a perda” mas ele está presente… meio subentendido… principalmente quando falamos do experimento com investimento, quando o cérebro foca exatamente no que perdeu e ignora o que ganhou, transformando isso em frustração, assim por medo de sofrer tal frustração as pessoas tendem a aplicar ainda mais, mesmo se a situação não for favorável.

      • Diego "Metal" Luz Squilante Says:

        Justamente, ele está subentendido em quase todos, mesmo no cartão que justamente por não entregarmos dinheiro, e sim utilizarmos um cartão (que continua na nossa carteira), a sensação de aversão é amenizada e vc acaba comprando mais do que normalmente compraria. Por isso mesmo eu senti falta de mostrar o conceito.

      • Priscila "Ω´" Pacheco Says:

        E ainda bem que é um blog… pois agora a ideia e o conceito de “aversão a perda” ficaram bem mais explicitos! Obrigada Metal!!!! E… Viva os comentários! =D

  2. heber_mm@hotmail.com Says:

    Esse capítulo nos explica muito bem aquelas situações nas quais uma pessoa já tem uma “boa posição”, mas acabam enfrentando riscos muitas vezes altos e desnecessários para ganhar um pouco mais. É engraçado como nossas emoções podem nos levar a tomar decisões tão irracionais, ficamos cegos nessas situações, não consideramos riscos e acabamos tomando decisões que quase certamente nos deixarão em situação pior. Do ponto de vista da racionalidade isso pode ser um “defeito” do cérebro, entretanto do ponto de vista biológico, deve haver alguma outra função importantíssima, mas isso não faz parte de nossos estudos…
    E a propósito, resumo mto bom, simples e eficaz!

    • Diego "Metal" Luz Squilante Says:

      Sapo, põe teu nome no lugar do nome, e o email no lugar do email! =p
      E acho que o capítulo talvez sirva pra explica um pouco melhor quando a pessoa começa a perder uma “boa posição” e toma deisões equívocadas para evitar esta perda, decisões que ironicamente tendem a aumentar a perda. Do ponto de vista biológico, faço matemática (brincadeira =p), mas eu realmente n tinha parado pra pensar se este tipo de sentimento contra a perda teve uma maior importância evolutiva/biológica (como eu concordo, deve haver). Na en.wikipedia.org, tem um estudo que pareceu indicar uma aversão a perda em macacos tambem.

  3. Rodrigo Sanches - Usuário Says:

    Capítulo bastante rico de informações e também um bom resumo.
    Sem me alongar muito, a parte que achei bastante interessante é o fato de nosso cérebro “traçar” uma linha de tendência, ou seja, conseguir definir um padrão onde ele não existe. O engraçado é que já me deparei com isso: conseguir enxergar certa “distribuição” no que estava fazendo e acreditar piamente que estava certo, até explicar para alguém…
    Mas agora, da mesma forma que nosso cérebro internaliza situações e quanto mais se pratica ela, maior é nosso poder de previsão (exemplo do enxadrista no capitulo 2), será que não conseguimos detectar este influencia da emoção e tentar ponderá-la – com a razão ou não – em algumas situações?

    • Amanda Brito "Soneca" Says:

      Realmente, ao terminar de ler o capítulo notamos inumeras coisas que fazemos diretamente ligadas a produção de Dopamina (ou seria paranóia? =O)… por fim, consideremos sim, que umas pessoas devem ser melhores que outras para controlar tais impulsos, uma vez que nem todos gastam o dinheiro que não possuem com cartões de crédito ou saem perdendo do programa de televisão do qual participam.

  4. Orlando Yuzo Iwamura Says:

    O mais interessante nesete capítulo é a influência das emoções na tomada de decisões. Ela influência as pessoas a tomarem decisões precipitadas, como por exemplo no uso do cartão de credito que faz a pessoa optar por ter o protudo agora mas arcar com os gastos depois e não ver as consequências de sua ecolha.
    Outro ponto interessante é a influência da dopamina que faz comque tomemos posições aparentemente sem lógica para a razão, porém, palpáveis na neuroestimulação por pressões exteriores. “

    • Anna Carolina M. del Cura Says:

      Pois é Minka, quando eu li o capítulo percebi o quanto me deixo levar pelas emoções para tomar alguma decisão. A história do cartão de crédito é realidade pura, como não vemos o dinheiro saindo da carteira temos menor sensação de perda, o que apenas faz com que o usamos mais e depois “pagamos” a consequência.
      Antes eu não pensava no quanto o nosso organismo, seus “componentes” estão ligados às nossas decisões, porém com a leitura desse capítulo passei a me interessar mais por isso… conseguir juntar o biológico com o “racional” é algo muito interessante.

      E pessoal, obrigada pelos elogios =D

  5. Roseli Silva Says:

    Moçada, muito bacana o resumo e o debate! Continuem participando!!
    A partir da aula de amanhã, pode rolar um saudável tilt na cabeça de vcs…

  6. Isabela P. S. Says:

    O fato de que nós somos muito influenciados pelas emoções várias vezes é esquecido na sociedade atual, pois no contexto do desenvolvimento de computadores, da ciência e do avanço da tecnologia em geral, fica fácil esquecer que um investidor baseia suas decisões em sua experiencia de vida e intuição. Fórmulas e análises estatísticas sozinhas não são suficientes para prever dados futuros. Deve-se considerar, como descrito no resumo, os efeitos da dopamina nas nossas emoções, pois estas afetam nossas expectativas, e nos forçam a investir maiores ou menores quantidades na bolsa de valores, por exemplo.
    A conclusão de que a dopamina pode nos levar à decisões equivocadas, pois faz com que as emoções superem as razões, encerra muito bem o capítulo. E também, contrasta com o próximo (resumido pelo meu grupo) onde é analisada a situação contrária, em que a razão supera a emoção, e suas consequencias negativas.

    • Priscila "Ω´" Pacheco Says:

      Acredito que as emoções não foram esquecidas pela sociedade atual, muito pelo contrário… basta assistir a comerciais, filmes ou a novelas e vemos a clara apelação da mídia ao nosso lado emocional… em resumo, as ciências avançaram e levaram consigo essa parte psicológica (ou seria psiquiátrica?)… a diferença é que graças a esses avanços se torna possível prender ainda mais as pessoas de um modo quase que natural… quem nunca viu alguém discutindo (ou nervoso) por conta de algo que viu na TV (ou com aquela vilã da novela)?

  7. Karina Pagan Says:

    O que mais chamou a atenção neste capitulo foi a forma de como a dopamina atua no cérebro promovendo o desejo rapido de recompensas.Isto explica o porque a maioria das pessoas ficam “cegas” quando usam indiscriminadamente o cartão de credito ou quando os acionistas se arriscam nos mercados financeiros

  8. Natália Pagan Says:

    Começarei falando do segundo exemplo ,o estudo sobre as imperfeições da mente humana,o efeito de enqradamento apresentado no capitulo quatro também apresentou um exemplo de tipo de imperfeição onde as pessoas sempre preferem os resultados otimistas.

    É interessante como a dopamina se manifesta sobre a decisão do individuo .O exemplo do investimento no mercados de ações foi bem construtivo , apresentado como ocorrem as bolhas financeiras, ou seja, o principal motivo é que os investidores não consideram a hipótese de ter errado suas previsões.Enfim, mais um capitulo instrutivo e muito interessante

  9. Larissa Lopes Says:

    Resumo muito bom,uma delicia de ler.Os exemplos são muito interessantes e realmente me deixou pensando o quanto me deixo levar pelo emocional até mesmo quando eu assisto o jogo “Topa ou não Topa”, eu sempre quero que o jogador vá até o fim acreditando que na maleta escolhida terá o premio de 1 milhão ,realmente parece que ao aceitar a proposta do banqueiro estamos perdendo a diferença desse valor e o premio máximo.
    E nossa o exemplo do cartão de crédito é muito bom.É incrível como quando pagamos no cartão de crédito é como se nossa posição financeira continuasse a mesma,já que não tiramos o dinheiro na hora e isso não sai da nossa conta – apesar que isso dura só até no próximo mês quando temos que pagar a fatura.


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