O bêbado no meio-fio

 

Passeio aleatório (Random Walk) tem um sentido comum, que se compreende por intuição, algo como “sair por aí ao acaso, sem destino, nem direção…”. É uma boa intuição, diz algo importante sobre um passeio aleatório, mas não diz tudo.  Estamos falando de um processo estocástico (um conjunto de variáveis aleatórias) com características estatísticas muito próprias. 

Vou usar uma alegoria muito conhecida no meio acadêmico: pense num sujeito que abusou da ingestão de álcool – um bêbado – que vem caminhando pela rua e você, que observou o trajeto desde onde seus olhos alcançam, neste exato momento vê o bêbado no meio-fio, prestes a dar seu próximo passo. Eu te pergunto: “para que lado o bêbado cai? Para esquerda, para direita, vai ao centro??” Sua resposta: “Não sei!!”. Exato! Mesmo conhecendo a trajetória passada, você é incapaz de prever o futuro no passeio do bêbado…

A imprevisibilidade, na média, é uma característica intrigante desse processo, mais ainda quando se considera que, sim, tal processo tem tendência!! De um tipo especial (chamamos estocástica), mas tem tendência… E por quê? Porque o “para onde vai o bêbado”, os desvios que vão descrevendo a trajetória, acumulam-se infinitamente e todos eles afetam o momento presente desse caminho um tanto esquisito…

Para ficar mais fácil de entender, veja os gráficos seguintes:

 

Esses, eu mesma criei numa planilha de excel, por isso as datas no eixo horizontal são apenas ilustrativas.

Observando os gráficos, fica fácil compreender o significado da presença da tendência, da persistência na trajetória do passeio aleatório.

E só de olhar, para quem já teve a curiosidade de observar o gráfico de variáveis econômicas, vai pensar que estes passeios aleatórios criados por mim se parecem muito com o comportamento visual de coisas como a taxa nominal de câmbio, os preços das ações, os índices de movimentação das bolsas de valores, etc…

Isso mesmo… este é um fato estilizado de variáveis financeiras: em geral, apresentam as características de um passeio aleatório!! São, dessa forma, imprevisíveis… Então, muito cuidado se um analista ou consultor financeiro te disser que pode cuidar do seu dinheiro porque tem um método muito eficiente de prever o comportamento dos preços dos ativos financeiros… principalmente se este método for gráfico!! De fato, se houvesse conteúdo informacional para ser extraído para a média de tais variáveis, eu estaria rica… eu e a torcida do flamengo (que domina minimamente econometria de séries temporais…)!! Pode ser que haja conteúdo informacional na variância, ou seja, no comportamento do risco dos ativos, mas isso já é outra história…

Esse foi um assunto que introduzi na última aula de finanças, fundamental para compreender a hipótese de eficiência (fraca) dos mercados financeiros e começar a saga rumo à teoria de formação de portfólio, fundamento da moderna teoria de finanças. Vou falando mais sobre o assunto ao longo das semanas.

 


Como decidimos? Parte 3

“CAPÍTULO 3 – FOOLED BY A FEELING (*Enganado pelas emoções)

            A intenção deste capítulo é mostrar como as decisões podem ser influenciadas pelas emoções, mesmo usando o lado racional. O autor desenvolve tal ideia utilizando-se de exemplos verídicos do cotidiano e baseando-se em pesquisas.             

            O primeiro exemplo citado é o de Ann Klinestiver, professora de inglês, diagnosticada com Parkinson com apenas 52 anos. Como tratamento, seu neurologista indicou o Requip, droga que imita a atividade da dopamina (proteína que desempenha importante papel no sistema motor, o qual é degenerado pela doença) no cérebro. Após começar o tratamento, Ann tornou-se viciada em jogos, fato que pode ser explicado pela dopamina estar envolvida na dependência psicológica a vários vícios.

  O segundo exemplo nos traz os estudos sobre as imperfeições da mente humana, baseados nos jogadores considerados “mãos-quentes” (popularmente conhecidos no Brasil como “cestinhas”) da NBA. O foco da pesquisa foi saber se tal denominação influenciava os arremessos destes jogadores. Após várias análises, foi concluído que o evento de acertar ou não a cesta era aleatório, ou seja, ser ou não ser chamado de “mão-quente” não melhorava ou piorava o desempenho do jogador. Mesmo com as estatísticas, os fãs do esporte continuaram a acreditar que os chamados “mãos-quentes” possuíam uma porcentagem de acertos maior que a média dos não assim chamados. Mas por que isto ocorre? Mais uma vez, a dopamina é a responsável, pois está intimamente ligada à previsão de eventos considerados previsíveis, e também nos desvia do foco quando lidamos com aleatoriedade. Em relação aos jogadores, a dopamina distorce o senso de seu talento, levando-os a arremessos mais arriscados quando considerados “mãos-quentes”.

            Tal defeito no cérebro emocional pode ser observado no mercado de ações, uma vez que não se pode prever o movimento futuro das ações, pois se trata de um sistema aleatório. A possível previsão a curto prazo das flutuações na bolsa nos dá a ilusão de poder prever qualquer oscilação, o que caracterizaria um sistema não aleatório, ou seja, imaginaríamos tendências significativas onde há a apenas riscos sem sentido. Nesse ponto, a dopamina deixa o cérebro tão ansioso por maximizar recompensas inesperadas que acaba por levar o acionista a perigosas bolhas de mercado de ações.

            Para analisar esse efeito da dopamina, foi realizado um experimento em que alguns indivíduos receberam US$100,00 juntamente com informações básicas do mercado de ações. Em seguida, os jogadores escolheram o quanto iriam investir e o jogo continuou por vinte rodadas. Mas como o cérebro funciona com as flutuações de mercado? Cientistas descobriram um sinal neural que liberava dopamina no cérebro, interferindo nas decisões de investimento. Um jogador, ao investir apenas 10% de seu montante e observar o aumento da bolsa, tornou-se insatisfeito ao perceber o quanto deixou de lucrar. Os neurônios da dopamina estão fixados no lucro que ele perdeu, estas células calculam a diferença entre o melhor retorno possivel e o retorno real. Dessa forma, quando os mercados estavam estourando, os investidores continuaram a aumentar seus investimentos, pois não investir causaria um arrependimento, gerando assim o principal motivo das bolhas financeiras. O cérebro está convencido de que já decifrou o mercado de ações, e não pondera as possibilidades de perda. Logo, os neurônios dopaminérgicos não têm a capacidade para lidar com oscilações aleatórias da bolsa de valores.

            O próximo exemplo é o jogo “Topa ou não Topa” (“Deal or no Deal”), em que um competidor é confrontado com vinte e seis malas fechadas com quantidades variáveis de dinheiro (de US$0,01 à US$1000000,00). Sem saber o valor guardado em cada mala, o competidor escolhe uma única, que é então colocada em um cofre. Seu conteúdo não será revelado até que o jogo acabe. O jogador abre uma mala de cada vez e o seu conteúdo é revelado. A cada rodada o banqueiro (uma personagem do jogo) oferece uma quantia pela mala que se encontra no cofre. Nesse momento o jogador deve decidir se aceita ou não tal oferta. Se aceitar, sai do jogo com a quantia negociada com o banqueiro, e abre o cofre para conferir o valor da sua mala, caso contrário o jogo continua até restar apenas a mala do cofre. Tal decisão é influenciada por fatores emocionais, desconsiderando aspectos racionais e objetivos. O problema é que o cérebro foca na maior quantia possível (ponto de referência), tornando qualquer oferta menor que esta quantia uma perda dramática, desconsiderando a possibilidade de ganhos menores que os oferecidos. Logo, observamos mais uma vez as escolhas sendo influenciadas pelas emoções.

            O último exemplo é sobre Herman Palmer, consultor financeiro que auxilia seus clientes a utilizar de maneira racional o cartão de crédito. Muitos o procuram por não conseguirem controlar seus gastos com o cartão. Pagar no crédito muda a maneira de como gastamos, alterando nossas decisões financeiras. O problema do uso do cartão é que nossas emoções tendem a valorizar ganhos imediatos, o cérebro emocional simplesmente não entende coisas como taxas de juros ou pagamentos de dívida ou de financiamento e encargos. Os sentimentos enganam para fazer decisões financeiras insensatas. Novamente, decisões financeiras são tomadas pelo emocional e não pelo racional.

            Com a leitura deste capítulo, podemos observar a relação entre os compostos químicos do nosso sistema neural e as nossas emoções, também como e quanto tal relação influencia em nossas decisões. Isso ocorre porque a liberação de hormônios, como a dopamina, faz com que tomemos posições aparentemente sem lógica para a razão, porém, palpáveis na neuroestimulação por pressões exteriores. “

GRUPO 3

 

 

Como decidimos? Parte 2

 

“Resumo: How we decide – Capítulo 2

Logo na manha do dia 24 de Fevereiro de 1991, a primeira e a segunda divisões da marinha tinham uma difícil missão, libertar o Kuwait, que estava sob o domínio do Iraque há mais de 8 meses. Era uma difícil missão e deveria ser feita em menos de 100 horas, caso contrário a marinha veria o Kuwait se transformar em um campo de batalha com inúmeros civis no meio do fogo cruzado.

A Central de Comando (CENTCOM) estimava que as marinhas perderiam aproximadamente 5 a 10% de seus homens, pois os Iraquianos além de terem fortalecido suas bases estratégicas dentro do Kuwait e de “plantar” uma fileira de minas no deserto em volta da cidade, não seriam usados ataques aéreos, para que os danos colaterais e as baixas civis diminuíssem. Para ajudar nessa batalha, a aproximadamente 20 milhas da costa do Kuwait estavam helicópteros de ataque e navios de guerra.

Na manhã do ataque da marinha no Kuwait, navios de guerra americanos e britânicos que estavam no Golfo Persa foram colocados em estado de alerta com possibilidade de serem alvos de fogo inimigo.

As primeiras 24 horas da invasão foram além das expectativas após passar pelas minas e pelos arames farpados colocados pelos Iraquianos, a ideia era de ir direto ao centro do Kuwait. Graças aos tanques usados pelo exército americano ( M1 Abrams) que eram equipados com GPS e radares térmicos, foi possível invadir o centro na calada da noite. Ao chegar no centro, a marinha assegurou toda a costa e logo na manhã do dia 25 navios e helicópteros chegaram para ajudar a neutralizar uma base Iraquiana perto do porto de Ash Shuaybah.

Enquanto o ataque acontecia em Ash Shuaybah, o comandante Michael Riley era o responsável por monitoram os radares aéreos da região, era um trabalho difícil, eram 6 horas sem um leve descanso dentro de uma pequena sala olhando para um tela, depois 6 horas para dormir e comer e após esse pequeno descanso, voltar a pequena sala para ficar observando o radar. Eram 5:00 horas da manhã e Riley havia começado seu turno 12:00, quando um “bip” começou a sinalizar algo na tela (como ocorre o dia inteiro quando algum jato americanos A-6 para entregar equipamentos de guerra como armas, munição e bombas) porém Riley ficou desconfiado, e se fosse um míssil? Riley se encheu de medo, o ponto verde do mapa se aproximava de um navio americano a aproximadamente 550 milhas por hora, se Riley fosse derrubá-lo ele teria que fazer isso nesse momento, Riley se encheu de dúvidas, (e se fosse um míssil? Inúmeros marinheiros morreriam. Mas e se fosse um dos A-6 passando?) o ponto verde passava perto de onde os jatos A-6 passavam e com uma velocidade parecida. Para tornar as coisas ainda mais difíceis para Riley, os pilotos dos A-6 tinham o péssimo hábito de desligar o sistema de identificação eletrônica nos seus vôos, pois era mais fácil para que os Iraquianos soubessem que era um jato inimigo para soltar mísseis e não era por menos que os pilotos preferiam ficar menos visíveis a serem mais fáceis de serem abatidos.

Havia apenas uma maneira de distinguir um jato A-6 a um míssil inimigo, a altura em que eles trafegavam, o jato a 3000 pés enquanto um míssil usado por eles trafegavam a aproximadamente 1000 pes. Porem o único radar que poderia identificar a altura dos objetos era chamado de 909, e Riley não tinha nenhum perto. E mesmo se tivesse, Riley não teria tempo para verificar isso agora, ele só tinha tempo de apertar o botão, e ele fez. E a partir dai, ele somente observou a trajetória de seus 2 mísseis ate o objeto não identificados. Momentos depois o capitão do navio que estava perto de onde a explosão aconteceu entrou em contato com Riley e perguntou de quem eram os mísseis, Riley prontamente respondeu que eram dele, logo em seguida o capitão disse que não era possível investigar o que era porem iriam fazê-lo logo em seguida.

Riley obteve essa informação dias depois e com a análise dos destroços da colisão, foi possível determinar que o que ele havia abatido era um míssil Iraquiano. A conclusão de seus superiores foi que era impossível decifrar se era um A-6 ou se seria um míssil.

Esse era o que sabiam da história até 1999 quando Gary Klein começou a investigar o caso de Hiley, Klein era um psicólogo que estava sobre como as pessoas agiam em situações de extrema pressão. Após conversar com Hiley, Klein disse que nem ao menos Hiley sabia como tinha tomado essa decisão e que achava apenas que tinha sorte.

Após analisar as fitas dos radares usados na guerra e ver inúmeras vezes bips verdes do que seriam os A-6 e do que seriam misseis Iraquianos, Klein viu uma discrepância, ele finalmente conseguiu decifrar o intuito de Hiley de que aquilo seria um míssil. Graças ao motivo de que o A-6 voava a 3000 pés, e o míssil a 1000 pés, a velocidade com que o míssil chegasse no terceiro radar cerca de 8 segundos antes do que um A-6 e era esse o motivo de que Hiley sentiu que algo estava errado e sentiu um repentino “medo” e decidiu derrubá-lo.

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            A importância da dopamina foi descoberta por acaso quando dois cientistas, James Olds e Peter Milner decidiram implantar um eletrodo profundo no cérebro de um rato. Eles inseriram uma agulha na parte do cérebro que gera sensações agradáveis. Mas o prazer em excesso é fatal, pois, através de um experimento onde eles colocaram eletrodos no cérebro de roedores e depois passaram uma corrente em cada fio, quando os Naccs ficavam excitados eles faziam com que  houvesse uma perda de interesse em tudo, ou seja, não havia mais vontade de comer, beber ou fazer qualquer coisa causando portanto uma fatalidade.

            Demorou vários anos para que os cientistas descobrisse que o que ratos vinham sofrendo era por causa do excesso de dopamina, e a liberação maciça dela causa um cegamento por prazer. Esta então, tornou-se a explicação química para o sexo, as drogas e rock e roll.

            Mas a felicidade não é a única sensação que a dopamina produz, ela também ajuda a regular todas as emoções além de ajudar a decidir entre as alternativas existentes.

            Grande parte da compreensão do sistema dopaminérgico deve-se a pesquisa de Wolfram Schultz, um neurocientista da Universidade de Cambridge, que desde o começo da sua graduação se interessou nos neurotransmissores, devido ao seu papel no desencadeamento dos sintomas paralisantes do mal de Parkinson. Depois de anos de pesquisa ele notou que os neurônios de dopamina começaram a disparar um pouco antes dos animais envolvidos (macacos) receberem uma recompensa (um pedaço de banana, por exemplo), com isso ele chegou a conclusão que tinha encontrado o mecanismo de recompensa do trabalho no cérebro dos primatas.

            Depois de realizar experimentos que tinha como protocolo:ele soava um som alto, aguardava alguns segundos, e em seguida esguichava gotas de suco de maça na boca do macaco, Schultz descobriu que existiam células, chamadas de “neurônios de previsão”, que estavam mais preocupadas com a previsão de recompensas do que realmente recebê-las e uma vez que este simples padrão foi aprendido, os neurônios dopaminérgicos do macaco  se tornaram exatamente sensíveis a variações sobre ele. Se as previsões estavam corretas então a experiência teve um breve surto de dopamina, mas se não os neurônios de dopamina diminuíram a taxa de disparo, isto é conhecido como erro do sinal de predição, e o macaco se sente chateado. Percebemos então que o que é interessante sobre o sistema é a expectativa.

            Após refinar este conjunto de células de previsão, o cérebro compara estas previsões com o que realmente acontece. E as células de dopamina cuidadosamente monitoram a situação, se tudo está ocorrendo de acordo com o plano, seus neurônios dopaminérgicos secretam uma pequena explosão de prazer. Mas se as expectativas não são cumpridas as células de dopamina entram em greve. Elas instantaneamente mandam um sinal anunciando o erro e param de liberar a dopamina.

            O cérebro é projetado para amplificar o choque dessas previsões equivocadas.  Sempre que se experimenta algo inesperado o córtex imediatamente toma conhecimento. Dentro de milissegundos, a atividade das células do cérebro é inflamada em uma emoção poderosa.

            Este rápido processo celular começa em uma pequena área no centro do cérebro que é densa com os neurônios de dopamina.,o córtex cingulado anterior (ACC), é envolvido por um detector de erros. Sempre que os neurônios de dopamina fazem uma previsão equivocada o cérebro gera um único sinal elétrico, conhecido como erro relacionado a negatividade.

            o ACC ajuda a controlar a conversa entre o que nós sabemos e o que nós sentimos, ele força o indivíduo a notar o evento inesperado.

            Enquanto o ACC está alertando a consciência, também está enviando sinais para o hipotálamo, que regula aspectos fundamentais das funções corporais. Quando o ele está preocupado com alguma anomalia a preocupação é imediatamente traduzida em um sinal somático para os músculos para se prepararem para a ação. Dentro de segundos, a taxa da freqüência cardíaca aumenta , e a adrenalina derrama na corrente sanguínea. Esses sentimentos de flash obrigam-nos a responder a situação imediatamente.

            Mas o ACC não só monitora erros de previsão, ele também ajuda as células de dopamina a lembrar-se do que acabaram de aprender, internaliza as lições da vida real, e ainda garante que as previsões futuras são revisadas, assim pode-se saber exatamente quando a recompensa chegar

            Este é um aspecto essencial da tomada de decisão. Se não podemos incorporar as lições do passado em nossas decisões futuras, então estamos destinados a repetir indefinidamente os nossos erros. Quando a ACC é cirurgicamente removida do cérebro do macaco,  o comportamento do primata torna-se irregular e ineficaz, eles não podem mais prever recompensas ou dar sentido o que está ao seu redor.

            Através de experimentos os cientistas descobriram que animais com ACCs intactos não tiveram problema em realizar uma certa tarefa para receber a recompensa. Contudo, os animais (macacos) que estavam faltando seus ACCs demonstraram um defeito contando. Quando deixaram de serem recompensados por fazer uma tarefa, como por exemplo mover o joystick em uma certa direção, eles ainda eram capazes (na maior parte do tempo) de alterar a tarefa, movendo o joystick em outra direção, assim como os macacos normais. Contudo, eles não foram capazes de persistirem nesta estratégia bem sucedida e logo voltaram a fazer a tarefa inicial que não recebiam nenhuma recompensa. Eles nunca aprenderam a transformar um erro em uma lição duradoura. Já que esses animais não puderam atualizar suas previsões celulares, ficando irremediavelmente confusos com uma experiência simples.

            Então sabemos que animais com ACCs intactos são capazes de reter e atualizar informações para que consigam alguma tipo de recompensa. E animais sem ACCs não, ou seja, não são capazes de aprenderem a transformar um erro em uma lição duradoura senso assim não podem atualizar suas previsões celulares ficando confusos em simples tarefas.

Pessoa com números reduzidos de dopamina no ACC, tem mais dificuldade em aprender pelas experiências negativas, elas podem continuar a cometer os mesmos erros ao longo do tempo.

O “ACC” tem uma última ferramenta, que são as “spindle cells”, que estão em grande quantidade nos humanos. Essas células são capazes de captar as nossas emoções e as transmitir para o resto do cérebro em alta velocidade.

Apesar de praticamente imperceptível, esse processo todo é o que define a grande maioria das nossas decisões.

Sabemos, agora, que nossas emoções não são simplesmente guiadas pelos nossos instintos, que toda vez que você comete um erro, o cérebro trabalha para obter aprendizado da experiência vivida. Quando Shultz fez o experimento com os macacos, ele descobriu que levava só algumas tentativas até que os neurônios dos macacos soubessem exatamente quando esperar suas recompensas. E esse mesmo trabalho está sempre em movimento no cérebro humano. Dessa mesma forma, leva algumas viagens a barco para que se acostume a viajar dessa maneira sem sentir enjôos. Toda vez que passamos por uma situação que proporciona alegria, medo, desapontamento, felicidade, e todos os outros, nosso cérebro está ocupado, aprendendo a predizer o que acontece após essa situação.

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 Na década de 1990, o software Deep Blue, da IBM, derrotou Garry Kasparov, Grande Mestre Internacional de xadrez. Deep Blue era capaz de analisar mais de dois milhões de possíveis movimentos por segundo, permitindo selecionar sempre a melhor estratégia. Porém, Gerald Tesauro, programador da IBM, intrigado pela maior incapacidade da máquina – a de aprender – se inspirou para criar uma nova forma de inteligência artificial (IA). Tesauro então, criou, usando o gamão (jogo de tabuleiro) como base, um software de IA, que nomeou TD-Gammon. Enquanto o Deep Blue foi criado com milhares de estratégias, o TD-Gammon começou com apenas as regras do jogo, e fazia movimentos completamente aleatórios, perdendo todas as partidas. Porém, depois de algumas centenas de partidas contra ele mesmo, o software era capaz de derrotar até os melhores jogadores de gamão. Isso porque o software, assim como a mente humana, analisava todos os erros que o levavam a derrota, sendo assim, após várias partidas, capaz de prever qual o melhor movimento em determinada situação do jogo. Esse tipo de IA tem sido usada até hoje, em diversos problemas que parecem ter um número infinito de possibilidades.

            Um método foi criado, esse método de programação espelha a atividade dos neurônios de dopamina. Um experimento conhecido como Iowa Gambling Task desenvolvido pelo Neurocientista Antonio Damasio e Antoine Bechara consiste em um “jogo” que tem as seguintes regras: um sujeito recebe quatro baralhos, dois pretos e dois vermelhos, e $2000 de dinheiro do jogo, cada carta dizia ao jogador se ele deveria ganhar ou perder dinheiro, o sujeito foi instruído a virar uma carta de um dos quatro baralhos e fazer o máximo de dinheiro possível. As cartas não eram distribuídas aleatoriamente, os cientistas tinham fraudado o jogo, onde dois baralhos eram cheios de cartas de alto-risco e os outros dois baralhos eram sérios e conservadores. A maioria das pessoas experimentavam cartas de todas as pilhas, procurando pelas cartas mais lucrativas. Em média as pessoas pescavam cerca de cinquenta cartas até começar a pescar as cartas do baralho mais rentável, parece que são cerca de oitenta cartas, na média, antes do sujeito poder explicar porque favoreceu aquele baralho. A lógica é devagar.

            Os jogadores eram ligados a uma máquina que media a condução elétrica de sua pele, no geral os níveis mais altos de condução eram sinal de nervosismo e ansiedade. O que os cientistas descobriram é que quando o jogador pegava apenas dez cartas, sua mão ficava “nervosa”, quando ele obtinha cartas de baralhos negativos.

            Pacientes comprometidos neurologicamente, que eram incapazes de sentir qualquer emoção, geralmente faliam, enquanto a maioria das pessoas faziam quantias substanciais de dinheiro, porque esses pacientes eram incapazes de associar os baralhos ruins com seus maus pressentimentos. Como as respostas de relacionavam com as emoções? A resposta nos remete a dopamina, a molécula que dá origem a nossos sentimentos. Os cientistas descobriram que as células do cérebro humano são programadas assim como TD-Gammon (geram previsões do que irá acontecer e mensuram a diferença entre suas expectativas e os resultados reais). Se o jogador escolher o baralho ruim os neurônios de dopamina imediatamente param de agir, no entanto se o jogador escolher uma carta lucrativa, então o jogador sentirá prazer de estar certo. Os neurônios de dopamina automaticamente detectam padrões sutis, eles transformam previsões em emoções.

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                  Isso não significa que as pessoas podem se apoiar nessas células de emoções.  Os neurônios de dopamina precisam ser constantemente treinados e retreinados, ou sua precisão de previsão diminui.

                Leve em conta Bill Robertie, mestre em xadrez e um antigo vencedor do campeonato de xadrez rápido dos EUA. Ele é um profissional largamente respeitado no pôquer e autor de vários best-sellers. Contudo é mais conhecido por suas habilidades no gamão.  Gerald Tesauro estava  procurando por um profissional no gamão para competir com TD-Gammon, ele escolheu Robertie, ele queria que o computador aprendesse com o melhor. 

                O programa de software se tornou profissional, depois de fazer milhões de jogos pode se juntar à lista de computadores como o Deep Blue. Contudo  todas essas máquinas tem uma limitação rigorosa: elas podem ser profissionais em apenas um jogo.

                Xadrez, gamão e pôquer parecem depender de habilidades diferentes, porém Robertie consegue se sobressair nas três áreas.  Depois de jogar uma partida de xadrez, ou pôquer, ou gamão, Robertie revê o que aconteceu, cada decisão é criticada e analisada. Mesmo quando Robertie ganha ele procura seus erros, discernindo aquelas decisões que poderiam ter sido tomadas. Ele sabe que a autocrítica é o segredo para melhor a si mesmo.

Carol Dweck demonstrou que um dos principais ingredientes para o sucesso educacional é a capacidade de aprender com os erros. Dweck formulou um experimento em que alunos da 5ª série eram retirados da sala e faziam um teste relativamente fácil constituídos por quebra-cabeças não-verbais, depois que as crianças terminavam o teste os pesquisadores diziam as ao estudante sua pontuação e forneciam um simples frase de elogio. Logo ficou claro que o tipo de elogio dado aos alunos da 5ª série influenciavam drasticamente na escolha dos testes, quando as crianças eram elogiadas pelo esforço, 90% escolhiam o conjunto de quebra-cabeças mais difíceis, contudo as crianças que foram elogiadas por sua inteligência, a maioria escolhia o teste mais fácil. O outro experimento que dweck fez foi : ela deu aos mesmo estudantes um outro teste, este teste era projetado para ser extremamente difícil, os estudantes que tinham sido elogiados por seu esforço ficavam muito envolvidos, porém as crianças que tinham sido elogiadas por sua inteligência  facilmente eram desencorajadas.

Os testes finais foram muitos difíceis, ele nos mostra que os estudantes que foram elogiados por seus esforços melhoraram cerca de 30% e os estudantes que foram colocados no grupos dos “inteligentes” tiveram um decréscimo de 20% em sua pontuação. Isto diz que fazendo isso está se distorcendo a realidade neural dos estudantes.

Seu cérebro não vai rever os conceitos dele até que o mesmo não sofra com o erro, não existindo atalhos para isso.

Citando vários exemplos o melhor é o do Xadrezista Garry Kasparov, que mesmo indo bem em sua partida de xadrez ele vai e procura os mínimos erros possíveis, mesmo uma partida considerada perfeita, ele encontra pelo menos 30 erros, se o mesmo não encontrou tais erros e porque ele não prestou toda atenção possível. Mas depois destes erros encontrados, ele disse que joga com o instinto e com o faro, com estes erros ele diz que é a única forma de não erra novamente.

Como o Tenente Riley, que foi treinado a ver um símbolo e com seu bip, a achar se o símbolo é do avião do oponente ou de seu próprio pelotão, mesmo nunca vendo o mesmo no redar ele foi capaz de acertar e dizer para mandar os mísseis para abater o avião do oponente e assim salvando o seu cruzador de batalha.”

GRUPO 2  

Como Decidimos? Parte 1

 

Resumo: How we decide – Capítulo 1

Com apenas um minuto e vinte e um segundos restantes para o fim do jogo no Super Bowl 2002, os Rams estão quatorze pontos a frente dos Patriots. Tom Brady, quarterback dos Patriots, tem a chance de ganhar a partida, e seu técnico está muito confiante nisso. Magro e com um porte físico inferior ao dos outroxs atletas, Brady tinha um importante atributo: tomada de decisão.

Tom já havia estado em diversas situações de jogo, e sempre se saia muito bem em todas elas. Em outras palavras, ele tinha muito equilíbrio e estabilidade, não se deixava abalar sob pressão.

A rápida decisão tomada por um quarterback no campo de football nos fornece uma janela para dentro do funcionamento do cérebro. Essas decisões acontecem tão rápido que elas nem se parecem com decisões. As decisões de Tom dependem de uma longa lista de variáveis. Se ele fosse forçado a analisar essas decisões conscientemente, então cada passe necessitaria de uma série de cálculos trigonométricos e de ângulos. Mas como fazer tais cálculos quando se tem cinco homens furiosos vindo em sua direção? A resposta é simples: não há como. Então, como um quarterback é capaz de fazer isso, como tomamos uma decisão?

Para tal feito, um quarterback é forçado a avaliar cada uma de suas alternativas de passe sem saber ao certo como está fazendo tais avaliações. Brady escolhe um alvo sem entender exatamente porque tomou tal decisão. Ele acerta. Os Patriots acabam de vencer a partida!

E assim começa: o mistério da tomada decisão, um dos mais antigos mistérios do planeta. Muitas vezes tomamos decisões sem se quer saber o que está acontecendo dentro de nossas cabeças durante esse processo e mais, não conseguimos explicar o porquê escolhemos uma coisa a outra, simplesmente escolhemos. E quando decidimos o que fazer somos capazes de ignorar nossos sentimentos e pensar cuidadosamente sobre o problema. É exatamente este o elemento definidor da natureza humana.

Platão foi um dos pioneiros. Ele definiu a mente como uma carruagem puxada por dois cavalos. O cérebro racional é o cocheiro. Se um dos cavalos saírem do controle o cocheiro só precisa usar seu chicote para reafirmar sua autoridade.

Um dos cavalos é bem educado, comportado, já o outro é selvagem, surdo como um poste e obstinado, mesmo o melhor dos cocheiros tem dificuldades para controlá-lo. De acordo com Platão este cavalo representa negativas e destrutivas emoções.

Com essas simples metáfora, Platão divide a mente em duas esferas separadas: razão e emoção. E quando os cavalos querem diferentes coisas devemos nos recorrer ao cocheiro. Ele diz, “Se os melhores elementos da mente que levam a ordem e a filosofia prevalecerem, poderemos levar uma vida em felicidade e harmonia, mestres de nós mesmos”.

Esta divisão consagrou-se na cultura ocidental. Por um lado os seres humanos são parte animal, animais primitivos recheados de primitivos desejos. Por outro lado, também somos capazes de razão, previsão, abençoados pela racionalidade.

René Descartes concordou com a crítica ao sentimento. Ele afirmava que nosso ser era dividido em duas partes: uma alma santa capaz de raciocinar e um corpo carnal cheio de paixões mecânicas. Ele queria exemplificar a racionalidade em sua forma pura, para nos conhecermos clara e distintamente.

A fé cartesiana na razão tornou-se um princípio fundador da filosofia moderna. Com o passar do tempo vários pensadores queriam traduzir essa psicologia em termos práticos.

 A versão do século XX da metáfora platônica foi apresentada por Sigmund Freud, porém sua visão diferenciava-se a de Platão em alguns aspectos. Freud imaginou a mente humana como sendo dividida em uma série de partes em conflito. No centro da mente havia uma fábrica de desejos brutos e acima disso existia nosso ego (consciente), capaz de controlar o centro da mente. Pode-se comparar o centro da mente e o ego ao cocheiro e seus cavalos descritos por Platão.

Basicamente a psicanálise de Freud tentava ensinar os pacientes a reter seus cavalos, pois acreditava que os distúrbios mentais eram os efeitos de sentimentos desenfreados.

Com o tempo essa psicologia perdeu a credibilidade científica. Mas a ciência moderna tratou de realizar uma nova metáfora: a mente era um computador. De acordo com essa nova psicologia cognitiva, cada um de nós somos um conjuntos de programas de software rodando em três quilos neurais de hardware. Diminuindo a importância à emoção. Porém o problema de ver a mente deste modo é que esquecemos que computadores não têm sentimentos. Não há meios de transformá-los em estruturas lógicas de linguagem de computação.

Por muito tempo as pessoas menosprezaram o cérebro emocional, culpando nossos sentimentos por todos os nossos erros. A verdade é muito mais interessante: o que descobrimos quando olhamos para o cérebro é que os cavalos dependem do cocheiro e vice-versa. Se não fossem as emoções a razão não existiria.

Em 1982, um paciente chamado Elliot foi ao consultório neurologista de Antonio Damasio. Poucos meses antes, um tumor havia sido cortado do córtex de Elliot.

Antes da cirurgia, o paciente havia sido um exemplar pai e marido. Trabalhava arduamente na área de gestão em uma grande corporação e era membro ativo da igreja, mas a operação mudou tudo.

Apesar de seu QI permanecer o mesmo, uma falha psicológica foi percebida: ele não conseguia tomar uma decisão.

Esta disfunção tornou a vida normal impossível. Tarefas rotineiras que antes eram realizadas em dez minutos agora duravam horas.

Em pouco tempo Elliot foi demitido do emprego. Tentou iniciar novos negócios, mas foi enganado por um vigarista. Sua mulher se divorciou dele. E Elliot viu sua decadência como um homem com um intelecto normal, mas incapaz de tomar decisões.

Damasio diagnosticou seu paciente e obteve informações relevantes. Depois da cirurgia Elliot tornou-se controlado, descrevia cenas como um expectador, desapaixonado, descompromissado, sem tristeza, frustração, desprovido de qualquer tipo de emoção.

Para testar esse diagnóstico, Damasio testou em Elliot uma maquina que mediu a atividade das glândulas sudoríparas em suas palmas. Uma vez que, quando uma pessoa experimenta emoções fortes, a pele é despertada e as mãos suam. Damasio então mostrou vários tipos de fotos a Elliot, como um pé cortado, uma mulher nu, uma casa pegando fogo. E os resultados foram claros: Elliot não sentiu nada. A vida emcional dele era como a de um manequim.

Esta descoberta foi inusitada. O que tinha acontecido com Elliot? Por que não podia levar uma vida normal? Para Damasio a patologia de Elliot sugere que emoções são uma parte crucial do processo de tomada de decisão. Quando cortamos o sentimento, as decisões mais banais são impossíveis. Damasio então começou a estudar outros pacientes com padrões similares de danos cerebrais e viu o erro cometido por Descartes e a dificuldade dessas pessoas.

Ao estudar outros pacientes Damasio começou a compilar um mapa de sentindo, localizando as regiões específicas do cérebro responsáveis por gerar emoções.  Embora muitas diferentes áreas corticais contribuir para este processo, uma parte do cérebro pareceu particularmente importante: um pequeno circuito de tecido chamada córtex órbito-frontal, que fica logo atrás dos olhos, no ventre do frontal lobo.  Se esta dobra frágil de células é danificada por um tumor maligno, o resultado trágico é sempre o mesmo. No início, tudo parece normal, e depois o tumor é removido, o paciente é enviado para casa. A recuperação total é prevista. Mas então as coisas pequenas começam a dar errado. O paciente começa a parecer remoto, frio, distante. Essa pessoa anteriormente responsável de repente começa a fazer coisas irresponsáveis. As escolhas do cotidiano tornam-se terrivelmente difícil. É como se sua própria personalidade tivesse sido sistematicamente apagada.  A importância crucial de nossas emoções, o fato de que não pode tomar decisões sem eles, contradiz a convencional visão da natureza humana, com sua filosofia antiga raízes. O cérebro foi visualizado como consistindo de quatro camadas separadas, empilhadas em ordem crescente de complexidade.

Os cientistas explicaram a anatomia do cérebro humano da seguinte maneira: Na sua parte inferior era o tronco cerebral, que rege as funções mais básicas do corpo. Acima disso foi o diencéfalo, que regulamentou a fome e os ciclos do sono.

Então veio a região límbica, o que gerou emoções animais. Foi a fonte de luxúria, violência e comportamento impulsivo. Finalmente, houve o córtex frontal, a magnífica obra-prima da evolução, que era responsável pela razão, a moral, inteligência. A quarta camada do cérebro permitiu-nos para ignorar as três primeiras camadas. Nós éramos a única espécie capaz de se rebelar contra sentimentos primitivos e tomar decisões que eram desapaixonada e deliberada.

Mas esta narrativa anatômica é falsa. A expansão do córtex frontal durante a evolução humana não nos transformar em criaturas puramente racionais, capazes de ignorar nossos impulsos. Na verdade, a neurociência já sabe que o oposto é verdadeiro: uma parte significativa do nosso córtex frontal está envolvida com a emoção. David Hume, filósofo escocês do século XVIII que se agradou de idéias heréticas, estava certo quando ele declarou que a razão era “o escravo das paixões.”

Como funciona este sistema emocional do cérebro? O córtex orbitofrontal (OFC), a parte do cérebro que Elliot estava faltando, é responsável por integrar as emoções viscerais para o processo de tomada de decisão. Ele conecta-se os sentimentos gerados por “primitivos” do cérebro de áreas como o tronco cerebral e da amígdala, que está no sistema límbico para o fluxo de pensamento consciente. Quando uma pessoa é atraída para um receptor específico, ou um determinado prato principal no menu a mente está a tentar dizer-lhe que ele deve escolher essa opção. Ele já avaliou a alternativas, esta análise tem lugar fora de percepção consciente e que a avaliação convertido em uma emoção positiva. E quando ele vê um receptor que está bem coberto, ou cheira um alimento que ele não gosta, ou vislumbres uma ex-namorada, é o OFC que o faz querer fugir. 

O mundo é cheio de coisas, e são nossos sentimentos que nos ajudam a escolher entre elas.Quando essa conexão neural é rompida, quando nossos OFCs não podem compreender nossas próprias emoções, perdemos o acesso à riqueza de opiniões que normalmente dependem. 

O resultado final é que é impossível tomar decisões decentes. Esta é a razão pela qual o OFC é uma das poucas regiões corticais que são maiores em humanos do que em outros primatas. Enquanto Platão e Freud teria imaginado que o trabalho do OFC era para nos proteger de nossas emoções, para fortalecer a razão contra o sentimento, a sua função real é precisamente o oposto. Do ponto de vista do cérebro humano, o Homo sapiens é o animal mais emocional de todos.

Herb Stein vem dirigindo Days of Our Lives, uma novela na NBC, por vinte e cinco anos. Não é fácil fazer uma novela diurna. As exigências do formulário são esgotante: um novo episódio tem de ser filmado quase todos os dias. Nenhum outro tipo de entretenimento popular agita o material tanto em tão pouco tempo. Reviravoltas novos têm que ser sonhado, novos roteiros devem ser escritos, os atores precisam ensaiar, e cada cena deve ser meticulosamente planejado. Só então, uma vez que toda a preparação que está completa, são as câmeras ativadas. Ele disparou mais de cinqüenta mil cenas e lançou centenas de diferentes atores. Ele foi nomeado para oito Emmys. Ao longo de sua longa carreira, Stein presenciou cenas mais do melodrama de estupros, casamentos, nascimentos, mortes, confissões do que apenas sobre humano qualquer outro ser vivo.Ele é, por assim dizer, um especialista em melodrama: como escrevê-lo, bloqueá-lo, filme que, editá-lo e produzi-lo. 

Para Stein, o longo caminho para televisão diurna começou quando ele era um estudante na UCLA e ler A Oresteia, a trilogia de tragédias gregas clássicas escritas por Ésquilo. Foi a intemporalidade absoluta das peças-sua capacidade de falar com temas duradouros de que humanos fez querer estudar teatro. Quando fala sobre o drama Stein e não importa se ele está falando de Ésquilo ou Hospital Geral, ele tende a soar como um professor de literatura.  Fala Stein em longos monólogos digressivos e encontra grandes idéias nas tramas mais improváveis.

Stein é um dos mais bem sucedidos no negócio é contar a história para que as pessoas não perceber que você está contando uma história.  Tudo tem que sentir sincero, mesmo quando o que está acontecendo na tela é completamente estranho. Este é muito mais difícil do que parece. Vamos dizer que você está gravando uma cena em que uma mulher está dando à luz pais de gêmeos fraternos por dois homens diferentes, ambos os quais estão à beira do leito com ela Um dos pais é o vilão do show:. ele engravidou a mulher por estuprá-la O outro pai é o cara bom, ea mulher está profundamente. apaixonada por ele. No entanto, se ela não se casar com seu estuprador, então membros da sua família serão mortos.

A cena tem várias páginas de intenso diálogo , algumas lágrimas, e abundância de subtexto. Stein tem cerca de uma hora para atirar nele, que o obriga a tomar algumas decisões cruciais na mosca. Ele tem que descobrir onde cada personagem deve estar, como todos devem se mover, o que as emoções eles devem transmitir, e como cada uma das quatro câmeras devem capturar a ação.

Embora a cena tenha sido mapeada com antecedência, Stein ainda precisa fazer muitas dessas decisões no meio das filmagens, enquanto os atores estão entregando suas linhas. Durante as cenas complicadas, como a cena do nascimento com os dois pais, Stein parece um maestro de orquestra: os braços  estão ainda constantemente apontando para diferentes câmeras.

Quando você está criando televisão durante o dia, você tem apenas um dia. Este pressão do tempo implacável significa que Stein não pode dar ao luxo de pensar cuidadosamente através de todas suas escolhas câmera que ele não tem tempo de ser racional, ele precisa reagir ao drama, como é desdobramento nesse sentido, ele é como um zagueiro. no bolso. “Quando você atirar tantas cenas que eu tenho”, diz Stein, “você só sabe como as coisas devem ir. Eu posso assistir um ator dizer uma única linha e saber imediatamente que precisamos tentar novamente. Quando estamos filmando uma cena, é tudo muito instintivo. Mesmo quando vamos com um plano para derrubá-la, que o plano vai mudar muitas vezes no momento, dependendo de como ele se sente.”.

Confiança no instinto e “sentir ” também é uma parte crucial do processo de fundição. Sempre estão trazendo continuamente novos atores, em parte porque os atores são mais longas na mostra, os seus salários são mais elevados.

O tamanho da audiência oscila com o apelo dos atores, e um ator particularmente atraente pode criar um ponto na classificação.” Você está sempre procurando que a pessoa que as pessoas querem olhar “, diz Stein.” E eu não me refiro apenas atratividade. Eles têm que ter, e por isso, quero dizer tudo o que você não pode realmente colocar em palavras. “

A audiência de um programa de televisão tem uma relação proporcional com o quanto os atores podem ser atraentes frente ao publico. Mas como identificar isso? Decidir qual ator é o certo para o papel e para o tipo de programa é uma árdua tarefa. Tem-se que saber se ele suprirá as exigências do papel como, por exemplo, chorar sempre que for preciso e conseguir assimilar as falas.

Essas questões e escolhas se tornam menos trabalhosas e problemáticas ao passo que o diretor Stein ganha experiência na televisão, e com décadas de experiência ele aprende a confiar mais em seus sentimentos, o que chamamos de feelings. O diretor conta de momentos em que soube qual era o ator certo somente ouvindo-o por alguns segundos, isso depois de ouvir vários outros candidatos ao papel. Stein soube que ele era o certo, não podia explicar o porquê exatamente, mas tinha certeza de sua escolha.

Esse processo de feeling depende do lado emocional do cérebro. Enquanto o lado consciente analisa dados, informações, números precisos e etc. A parte inconsciente, ou emotiva, esta o tempo todo captando informações não exatas, não claras ou ate mesmo não perceptíveis e assim ela acaba se tornando a parte mais importante do nosso processo de pensamento. Todas as percepções que captamos são traduzidas em sinais emocionais que nos permitem agir de acordo com os cálculos subliminares feitos por nossa mente. Sem esse feeling levaríamos muito mais tempo para tomar decisão qualquer que fosse e provavelmente estaríamos errados. Os feelings são como atalhos para nossas ações e decisões.

Nosso cérebro foi desenvolvido por muito tempo para chegar ao que é hoje. Quando os primeiros Homos sapiens surgiram, já existiam várias formas de vida com cérebros totalmente especializados, como os dos animais e insetos. Peixes que podiam migrar pelos mares, aves que usavam os astros como guias entre muitos outros, mas tinham um porém, não poderiam fazer planejamentos ou desenvolver novas ferramentas, ou seja, o que não poderia ser feito automaticamente, não poderia ser feito. Nesse mundo a evolução do homem veio a mudar tudo. Nós humanos podíamos contemplar nossas emoções, descrever as cosias com palavras e raciocinar logicamente. Podíamos fazer planos e até segui-los.

Esses novos talentos foram incrivelmente úteis, porém incrivelmente novos. E como um software feito as pressas para seu lançamento no mercado nosso cérebro tinha falhas. Nesse quesito a natureza não teve o tempo suficiente para trabalhar tais estranhezas.

No entanto, nosso lado emocional do cérebro foi refinado pelas centenas de milhões de anos, tornando-o muito preciso e capaz de tomar decisões com pouquíssima informação. Se pararmos para calcular o tempo que um defensor de basquete tem para fazer o movimento e interceptar uma bola no meio do caminho da sesta, veremos que não é possível, pois o cérebro exige mais tempo que o disponível para fazer todos os cálculos e para nossos músculos obedecerem os comandos enviados a eles.

Mas então como é possível que jogadores profissionais consigam tal façanha? A resposta é que o cérebro começa a recolher informações sobre o arremesso muito antes de a bola deixar a mão do arremessador. Ele percebe detalhes como, posição dos cotovelos, das pernas, movimentos do corpo e outros, que são chamados de “pistas antecipadoras”. Um cérebro bem treinado em determinada atividade sabe exatamente quais detalhes procurar. E novamente, traduzidos essas percepções em sentimentos, nos auxiliam na tomada de decisões ou atitudes.

Em se falando dessas percepções e da nossa mente emocional, não existe computador que nos possa imitar. Eles não conseguem saber qual o melhor ator, como jogar basebol, futebol ou simplesmente andar de bicicleta. Por isso mesmo que quando a evolução estava forjando o cérebro ela não se preocupou em tornar todos esses processos emocionais em operações explicitas. Se algo não está quebrado, então a seleção natural não irá corrigi-lo. O processo de pensamento requer feeling. A razão sem a emoção é impotente.

A visão platônica do ser humano como animal com ausência quase total de instinto estava totalmente errada. De acordo com James, em seu livro Os Princípios da Psicologia, os hábitos, instintos e emoções no cérebro humano eram o que o fazia tão eficiente.

Foi feita uma triagem do que se passava pela cabeça de um lançador de futebol americano enquanto escolhe para quem lançar, e sempre que ele via um jogador de seu time que estava já marcado um sentimento negativo sobrevinha, e ele então deixava de fazer o passe, ate que visualizasse um jogador livre e então um sentimento de explosão sutil de emoção positiva o assegurava de que aquele seria o passe correto a se fazer, e nesse momento a bola voou!”

GRUPO 1

 

Começando a atividade de Finanças I

Hoje inicio postagens dos resumos do livro “How we decide”, de Jonah Lehrer, feitos pelos estudantes de Finanças I. Divididos em grupos de até cinco pessoas, devem ler e sintetizar capítulos do livro e, ao final, faremos uma apresentação geral de todos os grupos em sala de aula para consolidar as ideias principais e o aprendizado que a leitura propiciou.  

A ideia é que esta atividade conte com comentários de todos, e que tenhamos aqui, via Blog, uma ambiente informal e descontraído (e, claro, respeitoso) para debates e expressões de opiniões, para, assim, entendermos melhor o papel dos modelos econômicos que embasam a moderna teoria de finanças e, principalmente, suas limitações na compreensão dos fatores que influenciam a tomada de decisão.

Cada post com essa finalidade terá o título “Como decidimos? Part x” e será transcrito aqui tal qual enviado pelo grupo, com aspas e itálico para marcar a citação literal, ok? Os resumos, a julgar pelo conteúdo enviado pelo primeiro grupo, serão maiores que o tamanho médio dos posts que eu produzo, mas ainda assim resolvi postá-los integralmente, e não em trechos menores, como havia pensado originalmente, para evitar confusões e perda de fluidez na leitura.

Vamos lá! Boa atividade a todos!!

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